o pecado diário
quinta-feira, 25 de maio de 2017
Das moças que caminham por aí!
o pecado diário
Papo de Esquina XXXVII
segunda-feira, 22 de maio de 2017
A solidão onírica
Bebeu todas as garrafas que restaram. Nem eram tantas, mas sozinho fez virarem uma tentativa de coma alcoólico. Deitou sobre o catre que restou da separação. Por sobre ele um edredom surrado que encontrou no piso da cozinha. Como travesseiro uma jaqueta jeans muito desgastada e como coberta um fino lençol de fibra sintética.
sábado, 20 de maio de 2017
Prince Igor (Ópera de Aleksandr Borodin)
Fonte: Jornal GGN
Dica da Fonte: Itárcio Poeta Ferreira
Carta a Jesus, o Cristo.
Eu não estou cristão
pois fui forjado no teu amor.
Que minha vida
Tão pequena, tão modesta
Seja tua, Senhor
Hoje e sempre!
Olhai, Senhor,
para os pobres
os negros, os índios,
Acolhe, Senhor,
os desvalidos,
os desprotegidos
os carentes de humanidade.
Permiti, Senhor,
a redenção dos miseráveis
a cura dos desvalidos,
a saciedade da fome
Teu Corpo me alimenta
Teu Sangue me lava
Transforma-me Senhor
Em ferramenta Tua.
Glorifico, Senhor,
Tua paciência comigo
Tua perseverança
Teu amor eterno.
Transforma, Senhor,
a minha vida, a minha família,
a minha cidade, o meu país.
Vinde, Senhor Jesus!
É isto aí, Jesus!
Cronologia narrativa dos últimos 3 anos. (Fernando Horta)
Este texto não é meu
Copiei e colei (sem delação premiada)
Autor Fernando Horta
Fonte Esquerda Caviar
Fonte Fernando Horta Facebook
sexta-feira, 19 de maio de 2017
Tempos estranhos
domingo, 14 de maio de 2017
Lembre-se: felicidade é uma viagem, não um destino. (Henfil)
Este texto não é meu
Copiei e colei
Autor - Henfil
Fonte - Pensador
É isto aí!
Nenhuma mágoa
Sério? Não outro jeito não?
Tem não - semivogal quando cola em vogal forte não larga nem para ir ao banheiro. Só sai dela se romper o vínculo.
Puxa vida ... já que não tem como resolver de outra maneira, vou seguir seu conselho gramatical.
Isso, faça e verá que tem umas semivogais por aí que apesar de serem fraquinhas fraquinhas, pelo amor de Deus, ninguém merece ...
É mesmo, não é? Tenho que escolher melhor as palavras, cada uma tem seu poder, sua magia. Vou cuidar disto, pode deixar ...
quinta-feira, 11 de maio de 2017
Notas do dia!
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| Debret |
Pois cá na colônia, neste imenso Portugal, o gigante está desacordado, em coma, sem vergonha e com seu amaldiçoado complexo de viralatas, afinal nunca seremos bons os suficientes, só para começar falamos o português, um idioma esquisito, difícil e desconhecido do mundo dos homens de bem que governam com carinho, dedicação cristã e ternura o mundo civilizado.
Além disto, o UOL divulgou hoje que o grande sucesso da loira Angélica - Vou de Táxi nada mais é do que uma ode à masturbação feminina - com certeza uma geração inteira, entre 30 e 40 anos está totalmente desconsolada por não ter entendido isto deste jeito naquela época.
Além da língua portuguesa, aqui não tem neve - que horror!
Além de não ter neve, aqui não tem educação, que coisa pavorosa!
Falado em não ter educação, o mestre dos mestres nomeado pelo Temerário, o Velho, como embaixador da Educação do Brasil foi denunciado por falsificação grosseira de diploma de curso superior. Que coisa, hem!
Além de não ter educação, aqui não tem cultura, que coisa horrorosa!
Já que estamos sobrenadando em Cultura, claro, uma das primeiras coisas que um sistema opressor tenta romper é com a Cultura, só para inserir novas coisas, digamos assim. Por isto São Paulo e Rio passam por uma devassa neste quesito.
Além de não ter cultura, aqui não tem uma segunda língua oficial de origem anglo-saxônica. Que nojo, menos de 1% desta população mestiça e nativa entende plenamente o que os homens de bem falam e escrevem!
O jeito é devolver tudo para os índios e irmos embora para ... para ... mas espera, tem uma coisa errada nestas convicções ... a língua é minha pátria como afirmou Fernando Pessoa, então, hummm, pense, pense, pense ...
Escadarias
quarta-feira, 10 de maio de 2017
A renúncia é a libertação. Não querer é poder.
Este texto não é meu
Copiei e colei
Autor - Fernando Pessoa (Bernardo Soares)
Fonte - Arquivo Pessoa
terça-feira, 9 de maio de 2017
As convicções e as falácias do espantalho escocês
Quando vejo Gilmar falando de Rodrigo, sei muito mais de Gilmar do que de Rodrigo, o que não quer dizer que nada sei sobre Rodrigo, afinal a cônjuge de um nada na mesma água limpa da filha do outro, sem conflitos - apenas interesses.
Mas se Michel não fala de ninguém, com ninguém e para alguém, além de ditar a dura pena sobre o lombo, sugere a vã percepção que de tanto mudar para lá e para cá, agora mora abaixo ou acima do muro onde moro no mundo triste.
Mas tudo isto só se sustenta e sobrevive do que Eduardo plantou, a TVOtários regou, os patos amarelos adubaram e o pupilo Azteca Montezuma Maia golpeia com a foice e o martelo da sua mão sem ser a esquerda ou a direita, a mão ... a mão ... pois é!
Logo, a convicção é falsa, mas isto não vem ao caso. O importante é o triplofalo com Johnplex. O cidadão vai ter que provar que não tem um nem outro.
É isto aí!
segunda-feira, 8 de maio de 2017
Me vuelves loco - Armando Manzanero
domingo, 7 de maio de 2017
Classificados do Amor
Foi um amor fiel enquanto durou, foi verdadeiro, íntimo e prazeroso, mas acabou a validade e não consegui reativar a chama que ardia diuturnamente entre nós.
Acabei concordando com ela e entendi que no meu caso só tem jeito se abrir mão do seu amor, então ela achou de ajudar a selecionar o comprador, por que amor não se prende.
Quem comprar há de ficar tão feliz quanto fui ao amar. Preço a combinar com o tempo, sem pressa. Aceito devolução, dou garantia e boas referências.
Tratar neste jornal sob o número 345AD.
É isto aí!
Amores ridículos
Mas isto é impossível!
Eu sei disto.
Então?!?!?!?!?!?
Eu te amo!
Defina amor e verá que eu não me enquadro.
Você é amor, meu amor, minha amada,
Meu, minha ... não existe posse no amor.
Está certo, ok, valeu!
Espera, espera, volta ...
Sim? Aceita o meu amor?
Depende ...
Depende do que?
Quem é Carminha? Não minta para mim.
Car car carminha? Não sei?
Só vou perguntar mais uma vez - quem é Carminha?
E por falar nisto, quem é Francis Howard?
Não mude de assunto. Eu perguntei primeiro ...
É isto aí!
sexta-feira, 5 de maio de 2017
Seu ódio fala sobre você.
Resenha crítica de “Seu ódio fala sobre você”
“Seu ódio fala sobre você” é um poema que se constrói a partir de um gesto simples e, ao mesmo tempo, estruturalmente sofisticado: a repetição interrogativa. Em vez de afirmar, o poema pergunta. Em vez de acusar diretamente, ele conduz o leitor a confrontar a si mesmo. Essa escolha formal não é apenas estética, mas funcional — ela constitui o próprio mecanismo de revelação que sustenta o texto.
Desde seus primeiros versos, o poema organiza-se como um interrogatório moral. As perguntas se acumulam sem transição narrativa ou explicativa: odeia pobres, ricos, ideologias, comportamentos, religiões, nacionalidades. Não há hierarquia entre os objetos do ódio, nem qualquer tentativa de justificar ou contextualizar esse sentimento. Ao contrário, o que o poema faz é progressivamente esvaziar a relevância do objeto odiado, até que reste apenas o próprio ato de odiar como fenômeno central.
Esse é o primeiro deslocamento importante operado pelo texto: o foco não está no mundo, mas no sujeito. O poema não investiga as razões externas do ódio, mas sua função interna. Ao universalizar os possíveis alvos, ele revela que o ódio, quando sistemático, deixa de ser uma reação específica e passa a constituir uma estrutura da própria consciência.
Esse movimento encontra sua formulação mais precisa no verso em que o ódio é descrito como um sentimento “narcisicamente humano”. Trata-se de um ponto de inflexão conceitual. O poema não trata o ódio como uma anomalia ou um desvio, mas como uma possibilidade intrínseca à condição humana. O problema, portanto, não é sua existência, mas sua permanência e centralidade na vida interior do sujeito.
A partir desse momento, o poema abandona gradualmente sua estrutura interrogativa e assume um tom declarativo. O que antes era investigação torna-se diagnóstico. O narrador deixa de perguntar e passa a afirmar que o ódio não corrói o mundo, mas aquele que o abriga. O fechamento do poema é particularmente contundente nesse sentido, ao sugerir que o ódio não é apenas um posicionamento emocional, mas um processo de enfraquecimento interior — uma espécie de doença silenciosa da alma.
Essa transição estrutural é decisiva. O poema começa como um espelho e termina como um diagnóstico. Ele não condena explicitamente, mas revela as consequências existenciais do ódio persistente. O leitor não é acusado; ele é exposto a uma possibilidade inquietante: a de que o ódio, mais do que um julgamento sobre o outro, é uma forma de auto-revelação.
É nesse ponto que o poema ultrapassa o campo da crítica social ou política e entra em um território mais propriamente filosófico. Seu interesse não está nas tensões entre grupos, mas na condição interior do indivíduo. O ódio não aparece como um erro ideológico, mas como um sintoma existencial. Ele revela menos sobre o mundo do que sobre aquele que o sente.
A mudança de título, de “Seu ódio é seu atestado de óbito” para “Seu ódio fala sobre você”, é particularmente significativa nesse contexto. O título original operava como uma sentença definitiva, sugerindo um estado irreversível. O novo título, por sua vez, desloca o foco da condenação para a revelação. O ódio deixa de ser apresentado como um fim e passa a ser compreendido como uma linguagem — um sinal que revela algo mais profundo sobre o sujeito.
Essa alteração representa um amadurecimento estético importante. O poema deixa de operar como um veredito e passa a funcionar como um instrumento de leitura da condição humana. Em vez de encerrar o sujeito em uma definição, ele abre a possibilidade de reconhecimento.
Formalmente, o texto é econômico e direto. Não há imagens ornamentais nem metáforas elaboradas. Essa contenção estilística reforça o caráter clínico do poema. A linguagem não busca seduzir, mas expor. O efeito resultante é uma espécie de clareza incômoda, na qual o leitor é conduzido, sem mediações, ao núcleo conceitual do texto.
No conjunto, “Seu ódio fala sobre você” é um poema que se sustenta menos pela musicalidade ou pela imagem e mais pela precisão estrutural de seu gesto. Sua força reside na coerência entre forma e conteúdo: o poema não apenas fala sobre o ódio, mas reproduz, em sua própria forma interrogativa, o processo de desmontagem das justificativas que o sustentam.
Trata-se, em última instância, de um poema sobre o interior humano — não em sua dimensão sentimental, mas em sua fragilidade estrutural. Ao deslocar o foco do mundo para o sujeito, o texto revela que o ódio, quando persistente, deixa de ser uma reação e passa a ser uma condição. E é nesse reconhecimento que reside sua potência mais duradoura.
quinta-feira, 4 de maio de 2017
Versos no Luiz XV
Estava visitando os pais quando recebeu um telefonema que esperara, ansiosamente, vinte anos atrás. Lembrava-se da tensão do momento de embarcar naquela viagem que transformaria sua juventude no adulto em que se tornara. Ela não ligou, nunca escreveu e nunca mais retornou suas ligações.
Tinham acabado de se formar na faculdade: ele com uma proposta para trabalhar no Nordeste; ela com o desejo de ficar ali e revolucionar o mundo. O amor não conseguiu romper a barreira dos sonhos individuais, mas permaneceu no vácuo, guardado, à espera de um renascimento.
Depois disso, ele passou por um casamento que gerou uma filha e terminou num divórcio tempestuoso e pavoroso. Carregava consigo a marca estigmatizada do “nunca mais aquilo outra vez”. Mas aquele telefonema — a voz embargada, a saudade do que poderia ter dado certo se um tivesse cedido — conduziu-o ao destino. No trajeto, comprou rosas, vinho, chocolates finos, amêndoas e um CD do Chico César, para ouvir Por que você não vem morar comigo repetidas vezes até chegar. Sentia-se um adolescente. Como ela estava? Como estava sua vida, seu corpo, sua boca, sua alma? Perguntas guardadas por vinte anos.
Ela morava num condomínio, na última casa da última rua. Pequena, de madeira, com a grama maltratada à frente e uma cerca branca de ripas paralelas. Desceu com as compras. Esperou dar vinte horas, ensaiou o melhor sorriso e apertou a campainha — silêncio. Agradeceu por não ouvir cachorros latindo; não os suportava, tampouco gatos. Escutou passos arrastados em direção à porta. Quando ela abriu, revelou-se ali uma dor que jamais sentira.
A fraca luz da varanda iluminou uma mulher descabelada, de olhos vagos, tez ressecada, dentes amarelados pela nicotina, vestida com um pijama de flanela ensebado e imundo. Olharam-se. Ela o convidou a entrar com um movimento dos olhos e seguiu até o sofá, onde deixara o maço de cigarros. Além do cheiro insuportável da casa, havia entre os dois um silêncio tão pavoroso quanto deprimente.
Copos e xícaras espalhados, com tocos de cigarro, cinzas e restos de café, perdiam-se pelos cantos. Tateou a parede até encontrar o interruptor e pôde, pela primeira vez, observá-la com calma. Sentiu um misto de pena, raiva, insegurança e medo.
Sem conseguir pensar, fez o que lhe pareceu a mais estúpida das propostas:
— Venha, vou te dar um banho.
Ela sorriu, deu-lhe a mão para levantar-se e indicou o caminho com o queixo. O banheiro estava pior que a sala: vaso entupido, pia represada com cabelos, chão horroroso e um odor impiedoso. Abriu a basculante, testou o chuveiro — água quente. Procurou um sabonete; ela indicou a cômoda com um leve gesto. Tirou a própria roupa, a dela, e colocou-a sob a água. Ela tremeu, agitou-se, tentou sair, mas foi se acalmando. Lavou-lhe os cabelos, ensaboou todo o corpo, escovou-lhe os dentes. Nem lembrou que ali estava uma mulher — a mulher de sua vida. Precisava fazer aquilo, pensou.
Perguntou pela toalha. Ela apontou para o quarto ao lado. Fez sinal para que esperasse, entrou no aposento — também ensebado, com chão pegajoso, cheiro de bolor e roupas espalhadas por toda parte. Abriu a janela, encontrou uma toalha limpa e voltou. Colocou outra toalha sobre uma poltrona gasta, manchada de mofo.
Sentou-a ali, reuniu as roupas espalhadas e colocou-as sobre a colcha imunda da cama. Fez uma trouxa e a deixou do lado de fora. Arrumou a cama, buscou uma roupa limpa, perguntou por uma calcinha; ela negou com o indicador. Vestiu-lhe um pijama comprido, verde-claro, com estampas florais. Secou-lhe os cabelos com um secador esquecido no banheiro, enxugou-lhe os pés e deitou-a em lençóis e fronhas limpas.
Mal a deitou, ela o olhou no fundo da alma, bocejou, acariciou-lhe a nuca — como sempre fizera no passado —, fechou os olhos e dormiu.
Foi até a área externa, pegou um balde e um pano seco e voltou ao quarto. Tentou minimizar a poeira e a sujeira. Limpou o aposento, retirou todas as roupas do guarda-roupa e jogou-as pela janela. Recolheu copos, xícaras, pratos e talheres espalhados e levou tudo à cozinha.
Pegou a caixa de ferramentas na garagem, voltou ao banheiro, desentupiu ralo e vaso, trocou a bucha da torneira, reduziu o caos e o lodo dos azulejos. O outro quarto estava vazio, sem sinais de uso. Abriu a janela e passou um pano úmido no chão. A sala, aos poucos, ganhou ares de limpeza. O cheiro de mofo, vômito, cigarro, comida velha e café azedo cedeu lugar ao ar fresco da noite — exceto pelas cortinas pesadas e pelo tecido do sofá, que deixaria para outro momento.
A cozinha era tão caótica quanto o resto da casa. Ensacou o lixo disperso e levou para fora. A geladeira continha apenas alimentos estragados, abertos ou vencidos — tudo foi descartado. O fogão, em estado lamentável, foi lavado com água e detergente, assim como os armários, esvaziados sem exceção.
Saiu para a área externa e levou roupas, toalhas e lençóis para a pequena lavanderia. Não havia sabão; deixou-os ali. O dia amanhecia quando se deu conta de que aquilo era uma loucura. Resolveu voltar ao quarto, acordá-la, pedir uma explicação, entender o que acontecera.
Chamou-a pelo nome uma, duas, três vezes, até que um pensamento congelou sua existência. Ela parecia… não, não era possível. Aproximou-se devagar, trêmulo, tocou-lhe o braço imóvel. Sim. O que temia havia ocorrido.
Chamou a ambulância. Constataram o inenarrável. O serviço funerário levou o corpo onde habitara o amor. Quando a ciranda terminou e a roda-viva retomou o giro da vida, deu-se conta da tragédia.
Voltou ao quarto, sentou-se na cama e chorou até não conseguir mais. Ao abrir a primeira gaveta do criado-mudo, encontrou um papel de cigarro Luiz XV, plastificado, cuidadosamente guardado. Nele, escrevera versos juvenis de amor eterno e prometera cuidar dela até o fim dos seus dias.
terça-feira, 2 de maio de 2017
A história não perdoa os repetentes
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| Principais campos de concentração e extermínio nazistas na Europa ocupada. |















