sábado, 25 de abril de 2026

Nunca gostei de caviar



Nunca gostei de comer com pimenta, nem de feijão, nem de torresmo, nem de jiló, mas tem uma coisa que me intriga - sempre gostei da feira livre, cercada de cores, de vidas, de tatos e contatos. A feira é atávica para todo o planeta. E que planeta,  hein? Cercado de água e terra e ilhas e vulcões que explodem aqui e ali matando, destruindo e desfazendo todo o ciclo de uma vida.

Só uma dúvida que acho que o leitor, tem, mas tem medo de perguntar: Por que os maus não morrem antes de completarem o primeiro suspiro neste ar de uma camada tão delgada de atmosfera? É bem verdade que seria monótona a vida por aqui se isto ocorresse.

A pergunta que não quer calar: Qual a relação do vulcão com o óbito precoce dos maus? 

Veja bem meu caro e prezado leitor, prezada e elegante senhora — Imagine esta vida  sem canalhas, escrotos, cafajestes, patifes, velhacos, biltres, safados, salafrários, crápulas, infames, vis, desprezíveis, ordinários, vira-latas e gentalhas. Sem sua existência o desemprego seria crítico e a vida sem sal, sem graça  e sem sentido. Onde espelhar-se-iam as virtudes dos trogloditas inocentes e úteis?

Não sei se preciso reavaliar isto, acho que está mal resolvido no meu inconsciente, mas dá para o gasto no frente a frente com a realidade. A verdade é que nunca gostei de caviar e sobrevivi bem até aqui. Caviar não combina com feira livre, nem com provação de doce de leite. 

Dia destes troquei todos os medicamentos numa ação aleatória, como são todas as ações que fazemos. Não deu muito certo, fiquei, estou, sei lá, estou estranho. Será? Freud, sempre ele, falava que comportamentos, escolhas, esquecimentos, lapsos de linguagem, piadas e sonhos não são aleatórios; eles possuem uma causa e um significado oculto, geralmente ligado a desejos reprimidos.

Enfim, desejo de forma clássica, que meu psicanalista se vire para explicar isto. 


*Fonte da imagem: Jornal Província

É isto aí!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gratidão!