domingo, 1 de março de 2026

Cartas de Amor 116 / Epistulae Amoris CXVI


Reino da Pitangueira,
Planeta Terra & Lua,
3º do Sistema Solar,
Via Láctea, Zona Sul

Querida, ficar sem a sua presença real é a prova de que a vida perdeu o seu significado intrínseco. Não você e eu aqui e acolá, mas nós é que temos importância, significação por si próprios, independentemente da relação com outras coisas.

Calma, meu bem. Por favor, não chore — sei que essa sensação de que algo fundamental está faltando serve para ambos. Há ainda, preso aos quereres, este tédio navegado pela saudade, que não se resolve por si só. Sabe o que mais? Longe de você, permanentemente, falta o interesse por atividades que são prazerosas somente ao seu lado.

Partindo da premissa de que não basta entender este complexo vazio existencial que habita minha mente, busco uma atitude emocional que seja antagonista perfeita para sair da dor e encontrar as respostas. Não quero me estender por demais nesta carta, meu bem. Seus olhos encontraram os meus numa magnífica experiência onírica que há pouco findou.

Meu amor, voltemos logo à nossa existência única. Amanhã contarei como saudei a Rainha de Longínqua, um paraíso situado longe, muito, muito longe dos que não sabem o que é o amor.

Saudades! Um abraço, um beijo e um afago.


É isto aí!