terça-feira, 28 de abril de 2015
Revelação
quarta-feira, 22 de abril de 2015
O marido, o amante e o macho alfa
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| Hal Foster - Prince Valiant |
A mãe e a irmã falaram uníssonas - Caramba, Amelinha, se fosse com o Apolônio a gente até entendia, mas com um rola-bostas deste nível? Francamente! E mudaram para a cidade vizinha, para a casa de uma tia viúva.
As amigas ficaram decepcionadas.
Os filhos tiveram vergonha em saber que nem para o Apolônio ela servia.
A vida seguiu e Geraldinho a perdoou. Aquilo foi uma fraqueza, uma doença mental segundo o doutor da capital, mas se fosse com o Apolônio, aí não, aí seria coisa do capeta que só a morte resolveria. Ainda bem que ouvi os santos, dizia a todos.
terça-feira, 21 de abril de 2015
Surtos e sustos
Já sentiu sono, mas não queria dormir?
Ensaio do amor
segunda-feira, 20 de abril de 2015
O Quimono de Poliéster
Olha só, o enredo era simples, sem muita coisa além do que se poderia esperar de um homem de quarenta anos e uma jovem garota. Tudo bem que, no livro, a moça tinha dezoito anos e face adocicada. Vestia um quimono de seda com motivos angelicais, mas aí tem aquela coisa de tons de cinza, muito nova, incapaz, inexperiente e todas as ferramentas de determinação do comportamento humano.
Então selecionamos uma mocinha mignon, que tinha um estilo de corpo quase perfeito para aparecer na tela, com corpo desengonçado e ar blasé. Porém, a família, que não havia sido comunicada, entrou com um mandado suspendendo as gravações, pois detinha um contrato com uma agência de modelos de determinada grife famosinha no bairro, dessas que desfilam por aí. Como a irmã tinha a tutela da modelo, preferimos abrir mão da sua arte.
Daí modificamos um pouco e procuramos uma moça de trinta anos, mas com aparência ainda juvenil, que fosse fotogênica, sem risco de contratos leoninos e tutelas judiciais. Não foi fácil, mas encontramos uma mulata estilosa, fogosa e agradável, que, nos primeiros dias, entrou no papel com tal intensidade que não conseguiu se libertar da personagem. Este fato levou ao total desagrado do seu companheiro, um líder comunitário, digamos assim, de uma área próxima. Desta forma, perdemos nossa mulatinha básica.
Pensamos até na possibilidade de alterarmos o enredo, com um personagem idoso e uma moça na faixa dos vinte anos, mas aí batemos de frente com o produtor/diretor e ator, que, por acaso, era o protagonista do filme. Foi então que Claudinho, o auxiliar de iluminação, teve a luz — o protagonista ficaria sentado num espaçoso sofá, lembrando de suas taras, digo, dos seus romances, e, ao fundo, iriam passando fotos desfocadas de mocinhas dentro da mente do cidadão do bem, e as meninas todas legais.
O filme levou quarenta e cinco dias para ficar pronto, dada a dificuldade de adaptarmos o livro à nova realidade e ao talento um tanto quanto peculiar do ator, que insistia em fazer as cenas com um quimono de poliéster verde com pavões estilizados, que acreditava ser um talismã da sedução, presenteado por sua mãe. Segundo ele, este quimono manteria um laço de seda entre o enredo atual e a história de origem. E também alterou as fotos das mocinhas para sereias desfocadas.
Foi então que Claudinho, com uma sensibilidade nata, fez outra intervenção e sugeriu que, entre um conto e outro, uma idosa surgisse e desmentisse toda a história do protagonista, simbolizando a mãe castradora. O produtor/diretor/ator adorou a ideia, demitiu Claudinho e manteve a velha senhora fazendo as intervenções e, no final, reservou a cena magna, em que os dois se entregaram a um romance tórrido.
Neste ponto, vai cortando a cena para a sereia, que, à medida que a câmera se aproxima, mostra ser o protagonista com seu quimono de poliéster, entrando no mar, simbolizando o retorno do filho às entranhas da sua origem. Uma vez dentro da água, volta-se para a câmera em close e grita:
— Ai, que tudo!
É isto aí!
domingo, 19 de abril de 2015
Dura lex passionis
I - Fica proibido se apaixonar.
II - Em caso do réu ser primário, receberá uma advertência verbal da Delegacia da Patrulha Passional.
III - Réus reincidentes em segundo flagrante, sofrerão advertência por escrito e prazo de trinta dias para encerrarem este processo.
IV - Réus obsessivos com várias reincidências, serão colocados em isolamento, pelo Centro de Transtornos Passionais, por noventa dias, podendo dobrar o tempo em decorrência da gravidade, para não contaminar o ambiente.
§ 1 Receberão gratuitamente e obrigatoriamente tratamento de choque com Choque Térmico, Palestras, Músicas, Psicodrama, Sonoterapia, Filmes, Taekwondo, Karatê, Muay Thai e os oito pilares do Ashtanga.
§ 2 Deverão, obrigatoriamente, participar da AAA (Associação dos Apaixonados Anônimos), e somente poderão transitar entre os comuns após liberação do Cartão Verde.
Razões para que o Reino acate esta sábia decisão:
1 - Apaixonar dói, possui baixa resolução, grande capacidade de imobilização e sentimento de dor imensurável. Além disto é um verbo pronominal, sendo necessariamente acompanhado de um pronome oblíquo (adequado à respectiva pessoa gramatical), pelo fato de denotar ações próprias do sujeito.
2 - Amar não é um verbo intransitivo, isto é coisa do Mário de Andrade e suas intrincadas e complexas percepções freudianas, que até poderiam por si só garantir o Amor como livre e as paixões como processos patológicos diante da complexidade humana; mas no mundo real Amar é Transitivo Direto, e isto define o processo pela leveza, elimina problemas, facilita o relacionamento pessoal, social e jurídico, pois quem ama, ama alguém e pronto simples assim.
sexta-feira, 17 de abril de 2015
Meu segredo
quinta-feira, 16 de abril de 2015
Formato Mínimo
Copiei e Colei
Autora - "Leoa"
http://passageirasombria.blogspot.com.br/2012/01/comecou-de-subito-festa-estava-mesmo_05.html

Eu te salvarei
domingo, 12 de abril de 2015
A Igreja dos Pelados - a Origem
quinta-feira, 9 de abril de 2015
O beijo fatal
sábado, 4 de abril de 2015
Histórias banais de amor
Foi nesta fase, humilhado, destruído e pulverizado, que conheci Martinha, uma encantadora paciente das clínicas pelas quais passei. Sua presença foi mística e redentora em minha vida. Apaixonamos de uma forma emocionante. Estava curado.
Uma noite, quando esta estávamos no teatro, uma irreconhecível, desarrumada e descabelada mulher partiu em nossa direção com gritos, socos, tapas e pontapés. Com muito custo o tumulto foi contido e só aí percebi naquele vulto a Ana Cristina.
Depois deste episódio, passou a me enviar dezenas de mensagens e e-mails, presentes, convites para sairmos, etc. Quer saber? Eu queria manda-la à merda, cheguei até mesmo desejar a sua morte, mas para minha decepção, nem todos os elos foram rompidos - eu a amava.
Por que a vida é assim? Não sei, e acho que ninguém sabe. Voltei para Ana, e Martinha aceitou ser minha amante. Tudo ia bem em total sintonia, até que num rompante de sábado chuvoso, depois de tomar algumas doses no mercado, atravessei a avenida e acenei para o primeiro ônibus que passou. Desci no Rio de Janeiro. Nunca mais voltei para saber no que deu aquilo tudo. Casei com uma linda carioca, arrumei um excelente emprego e e fui infeliz para sempre.







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