segunda-feira, 16 de março de 2026

Sobre frangos, gansos e baldes


“Esta história, de tradição e domínio popular, já apareceu neste blog em 18 de out. de 2012. Reaparece agora nesta versão revisada.”

Um homem simples, nascido e criado na roça, caminhava lentamente, à pé, de volta para sua humilde casa. No caminho passou na venda e comprou um balde, um galão de tinta, dois frangos e um ganso.

Quando saiu da loja, parou e ficou matutando sobre como levar as compras para casa.

Enquanto coçava a cabeça, apareceu uma mulher que disse estar perdida e perguntou como chegar ao Povoado das Andorinhas.

— Bem — disse o homem, tirando o surrado chapéu da cabeça —, minha roça fica próxima desse local. Eu a levaria até lá, mas ainda não resolvi como vou conseguir carregar tudo isto.

A mulher olhou para a carga e sugeriu:

— Coloque o galão de tinta dentro do balde, carregue o balde em uma das mãos, o ganso na outra e um frango sob cada braço.

— Muito obrigado — disse o homem. — É uma boa ideia.

E os dois seguiram o caminho. Andavam em silêncio até que ele disse:

— Vamos pegar este atalho pela margem do córrego, pois assim economizaremos tempo.

A mulher o olhou cautelosamente e disse:

— Meu senhor, saiba que sou uma viúva solitária e, portanto, não tenho marido para me defender. Como saberei se, quando estivermos no atalho, você não avançará sobre mim e me fará algum mal?

Respondeu prontamente o caipira:

— Isso é impossível! Estou carregando um balde, um galão de tinta, dois frangos e um ganso. Como eu poderia fazer isso com tantas coisas nas mãos? Se eu soltar as aves, elas fugirão!

— Muito simples — disse a viúva.
— Coloque o ganso no chão, ponha o balde invertido sobre ele, coloque o galão de tinta sobre o balde e... eu seguro os frangos. Ou amarro os dois pelo pé com meu lenço.

É isto aí!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gratidão!