segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Bananaland de volta ao passado dos outros.

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Imagine uma sociedade sendo violentada por processos independentes da vontade popular, governada por uma nobreza corrupta e amoral, que invadiu e tomou de assalto o Estado;

Imagine a formação de um sistema feudalista, com a dominação de uma cultura estrangeira;

Imagine a ruralização da economia, baseada na agricultura, com pouco uso de moedas, formação de pequenos feudos amparados pelo poder central, protegidos pela igreja e pelo sistema judiciário, e com poucos contatos comerciais externos;

Imagine o enfraquecimento do poder político, passando a ser descentralizado e fragmentado, com a força política e econômica apenas nas mãos dos grandes senhores feudais;

Imagine o retorno da sociedade de castas, uma sociedade estamental e hierarquizada. A Sociedade Estamental, como sabemos, ao contrário da Estratificada, representa a estrutura social típica do sistema feudal, dividida nos estamentos (grupos sociais), onde quase não existe mobilidade social, ou seja, a posição do indivíduo na sociedade dependerá de sua origem familiar, por exemplo: nasceu servo, morrerá servo.

Imagine o fortalecimento do neo-cristianismo e crescimento do poder das Igrejas neo-cristãs;

Imagine o empoderamento do Teocentrismo da Prosperidade e enfraquecimento da cultura laica;

Imagine o fim dos direitos individuais, trabalhistas e coletivos, com invasão da privacidade e empobrecimento de várias cidades. 

Pareceu familiar para você?

Pois é ... estas são as principais características, numa versão atualizada, do que a História assinala como sendo a Alta Idade Média, que é o período da história Medieval que tem início na queda do Império Romano do Ocidente (476) até o ano 1000. Qualquer semelhança não é mera coincidência.

É isto aí!

domingo, 7 de janeiro de 2018

Rio de janeiro, Capital Buenos Aires

Tratado Tordesilhas - 1494

Dia destes subimos o Monte do Oráculo para ouvirmos o Mago da Pitangueira sobre o futuro da pátria amada idolatrada salve salve. Assim disse o Mago:

Do jeito que a coisa vai, em breve, muito em breve, reunir-se-ão em Tordesilhas reis e rainhas dos reinos do norte, que ali estarão para ratificar o tratado anterior, versado em 1494.

Um dos oradores, famoso locutor das multidões globelezadas, trêmulo, emocionado diante do fato histórico, dirá ao microfone aberto:

Bem amigos, senhoras e senhores, ladies and gentlemen, Lords and Knights, my queen and my king - A data de hoje fará jus à história, à nossa história. Falamos aqui de um dos poucos tratados em vigor até a presente momento, este Tratado de Tordesilhas, que estabeleceu a divisão das terras futuramente reveladas ao mundo, mas já descobertas, documentadas e mapeadas nos meados do século XV pelos nossos celtas e pelos malucos dos vikings.

Aqui ao meu lado, na mesa dos trabalhos estarão junto com vocês em tempo integral, o democrático representante apache, com seu indefectível penteado dourado cafona, a rainha dos bretões e seu ar blasé, além de alguns pseudo-nobrezinhos do submundo equatoriano, tais como Dom Michel, o Velhaco Pífio e Dom Maurício, de Portenha Embófia e outros de tão ou menor inexpressiva presença.

Antes de começar o espetáculo, segura só um pouquinho, aja e reaja coração. Saibam que somente o líder máximo, o super poderoso, o nosso representante planetário de peruca laranja, o Apache Louco, terá a palavra e ninguém mais poderá falar. 

Corta para o Apache Louco, que dirá com sua voz rouca e cavernosa: 

Prezados membros deste nobre evento, e aqui me cumprimentando a mim mesmo com este abraço que me dou, considero todos e todas cumprimentados não necessariamente com o mesmo entusiasmo, sigo afirmando e tomando conta de tudo, baseado nos seguinte processos:

1 - considerando que o fenômeno El Niño é a marca da devastação ibérica no novo mundo;

2 - considerando que o Montezuma era nosso aliado contra as forças opressoras do comunismo;

3 - considerando que em todo o século XV o número de anos com dois eclipses foi de oitenta e quatro, o número de anos com três eclipses foi de  dez o número de anos com quatro eclipses foi de apenas seis; 

4 - considerando que eu não tive conjunção carnal com a Brigitte Bardot, nem com a Gina Lollobrigida, nem com a Marilyn Monroe,  nem com as ninfas gregas; 

5 - considerando que foram os celtas que fundaram a Lusitânia, logo ela é nossa;

6 - considerando que  a Lusitânia está até hoje no processo de busca e espera sebastianista;

7 - considerando que a realeza espanhola está para perder a Catalunha, o Messi e o Cristiano Ronaldo;

8 - considerando que a Casa de Habsburgo à qual pertenceu Maria Leopoldina de Áustria, esposa do Imperador Dom Pedro I e mãe do último Imperador brasileiro Dom Pedro II e da rainha Dona Maria II de Portugal nunca contestou o Tratado;

9 - considerando que Pelé e Maradona jamais  jogariam na NFL;

Eu, pelos poderes a mim conferido por esta mesa, declaro como Lei Universal, sem direito a veto e em sã consciência, que:

1 - O Tratado de Tordesilhas de 1454 já incluía nossa pátria amada dos reinos do norte, os apaches e os sioux, 
2 - Em sendo a verdade vista desta forma, determino que tudo aquilo ali embaixo é nosso por que sempre foi nosso, em nome e pela memória do fiel Rei Henrique VI. 
3 - Fica decretado que da Linha do Equador para baixo tudo é Rio de Janeiro e a capital da província doravante é Buenos Aires. 

Já despedindo de nós, concluiu o Mago da Pitangueira a sua visão futurista com um enigma:

Meus filhos, assim falava Tom Zé:


É isto aí!



sábado, 6 de janeiro de 2018

Tragédia Brasileira (Manuel Bandeira)

PS - Segundo a crítica especializada ouvida pela Pitangueira, qualquer semelhança com a midiotizada crace mérdia de Bananaland não é só coincidência, é a merdinha de vida que escolheram imitando a arte em favor da sua mediocridade.

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Tragédia Brasileira (Manuel Bandeira):

Misael, funcionário da Fazenda, com 63 anos de idade,

Conheceu Maria Elvira na Lapa, - prostituída, com sífilis, dermite nos dedos,
uma aliança empenhada e o dentes em petição de miséria.

Misael tirou Maria Elvira da vida, instalou-a num sobrado no Estácio, pagou
médico, dentista, manicura... Dava tudo quanto ela queria.

Quando Maria Elvira se apanhou de boca bonita, arranjou logo um namorado.

Misael não queria escândalo. Podia dar uma surra, um tiro, uma facada. Não fez
nada disso: mudou de casa.

Viveram três anos assim.

Toda vez que Maria Elvira arranjava namorado, Misael mudava de casa.

Os amantes moraram no Estácio, Rocha, Catete, Rua General Pedra, Olaria, Ramos,
Bonsucesso, Vila Isabel, Rua Marquês de Sapucaí, Niterói, Encantado, Rua
Clapp,
outra vez no Estácio, Todos os Santos, Catumbi, Lavradio, Boca do Mato,
Inválidos...

Por fim na Rua da Constituição, onde Misael, privado de sentidos e de
inteligência, matou-a com seis tiros, e a polícia foi encontrá-la caída em
decúbito dorsal, vestida de organdi azul.

É isto aí!

À flor da pele (Chico Buarque)

O que será, que será?
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurrando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças, anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Que estão falando alto pelos botecos
E gritam nos mercados que com certeza
Está na natureza

Será, que será?
O que não tem certeza nem nunca terá
O que não tem conserto nem nunca terá
O que não tem tamanho

O que será, que será?
Que vive nas ideias desses amantes
Que cantam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados
Que está na romaria dos mutilados
Que está na fantasia dos infelizes
Que está no dia a dia das meretrizes
No plano dos bandidos, dos desvalidos
Em todos os sentidos

Será, que será?
O que não tem decência nem nunca terá
O que não tem censura nem nunca terá
O que não faz sentido

O que será, que será?
Que todos os avisos não vão evitar
Por que todos os risos vão desafiar
Por que todos os sinos irão repicar
Por que todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E mesmo o Padre Eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno vai abençoar
O que não tem governo nem nunca terá
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem juízo

O que será, que será?
Que todos os avisos não vão evitar
Por que todos os risos vão desafiar
Por que todos os sinos irão repicar
Por que todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E mesmo o Padre Eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno vai abençoar
O que não tem governo nem nunca terá
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem juízo

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Tarde demais

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Esperou tensamente
amanhecer
o primeiro de janeiro
para ver o mar.
O ano era um qualquer da infância.
O mar não veio, como disse o pai.
o mar não veio ...

Melhor assim,
meditou,
pois ficaria frustrado
se fosse ele a não ter ido
ao encontro do gigante
que une todos os povos
de todas as nações do planeta.
O mar não veio ...

Numa tarde da juventude
em ocaso,
quase noite de maio,
aguardou ansiosamente pela moça
a qual havia enviado flores,
bombons e
um bilhete apaixonado.
Deu meia-noite
e a moça não veio.
a moça não veio ...

Melhor assim, pensou,
pois ficaria arrasado
se fosse ele ao encontro
do vazio
onde deveria estar o seu amor
bateu um vento frio.
A moça não veio ...

Numa destas tempestades
da labuta cotidiana
por erro de conduta
traiu a companheira
com a amiga
a melhor amiga
agora adúltera.

O perdão não veio.
Melhor assim, filosofou,
agora estava livre
para ver o mar,
esperar a moça na praça,
mas ...
tarde demais
até mesmo para sonhar.
Fugiu com a amiga.

É isto aí!



sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Que país é este? Affonso Romano Sant'Anna



Autor - Affonso Romano Sant'Anna
Fonte - Brasil 247
Postado por - Teresa Cruvinel



Uma coisa é um país
outra um ajuntamento.

Uma coisa é um país,
outra um regimento.

Uma coisa é um país,
outra o confinamento.

Mas já soube datas, guerras, estátuas
usei caderno “Avante”
    – e desfilei de tênis para o ditador.

Vinha de um “berço esplêndido” para um
    “futuro radioso”
e éramos maiores em tudo
    – discursando rios e pretensão.

Uma coisa é um país,
outra um fingimento.

Uma coisa é um país,
outra um monumento.

Uma coisa é um país,
outra o aviltamento.

Deveria derribar aflitos mapas sobre a praça
em busca de especiosa raiz? ou deveria
parar de ler jornais
e ler anais
como anal
animal
hiena patética
na merda nacional?
Ou deveria, enfim, jejuar na Torre do Tombo
comendo o que as traças descomem procurando
o Quinto Império, o primeiro portulano, a viciosa
visão do paraíso?
que no impeliu a errar aqui?

Subo, de joelhos, as escadas dos arquivos
nacionais, como qualquer santo barroco a rebuscar
no mofo dos papiros, no bolor
das pias batismais, no bodum das vestes reais
a ver o que se salvou com o tempo
e ao mesmo tempo

– nos trai

Há 500 anos caçamos índios e operários,
Há 500 anos queimamos árvores e hereges,
Há 500 anos estupramos livros e mulheres,
Há 500 anos sugamos negras e aluguéis.

Há 500 anos dizemos:
    que o futuro a Deus pertence,
    que Deus nasceu na Bahia,
    que São Jorge é guerreiro,
    que do amanhã ninguém sabe,
    que conosco ninguém pode,
    que quem não pode sacode.

Há 500 anos somos pretos de alma branca,
    não somos nada violentos,
    quem espera sempre alcança
    e quem não chora não mama
    ou quem tem padrinho vivo
    não morre nunca pagão.

Há 500 anos propalamos:
    este é o país do futuro,
    antes tarde do que nunca,
    mais vale quem Deus ajuda
    e a Europa ainda se curva.

Há 500 anos
    somos raposas verdes
    colhendo uvas com os olhos,

    semeamos promessa e vento
    com tempestades na boca,

    sonhamos a paz na Suécia
    com suiças militares,

    vendemos siris na estrada
    e papagaios em Haia,

    senzalamos casas-grandes
    e sobradamos mocambos,

    bebemos cachaça e brahma
    joaquim silvério e derrama,

    a polícia nos dispersa
    e o futebol nos conclama,

    cantamos salve-rainhas
    e salve-se quem puder,

    pois Jesus Cristo nos mata
    num carnaval de mulatas

Este é um país de síndicos em geral,
Este é um país de cínicos em geral,
Este é um país de civis e generais.

Este é o país do descontínuo
onde nada congemina,
e somos índios perdidos
na eletrônica oficina.

Nada nada congemina:
a mão leve do político
com nossa dura rotina,

o salário que nos come
e nossa sede canina,

a esperança que emparedam
e a nossa fé em ruína,

nada nada congemina:
a placidez desses santos
e nossa dor peregrina,

e nesse mundo às avessas
– a cor da noite é obsclara
e a claridez vespertina.

 Sei que há outras pátrias. Mas
mato o touro nesta Espanha,
planto o lodo neste Nilo,
caço o almoço nesta Zâmbia,
me batizo neste Ganges,
vivo eterno em meu Nepal.

Esta é a rua em que brinquei,
a bola de meia que chutei,
a cabra-cega que encontrei,
o passa-anel que repassei,
a carniça que pulei.

Este é o país que pude
que me deram
e ao que me dei,
e é possível que por ele, imerecido,
             – ainda morrerei.

 Minha geração se fez de terços e rosários:
                   – um terço se exilou
                   – um terço se fuzilou
                   – um terço desesperou

e nessa missa enganosa
– houve sangue e desamor. Por isto,
canto-o-chão mais áspero e cato-me
ao nível da emoção.

Caí de quatro
animal
sem compaixão.

Uma coisa é um país,
outra uma cicatriz.

Uma coisa é um país,
outra é abatida cerviz.

Uma coisa é um país,
outra esses duros perfis.

Deveria eu catar os que sobraram
os que se arrependeram,
os que sobreviveram em suas tocas
e num seminário de erradios ratos
suplicar:
  – expliquem-me a mim
    e ao meu país?

Vivo no século vinte, sigo para o vinte e um
ainda preso ao dezenove
como um tonto guarani
e aldeado vacum. Sei que daqui a pouco
    não haverá mais país.

País:
    loucura de quantos generais a cavalo
    escalpelando índios nos murais,
    queimando caravelas e livros
             – nas fogueiras e cais,
    homens gordos melosos sorrisos comensais
    politicando subúrbios e arando votos
    e benesses nos palanques oficiais.

Leio, releio os exegetas.
Quanto mais leio, descreio. Insisto?
Deve ser um mal do século
– se não for um mal de vista.

Já pensei: – é erro meu. Não nasci no
tempo certo.
Em vez de um poeta crente
sou um profeta ateu.
Em vez da epopéia nobre,
os de meu tempo me legam
como tema
– a farsa
e o amargo riso plebeu.

 Mas sigo o meu trilho. Falo o que sinto
e sinto muito o que falo
    – pois morro sempre que calo.
Minha geração se fez de lições mal-aprendidas
    – e classes despreparadas
Olhávamos ávidos o calendário. Éramos jovens.
Tínhamos a “história” ao nosso lado. Muitos
maduravam um rubro outubro
outros iam ardendo um torpe agosto.
Mas nem sempre ao verde abril
se segue a flor de maio.
Às vezes se segue o fosso
– e o roer do magro osso.
E o que era revolução outrora
agora passa à convulsão inglória.
E enquanto ardíamos a derrota como escória
e os vencedores nos palácios espocavam seus
champanhas sobre a aurora
o reprovado aluno aprendia
com quantos paus se faz a derrisória estória.
Convertidos em alvos e presa da real calçada
abriu-se embandeirado
um festival de caça aos pombos
– enquanto raiava sangüínea e fresca a
madrugada.

Os mais afoitos e desesperados
em vez de regressarem como eu
sobre os covardes passos,
e em vez de abrirem suas tendas para a fome dos
desertos,
seguiram no horizonte uma miragem
e logo da luta
passaram ao luto.

Vi-os lubrificando suas armas
e os vi tombados pelas ruas e grutas.
Vi-os arrebatando louros e mulheres
e serem sepultados às ocultas.

Vi-os pisando o palco da tropical tragédia
e por mais que os advertisse do inevitável final
não pude lhes poupar o sangue e o ritual.

Hoje
    os que sobraram vivem em escuras
    e européias alamedas, em subterrâneos
    de saudade, aspirando a um chão-de-
    estrelas,
    plangendo um violão com seu violado
    desejo
    a colher flores em suecos cemitérios.

Talvez
    todo o país seja apenas um ajuntamento
    e o conseqüente aviltamento
    – e uma insolvente cicatriz.

    Mas este é o que me deram,
    e este é o que eu lamento,
    e é neste que espero
    – livrar-me do meu tormento.

Meu problema, parece, é mesmo de princípio:
– do prazer e da realidade
– que eu pensava
com o tempo resolver
– mas só agrava com a idade.

    Há quem se ajuste
    engolindo seu fel com mel.
    Eu escrevo o desajuste
    vomitando no papel.

Mas este é um povo bom
me pedem que repita
como um monge cenobita
enquanto me dão porrada
e me vigiam a escrita.

Sim. Este é um povo bom. Mas isto também
diziam os faraós
enquanto amassavam o barro da carne escrava.
Isso digo toda noite
enquanto me assaltam a casa,
isso digo
aos montes em desalento
enquanto recolho meu sermão ao vento.

Povo. Como cicatrizar nas faces sua imagem
perversa e una?
Desconfio muito do povo. O povo, com razão,
– desconfia muito de mim.

Estivemos juntos na praça, na trapaça e na desgraça,
mas ele não me entende
– nem eu posso convertê-lo.
A menos que suba estádios, antenas, montanhas
e com três mentiras eternas
o seduza para além da ordem moral.

Quando cruzamos pelas ruas
não vejo nenhum carinho ou especial predileção
nos seus olhos.
Há antes incômoda suspeita. Agarro documentos,
embrulhos, família
a prevenir mal-entendidos sangrentos.

Daí vejo as manchetes:

– o poeta que matou o povo
– o povo que só/çobrou ao poeta
– (ou o poeta apesar do povo?)

– Eles não vão te perdoar
– me adverte o exegeta.
Mas como um país não é a soma de rios, leis,
nomes de ruas, questionários e geladeiras,
e a cidade do interior não é apenas gás neon,
quermesse e fonte luminosa,
uma mulher também não é só capa de revista,
bundas e peitos fingindo que é coisa nossa.

Povo
       também são os falsários
       e não apenas os operários,

povo
       também são os sifilíticos
       não só atletas e políticos,

povo
       são as bichas, putas e artistas
       e não só os escoteiros
       e heróis de falsas lutas,
       são as costureiras e dondocas
       e os carcereiros
       e os que estão nos eitos e docas.

Assim como uma religião não se faz só de missas
na matriz,
mas de mártires e esmolas, muito sangue e cicatriz,
a escravidão
para resgatar os ferros de seus ombros requer
poetas negros que refaçam seus palmares e
quilombos.

Um país não pode ser só a soma
de censuras redondas e quilômetros
quadrados de aventura, e o povo
não é nada novo

– é um ovo
que ora gera e degenera
que pode ser coisa viva
– ou ave torta

depende de quem o põe
– ou quem o gala.

Percebo
que não sou um poeta brasileiro. Sequer
um poeta mineiro. Não há fazendas, morros,
casas velhas, barroquismos nos meus versos.

Embora meu pai viesse de Ouro Preto com
bandas de música polícia militar casos de
assombração e uma calma milenar,
embora minha mãe fosse imigrando
hortaliças protestantes tecendo filhos
nas fábricas e amassando a gé e o pão,
olho Minas com um amor
distante, como se eu, e não minha mulher
– fosse um poeta etíope.

Fácil não era apenas ao tempo das arcádias
entre cupidos e sanfoninhas,
fácil também era ao tempo dos partidos:
– o poeta sabia “história”
vivia em sua “célula”,
o povo era seu hobby e profissão,
o povo era seu cristo e salvação.

O povo, no entanto, é o cão
e o patrão
– o lobo. Ambos são povo.
E o povo sendo ambíguo
é o seu próprio cão e lobo.

Uma coisa é o povo, outra a fome.
Se chamais povo à malta de famintos,
se chamais povo à marcha regular das armas,
se chamais povo aos urros e silvos no esporte
popular

então mais amo uma manada de búfalos em
Marajó e diferença já não há
entre as formigas que devastam minha horta
e as hordas de gafanhoto de 1948
– que em carnaval de fome
o próprio povo celebrou.

Povo
    não pode ser sempre o coletivo de fome.
Povo
    não pode ser um séquito sem nome.
Povo
    não pode ser o diminutivo de homem.
O povo, aliás,
    deve estar cansado desse nome,
    embora seu instinto o leve à agressão
    e embora aumentativo de fome
    possa ser revolução

Incrível, mas este 2017 está acabando

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Eu havia preparado uma postagem sob aspectos teóricos sobre o embate do Neofeudalismo financeiro X Referendo Revogatório, mas vamos e convenhamos, quem quer saber disto neste final de ano?

O Neofeudalismo é o sucessor do Capitalismo, que morreu com a Margareth Thatcher, Baronesa de Kesteven.  Margareth tinha como segundo nome Hilda - Margareth Hilda. Mas, aqui entre nós, Hilda daria um perfil humano a ela, o que não convêm aos demônios.

O Neofeudalismo é apátrida, é apenas e simplesmente o poder de poucas pessoas, poucas mesmo, sobre todo o planeta, com muito dinheiro para torrar em seus delírios paranoicos de divindades do Olimpo, e cá para nós, no Olimpo todo mundo comia todo mundo. 

E o Referendo Revogatório é uma discussão interessante dos povos latinos para quando passar esta onda olímpica dos deuses pan-sexuais, onde o povo deverá ir às urnas para discutir se aceita o que foi imposto pelos neofeudalistas ou se revogam estas leis "democraticamente" votadas pelos congressos usurpadores do direito público.

Enfim, este Blog deseja a todos um 2018 bom, pelo menos isto ou na pior das hipóteses menos pior do que foi 2017.

É isto aí!

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

2018 chegou!

Cartas dos leitores e leitoras colhidas do Diário da Pitangueira ao 2018

1 - Prezado Ano Novo,

Primeiramente vá à merda.

O que posso esperar de você? Nada. Será mais um ano perdido, golpista, assustador, traidor e covarde. Mas, olha bem, 2018, tudo passa, até você inclusive.

2 - Querido Ano Novo,

Primeiramente eu quero mais que pobre se dane.

Eu desejo que seja igual ou melhor ao rabudo do 2017 que já passou, colocando pobres, putas e pretos na sarjeta, que é o lugar merecido deles. Desejo que neste tempo que reinará, organize uma lei internacional proibindo este povinho medíocre de ter religião, onde já se viu pobre, pretos e putas terem um deusinho que promete tudo de bom, amor ao próximo, eca, que bobagem. Te espero, querido!

3 - Prezado Ano Novo,

Eu quero umas duas mulheres novinhas neste ano, uma para casar e outra para coser, se é que me entende. Pode ser tudo junto e misturado ou separado em embalagem para comer em casa mesmo, ré ré ré ...
Ah, e obrigado pelo golpe, me ajudou demais da conta ré ré ré ...

4 - Pelegão Ano Novo

Seja bem vindo o caralho, porra! Vá para a puta que o pariu desde já. Vai para os quintos do inferno. Quero que termine no dia 2 de Janeiro, sua íngua. Malditos sejam seus dias, suas horas e seus minutos, traidor de uma figa. Vai ficar rodando bolsinha e dando tempo aos bandidos do primeiro comando da capital federal com certeza, fora as republiquetas delituosas instaladas em algumas baguaris por aí, que continuarão mamando nas tetas do desgoverno sádico - que coisa mais sem vergonha. Foda-se 2018.

5 - Prezado Senhor Ano Novo,

Pelo amor ao solstício, leva minhas dívidas desta vez. E se não for muito pedir ao tempo, também a conta do cartão de crédito, e também a idiota da namoradinha que arrumei euforicamente em 2015 nas passeatas do golpe, que o raio do 2017 não facilitou a fuga, mas leva mesmo. 

6 - 2018

Não sei se é pedir muito, mas pelo amor de Deus, ajuda aí. Gás, gasolina, Água, Luz, Telefone tudo subindo. Vê se não arrasta os dias como seu antecessor, que só pode ser sádico por ter esticado ao máximo seu tempo de reinado.

É isto aí!


terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Ausência (Vinícius de Moraes)

*Publicado no Rio de Janeiro em 1935


Fonte do Vídeo: Mundo dos Poemas

Eu deixarei que morra em mim
o desejo de amar os teus olhos
que são doces
Porque nada te poderei dar
senão a mágoa
de me veres eternamente exausto.

No entanto a tua presença
é qualquer coisa
como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto
existe o teu gesto
e em minha voz a tua voz.

Não te quero ter
porque em meu ser
tudo estaria terminado.

Quero só que surjas em mim
como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar
uma gota de orvalho
desta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne
como uma nódoa do passado.

Eu deixarei ...
tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos
e tu desabrocharás para a madrugada.

Mas tu não saberás
que quem te colheu fui eu,
porque eu fui o grande íntimo da noite.

Porque eu encostei minha face
na face da noite
e ouvi a tua fala amorosa.

Porque meus dedos
enlaçaram os dedos da névoa
suspensos no espaço.

E eu trouxe até mim
a misteriosa essência
do teu abandono desordenado.

Eu ficarei só
como os veleiros
nos portos silenciosos.

Mas eu te possuirei
mais que ninguém
porque poderei partir.

E todas as lamentações do mar,
do vento, do céu, das aves, das estrelas
serão a tua voz presente,
a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

Vinicius de Moraes

Então é Natal

Natal, assunto da mais fina ironia entre os pares cristãos. Todos querem o papai noel cocacolizado, vermelho por fora e capitalista por dentro, mas só o Cristo, ah! o Cristo, este nem pensar, dá trabalho, é exigente e encrenqueiro.

Toda a confusão inicia e termina em apenas dois mandamentos proferidos por Ele, e deve ser por que na época não existia o bondoso e condescendente velhinho com suas renas e seus sacos sem fundo. Teria Jesus trauma de infância?

Bem, o que disse o menino que avacalha o natal:

E Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. 

E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas. Mateus 22:37-40

Amar a Deus já é negócio difícil demais, este Jesus tem cada coisa. Imagina largar o smartphone, o futebol, a cerveja, as fofocas, o baralho, o ódio aos que votaram na Dilma, o apego ao fútil, ao inútil e ao medíocre. Claro, tem aqueles que votaram no Aécio que são vítimas de ataques também. Dilma e Aécio foram apenas peças de uma imensa engrenagem, mas seria preciso amar a Deus sobre todas as coisas para entender a sordidez disto, mas aí o bicho pega e a coisa acaba ficando sem graça. 

O segundo, para 98% dos cristãos, neo-cristãos, pseudo-cristãos e peri-cristãos, está mal redigido, ou vai ver o escritor entendeu errado. Onde já se viu uma madame classe A, ariana, rica, finesse, amar ao menino que mora na favela que há entre o caminho da sua residência e o salão onde se produz (ou se reproduz?) todos os dias?

Como uma pessoa pode gostar de outra como gosta dela, sendo a outra qualquer outra? Este Jesus avacalhou com tudo, hem!! Bom mesmo é o ódio, este sim é justo. este negócio de gostar, já basta a si e no máximo aos seus.

Feliz Natal

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Congresso Internacional do Medo (Carlos Drummond de Andrade)

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.

Alto lá
O texto abaixo não é meu
Confesso que copiei e colei

Esse poema pertence a 2ª fase do Modernismo brasileiro (poesia), mais especificamente da 2ª fase da poética drummoniana e está estruturado em uma única estrofe de 11 versos sem rimas externas. Além disso, possui versos de tamanhos variados (sílabas poéticas distintas também) e ritmo longo, tornando-o lento, principalmente por causa do acumulo de vírgulas que dão uma idéia de pausa.

Percebemos, ainda, a quantidade de léxicos que estão no mesmo campo semântico dos sentimentos (“amor”, “ódio”, “medo”) que se distinguem entre si no contexto do poema e observamos que o substantivo abstrato “medo” prevalece, pois há um destaque maior para esse sentimento e o título apenas ratifica essa afirmação “Congresso Internacional do Medo”. A partir desse título, verificamos que se trata de um sentimento específico do Brasil, mas do mundo como um todo – internacional. Logo, o medo, para o poema, é universalizado.

O medo está vigorando em vários lugares e em várias ações, por isso, não seria conveniente tratar do “amor” ou do “ódio”, mas deve-se comentar sobre o medo, desse sentimento que gera desequilíbrio, angústia, dúvida insegurança e serve, paradoxalmente, como um verdadeiro pai e seguidor, devido do contexto social da época, pois o período que o poema foi escrito tinha um pano de fundo em clima de Guerra mundial, túmulo, morte, dor, sofrimento e muito medo. Trata-se de um medo de tal força que esteriliza os braços (estanca a força humana), pois se vive em um mundo que está em caos: com ditadores, soldados, mortes e esses fatores deixam as pessoas desequilibradas e apavoradas.

Após analisarmos o poema de forma superficial, observamos também o mesmo através de outros prismas e um deles é o sintático. Percebemos que a palavra medo ganha destaque em todo o poema, pois quando não é objeto direto da ação (cantaremos o medo), uma vez que ele é objeto central do tema; trata-se de um adjunto adverbial de modo; ou seja, o modo que se encontra toda uma sociedade que está amarela de medo; uma sociedade que precisa fazer um Congresso para expor suas dúvidas, seus medos de estarem no mundo e, através de uma constante reflexão, há a busca de resolver esse problema para evitar a dominação total desse medo ou a fuga através da morte. Além disso, há uma constante repetição do artigo definido /o/ e ele, na maioria das vezes, acompanha o substantivo abstrato de maior importância dentro desse poema. O artigo definido, portanto, define e objetiva o nosso corpus de trabalho (“o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas”).

Outro prisma que foi abordado foi o estilístico e nele percebemos que o poema possui algumas figuras de linguagem: uma é a personificação dos substantivos abstratos (principalmente o medo);  outra seria o uso constante de repetições para chamar atenção do leitor, pois o medo , como se sabe, é uma constante na vida do homem em meados dos anos 40 e transforma essa vida em um verdadeiro caos que é constante, tais quais essas repetições. Além disso, há os recursos sonoros, pois apesar de não haver rimas externas no poema, há rimas internas e a predominância é de encontrarmos aliterações, pois a repetição sonora da vogal “o” é bem visível (“existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,”).

Conclusão

Por se tratar de um poema crítico - reflexivo da segunda fase drummoniana, percebemos, por fim, que através de uma linguagem simples e de usos constante de repetições, pode provocar no leitor  uma reflexão profunda, pois o medo torna-se tão poderoso que chega a ser agressivo. Então, através do poema, chegamos a uma conclusão que Drummond busca sérias transformações sociais e políticas para evitar que o negativo contexto vivido, principalmente, na Segunda Guerra Mundial não se torne uma continuação para os anos seguintes a ponto de nos deixar amarelos e inseguros de medo, como o poema aborda.

Veridiana Rocha
Enviado por Veridiana Rocha em 25/02/2007
Código do texto: T392991

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

O pé esquerdo

Ele necessitava de colocar o pé direito no chão antes do esquerdo, ao levantar. O facilitador seria dormir do lado direito da cama. Ela tinha a obsessão de colocar o pé esquerdo no chão antes do direito ao levantar e o facilitador seria dormir do lado esquerdo da cama. Riram-se das suas manias.

Ele gostava de colocar o pé direito direto sobre o chão frio. Ela necessitava de um tapete de coruja que a avó materna havia feito especialmente para ela, ainda na adolescência e que guardou com muito cuidado para quando o príncipe aparecesse na sua vida. O príncipe veio e com ele foi morar tendo a coruja aos seus pés.

Havia ali uma clara e nítida compatibilidade de pés. Mas outras coisas afloravam no contexto. Ele odiava corujas, ela colecionava gravuras, imagens, esculturas e fotos de múltiplas formas de corujas.

Ele usava qualquer toalha disponível após o banho diário. Ela tinha uma toalha para o corpo, uma só para o cabelo e uma exclusiva para os pés, Ele achava aquilo tudo muito esquisito e ela achava que ele era meio troglodita no asseio, mas talvez aquilo poderia ser resolvido com diálogo.

Ele usava um sabonete para lavar o cabelo, o rosto, o corpo e os pés. Ela tinha um kit de banho, com um shampoo e condicionador  específicos, um sabonete próprio para o rosto, outro para o corpo e um para os pés. Mas estas coisas podem passar desapercebidas.

Ele usava desodorante sem perfume. Ela usava perfume de manhã e um íntimo à noite e creme para o rosto, outro para o corpo, e outro para os pés numa cerimônia diária às vezes sensual, às vezes entediante.

Ele escovava os dentes, o cabelo e se arrumava em 6 minutos. Ela necessitava de 48 minutos para sair do quarto quase pronta para enfrentar o dia. Mas aquilo era irrelevante, afinal ela acordava uma hora mais cedo que ele, e apesar do despertador, ele não se incomodava, pois tinha mais uma hora de sono.

Ele amava o sol, praia, cerveja, esportes, futebol e carnaval. Ela detestava praia, só bebia sucos orgânicos, adorava ballet , música clássica e retiros espirituais. Combinaram que no inverno iriam para as montanhas e no verão frequentariam a praia.

Tudo ia bem, até que um dia, e este dia sempre chega, ele chegou do futebol, suado, com cheiro e ânimo de cerveja, a viu lindamente sentada no sofá branco, vestida com sua camisola de seda preta, com renda, sobre um corpo divino, assistindo qualquer coisa na TV. Aproximou-se e de súbito tomou-lhe o pé esquerdo, extremamente cheiroso e bem cuidado e pôs-se a beijar, mordiscar, lamber e deseja-la ardentemente a partir dos pés.

Ela iniciou um processo de pânico que não permitiu uma reação imediata, mas quando reuniu forças, chutou-lhe a boca, correu para o quarto, trancou  a porta, fez as malas, colocou seu tapete de coruja na bolsa e aguardou o silêncio. Saiu de madrugada enquanto ele dormia no sofá branco higienizado e completamente limpo, todo suado, ainda de meião e uniforme do seu time. 

De manhã, meio zonzo, chegou ao banheiro e havia um bilhete curto, colado no espelho:

Parto sem volta. Você lambeu logo o meu pé esquerdo com uma boca cheirando a cerveja, suor, alho e torresmo, e disto eu tenho nojo ...

É isto aí!

sábado, 16 de dezembro de 2017

Schadenfreude (Pimenta no olho do outro é refresco)

Nada mais classe média midiotizada e ricos narcisistas na pacata e retardada Bananaland do que o Schadenfreude, esta palavra germânica que toca na ferida da hipocrisia nacional.

Schadenfreude é uma palavra derivada do alemão - Schaden (dano) e Freude (alegria), utilizada para designar o prazer obtido dos problemas dos outros. É a palavra que dá significado ao sentimento descrito no dito popular  tupi-guarani: "pimenta nos olhos dos outros é refresco". 

Desde os tempos bíblicos há menções de uma emoção semelhante na descrição ao schadenfreude: "Quando cair o teu inimigo, não te alegres, nem se regozije o teu coração quando ele tropeçar; Para que, vendo-o o Senhor, seja isso mau aos seus olhos, e desvie dele a sua ira" (Provérbios 24:17-18). 

Na Grécia clássica, Aristóteles usou o termo "Epikhairekakia" na obra Ética a Nicômaco, que quer dizer "alguém que sente prazer com o infortúnio de outro"

Schadenfreude atrai porque é uma vingança desempenhada sem qualquer esforço por parte do observador. A sensação é parecida com a conquista de um inimigo. O prazer sentido é ilegítimo, e desta forma culposo; o indivíduo nada fez para o receber. Uma vitória recebida sem qualquer competição não pode ser nada mais do que "vendeta imaginária", apenas uma satisfação virtual. 

Enfim, já que estamos falando de alemão, ricos nacionais apátridas narcisistas e classe média midiota, nada mais tupi-guarani do que o 7X1 (suspeitíssimo, mas nunca revelado).

É isto aí!

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Esqueci o seu rosto

Esqueci
o seu rosto,
e seu gosto,
que coisa engraçada

Desejei
o seu corpo
e agora só
veio o nada

coisa engraçada
seu corpo
seu rosto
ficaram na semana passada

Na tristeza
perdi o seu gosto
sua voz morena
suas risadas

Chorei
sem a foto
do seu lado
que tirei da sacada

É isto aí!

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Ah, Caramuru ...

Dona Catarina*
Bananaland vive a maldição do sebastianismo pela poderosa organização criminosa que por aqui aportou no século XVI. Desde então querem sempre manter as aparências, reprimir e desviar o pau brasil pelo regozijo das mocinhas francesas, inglesas, jovens polacas , mas sem abrir mão do batalhão de mulatas ... (Obrigado Aldir Blanc e João Bosco)

Como sabemos, o péssimo ano de 2017 está terminando, mas 2018 será tão ruim que fará de 2017 um sonho de valsa.

Não basta pensar diferente, tem que ter ódio o suficiente para destruir o bem comum.

Diante dos golpistas de plantão, Caramuru deveria ser canonizado, bem como Joaquim Silvério dos Reis e Calabar.

O problema não é destruir a política das coisas públicas de Bananaland, é destruir a Pátria. Este é o real problema.

O complexo de viralatas não existe, o que existe é o ódio dos supostos brancos, que escondem sua origem Caramuru. Aliás, é proibido falar de Caramuru, um português que chegou no início do século XVI, bem no início, num navio francês, e fincou o pé e o falo na Bahia, gerando dezenas e mais dezenas e mais dezenas de filhos e filhas (falam em centenas). É o Peri das Cecis tupynambás.

Diogo Álvares (O Caramuru) foi o maior reprodutor individual e o exportador de pau brasil para a França, Espanha e Inglaterra  durante seus 40 anos de relação humana insaciável entre as nativas, descritas anteriormente com tal zelo por Pero Vaz de Caminha, que assanharam os bravos ibéricos em seus sonhos mais loucos.

Ainda no tema, a sacanagem corria tão solta sobre a preferência pelas mocinhas nativas que o Padre Manuel da Nóbrega, que anos mais tarde viria a fundar São Paulo, escreveu à Rainha Regente Dona Catarina da Áustria para que ela enviasse mocinhas virgens para casarem-se com os altos membros da corte e do comércio, e prostitutas para se casarem com a plebe - eita! E, claro, foi prontamente atendido na medida do possível.

A Rainha Regente enviou nas esquadras de Oliveira Carvalhal, Duarte da Costa, Mem de Sá e Estácio de Sá um número significativo de mulheres para europeizar o recém empossado território além-mar, constante do Tratado das Tordesilhas (órfãs, prostitutas, presidiárias, judias convertidas, muçulmanas, andarilhas, ciganas, refugiadas). 

Exclusivamente para a elite local, vieram as que ficaram conhecidas como donzelas virgens de Dona Catarina. Elas já vieram sob encomenda, casaram sem direito à escolha do pretendente, e constituíram famílias que até hoje dominam o cenário nordestino. 

E esta corja golpista fica aí arrotando merda com ares nobres com prendas novas, bonitas, domesticadas e do lar - rá rá rá! As virgens da rainha catarina ... rá rá rá ...

* descrição do quadro da Rainha Catarina, no original, na língua oficial do golpe:

Catherine of Austria, Queen of Portugal, daughter of King Felipe I of Spain, and Infanta Juana of Spain (Juana la Loca), wife of King João III of Portugual, mother of Prince João Manuel of Portgual.

A Rainha Catarina da Áustria, Rainha de Portugal, filha do rei Felipe I de Espanha, e Infanta Juana de Espanha (Juana la Loca), esposa do rei João III de Portugal, mãe do príncipe João Manuel de Portugal. Nasceu em 14 de janeiro de 1507 em Torquemada (Espanha) e faleceu em 12 de fevereiro de 1578 Lisboa 71 anos

Regente em nome do neto menor, Sebastião, que "ganhou" o trono aos três anos de idade. As suas desavenças com o jovem rei fizeram-na abdicar da regência em 1562.

Sebastião assumiu o governo aos catorze anos de idade em 1568. Por motivos ainda desconhecidos pela plebe, mas que podem ser imaginados (devia ser um mimado, criado pela avó "literalmente" a leite e pera), o Rei foi insistentemente cobrado a tomar atitudes para cessar as ameaças às costas portuguesas e motivado no seu orgulho a reviver as glórias da chamada Reconquista.

Supostamente embevecido pela vaidade, decidiu montar um esforço militar em Marrocos, planejando uma nova cruzada. A derrota na Batalha de Alcácer-Quibir em 1578 levou ao desaparecimento do jovem Sebastião em combate, bem como da nata da nobreza que o acompanhava nesta guerra, iniciando a crise dinástica de 1580 que levou à perda da independência para a Espanha e ao nascimento do mito do Sebastianismo.

É isto aí!

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

E a tal da felicidade?

Auguste Rodin - Le Penseur
Quero agradecer o convite para estar aqui com vocês. Fiquei, aliás, me senti honrado com o convite. Hoje o tema da nossa palestra é sobre a Felicidade. Esta coisa tão incompreensível quanto a Esfinge de Gizé - você sabe que a esfinge está ali, mas não tem a menor ideia como e por que está ali, nem quem a colocou, nem o sentido, nem a necessidade, nem o significado, nem quem a fez, nem quem a projetou. Você sabe por que vê que existe aquele imenso bloco de calcário esculpido no que hoje é um grande deserto. 

Quando foi construída, ali havia um jardim, florestas, água, flora e fauna em abundância, e hoje persiste solitária, sem nenhum sentido, no meio de um imenso e escaldante deserto. É isto que vocês entendem como felicidade? Uma coisa sólida, imune às intempéries, mesmo que perca o significado?

Vejamos um automóvel. Ele existe, e nele está o resultado de pesquisas, projetos e trabalho, tal qual a Esfinge. Tem vidro, plástico, borracha, motor, caixa de marcha, tanque de combustível, etc. Você lê no manual as milhares de partes que compõem o seu carro. Ele existe... É seu! Transporta as suas dores, as suas lágrimas, as suas angústias, as suas esperanças, e tudo mais que carrega consigo, até que começa a dar problemas, precisa de ajustes, de manutenção. O seu carro é um projeto de felicidade? Não, não é.

O que nos faz felizes hoje não necessariamente será a garantia do sorriso eterno. Quantos de vocês aqui presentes já fizeram ou receberam juras de amor que acabou virando um pesadelo? Um amor que foi construído no jardim do romantismo que não foi capaz de suportar um dia apenas no deserto da vida.

Antes de vir para cá, andei pesquisando aqui e ali, ouvindo transeuntes, pessoas próximas e também distantes. Vamos lá verificar de perto:

O que temos no dicionário:
Felicidade é a qualidade ou estado de ser ou estar feliz.

O que falam os religiosos:
Felicidade é o estado de uma consciência plenamente satisfeita como amor de Deus;

O que dizia a professora da infância:
Felicidade é ser feliz.

E a estagiária do escritório:
Felicidade é o contentamento pessoal, íntimo e intransferível.

Sobre isto o que pensa o novo rico:
Felicidade é poder comprar tudo o que eu sempre quis.

E o moderninho dependente High Tech:
Felicidade é um programa virtual.

E para os físicos  e astro-físicos?
Felicidade é adimensional, mas talvez um dia possamos encaixa-la na Teoria das Cordas.

A garotinha zen da faculdade:
Felicidade é etérea.

O primo agnóstico:
Felicidade não existe tal qual pensamos

Agora, saindo do anonimato da multidão que atropela as calçadas e passeios públicos, vamos aos pensadores:

O que é a felicidade para o poeta:
Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade. (Carlos Drummond de Andrade)

E para o monge budista:
Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho. (Thich Nhat Hanh)

O escritor:
Saber encontrar a alegria na alegria dos outros, é o segredo da felicidade. (Georges Bernanos)

O romancista:
Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente. (Érico Veríssimo)

O psicanalista:
A felicidade é um problema individual. Aqui, nenhum conselho é válido. Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz. (Sigmund Freud)

Disse o matemático:
Humanamente não existe um ser que seja feliz sem que o outro também seja. (René Descartes)

O poeta satírico:
Não existe felicidade perfeita. (Horácio)

O dramaturgo:
Nós não somos felizes, e a felicidade não existe; apenas podemos desejá-la. (Anton Tchekhov)

E concluindo, espero ter contribuído com vocês para que este dia seja validado na sua existência. Não sei falar mais nada sobre o assunto, sim, isto é verdade. Se algum de vocês levantar a mão, pedir a palavra e perguntar - Professor, afinal, o que é a felicidade? 

Vou antecipar a resposta - Não sei. Ela está aí, dentro de cada um de vocês, para uns ainda é um enigma, para os outros um sentimento de paz, para outros uma dor, para outros um sorriso - investiguem sua alma, perguntem ao seu coração - Minha felicidade é uma imagem real do que eu desejo para mim? Ela existe? Se existe, como ela realmente é? Saiam do passado, o que importa é o agora e esta felicidade de agora pode estar oculta pela imensa esfinge que não tem mais nenhum significado nem para você em para os que o cercam

É isto aí!

domingo, 10 de dezembro de 2017

CriZ LiMa entre nós, ao Pé da Pitangueira?

Este Reino da Pitangueira tem mais uma nova moradora -  CriZ LiMa.

Não, não sei ainda o perfil da moça. Aliás o perfil dela é envolto de mistérios - não existe nenhuma pista na rede. Mais um mistério do mundo virtual - quem é CriZ LiMa?

O que ela come, do que se alimenta? Do que gosta de beber? Quais livros leu? Qual a sua ideologia politica e social? Não percam os próximos capítulos sobre a incrível história de uma moça sem história.

Um abraço

Paulo Abreu