segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Agora sei do caminho.

 

Na casa ao lado direito da minha residia um casal amigo, bem tranquilo, gostavam de dar festas animadas, até que um dia surgiram seis, sim, eu vi e contei, seis homens vestidos com um rigor elegante e assustador, vieram e os levaram. 

Achei que nunca mais os veria, e mesmo nos noticiários mais apelativos nada, nenhuma palavra, nenhum comentário, nem no jornal do bairro, nem nas mesas do boteco, nada - nenhuma palavra.

 Cerca de quatro anos depois retornaram à mesma casa, sem festa, sem brilho, sem riqueza aparente. Levamos meses para nos reaproximarmos, mas nunca mais foi a mesma coisa. Era um bom dia discreto, um sorriso sem força.

Um dia, do nada, nos convidaram para um vinho. Achei aquilo estranho e declinei do convite. Na manhã seguinte, a esposa do vizinho, muito boita e educada, fez -me garantir que naquela noite estaríamos na festa do vinho. 

Chegamos pontualmente no horário marcado. Começamos a beber vinho, mais um copo até acordar num lugar estranho, sozinho, sem vinho sem nada. Saí  cambaleante. Andei por caminhos estranhos por cerca de dois dias. Dormi sob uma figueira e ao acordar estava diante d minha casa. A porta trancada, havia música e conversas vindo de dentro.

Insisti na campainha, a porta abriu lentamente e um homem que era eu surgiu com olhar inquisidor do qual fiquei confuso e voltei a andar. Agora sei do caminho.

 É isso aí!