sexta-feira, 16 de outubro de 2026

O homem de alma tacanha


Naquela manhã chuvosa, éramos cerca de 40 pessoas subindo o Monte para escutarmos e bebermos da sabedoria do Mago da Pitangueira. Queríamos escutar sobre como escolher o melhor candidato para as eleições do Reino. A subida era sempre difícil e com as águas da primavera não poderia ser diferente.

Na última curva avistamos o Mestre, em pé com o mesmo ar de serenidade de sempre, já aguardando nossas indagações.

- Salve Mestre, viemos escutar suas palavras sempre sábias. 

- Pois perguntem, mas ante descansem um pouco, para a mente fluir melhores pensamentos.

- Mestre, como sabe, estamos próximos das eleições do Reino da Pitangueira. Como sabermos se estamos escolhendo o melhor candidato?

- Meus queridos seguidores, primeiro siga seu coração, e siga conhecendo as propostas dos candidatos, sua biografia, seus feitos, seu carisma e a afinidade pelas valsas públicas. 

- Só isto basta, Mestre?

- Não. Há um candidato que vocês nunca ouviram falar, sai das sombras e vem para o centro com uma luz estranha, deste afasta-se. 

- Mas como saberei se este candidato é o que deve ser evitado:

- Guardem o que estou ensinando a vocês hoje para que sirva pela vida toda. Este candidato tem  a alma tacanha. 

- Alma tacanha? Como identificar uma pessoa assim?

- Saibam que este ser humano é como uma serpente venenosa, insidiosa e traiçoeira. Tem limitações intelectuais, egoísmo e pequenez moral. Vive em um mundo reduzido à sua própria existência, e como se não bastasse,  não há espaço na sua vida para a grandeza de espírito, a generosidade ou a empatia.

As principais características que moldam o comportamento e a personalidade de um homem assim estão listadas a seguir. Há neste indivíduo uma mesquinhez material e emocional uma vez que economiza não apenas dinheiro, mas também afeto. Sente uma dor genuína ao ver o sucesso alheio e calcula cada pequeno favor que faz, esperando sempre algo em troca.

Perceberá rapidamente que possui uma visão de mundo limitada, inveja crônica, orgulho das próprias limitações e ausência de empatia, de tal grau de desprezo que o sofrimento dos outros não o comove, a menos que o afete diretamente e é incapaz de se colocar no lugar de alguém ou de agir por puro altruísmo.

Saibam que conviver com uma pessoa de alma tacanha é exaustivo.  Sempre sufoca o ambiente com sua negatividade, fofocas e críticas destrutivas. Suas conversas orbitam em torno de banalidades, reclamações ou julgamentos sobre a vida alheia, pois ele carece de profundidade para debater grandes ideias, sentimentos ou projetos.

Agora voltem para suas casas.


É isto aí!

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