Reino da Pitangueira,
Planeta Terra & Lua,
3º do Sistema Solar,
Via Láctea, Zona Sul
Cartas de Amor 118 / Epistulae Amoris CXVIII
Querida, o que poderia ter sido dito antes?
Já explico. Calma, meu bem! Existem muitas maneiras de olhar o mundo, mas a que nos identifica — um como coisa e pertencimento do outro — é única. Como já falei com você em cartas anteriores, o amor é uma construção de sentidos, que pode oscilar entre a busca racional pela virtude e a irracionalidade da paixão.
Sim, sei que estamos cada um náufrago das suas próprias escolhas. Estamos em lugares diferentes, com pessoas diferentes. Ainda assim, somos iguais neste ágape que representa o amor que não busca a própria vantagem, mas o benefício de um dentro do outro.. Assim seguimos em terras distantes, pessoas diferentes e o amor único, abraçando-nos com tal carinho que nossos desejos preservados nos sonhos nunca se apagam.
Não há culpados, nem estamos nos acusando pela posição geográfica antagônica que escolhemos como caminho único da vida de cada um. Isso não importa mais quando se contempla o que não foi vivido plenamente, dentro de todo o amor que nos une.
Eu me lembro de você sem proferir seus detalhes: sua boca, seus olhos, sua pele. Enfim, há sempre ternura em sua existência dentro deste universo de neurônios que a mantém viva em mim. Envelheci — sério, pode rir — adoro ver você sorrindo. Como falava, envelheci, mas você é matéria atemporal do mais livre gostar. Sinto sua falta, sinto sua presença, sinto sua voz, sinto muito por termos navegado por mares distintos.
Querida, eu não sei falar — ou talvez, sei lá, pode até ser que sim —, mas eu preciso dizer que, apesar de tudo, sou mais você. Um cafuné no cabelo, um afago na face, um abraço apertado e um beijo apaixonado.
Do seu para todo sempre —
Eu.
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