História
De Espanha para o Brasil
De seu nome de batismo Amália Aguirre, a futura religiosa missionária nasceu em Riós, junto à fronteira Espanha-Portugal, na comunidade autónoma da Galiza, a 22 de julho de 1901. Pertenceu a uma família antiga, de longa tradição cristã, e seus pais eram admirados pela santidade de costumes, fervorosa piedade e sua inesgotável caridade para com o próximo. Contudo, as circunstâncias econômicas e os desígnios de Deus obrigaram seus pais a deixar a Espanha e a rumar para o Brasil, cuja língua – o idioma português – lhes era conhecida e permitia comunicar e trabalhar sem dificuldades. Primeiramente, estiveram no Estado da Bahia, mas pouco tempo depois eles se mudaram para o Estado de São Paulo, tendo fixado residência na cidade de Campinas.
Amália Aguirre, inicialmente, não foi com seus pais para o Brasil, tendo ficado a cuidar de sua avó já bastante idosa e doente, e que precisava de companhia. Somente após a morte de sua avó é que Amália atravessou o oceano Atlântico, tendo chegado a Campinas no dia 16 de junho de 1919. A jovem estava longe de imaginar que nessa sua nova pátria ocorreriam tão prodigiosas manifestações de Jesus e de Maria Santíssima.
As aparições em Campinas
Foi na Congregação das Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado, fundada por Dom Francisco de Campos Barreto, Bispo de Campinas, e Madre Maria Villac, que viveu a Irmã Amália de Jesus Flagelado, a freira espanhola agraciada com o fenômeno dos sagrados estigmas de Nosso Senhor Jesus Cristo e com inúmeras aparições marianas. Esta religiosa fez parte do grupo de primeiras irmãs e foi cofundadora da própria Congregação, tendo feito os seus votos perpétuos no dia 8 de dezembro de 1931.
Na década de 1930, na capela da Avenida Benjamin Constant, n.º 1344 (esquina com a Rua Luzitana, n.º 1331), em Campinas, no Estado de São Paulo, no Brasil, a Virgem Maria e o Seu próprio filho, Jesus Cristo, teriam aparecido várias vezes à Serva de Deus Irmã Amália de Jesus Flagelado (de seu nome de batismo, Amália Aguirre), comunicando-lhe muitas mensagens com apelos de oração, de sacrifício e de penitência. A Santíssima Virgem Maria, no dia 8 de março de 1930, se apresentou como Nossa Senhora das Lágrimas e lhe revelou a Coroa (ou Rosário) das Lágrimas.
No dia 8 de abril de 1930, Nossa Senhora revelou também à Irmã Amália uma nova medalha milagrosa, a medalha da evocação às Suas lágrimas, e lhe pediu que, conjuntamente com a Coroa (ou Rosário), a difundisse pelo mundo inteiro, pois através dessa mesma medalha se dariam muitos prodígios, um grande número de conversões e muitas almas seriam salvas. Por ordem da Mãe de Deus, a medalha traz cunhada na frente a imagem de Nossa Senhora das Lágrimas entregando a Coroa (ou Rosário) das Lágrimas à Irmã Amália, exatamente como aconteceu na aparição de 8 de março de 1930, e com as palavras ao redor:
"Ó Virgem Dolorosíssima, as Vossas Lágrimas derrubaram o império infernal!"; no verso, a medalha traz cunhada a imagem de Jesus Manietado (ou seja, com as mãos amarradas durante a Sua Paixão) com as seguintes palavras: "Por Vossa Mansidão Divina, ó Jesus Manietado, salvai o mundo do erro que o ameaça!".
Embora a Irmã Amália de Jesus Flagelado, nesse ano de 1930, tenha conseguido divulgar a Medalha e a Coroa das Lágrimas, e essa devoção até tenha chegado a alguns países estrangeiros, esses meios de salvação revelados pela Mãe de Deus permaneceram quase desconhecidos durante várias décadas.
A Irmã Amália faleceu em Taubaté, no Brasil, a 18 de abril de 1977.
Reconhecimento eclesiástico
Em 8 de março de 1931, o Monsenhor Dom Francisco de Campos Barreto, Bispo de Campinas, reconheceu a veracidade dos fenómenos de estigmatização e as aparições recebidas pela Irmã Amália de Jesus Flagelado e concedeu as devidas autorizações – entre elas, o Imprimatur – para a publicação de todos os seus escritos (que incluíam as mensagens originais de Jesus e de Nossa Senhora) e das orações da Coroa (ou Rosário) de Nossa Senhora das Lágrimas.
Em 20 de fevereiro de 1934, o mesmo prelado publicou uma declaração episcopal e reforçou a importância da devoção à Virgem Maria sob a invocação de Nossa Senhora das Lágrimas.
Em 1935, a própria Coroa (ou Rosário) de Nossa Senhora das Lágrimas recebeu mais autorizações para sua divulgação: pelo Arcebispo John Robert Roach da Arquidiocese de Saint Paul e Minneapolis, no Minnesota (Estados Unidos); pelo Bispo Michael James Gallagher da Diocese de Detroit, no Michigan (Estados Unidos); pelo Censor Diocesano em Sopron (Hungria); pelo Bispo Stephanus Breyer da Diocese de Győr (Hungria); e, ainda, pelo Vigário Geral Ferdinand Buchwieser da Arquidiocese de Munique e Frisinga (Alemanha).
Apostolado Internacional
Já no início do século XXI, e após vários anos de pesquisa de informação, de um estudo rigoroso dos recursos documentais existentes e da recolha e análise de testemunhos pessoais, o missionário católico português Renato Carrasquinho dedicou-se a compilar todos os escritos e as mensagens originais reveladas à Irmã Amália e reconstruiu biograficamente a vida da religiosa com total rigor. No dia 13 de maio de 2017, em pleno centenário evocativo das aparições de Fátima, em Portugal, e que antecederam as aparições ocorridas em Campinas, no Brasil, com o desejo de dar uma resposta mais eficaz aos apelos feitos por Cristo e pela Santíssima Virgem, ele próprio fundou, com representação em todo o mundo, a associação de fiéis católicos intitulada Apostolado Internacional de Nossa Senhora das Lágrimas.
– DEVOÇÃO APROVADA PELA IGREJA CATÓLICA (*)
A Coroa (ou Rosário) que a Mãe de Deus entregou à Irmã Amália tinha 49 contas brancas, divididas em grupos de 7, por sete contas igualmente brancas. É, portanto, semelhante à Coroa das Dores de Maria, embora de cor diferente. Tinha ainda mais três contas finais e uma medalha com a imagem de Nossa Senhora das Lágrimas – de um lado – e a imagem de Jesus Manietado – de outro lado. A medalha é uma parte essencial desta Coroa, devendo ser exatamente como aquela que a Mãe de Deus mostrou à Irmã Amália, em Campinas, a 8 de abril de 1930.
"Minha filha: o que os homens Me pedem pelas lágrimas de Minha Mãe, Eu amorosamente concedo."
Jesus Manietado (Campinas, 08-11-1929)
"Esta é a Coroa de Minhas Lágrimas
Por meio desta Coroa o demônio será derrotado e o poder do inferno destruído."
Nossa Senhora das Lágrimas (Campinas, 08-03-1930)
Oração inicial:
Eis-nos aqui aos Vossos pés, ó dulcíssimo Jesus Crucificado, para Vos oferecermos as lágrimas d'Aquela que, com tanto amor, Vos acompanhou no caminho doloroso do Calvário. Fazei, ó bom Mestre, que nós saibamos aproveitar da lição que elas nos dão, para que, na Terra, realizando a Vossa Santíssima Vontade, possamos um dia, no Céu, Vos louvar por toda a eternidade.
Nas contas grandes (Neste Rosário são 7 (Sete) contas grandes ao invés das tradicionais 5 (cinco). Rezamos:
Vêde, ó Jesus, que são as lágrimas d'Aquela que mais Vos amou na Terra, e que mais Vos ama no Céu.
Nas Sete contas pequenas (Neste Rosário são 7 (Sete) contas pequenas ao invés das tradicionais 10 (dez)
Meu Jesus, ouvi os nossos rogos, pelas Lágrimas de Vossa Mãe Santíssima.
No fim, repete-se três vezes:
Vêde, ó Jesus, que são as lágrimas d'Aquela que mais Vos amou na Terra, e que mais Vos ama no Céu.
Oração final:
Virgem Santíssima e Mãe das Dores, nós Vos pedimos que junteis os Vossos rogos aos nossos, a fim de que Jesus, Vosso Divino Filho, a quem nos dirigimos em nome das Vossas lágrimas de Mãe, ouça as nossas preces e nos conceda, com as graças que desejamos, a coroa da vida eterna. Amem.
Jaculatórias finais:
– Por Vossa mansidão divina, ó Jesus Manietado, salvai o mundo do erro que o ameaça!
– Ó Virgem Dolorosíssima, as Vossas Lágrimas derrubaram o império infernal!
Imprima-se – com 50 dias de indulgência cada vez que se repetirem as orações e jaculatórias acima mencionadas. † F., Bispo Diocesano