segunda-feira, 24 de abril de 2017

O "poder" é complexo e invencível

Alto lá
Este texto não é meu
Copiei e colei
Autor - Max
Fonte - Informação Incorrecta 


O "poder" é complexo e invencível

É o medo, meus senhores, tudo isso é o medo. O "poder" é feito de indivíduos, como nós, com as suas falhas, os seus defeitos, as suas paixões. Somos nós que acrescentamos o medo e este "poder" se torna algo superior, feito de tecnologias avançadas futuristas e inexistentes, feito de medidas aparentemente incompreensíveis mas na realidade absolutamente humanas.

O primeiro passo para combater o sistema não é entender como este funciona mas conseguir pô-lo no nosso mesmo plano: ultrapassar o natural sentido de inferioridade que cada indivíduo tem perante um organismo aparentemente mais complexo, perceber que este organismo é feito de muitas partes, cada uma pequena e cada uma perfeitamente ao nosso alcance.

Se não fizermos isso, o organismo permanece enorme, incompreensível, incontrolável, demasiado complexo: invencível. Mas é mesmo assim que proliferam os mitos: é desta forma que somos obrigados a inventar conspirações universais para tentar justificar coisas que aparentemente fogem à nossa lógica. Tal como o homem primitivo via um Deus atrás do relâmpago, da mesma forma nós tentamos explicar fenómenos aparentemente complexos com algo igualmente complexo e misterioso.

Vice-versa, uma vez analisado o relâmpago podemos entender que Deus nada tem a ver com isso: e o medo desaparece (fica só o medo de ser atingido por um relâmpago: mas, aos menos, morremos com a satisfação de saber que não foi por culpa dum Deus zangado connosco).

Afastadas as grandes conspirações galácticas, o medo desaparece de forma natural, as coisas regressam para o plano do humano, do perfeitamente compreensível. E o que pode ser compreendido pode também ser modificado. Não por nós, porque a simples realidade é que nós, todos nós, estamos velhos, independentemente da idade anagráfica.

O mal e o sofrimento (Leandro Gomes de Barros) declamado por Ariano Suassuna


Fonte no Youtube - Lázaro Almeida

Se eu conversasse com Deus
Iria lhe perguntar:
Por que é que sofremos tanto
Quando viemos pra cá?
Que dívida é essa
Que a gente tem que morrer pra pagar?
Perguntaria também
Como é que ele é feito
Que não dorme, que não come
E assim vive satisfeito.
Por que foi que ele não fez
A gente do mesmo jeito?
Por que existem uns felizes
E outros que sofrem tanto?
Nascemos do mesmo jeito,
Moramos no mesmo canto.
Quem foi temperar o choro
E acabou salgando o pranto?

domingo, 23 de abril de 2017

Cartas de amor



Córrego da Passagem, domingo de tardinha

Deolinda amor da minha vida

Sinto sua falta, sinto muito a sua falta. Aliás a falta é tanta que falta até assunto. Nem sei o que dizer dessa sua querença de estudar na cidade. Nós nascemos aqui, Deolinda, somos torreões desta vila.

Saudade, muita saudade.

Do seu hoje e eternamente sempre Zé.


Ribeirão Bonito, 12 de janeiro.

Querido Zé,

Só hoje, passados sete dias, recebi sua cartinha. Linda, gostei demais da conta. Sete dias, Zé, pensa bem. Aqui na cidade tem um modo de mandar carta que dura um pensamento. O sujeito depois que aperta o botão onde escreve a carta não pode nem pensar em arrepender.
Também tenho saudades,

Deolinda.  

Córrego da Passagem, sábado de manhã, beirando o almoço.

Deolinda minha alma gêmea,

Não compreendi bem este negócio de carta em pensamento, daí que resolvi levar este papel nos lugares que a gente gostava de ir, para que leve também o cheiro e a paisagem daqui no pensamento. Nesta semana a porquinha que seu pai me deu, criou quatro leitõezinhos. Precisa ver que lindeza. Resolvi escrever a carta daqui do chiqueiro para que ela leve o perfume e a alegria da porca. precisa ver que belezura. Também fui até debaixo do pé de manga que tem na ponta do curral, onde nós dois crescemos em juras de amor. Mostrei o papel para as folhas, para as flores que estavam em ramo no chão, ainda não tem manga, mas quero desfrutar delas ao seu lado.

Do seu amor para toda a vida, Zé 

Ribeirão Bonito, 26 de janeiro.

Querido Zé,

Que bom que as coisa na roça estão sendo bem cuidadas. Aqui na cidade também tem cuidado para tudo. Tem caminhão só para pegar o lixo das casas, tem automóvel só para levar as pessoas prá lá e prá cá, tem  jardins e praças, umas tristes outras alegres, tem escolas tão grandes que parecem um castelo. Mas aqui tem muita modernidade que me leva a perceber que fiz a escolha certa. Quero que você seja feliz.

Deolinda. 

Córrego da Passagem, tardinha da sexta-feira, beirando a noite.

Deolinda, minha flor

Li sua carta e não entendi bem algumas palavras e principalmente o sentido delas, aí levei para a Augusta, lembra dela? Minha prima por parte de mãe, para ela me explicar. Ah! Deolinda, ela ficou muito feliz com a sua carta. Disse que ali estava o futuro dela bem na minha frente. Rodei os olhos para um lado, para o outro e não entendi bem o rumo da prosa. Sai mais confuso que que quando fui. Nestes dias a tia e o tio, pais dela, teve aqui em casa e ficou rodeando conversa com pai e mãe. Acho que eles estão querendo casar a moça com alguém da vila, só pode ser isto.

Do seu sempre Zé.

Ribeirão Bonito, 07 de fevereiro

Zé, meu amor,

Não mostre esta carta para ninguém, principalmente para a sirigaita da sua prima. Eu quero que você largue tudo aí e venha para cá imediatamente. Já arrumei um emprego para você, um lugar para morar, e já tracei todo o projeto do nosso destino. Vou mandar um dinheiro para você pela minha mãe, pois se meu pai souber, melhor nem saber. Aí você compra a passagem e vem.

Da sua Deolinda ...

Córrego da Passagem, noite de domingo com lua cheia

Deolinda,

Recebi sua cartinha, fiquei apreensivo achando que você estava passando mal, alguma coisa do tipo. Mas fiquei calado até o dia de hoje, quando a Augusta, o tio, a tia, os primos e até seu pai e sua mãe vieram aqui em casa comemorar meu noivado com ela. Acho que isto está ficando sério. 

Zé.

É isto aí!

A incrível história de Mineirinho, Dona Candinha, uma miríade de anjos e a delação premiada.


Mineirinho era viciado em velórios. Havia nele uma dependência quase beirando a loucura. Começou na infância quando um grande amigo da família faleceu. Naquele momento não só ficou triste e comovido, como também sentiu-se obrigado a participar dos velórios. Dizia que uma luz mostrou-lhe esta sina e uma voz celestial afirmou que ao velar o morto, a sua presença permitiria que este entrasse no reino dos céus.

Desta forma sua presença era motivo de orgulho na cidade. Durante vinte e dois anos seus discursos foram famosos, longos, densos e passionais. Cada defunto tinha um tema, uma história glorificante ao som da Banda Municipal de São Cristóvão. Na maioria das vezes era comunicado até mesmo antes do padre, do médico ou do serviço funerário para dar tempo de preparar o discurso e o salmo que cantaria. Como a taxa de mortalidade era pequena, uma média de uma por semana, a vida seguia sem maiores problemas.

Um dia, ah!!! um dia ... procurou o pároco novo da comunidade e confessou que um serafim deu a graça da sua presença e deu-lhe regras claras que jamais poderiam ser quebradas:

- não velar crianças até os doze anos por que já pertenciam ao reino dos céus.
- não velar moças virgens solteiras por que já pertenciam aos reinos dos céus.
- não velar beatas do Padre Claudinho, que com seus 70 anos de sacerdócio já as elevara ainda em vida ao reino dos céus.
- não velar as moças da casa de Dona Darcy, pois era assunto para a cúpula celestial.
- não velar os imorais, os idólatras, os adúlteros, os homossexuais, os ladrões, os avarentos, os bêbados, os caluniadores e os assaltantes por que não entrariam no reino dos céus.

O padre novo, gordo e de olhos esbugalhados, olhou para ele, ficou vermelho, coçou o queijo, esfregou as mãos ... e pausadamente falou - diga meu filho, isto está valendo a partir de quando?

- Desde agora, seu padre,

É, mas aí tem um problema.

- Problema nenhum seu padre.

Mineirinho, meu filho, você tem certeza mesmo disto? Um Serafim? Não pode ter sido um anjo menos graduado?

- Certeza certa, convicta e absoluta, seu padre.

Deu que naquela semana morreu o senador, que detinha este título por ter sido o terceiro suplente de determinado político, e tinha extensa ficha criminal. Mineirinho, devido à atenção celestial não foi, mas com uma forte compulsão já pressentida para estes momentos, acorrentou-se numa coluna interna da casa, e entregou a chave do cadeado ao sacristão que repassaria ao Padre, conforme combinado. 

Naquele dia o mundo desabou no velório. Foi um bafafá, um trelélé, um rififi que não tinha fim. Pressionado, o padre em total desespero falou que ele estava passando mal.

- Logo foi desmentido pelo Doutor Juquinha.

O padre em pânico pediu perdão por que não poderia revelar o motivo mas afirmou que Mineirinho estava cumprindo penitência

- Silêncio total - aquilo poderia ser verdade e não tinha como desmentir.  

Passado quase seis meses, quando ninguém mais se lembrava do episódio, já que tudo voltou ao normal, morreu Dona Candinha, uma mulher de 96 anos, folclórica pelas atividades culturais que agitaram o clube social e as festas da alta sociedade. E mais uma vez Mineirinho não foi. Era viúva do suplente de senador e matriarca da família mais rica de toda a região.

O delegado, neto da falecida, que já tinha escutado boatos da história do serafim através da esposa do sacristão, que era sua confidente íntima, mandou buscar Mineirinho em casa. Ao chegarem, os soldados depararam com ele preso à corrente. Bateram busca pela casa toda, não acharam a chave, mas um serrote serviu para cortar a coluna de braúna e aos tapas, empurrões, e uso de força excessiva, o conduziram ao velório.

Foi um vexame - esperneava, gritava em total pânico, debatia, virava os olhos, agarrava-se aos carros, às pessoas que estavam do lado de fora, saltava, se contorcia, se espremia, até que foi colocado no salão da casa. Ali aumentaram seus estrebuchos e movimentos histéricos. 

Um grupo de cidadãos o tiraram do lugar e o levaram para a igreja, pois em meio aos estridentes alaridos, pedia para ser deixado lá. Uma vez colocado na porta, aconteceu um milagre.

Segundo testemunho fiel do Padre Claudinho, que por obra do milagre divino, apesar de ser cego e surdo para atos de fé angelicais, viu, sentiu e ouviu a igreja sacudida por um forte tremor, seguido de fechos de luz fantásticos e o rufar de asas. Foi neste momento que ele testemunhou Mineirinho ascender aos céus junto com dona Candinha, levados por uma miríade de anjos.

É isto aí!

sábado, 22 de abril de 2017

Vander Lee - Onde Deus possa me ouvir


Sabe o que eu queria agora, meu bem?
Sair, chegar lá fora e encontrar alguém
Que não me dissesse nada
Não me perguntasse nada também
Que me oferecesse um colo ou um ombro
Onde eu desaguasse todo desengano
Mas a vida anda louca
As pessoas andam tristes
Meus amigos são amigos de ninguém
Sabe o que eu mais quero agora, meu amor?
Morar no interior do meu interior
Pra entender porque se agridem
Se empurram pro abismo
Se debatem, se combatem sem saber
Meu amor, deixa eu chorar até cansar
Me leve pra qualquer lugar
Aonde Deus possa me ouvir
Minha dor, eu não consigo compreender
Eu quero algo pra beber
Me deixe aqui, pode sair
Sabe o que eu mais quero agora, meu amor?
Morar no interior do meu interior
Pra entender porque se agridem
Se empurram pro abismo
Se debatem,…

sábado, 15 de abril de 2017

Quanto do salário dos europeus são convertidos em imposto


Fonte - Notícias ao Minuto Portugal

Espanha - 39,5%
Grécia - 40,2%
Portugal - 41,5%
Eslováquia - 41,5%
Letônia - 42,6%
Eslovênia - 42,7%
Suécia - 42,8%
Rep. Checa - 43%
Finlândia - 43,8%
Áustria - 47,1%
Itália - 47,8%
França - 48,1%
Hungria - 48,2%
Alemanha - 49,4%
Bélgica - 54%


sexta-feira, 14 de abril de 2017

Avalon Jazz Band - I love Paris (Cole Porter)

Carte Blanche Jazz band

And I love Her HD Original



Fonte da imagem: The Beatles Cartoon

"And I Love Her" é uma canção gravada originalmente pela banda britânica The Beatles para o álbum A Hard Day's Night, lançado em 1964 como trilha sonora do filme A Hard Day's Night (intitulado no Brasil como Os Reis do Iê Iê Iê). Composta pelo cantor e baixista Paul McCartney para sua então namorada Jane Asher, foi um dos maiores sucessos dos Beatles, bem como de McCartney, que relembra a canção até os dias atuais em suas performances.

A música foi regravada por vários artistas ao longo dos anos, como Bob Marley, Sarah Vaughan, Julio Iglesias e Diana Krall. Em 1970, a cantora brasileira Rita Lee gravou uma versão psicodélica da música para o seu primeiro disco solo Build Up.

I give her all my love
That's all I do
And if you saw my love
You'd love her too
I love her

She gives me everything
And tenderly
The kiss my lover brings
She brings to me
And I love her

A love like ours
Could never die
As long as I
Have you near me

Bright are the stars that shine
Dark is the sky
I know this love of mine
Will never die
And I love her

Bright are the stars that shine
Dark is the sky
I know this love of mine
Will never die
And I love her

Fonte: LyricFind
Compositores: John Lennon / Paul McCartney
Letra de And I Love Her © Sony/ATV Music Publishing LLC, Tratore


Provided to YouTube by Universal Music Group
And I Love Her (Remastered 2009) · The Beatles
A Hard Day's Night
℗ 2009 Calderstone Productions Limited (a division of Universal Music Group)
Released on: 1964-07-10
And I Love Her (Remastered 2009) · The Beatles
Associated  Performer, Vocals, Acoustic  Guitar, Guitar, 12- String  Acoustic  Guitar, Piano, Harmonica, Tambourine: John Lennon
Associated  Performer, Vocals, Bass  Guitar, Acoustic  Guitar, Piano, Bells: Paul McCartney
Associated  Performer, Vocals, 12- String  Acoustic  Guitar, Guitar, Acoustic  Guitar, Percussion: George Harrison
Associated  Performer, Drums, Percussion: Ringo Starr
Producer: George Martin
Composer  Lyricist: John Lennon
Composer  Lyricist: Paul McCartney
Translator: Kazumi Yasui





Roy Orbison - Crying

João amava Lourdes que amava João


João amava Lourdes
Lourdes amava João.
Ele falante alegre,
Ela risonha discreta.

Ele  flertava com beijos
Ela somatizava desejos.
Ele analfabeto das letras
Ela letrada da vida

Ele entendia as coisas
Ela traduzia os fatos
Ele emitia sinais
Ela entendia no ato


Ele escutava música
Ela ligava nas notícias
Ele não queria festa
ela sossegava sua ânsia

Ele queria sexo
Ela o envolvia em amor
Ela fazia massagens
E ela adorava sacanagens

Ele não tinha amigos
Ela afastava a solidão
Ele beijava onde dava
Ela abraçava seu coração


Ele a queria sempre
E ela o queria louca
João amava sua Lourdes
Lourdes amava seu João.

João morreu de acidente
Lourdes morreu de paixão.
Encontraram-se no céu
Logo deram-se as mãos

Tocaram-se incrédulos
Sentiram da vida a pulsão
João amava Lourdes
Lourdes amava João.


É isto aí!

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Como nascem os mitos

Detesto rótulos, portanto não me rotule, murmurou baixinho ao ouvido da entrevistadora, e isto é uma ordem.

Entendo!

Entende mesmo? Se está falando só para me agradar, cale a boca e escute.

Certo.

Certo, senhor! É assim que uma moça se dirige a uma autoridade constituída, entendeu?

Sim, senhor!

Ótimo, vamos lá! 

Senhor, quais serão as suas primeiras ações governamentais, se eleito?

Primeiro não existe o "se". Eu sou o eleito, o ungido, o escolhido, o salvador da pátria amada, salve salve lindo pendão da esperança, 

Desculpe, senhor, uma vez tomando posse do que é seu por direito, quais serão as sua iniciativas?

Acabar com favelas, com pobres crônicos, com filas em unidades de saúde e assistência social, eliminar núcleos onde só uma determinada e inferior parcela da sociedade vive sob os auspícios do grande e único poder branco, inteligente, ereto e viril, eliminar adversários e afastar dos amigos.

Alguma coisa poderá ser adiantada sobre o modus operandi destes feitos, senhor?

Não pergunte, e não é da sua conta, pois você ainda está contaminada com o saber destas escolas comunistas de formação acadêmica. Além disto, detesto narcisistas, balconistas, golpistas e falsos moralistas.

Alguma correlação, senhor?

Não me interrompa! Cale a boca e apenas faça a sua função. Eu detesto feministas intrometidas, homens fracos casados com mulheres fartas e políticos polutos.

Mais alguma coisa, senhor?

Sim! Odeio professorazinhas de história, filosofia e gramática, bem como titulados com mestrado e doutorado..  

O senhor teria algo mais a acrescentar, senhor?

Detesto maniqueistas, budistas, sufistas e neurologistas.

Neurologistas, como assim, senhor?

Precisava de uma rima convincente e achei que esta caiu bem.

Ficou bom, muito bom ... gostei! Posso divulgar no grupo de manipulação midiática, senhor?

Pode, mocinha, pode, mas coloca o autor, que sou eu, o único macho alfa capaz de deliciar os prazeres das mulheres desta pátria amada, idolatrada e também o único capaz de silenciar a classe comunista, socialista, contista, rentista, contabilista, esquisita, celetista e empregatícia que assola esta nação

E assim nascem as lendas e os mitos da grande rede vazia de ideias e de conteúdos ,,, 

É isto aí!

terça-feira, 11 de abril de 2017

“Onde se queimam livros, acaba-se queimando pessoas.” Heinrich Heine (1797-1856)

Queima Livros pelos Nazistas 1933*
Subi a Colina do Bom Senso buscando uma explicação literária para o que ocorre na vizinhança e o que vejo na terra que tem palmeiras e onde canta o sabiá (e silencia a sabiá) é um fenômeno catártico, ainda não drástico, pelo menos por enquanto. 

Vários elementos se amontoam feitos folhas mortas em ballet de vento, mas são apenas isto - folhas mortas de páginas não lidas que estão sendo queimadas para que a maculada história seja apagada.

Tem um Dorian Gray que sofre muito por entender que sua beleza irá eventualmente desaparecer, e desta forma expressou recentemente o desejo de vender sua alma, para garantir que o retrato, em vez dele, envelheça e desapareça. Assim seguirá uma vida libertina de experiências variadas e amorais; enquanto seu retrato envelhece e regista todos os pecados que corrompem a alma.

Em outro patamar, vem ao caso um Julien Sorel , um jovem que não era alinhado ao establishment, mas que tratou de subir na vida, apesar do seu nascimento plebeu de origem afrodescendente, através de uma combinação de talento, trabalho duro, engano e hipocrisia, apenas por encontrar-se atraído por paixões externas, ocultas e secretas que lhe concedem poder e prazer. 

Falando em poder e prazer, há aqui um plágio grotesco de Fausto, temos o nosso Calabar Caipira, que uma vez pactuado com Mefistóteles para ser feliz ao lado de uma moça bela, recatada e do lar, desejou destruir tudo e todos. Fausto de Goethe foi ao Paraíso enquanto o infeliz e grotesco clone de Calabar é o anti-herói que não tem nenhum interesse de obter passagem ao céu. 

É isto aí!

Sobre a foto postada:

*Fonte - Milton Ribeiro

Entre os dias 10 de maio e 21 de junho de 1933, logo após a chegada ao poder de Adolf Hitler, foram organizadas centenas de queimas de livros em praça públicas com a presença de entusiastas, polícia e bombeiros e representantes do governo.

Tudo o que fosse crítico ou se desviasse da orientação nazista, deveria ser destruído. Os incêndios ocorreram por iniciativa do diretório nacional de estudantes nazistas.

Entre os livros queimados pelos nazistas estavam obras de Thomas Mann, Heinrich Mann, Walter Benjamin, Bertold Brecht, Erich Kästner (que, anônimo, assistia a tudo), Robert Musil, Erich Maria Remarque, Joseph Roth, Nelly Sachs, Franz Werfel, Sigmund Freud, Albert Einstein, Karl Marx e Heinrich Heine.

Oskar Maria Graf não foi incluído na lista. Seus livros não somente não foram banidos como até foram recomendados pelos nazis. Em resposta, ele publicou um artigo intitulado “Verbrennt mich! (queimem-me) no jornal vienense “Arbeiter-Zeitung” (Jornal dos Trabalhadores). No ano seguinte, foi atendido.

A opinião pública e a intelectualidade alemãs ofereceram pouca resistência à queima. A burguesia tomou distância, passando a responsabilidade aos universitários. Também os outros países acompanharam a destruição à distância, chegando a minimizar a queima como resultado do “fanatismo estudantil”.

Os estudantes e membros das SA e SS participaram destes festins. As entidades estudantis NSDStB e ASTA competiram entre si, numa tentativa de uma mostrar-se melhor que a outra. A maioria dos livros queimados pertenciam à bibliotecas públicas. Eles eram de autores “pouco alemães”. O poeta nazista Hanns Johst foi um dos que justificou a queima, logo depois da ascensão do nazismo ao poder, com a “necessidade de purificação radical da literatura alemã de elementos estranhos que possam alienar a cultura alemã”.



segunda-feira, 10 de abril de 2017

O haikai mesoclítico

Mesoclítico
Ser inenarrável e vil
sua vida é má

É isto aí!

Astor Piazzolla LIBERTANGO - Raíssa Amaral

Haiti - Caetano Veloso e Gilberto Gil


Quando você for convidado pra subir no adro
Da fundação casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados
E não importa se os olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque, um batuque
Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária
Em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada:
Nem o traço do sobrado
Nem a lente do fantástico,
Nem o disco de Paul Simon
Ninguém, ninguém é cidadão
Se você for ver a festa do pelô, e se você não for
Pense no Haiti, reze pelo...
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui
E na TV se você vir um deputado em pânico mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer, qualquer
Plano de educação que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização
Do ensino de primeiro grau
E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homem mijando na esquina da rua sobre um saco
Brilhante de lixo do Leblon
E ao ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina
111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba
Pense no Haiti, reze pelo
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui

sábado, 8 de abril de 2017

Na idade do lobo

- Então ... eu vim aqui para dizer o que eu não consigo dizer do que sinto por você quando quero dizer algo, pois sempre acho que isto poderá prejudicar nossa relação.

- Olha só, você ama o impossível, eu sou comprometida com outra pessoa que  é o único que não posso decepcionar.

- Mas eu te amo, e isto me dói muito.

- Tem dias que não existem emoções, nem pensamentos: só dor, então seu amor pode ser apenas um processo restritivo.

- Seus olhos, dois fachos de luz da sua alma a iluminar minha vida, a irradiar felicidade na minha tristeza.

- Se meus olhos mostrassem a minha alma, todos, ao me verem sorrir, chorariam comigo.

- Eu me cobro muito do porquê te amar tanto assim sem esperar nada em troca.

- Exige muito de você. Evitará muitos aborrecimentos se me esquecer.

- Minha alma esta doente, me sinto em coma, coma induzido pela tristeza profunda que sinto.

- Você é um homem com quarenta anos, bom, trabalhador, competente, só que eu não sou a mulher dos seus sonhos, não posso ser e não serei jamais a mulher da sua vida, da sua rua, do seu bairro ...

- E eu acreditei que viveria na alegria, e nos meus pensamentos tinha você comigo, mas na vida real é muito dura e sua imagem viva sempre vem acompanhada de uma tristeza sem fim.

- Pare com isto. Eu não te amo, eu não te quero, eu não desejo estar ao seu lado.

- Tudo bem. Nunca mais outra vez nunca mais! Mas eu te amo, e isto me dói muito ...

- Quer saber, fique com a sua dor e eu fico com minha vida - adeus!

- Espere, volte aqui, você uniu minha dor à sua vida? Foi isto? Há esperança, então? Volte, volte... me explique isso ...

- Aff ...

É isto aí!





quinta-feira, 6 de abril de 2017

Cartão de Crédito - Como roubar legalmente sem ser incomodado

Meu cartão de crédito mandou vários e-mails me convencendo a dividir meu débito deste mês em 12 parcelas com juros especiais de apenas - apenas 11,99% ao mês, pois para clientes que não contam com nosso desconto especial os juros são de 12,44% ao mês

Como tenho controle sobre meus gastos, isto não ocorrerá, mas cá para nós - Não passam de ladrões vinculados ao crime organizado destes que o d'atena fala neles todo dia.

Abaixo reproduzo os encargos financeiros que vêm na conta. 

O que estas empresas fazem por aqui, em seus países sede, na Europa ou América do Norte o levariam para a cadeia:

Encargos Financeiros
Encargos de refinanciamento para 30 dias 17,39% am ou 584,81% aa
CET do financiamento da fatura: 651,17% aa
Encargos de saque à vista: 9,99% am
CET para parcelamento da fatura: 12,44% am ou 308,36% aa
Encargos por atraso: 21,99% am ou 986,15% aa
CET encargos por atraso: 75,40% aa
Encargos em caso de pagamento mínimo R$ 347,14
CET Saque à vista 10,97% am ou 240,61% aa
CET Pagamento de contas 1,03% am ou 12,82% aa

É isto aí!

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Profissionais da Terceirização - A Decepcionista


Como o presidento em trânsito determinou a terceirização como praxe na pátria amada, hoje vamos falar de uma que será muito requisitada.

A Decepcionista:

A Decepcionista é a profissional responsável por atuar com atendimento ao público em geral e às pessoas específicas em particular (amigas, inimigas, amigos, pretendentes, etc). 

Deverá promover uma decepção ética e altruísta em telefones, smartphones, em hotéis, motéis, pousadas, passeios e parques temáticos, hospitais, pronto-socorros, maternidades e ambulatórios, bem como em consultórios odontológicos e de psicanálise. Deverá evitar decepções em bancos, aeroportos e shoppings por motivo de segurança pública. 

Deverá frequentar velórios com o máximo de assiduidade possível.

O que mais faz ou desfaz uma Decepcionista?

Uma Decepcionista realiza agendamento de gafes, equívocos, manotas e mal-entendidos, além de desorientar a chegada e a partida de pessoais próximas, distantes, apaixonantes e principalmente alvos de conquista. 

Estão entre as principais responsabilidades atuar na decepção propriamente dita, atender e filtrar ligações amorosas, comerciais e virtuais; anotar recados estranhos e agendar visitas fora de hora com pessoas estranhas ao ambiente. 

Deverá também se responsabilizar pela devolução de materiais vencidos com defeito, fazer petições públicas, fazer o direcionamento de ligações perigosas entre partes envolvidas, envio e controle de mensagens por whatsapp, prestar apoio tático em ilações embaraçosas, monitorar e desorientar o controle emocional dos envolvidos. Prestará apoio na desorganização e no caos, na gestão de finais infelizes e até em ligações insistentes da ex, do ex ou outrem de igual valor.

Deverá deletar documentos importantes e arquivar os segredos pessoais do objeto alvo, apagar dúvidas e distribuir incertezas, não responder perguntas gerais e principalmente as específicas sobre suas funções. 

Em casos intrínsecos poderá direcionar as perguntas para outros envolvidos desqualificados a responder, que enviarão e produzirão mensagens mentindo ou desmentindo, e sobretudo organizá-los (os desqualificados) a distribuir as decepções em níveis de prioridade até chegar ao destinatário final,

Está qualificada também para executar arquivamento de cartões de amor, marcas de batom, reuniões secretas, e finalmente controlar todas as chaves e senhas que contenham registro de informações comprometedoras. 

O ideal é que seja graduada em Decepções por uma das inúmeras qualificantes Escolas Politécnicas sem Partido criadas e multiplicadas pelos homens de bem da pátria amada.

É isto aí!