terça-feira, 31 de março de 2026

Cartas de Amor 119 / Epistulae Amoris CXIX


Reino da Pitangueira,
Planeta Terra & Lua,
3º do Sistema Solar,
Via Láctea, Zona Sul

Cartas de Amor 119 / Epistulae Amoris CXIX

Cartas sobre o dia que menti para você

Querida, estou em Ganimedes. Não só meu pensamento, mas também meu corpo, minha alma e sua ausência. Como vim parar aqui? Chorando e desesperançando da realidade pós adeus.

Enfim cheguei na maior lua do Sistema Solar e único satélite conhecido com campo magnético próprio. Daqui tenho uma perspectiva diferenciada do cosmos, embora as galáxias distantes sejam vistas de forma semelhante à da Terra, porém com um céu mais limpo e dominado pelo poder que emana do gigante Júpiter.

Visto a minha localização, sigo afirmando que menti para você do nada. Sem motivos aparentes, sem raiva, sem a necessidade de mentir, mas eu menti. Corri a alameda dos desencantos, a avenida dos presságios, a viela dos pensamentos inúteis e nada de encontrar ali, naqueles segundos  o motivo pelo qual menti para você. Na realidade (sim, há realidade e pós realidades e pré realidades aqui, ali, acolá).

Daqui não vejo a Terra, e com você ela é tão grande, tão representativa, mas não vejo. Nem a lua, nem seus olhos brilhando ao encontro dos meus. No fundo da escadaria das ladeira dos fracassos há um enorme cartaz com sua foto desfigurada num ângulo de triste e pesaroso adeus.

Queria ter escrito sobre o outono, que é minha estação preferida, queria falar do céu azul, do entardecer alaranjado, mas os neuro agentes do serviço secreto da repressão  do desamor gritam - eu menti para você. A verdade é tardia, inóspita, pueril até - eu sabia que amo você desde sempre para todo o sempre, mas mesmo assim disse adeus.

Tem dia que tudo que a pessoa precisa é da outra pessoa ao seu lado. Um cafuné no cabelo, um afago na face, um abraço apertado e um beijo apaixonado.  

É isto aí!



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