- Mas e o Fri-boy, hem?!?!? O que foi aquilo? Enquadraram o homem ...
- Eu diria que foi picado pela mosca azul ...
- E abobado com a possibilidade caiu no conto do Paco do Janotinha ....
É isto aí!
domingo, 10 de setembro de 2017
sexta-feira, 8 de setembro de 2017
Este é um conto de ficção - só acontece em livros, filmes e romances baratos.
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| Sistemáticos |
Conta a lenda que os tempos eram difíceis no velho oeste. O sistema tinha várias formas de manter a lei e a ordem natural das coisas, utilizando recursos disponíveis em todas as castas da sociedade.
John Legstorm Sunford estava convencido que as dificuldades nunca abandonaram o povo. Naquela tarde, diante do púlpito, conteve as lágrimas para dar uma palavra de conforto à família do amigo, as frases foram saindo mais pelo sentimento de impotência do que pela coragem de dize-las:
Joe Malcom Smith era um homem bom, tranquilo, trabalhador que naquele dia saiu cedo de casa e deu-se conta de ter esquecido a carteira no criado mudo. Resolveu voltar quando foi abordado por pessoas sistemáticas e sem documento foi detido para averiguação.
Na empresa especializada em sistemas para receber pessoas abordadas constava uma ordem de prisão para um homônimo de significativa periculosidade. Imediatamente foi transferido para a capital. Levado ao Abrigo Sistemático de alta segurança, pensando na esposa, nos filhos e no que o aguardava, desesperado, com medo, pânico e aflição, atentou contra a vida ao se jogar sob o automóvel que partia.
O treinamento aguçado dos agentes sistemáticos impediram a "tentativa de fuga". Imediatamente seguro pelo cós da calça, foi a custo de tapas, chutes e agressões diversas sendo enxotado até o calabouço, onde encontrou paz, isolado de tudo e de todos.
Enquanto seu corpo doía e seu raciocínio lógico dava sinais de loucura, explodiu uma rebelião com dezenas de mortos e feridos no ambiente ao nível do solo. Não morreu "pela sorte" de estar na solitária, apesar de ter sido sufocado pela fumaça dos colchões e panos queimados. Encontrado três dias depois em estado de confusão mental, finalmente foi identificado, não constando nenhum crime à sua história de vida. Entrou na fila de espera pelo alvará de soltura, e dois anos depois estava livre.
Ao sair do ambiente sistemático, teve uma bala "perdida" atravessando o cérebro - alguém colocou sobre seu frágil corpo o pensamento do dia - "A nice bandit is a dead bandit"
Alguns dias depois da despedida do amigo, John Legstorm Sunford foi abordado por umas pessoas, sistemáticas - foi levado a local incerto e não sabido ...
É isto aí
quarta-feira, 6 de setembro de 2017
Tim Maia (Como Uma Onda - Zen Surfismo)
Em 1993, a Rider ganhou um comercial com Tim Maia cantando Zen Surfismo - Como Uma Onda. A música foi um fator que ajudou a manter muitas das criações da W/Brasil no imaginário popular – e com esse filme não foi diferente. Sempre muito bom poder relembrá-lo!
Ficha Técnica: Agência W/Brasil / Cliente Grendene S/A / Produto Rider / Título "Como uma Onda" / Produtora: Jodaf. Prod. Cin. Ltda
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Ouça por onde preferir: http://wcast.hubmidia.com/
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Acompanhe o W/Cast em todas as plataformas:
Instagram: https://www.instagram.com/wcast.podcast/
Facebook: https://www.facebook.com/WCast-por-Wa...
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O W/Cast é uma produção original HUB Mídia.
“Como uma Onda” é um dos resultados da parceria Lulu Santos (1953) e Nelson Motta(1944).
Lulu foi Roqueiro precoce, aos 12 anos tocava com os Cave Man, banda de cover dos Beatles. Ao longo dos anos de 1970, emprestaria sua guitarra ao Albatroz, Veludo Elétrico, Veludo e Vímana, no qual tocou com o então flautista Ritchie e o baterista Lobão. Depois de um tempo como músico free-lancer, estreou carreira solo, com o nome de Luís Maurício, lançando um compacto. Na ´decada de 80, já com o nome de Lulu Santos emplaca um sucesso atrás do outro., inclusive “Como uma onda”.
Devido ao grande sucesso, Lulu foi convidado para participar da primeira edição do Rock In Rio, em 1985. Sua apresentação cantando “Como Uma Onda”, acompanhado pelo coro da multidão, foi um dos momentos memoráveis do evento.
A música, enorme sucesso na voz de Tim Maia, foi gravada por cantores dos mais diferentes estilos musicais (Zizi Possi, Roupa Nova, Ângela Maria, Nelson Gonçalves) e nacionalidades (Richard Clayderman, Bia).
Foi tema de abertura da novela “Como Uma Onda (2004 - Lulu Santos). Esteve ainda nos filmes “Chega de Saudade (2007 - ), “Garota Dourada” (1984–Ricardo Graça Mello) e na novela “Marisol ( 2002 -Lulu Santos)
COMO UMA ONDA
(Lulu Santos / Nelson Motta)
Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa
Tudo sempre passará
A vida vem em ondas
Como um mar
Num indo e vindo infinito
Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente
Viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo
No mundo
Não adianta fugir
Nem mentir
Pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Nada do que foi será
De novo do jeito
Que já foi um dia
Tudo passa
Tudo sempre passará
A vida vem em ondas
Como um mar
Num indo e vindo infinito
Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente
Viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo
No mundo
Não adianta fugir
Nem mentir pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
CEO da Corrupção Endêmica.
- Boa tarde, sente-se por favor.
- Obrigado.
- O senhor veio para a entrevista ...
- Sim, para a entrevista.
- Temos três vagas em cargos distintos, e pode ser que o senhor não se adapte ao perfil de um serviço, mas seja providencialmente indicado para outro.
- Tomara que sim, é tudo que preciso, sabe, os tempos estão ruins.
- Vejo aqui que o senhor foi indicado pelo deputado estadual Clepto Filho, pelo deputado federal Dr. Clepto Bandire, o que já nos causou uma excelente impressão.
- Muito obrigado, o senhor é muito gentil.
- Só um momento, preciso atender ao telefone - olá Senador, que surpresa agradável - sim ele está aqui na minha frente, pode deixar, senador, faremos tudo que for possível. - Era o Senador Vil Canaglia, homem finíssimo, de carreira brilhante, ele está recomendando o senhor.
- Nossa, nem sei o que falar. Ele é um pai para mim.
- Bem, vamos direto ao ponto e dispensar as formalidades. Dado ao relevante apoio das principais estrelas que vestem com fé a camisa verde amarela e batem panela pelo bem da pátria, já sei como utilizar o senhor na nossa empresa.
- Me sinto honrado e sou todo ouvidos.
- Bem, para atender a este público da nossas elite, gente branca de alma branca, probos, intelectuais puros, defensores da pátria, da família, da liberdade e da propriedade em nome da fé, eu estou desde já nomeando o senhor como nosso CEO da Corrupção Endêmica. O senhor vai fazer a justiça andar neste país, o senhor vai promover os valores da casta mais alta da sociedade.
- Nossa, estou emocionadíssimo ...
- Não chore, por favor, por favor ... Dona Marta, Dona Marrrrtaaaa!!! Traga uma água com açúcar, limão e gelo e para o nosso novo CEO ... fique à vontade, doutor, o senhor está em casa. Não chore, doutor, por favor ... Dona Marrrrtaaaaa!!!!! Trás um chá de erva cidreira também ...
É isto aí!
terça-feira, 5 de setembro de 2017
Preciso falar da poesia de Lilian Amadei Sais
Mais uma vez fui no Blog do Itárcio (imperdível) e achei, e conheci ou descobri o que estava coberto desta moça paulistana - Lilian Amadei Sais, que é doutora em Letras, pesquisadora e tradutora da área de grego antigo.
Paulistana de nascença e fumante assídua por opção, é também leitora voraz da literatura brasileira contemporânea e coeditora da Revista Libertinagem. Participa da organização de diferentes Saraus espalhados pela Pauliceia. Gosta de samba, cerveja e poesia e é defensora da boemia, de piadas ruins e das conversas descompromissadas de mesa de bar. Os amigos dizem que é uma peste, mas que cozinha bem. Ela nega.
Aqui quatro poemas de tirar o fôlego:
1º - "Manual pornodidático para homens - uma amostra"
I
raros são aqueles
que me beijam a sombra
entre as coxas:
pra maior parte sou apenas
buraco penetrável,
boca, cu e cona,
chegam logo me enfiando a rola
em dez minutinhos
de estocada frouxa
e está acabado:
meus caracóis ainda secos
e o macho já vira de lado.
pra um dei um manual
de anatomia, bem explicado,
mas ele entender zona erógena
foi trabalho de parto,
e meu metro de busto
permaneceu intacto.
tudo que digo agora é
vida longa às pilhas,
porque não anda fácil:
esse jeito de foder,
meninos, está todo errado.
II
pra homem tudo é uma questão de falo:
se a vara falha, a noite finda
eu a vida toda me queimando,
ávida, só com dois dedos em riste,
e o menino com dez não faz
nada, me deixa triste.
eu chego em casa frustrada
e mando o burro comer alpiste
- meu bem, de sexo ruim já estou passada,
foi a última vez que me despiste.
2º - Cremação
tenho dois cinzeiros
e um quarto de cinzas:
sobre o casaco, o chão,
a escrivaninha, a cadeira,
os remédios, o batente
da janela,
- tragada útil porque vírgula, pausa,
hiato, fenda, precipício,
xingamento calado,
suspiro disfarçado,
locomotiva descarrilhada da necessidade de ainda ser gente –
o que o vento leva
a chuva fixa,
cinzas simplesmente cinzas,
feitas de erupção portátil
e dispersas pelo hálito, sopro,
pelo vento,
feito eu.
3º - Trítono
(Para Teofilo Tostes Daniel)
porque grávida
de ausência
urge o sorriso grávido
de alguma falta,
ruído grave, gestando
o impronunciável,
urgem lábios, margens
obscenas da inundação
possível, sorriso
discreto, palavras impressas,
parto, farol de ruas
sem esquinas, ruas-rio,
(quero morar numa cidade sem esquinas,
meus olhos ardem,
tenho uma pasta de artigos urgentes dentro de uma pasta de artigos urgentes dentro de uma pasta de artigos urgentes,
o corinthians foi campeão,
o preço dos tomates & a crise política & a meteorologia)
há meses
(são apenas dois olhos
duas pernas e dez dedos para tantas
urgências no mundo que,)
transbordo.
- porque grávida
de alguma ausência
que o CID
não gera
entre as margens
absurdas da normalidade
o abismo
fere e confunde,
meu bem
4º - Prazos
digo sexta porque
soa longe, digo sexta
como quem diz
outra vida,
porque essa semana
já é bastante,
como a anterior,
a outra, a próxima,
a existência percorrida,
esse correr inexorável
de existir, ser gente
e não criado-mudo,
cômoda de três gavetas,
capa de chuva,
porta-níquel,
- desenho na parede -,
digo sexta porque
não é hoje, e isso,
se não me basta,
já me serve
um bom tanto:
apenas hoje,
não.
Pensamento do dia da pátria tupi-guarany
Sempre foi assim
O povo aduba
agua planta
agua planta
planta planta
aí subitamente
como um hobby
vem o ladrão
como um hobby
vem o ladrão
e arranca
todo o jardim
num só golpe.
num só golpe.
É isto aí!
Ray Charles & Mary Ann - Sweet Memories
Sweet Memories " é uma canção de Mickey Newbury , trazida ao sucesso por Andy Williams . A canção alcançou a posição 4 na parada adulta contemporânea e a posição 75 na parada da Billboard em 1968.
Fonte letra da música: letras mus
Sweet Memories
My world is like a river, mmm, as dark as it is deep
Night after night, the past slips in, and gathers all my sleep
My days are just an endless stream of emptiness to me
Filled only by the fleeting moments of her memories
Sweet memories, oh Lord
Sweet memories, oh Lord
He slipped into the silence of my dreams again last night
Wandering from room to room, turning on the lights
Your laughter spills like a river of water out the sea
I'm swept away from sadness clinging to your memory
Sweet memories (Sing it)
Sweet memories, oh oh
Hey now
Fonte Youtube: Jan Hammer
sábado, 2 de setembro de 2017
sexta-feira, 1 de setembro de 2017
Ela roubou minha ausência
Ela usa meias soquete
uma laranja outra azul
com sapatos oxford
de salto marrom
sob as pernas lindas
e uma cabeça brilhante
e uma cabeça brilhante
sobre um corpo mignon
Na doçura do jazz
flutua nos arranjos
feito Stan Getz
tem olhos profundos
dois olhos dois mundos
cabelo caramelo cacheado
e boca carmim - linda
Roubou minha ausência
meu non sense de amor
ou me deixei roubar
quando perdi o tom
quando perdi o tom
pela moça das meias soquete
do jazz profundo
no salto do oxford marron
É isto aí!
Nem tudo são flores
Conheceram-se na infância,
enamoraram na adolescência,
casaram-se na juventude
e viveram tristes para sempre
É isto aí!
enamoraram na adolescência,
casaram-se na juventude
e viveram tristes para sempre
É isto aí!
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| The Seagull |
quarta-feira, 30 de agosto de 2017
Tudo passa
Desceu a rua no sentido centro, sem se preocupar com tráfego, pessoas e movimentos urbanos, enfim , sem maiores preocupações, inclusive esqueceu até o motivo de ter ido à casa naquela hora da manhã. Os passos foram reduzindo a velocidade, o pensamento foi sendo retardado, a paz foi dominando o ambiente do grande salão mental enquanto andando andando ainda não se deu conta onde estava indo.
Perdeu completamente a noção do tempo, chegou num lugar onde achou as casas diferentes, as pessoas diferentes, tudo muito estranho. Sentou no banco de uma praça florida, muito bem cuidada, olhou em volta e não tinha a menor ideia de onde estava. Enquanto isto na porta da casa estava o Samu tentando reanimar o corpo sem vida, mas o infarto foi fulminante, segundo o médico da equipe.
Oswaldinho mudou de cidade, Dolores ficou só e o cachorro fugiu. Oswaldinho perdeu o brilho de conquistador, Dolores perdeu o corpo sedutor e o tempo seguiu. Tudo passa, tudo tudo passa.
É isto aí!
sábado, 26 de agosto de 2017
Tecendo a teia da ausência
Traço de memória
sua silhueta delgada
com braços longos
corpo delicado
em quintessência
Nela teço a vida
em quatro terços
parte menino
parte homem
parte você
parte ausência
teço o menino
em três terços
parte sonhos
parte medos
parte viver
teço o homem
em três terços
parte trabalho
parte desejo
parte sofrer
teço você
em três terços
parte mulher
parte amada
parte haver
teço com a dor
sua ausência
em muitos terços
partes tristeza
partes solidão
partes jazer.
É isto aí!
sexta-feira, 25 de agosto de 2017
Sonhos estranhos ...
Sabe, doutor, estou tendo sonhos estranhos. Na segunda-feira sai correndo nua pela calçada, aos gritos de "pega, pega". Uma multidão prontificou-se a acompanhar-me e uníssonos gritavam "pega, pega". Atravessei a avenida, subi a ladeira, desci na primeira à esquerda, cansada, suada e não conseguia mais alcançar meus ex-seguidores, que me ultrapassaram, aí cai em um buraco e desapareci.
Entendo, mas o que foi estranho?
Como assim? Ninguém me pegou, nada aconteceu, só passaram por mim. Eu queria uma mão suada em minha pele nua, subindo e descendo aquela ladeira e nada aconteceu. Isto é estranho. Mas na terça-feira recebi a bola na intermediária do meu campo, dominei, corri com a equipe toda ao meu lado, os adversários estavam paralisados, só meus companheiros corriam ao meu lado. Eram todos homens, estavam nus e eu vestida de noiva, tocando a bola até o gol adversário. Quando cheguei, sozinha, sem nenhuma marcação, chutei para fora e um buraco abriu onde entrei por ele e acordei na cama toda suada.
Interessante. Quer falar mais sobre isto?
Então, na quarta-feira...
Não quer voltar ao vestido de noiva e o buraco?
Sim, mas na quarta-feira estava dentro do banheiro, no final do corredor de um Boeing 747-8, a mais moderna aeronave comercial do mundo, com cerca de 450 passageiros, em uma viagem entre Fortaleza e Porto Alegre. Nisto um estridente alarme soou, e fui chamada imediatamente à cabine. Saí correndo completamente nua, imensa de gorda, seios caídos, e só tinha mulher nas poltronas, histéricas, descompensadas, tipo assim.
Interessante, pode falar mais sobre isto?
Claro, pois me deu um ódio danado. Todas, inclusive mamãe e minhas duas irmãs, além de uma dúzia de primas estavam dando nota para mim em uma tabuleta e nenhuma foi maior que três - aliás só mamãe me deu três, fora as vaias. Cheguei à cabine suada, arfando, desesperada e sob intensos protestos, gritaria, vaias, peguei o manche e pousei a aeronave em Caratinga. Fiquei arrasada com as notas ...
E tinha algum buraco?
Buraco, não lembro, espere, engraçado, já que perguntou, a pista era em um enorme buraco. Mas o pior foi na quinta-feira, quando eu era uma abelha, não uma abelhinha, era uma abelha-rainha, gordíssima, comendo doces e favos até entupir a garganta, e não parava de comer. O salão da colmeia era lotado de zangões, mas nenhum deles queria nada comigo e como estava muito gorda, não conseguia apanhá-los. Tentei sair por um estreito buraco e acordei toda suada e chorando ou zumbindo, sei lá.
E a sexta-feira?
Pois é, então, sexta e sábado não sonho nada disto. O que eu tenho que fazer? Estou preocupada.
Então; estar nu diante de alguém num sonho não quer dizer que você seja secretamente uma exibicionista ou sedutora; provavelmente significa que você está sendo aberta e vulnerável, sendo você mesma sem máscara, proteção ou condicionalismos culturais. Mas como estes sonhos sempre referem-se à você mesma, pode significar que perdeu ou sente falta de alguma qualidade que é auto representada. Eu sempre peço aos meus pacientes que geralmente nestes sonhos recorrentes de fuga, voos, quedas em buracos ou abismos, recolham os elementos que, ainda que pareçam insignificantes ou incongruentes com o resto do sonho, a fazem individualizar o nó de onde nasce o sonho e o caminho da autodescoberta e das futuras mudanças da própria interioridade.
Mas no seu caso, o que acho mesmo é que esta mania de começar a louca dieta mágica para emagrecer nas segundas-feiras e abandoná-las na sexta ainda é a maior causa destas suas experiências oníricas ...
PS este conto foi publicado em 09/05/2014, e agora sofreu uma revisão.
É isto aí!
terça-feira, 22 de agosto de 2017
Um poema sobre coisas tristes e desumanas
Acredito que há dois tipos de Homo sapiens
os humanos e os desumanos
Há aqueles que amam o próximo
São os humanos
Há os que odeiam o próximo
São os desumanos
Sim, humanos amam de forma centrífuga
indiferente do credo, da cor,
da opção sexual, da situação financeira
ou qualquer outro processo existente
inerente ao ser Humano,
E os desumanos?
Ora ora ora, amam a si mesmos
E só a si e aos seus e mais ninguém.
Desamam centripetamente
Desamam centripetamente
Que não mais os nomeemos Racistas
(eles adoram, amam serem racistas),
vão para o raio que os parta
são desumanos, insensíveis ao mundo
são outra coisa diferente da Humanidade
Pois não têm a humanidade em si.
Chafurdam como porcos,
e só isto que são - porcos
e que não mais ofereçamos pérolas a estes porcos.
É isto aí!
domingo, 20 de agosto de 2017
Ninguém volta ao que nunca teve
Naquele dia, que poderia ser apenas mais um dia na repartição pública, deu de ler o horóscopo, coisa que não fez sistematicamente durante toda a vida. Leu que seu signo estava Ascendente em Áries, o que lhe proporcionaria capacidade de realização, independência, coragem, energia, agressividade, competitividade, impulsividade.
Logo adiante estava escrito que Sol também estava em Áries, de onde concluía a astróloga que sua missão seria a de um pioneiro, com muita iniciativa, independência, coragem, impaciência, precipitação e agressividade.
No final, já emocionado, leu que Lua em Áries o deixaria emocionalmente agressivo, com extrema necessidade de independência e iniciativa.
Levantou lentamente e cheio de si olhou pela primeira vez com uma coragem desconhecida para a imensa e vazia solidão à sua volta, tocou-se para cientificar-se da sua existência e se encontrar ainda vivo no meio daquele deserto árido da sua nulidade diante o mundo. Fez a mala, vestiu uma roupa simples, calçou um sapato velho, e partiu para a conquista da sua liberdade e da felicidade perdida. Nunca mais voltou, ninguém o procurou, não havia a quem dar notícias e viveu infeliz para sempre em busca do tempo perdido em lugar nenhum.
É isto aí!
sábado, 19 de agosto de 2017
domingo, 13 de agosto de 2017
O que eu gosto do teu corpo (Julio Cortázar)
O que eu gosto do teu corpo é o sexo.
O que eu gosto do teu sexo é a boca.
O que eu gosto da tua boca é a língua.
O que eu gosto da tua língua é a palavra.
O escritor argentino Júlio Cortázar (1914-1984) é considerado um dos autores mais inovadores e originais de seu tempo, mestre do conto curto e da prosa poética, comparável a Jorge Luis Borges e Edgar Allan Poe.
Li e conheci este poema no Blog do Itarcio
sábado, 12 de agosto de 2017
Eu encontrei o amor dos meus sonhos
Rezou a noite toda pedindo a graça. Chorou, implorou, fez o Ofício de Nossa Senhora pelo menos umas três vezes, rezou o rosário com os quatro mistérios, fez a ladainha de São José, fez a Ladainha de Nossa Senhora, clamou em voz alta os salmos 28; 35 e 57. Explicou detalhadamente a cada santo, a cada anjo, a cada arcanjo, ao menino Jesus, a Deus, a Jesus Ressuscitado, enfim, deu todas as coordenadas para encontrar a sua cara metade.
As pernas já estavam dormentes, as câimbras iam e vinham, e ele ali, no sentido que achava reto. Era agora ou nunca, o o céu dava o que queria ou estaria com muita má vontade. Fez a campanha do quilo da Conferência São Vicente de Paulo, participou de cinco missas na semana, todas às seis da manhã, fez boas ações, ajudou idosos, visitou hospitais, foi nos asilos, nas creches, distribui sorrisos e palavras de consolo, enfim fez todas as bem-aventuranças que conhecia.
Sete horas da manhã, mal se aguentando pela dor nas pernas refletindo na coluna, tomou um banho frio, intenso, sem dar um gemido, pois fazia parte da conclusão da penitência. Tomou dois copos de água benta, benzeu-se três vezes antes de cada gole. Glorificava o Altíssimo, dava graças à vida e sentiu-se finalmente fortalecido. Vestiu o terno de cambraia azul claro, por sobre uma camisa gelo e uma gravata borboleta de azul marinho com minúsculas bolinhas também em tom gelo. Calçou o sapato social de verniz preto sobre uma meia preta e saiu sem olhar para trás.
Na porta lembrou-se de escovar os dentes. Voltou ao banheiro, retirou o paletó, as botoaduras de prata, desabotoou os dois botões do punho e dobrou parcimoniosamente a manga da camisa e caprichou na higiene bucal como nunca fizera antes, utilizando um dentifrício branqueador dessensibilizante. Reconstituiu-se e saiu à porta. A barriga fez um movimento conhecido, e era fiel ao horário. Foi ao quarto, retirou toda a roupa, peça por peça, colocando em cabides postados numa arara entre dois suportes da parede. Nu, voltou ao banheiro. Sentiu a necessidade de ler algo, travou a vontade e correu na sala, escolhendo Os Miseráveis, achou grosso demais, desistiu, o travamento estava estuporando, pegou um fininho, de contos machadianos e correu ao vaso.
Vitorioso e aliviado pela obra, dirigiu-se ao banho novamente, pois era de costume banhar-se após a batalha naval em águas profundas de vasos comunicantes. Enxugou calmamente, foi ao quarto, sentou-se à cama, e enxugou em detalhes ritualísticos e anatômicos, os pés. Findo o processo, revestiu o terno de cambraia azul, mas não gostou da gravata. Trocou-a por uma longa, clássica, vermelha com diagonais azuis escuras, e aquilo pedia uma camisa creme. Trocou a camisa, colocou a gravata, vestiu a calça, o paletó, prendeu o suspensório, afivelou o cinto e saiu à rua. Lembrou-se de que não havia se barbeado.
Retornou à casa, foi ao quarto, tirou toda a roupa, foi ao banheiro, ligou o chuveiro elétrico, aguardou a água superaquecer, ensopou uma toalha com aquela calda quente e colocou sobre o rosto, com um gemido contido e uma expressão de dor. Aguardou 6 minutos e 18 segundos, vigiado no relógio do corredor, estrategicamente de frente para a porta. Fechou a janela e a porta do banheiro para não pegar ar frio, retirou lentamente a toalha, passou um creme de barbear importado mentolado, e solenemente, quase em êxtase, escanhoou a face para que ficasse glabra, definitivamente glabra ao toque suave das suas mãos. Ao fim passou uma loção de hamamelis refrescante que inibia infecção e promovia coagulação rápida dos pequenos vasos sanguíneos atingidos.
Voltou ao quarto, e desejou trocar a camisa para uma vermelha, achou mais jovial, e a gravata deveria então ser fina e longa em tons pasteis. Deu um laço inglês perfeito, vestiu a calça, as meias, o sapato de verniz, o suspensório e então deu-se pela necessidade do colete. Colocou-o, Abotoou os punhos da camisa, colocou abotoaduras douradas combinando com o alfinete da gravata, ajeitou o cinto, vestiu o paletó e ao olhar o relógio no pulso, percebeu que ainda não o colocara. Abriu a segunda gaveta do lado esquerdo da cômoda, escolheu o relógio folheado a ouro, herança do avô, com pulseira corrente maciça também banhada em ouro.
Olhou para o relógio do avô e percebeu que estava sem os óculos, guardados cuidadosamente em estojo herdado do pai, visto que a armadura também fora herança paterna. Estava atrasado, pensou. Chegou à porta e percebeu uma fina garoa sobre a nublada cidade. Voltou, vestiu um sobretudo impermeável, britânico, bem como o guarda-chuva longo e colocou o chapéu panamá de enorme valor passional.
Ao chegar na calçada, não se lembrava do lugar, das casas, das pessoas, da rua, nem da sua própria personalidade. Manteve a calma, respirou fundo. Viu uma moça linda, do outro lado da rua, também com olhar perdido, sob uma sombrinha e uma capa floral, por sobre um elegante vestido rendado. Ela também o viu, acenou com leveza imperial e foi ao seu encontro. Foram se aproximando, se aproximando, se aproximando, até que o espaço entre os dois deixou de existir e passasse a ser o espaço entre suas vidas.
Estou sonhando, perguntou ele?
Sim, estamos sonhando, mas por favor, não acorde, disse a moça quase sussurrando.
E beijaram-se e abraçaram-se e amaram-se e defenestraram o real pelo onírico até que o sonho se deu por satisfeito.
É isto aí
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