sexta-feira, 23 de agosto de 2019

O Putoscópio orientado para Káon

Plêiades

Dia destes era noite, e sob a luz de uma noite sem luar subi no Monte do Bom Senso, onde há o Planetário Imperial do Reino da Pitangueira. Neste Planetário encontra-se um Putoscópio que permite que eu investigue nas Plêiades o Káon, o interessante planeta onde os bósons são nulos.

Argonautas transcenderam este conceito quando descobriram que estes bósons  violam a simetria, pois os anti-Káon transformam-se em Káon-0 (Káon Zero) com uma frequência um pouco menor que o inverso.

Aproximando mais a potente lente putástica percebi que, graças aos bósons, há um poço de mágoas que foram se acumulando durante anos de denuncismos, agressões, inverdades, falácias, jornalismos cretinos, jornalistas infames, empresários pusilânimes, políticos medíocres e crenças limitantes, conforme documento VYK389/32 registrado sob o código KPTA, na Junta Maior do Movimento Circular.

É provável que o número de Káon-Zero não tenha atingido a mítica imagem méson por que uma vez que os bósons, neo-bósons, full-bósons, enfim, a maior parte da massa dos bósons provém da energia de ligação e não da soma das massas dos seus componentes, todos os bósons são instáveis, daí cada dia que passa precisam de um escânfalo (Em Káon seria uma corruptela de escândalo fálico) novo para se manterem percebidos.

No canto inferior esquerdo de Káon, há o famoso e incógnito Ponto Estóico, onde a mitologia kaóntica afirma que ali existem pessoas imbecilizadas, gentalhas esquizoides que prezam a fidelidade ao conhecimento, desprezando todos os tipos de sentimentos externos, como a paixão, a luxúria e demais emoções.

É isto aí!

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

O encontro das águas ( Jorge Vercillo / Jota Maranhão)


Sem querer
te perdi tentando te encontrar
Por te amar demais sofri, amor
Me senti traído e traidor

Fui cruel
sem saber que entre o bem e o mal
Deus criou um laço forte, um nó
E quem viverá um lado só?

A paixão veio assim
afluente sem fim
Rio que não deságua

Aprendi com a dor
nada mais é o amor
Que o encontro das águas

Esse amor
Hoje vai pra nunca mais voltar
Como faz o velho pescador
Quando sabe que é a vez do mar

Qual de nós
Foi buscar o que já viu partir
Quis gritar, mas segurou a voz,
Quis chorar, mas conseguiu sorrir?

Quem eu sou
Pra querer
Entender
O amor


quarta-feira, 21 de agosto de 2019

A verdade é que você nunca vem aqui, e tudo isto é seu

Princess punk rock

Mensagens que não deveriam ser mandadas quando escritas em momentos ridiculamente passionais:

Geladeira, liquidificador, cafeteira, panela de pressão ...

Panela de pressão ... de pressão ... depressão ... puxa vida, agora sim consigo entender esta dor, estando só na cozinha. Sinto sua ausência.

Querida, eu não desejei escrever esta mensagem, ela apenas fluiu no meio de uma maratona de espetáculos que assisti dentro de mim nos últimos dias. Eu amo você, amo sua voz, seu corpo, seu andar, suas mãos, amo seu cotovelo quando sustenta seu braço a promover um quadro romântico e colorido, com suas mãos segurando seu queixo, e me expiando com um olhar que não é um olhar apenas. É seu interior fitando meu interior.

Querida, eu nunca me perdoei por não ter perdoado você. Não apenas volte, mas volte para mim, eu amo você e me acovardei diante do fato de ter sido um idiota. A verdade é que você nunca vem aqui, e tudo isto é seu. 

Resposta às mensagens que não deveriam ser mandadas quando escritas em momentos ridiculamente passionais:

Foda-se!!!!!!!!
Efe - o - dê - a - se - Foda-se!!!!!
Foda-se, foda-se, foda-se!!!!!!!!!

É isto aí!



quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Valei-me São Boticário


Valei-me São Boticário
protetor dos frascos 
zelador dos comprimidos
ilumina o vale das sombras
destes neurônios feridos
mortais e fragilizados

Permita-me entender 
o caminho por onde passa
ante ao balcão da farmácia
os canalhas idiotizados
que grassam em falácias
e só olham para seus umbigos.

É isto aí!






segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Diante da Lei ( Franz Kafka )

Franz Kafka / Diante la Lei

Fonte: https://farofafilosofica.com

Diante da Lei há um guarda. Um camponês apresenta-se diante deste guarda, e solicita que lhe permita entrar na Lei. Mas o guarda responde que por enquanto não pode deixa-lo entrar. O homem reflete, e pergunta se mais tarde o deixarão entrar.

 – É possível – disse o porteiro -, mas não agora.

A porta que dá para a Lei está aberta, como de costume; quando o guarda se põe de lado, o homem inclina-se para espiar. O guarda vê isso, ri-se e lhe diz:

– Se tão grande é teu desejo, experimenta entrar apesar de minha proibição. Mas lembra-te de que sou poderoso. E sou somente o último dos guardas. Entre salão e salão também existem guardas, cada qual mais poderoso que o outro. Já o terceiro guarda é tão terrível que não posso suportar seu aspecto.

O camponês não havia previsto estas dificuldades; a Lei deveria ser sempre acessível para todos, pensa ele, mas ao observar o guarda, com seu abrigo de peles, seu nariz grande e como de águia, sua barba longa de tártaro, rala e negra, resolve que mais lhe convém esperar. O guarda dá-lhe um banquinho, e permite-lhe sentar-se a um lado da porta. Ali espera dias e anos. Tenta infinitas vezes entrar, e cansa ao guarda com suas súplicas. Com frequência o guarda mantém com ele breves palestras, faz-lhe perguntas sobre seu país, e sobre muitas outras coisas; mas são perguntas indiferentes, como as dos grandes senhores, e para terminar, sempre lhe repete que ainda não pode deixá-lo entrar. O homem, que se abasteceu de muitas coisas para a viagem, sacrifica tudo, por mais valioso que seja, para subornar o guarda. Este aceita tudo, com efeito, mas lhe diz:

– Aceito-o para que não julgues que tenhas omitido algum esforço.

Durante esses longos anos, o homem observa quase continuamente o guarda: esquece-se dos outros, e parece-lhe que este é o único obstáculo que o separa da Lei. Maldiz sua má sorte, durante os primeiros anos temerariamente e em voz alta; mais tarde, à medida que envelhece, apenas murmura para si. Retorna à infância, e como em sua longa contemplação do guarda, chegou a conhecer até as pulgas de seu abrigo de pele, também suplica as pulgas que o ajudem e convençam o guarda. Finalmente sua vista enfraquece-se, e já não sabe se realmente há menos luz, ou se apenas o enganam seus olhos. Mas em meio da obscuridade distingue um resplendor, que surge inextinguível da porta da Lei. Já lhe resta pouco tempo de vida. Antes de morrer, todas as experiências desses longos anos se confundem em sua mente em uma só pergunta, que até agora não formou. Faz sinais ao guarda para que se aproxime, já que o rigor da morte endurece seu corpo. O guarda vê-se obrigado a abaixar-se muito para falar com ele, porque a disparidade de estaturas entre ambos aumentou bastante com o tempo, para detrimento do camponês.

– Que queres saber agora? – pergunta o guarda -. És insaciável.

– Todos se esforçam por chegar à Lei – diz o homem -; como é possível então que durante tantos anos ninguém mais do que eu pretendesse entrar?

O guarda compreende que o homem está para morrer, e para seus desfalecentes sentidos percebam suas palavras, diz-lhe junto ao ouvido com voz atroadora:

– Ninguém podia pretender isso, porque esta entrada era somente para ti. Agora vou fechá-la.

KAFKA, Franz. A colônia Penal. Editora Livraria Exposição do livro. São Paulo. 1965. p. 71 – 72

domingo, 11 de agosto de 2019

Eu não existo sem você (Vinícius de Moraes/Tom Jobim)


Eu sei e você sabe
Já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo
Levará você de mim

Eu sei e você sabe
A distância não existe
E todo grande amor
Só é bem grande se for triste

Por isso meu amor
Não tenha medo de sofrer
Pois todos os caminhos
Me encaminham pra você

Assim como o oceano
Só é belo com o luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar

Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer

Assim, como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você

Vinícius de Moraes*/Tom Jobim

*As três últimas estrofes - sic - são do Vinícius de Moraes, do seu poema "Assim como o Oceano".



(DIREITOS AUTORAIS RESERVADOS PARA SOM LIVRE) Programa de Maysa entre 1957 e 1959, onde ela cantava músicas da época. Esta música, gravada ao vivo nos estúdios da TV Record, em 1959.

sábado, 10 de agosto de 2019

Você é desonesto!


Você é desonesto por três motivos básicos e cada motivo tem suas qualidades em menor ou maior grau:

Você não possui honestidade:
Pois é enganador, falso, fingido, insincero, traiçoeiro, torpe, ímprobo, desleal, infiel, prevaricador.

Você engana e ludibria as pessoas:
Portanto é vigarista, trapaceiro, tratante, patife, pilantra, canalha, salafrário, espertalhão, meliante, mau-caráter, biltre, pulha, estelionatário, velhaco, escroque, burlador, bilontra, aldrabão, rato, mariola.

Você não tem honra e decência:
E por isto é indecente, indecoroso, indigno, obsceno, impudico, imoral, desavergonhado, sem-vergonha, inescrupuloso, incorreto, duvidoso, vergonhoso.

É isto aí!

terça-feira, 6 de agosto de 2019

A Mentira Em Que Vivemos (Spencer Cathcart - The Lie We Live)



Spencer Cathcart

O blog de Spencer (na verdade um conjunto de vídeos) é Freshtastical e aconselho dar uma vista de olho caso o Leitor fale Inglês (pois os vídeos legendados em Português são mesmo poucos).

Agora você poderia estar em qualquer lugar,
fazendo qualquer coisa

Em vez disso está sentado sozinho
diante de uma tela.

Então o que está nos impedindo
de fazer o que queremos,

estar onde queremos estar?

Cada dia acordamos no mesmo quarto e
seguimos o mesmo caminho,

para viver o mesmo dia que vivemos ontem.

No entanto, ao mesmo tempo,
cada dia era uma nova aventura.

Com o passar do tempo, alguma coisa mudou.

Antes nossos dias eram atemporais,
agora nossos dias são programados.

É isso que significa ser evoluido?
Ser livre?

Mas nos somos realmente livres?

Comida, água, terra.

Os principais elementos que precisamos para sobreviver
são propriedade de empresas.

Não há comida para nós nas árvores,

água fresca nos riachos,

terra para construir uma casa.

Se tentar e pegar o que a terra oferece,
você será preso.

Então nós obedecemos suas regras.

Nós exploramos o mundo através de livros.

Por anos nós sentamos e regurgitamos o que nos dizem.

Testados e classificados como sujeitos
em um laboratório.

Não para fazer a diferença neste mundo.
Mas para não ser diferente.

Inteligentes o suficiente para fazer nosso trabalho,

mas não para questionar porque fazemos.

Então nós trabalhamos, e o trabalho nos deixa sem tempo
para viver a vida para qual trabalhamos.

Até que chega o dia que estamos muito
velhos para trabalhar.

É aqui que somos deixados para morrer.

Nossas crianças ocupam nosso lugar no jogo.

Para nós, o nosso caminho é único,

mas juntos somos nada mais do que combustível.

O combustível que alimenta a elite.

A elite que se esconde por trás dos logos de empresas.

Esse é o mundo deles.

E o seu recurso mais valioso não é o chão.

Somos nós.

Nós construimos suas cidades,

executamos suas máquinas,

lutamos suas guerras.

Afinal de contas, o dinheiro não é o que os impulsiona.

É o poder.

O dinheiro é simplesmente a ferramenta
que eles usam para nos controlar.

Pedaços de papel sem valor que dependemos
para nos alimentar,

nos mover,

nos entreter.

Eles nos deram o dinheiro e em
troca demos a eles o mundo.

Onde havia árvores que limpavam o nosso
ar, agora há fábricas que o envenena.

Onde havia água para beber,
há lixo tóxico que fede.

Onde os animais corriam livres,

estão fazendas industriais onde eles são nascidos
e abatidos interminavelmente para nossa satisfação.

Mais de um bilhão de pessoas estão morrendo de fome,
apesar de ter comida suficiente para todos.

Para onde vai tudo isso?

70% do grãos que colhemos é alimento para engordar
os animais que você come para o jantar.

Por que ajudar a faminto?
Você não pode lucrar com eles.

Somos como uma praga varrendo a terra,

despedaçando o próprio ambiente que nos permite viver.

Vemos tudo como algo a ser vendido,

como um objeto ser possuído.

Mas o que acontece quando tivermos poluído o último rio?

Envenenado a última brisa de ar?

Não ter óleo para os caminhões que nos trazem a nossa comida?

Quando é que vamos perceber o dinheiro não se pode comer,
que não tem valor?

Não estamos destruindo o planeta.

Estamos destruindo toda a vida nele.

Anualmente, milhares de espécies são extintas.

E o tempo está se esgotando antes
de sermos os próximos.

Se você mora na América há uma chance
de 41% de você ter câncer.

Doenças do coração matará um em
cada três norte-americanos.

Tomamos medicamentos prescritos para
lidar com esses problemas,

mas cuidado médico é a terceira principal causa de
morte por trás de câncer e doenças cardíacas.

Nos dizem que tudo pode ser resolvido
enchendo cientistas de dinheiro

para que eles possam descobrir uma pílula para
fazer nossos problemas acabar.

Mas as empresas farmacêuticas e as sociedades de câncer
dependem de nosso sofrimento para lucrar.

Nós pensamos que estamos alcançando uma cura,

mas na verdade estamos fugindo da causa.

Nosso corpo é um produto do que consumimos

e os alimentos que comemos é projetado
exclusivamente para o lucro.

Nós nos enchemo com produtos químicos tóxicos.

Os corpos dos animais infestados
com drogas e doenças.

Mas nós não vemos isso.

O pequeno grupo de empresas que possuem os meios
de comunicação não querem que nós vejamos.

Nos cercam com uma fantasia e
nos dizem que é a realidade.

É engraçado pensar que os seres humanos uma vez
pensavam que a Terra era o centro do universo.

Mas, novamente, agora vemos a nós
mesmos como o centro do planeta.

Apontamos para nossa tecnologia e dizemos
que somos os mais inteligentes.

Mas computadores, carros e fábricas realmente
mostram o quão inteligente nós somos?

Ou será que eles mostram quão
preguiçoso nos tornamos?

Nós colocamos esta máscara “civilizada”.

Mas quando você remove-a, o que somos?

A rapidez com que nos esquecemos que apenas nos
últimos cem anos permitimos o voto feminino;

permitimos os negros de viver como iguais.

Agimos como se nós fossemos seres que sabe tudo,

ainda há muito que não conseguimos ver.

Andamos pela rua ignorando todas as pequenas coisas.

Os olhos que olham fixamente.
As histórias que eles compartilham.

Vendo tudo como um fundo para ‘mim’.

Talvez nós tememos não estar sozinhos.

Que somos uma parte de uma
imagem muito maior.

Mas não conseguimos fazer a conexão.

Estamos matando porcos,

vacas, galinhas, estranhos de terras estrangeiras.

Mas não os nossos vizinhos,

não os nossos cães, nossos gatos,
aqueles que aprendemos a amar e entender.

Chamamos outras criaturas de estúpidas

e ainda apontamos para eles para
justificar nossas ações.

Mas será que matando simplesmente
porque nós podemos,

porque sempre temos, torna isso certo?

Ou isso mostra o quão pouco
nós aprendemos?

Continuemos a agir primitivamente,
em vez de pensar e de ter compaixão.

Um dia, essa sensação que chamamos
de vida vai nos deixar.

Nossos corpos vão apodrecer, os nossos
objetos de valor recolhidos.

Restará apenas lembranças do passado.

A morte nos rodeia constantemente,

ainda parece tão distante da nossa realidade cotidiana.

Vivemos em um mundo à beira do colapso.

As guerras de amanhã não terão vencedores.

Pela violência nunca haverá resposta;

ela destruirá todas as soluções possíveis.

Se todos olharmos para o nosso
desejo mais íntimo,

veremos que nossos sonhos não
são tão diferentes.

Nós compartilhamos de um objetivo em comum.

Felicidade.

Destruímos o mundo em busca de alegria,

sem nunca olhar para dentro de nós mesmos.

Muitas das pessoas mais felizes são
aqueles que possuem pouco.

Mas será que estamos realmente muito felizes com nossos iPhones, nossas grandes casas, nossos carros de luxo?

Nós nos tornamos desconectados.
Idolatrando pessoas que nunca conhecemos.

Testemunhamos o extraordinário nas telas,

mas o ordinário em qualquer outro lugar.
Nós esperamos que alguém traga mudança,

sem nunca pensar em mudar a nós mesmos.

As eleições presidenciais poderiam
muito bem ser um sorteio.

São dois lados da mesma moeda.

Nós escolhemos a face que queremos
e a ilusão da escolha, da mudança é criada.

Mas o mundo permanece o mesmo.

Nós não percebemos que os políticos não nos servem;

eles servem aqueles que os financiam ao poder.

Precisamos de líderes, e não políticos.

Mas neste mundo de seguidores,
nos esquecemos de liderar nós mesmos.

Pare de esperar pala mudança, e seja
a mudança que você quer ver.

Não chegaremos a este ponto
sentados sobre nossas bundas.
A raça humana sobreviveu não porque
somos mais rápidos ou o mais fortes,

mas porque nós trabalhamos juntos.
Nós dominamos o ato de matar.

Agora vamos dominar a alegria de viver.

Não se trata de salvar o planeta.

O planeta estará aqui quer estejamos ou não.

A Terra já existe há bilhões de anos,
cada um de nós será sortudo se durar oitenta.

Somos um flash no tempo, mas o nosso impacto é para sempre.

“Muitas vezes eu queria viver em uma
época antes dos computadores,

quando não tinhamos telas para nos distrair.

Mas eu percebo que há uma razão pela qual esta
é a única vez que eu quero estar vivo.

Porque aqui, hoje, temos uma oportunidade
que nunca tivemos antes.”

A internet nos dá o poder de compartilhar uma
mensagem e unir milhões ao redor do mundo.

“Enquanto ainda podemos, devemos usar nossas
telas para nos reunir, ao invés de nos afastar.”

Para melhor ou pior,

nossa geração irá determinar o futuro da vida no planeta.

Podemos, ou continuar a servir a este sistema de destruição
até que nenhuma memória de nossa existência permaneça.

Ou podemos acordar.

Perceber que não estamos evoluindo,
mas caindo…

só temos telas em nossos rostos por isso
não vemos para onde estamos indo.

Este momento presente é o que cada passo,

cada respiração e cada morte provocou.

Somos os rostos de todos os que vieram antes de nós.

E agora é a nossa vez.

Você pode escolher esculpir o seu próprio caminho ou
seguir a estrada que inúmeros outros já seguiram.

A vida não é um filme.

O roteiro ainda não foi escrito.

Nós somos os escritores.

Esta é a sua história,

a história deles,

nossa história.



Spencer Cathcart

O blog de Spencer (na verdade um conjunto de vídeo) é Freshtastical e aconselho dar uma vista de olho caso o Leitor fale Inglês (pois os vídeos legendados em Português são mesmo poucos).

Oração da Serenidade



Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária
Para aceitar as coisas que não podemos modificar
Coragem para modificar aquelas que podemos
E Sabedoria para reconhecer as diferenças.

domingo, 4 de agosto de 2019

Se tudo que há é mentira (Fernando Pessoa)


Se tudo o que há é mentira,

É mentira tudo o que há.

De nada nada se tira,

A nada nada se dá.

Se tanto faz que eu suponha

Uma coisa ou não com fé,

Suponho-a se ela é risonha,

Se não é, suponho que é.

Que o grande jeito da vida

É pôr a vida com jeito.

Fana a rosa não colhida

Como a rosa posta ao peito.

Mais vale é o mais valer,

Que o resto ortigas o cobrem

E só se cumpra o dever

Para que as palavras sobrem.

14-10-1930
Poesias Inéditas (1930-1935). Fernando Pessoa. (Nota prévia de Jorge Nemésio.) Lisboa: Ática, 1955 (imp. 1990).  - 22.

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Atendimento BMG - Resposta

ATENDIMENTO BMG <faleconosco@bancobmg.com.br>


22 de jul às 17:47


Olá, Paulo! Boa tarde! Tudo bom?


Em atenção à sua solicitação pelo protocolo 68680156, esclarecemos que:

lamentamos pelo ocorrido, senhor Paulo. O seguinte número foi cadastrado no bloqueio para recebimento de ligações: 31384XXXX. Caso tenha mais algum número que o senhor deseja que seja inserido, retorne o contato para que possamos cadastrar. Foi incluído um impedimento para que nenhuma transação seja efetuada sem que o senhor acione a nossa central para retirada do mesmo.


Atenciosamente,


Banco BMG

Guimarães Rosa - Entrevista RARA em Berlim (1962)

As Ordenações Philipinas do Império da Pitangueira



Ordenações e Leis do Reino da Pitangueira:

Àquele que é ladrão, doravante o Reino da Pitangueira permitirá o julgamento em obediência aos seguintes critérios técnicos:

A - Há o Ladrão que rouba.

B - Há o Ladrão que é desonesto.

Do que rouba, a pena obedecerá ao somatório de anos aos atos abaixo citados:

- ladro, rato, abafador, agadanhador, agafanhador, capoeiro, escamoteador, furtador, gatuno, ladravão, ladravaz, lapim, lapinante, larápio, malandréu, malandrim, malandro, mão-leve, pandilheiro, pilha, pilhante, rapace, rapinador, rapinante, ratoneiro, roubador, ventanista, bandido, pechelingue, salteador.

Do que é desonesto, a pena obedecerá ao somatório de anos aos atos abaixo citados:
- patife, velhaco, tratante, aldabrão, bilontra, burlador, desonesto, escroque, espertalhão, esperto, estelionatário, ímprobo, ladino, magano, maroto, trapaceiro, vigarista, vivaz, vivo, biltre.

É isto aí!

quarta-feira, 24 de julho de 2019

A Blossom Fell (Nat King Cole)

Pin on Clothes


"A Blossom Fell" is a popular song written by Howard Barnes, Harold Cornelius, and Dominic John and published in 1954. The best-known version was recorded by Nat King Cole

A Blossom Fell
A blossom fell from off a tree
It settled softly on the lips you turned to me
The gypsies say and I know why
A falling blossom only touches lips that lie

A blossom fell and very soon
I saw you kissing someone new beneath the moon
I thought you loved me, you said you loved me
We planned together to dream forever
The dream has ended, for true love died
The night a blossom fell and touched two lips that lied

A blossom fell and very soon
I saw you kissing someone new beneath the moon
I thought you loved me, you said you loved me
We planned together to dream forever
The dream has ended, for true love died
The night a blossom fell and touched two lips that lied

Uma Flor Caiu
Uma flor caiu da árvore
Parou suavemente nos lábios, e você virou-se para mim
Os ciganos dizem e eu sei o por quê
Uma flor caindo só toca os lábios que mentem

Uma flor caiu e muito em breve
Eu vi você beijando alguém novo sob a Lua
Eu pensei que você me amasse, você disse que me amava
Nós planejamos juntos para sonhar para sempre
O sonho acabou, para o verdadeiro amor morreu
A noite caiu uma flor e tocou os lábios que mentiram

Uma flor caiu e muito em breve
Eu vi você beijando alguém novo sob a Lua
Eu pensei que você me amasse, você disse que me amava
Nós planejamos juntos para sonhar para sempre
O sonho acabou, para o verdadeiro amor morreu
À noite caiu uma flor e tocou os lábios que mentiram


Johnny Hodges - All of me

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Ao BMG - Reclamação


A reclamação refere-se ao abusivo número de telefonemas que recebo dos correspondentes BMG oferecendo empréstimo. Já tenho cerca de 200 números dos seus correspondentes bloqueados no meu celular e fui obrigado a desligar meu telefone fixo. 

Esta ação agressiva de vocês é odiosa, desagradável, inútil, desnecessária, improducente, degradante, ridícula, imoral, desgastante e todos os demais adjetivos, alguns mais ferinos. 

Desta forma, estou muito decepcionado de ter acessado esta empresa. 

É isto aí!

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Casal meia idade discutindo relação numa noite de sábado, num elegante ambiente

Se me permite, minha querida, eu gostaria de dizer-te que ...

Alto lá senhor Adamasthor Hernandes Magalhães Jorgelle Fidalgo Filgueiras Júnior, alto lá!

Sim, querida?

(silêncio)

A senhora levantou-se elegante e calma, olhar fixo no homem. Gestos finos e delicados colocaram seu dedo indicador em riste na direção do cavalheiro e falou candidamente, quase sussurrando, discreta e confiante - Querida é a puta que te pariu!

Deu meia volta sobre o fino salto direito do seu Christian Louboutin Demi You Verniz Nude original confeccionado em verniz. Supostamente, com certo grau de dificuldade etílica, ajustou o inigualável Armani Collezioni Crepe Preto Original, aquele que possui modelagem levemente acinturada, modelo longo, manga regata, decote profundo de paetês pequenos e nó, fecho posterior em zíper invisível, ligeiramente fora do lugar e discretamente partiu sem olhar para trás.

Júnior ficou ali, com ar blasé, degustando seu Pinot Noir da Bourgogne.

Fiquei de cá olhando, olhando ... caramba, como a vida é dura! Que sujeito de sorte ... puxa vida! Eu nunca tenho dinheiro para beber um vinho deste naipe ... e o pior - nem sequer tenho uma mulher linda, elegante e educada para discutir relação - sei lá, mas cá dentro bateu forte uma inveja danada de danada ...

É isto aí!

quinta-feira, 11 de julho de 2019

A morte não é nada (Pe Henry Scott Holland)


Autor - Padre Henry Scott Holland (Igreja Anglicana)
           
Sermão pregado na Catedral de St Paul’s, em Londres, no domingo 15 de maio de 1910. O sermão foi pregado na sequência da morte do Rei Eduardo VII, na Inglaterra, pelo padre Henry Scott Holland (27/01/1847 a 17/03/1918). No texto, ele explora as respostas naturais, mas aparentemente contraditórias à morte: o medo do inexplicável e a crença na continuidade. 


A morte não é nada. Eu somente passei para o outro lado do Caminho.

Eu sou eu, vocês são vocês. O que eu era para vocês, eu continuarei sendo.

Me dêem o nome que vocês sempre me deram, falem comigo como vocês sempre fizeram.

Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas, eu estou vivendo no mundo do Criador.

Não utilizem um tom solene ou triste, continuem a rir daquilo que nos fazia rir juntos.

Rezem, sorriam, pensem em mim. Rezem por mim.

Que meu nome seja pronunciado como sempre foi, sem ênfase de nenhum tipo. Sem nenhum traço de sombra ou tristeza.

A vida significa tudo o que ela sempre significou, o fio não foi cortado. Por que eu estaria fora de seus pensamentos, agora que estou apenas fora de suas vistas?

Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do Caminho...

Você que aí ficou, siga em frente, a vida continua, linda e bela como sempre foi.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Esquadros (Adriana Calcanhoto)


Eu ando pelo mundo
Prestando atenção em cores
Que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo
Cores!

Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção
No que meu irmão ouve
E como uma segunda pele
Um calo, uma casca
Uma cápsula protetora
Ai, Eu quero chegar antes
Pra sinalizar
O estar de cada coisa
Filtrar seus graus

Eu ando pelo mundo
Divertindo gente
Chorando ao telefone
E vendo doer a fome
Nos meninos que têm fome

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle

Eu ando pelo mundo
E os automóveis correm
Para quê?
As crianças correm
Para onde?
Transito entre dois lados
De um lado
Eu gosto de opostos
Exponho o meu modo
Me mostro
Eu canto para quem?

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
 tudo enquadrado
Remoto controle

Eu ando pelo mundo
E meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço
Meu amor, cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
tudo enquadrado
Remoto controle

Eu ando pelo mundo
E meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço
Meu amor cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
tudo enquadrado
Remoto controle

terça-feira, 9 de julho de 2019

Lupanar Tropical e o Capituris ex vectigal

O rapto das Sabinas (Pietro de Cortona)

A tara pelas virgens ocidentais já era conhecida desde os primórdios do Império Romano, até hoje em ação, com o Rapto das Sabinas, quando  a primeira geração de homens romanos teria obtido esposas para si através do rapto das filhas das famílias sabinas vizinhas.

Desde então Roma foi um misto de sacanagem com poder, chegando ao ponto de Botinhas, o exótico Calígula, instituir o primeiro imposto sobre a putaria, a Capituris Ex Vectigal, um imposto cobrado sobre a atividade. A prostituição foi regulamentada em Roma não tanto por razões morais, mas para maximizar os lucros. Como se aprende na escola, desde aquela época a banca sempre ganha na roleta.

Dia destes, um cidadão líder de manadas falou das virgens que são desejadas pela insaciável tara nórdica. Passou um pensamento à galope de que na vizinha Bananaland (que ainda passará a ser reconhecida internacionalmente como República Federativa do Lupanar Tropical) está a ocorrer de tudo que é possível de ocorrer quando extra-terrestres, tomados pelo ódio visceral se tornam vice-reis da Colônia onde jorra merda nenhuma, pois tudo já está entregue, ora pois pois.

O fato é que estou cansado. Há uma grande peça sendo encenada no palco central. A platéia se divide entre os que acreditam na peça como real, os que duvidam e os que odeiam qualquer coisa que não seja sua imagem no espelho.

Este momento é o ponto de virada entre o que poderia ter sido e o que será, e o que se desenha é o cumprimento desta sina terrível em terras selvagens - as virgens bonitas sempre serão entregues aos romanos.

É isso aí!