sábado, 3 de agosto de 2013

O inferno somos nós outros



Toda semana um beato alardeia que o mundo vai acabar. Seus alardes são sempre em tom de ameaça e de pecado. Uns falaram do Sol, que está a cumprir profecias, apagando e depois acendendo de novo. Outros falam de atentados mortais contra os paladinos da justiça apache&sioux, e outros falam que já estamos na prorrogação do segundo tempo DC. O primeiro tempo, AC, acabou no ano Zero de Cristo, que nunca falou em fim do mundo, mas em fim dos tempos.

Mas é charmoso falar que o mundo vai acabar. Deliro também com a qualidade das manifestações por escrito em sites famosos da língua pátria. As grandes e poderosas mídias controlam estes espaços e publicam apenas os comentários contra a Cacica, como um simpático e democrático partisan italiano.

Mudando de assunto, mas não fugindo do tema de que alguém quer acabar com tudo que é meu, nos três principais sites deste final de semana, os comentários são sempre escatológicos. É sempre a mesma ladainha:

- Juri condena militares do Carandiru (Uol)
Comentários iniciais - Isto é coisa do PT e dos Petralhas.

- Quadrilha é presa em BH por fraudar o INSS (Uai)
Comentários iniciais - isto é coisa do PT e dos Petralhas

- Cartel de trens superfaturou R$ 577 milhões em SP e no DF, diz jornal (G1)
Comentários iniciais - isto é coisa do PT e dos Petralhas.

Aprendi por aí, nas esquinas da vida, pouco mas valioso pensamento de Sartre, ao salientar que quando nos abstemos da responsabilidade por nossas escolhas, estamos agindo segundo aquilo que denominou “má fé” da consciência, ou seja, estamos nos isentando de atentar para a liberdade que temos à nossa inteira disposição, de graça. A má fé consiste em fingirmos não ser livres e podermos então, debitar nossa infelicidade ou fracasso à causas externas a nós (os pais, o “inconsciente freudiano”, o ambiente, a personalidade indômita etc). Sartre chama isso de covardia. Não sendo livres para deixar de ser livres, estamos pois “condenados à liberdade”.

Existencialista fosse, com carteirinha de identificação e título na parede, diria que sem que possam sequer expiar suas faltas, descobrem o horror da nudez psíquica que os outros lhes evidenciam. Está revelado o verdadeiro inferno: a consciência não pode furtar-se a enfrentar outra consciência que a denuncia, por isso: “o inferno são os outros”.

“Os Outros” são todos aqueles que, voluntária ou involuntariamente, revelam de nós a nós mesmos. Algumas vezes, mesmo sufocados pela indesejada presença do outro, tememos magoar, romper, ferir e, a contra-gosto, os suportamos. Uma vez que a incapacidade de compreender e aceitar as fraquezas humanas torna a convivência realmente um inferno, o angustiante existencialismo ateu sartriano não nos deixa saída. Sem o mínimo de boa-vontade, não há paraíso possível.

É isto aí!





Outra Vez

Em 1977, um trágico acidente de carro na via Anhanguera, em São Paulo, pôs fim à vida de Milton Carlos, cantor e compositor, parceiro de sua irmã Isolda, com apenas 22 anos de idade.

Isolda, mesmo profundamente abalada com a morte prematura do irmão, companheiro e parceiro musical, compôs sozinha a sua mais importante e bela canção, "Outra vez", que foi gravada no mesmo ano por Roberto Carlos.


Acabou se tornando um dos maiores sucessos do cantor. A letra sugere o fim de um romance, mas na verdade é uma homenagem de Isolda a seu irmão, e trata de um amor fraterno que se mantém vivo através das lembranças.


Elis Regina & Adoniran Barbosa - Tiro ao álvaro



Um encontro de samba entre duas gerações e referências da música brasileira, Adoniran Barbosa e Elis Regina. Entre as músicas de Adoniran "Tito ao álvaro", “Iracema” e “Um samba no Bexiga”, divertem-se na mesa do boteco com risadas e comentários genuínos.

Adoniran elogiou Elis: “Não é porque o samba é meu, mas você canta como eu quero. Você leva a sério as coisas… não fica fazendo gracinha e não tem graça o samba, é um drama, é um drama”. Feliz, ela pede pela nota 10, mas ele lhe dá um belo 11,5.

O compositor, inspirado na cidade e nos personagens de São Paulo, e a intérprete terminam o encontro com um passeio. Caminham pelo Bexiga, onde ele mostra o que restou do bairro antigo ao som de “Saudosa Maloca”, composição de Adoniran, também interpretada por Elis.

Acesse o Youtube daqui e escute Tiro ao álvaro 
Acesse também a página do Adoniran Barbosa:


Censura:


Fonte do texto: tenhomaisdiscosqueamigos

“Tiro Ao Álvaro” (Adoniran Barbosa)

A censura não tinha limites. E ela pontuava não apenas o sentido das palavras, mas também a forma como eram pronunciadas.

Uma que foi pega de surpresa foi “Tiro Ao Álvaro“, do paulistano Adoniran Barbosa. Em 1973, o compositor teve cinco canções vetadas. Após o decreto do AI-5, Adoniran temeu lançar novas músicas justamente por conta da forte censura, e lançou um álbum com canções já gravadas anteriormente, algo como um compilado de sucessos.

Mas foi surpreendido, já que cinco das faixas do álbum foram censuradas. O documento oficial que veta “Tiro Ao Álvaro” (canção de 1960) dá a justificativa de “falta de gosto”. A letra brinca com a oralidade do povo de São Paulo ao contar com as palavras “tauba”, “automorve” e “revorve”. A resposta ao pedido de liberação veio com essas palavras circuladas.

Uma clara dedução é que o contexto sociocultural da letra foi completamente ignorado.

Clique aqui e escute no Youtube esta música cantada pela inusitada dupla Adoniram & Elis Regina, em 1978, no bar da Carmela, no famoso bairro do Bexiga.

Que pena (Ela já não gosta mais de mim)

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Não cometi crime


Quando o Itamaraty foi invadido, no dia 20 de Junho, nesta onda de saques, ataques e manifestações livres, pensou-se em tudo, mas o que foi revelado provocou um enorme mal estar na trupe da Rede Marina. Um dos principais diretores do novo partido que está tendo parto lento e doloroso, liderou a invasão depredatória. Pego no flagra, publicou uma resposta no mínimo interessante, onde afirma que não cometeu nenhum crime, mas apenas usou a barra de ferro contra as estruturas.

A questão é: Se as Câmeras de Segurança não o tivessem flagrado, viria a público pedir perdão pelos seus atos?  

Abaixo, na íntegra, a defesa do cidadão:

Não cometi crime

20 de junho deste ano, uma quinta-feira, dia da maior das manifestações acontecidas em Brasília, dentro do ciclo de protestos de rua naquele período, em todo o país. Três dias antes houvera outra, aquela na qual os manifestantes subiram nas cúpulas do Congresso. Participei das duas. Na do dia 20, com mais de 60 mil pessoas tomando a Esplanada, havia um contingente policial muito maior e mais agressivo, com a presença da tropa de choque. Ao contrário da anterior, a estratégia repressiva era de impedir a qualquer custo que as pessoas novamente subissem sobre o Congresso ou passassem para a praça dos Três Poderes, onde fica o Palácio do Planalto.

Primeiro foi o uso do spray de pimenta, em seguida muitas bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral para todos os lados. A tensão foi num crescendo e o único lugar que parecia mais desguarnecido de tropas era o Palácio do Itamaraty, para onde a PM praticamente empurrou uma parte dos manifestantes, ao continuar a jogar bombas sobre o gramado diante do Congresso. O ar estava tomado de gás, os olhos ardiam. Tirei a camiseta e coloquei no rosto para me proteger. E também corri para o lado do Itamaraty.

Esse foi o contexto de um dia no qual cometi muitos erros, mas só pude ter plena consciência deles retrospectivamente. O primeiro foi usar na manifestação a camiseta da Rede Sustentabilidade, que eu vestia porque vinha de uma atividade de coleta de assinaturas para a formação do partido. Havia entre nós uma avaliação de que a Rede deveria, como instituição, manter-se afastada das ruas, para evitar qualquer acusação equivocada (ou manipulada) de que queríamos nos aproveitar dos protestos, uma vez que, de várias maneiras, eles se identificavam muito com nossa trajetória e preocupações. Ficara acertado que os membros da Rede que quisessem participar deveriam fazê-lo como cidadãos, em caráter individual. No dia 20, eu me orgulhava ingenuamente de estar com a camiseta, mas em nenhum momento me passou pela cabeça o que estava por vir e que poderia ser danoso à Rede, algo sob medida para ser explorado por pessoas de má-fé.

Participo de movimentos sociais e manifestações locais desde que entrei na UnB, em 2006. Também participei das manifestações na Rio+20, na Cúpula dos Povos e outras em prol de direitos humanos e do meio ambiente. Mas nunca havia participado de protestos do porte e do alcance temático e político dos que ocorreram no mês de junho no Brasil e em Brasília. E nunca de nenhum que atraisse um aparato policial tão grande e violento como no dia 20.

A manifestação do dia 17 ocorrera sem depredações ou violência, principalmente porque a PM não reagiu ao acesso de manifestantes ao teto do Congresso. Fiquei extasiado, pois há muito tempo não se via, no Brasil, um fenômeno deste tipo, em que a população saía às ruas em peso clamando por causas que iam de melhores serviços públicos até a refundação da política.

No dia 20, o clima foi totalmente outro. Já começara com a declaração de confronto de autoridades policiais, segundo as quais todas as pessoas que descessem na Rodoviária seriam revistadas. A tensão aumentava na medida em que, a cada movimento da massa de manifestantes em direção ao Congresso ou aos acessos à praça dos Três Poderes, a polícia reagia violentamente. Até o momento em que nova investida da PM provocou uma certa reação de pânico e uma parte dos manifestantes foi em direção ao Itamaraty. Fui junto. Sem nenhuma intenção de depredar nada, mas tomado de raiva e sob intensa pressão.

Quando cheguei ao corredor estreito que dá entrada para o prédio, já havia ali muitas pessoas concentradas e começava o quebra-quebra. Vários manifestantes jogavam diferentes objetos contra as vidraças. Vi uma barra de ferro no chão e a agarrei, inicialmente com a intenção de me defender, caso as coisas piorassem por ali. Depois, com as emoções à flor da pele, a pressionei algumas vezes contra diferentes pontos de uma estrutura também de ferro do próprio prédio e em seguida a joguei. Não quebrei nada!

Fiquei ali por mais alguns minutos e retornei ao gramado da Esplanada, onde fui atingido na perna por uma bomba atirada pela polícia, que deixou um edema de uns 15 cms e uma cicatriz que ainda tenho. Quando cheguei em casa, mais calmo, tive a clara percepção de ter errado, mas fiquei aliviado por não ter, afinal, causado nenhum dano a um prédio público e, além disso, tombado como patrimônio nacional.

Quando a polícia começou a procurar os participantes do quebra-quebra, fui identificado em fotos nas quais estava com a barra de ferro nas mãos, mas em nenhuma delas estou quebrando nada.

No dia 24 de julho, por volta das 15 horas, enquanto trabalhava no processamento de documentos na sede da Rede em Brasília, fui chamado para fora da sala por uma mulher e um homem que se apresentaram como sendo da Polícia Civil. Disseram que eu deveria acompanhá-los para prestar um depoimento sobre as manifestações no Itamaraty. Pedi para ir no final da tarde, quando terminasse meu trabalho. Responderam que era melhor ir naquele momento para “evitar constrangimentos”. No caminho perguntei se não deveria chamar um advogado e me disseram que seria desnecessário.

Fui conduzido à 5ª Delegacia da Polícia Civil, onde falei com o delegado encarregado de investigações extraordinárias. Eu estava bastante tenso, já que nunca estive numa situação semelhante. Depois descobri que eu deveria ter ido apenas com uma intimação formal e acompanhado de advogado.

O delegado me inquiriu com uma câmera gravando. Perguntei mais uma vez se não precisaria de presença de um advogado e ele me reiterou que não. Disse que fazia parte de uma policia republicana e que a relação entre nós ali seria de confiança e que seria honesto comigo, esperando reciprocidade. Relatei fielmente, respondendo a suas perguntas, o que fui fazer na manifestação, a que horas cheguei, o percurso da manifestação e o meu. Mostrou-me fotos das ações no Itamaraty e admiti que estava lá e que escondia o rosto.

Após a inquirição, o delegado informou que o processo seguiria para a Polícia Federal, onde seria produzido um inquérito a ser enviado ao Ministério Público, que decidiria pela abertura, ou não, de processo judicial. Depois disso, assinei um termo de depoimento após ser mais uma vez ouvido por outro delegado. Declarei ainda qual era meu estado emocional e que não ocasionei nenhuma depredação ao prédio do Itamaraty. Finalmente, que agi por vontade própria, não tendo sido levado ou orientado a nada, por nenhuma pessoa ou organização.

Hoje vejo com clareza os excessos que cometi e o risco a que submeti a Rede, de ser caluniada ou passar a ser objeto de insinuações de ter algo a ver com os quebra-quebras durante as manifestações. Seria algo impensável, pois a linha política da Rede vai em outra direção, sem nenhuma afinidade com soluções violentas, venham de que lado vierem. Estou arrependido, errei politicamente, mas em nenhum momento cometi crime.

O que me resta é dizer a verdade, como estou fazendo aqui, e reconhecer meus atos. Peço desculpas sinceras a todos os companheiros e companheiras da Rede. Reafirmo que continuarei sendo um “enredado” convicto, persistente e esperançoso.


- See more at: http://www.ocafezinho.com/2013/08/01/vandalo-do-itamaraty-era-ligado-a-marina-silva/#sthash.BNxi0twX.dpuf

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

A Fatura do Fulano.




Leio tantas notícias, tantas palavras, tantas denúncias, tantas mortes, tantas guerras, tantas maldades, e não absorvo mais nada. Estou anestesiado.

Fulano é suspeito de roubar 425 milhões de reais do metrô - Ah! Deixa prá lá.

Fulano outro é suspeito de desviar 4,3 bilhões da Companhia de Abastecimento de Água - Ah! Será?

Outro Fulano é suspeito de desviar 50 milhões em precatórios - Só isto?

Fulano de Tal é suspeito de roubar 250 milhões da Previdência - Ah! Sozinho?

Fulano da Lata vendeu uma empresa de 100 bilhões por 4 bilhões - Coitado! devia estar muito necessitado!

Fulano da Prancha é suspeito de desviar 120 milhões da Norte Sul - Ah! Tem nada disto não!

Fulano dos Anzóis roubou 1 bilhão é foi inocentado pela idade - Nada como a velhice, hem!!!

Fulanos roubaram, roubam e roubarão. Crianças morreram, morrem e morrerão por estes roubos. Tenho uma dó danada de Fulano quando chegar a fatura.

É isto aí!

quarta-feira, 31 de julho de 2013

O estranho desejo do galo




A estranha obsessão dos atleticanos por serem todos os torcedores do Cruzeiro as marias do seu íntimo e secreto desejo, causa-me uma reflexão psicanalítica. Claro que não tenho a bagagem dos grandes mestres, em face da minha formação bageliana, junto ao analista de Bagé, mas arrisco um palpite:

"Enquanto a histérica vai buscar seu desejo no desejo do Outro, isto é, no que ela imagina ser o desejo do Outro, o obsessivo vai buscá-lo em um além, o que faz com que ele faça o seu desejo passar à frente de tudo. Ao buscá-lo além, o que ele visa é o desejo como tal na medida em que ele nega o Outro. Vemos aí claramente a presença da pulsão de morte, como sustentação desse desejo puro. Mas o Outro é o lugar do desejo e, para constituir-se, o desejo do sujeito precisa deste apoio no Outro. A destruição do Outro representa a destruição do próprio desejo e é nisto que esbarra o obsessivo, revelando a profunda contradição entre ele e seu desejo. Na verdade, trata-se de uma contradição que é interna ao próprio desejo, tal como é abordado nesse caso, nesse mais além que o constitui. Disso decorrem as constantes idas e vindas do obsessivo, uma vez que a possibilidade de realização de seu desejo se apresenta como mortal. É desse momento que ele se afasta, na medida em que alcançá-lo significa matar o desejo. Lacan chama a atenção para o fato de que, mais do que uma distância do objeto, trata-se na neurose obsessiva de uma distância do desejo."


Fonte da reflexão: http://www.interseccaopsicanalitica.com.br/art078.htm

O Colchão D'Água



De modo geral, o colchão de água serve para evitar dores nas articulações e nas costas. Seu formato assegura mais alívio para que sofre com problemas de artrite, dor lombar e problemas na coluna vertebral. Mas, seus benefícios vão muito além!

Vantagens do colchão de água
Existem muitas opiniões divergentes sobre as qualidade dos colchões de água, vamos ver algumas vantagens:

O colchão de água é extremamente confortável, pois quem deita nele sente a impressão de estar quase “flutuando”.

Segundo estudos, ele é o único modelo de colchão que permite total apoio do corpo sem pontos de pressão em excesso. Ou seja, não causa dor.

Temperatura agradável, ao gosto do dono, graças ao seu sistema de aquecimento. Perfeito para proporcionar ótimas noites de sono. As crianças vão adorar dormir nesse colchão no quarto infantil!

Como usar um colchão d’água?
O colchão d’água deve ser usado como qualquer outro modelo. Basta encher a peça com água através de uma válvula, de acordo com as indicações do fabricante. Então, é só retirar parte do excesso de ar e fechá-la para vedar e evitar qualquer vazamento.

No campo das desvantagens, o colchão de água pode ser bem difícil de manusear, devido ao peso do líquido e mecanismo. Além disso, alguns especialistas indicam o modelo para usos esporádicos, lúdicos e terapêuticos, ou seja, apenas casos pontuais, não para o cotidiano.

O Colchão D'Água



De modo geral, o colchão de água serve para evitar dores nas articulações e nas costas. Seu formato assegura mais alívio para que sofre com problemas de artrite, dor lombar e problemas na coluna vertebral. Mas, seus benefícios vão muito além!

Vantagens do colchão de água
Existem muitas opiniões divergentes sobre as qualidade dos colchões de água, vamos ver algumas vantagens:

O colchão de água é extremamente confortável, pois quem deita nele sente a impressão de estar quase “flutuando”.

Segundo estudos, ele é o único modelo de colchão que permite total apoio do corpo sem pontos de pressão em excesso. Ou seja, não causa dor.

Temperatura agradável, ao gosto do dono, graças ao seu sistema de aquecimento. Perfeito para proporcionar ótimas noites de sono. As crianças vão adorar dormir nesse colchão no quarto infantil!

Como usar um colchão d’água?
O colchão d’água deve ser usado como qualquer outro modelo. Basta encher a peça com água através de uma válvula, de acordo com as indicações do fabricante. Então, é só retirar parte do excesso de ar e fechá-la para vedar e evitar qualquer vazamento.

No campo das desvantagens, o colchão de água pode ser bem difícil de manusear, devido ao peso do líquido e mecanismo. Além disso, alguns especialistas indicam o modelo para usos esporádicos, lúdicos e terapêuticos, ou seja, apenas casos pontuais, não para o cotidiano.

terça-feira, 30 de julho de 2013

A calçada.

Fico admirado com a quantidade de lacerdinhas sobrevoando a Pitangueira. É impressionante. Não largam da natureza simples e limitada da árvore. Mas, fazer o que? São pragas de jardim!

Mudando de assunto, hoje deparei com uma cena difícil prá muito caramba. Vinha devagar na direção do veículo, em rua movimentada, sem estacionamento à esquerda. Exatamente à minha esquerda vi um senhor, amparado em um par de muletas. Ele também me viu. Estava na calçada. Nossos olhares demoraram uma eternidade, fixados. 

Vi que estava passando mal. Procurei uma forma de estacionar para socorrer aquele homem, mas o tráfego intenso e o grande número de pessoas na calçada indicavam que alguém haveria de fazê-lo, até por que estava a quinze ou vinte metros de um hospital público.

Passei por ele, ambos olhando um nos olhos do outro. Fui resolver uma questão financeira, que durou cinco minutos, logo a dois quarteirões dali. Ao regressar, estava o corpo, já sem vida, na calçada. Puxa vida! Rezei por aquela alma, mas de coração apertado.

Em função disto, hoje estou meio que não querendo falar mais nada.

É isto aí!

"De que vale a um homem ganhar o mundo inteiro se perder sua alma?" (Mc 8, 36)



E o Papa esteve no Rio de Janeiro, promovendo uma festa devocional e apostólica entre os membros da Igreja. Foi interessante ver a Igreja Católica em tamanha dimensão, quando na Europa o esvaziamento da Fé é uma realidade dura e cruel. Em todas as igrejas, sem exceção.

Ao contrário da grande e esmagadora maioria, não creio que o nome acatado pelo atual Papa, Francisco, seja uma referência à Francisco de Assis e sim a Francisco Xavier, nascido Francisco de Jaso y Azpilicueta, (Xavier, 7 de Abril de 1506 — Sanchoão, 3 de Dezembro de 1552), que foi um missionário cristão do padroado português e apóstolo navarro. 

Ele foi pioneiro e co-fundador da Companhia de Jesus - à qual está vinculado o Papa, e a Igreja Católica Romana considera que tenha convertido mais pessoas ao Cristianismo do que qualquer outro missionário desde São Paulo, merecendo o epíteto de "Apóstolo do Oriente". Ele exerceu a sua atividade missionária no Oriente, especialmente na Índia e no Japão.

No dia 15 de agosto de 1534, Inácio de Loyola, junto com Francisco Xavier, Pedro Fabro, Alfonso Salmeron, Diego Laynez, Nicolau Bobedilla e Simão Rodrigues, fizeram votos de castidade e pobreza na Capela de Saint-Denis, em Montmartre (Paris), colocando-se a disposição do Papa, para serem enviados aonde houver maior necessidade, e desse modo estavam fundando, ainda sem saber, a Companhia de Jesus , congregação religiosa destinada ao ensino, à conversão e à caridade.

O lema de Francisco Xavier era: "De que vale a um homem ganhar o mundo inteiro se perder sua alma?" (Mc 8, 36)

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Quer pagar quanto?



Enquanto isto, por aqui, determinado time de futebol modernizou-se tanto, que seus executivos parecem com corretores da Bolsa de Valores:

Estão comprando títulos para agradar seus investidores!

A máquina do mundo




Carlos Drummond de Andrade

Um dos maiores poemas de Carlos Drummond de Andrade é "A Máquina do Mundo". A ideia de que o mundo era uma máquina esteve em voga desde a Antiguidade até a Renascença. No poema de Drummond, a máquina do mundo abre-se para o poeta em determinado momento, oferecendo-lhe uma total explicação da vida.

Publicado originalmente em Claro Enigma (1951), o poema “A Máquina do Mundo” é, sem dúvida, uma das obras-primas do escritor mineiro. Pelo tema, assim como pela sua forma, a composição se aproxima dos modelos da poesia clássica.

Desde o próprio título, se estabelece uma relação de intertextualidade com a obra épica Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões, considerada um marco incontornável da literatura de língua portuguesa.
  
E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco

se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas

lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,

a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.

Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável

pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar

toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos.

Abriu-se em calma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter usado os já perdera

e nem desejaria recobrá-los,
se em vão e para sempre repetimos
os mesmos sem roteiro tristes périplos,

convidando-os a todos, em coorte,
a se aplicarem sobre o pasto inédito
da natureza mítica das coisas.

Análise e interpretação do poema:

Complexo e de difícil compreensão, "A Máquina do Mundo" é um dos textos mais enigmáticos de Drummond. No ano de 2000, A Folha de São Paulo considerou que este é o maior poema brasileiro.

Habitualmente, a lírica do autor é associada à segunda geração do modernismo nacional, exprimindo algumas de suas características mais evidentes: ausência de rima, verso livre e temas cotidianos, entre outras. Em Claro Enigma, contudo, o modernista regressa às influências clássicas, tanto no tema como na forma.

Aqui, existe uma preocupação rigorosa com a métrica. Cada estrofe é um terceto, ou seja, é composta por três versos. Os versos, por sua vez, são todos decassílabos (formados por dez sílabas), adotando o mesmo ritmo de grandes obras como Os Lusíadas.

A ideia da "máquina do mundo" enquanto metáfora para as engrenagens que movem o Universo e os indivíduos também não é nova. Pelo contrário, estava bastante presente na literatura medieval e renascentista. Sua manifestação mais célebre é o canto X do poema épico escrito por Camões.

No texto, o navegador Vasco da Gama tem o privilégio de conhecer essa máquina, graças à ninfa Tétis. É assim que ele descobre o seu derradeiro destino e tudo aquilo que está por vir. O seu entusiasmo, no entanto, não ecoa nos versos escritos pelo poeta brasileiro.

A ação se inicia em Minas Gerais, local onde Drummond nasceu, algo que o aproxima deste sujeito. Numa cena cotidiana, o homem está caminhando pela estrada quando, de repente, tem uma enorme revelação. Ele, que se encontra exausto, "desenganado", não sabe como reagir a essa epifania.

Perante a "total explicação da vida", um conhecimento que vai além da compreensão humana, o eu-lírico decide abaixar os olhos e seguir o seu caminho. Assombrado pela grandiosidade de tudo que existe, permanece pequeno e frágil, sem esperança de compreender uma coisa tão maior do que ele.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Uma proposta para a Saúde Pública




Uma proposta básica para se iniciar uma conversa real em Saúde Pública neste país:

Considerando que estou vendo o Governo Federal e a oposição combinarem que nada mudará na Saúde Pública, estou apresentando esta proposta, que poderá ser modificada, questionada, excluida, discutida, lamentada, ignorada, mas o que vale é que um começo.

Se gostarem, repassem, discutam, vamos fazer chegar às ruas.

A princípio 1.000 municípios serão contemplados, e deverão ser os mais carentes do país. Nada de ir para Ipatinga ou Montes Claros, que adoram tomar tudo dos vizinhos.

No quadro coloco salários que estão dentro do mercado, para atrair os profissionais, porque falar em levar Médicos recém-formados para ficarem 2 anos no SUS, cá prá nós, é uma puta de uma sacanagem. Nem a Ditadura ousou tanto.

Perceberão que não citei Fisioterapeutas, Terapeutas Ocupacionais, Nutricionistas, etc, mas como disse é um começo.

Os recursos existem - estão no Fundo Social do Pré-Sal.

Os custos do Estado com Vigilância já estão pactuados com a União.

Considerando que R$ 2 bilhões do Pré-Sal devem ser diretamente direcionados à área de Educação, o governo calcula que outros R$ 2 bi deverão ser aplicados no Fundo Social, um tipo de poupança formada por recursos que a União recebe na produção do petróleo da camada pré-sal.

Pelo texto do Senado, o capital principal desse fundo será preservado e somente seus rendimentos financeiros serão usados, sendo 75% deles para a educação e 25% para a saúde.

Pela Proposta abaixo, estes 2 Bilhões/ano viram Saúde Pública de Qualidade.
R$ 500 milhões serão utilizados na infra-estrutura do município para receber os profissionais.
R$ 500 milhões/1000 municípios = 500 mil/município (Este gasto é único)
Estes 500 milhões nos anos seguintes irão para os demais municípios, à medida que o Pré Sal cresce em valores, se abrirão novas frentes.

Este capital investido no Programa não será inscrito nos gastos com Saúde do Município, que permanecerá obrigado a custear 15% do seu orçamento com Saúde Pública, mantendo seus serviços de rotina. O Congresso deverá criar uma Lei eliminando esta obrigatoriedade da Lei de Responsabilidade Fiscal

Não será permitida a terceirização destes serviços, exceto o serviço de Radiologia, que poderá ser local, regional ou nacional, via Online.

R$ 1,5 bilhões/ano = 150 milhões/mês
1000 municípios = R$ 150 mil/município.
União Valores em R$
Medicina 1 x 15.000 = 15.000
Farmácia 1 x 5.000 = 5.000
Enfermagem 1 x 5.000 = 5.000
Odontologia 1 x 5.000 = 5.000
Assistência Social 1 x 5.000 = 5.000
Análises Clínicas 1 x 5.000 = 5.000
Psicologia 1 x 5.000 = 5.000
Administrador Centro de Controle, Avaliação e Auditoria 1 x 5.000 = 5.000
Técnico Enfermagem 3 x 2.000 = 6.000
Técnico Análises Clínicas 3 x 2.000 = 6.000
Técnico Rx 2 x 2.000 = 4.000
Encargos Trabalhistas Regime CLT 34.000
Manutenção Rx, Análises Clínicas 50.000
Total da União 150.000

Estado
Vigilância Sanitária
Vigilância Epidemiológica
Vigilância Ambiental

Município
Serviços Gerais

Manutenção

domingo, 23 de junho de 2013

Por que não cuido mais da Pitangueira




O texto não é meu, mas minha identificação é plena. Postarei aqui coisas outras que falem das estrelas, da alma, e só.


Atendendo à curiosidade de alguns e pedidos de outros tentarei esclarecer o misterioso fenômeno aqui ocorrido. O falecido blog nasceu com a finalidade de combater a mídia golpista, lembram dela? - continua firme, forte e golpista - mas problemas iguais ou maiores surgiram no caminho do infeliz blogueiro. O primeiro problema atende pelo nome de Dilma Rousseff. Excelente ministra, grande gerente e terrível presidente; um ser que abomina a política e vive no mundo das planilhas e das pesquisas de opinião. O cargo de presidente é político, não gerencial, fosse assim faríamos um concurso público para preencher o cargo e não eleições. Dilma é um desastre político de dimensões ainda incertas, não se sabe onde  vai terminar esse drama sem fim. Cercado pelo pior e mais reacionário ministério já escolhido em tempos democráticos, temos um governo que não só pede para ser derrubado, mas financia e elogia os que o odeiam.

Dito isso, esclareço que não defendo coisa nenhuma contra Dilma, nem sequer sua substituição em 2014 por Lula ou alguém com vocação política. Não é viável. Devido ao nível vergonhoso, criminoso e aterrador da oposição, toda ela, votarei em Dilma de novo em 2014, se não tivermos um golpe até lá, torcendo para que o pior não aconteça.

A segunda pedra no meu caminho é a chamada "blogosfera progressista", coletivo de gente burra e reacionária com a qual não suporto mais ser confundido. O apoio entusiasmado desse bando de iletrados à turba totalitária e fascistoide que tomou as ruas de São Paulo e depois do Brasil inteiro causou-me um mal-estar físico, uma vontade incontrolável de ter nascido em outro lugar ou outro tempo, livre dessas companhias.

O fato inacreditável de o único blogueiro importante a ter denunciado essa corja totalitária desde o primeiro instante e mantido e aprofundado a crítica mesmo quando o movimento foi oficialmente adotado pela mídia corporativa e assumiu bandeiras descaradamente golpistas ter sido Reinaldo Azevedo foi o tsunami, não a gota d'água, que afogou esse pobre ser nas profundezas do terror existencial. Não foi para ter Reinaldo Azevedo como companheiro de armas que entrei nessa fria.

À pergunta "E para onde ir agora e o que fazer?" eu respondo que não sou Lenin e, portanto, não pretendo escrever uma cartilha chamada "Que fazer?". Vou viver um dia de cada vez e enfrentar os problemas que surgem da melhor maneira possível sabendo que uma grande treva paira no horizonte. Meu consolo é já ter mais de 50 anos e saber que por pior que seja o futuro, não vai durar muito para mim.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Buscando em Hamlet

No célebre romance de Shakespeare, Hamlet, após perceber e afirmar que havia "algo de podre no reino da Dinamarca", passou a fingir-se de louco incapaz de compreender o que se passava ao seu redor, no intuito de meramente não ser eliminado e poder sobreviver. No final do romance, Hamlet consegue eliminar o seu cruel algoz, embora não tenha sido capaz de sobreviver porque seu algoz foi capaz de, antes de morrer, feri-lo de raspão com uma espada embebida em veneno mortal.

Ser ou não ser... Eis a questão. Que é mais nobre para a alma: suportar os dardos e arremessos do fado sempre adverso, ou armar-se contra um mar de desventuras e dar-lhes fim tentando resistir-lhes? Morrer... dormir... mais nada... Imaginar que um sono põe remate aos sofrimentos do coração e aos golpes infinitos que constituem a natural herança da carne, é solução para almejar-se. Morrer..., dormir... dormir... Talvez sonhar... É aí que bate o ponto. O não sabermos que sonhos poderá trazer o sono da morte, quando alfim desenrolarmos toda a meada mortal, nos põe suspensos. É essa idéia que torna verdadeira calamidade a vida assim tão longa! Pois quem suportaria o escárnio e os golpes do mundo, as injustiças dos mais fortes, os maus-tratos dos tolos, a agonia do amor não retribuído, as leis morosas, a implicância dos chefes e o desprezo da inépcia contra o mérito paciente, se estivesse em suas mãos obter sossego com um punhal? Que fardos levaria nesta vida cansada, a suar, gemendo, se não por temer algo após a morte - terra desconhecida de cujo âmbito jamais ninguém voltou - que nos inibe a vontade, fazendo que aceitemos os males conhecidos, sem buscarmos refúgio noutros males ignorados? De todos faz covardes a consciência. Desta arte o natural frescor de nossa resolução definha sob a máscara do pensamento, e empresas momentosas se desviam da meta diante dessas reflexões, e até o nome de ação perdem." Ato III, cena I

sexta-feira, 14 de junho de 2013

A pátria amada



Queria falar sobre política, o poder, o terror  e o mal disseminado entre o mundo, mas tudo isto é fato intensivo em toda a mídia, e não tenho muito o que falar nem para combater. O problema é que a grande tribo tupy-guarany está em polvorosa convulsão. Estamos cada dia mais traídos por uma paranoica necessidade dos ricos ficarem mais ricos, desde que sejam brancos, eslavos e nórdicos.

Para tentar explicar utilizando um outro contexto o que está ocorrendo na pátria amada, vamos ver o que circula na rede nacional 

Conspirações pelo Brasil

Acre
A conspiração do Acre é uma teoria da conspiração satírica em volta do estado brasileiro do Acre, onde é afirmado que este não existe, ou que dinossauros habitam o território. (aqui)

Amazonas
Um estudo recente mostra que cerca de 20% do total da Amazônia já emite mais dióxido de carbono do que absorve, ou seja, mais um pouco e deixa de existir. (aqui)

Bahia
Jorge Amado alarmou que "Baiano é um estado de espírito". Têm seu próprio dialeto - o dialeto baiano ou baianês, que é um dialeto do português brasileiro, cujos falantes têm como região geográfica o estado da Bahia, Por vezes, pela semelhança, é confundido com o dialeto nordestino. (aqui

Ceará
Cearense não é bem o que você pensava. A formação do cearense se deve a povos vikings que dominaram a Europa séculos atrás. (aqui)

Brasília - Distrito Federal
Como dizia Niemeyer: "você pode gostar ou não da cidade, mas nunca poderá dizer que já viu algo assim". Para começar, a cidade tem a forma de um avião, que fica dentro de um quadradinho, o Distrito Federal. Não tem esquinas e é a única cidade brasileira a receber uma corrida de... cadeiras de escritório. (aqui)

Espírito Santo
É um hiato meio bahiano, meio mineiro meio fluminense, mas se acha mesmo carioca sem sotaque. (aqui), como prova disto, cidade de Vitória, no Espírito Santo, é a única capital brasileira sem destaque no serviço do Google de mapeamento (aqui)
- para o capixaba as coisas não estragam, "daum tilt".
- capixaba adora falar "ninguém merece" pra tudo.
- capixaba não diz como vai, diz "qualé".
- capixaba inicia as frases com "deixa falar...".

Goiás
Se tem um negócio que os goianos fazem naturalmente é não usarem pronomes reflexivos., que são aqueles que expressam a igualdade entre o sujeito e o objeto da ação. “aném” ao 'tem base" começam ou encerram quaisquer diálogos. É o único estado que foi protetorado de São Paulo desde a sua criação
cujo nome não tem origem de referência.  Aném!! Goiás é Goiás e pronto, tem base?

Maranhão
O Maranhão nunca conseguiu se definir geograficamente. Parece Norte, já foi Meio-Norte e ultimamente tem de forma tímida se apresentado como Nordeste. Mas na verdade, na verdade mesmo, Maranhão é caribenho, criador do Reggae, simbioticamente vinculado à Jamaica (aqui). O Maranhão foi anexado ao pais somente em 1823, pelos ... ingleses, ah! estes ingleses... os mesmos que libertaram os jamaicanos dos malvados espanhóis Antes disto passou pela mão dos franceses e holandeses.

Mato Grosso
Pelo Tratado de Tordesilhas, pertencia à Espanha, até que abriram mão, já que era num lugar entre o quase e o fim do mundo. Para se ter uma ideia,  a notícia da independência do Brasil , que ocorreu em 7 de setembro de 1822, só chegou na província de Mato Grosso em 22 de janeiro de 1823, um pouco desacreditada, mas oficialmente chegou nesta data. Tem fuso horário diferente e confuso, já que não são todas as regiões que adotam este procedimento. Como vê, continuam longe.

Mato Grosso do Sul
Não existe. O que se autodenomina MS não passa de uma expansão gaúcha, com aquelas prendas lindas, aquele churrasco típico, aquelas danças coloridas, chimarrão, poncho e vinho, mas muito garrafão de vinho nas colônias espalhadas no território. 
 
Minas Gerais
No plural, caso único de duplo plural cultural, linguístico, econômico etc. Tudo em Minas é plural, tudo passa por Minas, assim no plural, exceto Goiás, mas Goiás não conta. Mineiro é uma incógnita universal que transcende.

O mineirês é um dialeto do português brasileiro falado na região central do estado. O Triângulo fala um mineirês Nheengatu, um dialeto bem rico e quase incompreensível ao português clássico. Na prática todo berlandês é no mínimo bilíngue.  
 
O implacável é o Uai. Nada se compara a ele. É a marca registrada do mineiro. Já tentaram colar muitas hipóteses para explicar o Uai, mas nenhuma delas se sustenta. O Uai existia antes do primeiro mineiro falar. É atávico, Uai é a ontogêneses explicando a filogênese de ser mineiro. Ah! E lá no Goiás, se fala Uai também, deve ser rastilho do plural.   

E tem o Trem, e o Trem é uma palavra que designa a Teoria de Tudo, ou Teoria do Todo, ou ainda teoria unificada ou unificadora de Minas. Poderia ser uma teoria científica hipotética que unificaria, procuraria explicar e conectar em uma só estrutura teórica, todos os fenômenos linguísticos do planeta num único tratamento teórico gramatical, linguístico  e quântico.

Pará
Em extensão territorial, é maior do que todo o sudeste, e fica só nisto. 

O Pará era para ser membro da União Europeia, mas os ingleses, ah!! Os ingleses. Tudo que se sabe é que quando o Brasil se torna independente no dia 7 de setembro e a Província do Grão Pará não aceita fazer parte do Brasil, fiel a Portugal.
 
Um ano depois alçou as sandálias da humildade e aderiu ao Brasil. Porém, essa adesão não foi tão simples. Dom Pedro I, Imperador do Brasil, enviou (sic) pro Pará um comandante de fragata inglês, John Grenfill, que havia sido contratado para formar a nossa Marinha. E ele foi com a missão única  e exclusiva de incorporar o Pará ao Brasil, custe o que custar. Chegou lá e assim o fez de maneira dramática, conta o historiador Jean Ribeiro. (aqui)

Paraná
A capital paranaense, Curitiba e alguns torcem para o Coritiba, que manteve a grafia de 1909, tem os pé vermelhos, tem os coxas brancas e uma infinidade de outras derivações étnicas. Só foi colonizado pelos portugueses tardiamente, e hoje soma uma abundância de etnias como portugueses, espanhóis, italianos, alemães, neerlandeses, eslavos, poloneses, ucranianos, árabes, coreanos, japoneses, gaúchos, catarinenses, paulistas, mineiros, nordestinos, indígenas e africanos, as quais colaboraram para o fortalecimento da identidade do povo paranaense. 

Ah, sim, fala-se português no Paraná, apesar dos nativos acharem que é uma língua estrangeira. 

Pernambuco
Dom João VI, quando veio fazer da província um co-império, cometeu a deselegância e desprezar Recife, a capital da mais rica e próspera capitania do brasil de então. Dali em diante Pernambuco virou uma efervescência de desconjuras. Deu revolução de dar no pau, e criou o maracatu, o frevo e o forró.  

Em 1817, cansados de carregar a corte na maré mansa do Rio de Janeiro, fizeram uma grande revolução, apoiada pelos ricos e pela igreja local. Os revoltosos buscaram o apoio dos ingleses, ah! os ingleses fizeram-se de surdos. 

Com uma enorme pressão, Dom João VI sufocou a rebelião separatista de uma forma abrupta, com prisões, violência, mortes e torturas. Depois de apaziguar sob o poder das armas, foi aos poucos dividindo a capitania de Pernambuco, criando os estados da Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Alagoas.

Tenho orgulho danado destes pernambucanos.

Rio Grande do Sul
O nome do estado originou-se de uma série de erros e discordâncias cartográficas, quando se acreditava que a Lagoa dos Patos fosse a foz do Rio Grande. Tri legal!!

Segundo a wikipédia, Gaúcho é uma palavra oriunda do castelhano gaucho, um adjetivo que, aplicado a pessoas, pode significar "nobre, valente e generosa" ou "camponês experimentado em pecuária tradicional", ou ainda "velhaco, astuto, dissimulado ou ardiloso experiente", mas também pode ter o sentido de "vagabundo, contrabandista, desregrado e desprivilegiado". (aqui)

Como se sabe, gaúcho fala, entende lê e escreve bem o alemão, e tem noções de português para poder suportar os nordestinos de Santa Catarina para cima. 

Rio de Janeiro
Não existe. É uma crença popular, talvez o maior problema de identidade cultural dos nativos da terra brasilis. O que temos de verdade na alma do povo é a Guanabara rodeada de fluminenses, uns capixabas, outros mineiros e outros paulistas. 

Que venham os ventos da liberdade e devolvam ao país a sua capital cultural, social e maravilhosa.

Rondônia
Nunca deixou de ser o Guaporé lá das bandas do Acre.

Santa Catarina
Estado membro da União Europeia, com capital oficial em Berlim.

São Paulo
No princípio era São Paulo!

No princípio criou Deus o Brasil.
E o Brasil era sem forma e vazio; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas da Guanabara.
E disse Deus: Haja São Paulo; e houve São Paulo.

Com a perda da identidade cultural da Guanabara, o Brasil acabou isolando também São Paulo, como se tivéssemos vergonha de sermos felizes e sermos competentes para fazer e acontecer um grande desenvolvimento nacional. 

São Paulo caminha a passos largos para a desindustrialização, o que o descaracterizará completamente. Estamos testemunhando um movimento disruptivo de pátria. Triste sina ou maledicência? 

É isto aí!


quarta-feira, 12 de junho de 2013

Olavo Bilac, o Poeta Pornográfico.



Satânia
(...)
Sobe... cinge-lhe a perna longamente;
Sobe...- e que volta sensual descreve
Para abranger todo o quadril!- prossegue,
Lambe-lhe o ventre, abraça-lhe a cintura,
Morde-lhe os bicos túmidos dos seios,
Corre-lhe a espádua, espia-lhe o recôncavo
Da axila, acende-lhe o coral da boca,
E antes de se ir perder na escura noite,
Na densa noite dos cabelos negros,
Pára confusa, a palpitar, diante
Da luz mais bela dos seus grandes olhos.
E aos mornos beijos, às carícias ternas,
Da luz, cerrando levemente os cílios,
Satânia os lábios úmidos encurva,
E da boca na púrpura sangrenta
Abre um curto sorriso de volúpia...
Beijo Eterno
Diz tua boca: "Vem!"
"Inda mais!" diz a minha, a soluçar...Exclama
Todo o meu corpo que o teu corpo chama:
"Morde também!"
Ai! morde! que doce é a dor
Que me entra as carnes, e as tortura!
Beija mais! morde mais! que eu morra de ventura,
Morro por teu amor!
Ferve-me o sangue: acalma-o com teu beijo!
Beija-me assim!<
O ouvido fecha ao rumor
Do mundo, e beija-me, querida!
Vive só para mim, só para a minha vida,
Só para o meu amor!

Delírio
Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!
Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.
Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
Mais abaixo, meu bem! ? num frenesi.
No seu ventre pousei a minha boca,
Mais abaixo, meu bem! ? disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci…

Última Página
Primavera. Um sorriso aberto em tudo. Os ramos
Numa palpitação de flores e de ninhos.
Doirava o sol de outubro a areia dos caminhos
(Lembras-te, Rosa?) e ao sol de outubro nos amamos.
Verão. (Lembras-te Dulce?) À beira-mar, sozinhos,
Tentou-nos o pecado: olhaste-me... e pecamos;
E o outono desfolhava os roseirais vizinhos,
Ó Laura, a vez primeira em que nos abraçamos...
Veio o inverno. Porém, sentada em meus joelhos,
Nua, presos aos meus os teus lábios vermelhos,

(Lembras-te, Branca?) ardia a tua carne em flor...

Drummond, o poeta pornográfico

Cinco poemas pornográficos de Drummond, extraídos do livro O AMOR NATURAL
Maria La Piedra

Sugar e ser sugado pelo amor
Sugar e ser sugado pelo amor
no mesmo instante boca milvalente
o corpo dois em um o gozo pleno
Que não pertence a mim nem te pertence
um gozo de fusão difusa transfusão
o lamber o chupar o ser chupado
no mesmo espasmo
é tudo boca boca boca boca
sessenta e nove vezes boquilíngua.

A língua lambe
A língua lambe as pétalas vermelhas
da rosa pluriaberta; a língua lavra
certo oculto botão, e vai tecendo
lépidas variações de leves ritmos.
E lambe, lambilonga, lambilenta,
a licorina gruta cabeluda,
e, quanto mais lambente, mais ativa,
atinge o céu do céu, entre gemidos,
entre gritos, balidos e rugidos
de leões na floresta, enfurecidos.

A castidade com que abria as coxas
A castidade com que abria as coxas
e reluzia a sua flora brava.
Na mansuetude das ovelhas mochas,
e tão estreita, como se alargava.
Ah, coito, coito, morte de tão vida,
sepultura na grama, sem dizeres.
Em minha ardente substância esvaída,
eu não era ninguém e era mil seres
em mim ressuscitados. Era Adão,
primeiro gesto nu ante a primeira
negritude de corpo feminino.
Roupa e tempo jaziam pelo chão.
E nem restava mais o mundo, à beira
dessa moita orvalhada, nem destino.

Mimosa boca errante
Mimosa boca errante
à superfície até achar o ponto
em que te apraz colher o fruto em fogo
que não será comido mas fruído
até se lhe esgotar o sumo cálido
e ele deixar-te, ou o deixares, flácido,
mas rorejando a baba de delícias
que fruto e boca se permitem, dádiva.
Boca mimosa e sábia,
impaciente de sugar e clausurar
inteiro, em ti, o talo rígido
mas varado de gozo ao confinar-se
no limitado espaço que ofereces
a seu volume e jato apaixonados
como podes tornar-te, assim aberta,
recurvo céu infindo e sepultura?
Mimosa boca e santa,
que devagar vais desfolhando a líquida
espuma do prazer em rito mudo,
lenta-lambente-lambilusamente
ligada à forma ereta qual se fossem
a boca o próprio fruto, e o fruto a boca,
oh chega, chega, chega de beber-me,
de matar-me, e, na morte, de viver-me.
Já sei a eternidade: é puro orgasmo.

Sem que eu pedisse, fizeste-me a graça
Sem que eu pedisse, fizeste-me a graça
de magnificar meu membro.
Sem que eu esperasse, ficaste de joelhos
em posição devota.
O que passou não é passado morto.
Para sempre e um dia
o pênis recolhe a piedade osculante de tua boca.
Hoje não estás nem sei onde estarás,
na total impossibilidade de gesto ou comunicação.
Não te vejo não te escuto não te aperto
mas tua boca está presente, adorando.
Adorando.

Nunca pensei ter entre as coxas um deus.