domingo, 14 de agosto de 2016

No tempo das cartas


Carta de Julinho Cordeiro à Maria de Fátima em 12 / fev / 1981

Maria, cheguei bem de viagem. Aqui todo mundo tem sido bom comigo. A filha da dona da pensão é muito educada bem como os colegas da obra, que são bem pacientes e prestativos. Amanhã começo a trabalhar bem cedo. Um abraço.

Carta de Maria de Fátima à Julinho Cordeiro em 19 / fev / 1981

Querido Julinho. Nossa, que emoção receber uma carta sua. Eu queria ser esta carta que lhe envio para ser tocada pelas suas mãos e abraçadas em seu corpo. Falo de você para todo mundo que conheço. Passo na porta da sua casa, ando por onde andamos e quero ser sua para sempre. Volte logo, da toda sua, Maria!!

Carta de Julinho Cordeiro à Maria de Fátima em 26 / fev / 1981

Maria. Recebi sua carta. Todo mundo aqui quer te conhecer. A filha da dona da pensão já até falou que reservará um lugar para você. Estou muito feliz aqui e acho que em breve meu esforço será recompensado. Um abraço.

Carta de Maria de Fátima à Julinho Cordeiro em 05 / mar / 1981

Querido Julinho. Eu estou morrendo de saudade de você. Eu queria ser agora um passarinho para voar até aí e cantar meu amor por você. Eu estou com uma vontade danada de ter você aqui dentro de mim para sempre. Ontem fui até na pracinha onde nós dois ficávamos a ver o tempo e agora me sinto tão sozinha. Vem prá mim, por mim, da sua Maria!!! 

Carta de Julinho Cordeiro à Maria de Fátima em 12 / mar / 1981

Maria. Que bom que está passeando e se divertindo. A filha da dona da pensão até já falou comigo que vou acabar adoecendo de tanto ficar em casa. Acho que vão prorrogar mais o contrato. Um abraço. 

Carta de Maria de Fátima à Julinho Cordeiro em 19 / mar / 1981

Amor da minha vida, que notícia mais triste para meu coraçãozinho que é seu. Eu achei que você voltaria logo e agora vão prorrogar seu contrato. Puxa vida ... saudade, maldade, saudade, que triste viver sem você nesta cidade. Quando recebi a sua carta, corri na Igreja, ajoelhei bem em frente ao Santo Antônio e mostrei para ele que aquilo não estava na promessa que nós dois fizemos a ele no dia que você falou que iria embora. Choro, choro muito, mas Deus sabe que este é o nosso caminho.

Carta de Julinho Cordeiro à Maria de Fátima em 26 / mar / 1981

Maria, vejo que você manteve a fé. Isto é muito bom. A filha da dona da pensão até me levou outro dia na igreja dela, por que disse que eu não podia ficar sem ouvir a palavra do Senhor. Prorrogaram meu contrato por mais seis meses. Um abraço.

Carta de Maria de Fátima à Julinho Cordeiro em 02 / abr / 1981

Julinho, ontem a noite eu dei para o Carlinhos nos fundos da sua casa. Foi a melhor noite da minha vida. Do seu amor, Maria!

Carta de Julinho Cordeiro à Maria de Fátima em 09 / abr / 1981

Maria. Como posso ver, você está se divertindo muito e sempre com seu senso de humor elevado. A filha da dona da pensão também me lembra muito você neste aspecto. Um abraço.

Carta de Maria de Fátima à Julinho Cordeiro em 16 / abr / 1981

Julinho, estou ficando cada vez mais safada. Não tem um amigo seu que deixa de provar do que você perdeu. Do seu amor, Maria.

Carta de Julinho Cordeiro à Maria de Fátima em 23 / abr / 1981

Maria. Pelo que vejo você continua fazendo daqueles doces maravilhosos. Quando voltar vou querer experimentar todos. A filha da dona da pensão tem feito alguns que falo, mas nenhum fica igual ao seu. Um abraço.

Carta de Maria de Fátima à Julinho Cordeiro em 30 / abr / 1981

Não basta ser corno, tem que ser burro também. Do seu amor, Maria.

Carta de Julinho Cordeiro à Maria de Fátima em 07/ mai / 1981

Maria, mês que vem eu estarei aí para falar do casamento. Passei numa joalheria aqui, Zé do Ouro e escolhi as alianças. A filha da dona da pensão me mostrou umas bem bonitas, e estou te mandando a foto delas. Um abraço.

Carta de Maria de Fátima à Julinho Cordeiro em 14 / mai / 1981

Nossa, valei-me meu Santo Antônio. Julinho, eu te amo. Pode pedir o que quiser que eu farei por você. Eu fui uma boba, desculpe, inventei tudo aquilo para te impressionar. Minha vida está na sua vida. Você é meu raio de luz, o ar que respiro, enfim, peça o que desejar que estarei aqui para atendê-lo hoje e sempre. Eu te amo!!!

Carta de Julinho Cordeiro à Maria de Fátima em 21 / mai / 1981

Maria, fiquei muito emocionado com a sua sinceridade, Nem eu nem a filha da dona da pensão esperávamos tanto assim de você. Já que se ofereceu, você aceita ser a nossa dama de honra?

Carta de Maria de Fátima à Julinho Cordeiro em 28 / mai / 1981

Não tenho como ser dama de honra de um homem morto. Vá catar coquinho, vá se atirar da ponte, vá se foder, Julinho, vá se foder. Seu safado, seu sem vergonha, seu vagabundo, seu bandido, seu, seu ... pisa aqui que eu te mostro o que eu vou fazer como dama de honra. 

É isto aí!





domingo, 7 de agosto de 2016

Carminha, eu si te amo a você em si própria por mim mesmo.

Oh! Minha amada,
Vou postar estes versos ...

Não, melhor que não, preciso de algo mais denso. Vejamos ... vejamos ... vamos lá:

Oh! Minha amada ...
Estou a viver por ti ...

Tem nada disto, deixa ver ... hummm ... deixa ver ... é, parece que vai dar certo:

Minha amada
Eu sou aquele ...

Caramba, que coisa ridícula. Tenho que argumentar com convicção. Vamos lá:

Querida ...

Não, nada disto, - querida é muito pobre. Vou buscar umas palavras no dicionário:

Amor do meu sossego
Emper ... empe ... emprer ... enpre ... mas que merda,

vamos lá de novo

Amor do meu soçêgo
Sentimento enpederindo, perdenidoindo, empreternido, merda, depois eu corrijo, na minha vida
róliça? rolissa? rolisça? roliquiza? paixão feito uma pedra rolante
Eu si te amo a você em si própria por mim mesmo.

Melhor revisar:

Amor do meu sossego
Sentimento sólido na minha vida
Roliça paixão perpétua
Eu si te amo a você em si própria por mim mesmo.

- Agora vou dar este poema para ela. Toma Carminha, foi eu quem escreveu estas palavras só para você.

- Nossa, Armandinho, deixa eu ler. Ninguém nunca fez isto para mim. Emocionadíssima.

- Então, Carminha, o que achou?

- Primeiramente, Armandinho, vá à merda.
Segundamente sentimento sólido é aquilo que cai no vaso.
Terceiramente roliça é a gorda da vaca da sua mãe.
Quartamente quem é esta sirigaita desta perpétua?


É isto aí!












quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Bobby McFerrin - Don't Worry Be Happy

Imagem na foto: Bobby Mcferrin
Fonte da imagem: Wikipédia


Robert Keith McFerrin Jr., mais conhecido como Bobby McFerrin (Nova Iorque, 11 de março de 1950), é um músico estadunidense. Ficou conhecido internacionalmente com Don't Worry, Be Happy, canção que conquistou três Grammys em 1989. Gravou vários clássicos do jazz e da música erudita, além de outros gêneros.

Biografia

Nascido em Nova Iorque, é filho do renomado barítono operístico Robert McFerrin (o primeiro cantor negro de prestígio na ópera). McFerrin trabalhou também com instrumentistas como Chick Corea, Herbie Hancock, Joe Zawinul, Richard Bona e Yo-Yo Ma.

É muito conhecido pela sua enorme extensão vocal de quatro oitavas e pela sua habilidade de usar a voz para criar efeitos diversos, incluindo percussão vocal, como sua recriação de um baixo e bateria simultaneamente, o que ele consegue cantando ao bater em seu peito.

Além das performances ao vivo, McFerrin criou álbuns em que é o único músico, cantando e simulando instrumentos. É também capaz de entoar canto difônico - prática muito comum em regiões asiáticas como Tuva - em que o cantor produz intervalos harmônicos e acordes a partir de uma só voz. Pelo fato de alternar falsetto rapidamente com profundas notas graves, McFerrin pode soar como se fosse dois ou três cantores.

Don't Worry Be Happy
Músico: Bobby McFerrin



Música: Don't Worry Be Happy
Compositor: Bobby McFerrin
Fonte da Letra: LyricFind

Here's a little song I wrote
You might want to sing it note for note
Don't worry, be happy
In every life we have some trouble
But when you worry, you make it double
Don't worry, be happy
Don't worry, be happy now

don't worry
(Ooh-ooh-ooh-ooh) be happy
(Ooh-ooh-ooh) don't worry, be happy
(Ooh, ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh) don't worry
(Ooh-ooh-ooh-ooh) be happy
(Ooh-ooh-ooh) don't worry, be happy

Ain't got no place to lay your head
Somebody came and took your bed
Don't worry, be happy
The landlord say your rent is late
He may have to litigate
Don't worry, be happy (look at me, I'm happy)

don't worry
(Ooh-ooh-ooh-ooh) be happy
(Ooh-ooh-ooh) hey I give you my phone number
When you worry, call me, I make you happy
(Ooh, ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh) don't worry
(Ooh-ooh-ooh-ooh) be happy
(Ooh-ooh-ooh)

Ain't got no cash, ain't got no style
Ain't got no gal to make you smile
But don't worry, be happy
'Cause when you worry your face will frown
And that will bring everybody down
So don't worry, be happy
Don't worry, be happy now

don't worry
(Ooh-ooh-ooh-ooh) be happy
(Ooh-ooh-ooh) don't worry, be happy
(Ooh, ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh) don't worry
(Ooh-ooh-ooh-ooh) be happy
(Ooh-ooh-ooh) don't worry, be happy

Now there is this song I wrote
I hope you learned it note for note, like good little children
Don't worry, be happy
Now listen to what I said, in your life expect some trouble
But when you worry, you make it double
But don't worry, be happy, be happy now

don't worry
(Ooh-ooh-ooh-ooh) be happy
(Ooh-ooh-ooh) don't worry, be happy
(Ooh, ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh) don't worry
(Ooh-ooh-ooh-ooh) be happy
(Ooh-ooh-ooh) don't worry, be happy
(Ooh, ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh) don't worry, don't worry
(Ooh-ooh-ooh-ooh) don't do it, be happy
(Ooh-ooh-ooh) put a smile in your face, don't bring everybody down like this
(Ooh, ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh) don't worry
(Ooh-ooh-ooh-ooh) it will soon pass, whatever it is
(Ooh-ooh-ooh) don't worry, be happy
(Ooh, ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh) I'm not worried
(Ooh-ooh-ooh-ooh) I'm happy

Bob Marley-Don't worry be happy

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Contos para aquecer o coração - ... e foram viver o seu destino.


Assim que acordou, demorou a entender onde estava. Não reconheceu o quarto, chegou à janela e não reconheceu a paisagem. Resolver sair depressa para encontrar respostas. Abriu a porta, deu o primeiro passo e rompeu num abismo lépido, liso e luminoso. Enquanto era conduzido pelo espaço contínuo, via janelas abrindo e fechando à sua frente. Olhou a Aninha, a Graça, a Débora, a Taninha, cada uma do seu jeito singular, como sempre foram na memória.

Estou morto, pensou. Então é assim que acontece. Este túnel é aquele da luz que tanto falam. ocorreu que teve a estranha sensação de que já fizera aquela viagem dezenas de vezes. Viu seus avós, alguns amigos, até que ao passar por uma destas janelas, percebeu uma moça acenando, com um sorriso maravilhoso. Acenou de volta, e quando assim o fez, seu corpo foi projetado em direção àquela mulher. Não tinha como impedir, aliás, não tinha nenhum controle da situação.

Ela o segurou pelas mãos, puxou-o para dentro do ambiente, que se tratava de uma sala simples, de conforto espartano. Havia mais duas ou três pessoas no mesmo ambiente e não conhecia nenhuma delas As mãos continuavam ligadas, feito laço. Ela estava descalça, achou isto interessante, e só então percebeu que também estava sem calçado. Na mente só o desejo de estar para sempre ao seu lado. Uma voz interior dizia-lhe que chegara ao ponto de partida definitiva.

A moça olhando-o de uma forma tão amável e delicada, ficou na ponta dos pés e lhe beijou suave e apaixonadamente, e sua memória fez-se um enorme clarão de luz, até que fechou os olhos. Era Denise! Ao abri-los, demorou a entender onde estava. Não reconheceu o quarto. Chegou à janela e a viu saindo pelo espaço, acenou-lhe, veio ao seu encontro. Juntos saíram pelo corredor, desta vez sem surpresas, e foram viver o seu destino. 

É isto aí!

Quando Bate Aquela Saudade (Rubel)

É você que tem
Os olhos tão gigantes
E a boca tão gostosa
Eu não vou aguentar

Senta aqui do lado
E tira logo a roupa
Esquece o que não importa
Nem vamos conversar

Olha bem mulher
Eu vou te ser sincero
Quero te ver de branco
Quero te ver no altar

Não tem medo não
Eu sei vai dar errado
A gente fica longe
E volta a namorar depois

Olha bem mulher
Eu vou te ser sincero

Eu to com uma vontade danada
De te entregar todos beijos que eu não te dei
E eu to com uma saudade apertada
De ir dormir bem cansado
E de acordar do teu lado pra te dizer
Que eu te amo
Que eu te amo demais

Olha bem, mulher
Eu vou te ser sincero
Quero te ver de branco
Quero te ver no altar

Não tem medo, não
A gente fica longe
A gente até se esconde
E volta a namorar depois

Que é você que tem
Os olhos tão gigantes
E a boca tão gostosa
Eu não vou aguentar

Olha bem, mulher
Eu vou te ser sincero
Eu tô com uma vontade danada
De te entregar todos beijos que eu não te dei
E eu tô com uma saudade apertada de ir dormir bem cansado
E de acordar do teu lado pra te dizer
Que eu te amo
Que eu te amo demais

Eu tô com uma vontade danada
De te entregar todos beijos que eu não te dei
E eu tô com uma saudade apertada de ir dormir bem cansado
E de acordar do teu lado pra te dizer
Que eu te amo
Que eu te amo demais


A Deusa da Minha Rua (Newton Carlos Teixeira e Jorge Vidal Faraj), 1939

Aqui ela é conduzida por Geraldo Maia & Yamandu Costa e foi trilha do filme Lisbela e o Prisioneiro:

A deusa da minha rua
Tem os olhos onde a lua
Costuma se embriagar
Nos seus olhos eu suponho
Que o sol, num dourado sonho
Vai claridade buscar

Minha rua é sem graça
Mas quando por ela passa
Seu vulto que me seduz
A ruazinha modesta
É uma paisagem de festa
É uma cascata de luz

Na rua uma poça d'água
Espelho da minha mágoa
Transporta o céu
Para o chão
Tal qual o chão de minha vida
A minh'alma comovida
O meu pobre coração

Espelho da minha mágoa
Meus olhos
São poças d'água
Sonhando com seu olhar
Ela é tão rica e eu tão pobre
Eu sou plebeu
Ela é nobre
Não vale a pena sonhar



segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Saudades (Clarice Lispector)

Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades...

Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...

Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser...

Sinto saudades do presente,
que não aproveitei de todo,
lembrando do passado
e apostando no futuro...

Sinto saudades do futuro,
que se idealizado,
provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...

Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!
De quem disse que viria
e nem apareceu;
de quem apareceu correndo,
sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.

Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!

Daqueles que não tiveram
como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre!

Sinto saudades de coisas que tive
e de outras que não tive
mas quis muito ter!

Sinto saudades de coisas
que nem sei se existiram.

Sinto saudades de coisas sérias,
de coisas hilariantes,
de casos, de experiências...

Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer!

Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!

Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,

Sinto saudades das coisas que vivi
e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade.

Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que...
não sei onde...
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...

Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades
Em japonês, em russo,
em italiano, em inglês...
mas que minha saudade,
por eu ter nascido no Brasil,
só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.

Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria,
espontaneamente quando
estamos desesperados...
para contar dinheiro... fazer amor...
declarar sentimentos fortes...
seja lá em que lugar do mundo estejamos.

Eu acredito que um simples
"I miss you"
ou seja lá
como possamos traduzir saudade em outra língua,
nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.

Talvez não exprima corretamente
a imensa falta
que sentimos de coisas
ou pessoas queridas.

E é por isso que eu tenho mais saudades...
Porque encontrei uma palavra
para usar todas as vezes
em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor
do que um sinal vital
quando se quer falar de vida
e de sentimentos.

Ela é a prova inequívoca
de que somos sensíveis!
De que amamos muito
o que tivemos
e lamentamos as coisas boas

que perdemos ao longo da nossa existência...

Esta Espécie de Loucura (Fernando Pessoa)

Esta espécie de loucura
Que é pouco chamar talento
E que brilha em mim, na escura
Confusão do pensamento,

Não me traz felicidade;
Porque, enfim, sempre haverá
Sol ou sombra na cidade.
Mas em mim não sei o que há

domingo, 24 de julho de 2016

O analista da Pitangueira - Mãe não corre!

- Posso contar um sonho que tive?

- Sim, claro, por favor.

- Sonhei que estava num campo verdejante, daí apareceu uma enorme vaca, corri muito, mas então ela me alcançou e começou a me encarar meio esquisita ... sabe o que isto significa?

- Vamos ampliar o leque de percepções. Talvez na próxima sessão tenhamos uma resposta que melhor represente este fato, ok? Seu tempo acabou, até mais.

Na próxima sessão:

- Tive outro sonho. Mas achei tão esquisito.

- Fique à vontade. Se perceber nele alguma importância e se sentir confortável em relatá-lo, sou todo ouvidos.

- Eu estava no quintal da minha casa da infância, brincando de barro. Mas o interessante era que o quintal era enorme. Havia nele uma vaca plácida, abanando o rabo, olhando para o infinito e curtindo a sombra da mangueira que a vovó plantou. De repente ela se assustou com a chegada de um homem alto, escondido sob uma enorme capa preta e um chapéu imenso. Correu para a fuga, parou bruscamente na minha frente, olhou nos meus olhos, olhou minhas mãos sujas, lambeu meu cabelo até ficar penteado, meio que lambido de vaca e .. caramba, lambeu minhas mãos até ficarem limpas. Então, doutor, é grave?

- Se é grave ainda não sabemos, mas no sonho anterior acatei o palpite, joguei a vaca no milhar e faturei trinta mil na cabeça. Então decidi dividir com você. Toma aqui seus quinze mil.

- Nossa, muito obrigado, senhor, puxa vida. Valeu!! Então, e hoje? Jogamos de novo?

- Não, hoje não.

- Mas por quê?

- Mãe não corre ...

É isto aí!

Papo de Esquina XXIV

- Tenso ...

- Muito tenso ...

- Bastante tenso ...

É isto aí!

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Carminha e Armandinho - Discutindo a relação aberta

- Posso te perguntar qualquer coisa, Armandinho?

- Claro, Carminha, nossa relação é aberta. Não tenho nada para esconder.

- Bem, então vamos falar das mulheres que passaram pela sua vida, pelo menos das que tenho conhecimento e o que cada uma delas representou para você.

- Nossa, que assunto difícil. Mas vamos lá, minha história é sua.

- Isto, gostei do que estou ouvindo. Fale da Telma.

- Telma era completamente louca. Assim que a deixei, senti-me horrível pelo abandono de uma incapaz.

- Raquel?

- Devassa, devassa, devassa. Nunca entendi o mérito daquele relacionamento.

- Cristina?

- Retardada. Simples assim, retardada. Não deu conta da minha ausência nem quando fui embora.

- Lourdes?

- Espera aí. Eu já falei alguma vez qualquer coisa da Lourdinha? Como você sabe dela? Nossa, puxa vida! Com vou dizer algo sobre a Lú? Ela era gostosa demais da conta. Educadíssima. Linda, linda, linda. Chorei muito por muito tempo, mas a vida segue e a fila anda.

- Bem, pelo que sei, esta mocreia da tal de Lourdinha já casou e mora a oito mil quilômetros daqui. Mas é bom saber que ... deixa prá lá. E a Patrícia?

- A Pat? Caramba!! Doida doidona doidaça. Tomava uns ácidos e ficava ali sem eu entender nada de onde estava ou o que se passava.

- Jandira?

- Jandira ... Jandira ... engraçado, não lembro desta.

- Não se faça de bobo. Jandira é minha ex-melhor amiga de todos os tempos. Armandinho, e vocês estiveram juntos quando já estávamos juntos em momento de ligeiro afastamento. Seu safado, seu sem-vergonha, seu cachorro. Eu perdi a amizade que tínhamos desde a infância por sua causa.

- Mas como abriu mão de uma amizade assim tão forte, Carminha?

- Em primeiro lugar, ela rompeu com o trato entre as melhores amigas de nunca pegar o ex da outra. Em segundo lugar a outra sou eu. Em função disto, abri mão da nossa história batendo nela com a mesma vontade que estou de encher esta sua cara porca de tapa e pancadaria.

- Mas por quê não me falou? Por quê resolveu ficar na boa comigo, amor?

- A resposta não é fácil, mas saiba que melhores amigas sempre virão, mas otários héteros para pagar as contas, abrir a porta do carro, fazer comida e nos levar aos lugares que queremos são raros no mercado. E quieta o facho que isto não foi um elogio.

É isto aí!

domingo, 17 de julho de 2016

Os turcos, o Cruzeiro e a choldra

Eu ia falar do golpe na Turquia, mas os turcos estão bem adiantados na história, quando comparados à pátria amada, idolatrada, salve, salve. Têm pelo menos uns oito mil anos na frente. Foi na Turquia que Noé desceu da barca e desde então aquele belo país vem fazendo sua história.

Então, nada de falar de golpe, por que dá até vergonha o que se vê por aqui. É tanta falta de tanta coisa que dá nojo de saber que existem seres humanos capazes de se dar ao trabalho de serem tão maus e tão incompetentes ao mesmo tempo.

Enquanto isto, o Cruzeiro, glorioso e vencedor, vai cambaleando no cambaleante campeonato tupynambá. Vai cair para deleite da choldra, mas vamos que vamos, que a semana promete.

É isto aí!


sábado, 16 de julho de 2016

E a gente nada de confessar (Ana Larousse)




Alto lá!! Este texto é da Ana Larousse.

Confesso que achei danado de bom, copiei e colei aqui na Pitangueira. 


eu odeio
quando você não percebe 
que é pra você que escrevo, 
que é sobre você que escrevo 
e que é por você que me apaixono
um tantinho mais a cada dia.

odeio 
quando você sorri 
escondido 
enquanto eu sorrio 
escondida 
e a gente nada de se juntar.

odeio 
quando você 
sabe que me ama 
e descansa no medo 
de nos enfrentar.

odeio 
quando falamos 
de outros amores e, em seguida, 
saímos a roubar flores 
no ensaio de nos entregar.

odeio 
quando roubamos flores 
e deixamos todas murcharem 
na vergonha de nos desvendar.

odeio 
que você sabe 
e sabe tanto quanto eu 
que o meu amor te cabe 
e que o teu amor é meu.

odeio 
que a gente se pinte 
de amigo e brinque 
que vai casar

odeio 
que nos pertence, 
por agora, se esconder
quando tudo que a gente quer 
é ficar junto e olhar o mar
quando tudo que a gente quer 
é se viver e se amarrar
e a gente nada de confessar




sexta-feira, 15 de julho de 2016

Estou logo ali

É fato que ando fugindo do Blog, mas ele está aqui, bem diante dos meus olhos. Poderia falar mais de política, virar um Blog chato prá caramba, mas a política é muito maior do que o discurso de um vereador em véspera de eleição. Está além dos prefeitinhos de merdas e outros de merendas, tão em voga e em moda. Ultrapassa os governadores polidos e prolixos, as assembléias inoperantes, até chegar ao núcleo do poder.

Núcleo? Onde está o núcleo? Você sabe? Com certeza acha que sabe. Tem seus candidatos, tem seus preferidos, seus deputadinhos e deputadinhas, seus senadorizinhos e senadorazinhas, tem também um presidentinho ou mesmo até uma presidentinha. Até aí você vai, mas não passa desta linha amarela de checklist. Por que daí em diante, num labirinto complexo, ardiloso e capcioso, está o poder, o verdadeiro e real poder, que é inatingível a nós mortais.

Falar de amor? Todos amam alguma coisa, uns mais outros menos, mas amam, então, todos são doutos na arte de amor. O fato ém que estou logo ali,bem diante de mim, portanto, eu que me conheço há dezenas de anos, sei que esta fase de estar logo ali passa e logo logo estarei bem aqui.

Um abraço que volto em breve.

PS - A gravura acima é de Salvador Dali - Baby Map Of The World / 1939