— Arlindo, precisamos conversar...
— Nossa, Arlindo, como você é burro. Quarenta anos juntos e sempre o mesmo burro.
— Bem, pelo menos você achou alguma coisa em mim...
— Arlindo, eu tenho que falar uma coisa com você, e não sei como dizer isto.
— Terezinha, comece pelo mais simples.
— Odeio quando você faz este maldito trocadilho com meu nome, me chamando de Terezenha. Eu sei por que você faz isto. Você é um cretino, e eu descobri que este "enha" é porque você me julga seca, enrugada e inflexível como uma haste de lenha. E não desminta, porque ouvi esta versão de uma amiga — o marido dela, bêbado, que é da sua turminha de idiotas, contou achando graça.
— Vai, fala logo ou então termina esta conversa.
— Nem desmente. Cretino! Cretino! Ai, que ódio, meu Deus, que ódio... Arlindo, eu preciso te dizer uma coisa. Nem sei como falar, mas não posso mais esconder: isto está doendo muito em mim, esta vida dupla que estou levando. Arlindo... eu... eu... olha, Arlindo, quero que saiba que te amo, mas tenho um amante.
(silêncio)
— Um amante, Arlindo. Um homem que me ama, me seduz, me tem nos seus braços e me chama de amor.
(silêncio. Ele sorri.)
— Espera, você não vai falar nada? Diz pra mim, Arlindo, fala alguma coisa e tira este sorrisinho irônico do rosto... Perdoa, Arlindo, eu te traí porque te amo... Perdoa, meu amor...
(Ele gargalha.)
— Para de rir, Arlindo, para com isto... Espera, onde você vai? Volta, amor, não ria... Fiz isto por nós dois...
— Só vou no bar contar esta para os amigos. Depois eu volto...
— Volta, amor... Precisamos conversar mais sobre isto... É que estou grávida...
Ele parou. Virou-se lentamente.
— Grávida?
— É... (hesita) Bem que podia ser verdade.
Arlindo balançou a cabeça, rindo sozinho.
— Terezinha, você é muito divertida...
— Só para você ser corno...
— Aí eu teria te abandonado.
— É... Por este lado, melhor que não, não é, amor?
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