quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Gente como a gente - Micarla e seu pai



Aí a gente se emociona como pai lendo uma coisa deste porte. Obrigado Micarla, não a conheço, mas tenho orgulho de você e do seu pai:

https://www.facebook.com/micarla.lins/posts/1280379148641104

Micarla Linscom Pedro Monics.
20 de setembro às 15:06 · Rio de Janeiro ·

Hoje li a seguinte frase: " Saber escrever direito não é inteligência, é privilégio. " e isso me fez relembrar da seguinte conversa com meu pai, acho que nunca chorei tanto na vida quando recebi um pedido de desculpas dele por não saber escrever, meu pai não teve uma vida nada fácil hoje em dia ele só sabe ler, mas não sabe escrever quase nada e isso me faz lembrar de todas as vezes que ouço piadas por coisas que estão escritas de maneira "errada" quantas vezes você já dispôs a ler pra alguém? Quantas vezes você já se ofereceu pra ensinar alguém a escrever? Então ao invés de acharem graça toda vez que virem algo escrito errado se lembrem de um pai pedindo perdão a filha por não conseguir falar com ela pois não sabe escrever. Que eu consiga usar do meu privilégio pro meu pai não precisar passar por esse tipo de piada. To cansada já tá na hora de vocês aceitarem que nem todo mundo tem as mesmas oportunidades.















Dura lex sed latex*

Planeta Marte, 63 de Hydref do Ano Delta de Log

Prezado Monsenhor Csaló et Caterva et Cætera
Mui Dogno Gilposta
República dos 'yan fashi tropicais

Conforme solicitado pelo vosso xansseler Cer Rá de Nilfgaard, segue em anexo todo o nosso programa de adesão ao estímulo tangencial de crescimento descendente ao qual estamos engajados pelo desejo concreto do Feitiço dos Áquilas, Sioux e Comanches, fieis na luta contra os maus, os ruins e os piores. Garanto que pode copiar, aprimorar, melhorar e até dizer que é seu, pois o importante é importar, e importar é o que importa.

Agradeço imensamente a visita do seu xansseler e trupe no nosso planeta, cuja despedida foi esfuziante, com direitos a línguas e mãos em frenesi, mas talvez, parece, sem querer, na confusão das malas, molas e meias, levaram algumas coisas que por descuido, não lhes pertencem, e que gostaríamos de ter de volta, assim que ler esta carta.

Aqui em Marte, como vosso emissário pode verificar in loco,  estamos fazendo amplas e profundas reformas que modernizarão de vez por todas a nossa distinta classe marciana. Abaixo cito alguns dos pequenos avanços sociais que estamos desprendendo, com amplo apoio da sociedade ... sociedade ..., bem isto não vem ao acaso, temos amplo apoio, e o resto não interessa:

1 - Assistência social - Daqui prá frente tudo vai ser diferente e pobre tem que aprender a ser gente pela meritocracia. Marte é grande, em se plantando tudo dá, tem rios, peixes, lagos e ar livre. Então que busquem nos seus conhecimentos primitivos a sobrevivência apenas na natureza, por que quem sempre paga o pato são os bons, os ricos e os humildes senhores do engenho (de dentro e de fora). Desta forma, em pouco tempo apenas os fortes sobreviverão, fortalecendo assim a nossa crença marwiniana de mudar esta raça para sempre permanecerem mudos, surdos e cegos - por que, vou te falar um negócio - que raça chata.

2 - Educação - Nossos índices de educação nas principais províncias, as mais ricas, as mais honestas, as mais poderosas, estão abaixo do desejado, apesar do grande esforço dos governadores locais em acabar com pobres, amarelos e vermelhos nas escolas públicas, pelo programa Menos Merenda e Mais Merengue. Como solução vamos acabar com o ensino médio e oferecer material didático do ensino pré-mental com opções de escolha para a cor do lápis. Assim os índices sobem e quero ver aqueles mequetrefes e aquelas enjoadas das pedagogas que se acham, falarem alguma coisa.

No âmbito federal - Nosso Departamento de Propaganda criou a máxima "Só aos bons cabe o saber". Fechamos tudo, afinal os maus, os ruins e os piores estavam na sua ampla maioria acomodados nas nossas custas, justo nós, os bons!

3 - Saúde - Aqui em Marte, mais uma vez nosso departamento de propaganda fascimarcitana lançou a ideia da Lei do menor esforço e da melhor produção:

"Se você está doente é problema seu. O Estado Marciano decidiu que a vida particular dos outros é dos outros".

4 - Indústrias de Base - Vamos fechar todas. Afinal em Saturno existem excelentes indústrias que podem nos fornecer produtos acabados sem que precisemos fabricar.

5 - Água - A água é nossa, conforme acordo do nosso opíparo congresso. Cada congressista ficou com um lote de nascentes, das quais poderá tirar proveito para sustento da família interna, externa e lateral.

6 - Energia - Bobagem - Luz de velas sempre foi fiel aos nossos preceitos. 

7 - Estado Laico - O Estado é laico, graças aos nobres congressistas que nos mostraram a luz e as vantagens facilitadas de obtermos a salvação glorificada, adquirindo um pedaço da Via Láctea como nosso patrimônio pessoal, dedutível do Imposto de Renda, afinal está escrito - só os ricos herdarão do pai, afinal pobre herda o que, não é mesmo?

Religiosos da qualidade do Missionário Kishili, do Mestre Lub Nroog Yeiuxalees, do Bispo Anniwair e vários outros importantes catequistas, liderados pelo grande, inigualável, super e único Pastor Máximus Cedus, estão eliminando a fé nas falsas profecias, nos falsos profetas e o ateísmo hediondo com a criação do Templo Único da Transformação de Marte.

Aos incautos e incrédulos mostram-lhes a face da luz pela máxima - "Deuses são o que sois, pois dir-lhes-ei e transforma-se-ão, então di-lo-á e fa-lo-ei aos bons, só e somente só aos homens de bem"

Este lema do Templo foi revelado ao então pagão e nômade Mínimus Tardio, que no momento da aparição foi batizado, iluminado, enriquecido, banhado em ouro e transformado no Líder Máximus Cedus, por um anjo da Constelação de Hydrus, acompanhado de uma anja da Constelação de Hydra.

O Líder traduziu a união do anjo com a anja, como o início de uma nova era, onde Hydra é a Cobra Fêmea e Hydrus a Cobra macho. Desta visão messiânica advém o simbólico da nova espiritualidade marciana, onde cobra engole cobra e quem sobrevive é foda.

8 - Trabalho - Que que tem? Negociação direta, olho no olho. Quer trabalhar aqui em Marte? Tem que dar o que eu quero e ganhar o que eu pago. Tem nada disto de intermediários. Tudo muito claro, às vistas da tênue luz de Madame Bachwr, a nossa Ministra  Blassé da Integração Social.

9 - Previdência - Papai já dizia - seja previdente. Se não o foi, azar o seu, por que o meu já está garantido.

10 - Minorias, mulheres, nativos e outros chatos - Olha só,  Monsenhor Csaló, minoria é o que é - minoria, então que se danem. Enfim, dura lex sed latex.

É isto aí!

* É de Fernando Sabino a frase:
 “Para os pobres, é dura lex, sed lex. A lei é dura, mas é a lei.
Para os ricos, é dura lex, sed latex. A lei é dura, mas estica”


quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Canalhas

Canalhas
Canalhas Canalhas
Canalhas Canalhas Canalhas
Canalhas Canalhas Canalhas Canalhas
Canalhas Canalhas Canalhas Canalhas Canalhas
Canalhas Canalhas Canalhas Canalhas Canalhas 
Canalhas Canalhas Canalhas Canalhas Canalhas 
Canalhas Canalhas Canalhas Canalhas Canalhas  
Canalhas Canalhas Canalhas Canalhas Canalhas 
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Canalhas Canalhas 
Canalhas 





terça-feira, 20 de setembro de 2016

Pão com queijo ou pão de queijo?

Resultado de imagem para pão de queijo

No Reino da Pitangueira o famoso Pão de Queijo da Pitangueira tem queijo e deve ser acompanhado de um café muito bom demais da conta.

Como é um prato requintado da nossa culinária, demora um pouco mais do que estes congelados que dissolvem na sua mesa, têm aspecto de borracha e endurecem em minutos após esfriarem.

Vamos lá - leva uns 40 minutos, ok?

Primeiro de tudo, lave as mãos, e por favor, nunca, jamais, em tempo algum enxugue suas mãozinhas supostamente limpas no famoso pano de prato pendurado em algum lugar estratégico da cozinha - aliás, aquele pano de prato deveria ser trocado pelo menos uma vez ao dia - todo dia.

Falando em lavar as mãos, já lavou a sua caixa d'água este ano? Como a qualidade da água que você recebe - e paga caro por isto - pode e deve ser questionada (sempre), não custa nada tomar medidas profiláticas. Sabe aquela dor de cabeça crônica? aquela cólica chata? aquela diarreia que só aparece nas segundas feiras (afinal você ficou em casa todo o final de semana)? aquela coceira irritante nas partes púbicas? aquele cheiro intenso nas axilas que apareceu recentemente? aquela coceira capilar? a cólica menstrual que aumentou demais da conta? a menstruação que está desregulada? Pois é, você tem duas medidas simples que podem eliminar grande parte destas coisas:

Medida 1 - Lave a sua caixa d'água 2 vezes/ano e tampe bem tampada. Nunca deixe a sua caixa exposta ao sol. Humm, entendo - ela foi colocada por último. Coloca uma lona em cima dela - é feio mas tá pago.

Medida 2 - Coloque um filtro industrial antes da caixa d'água ou após o hidrômetro, o que for mais fácil e mantenha ele em constante operação de limpeza. (Eu tenho três filtros seriais - um de areia, um de celulose e um de cerâmica - e garanto - é um horror o que vejo impregnado neles).

Antes de prosseguir - a água que você consome é de refrigerador externo ou fica em vasilhas na geladeira? No caso do refrigerador/bebedouro externo, troque a vela de 6/6 meses e no caso de recipientes de água na geladeira, lave com água e sabão pelo menos uma vez por semana.

Ah! Você prefere água mineral? Não há nenhuma garantia de que aquela água em delicados frascos azuis sejam puras, aliás, isto é impossível. Além disto, lacres vão e vem, e águas são águas, se é que você me entende. Além disto, vamos considerar que a água que você comprou naquele lindo garrafão, veio diretamente de uma fonte autorizada, mas você não quer nem saber que o galão já passou por hospitais, presídios, fábricas, comércio, escolas, creches, casas, condomínios, etc, está ali, cheio de ranhuras externas visíveis e internas quase invisíveis e você ali, jurando que tudo isto é normal, que não tem preconceito de bactérias e outros bichos aquáticos. Neurótico, eu? Não, mas água é o maior veículo de transmissão de doenças do mundo.

Ainda falando dos galões, quantas vezes você já desmontou e limpou com álcool 70° a parte interna do seu bebedouro/refrigerador? Nunca? Parabéns, você é um dos grandes veiculadores de enfermidades na sua casa. Mas espera aí, eu faço isto sim  e uso álcool absoluto, ou então álcool de cereais, então eu sou phoda - rá-rá-rá ... pois é, com álcool absoluto e/ou álcool de cereais, a única coisa que você consegue é alcoolizar as algas, bactérias e outros bichos que por ali passam o verão.

A única concentração de álcool capaz de destruir estes seres microscópicos é o álcool 70°, que sai bem mais barato do que analgésicos, antibióticos, e outras drogas legais que temos por aí. Compre um litro numa farmácia de manipulação - o prazo de validade é indefinido, portanto, use e abuse.

Voltando ao tema, além da sua arte culinária, este pão de queijo consome apenas três ingredientes, e dá aí uns 20 a 25 pãezinhos, dependendo da sua vontade por maiores ou menores.

Ingredientes para o Pão de Queijo da Pitangueira:


1 caixinha de creme de leite (200 ml)


Atenção, presta muita atenção, por que depois vai ficar falando que leu a receita aqui, que deu tudo errado, que não era nada disto, etc e tal. Por que tem que ser o Creme de Leite de caixinha? Eu sou do tipo que só usa Creme de Leite fresco (eita - mas que coisa, hem!) ou então do da lata. Pois é ...

Saiba que o Creme de leite fresco é o creme de leite que compramos em garrafa e fica na parte de laticínios dos supermercados e padarias (refrigeradores). Deve ser mantido obrigatoriamente sob refrigeração, é o responsável pelo verdadeiro chantilly (basta batê-lo com uma batedeira até ficar espesso, mas cuidado para não bater demais de virar manteiga!).

É um creme com maior teor de gordura (cerca de 35%)  e quanto mais branco o creme, maior o teor de gordura e melhor sua qualidade. Pode ir ao fogo sem problemas, pois não irá talhar, podendo ser fervido. Não pode ser substituído pelo creme de leite de caixinha, pois o fresco pode ser fervido e reduzido sem alterar suas características, enquanto o de caixinha irá talhar ao ser fervido.

Creme de leite de caixinha: Muito comum de ser encontrado, normalmente possui cerca de 25% de gordura. É o ideal para ganaches, caldas, pudim, molhos, sobremesas, porém não pode ser fervido, senão irá talhar. É conhecido também como cream, single cream (inglês), crème liquide (francês), panna (italiano) ou natas (em Portugal). Após abrir a caixinha, guarde na geladeira, de preferência em outro recipiente tampado.

Creme de leite de lata: Possui normalmente a mesma quantidade de gordura (cerca de 25%) que o creme de leite de caixinha, porém vem com o soro separado e normalmente é menos encorpado. Na hora de utilizar uma receita, a menos que esta peça para separar o creme de leite do soro, misture o conteúdo com uma colher e utilize por completo o conteúdo da lata. Após abrir a lata e não utilizar todo o conteúdo retire da lata, e guarde na geladeira num pote fechado.

Se você for destes radicais, que só fuma, digo, só usa do da lata, o creme de leite de lata pode até ser usado, mas você aí terá que colocar o soro que está sobrando na lata, sem misturar com o dedo, cabo de faca, e outras coisas estranhas com as quais acha que faz bem, em um copo, e num outro recipiente (limpo) que pode ser outro copo, enfim tira o soro e separa 200 mL do que ficar na lata.

2 - 250 mL de queijo ralado - pode ser parmesão + mussarela 

Mas como eu em mim farei 250 mL de queijo ralado?
Duas opções:
Opção A - Chame o Chapolin Colorado
Opção B - Pegue um Copo Medidor e vai despejando o queijo ralado até atingir o Volume de 250 mL marcado no Copo Medidor.


3 - 250 mL de polvilho 


Pode ser o Polvilho doce? Pode!!!
Pode ser o Polvilho Azedo? Poooodeee!!!
Pode ser com os dois? Acho que não.
Pode ser o Polvilho Antisséptico Granado? Não, né, mané!

Modo de preparo:

Num recipiente de vidro, limpo e lavado, coloque o Creme de Leite de Caixinha (200 mL).

Pode colocar, eu espero.

Colocou? Muito bem.

Vá misturando o queijo ralado ao Creme de Leite até ficar homogênea a mistura.

Ho mo gê nea ... isto, é uma coisa onde tudo é igual.

Vá colocando o Polviho (pode ser doce ou azedo) e fazendo a massa com as suas mãos limpas, lavadas e prontas para uso doméstico. Ao findar o Polvilho, continue amassando (pegando na massa - amassar), até que ela não fixe mais na sua mão. Caso seu polvilho seja daqueles batizados com outras coisas, ou mesmo vencido, poderá não atingir este ponto com os 250 mL, então deverá ir bem devagar, polvilhando e amassando até chegar a este ponto de massa que possa ser enrolada para fazer as bolinhas de pão de queijo.

Faça as bolinhas, do tamanho que desejar - lembre-se, se forem muiito pequenas não ficará legal.

Dicas hipertensas, malaguentas e outras:

Se achar necessário, acrescente sal à massa antes de formatar os bolinhos que serão o seu pão de queijo. Mas é pouco sal.

Se achar necessário, pode colocar uma pimenta malagueta ralada, bem triturada, bem picadinha mesmo, à massa.

Se achar necessário, pode colocar ervas finas, desde que bem trituradas, ultra-finas, à massa, antes de fazer os bolinhos.

Se achar necessário, pode acrescentar orégano (triturado, bem triturado)

Se achar necessário, pode acrescentar presunto, bem ralado à massa.

Se achar necessário, pode colocar amêndoas, nozes, etc.

Coloque em forma (untada ou não) e asse em forno pre-aquecido bem quente

Você poderá untar com manteiga (de preferência) a forma e polvilhar com farinha de trigo.

Experiências aqui e ali afirmam que para dar um tique caipira, a farinha de trigo pode ser substituída por fubá de milho.

Outras experiências, para chocólatras, permitem que você polvilhe a forma untada com uma mistura de farinha de trigo e um pouquinho de chocolate em pó.

Os dependentes de açúcar poderão forrar o fundo da forma com papel manteiga, polvilhar açúcar no lugar da farinha para obter uma casquinha crocante nas laterais e no fundo. Mas não exagere que o açúcar derrete e pode queimar.

Alguns colocam goiabada como recheio, outros colocam geleia de laranja, enfim, faça o seu recheio, o Pão de Queijo aceita quase tudo.

Asse até ficarem douradinhos levemente.

Bom Pão de Queijo!






















sexta-feira, 16 de setembro de 2016

O capitalismo ideal golpista & cia

Alto lá, ó gajo!
Este texto abaixo, no original, não é meu.
Copiei e colei de um Blog português, de Portugal, ora pois!
Confesso por delação premiada que adaptei ao modelo Tabajara do Pindorama Tropical.
http://humordobaninha.blogspot.com.br/



CAPITALISMO IDEAL
Você tem duas vacas. Vende uma e compra um boi. Eles multiplicam-se, e a economia cresce. Você vende a manada e aposenta-se. Fica rico! 

CAPITALISMO AMERICANO 
Você tem duas vacas. Vende uma e força a outra a produzir o leite de quatro vacas. Fica surpreso quando ela morre. 

CAPITALISMO JAPONÊS
Você tem duas vacas. Redesenha-as para que tenham um décimo do tamanho de uma vaca normal e produzam 20 vezes mais leite. Depois cria desenhinhos de vacas chamados Vaquimon e vende-os para o mundo inteiro.

CAPITALISMO BRITÂNICO 
Você tem duas vacas. As duas são loucas. 

CAPITALISMO HOLANDÊS
Você tem duas vacas. Elas vivem juntas, em união de fato, não gostam de bois e tudo bem. 

CAPITALISMO ALEMÃO
Você tem duas vacas. Elas produzem leite regularmente, segundo padrões de quantidade e horário previamente estabelecido, de forma precisa e lucrativa. Mas o que você queria mesmo era criar porcos. 

CAPITALISMO RUSSO
Você tem duas vacas. Conta-as e vê que tem cinco. Conta de novo e vê que tem 42. Conta de novo e vê que tem 12 vacas. Você pára de contar e abre outra garrafa de vodca. 

CAPITALISMO SUÍÇO 
Você tem 500 vacas, mas nenhuma é sua. Você cobra para guardar as vacas dos outros. 

CAPITALISMO ESPANHOL
Você tem muito orgulho de ter duas vacas.

CAPITALISMO ARGENTINO 
Você tem duas vacas. Ensina uma a jogar futebol e depois exporta para a Seleção Espanhola ... 

CAPITALISMO HINDU
Você tem duas vacas. Ai de quem tocar nelas. 

CAPITALISMO TABAJARA
Você tem duas vacas. Foram compradas através do Fundo Social da Fraternidade Sacra e Casta do Golpe Tabajara. O governo interino et caterva, com orgasmos múltiplos pelo playboy do leblon, cria então o IVVA - Imposto de Valor Vacuum Acrescentado.

Mas, conforme consta nos anexos do contrato, artigo 25.645, parágrafo 12.378, alínea Z-A-D, quando ocorrer concomitantemente a queda do dólar, com o aumento dos custos ocultos da boboiocê, inflação acima de 0,0001 %, além do agravante da falência da previdência pelo altíssimo custo social do salário do Seu Zezinho, zelador do Palácio, você terá que vender uma vaca para pagar o imposto.

Um fiscal da receita randômica do interino menor (sempre eles) vem e multa-o, porque embora você tenha pago corretamente o IVVA, o valor, segundo o artigo 32.648, parágrafo único, alínea G, era pelo número de vacas presumidas e não pelo de vacas reais (sem provas, mas com convicção), além disto, você não tinha autorização para vender o que não era seu, conforme lei jabuti incluída ainda na PL, aprovada pela liderança da casa, sobre Casamento Casto de Virgens Escolhidas pelo Senhor para Reproduzirem Patriotas Bons, do senador heteroclasta e líder espiritual Fulano Mona.

 O Ministério das Coisas Sinistras, por meio de dados também presumidos do seu consumo de leite, queijo, sapatos de couro, botões, presume que você tenha 200 vacas. Para se livrar do castigo imposto, facilitado pela delação premiada na ópera do arame farpado feita pelo Manezinho Biotônico Rolidei Onaice, você devolve a sua outra vaca ao Fundo e hipoteca sua casa por mais trinta anos para pagar o saldo devedor.

É isto aí!

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Eu só queria ver, abraçar e beijar e tocar meu bem (poemeu)




Dezessete e trinta,
faltam poucos minutos
Dezessete e trinta e oito,
quase lá
Dezessete e quarenta e três,
pouco pouco
Dezessete e cinquenta e oito,
vai, passa
Dezoito horas ...
é agora!!

Bater o ponto,
trocar de roupa,
descer as escadarias
E ver, abraçar
e beijar e tocar
meu bem

Passou pela portaria
rapidamente,
quase correndo
O segurança cerca
- pressa tem cheiro de furto

Pensou nos políticos
golpistas
que não
têm pressa
têm apreço
ao preço

Pensou na lista
dos ratos
portuários
estatutários
salafrários
e amoralistas
que não
têm pressa
têm adereços

Lembrou
dos agentes
passivos e ativos
da corrupção
endêmica
podres
e ricos
rindo da desgraça
da choldra
anêmica

E só
a sua pressa
tinha cheiro
de furto

Na ideologia
cínica
sempre cabe
primeiro
a convicção
medíocre
depois o luto

Mas tinha pressa
e empurrou o homem
Então
vários outros,
armados de lápis,
canetas e lcds
feito gatos selvagens
o imobilizaram

Qual é a pressa,
bandido
(agora já era bandido)
Fala
safado
(agora já era safado)

Tomou
um violento
golpe
no abdome (doeu)

Tomou
duas pancadas
de bastão
nas pernas (gemeu)

Tomou um,
dois,
vários
golpes
no corpo nu
(tudo escureceu)

Vinte e duas e dezoito
morreu
num beco imundo
do capital cogente
da capital indigente.

Nunca mais
meu bem
outra vez
seu bem
outra vez

sou só
e mais um
corpo morto
gauche,
pobre e torto
num estado falido
decompondo-se
em rigidez.

É isto aí!



quarta-feira, 14 de setembro de 2016

A Rosa do Povo - Carlos Drummond de Andrade



Publicado em 1945, A Rosa do Povo é a mais extensa obra do Carlos Drummond de Andrade, sendo composta por 55 poemas É também a primeira obra madura e a de maior expressão do lirismo social e modernista. É o seu livro politicamente mais explícito, escrito entre 1943 e 1945. É um poderoso olhar sobre a Segunda Guerra, a cisão ideológica, a vida nas cidades, o amor e a morte. Tudo isso é observado a partir daquela que então era a capital do país (cidade do Rio de Janeiro, capital da Guanabara).

Abaixo publicamos um dos poemas do livro: A flor e a náusea, que representa a explosão revoltada do indivíduo diante do mundo em que vive ao mesmo tempo em que mostra a esperança quando do aparecimento de uma flor que perturba.
 
A flor e a náusea (Carlos Drummond de Andrade)

Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjoo?
Posso, sem armas, revoltar-me?

Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.

Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.

Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.

Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.

Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.

Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.

Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.

O fato

O fato é que estamos testemunhando a página mais triste da história deste país desde 1500, onde nativos estão destruindo todo o país para agradar a alguém, num mancomunado patricídio.

Quem sobreviver ao holocausto que se desenha na sina golpista, verá e não poderá dizer nada, pois nada mais poderá ser dito.

Leia a carta de Eugenio Aragão ao PGR:

http://www.marceloauler.com.br/de-eugenio-aragao-a-rodrigo-janot-amigo-nao-trai-amigo-e-critico-sem-machucar-amigo-e-solidario/

domingo, 11 de setembro de 2016

Sermão do dia - Leitura da Verdade

Caríssimos, hoje vamos falar sobre o que é a verdade. Afinal, como sabemos se algo é verdadeiro? Vocês teriam como me provar que a verdade existe?

 - Eu!! Aqui, na lateral esquerda.

 - Muito bem, vamos ouvir a moça de azul. Qual o seu nome, mocinha?

- Benedita Benevides Beneplácita, e eu tenho uma verdade.

- Pois não, pode falar.

- A felicidade não existe!

- Eu quero falar também.

- Eu quem?

- Eu, aqui no fundo.

- Muito bem, vamos escutar o rapaz de terno vinho ao fundo. Qual o seu nome, rapaz?

- Eubasídio do Micélio Diplóide, e eu tenho outra verdade.

- Diga, queremos saber a sua verdade.

- A verdadeira amizade sempre tem segundas intenções.

- Eu gostaria de falar outra verdade.

- Pois não, Benedita - pode falar.

- As segundas intenções são o que de melhor há em nossos desejos.

- Eu preciso dizer uma verdade para a .., digo, para o mundo.

- Fale, Eubasídio.

- Nossos desejos sempre passam.

- Desculpe, mas eu tenho que fazer uma revelação da verdade.

- Por favor, Benedita.

- Tudo passa, menos a canalhice que é para sempre.

- Olha, a verdade tem que ser dita.

- Então fale, Eubasídio.

- Nenhuma paixão é santa.

- Senhor, senhor, deixa eu falar só mais uma verdade.

- Sim, Benedita, fale.

- Eu estou grávida.

- (Silêncio total) ...

- Por favor, deixa eu completar meu raciocínio.

- Perfeitamente, Eubasídio.

- A verdade é que aí fodeu de vez!

É isto aí!


sábado, 10 de setembro de 2016

(Jason Mraz) I'm Yours - Jason Mraz ft. Sungha Jung

M = T + P + OE

http://www.timnobleandsuewebster.com/wild_mood_swings_2009-10.html
Como fazer que as coisas pareçam novas, mas continuem como d'antes?

Elementar, meu caro e minha cara - basta mudar o foco, alterar a luz, e não deixar que percebam quem de fato está ali, mas sim a imagem que no cruzeiro resplandece. pelos jornais da pátria mamada idolatrada salve salve.

Vejamos a origem disto tudo: Em 1807, o general francês Jean-Andoche Junot foi enviado por Napoleão Bonaparte para invadir (sic) Portugal. Chegando a Abrantes, conquistou o castelo (sem baixas - sic), lugar militarmente estratégico, e lá se instalou para preparar a tomada (sic) de Lisboa, o que fez pouco tempo depois.

Durante essa espera, um emissário de Dom João VI lhe relatava dia após dia:

 "Tudo como dantes, no quartel-general de Abrantes".

Quatro observações leigas deste escriba pouco dado a talentos históricos:

1 - Dom João não era burro.
2 - Napoleão não era burro.
3 - A corte espanhola não era burra (Opa, mas onde entram os espanhóis?? opa - de onde veio isto? tem nos livros?)
4 - Os ingleses, ah!!! os ingleses ... como eram bonzinhos os ingleses - esperaram pacientemente a saída de Dom João, a tomada de Lisboa (sic) pelos franceses e a benevolência da corte espanhola para tomarem logo as suas providências ao sul do Equador. Que coisa bonita isto.

Bem, vamos dar uma visão diferente do que se vê por aí:

Segundo o mágico Ismael de Araujo, em seu livro  Manual da Mágica (Editora: Matrix Ano: 2008), a Mágica pode ser explicada por uma expressão matemática:

M = T + P + OE

Onde:

M = Mágica

T = Truque

P = Performance

OE = Olhar do espectador 

Mas onde chegaremos com isto? Como qualquer truque de mágica, qualquer semelhança desde Abrantes ao dia do fico com golpe, dito e feito pelo temerário fenício, é passível de verossimilhança. A posse do fidalgo é como a fuga de Dom João VI dos franceses que já estavam dentro de Portugal com o apoio dos espanhóis, monitorados pelos ingleses .... ufa! Enfim, como Dom João, o fidalgo fenício fugiu prá dentro, e ninguém viu por que era um truque de mágica ...

E viva Pindorama, a real e única intenção de domínio dos mágicos de plantão (ah!! os ingleses ..., então se X é igual a -b +/- Raiz quadrada de (b² - 4ac) / 2a, logo ... hummm ... faz todo o sentido, afinal foi o Bhaskara que disse que determinar a solução de uma equação é o mesmo que descobrir suas raízes .. epa!!!) 

É isto aí!

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Acabou, baby

- Claudionor, precisamos conversar ...

- Não é isto que estamos sempre fazendo, Roberta Flávia? De uns tempos para cá nosso clímax é um diálogo cordial.

- Nossa, como você é grosso.

- Olha, Roberta Flávia, não dá mais. Eu não queria assim, não quero assim e estou saindo deste relacionamento.

- Eu te amo, Claudionor!! 

- Sim, e daí? Eu não te amo. E pronto, este é o ponto final.

- Eu te amo muito!

- Não se quantifica o amor, a dor, a saudade, a falta, a angústia, o escambau. Portanto não vem com isto de muito.

- Eu te amo para sempre!

- Eu não sou eterno, não sou uma estátua romana numa praça com tanque de moedas, nem ponte de cadeado francês. Estou fora.

- Eu amo a sua vida, o seu corpo, a sua voz, o seu cheiro de moleque suado, as suas roupas.

- Ama merda nenhuma. Vive me dando esculacho sobre como estou assim, assado.  Para com isto.

- Você tem outra, não é isto? Você só pode ter outra. Quem é a vadia?

- Olha, não dá mais. Eu não queria assim, não quero assim e estou saindo deste relacionamento.

- Então a piranha é conhecida. Olha nos meus olhos e me diz a verdade. Quem é a biscate? Você teve a coragem de me trocar por outra?

- Sim, e daí? Eu não te amo. E pronto, este é o ponto final.

- Puxa vida, você não está nem conseguindo formar frases novas. Você é uma fraude. Sabe o quanto isto me dói? Me dói por toda a vida!

- Não sei mais o que te falar, então resolvi ser repetitivo. Não se quantifica o amor, a dor, a saudade, a falta, a angústia, o escambau. Portanto não vem com isto de muito.

- Mas o que é isto? Você decorou estas falas na cama com a vagabunda? Quem é esta piranha? Fala, caramba, fala logo. Foi ela que te deu este roteiro? Fala, merda!  Quer saber de uma coisa, Claudionor? Eu vou agora lá na sua casa e ter uma conversa com a sua mãe. Eu quero saber de tudo. Ah! Aquela ali adora uma fofoca, e sei que vai me contar.

- Minha mãe não, de jeito nenhum. Não coloca  a minha mãe nisto.

- Ah! O bebezinho está com medinho da mamãe? hem, neném, a mamãe te coloca de castigo?! 

- Medo não, é que ..., tudo bem, pode ir.

- Quer saber? Posso ir o caralho - acabou, baby, não sou vaca para bater de frente com a sua mãe, assim, tipo de graça no "tudo bem, pode ir" ... aí tem macumba. E tem mais, já despachei minhas malas, já encerrei a nossa conta conjunta, já entreguei o apartamento na imobiliária e adeus.

- Não, espere, eu posso estar enganado, espere ... estou confuso ... eu estou terminando com você porquê é você que quer terminar comigo? É isto? É para que eu me sinta culpado?

- Idiota! Já acabou há muito tempo, baby!

É isto aí!

domingo, 4 de setembro de 2016

Diolinda

Diolinda nasceu delicada feito uma flor do campo e cresceu linda tal as noites de outono sem luar. Havia brilho nos seus olhos feito as estrelas e o relume do universo sem fim. Nova, bem nova, deu-se a enamorar aqui e acolá, com fernandos, mulambos, joões e josés, com marcos, antônios e andrés, com todo mundo conhecido e desconhecido que sua boca poderia alcançar, com seu sorriso alvo em orla carmim por sobre um corpo torneado pelo próprio criador.

O tempo andava, corria e corroía os sonhos. A moça franzia a testa em completa solidão, na angústia dos seus pensamentos . Diolinda sofria do mal do não amor - uma coisa que aprendera com os homens que tocaram sua pele e nunca entraram no seu coração. Era tão linda a ponto de ser só e somente só desejada, excluindo o amor das mulheres felizes para sempre nos seus sonhos de fadas.

Também nunca amou alguém, nem conheceu a dor da paixão, nem chorou com músicas tristes, nem fez juras secretas, nem suspirou atrás da porta - enfim, havia uma blindagem em seus sentimentos, que lhe permitia ser insensível, indolor e inalcançável nas coisas do amor.

De certa feita, numa volta no entorno da praça, conheceu e enamorou de Beto Manco, um mulato escovado, de andar gingado e fala macia. Já no olhar desejou ser dele para todo o sempre. Entregou-se como se aquilo fosse uma promessa cumprida. Era ele o dono do seu destino.

Passados os dias do encantamento e das ilusões perpétuas, o rapaz passou a se desviar das juras, atrasar no tempo dos diálogos criando aquele vazio entre as partes, e com o avançar das semanas deu de ser covarde, agredindo-a com sopapos, chutes, berros, tapas, socos, murros e indiferença.

Diolinda deu de definhar, desfaleceu das palavras, esmoreceu nos quereres, esvaiu nos prazeres, prisioneira de uma paixão louca, doentia, que sabia ser errada mas que não conseguia sair dela. Diolinda estava morta em vida e tudo o que sofria já não lhe tocava mais. Deu de andar nua pela casa, fazer suas necessidades aqui e ali, deixar a sujeira acumular, até que um dia saiu pela rua, onde foi morar aqui e ali, e deu de não dar mais nada de si ao mundo.

Numa desta noites geladas, foi levemente sacudida por um toque de mão calejada, que a fez pular de sobressalto, mãos em garra com unhas longas e imundas, procurando o agressor, que deteve seu golpe com agilidade e firmeza. E sussurrou - calma!!! calma!!!!

- Quem é você? O que quer de mim? Gritou desesperada.
- Diolinda, sou eu, Crispim.
- Você sabe meu nome? Crispim? Quem é você?
- Eu sou seu amigo de infância, fui seu vizinho. Vim te buscar assim que soube que estava neste estado. Eu estou aqui para te ajudar, vem comigo e poderá ter um lugar quente e acolhedor para viver.

Diolinda levantou-se semi-nua, suja, confusa e com medo. Deu-lhe a mão, e ele a cobriu com uma manta, levou-a para a sua casa, e a tratou, a vestiu, a confortou e a fortaleceu naqueles dois anos que se passaram. Voltara a ser linda por dentro e por fora, os pensamentos agora estavam alinhados, a vida lhe dera uma segunda e enorme chance de ser feliz.

Até que na festa de maio, na praça da igreja, a cidade toda ali reunida, música, comida, muita alegria e muito tumulto pela quantidade de pessoas de toda a região, enquanto pegava um algodão doce, sentiu um forte e dolorido beliscão entre as costelas, gritou e virou-se a tempo de ver Beto Manco puxar a mão do seu vestido, com seu jeito tosco e seu olhar de dor. De repente, como fumaça, sumiu no ar. Diolinda sentou-se ali mesmo no chão e chorou até não aguentar mais chorar.

Dali em diante a sua vida foi perdendo a consistência. Acamou-se, veio doutor, farmacêutico, rezadeiras, benzedeiras, o padre, o pastor, as beatas, teve novena na casa e nada a tirava da agonia. O que mais ardia no seu corpo era o estranho desejo de ter Beto Manco consigo, dizendo que a amava, e assim foi até o último e derradeiro segundo, no ultimo suspiro quando achou que ele a esperava na porta do Paraíso. 

É isto aí!

sábado, 3 de setembro de 2016

O Medo (Carlos Drummond de Andrade)

O Medo
Em verdade temos medo. 
Nascemos no escuro. 
As existências são poucas; 
Carteiro, ditador, soldado. 
Nosso destino, incompleto. 
E fomos educados para o medo. 
Cheiramos flores de medo. 
Vestimos panos de medo. 
De medo, vermelhos rios 
Vadeamos. 

Somos apenas uns homens e a natureza traiu-nos. 
Há as árvores, as fábricas, 
Doenças galopantes, fomes. 
Refugiamo-nos no amor, 
Este célebre sentimento, 
E o amor faltou: chovia, 
Ventava, fazia frio em São Paulo. 
Fazia frio em São Paulo... 
Nevava. 

O medo, com sua capa, 
Nos dissimula e nos berça. 
Fiquei com medo de ti, 
Meu companheiro moreno. 
De nos, de vós, e de tudo. 
Estou com medo da honra. 
Assim nos criam burgueses. 
Nosso caminho: traçado. 
Por que morrer em conjunto? 
E se todos nós vivêssemos? 
Vem, harmonia do medo, 
Vem ó terror das estradas, 
Susto na noite, receio 
De águas poluídas. Muletas 
Do homem só. 
Ajudai-nos, lentos poderes do 
Láudano. 

Até a canção medrosa se parte, 
Se transe e cala-se. 
Faremos casas de medo, 
Duros tijolos de medo, 
Medrosos caules, repuxos, 
Ruas só de medo, e calma. 
E com asas de prudência 
Com resplendores covardes, 
Atingiremos o cimo 
De nossa cauta subida. 
O medo com sua física, 
Tanto produz: carcereiros, 
Edifícios, escritores, 
Este poema, 
Outras vidas. 

Tenhamos o maior pavor. 
Os mais velhos compreendem. 
O medo cristalizou-os. 
Estátuas sábias, adeus. 
Adeus: vamos para a frente, 
Recuando de olhos acesos. 
Nossos filhos tão felizes... 
Fiéis herdeiros do medo, 
Eles povoam a cidade. 
Depois da cidade, o mundo. 
Depois do mundo, as estrelas, 
Dançando o baile do medo.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Papo de Esquina XXV

- Preciso definir o momento, mas faltam palavras.

- Que tal canalhas, safados ou ordinários?

- Ou então patifes, bandidos, ladrões, afanadores?

- Palavras ... muitas ainda serão ditas aos protagonistas, mas nenhuma conseguirá definir a atitude vil, o motivo torpe e a sordidez atávica destes biltres.

É isto aí!

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Miguel Aceves Mejía "La malagueña"



Miguel Aceves Mejía (13 Novembro 1915 – 6 Novembro 2006), ou "o Rei do falsete" como era popularmente conhecido, nasceu em El Paso, Texas, e foi registrado em Ciudad Juárez no estado de Chihuahua. Tornou-se uma estrela popular do filme mexicano durante sua época de ouro e foi amplamente considerado por suas interpretações de vários gêneros musicais mexicanos, especialmente a ranchera.

Originalmente parte de uma companhia de teatro itinerante, Aceves começou a gravar pela primeira vez em 1938 com o trio Los Porteños . No início de sua carreira interpretou principalmente ritmos boleros e afro-cubanos. Durante sua carreira, ele gravou mais de 1600 canções em 140 discos e estrelou em 64 filmes.

Foi um dos três maiores de todos os tempos com os seus queridos amigos Pedro Infante e Jorge Negrete. Foi o primeiro cantor folclórico mexicano a viajar pelo continente americano em turnês mundiais, acompanhado pelo Mariachi Vargas de Tecalitlán. Sua fama o levou em uma turnê pela Espanha, onde filmou dois filmes com a grande atriz e cantora La Faraona Lola Flores.

Em 1945, Aceves passou a dedicar-se exclusivamente ao canto e, após as mortes de Pedro Infante e Jorge Negrete aventurou-se no mundo do cinema.

Aceves morreu poucos dias antes de seu 91º aniversário, em 6 de novembro de 2006 na Cidade do México. Como é tradição no México, seu corpo jaz sob a rotunda do Palacio de Bellas Artes as capital mexicana. Esta homenagem é reservada apenas às maiores figuras mexicanas das artes e letras.


Malagueña salerosa, ou somente La malagueña, é uma canção popular mexicana que ganhou notoriedade a partir de 1947, sendo atribuída aos compositores Elpidio Ramírez e Pedro Galindo Galarza. Conhecida internacionalmente, a canção foi registrada em pouco mais de 200 regravações​ por artistas dos mais diversos gêneros musicais. Apesar da atribuição a Ramírez e Galarza, sua autoria é contestada por outros autores que defendem a canção como de domínio público.

La malagueña tem sido uma das canções mais reconhecidas mundialmente, participando recentemente da trilha sonora do filme Kill Bill, de Quentin Tarantino, numa das melhores regravações pelo grupo Chingon.

La malagueña refere-se a uma moça nascida em Málaga, Espanha. A música é um lamento pela traição da moça.

Qué bonitos ojos tienes
Debajo de esas dos cejas
Debajo de esas dos cejas
Qué bonitos ojos tienes

Ellos me quieren mirar
Pero si tú no los dejas
Pero si tú no los dejas,
Ni siquiera parpadear

Malagueña salerosa
Besar tus labios quisiera
Besar tus labios quisiera
Malagueña salerosa

Y decirte niña hermosa
Eres linda y hechicera
Eres linda y hechicera
Como el candor de una rosa

Con tus ojos me anunciabas
Que me amabas tiernamente
Que me amabas tiernamente
Con tus ojos me anunciabas

Ingrata, me traicionabas
Cuando de ti estaba ausente
Cuando de ti estaba ausente
De mi pasión te burlabas

Malagueña salerosa
Besar tus labios quisiera
Besar tus labios quisiera
Malagueña salerosa

Y decirte niña hermosa
Eres linda y hechicera
Eres linda y hechicera
Como el candor de una rosa
Como el candor de una rosa

O Hábito de Falar Mal dos Outros • 19.08.2016 • Leandro Karnal

Aqui jazeu - Poemeu

E quando você passa
e passa
e pensa
e pisca
E no meio da praça
apressa
a prece
aos passos
E vê aflito
aguado
amoado
aturdido
a casa abandonada
E sente um arrepio
do nada
apeado
aguado
E sabe que ali
Por causa de você
perdeu a amada
perfumada
arrumada
singular
E nela tem uma placa
sem graça
sem graça
sem graça
VENDE-SE
E no peito amargurado
finca a lápide
aqui jazeu
eu
eu
eu.

É isto aí!





quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Falar de amor - Poemeu

Falar de amor
falar de
falar,
não resolve
Aflige
Resolver amar
absolve
aí se se envolve
aí se se ama
aí sim
Falar de amor
pode!

Arlindo Cruz & Sombrinha - Alvorada / Estrela da paz





Arlindo Domingos da Cruz Filho, mais conhecido como Arlindo Cruz (Rio de Janeiro, 14 de setembro de 1958), é um músico e compositor brasileiro de samba e pagode. Arlindo Cruz participou do grupo Fundo de Quintal. Em 17 de Março de 2017, o compositor sofre um acidente vascular cerebral. O estado de saúde do músico é grave, porém estável. O fato ocorreu quando o músico e compositor se preparava para viajar a São Paulo, onde faria um show na cidade de Osasco, com seu filho, no projeto "pagode 2 Arlindos". Três anos após a enfermidade, Arlindo volta a falar algumas palavras, demonstrando uma melhora significativa de seu quadro inicial. (texto revisto e atualizado em 2024)


Montgomery Ferreira Nunis (São Vicente, 30 de agosto de 1959), mais conhecido como Sombrinha, é um cantor, compositor, cavaquinista, bandolinista, banjoísta e violonista brasileiro.

É fundador do grupo Fundo de Quintal. Ao longo da carreira, Sombrinha colecionou 10 Prêmios Sharp de Música, desde os tempos de Fundo de Quintal. Três deles foi como melhor composição, para as canções "Além da razão", "Nas rimas do amor" e "Ainda é tempo pra ser feliz".

Alvorada (Jacob do Bandolim
Foi lançada em 1955 pelo selo RCA Victor, em Compacto simples, sendo o labo B o choro Meu Segredo. 
Fonte: IMMuB (Instituto Memória Musical Brasileira) 

Estrela da Paz (Acyr Marques / Arlindo Cruz)
Letra de Estrela da paz © Universal Music Publishing Group
Fonte: LyricFind


Teu amor é demais
Faz ficar tudo azul
Minha estrela da paz
Meu Cruzeiro do Sul
Vem brilhar por favor
Que eu não posso viver
Longe do teu amor
Que eu não posso viver
Longe do teu amor

Pra gente fugir da rotina
Encontro marcado, te espero na esquina
Lá do outro lado que nem namorado
No primeiro encontro te dou uma flor
Eu posso lutar contra o tempo
Eu posso soprar contra o vento
Eu posso fazer o que for
Só não posso viver
Longe do teu amor

Teu amor é demais
Teu amor é demais (laraiá)
Faz ficar tudo azul (laraiá)
Minha estrela da paz (laraiá)
Meu Cruzeiro do Sul
Vem brilhar por favor
Que eu não posso viver
Longe do teu amor
Que eu não posso viver
Longe do teu amor

Eu quero você todo dia
A noite inteira, a semana todinha
Domingo a domingo, janeiro a janeiro
Te quero só minha, quero teu calor
Eu posso fazer juramento
Eu falo até em casamento
Eu posso fazer o que for
Só não posso viver
Longe do teu amor

Teu amor é demais
Teu amor é demais (laraiá)
Faz ficar tudo azul
Minha estrela da paz
Meu Cruzeiro do Sul
Vem brilhar por favor
Que eu não posso viver
Longe do teu amor
Que eu não posso viver
Longe do teu amor


Fonte: LyricFind
Compositores: Acyr Marques Da Cruz / Arlindo Domingos Da Cruz Filho
Letra de Estrela da paz © Universal Music Publishing Group