Chegou à empresa pontualmente às nove da manhã. O prédio estava lacrado pela Justiça. Abordado por um oficial, identificou-se e foi levado à delegacia para prestar esclarecimentos. Não entendia nada. Ficou tão desorientado pela situação ridícula que teve um ataque de risos. Pediu um advogado e surpreendeu-se com a prontidão da assistência.
Uma advogada que passava por ali apresentou-se imediatamente. Folheou as páginas de um suposto dossiê, entregou-lhe um cartão e garantiu que tudo ficaria bem. Em seguida, desapareceu. O delegado olhou para ele com desdém:
— Pediu um advogado e já foi atendido. Vai querer um chá gelado também? Agora fala tudo, conta o que eu quero ouvir e a gente acaba logo com este teatro. Vai, solta a garganta, doutor... conta tudo.
— Tudo o quê? O que vocês querem? Como assim? O que estou fazendo aqui? O que aconteceu com minha empresa?
O telefone tocou. O delegado atendeu e lançou lhe um olhar de ira profunda. Desligou e, apontando para a saída, ordenou:
— Saia daqui agora. Sai! Sai agora!
— Mas, mas... espera, me explique alguma coisa!
Dois agentes o carregaram até a porta e o jogaram na calçada. Enquanto se levantava, notou um homem de terno azul-marinho observando tudo do outro lado da rua, com uma indiferença que o incomodava.
Ligou para os dois sócios: nada. Ligou para o amigo deputado: mandaram dizer que não estava. Ligou para o seu advogado: estava viajando. Parou um táxi e voltou para casa. A porta estava destrancada. Entrou e deparou com um bilhete preso ao sofá, escrito em letras garrafais com pincel atômico neon: 'ADEUS. NUNCA MAIS EU VOLTO'. No espelho da suíte, a frase 'Chega de escândalos' estava escrita com batom.
Pensou e repensou, até começar a perceber que algo o empurrava para um destino do qual, até então, se esquivara. Deitou-se; logo veio o sono e acordou em Bucareste. Cada vez que adormecia, despertava em um lugar diferente, até que um dia recebeu uma ligação de um número desconhecido. Ao atender, percebeu de relance, alguém no canto do salão. Daí foi imediatamente abduzido. Nunca mais apareceu. Enquanto isso, num canto do imenso salão, Mário observava o processo.
É isto aí!

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