terça-feira, 15 de setembro de 2020

Insônia (Fernando Pessoa)


Não durmo, nem espero dormir.

Nem na morte espero dormir.

Espera-me uma insónia da largura dos astros,
E um bocejo inútil do comprimento do mundo.

Não durmo; não posso ler quando acordo de noite,
Não posso escrever quando acordo de noite,
Não posso pensar quando acordo de noite —
Meu Deus, nem posso sonhar quando acordo de noite!

Ah, o ópio de ser outra pessoa qualquer!

Não durmo, jazo, cadáver acordado, sentindo,
E o meu sentimento é um pensamento vazio.
Passam por mim, transtornadas, coisas que me sucederam
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que me não sucederam
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que não são nada,
E até dessas me arrependo, me culpo, e não durmo.

Não tenho força para ter energia para acender um cigarro.
Fito a parede fronteira do quarto como se fosse o universo.
Lá fora há o silêncio dessa coisa toda.
Um grande silêncio apavorante noutra ocasião qualquer,
Noutra ocasião qualquer em que eu pudesse sentir.

Estou escrevendo versos realmente simpáticos —
Versos a dizer que não tenho nada que dizer,
Versos a teimar em dizer isso,
Versos, versos, versos, versos, versos...
Tantos versos...
E a verdade toda, e a vida toda fora deles e de mim!

Tenho sono, não durmo, sinto e não sei em que sentir.
Sou uma sensação sem pessoa correspondente,
Uma abstracção de autoconsciência sem de quê,
Salvo o necessário para sentir consciência,
Salvo — sei lá salvo o quê...

Não durmo. Não durmo. Não durmo.
Que grande sono em toda a cabeça e em cima dos olhos e na alma!
Que grande sono em tudo excepto no poder dormir!

Ó madrugada, tardas tanto... Vem...
Vem, inutilmente,
Trazer-me outro dia igual a este, a ser seguido por outra noite igual a esta...
Vem trazer-me a alegria dessa esperança triste,
Porque sempre és alegre, e sempre trazes esperança,
Segundo a velha literatura das sensações.

Vem, traz a esperança, vem, traz a esperança.
O meu cansaço entra pelo colchão dentro.
Doem-me as costas de não estar deitado de lado.
Se estivesse deitado de lado doíam-me as costas de estar deitado de lado.
Vem, madrugada, chega!

Que horas são? Não sei.
Não tenho energia para estender uma mão para o relógio,
Não tenho energia para nada, para mais nada...
Só para estes versos, escritos no dia seguinte.
Sim, escritos no dia seguinte.

Todos os versos são sempre escritos no dia seguinte.
Noite absoluta, sossego absoluto, lá fora.
Paz em toda a Natureza.
A Humanidade repousa e esquece as suas amarguras.
Exactamente.
A Humanidade esquece as suas alegrias e amarguras.
Costuma dizer-se isto.
A Humanidade esquece, sim, a Humanidade esquece,
Mas mesmo acordada a Humanidade esquece.
Exactamente. Mas não durmo.


Álvaro de Campos, in "Poemas"

Heterónimo de Fernando Pessoa


Fonte da imagem: Learning Mind

domingo, 13 de setembro de 2020

O Mago da Pitangueira (setembro 2020)

Neste dias subi o Monte da Contemplação para aprender com o Mago da Pitangueira, que não se trata de um mago destes que fazem magia, mas sim de uma longa linhagem onde o título que o designa origina dos sacerdotes zoroastristas. Subi com o coração apertado, cheio de dúvidas. Mas como sempre ele provoca as perguntas.com respostas que exigem uma profunda reflexão.

- Mestre, o que nos espera 2021?
- Meu filho, não é o tempo que passa por nós. Somos nós que passamos pelo tempo. 2021 não espera ninguém. Ele está lá como o amanhã também está, e você passará por ele.

- Mas, Mestre, e as catástrofes, e as tragédias, e as dores do mundo?
- Veja, uma doença não aparece do nada, ela primeiro foi desejada de forma consciente ou inconsciente. Há uma história natural para ser e existir. Todo efeito sobreveio de uma causa. 

- Desculpe minha ignorância, Mestre, mas não entendi.
- Não é só você, rapaz. O mundo todo foi sendo envenenado dia após dia, de todas as formas, de todos os jeitos, de todas as seduções possíveis, e aqui não falo da prostituição e das drogas, falo de um mal maior, que vai além do prazer rápido proporcionado por estes meios. O mal real, o mal tangível, fonte inesgotável de dor.

- Mestre, o fim destes dias de confinamento estão acabando?
- Meu filho, o veneno está tomando seu cérebro, seus olhos e seus ouvidos. Qual o fim das reses depois de um confinamento? Pense! Nada de novo há sob o sol. O mundo como conheceu terá em breve um novo céu e uma nova terra - Maktub. E estes tempos chegaram.

- Mestre, como posso salvar minha vida, meus familiares, meus amigos? Para onde ir? O que fazer? Qual o lugar seguro?
- Lugar seguro? Rapaz, o único lugar seguro agora está dentro do seu coração. O que está feito, está feito. As engrenagens do "perpetuum mobile" foram postas em movimento, nada mais o detém. A ciência sempre negou esta possibilidade e ela está aí para todos verem e os tolos admirarem.

Voltei para casa achando o mundo menor, estranho e bizarro. 

É isto aí!




 

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Hoje bateu saudade de tudo


Saudade daquela baianidade nagô espalhando gente feliz e cantando, se encontrando, sol chuva vento e mar de Salvador. Saudade de um chopp no Leblon, saudade até da Savassinha de Divinópolis fim de tarde, saudade da Ilha de São Francisco em Santa Catarina, saudade de ser moleque de bodoque e pedra de seixo, saudade de um mundo que acabou.

Saudade de Belo Horizonte, de Juiz de Fora, de Vitória, de Porto Seguro, Ilhéus, Governador Valadares. Saudade de mim quando eu não achava que um dia teria saudade de tanta coisa assim. Saudade do Maurício, da Judith (muita saudade), do Luiz que partiram tão depressa, saudade do meu pai, saudade ...

Estou ficando cansado, esta coisa coisando tudo, e o coiso coisando nossas vidas como se a gente fosse agentes do mal contra a goiabeira santa. Saudade é a palavra que tenho hoje, meu amigo leitor, minha amiga leitora, que vem aqui todos os dias ver como está o reino.

O reino da Pitangueira está em crise de saudade. Saudade da minha filha que mora fora, saudade é um dom, deve ser isto.

Como escreveu e compôs o poeta Evandro Rodrigues em Baianidade Nagô:

Eu queria
Que essa fantasia fosse eterna
Quem sabe um dia a paz
Vence a guerra
E viver será só festejar

Baianidade Nagô
Compositor Letra e Música: Evandro Rodrigues
Música: Baianidade Nagô (Ao Vivo)
Artista: Axé 90 Graus
Licenciado para o YouTube por
SME (em nome de Sony Music Entertainment); UMPG Publishing, UNIAO BRASILEIRA DE EDITORAS DE MUSICA - UBEM, LatinAutor, LatinAutor - UMPG e 1 associações de direitos musicais

Já pintou verão
Calor no coração
A festa vai começar
Salvador se agita
Numa só alegria
Eternos Dodô e Osmar

Na avenida sete
Da paz eu sou tiete
Na barra o farol a brilhar

Carnaval na Bahia
Oitava maravilha
Eu nunca irei te deixar ... meu amor

Eu vou
Atrás do trio elétrico vou
Dançar ao negro toque do agogô
Curtindo a minha baianidade nagô

Eu queria
Que essa fantasia fosse eterna
Quem sabe um dia a paz
Vence a guerra
E viver será só festejar

Já pintou verão
Calor no coração
A festa vai começar
Salvador se agita
Numa só alegria
Eternos Dodô e Osmar

Na avenida sete
Da paz eu sou tiete
Na barra o farol a brilhar

Carnaval na Bahia
Oitava maravilha
Eu nunca irei te deixar ... meu amor

Agora voa, voa, 
voa Farol da Barra
Voa lá!

Eu vou
Atrás do trio elétrico vou
Dançar ao negro toque do agogô
Curtindo a minha baianidade nagô

Eu queria, diz!
Que essa fantasia fosse eterna
Quem sabe um dia a paz
Vence a guerra
E viver será só festejar

Fonte: Musixmatch
Compositores: Evandro Elias Souza Rodrigues
Letra de Baianidade Nagô © Universal Mus. Publishing Mgb Brasil Ltd

domingo, 6 de setembro de 2020

Dura lex, sed lex


 

DIÁRIO OFICIAL DA PITANGUEIRA

Publicado em: 06/09/2020 | Edição: 01| Seção: 1 | Página: 1

Órgão: Atos do Poder Imperial Monocrático e Democrático 

LEI Nº 001 DE 05 DE SETEMBRO DE 2020

Dispõe sobre as medidas para enfrentamento da Saudade 

EU, O ESTADO DO REINO DA PITANGUEIRA

Faço saber que decreto e eu sanciono a seguinte Lei:


Art. 1º Esta Lei dispõe sobre as medidas que poderão ser adotadas para enfrentamento da Saudade.

§ 1º As medidas estabelecidas nesta Lei objetivam a proteção da Alma, da Mente, do Corpo e do Espírito.

§ 2º Ato de Fé e Crença disporá sobre a duração da situação de Saudade de que trata esta Lei.

§ 3º O prazo de que trata o § 2º deste artigo não poderá ser superior ao declarado pela pessoa portadora da Saudade.


Art. 2º Para fins do disposto nesta Lei, considera-se:

I - isolamento: separação de pessoas, de maneira a favorecer a propagação do sentimento objeto da Lei;

II - quarentena: restrição de atividades em decorrência da separação de pessoas suspeitas de contaminação das pessoas que não estejam com Saudade, de maneira a evitar a possível contaminação ou a sua propagação.

Parágrafo único. As definições estabelecidas pelo Artigo 1 do Regulamento Passional Internacional, constante do Anexo ao Decreto nº 02.203, de 30 de janeiro de 1920, aplicam-se ao disposto nesta Lei, no que couber.


Art. 3º Para enfrentamento da emergente Saudade, poderão ser adotadas, entre outras, as seguintes medidas:

I - isolamento;

II - quarentena;

III - determinação de realização compulsória de:

a) livros do Paulo Leminski, Jorge Luis Borges, Gilles Deleuze e Machado de Assis.

b) evitar testes de inteligência emocional;

c) não coleta de amostras de que já foi feliz;

d) Medidas profiláticas simples ou radicais,

e) Não fazer algo quando não quer fazer algo e não fazer quando beber;

§ 1º As medidas previstas neste artigo somente poderão ser determinadas com base em evidências de pensamentos fixos e sonhos constantes e em análises sobre as informações estratégicas em Saudade e deverão ser limitadas no tempo e no espaço ao mínimo indispensável à promoção e à preservação da saúde mental.

§ 2º Ficam assegurados às pessoas afetadas pelas medidas previstas neste artigo:

I - o direito de serem tristes quando quiserem;

II - o direito de receberem o respeito e a compreensão universal e gratuita;


Art. 4º Esta Lei vigorará enquanto perdurar o estado de Saudade;


Art. 5º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.


Reino da Pitangueira, 6 de Setembro de 2020; 10º da Independência da República.


É isto aí!


Mirante da Proa

 

Do mirante da proa
em mar aberto
medo medo medo
a nau vida segue 

do Tejo ao São Francisco
do Sena ao Ipiranga
do Tâmisa ao Amazonas
há o salgado mar  

tempo tenso. 
ondas revoltas 
cada vez mais altas 
mau presságio...

Mundo estranho
amarguras
tudo estranho
tantas censuras

Bocas seladas
olhos fechados
tudo escuro
legado de dor

nada será como antes
disse o poeta
imortalizou o cantor
e seguimos neste navegar

Do mirante vê-se terra batida
passos confusos
olhos tristes
e almas traspassadas.


É isto aí!






sábado, 5 de setembro de 2020

Você é linda!


Sentiu a dor, 
misto de saudade sem fim, 
com a angústia da falta,
da perpétua ausência.

Pegou uma folha sem pauta, 
tamanho ofício,
traçou um rosto feminino.
e esboçou ar destemperado.

Riscou um par de olhos tristes
amendoados e caramelados
um nariz fino arrebitado
cabelos lisos e tez delicada

Numa projeção nostálgica
nascia a face incerta
olhos mareados a fitavam
estática na memória



É isto aí!



sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Astor Piazzolla LIBERTANGO - Raíssa Amaral



Nasceu em 29 de maio de 1992, é graduada, mestra e doutoranda em música com habilitação em canto lírico e práticas interpretativas (análise e performance) pelo Instituto de Artes da Unicamp, onde teve como orientador o Prof. Dr. Angelo José Fernandes.

Ainda pela Unicamp, se formou em cordas popular sob a orientação de Ulisses Rocha. Ainda estudou violão clássico com Sergio Napoleão Belluco e piano com Dna. Cidinha Mahle.

Por muitos anos foi integrante do Coro de Câmera de Piracicaba, atuando como solista, sob regência do maestro Ernst Mahle, e do Coro Contemporâneo de Campinas, sob regência de Angelo Fernandes.

Com o Ópera Studio da Unicamp atuou nas óperas de Mozart “Don Giovanni” no papel de Donna Anna (sob regência de Abel Rocha, em comemoração aos 50 anos de Unicamp), “Die Zauberflöte” como Pamina, “Le Nozze di Figaro” como Condessa de Almaviva e em “Der Schauspieldirektor” como Mademoiselle Silberklang. Em “Dido and Aeneas” de H. Purcell, interpretou Belinda e foi Adina em “L’elisir d’amore” de Gaetano Donizetti.

Protagonizou Carolina em “A Moreninha”, ópera de Ernst Mahle sob regência do próprio autor. Na temporada de 2016, no Theatro de Ópera São Pedro, entre os vários trabalhos destaca-se a estréia paulistana da ópera “O Anão” de Alexander von Zemlisky, onde atuou como Ghita.

Em 2017 foi solista em “Valsas Vienenses” com a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, sob regência do maestro Silvio Viegas, no Grande Teatro Palácio das Artes, Fundação Clóvis Salgado, onde também encerrou o ano com o ‘Messias de Haendel”.
Também em 2017 apresentou “O Messias”, sob regência do Maestro Roberto Minczuk, com a Orquestra Sinfônica Municipal e Coral Paulistano no Theatro Municipal de São Paulo.

Em 2018 abriu a Temporada do Theatro Municipal de São Paulo, no papel de Mater Gloriosa da Sinfonia n° 8 de Gustav Mahler. Está protagonizando Bastiana na ópera “Bastião & Bastiana” de Mozart, em escolas públicas do Estado de São Paulo, no projeto interativo “Ópera Na Escola”.

Pelo Ópera Studio da Unicamp 2018, no Teatro de Paulínia, interpretou Violetta, em “La Traviata”.

Foi colunista sobre música brasileira no Jornal B&B Brasileiras Brasileiros, da Flórida e dedica-se a um trabalho de acervo cultural sobre a história da música.

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Encontros pré-nupciais furtivos

Onde estou?

Não interessa.

A senhora é quem?

Uma amiga de uma amiga de uma amiga.

E você, agora que já fomos apresentados, qual o seu nome?

Zé Jardim do Pomar das Laranjeiras

Este é seu nome mesmo?

Sim e não.

Como assim?

Assim sou chamado e conhecido, senhora.

Você trabalha com jardinagem?

Não exatamente, quer dizer, trabalho, tipo assim, mais ou menos.

Você tem uns extratos de contas bancárias, aqui nas minhas mãos, muito interessantes. Pode explicar sua movimentação financeira nos últimos quatro anos?

Como a senhora conseguiu estes extratos?

Lembre-se, sou amiga de amigas. Mas estes extratos falam a verdade?

Sim e não.

Como assim?

Sim, com certeza tem uma explicação, mas não sei qual.

Você consegue explicar o patrimônio que possui?

Sim e não.

Como assim?

Eu moro onde nasci e o resto foi sendo plantado e crescendo aqui e ali.

Plantado? Como assim?

O doutor dizia que eu tinha um jardim tão fértil, que dava para plantar de tudo.

O doutor..., que doutor???

Aquele que mora naquele lugar, que trabalha naquele negócio.

Aquele? Estamos falando da mesma pessoa?

Sim, senhora.

Antes de ir, só para confirmar, vejo que você é solteiro.

Estou dispensado?

Sim, mas antes saiba que esta conversa nunca ocorreu, eu nunca estive aqui e nunca conversamos, mas ser solteiro com esta renda??? hummm, acho que volto..

Voltar? Com assim voltar? Isto não é um sonho?

Sonho de casar com você, querido...

É isto aí!


terça-feira, 1 de setembro de 2020

Coluna Social da Marquesa - O Baile da Ilha do Governador


Coluna Social da Marquesa
Diário da Cidade DC 
Em sociedade tudo é brilh
Reino da Pitangueira 10 Agosto

Entre fogos e artifícios múltiplos, a metrópole que de fato interessa voltou em peso os olhos para a Baía da Guanabara, literalmente cercada pelas memórias do sargento de milícias e seus simpáticos guerreiros tamoios, que chamam os transoceânicos de Akari, ou seja, de Cascudos. 

O crème de la crème, para deleite da choldra e alegria dos akaris da mais alta corte, fez badalada e festiva comemoração de mais uma conquista de domínio de espaços espirituais, digamos assim. A última barricada demolida deu-se pelo cerco à Ilha do Governador, dominada pela tribo dos temiminós. 

Os exóticos temiminós, depois da barricada monocrática, abandonaram a ilha, supostamente de maneira pacífica e compulsória, a bordo um navio de afogados que passava pelo local e se mudaram com mala e cuia, provisoriamente, para um local incerto e não sabido, fugindo aos ataques tupinambás.

No frigir dos ovos, segundo o líder dos Akaris, quem nasceu para timiminós nunca chega às cariocas, ou seja, à oca dos akaris. Enfim, sardinha que acompanha tubarão acaba sempre de tira-gosto.


Coluna Social da Marquesa/Direito de Resposta
Diário da Cidade DC 
Em sociedade tudo é brilho 
Reino da Pitangueira 17 Agosto

Timimimós o cacete. Voltaremos e toda a Baía será nossa. 


Coluna Social da Marquesa/Ouvindo a outra parte
Diário da Cidade DC 
Em sociedade tudo é brilho 
Reino da Pitangueira 24 Agosto

Marquezina, gostei muito desta porra de carijós X mimimi. Como se disse eu a mim mesmo em pleonástico movimento único, tamoios juntos. Akari tá bom agora. Só não agradei desta porra de Cascudo, não gosto de cascudo, bicho só vive do lodo, boquinha aqui, boquinha ali, sou alfa, Marquezina, sou alfa.

É isto aí!



segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Mal acostumado

 

Fonte do Vídeo: Ara Ketu Mal Acostumado - Youtube

Licenciado para o YouTube por UNIAO BRASILEIRA DE EDITORAS DE MUSICA - UBEM, LatinAutor, UMPG Publishing, LatinAutor - UMPG e 1 associações de direitos musicais


Amor de verdade eu só senti
Foi com você meu bem
Comigo!!!
E todas as loucuras desse nosso amor
Você me deu também

Você já faz parte da minha vida
E fica tão difícil dividir você de mim
E quando faz carinho me abraça
Aí eu fico de graça
Te chamando pra me amar

Mal acostumado você me deixou
Mal acostumado com o seu amor
Então volta traz de volta meu sorriso
Sem você não posso ser feliz

Mal acostumado você me deixou
Mal acostumado com o seu amor
Então volta traz de volta meu sorriso
Sem você não posso ser feliz

Amor de verdade eu só senti
Foi com você meu bem
E todas as loucuras desse nosso amor
Você me deu também

Você já faz parte da minha vida
E fica tão difícil dividir você de mim
E quando faz carinho me abraça
Aí eu fico de graça
Te chamando pra me amar

Mal acostumado você me deixou
Mal acostumado com o seu amor
Então volta traz de volta meu sorriso
Sem você não posso ser feliz

Mal acostumado você me deixou
Mal acostumado com o seu amor
Então volta traz de volta meu sorriso
Sem você não posso ser feliz

Mal acostumado você me deixou
Mal acostumado com o seu amor
Então volta traz de volta meu sorriso
Sem você não posso ser feliz

Fonte da Letra: LyricFind

Compositores: Margareth Evans Rocha / Raimundo Carlos Silva Araujo

Letra de Mal Acostumada © Universal Music Publishing Group

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

O tempo não passa


Não gosto de chuva lerda
que não faz passagem nas ruas
becos, vielas, calçadas,
nem poças d'água sem barulho.

Não gosto de por de sol esmaecido,
daqueles que perdem a cor,
ficam enfraquecidos, tristes
feito lua cheia em céu nublado.

Não consigo gostar de tudo,
do muito, do exagerado,
do luto, da ausência, da saudade
imensa e estúpida de você. 

Prefiro aqueles sentimentos bobos
aquelas sensações passageiras
mas a dor resiste ao tempo
e não vai embora da memória da alma.

É isto aí!

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Você coisou meu coração


Só pensando aqui sobre uma coisa que disse certa vez o poeta Fernando Pessoa: "O pensamento tem um vício. Cria um neologismo para o descrever - Coisar." 

Esta coisa de coisar é algo que fascina desde priscas eras. Sim, ´verdade, você me faz feliz!

A Coisa vem do Latim Causa, no sentido de “motivo, razão de”. O interessante é que "Causa" é de origem desconhecida, anterior ao Latim, possivelmente se originou pelos etruscos, que habitavam a Itália em época anterior a Roma.

Você causou meu coração. E aqui a coisa fica interessante, já que o verbo Causar é bitransitivo, ou seja, é verbo duplamente transitivo, pois que pede simultaneamente dois complementos: objeto direto e objeto indireto. Mais coisado impossível.

É isto aí!





A duas palavras, três porradas.

Boa tarde amigos de todo o planeta, vamos começar mais um jogo decisivo em prol da necessidade humana de estar sempre procurando demonstrar que é capaz de superar o próximo, já que o próximo é o adversário, mas não é necessariamente um inimigo, mas é passível de derrota, mas pode virar o jogo, mas tem capacidade de resistir, mas se possível pode-se enfiar a porrada na falta de resposta melhor qualificada.

PS - Aliás, a porrada é uma paixão nacional, introduzido na pátria amada pelo saber lusitano. Há em terra do Tejo um provérbio sapiencial de séculos de transmissão oral -  "A duas palavras, três porradas". 

Segundo o dicionário lusitano do Porto a Porrada é uma pancada com moca. A Moca trata-se de um cacete com uma maça na extremidade. Os de mente suja, poluída e pervertida logo imaginarão um cacete fálico com uma maçã na ponta...é por estas e outras que está deitado eternamente. Esta Moca nada mais é do que um pau grosso e curto, de alta densidade. 

Visto isto, começa o jogo. 

Levantou a bola - porrada. 

Bateu a falta, correu na linha de fundo - porrada.

O juiz virou o rosto e levou ... porrada.

O lateral sobe e  ... porrada.

Pênalti, Pênalti. A falta foi fora da área, mas o que vale é a intenção da porrada

O técnico tomou as dores - porrada

Os bandeirinhas correram - porrada

A geral que aplaudia caiu ... na porrada

Fim do jogo? Não ... porrada...

É isto aí!






terça-feira, 25 de agosto de 2020

Quando fecho os olhos (Carlos Rennó)

 E aí você surgiu na minha frente

E eu vi o espaço e o tempo em suspensão

Senti no ar a força diferente

De um momento eterno desde então

E aqui dentro de mim você demora

Já tornou-se parte mesmo do meu ser

E agora, em qualquer parte, a qualquer hora

Quando eu fecho os olhos, vejo só você

E cada um de nós é um a sós

E uma só pessoa somos nós

Unos num canto, numa voz

E cada um de nós é um a sós

E uma só pessoa somos nós

Unos num canto, numa voz

O amor une os amantes em um ímã

E num enigma claro se traduz

Extremos se atraem, se aproximam

E se completam como sombra e luz

E assim viemos, nos assimilando

Nos assemelhando, a nos absorver

E agora, não tem onde, não tem quando

Quando eu fecho os olhos, vejo só você

E cada um de nós é um a sós

E uma só pessoa somos nós

Unos num canto, numa voz

E cada um de nós é um a sós

E uma só pessoa somos nós

Unos num canto, numa voz

E aqui dentro de mim você demora

Já tornou-se parte mesmo do meu ser

E agora, em qualquer parte, a qualquer hora

Quando eu fecho os olhos, vejo só você

Só você, só você

Carlos Rennó é poeta, letrista e músico.

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Ausência (Murilo Rubião)

 

Anthropomorphic Cabinet (Salvador Dali 1936)


Para que fugir se me acompanhará sempre a minha sombra?

se nunca encontrarei na solidão dos caminhos o silêncio!

Por todos os lugares, em toda a minha inútil existência

o eco da minha voz, a tortura do meu pensamento,

estarão onde eu for, mostrando-me o passado de que não posso fugir.

Verei nos lírios entornados à beira das estradas

a imagem de duas brancas mãos que um dia me acariciaram;

sentirei no crepúsculo sanguíneo das tardes exangues

os lábios que me sussurravam ao ouvido,

os lábios que não cansava de beijar.

Em tudo que eu pensar, em tudo que pousar meus olhos,

verei projetado, como uma sombra enorme,

a cobrir o meu corpo cansado de caminhar

um rosto de mulher, o rosto de minha amada!

E na tortura de alcançá-la nos meus sonhos impossíveis

eu a procurarei nos astros, na tranquilidade dos campos;

buscarei com os braços fatigados a sua visão fugidia...

E encontrarei apenas a minha voz angustiada,

os meus olhos extenuados pela procura da luz perdida,

a recordação pungente de um sentimento sempre revivido,

a minha dor imensa cobrindo as estradas

cheias de lírios, de silêncio, de luar...


* Revista Tentativa, Belo Horizonte, n. 8, nov. 1939.

Murilo Rubião: 

Murilo Rubião nasceu a 1º de junho de 1916 em Silvestre Ferraz, hoje Carmo de Minas, Minas Gerais. Foi funcionário público, chefe de gabinete de Juscelino Kubitschek no governo de Minas Gerais e adido à embaixada brasileira. Como jornalista, criou em 1966 o Suplemento literário do Diário Oficial do Estado de Minas Gerais. Mestre do conto, publicou O ex-mágico (1947), A estrela vermelha (1953), Os dragões e outros contos (1965), O pirotécnico Zacarias (1974), O convidado (1974), A casa do girassol vermelho (1978) e O homem do boné cinzento e outras histórias (1990). Sabe-se que, além de contos, Rubião escreveu crônicas e poemas. Desse último gênero ainda organizou dois livrso que dedicou a uma namorada; o fim do namoro fez com que o incipiente poeta destruísse os livros. Dessa lavra terá restado os dois poemas aqui apresentados; são textos que estão preservados no arquivo do escritor na Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais. A transcrição dos textos segue a oferecida por Suzana Yolanda Lenhardt Machado Cánovas nos anexos de sua tese O universe fantástico de Murilo Rubião à luz da hermenêutica simbólica (Porto Alegre, 2004). Murilo Rubião morreu em Belo Horizonte, a 16 de setembro de 1991.


sábado, 22 de agosto de 2020

Poema de sábado com chuva

Eu sei, você gosta de poesia,

da dança mística das letras 

personificando as emoções. 

Tem palavras que emocionam

outras são tímidas,  inibidas

mas quando seus olhos 

encontram os meus 

todas aprazem e regozijam.

frases, sujeito, verbo,

 predicados e sílabas

fazem  valer a pena

dizer eu amo você!


É isto aí!

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Destiny (Curta-Metragem de Fabien Weibel e outros)

 Fabien Weibel

Destiny é um curta-metragem que Fabien Weibel  dirigiu com Manuel Alligné, Sandrine Wurster e Victor Debatisse durante seus estudos na escola francesa "Bellecour Ecole". Aproveitem !



Você pode descobrir mais sobre Destiny aqui: http://fweibel.com/destiny

Nota para compositores de música: 

Você pode usar este vídeo livremente e fazer sua própria trilha sonora. Respeite estas 4 regras simples:

- sem uso comercial

- dê crédito aos nossos nomes e ao nome do compositor da trilha sonora original Antoine Duchêne

- não mude o título do vídeo. Basta adicionar "trilha sonora não oficial de [Seu nome]"

- não edite ou corte o vídeo.

Envie-me um link para sua composição musical, ficaria feliz em descobrir seu trabalho!

Obrigado !

Agora estou trabalhando em um novo projeto! Visite https://www.facebook.com/barababor para saber mais!

domingo, 16 de agosto de 2020

Não há uma receita pronta, mas existem caminhos (Paulo Abreu)


O primeiro passo para viver um grande amor 
é ter um objetivo real. 
Afinal, sem um destino, sem uma meta
não chegará a lugar algum.

A abordagem terá uma linguagem concisa e, 
como qualquer obra inédita
única, eternamente linda, 
é uma boa ideia não recorrer aos clichês. 

Não seja melodramático
pois suas palavras serão vagas.
Pense sempre no que deseja do seu amor,
que devolutiva abraçará nas reações que causar? 

Haverá de ter sempre algo bem específico. 
além da indispensável cumplicidade,
do carinho, afago e cafuné.
do perder aqui e ganhar ali,

Visão, audição, olfato, toque, paladar 
todos os sentidos serão provocados
Explore o corpo, os movimentos, os sons, 
os cheiros, cada elemento que leve à alma

As respostas podem ser diversas. 
Mas as perguntas deverão obedecer 
à experiência pessoal com as dores
sem provocar cicatrizes no olhar.

Escolha um amor que saiba voar, andar e nadar
mas o objetivo real é e será sempre secreto
guarde-o, mas não exponha,
até que sejam duas vidas num só corpo. 

É isto aí!

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Silent Love (O amor é um trem correndo em trilhos sem fim e vai atropelar você de forma inesperada.)


Love is a train running on endless tracks and it’s going to run you over unexpectedly.

Have a look at our new videos: 
🔹 LOVE IS NEVER A MISTAKE https://www.youtube.com/watch?v=_me4h...
🔹 THE DATE https://www.youtube.com/watch?v=Dbk2W... 

a Codcast Italia Production 

Directed and written by Giacomo Zanni

Actors: 
Francesca Germini
Tomas Leardini

Screenplay:
Davide Cogni
Gianpaolo Rizziato
Giacomo Zanni

Production Coordinator: Roberta Pacini

D.O.P: Andrea Cardinale

Music Editor: Ivan Tonucci

Editing: Gaia Vivaldi

Animation Artist: Cecilia Di Giulio

Make up Artist: Angela Valentino

Camera Assistent: Silvia Dusci

Electrician Stefano Lopez

Music by Tim McMorris - Live and Be Free


Our thanks goes to:

Lombardia Film Commission
Martino Midali
A.R.F. - Artigiani Riuniti Fermano
Domingo Communication
Riccardo Riccardi 
Mariasofia Alleva 
Andrea James Bramley

O presente (tradução livre - Você roubou meu coração)

 O Presente é a história de um casal comum, quando ele lhe dá uma pequena esfera puxada para fora do peito, ela não consegue se separar de seu novo presente ... mesmo depois que eles se separaram.

Fonte: The Gift


Watch our new trailer shortfilm!: https://www.youtube.com/watch?v=eNsH0...

Watch the Making of!: https://www.youtube.com/watch?v=8ef6u...

The Gift is the story of an ordinary couple, when he gives her a small sphere pulled out his chest, she can't separate herself from her new gift… even after they break up.

Prizes:

-Best Animation and Best in Event, Sound & Image Challenge 2014. Macau, China.

-Adult Jury Prize and Kid's Jury Prize, YoungAbout international film festival 2014. Bologna, Italy.

-Audience award, Innersound international new arts festival. Bucarest, Rumania.

-Best script, Curtmiratges festival, Barcelona, Spain. Finalist “Jury prize” y “Best music”.

-Best animated shortfilm. FECLAC 2013. Santiago, Chile.

-Best animated shortfilm. Mecal Chile 2013. Santiago, Chile.

-Mention animated shortfilm. Unframe festival 2013, La rioja, Argentina.

-Special mention. Libélula Fest 2013. Barcelona, Spain.

-Honorable mention. Fam Fest 2014. South Carolina, EEUU.

-Special Mention, V Festival de Cine: Infancia y Adolescencia “Ciudad de Bogotá” 2014, Bogotá, Colombia.