domingo, 24 de setembro de 2017
quinta-feira, 21 de setembro de 2017
Tudo tão tenso.
Tudo tão tenso.
Estranho ...
escuta o barulho.
Percebe?
Está vindo
o som da corda
tensa
que vibrou
na Galileia.
É isto aí!
quarta-feira, 20 de setembro de 2017
13 - Odete, a rainha das ilhas virgens do Paranoá
Fui deitar pensando no Trump e no Tremer, dois furacões da mais alta potência, e dado ao cansaço pela defesa dos muitos tornados que andam acontecendo, dormi depressa mas acordei em sobressalto pelo estridente soar do meu Nokia original 12 anos único dono. Do outro lado da célula sussurra minha deusa onírica, Odete, a acrobata jet-set do Paranoá.
Conta a lenda de Brasília que Odete por mais de uma década liderou com maestria alguns grupos sociais emergentes neo-colunáveis para voos noturnos, abaixo do radar das maldades e da inveja, em viagens frequentes de avião a jato de determinado elemento poderoso de codinome Carmen, para ilhas paradisíacas do Caribe sob o exclusivo domínio de sua alteza imperial, a rainha velhinha daquela ilha do outro lado do Atlântico.
Uma vez em paraísos imperiais, fazia suas acrobacias para não permitir que a choldra da pátria amada juntasse o substantivo som com o verbo da 1ª conjugação negar, afinal o que se compra com o silêncio se nega nas palavras, se juntar dá papuda. Desta forma salvava a elite empoleirada das maldades da patológica mania que o povo tem de querer saber por que certos políticos e alguns personagens públicos da nossa história não pagam imposto.
- Odete, eu adoro ouvir sua voz ...
- Nossa, amore, fui na ilha virgem e voltei ...
- Não seriam ilhas ...
- Pensa amore, pensa bem ...
- Ah!!! Você sempre de bom humor, Odete. Eu te amo!
- Para tudo, para o trump, para o tsunami, para tudo, ai ... ai .... agora posso morrer em Goiás Velho!
- Nem vou perguntar o motivo de ser lá, mas a que devo a honra de te ouvir, meu bem?
- Nossa, me chamou de meu bem, é tudo que euzinha queria. Olha amore, meu alfa delírio, como você sabe, eu nunca faço delação, eu disse delação - não confunda, amore - eu nunca faço delação sem provas sólidas.
- Considerando que suas delações premiadas sempre têm substantivo, predicado, verbo e sujeito, antes de me atualizar, tenho só uma inofensiva pergunta, meu bem - No calor da delação haveria espaço para o ato falho, Odete?
- Ai, meu Deusinho do Planalto, vou ficar te devendo, viu? A verdade, amore, que não existem amadores no banco, nem no banco dos réus nem no banco dos reis da cocada, se é que me entende, amore.
- Entendo meu bem, agora ficou claro, mas a que devo a honra de te ouvir?
- Primeiro deleitar na sua voz, segundo que euzinha e Claudinho, meu pet-boy, achamos o máximo sua crônica com aquele nome latim esquisitérrimo, mas o negócio do carro dodge só para ricos, menino, demos gargalhadas e uivadas até a barriga doer.
- Claudinho Pet-Boy?
- É meu petpet, amore, ele é gaulês e acha lindo eu chama-lo de Claudinho Pet-Boy, por que ele é quase tudo em mim, juntado e misturado e batido num liquidificador, veja só ele é coiffeur; masseur; esthéticienne; nutritionniste; personnel alpha; maquilleur; confesseur; amoureux des étoiles; conducteur et pervers personnels.
- Nossa, Odete, sem palavras, mas apesar de não entender nada de francês, entendi a função do rapazote, mas voltando ao tema, a que devo a honra?
- Bem, amore, dia destes estava compartilhando Claudinho, meu petpet, com a Adalgiza X, Frígida U e Creuzadete K, umas coleguinhas dos tempos universitários, quando éramos insuperáveis e abalávamos o eixo.
- Entendo, Odete ...
- Bem, elas me disseram que ouviram de um amiguinho de biblioteca, a quem prestam serviços literários, digamos assim, uma revelação em total confidência que escutou da boca entreaberta da colunabilíssima Juju Catapora, que soube pela esposa do Adamastor, que escutou da Catarina Zelda, que recebeu a notícia via whatsapp da Francisquinha Tetas, que leu no instagram enviado pela Madalena da Quatros, cuja alcunha se deve aos serviços prestados aos quatro cavalheiros do apocalipse do planalto, que o sonho do Don Miguel, o Velho é ser coroado ainda em vida.
- Coroado, Odete? Com cetro e tudo?
- Isto, amore, coroado e aclamado em praça pública, desfilando em tapete verde, por que vermelho sabe né amore - não pode, vindo logo atras sua Lady recatada e do Lar e uma pequena comitiva de 300 deputados, 40 senadores, algumas dezenas de servidores públicos sob segredo de função, oficiais disto e daquilo, e nas arquibancadas a nata, a finesse, o crème pâtissière da corte globalista ensandecida.
- Isto é sério, Odete?
- Seríssimo, amore, mas só ainda não ocorreu porque há um enorme e único medo de vossa majestade: vai que no meio do caminho alguém - sempre tem um espírito de porco - começa a gritar em cadeia nacional - o rei está nu ... o rei está nu ...
- Nossa, Odete, toda esta conversa me deu uma arrepiada ...
- Vem, amore, vem me ter em Brasília, sai deste interior e vem explorar meu exterior, vem amore, o que lhe custa me ter? Vem ser meu rei ...
- Nossa, Odete, falando assim, eu ... eu ... eu ... alô, alô??? Merda, caiu a ligação, e justo agora tinha que baixar o espírito do rei gago em mim?
É isto aí!
terça-feira, 19 de setembro de 2017
Populus novifacta
Ainda não conseguira assimilar as notícias da semana anterior e ontem vieram mais reportagens de alto conteúdo intelectual na grande e honesta e imparcial mídia tupi-guarani deitada eternamente nas tetas da mãe pátria, digamos assim.
1 - Foi empossada uma nova autoridade nacional que afirmou o dever de garantir que ninguém esteja acima ou abaixo da lei.
Sou do tempo que Dodge era carro de médico ou de rico. Os dodge dos médicos eram brancos. Mas, tudo bem, vamos ao que interessa nisto tudo:
O poder superior estuda devolver o processo contra o Golpista de Plantão à nova autoridade empossada para "revisão analítica". Quatro senhores da alta corte já se manifestaram neste sentido.
É aí que o "ninguém" começa a fazer sentido ...
2 - O Golpista de Plantão descalçou seu vulcabrás diante da magestade (sei, é com j, mas no caso o g fica melhor, afinal é uma magestade mor dos magestadinhos), recapitulando - descalçou diante do supremo padrinho das maravilhas do poder corrompido. Que lindo, foi lá só para dar o que não era dele, afinal no dos outros não dói no seu eu interior de baixo para cima.
3 - Os grandes agentes da lei e do bom uso delas para a salvação, libertação e gozos múltiplos da raça humana voltaram os olhos para o tratamento de pessoas que não estão no padrão determinado pela tradição, pela família, pela propriedade e pela fé de se manterem relacionados de forma não convencional conforme modos e costumes constantes e vigentes em todo o planeta para atender aos eleitos mamíferos bípedes com polegar opositor capazes de raciocinar e de se tornar inimigo de outro que raciocina de forma diferente.
O que é ser convencional? O que uma pessoa tem a ver com a vida da outra que não está inserida na sua vida? Não basta o racismo imbecil pela pigmentação da pele, pelo cabelo, o preconceito pela condição social, a pedofilia, as taras convencionais medidas na multiplicação dos milionários sites pornográficos, dos sex-shops virtuais e reais?
Eis que mais uma vez a maravilhosa, esplendorosa, e super-gozosa tradicional família do império dos homens de bem determina que os filhos dos outros podem e devem ser tratados para voltarem do desvio de conduta ao qual se infiltraram, quer seja por livre e espontânea vontade, quer seja por livre e espontânea pressão.
Faltou dizer que caberá ao Estado honrar pela cura dos seus súditos, menos os que conseguem disfarçar num típico engana-mamãe e permanecem quase iguais aos convencionais do bem. Aos degenerados, impudicos, maculadores da ordem social, aos desviados e desviadas, aos desveados e desveadas, saibam que a partir de agora deverão permanecer incólumes, nem acima e nem abaixo da lei ... - agora faz sentido total o dura lex apud populus novifacta!
É isto aí!
domingo, 17 de setembro de 2017
Villa-Lobos: Bachianas Brasileiras 4 - Orquesta Simón Bolívar & Roberto ...
Bachianas brasileiras é uma série de nove composições de Heitor Villa-Lobos escritas entre 1930 e 1945. Nesse conjunto, escrito para formações diversas, Villa-Lobos fundiu material folclórico brasileiro (em especial a música caipira) às formas pré-clássicas no estilo de Bach, intencionando construir uma versão brasileira dos Concertos de Brandemburgo. Esta homenagem a Bach também foi feita por compositores contemporâneos como Stravinski. Todos os movimentos das Bachianas, inclusive, receberam dois títulos: um bachiano, outro brasileiro.
São trechos famosos de Bachianas a Tocata (O Trenzinho do Caipira), quarto movimento das n° 2; a Ária (Cantilena), que abre as de n° 5; o Coral (O Canto do Sertão) e a Dança (Miudinho), ambos nas n° 4.
Bachianas brasileiras n° 4 para piano (1930-1941, tendo sido orquestrada em 1942):
Foi composta para piano a partir de 1930, mas estreada somente em 1939. Recebeu novo arranjo para orquestra em 1941, estreando em meados do ano seguinte. Esta obra contém quatro movimentos:
Prelúdio (Introdução) - Lento
Coral (Canto do Sertão) - Largo
Ária (Cantiga) - Moderato
Dança (Miudinho) - Muito animado
Non pensare a me
Composição: Claudio Villa
Non pensare a me,
Continua pure la tua strada senza mai pensare a me.
Tanto, cosa vuoi, c'è stata solo una parentesi fra noi.
Forse piangerò ma in qualche modo, bene o male, tu vedrai,
Mi arrangerò
Anche se mai più sarò felice come quando c'eri tu.
La vita continuerà, il mondo non si fermerà.
Non pensare a me,
Il sole non si spegnerà con te.
Non pensare a me,
Continua pure la tua strada senza mai pensare a me.
Forse piangerò ma in qualche modo, bene o male, tu vedrai,
Mi arrangerò
Anche se mai più sarò felice come quando c'eri tu.
La vita continuerà, il mondo non si fermerà.
Non pensare a me,
Il sole non si spegnerà con te
Não Pense Em Mim
Não pense em mim
Tradução livre
Não pense em mim,
Continue no seu caminho
sem jamais pensar em mim.
Então, como você desejou,
houve apenas um monento entre nós.
Talvez eu vá chorar,
mas de alguma forma,
bem ou mal, você verá,
Eu me arranjarei
Mesmo que nunca mais
fique tão feliz quanto quando você estava comigo.
A vida continuará, o mundo não vai parar.
Não pense em mim,
O sol não vai acabar por você.
Não pense em mim,
Continue no seu caminho sem jamais pensar em mim.
Talvez eu vá chorar,
mas de alguma forma,
bem ou mal, você verá,
Eu me arranjarei
Mesmo que nunca mais
fique tão feliz quanto quando você estava comigo.
A vida continuará,
o mundo não vai parar.
Não pense em mim,
O sol não vai acabar por você
Provided to YouTube by Universal Music Group
Não Pense Em Mim (Non Pensare A Me) · Trio Irakitan
Nova Bis - Trio Irakitan
℗ 1967 EMI Music Brasil Ltda
Released on: 2005-01-01
Composer: Alberto Testa
Composer: Eros Sciorilli
Composer: Nazareno de Brito
Auto-generated by YouTube.
domingo, 10 de setembro de 2017
Papo de Esquina XL
- Mas e o Fri-boy, hem?!?!? O que foi aquilo? Enquadraram o homem ...
- Eu diria que foi picado pela mosca azul ...
- E abobado com a possibilidade caiu no conto do Paco do Janotinha ....
É isto aí!
- Eu diria que foi picado pela mosca azul ...
- E abobado com a possibilidade caiu no conto do Paco do Janotinha ....
É isto aí!
sexta-feira, 8 de setembro de 2017
Este é um conto de ficção - só acontece em livros, filmes e romances baratos.
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| Sistemáticos |
Conta a lenda que os tempos eram difíceis no velho oeste. O sistema tinha várias formas de manter a lei e a ordem natural das coisas, utilizando recursos disponíveis em todas as castas da sociedade.
John Legstorm Sunford estava convencido que as dificuldades nunca abandonaram o povo. Naquela tarde, diante do púlpito, conteve as lágrimas para dar uma palavra de conforto à família do amigo, as frases foram saindo mais pelo sentimento de impotência do que pela coragem de dize-las:
Joe Malcom Smith era um homem bom, tranquilo, trabalhador que naquele dia saiu cedo de casa e deu-se conta de ter esquecido a carteira no criado mudo. Resolveu voltar quando foi abordado por pessoas sistemáticas e sem documento foi detido para averiguação.
Na empresa especializada em sistemas para receber pessoas abordadas constava uma ordem de prisão para um homônimo de significativa periculosidade. Imediatamente foi transferido para a capital. Levado ao Abrigo Sistemático de alta segurança, pensando na esposa, nos filhos e no que o aguardava, desesperado, com medo, pânico e aflição, atentou contra a vida ao se jogar sob o automóvel que partia.
O treinamento aguçado dos agentes sistemáticos impediram a "tentativa de fuga". Imediatamente seguro pelo cós da calça, foi a custo de tapas, chutes e agressões diversas sendo enxotado até o calabouço, onde encontrou paz, isolado de tudo e de todos.
Enquanto seu corpo doía e seu raciocínio lógico dava sinais de loucura, explodiu uma rebelião com dezenas de mortos e feridos no ambiente ao nível do solo. Não morreu "pela sorte" de estar na solitária, apesar de ter sido sufocado pela fumaça dos colchões e panos queimados. Encontrado três dias depois em estado de confusão mental, finalmente foi identificado, não constando nenhum crime à sua história de vida. Entrou na fila de espera pelo alvará de soltura, e dois anos depois estava livre.
Ao sair do ambiente sistemático, teve uma bala "perdida" atravessando o cérebro - alguém colocou sobre seu frágil corpo o pensamento do dia - "A nice bandit is a dead bandit"
Alguns dias depois da despedida do amigo, John Legstorm Sunford foi abordado por umas pessoas, sistemáticas - foi levado a local incerto e não sabido ...
É isto aí
quarta-feira, 6 de setembro de 2017
Tim Maia (Como Uma Onda - Zen Surfismo)
Em 1993, a Rider ganhou um comercial com Tim Maia cantando Zen Surfismo - Como Uma Onda. A música foi um fator que ajudou a manter muitas das criações da W/Brasil no imaginário popular – e com esse filme não foi diferente. Sempre muito bom poder relembrá-lo!
Ficha Técnica: Agência W/Brasil / Cliente Grendene S/A / Produto Rider / Título "Como uma Onda" / Produtora: Jodaf. Prod. Cin. Ltda
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Ouça por onde preferir: http://wcast.hubmidia.com/
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Acompanhe o W/Cast em todas as plataformas:
Instagram: https://www.instagram.com/wcast.podcast/
Facebook: https://www.facebook.com/WCast-por-Wa...
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O W/Cast é uma produção original HUB Mídia.
“Como uma Onda” é um dos resultados da parceria Lulu Santos (1953) e Nelson Motta(1944).
Lulu foi Roqueiro precoce, aos 12 anos tocava com os Cave Man, banda de cover dos Beatles. Ao longo dos anos de 1970, emprestaria sua guitarra ao Albatroz, Veludo Elétrico, Veludo e Vímana, no qual tocou com o então flautista Ritchie e o baterista Lobão. Depois de um tempo como músico free-lancer, estreou carreira solo, com o nome de Luís Maurício, lançando um compacto. Na ´decada de 80, já com o nome de Lulu Santos emplaca um sucesso atrás do outro., inclusive “Como uma onda”.
Devido ao grande sucesso, Lulu foi convidado para participar da primeira edição do Rock In Rio, em 1985. Sua apresentação cantando “Como Uma Onda”, acompanhado pelo coro da multidão, foi um dos momentos memoráveis do evento.
A música, enorme sucesso na voz de Tim Maia, foi gravada por cantores dos mais diferentes estilos musicais (Zizi Possi, Roupa Nova, Ângela Maria, Nelson Gonçalves) e nacionalidades (Richard Clayderman, Bia).
Foi tema de abertura da novela “Como Uma Onda (2004 - Lulu Santos). Esteve ainda nos filmes “Chega de Saudade (2007 - ), “Garota Dourada” (1984–Ricardo Graça Mello) e na novela “Marisol ( 2002 -Lulu Santos)
COMO UMA ONDA
(Lulu Santos / Nelson Motta)
Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa
Tudo sempre passará
A vida vem em ondas
Como um mar
Num indo e vindo infinito
Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente
Viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo
No mundo
Não adianta fugir
Nem mentir
Pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Nada do que foi será
De novo do jeito
Que já foi um dia
Tudo passa
Tudo sempre passará
A vida vem em ondas
Como um mar
Num indo e vindo infinito
Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente
Viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo
No mundo
Não adianta fugir
Nem mentir pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
CEO da Corrupção Endêmica.
- Boa tarde, sente-se por favor.
- Obrigado.
- O senhor veio para a entrevista ...
- Sim, para a entrevista.
- Temos três vagas em cargos distintos, e pode ser que o senhor não se adapte ao perfil de um serviço, mas seja providencialmente indicado para outro.
- Tomara que sim, é tudo que preciso, sabe, os tempos estão ruins.
- Vejo aqui que o senhor foi indicado pelo deputado estadual Clepto Filho, pelo deputado federal Dr. Clepto Bandire, o que já nos causou uma excelente impressão.
- Muito obrigado, o senhor é muito gentil.
- Só um momento, preciso atender ao telefone - olá Senador, que surpresa agradável - sim ele está aqui na minha frente, pode deixar, senador, faremos tudo que for possível. - Era o Senador Vil Canaglia, homem finíssimo, de carreira brilhante, ele está recomendando o senhor.
- Nossa, nem sei o que falar. Ele é um pai para mim.
- Bem, vamos direto ao ponto e dispensar as formalidades. Dado ao relevante apoio das principais estrelas que vestem com fé a camisa verde amarela e batem panela pelo bem da pátria, já sei como utilizar o senhor na nossa empresa.
- Me sinto honrado e sou todo ouvidos.
- Bem, para atender a este público da nossas elite, gente branca de alma branca, probos, intelectuais puros, defensores da pátria, da família, da liberdade e da propriedade em nome da fé, eu estou desde já nomeando o senhor como nosso CEO da Corrupção Endêmica. O senhor vai fazer a justiça andar neste país, o senhor vai promover os valores da casta mais alta da sociedade.
- Nossa, estou emocionadíssimo ...
- Não chore, por favor, por favor ... Dona Marta, Dona Marrrrtaaaa!!! Traga uma água com açúcar, limão e gelo e para o nosso novo CEO ... fique à vontade, doutor, o senhor está em casa. Não chore, doutor, por favor ... Dona Marrrrtaaaaa!!!!! Trás um chá de erva cidreira também ...
É isto aí!
terça-feira, 5 de setembro de 2017
Preciso falar da poesia de Lilian Amadei Sais
Mais uma vez fui no Blog do Itárcio (imperdível) e achei, e conheci ou descobri o que estava coberto desta moça paulistana - Lilian Amadei Sais, que é doutora em Letras, pesquisadora e tradutora da área de grego antigo.
Paulistana de nascença e fumante assídua por opção, é também leitora voraz da literatura brasileira contemporânea e coeditora da Revista Libertinagem. Participa da organização de diferentes Saraus espalhados pela Pauliceia. Gosta de samba, cerveja e poesia e é defensora da boemia, de piadas ruins e das conversas descompromissadas de mesa de bar. Os amigos dizem que é uma peste, mas que cozinha bem. Ela nega.
Aqui quatro poemas de tirar o fôlego:
1º - "Manual pornodidático para homens - uma amostra"
I
raros são aqueles
que me beijam a sombra
entre as coxas:
pra maior parte sou apenas
buraco penetrável,
boca, cu e cona,
chegam logo me enfiando a rola
em dez minutinhos
de estocada frouxa
e está acabado:
meus caracóis ainda secos
e o macho já vira de lado.
pra um dei um manual
de anatomia, bem explicado,
mas ele entender zona erógena
foi trabalho de parto,
e meu metro de busto
permaneceu intacto.
tudo que digo agora é
vida longa às pilhas,
porque não anda fácil:
esse jeito de foder,
meninos, está todo errado.
II
pra homem tudo é uma questão de falo:
se a vara falha, a noite finda
eu a vida toda me queimando,
ávida, só com dois dedos em riste,
e o menino com dez não faz
nada, me deixa triste.
eu chego em casa frustrada
e mando o burro comer alpiste
- meu bem, de sexo ruim já estou passada,
foi a última vez que me despiste.
2º - Cremação
tenho dois cinzeiros
e um quarto de cinzas:
sobre o casaco, o chão,
a escrivaninha, a cadeira,
os remédios, o batente
da janela,
- tragada útil porque vírgula, pausa,
hiato, fenda, precipício,
xingamento calado,
suspiro disfarçado,
locomotiva descarrilhada da necessidade de ainda ser gente –
o que o vento leva
a chuva fixa,
cinzas simplesmente cinzas,
feitas de erupção portátil
e dispersas pelo hálito, sopro,
pelo vento,
feito eu.
3º - Trítono
(Para Teofilo Tostes Daniel)
porque grávida
de ausência
urge o sorriso grávido
de alguma falta,
ruído grave, gestando
o impronunciável,
urgem lábios, margens
obscenas da inundação
possível, sorriso
discreto, palavras impressas,
parto, farol de ruas
sem esquinas, ruas-rio,
(quero morar numa cidade sem esquinas,
meus olhos ardem,
tenho uma pasta de artigos urgentes dentro de uma pasta de artigos urgentes dentro de uma pasta de artigos urgentes,
o corinthians foi campeão,
o preço dos tomates & a crise política & a meteorologia)
há meses
(são apenas dois olhos
duas pernas e dez dedos para tantas
urgências no mundo que,)
transbordo.
- porque grávida
de alguma ausência
que o CID
não gera
entre as margens
absurdas da normalidade
o abismo
fere e confunde,
meu bem
4º - Prazos
digo sexta porque
soa longe, digo sexta
como quem diz
outra vida,
porque essa semana
já é bastante,
como a anterior,
a outra, a próxima,
a existência percorrida,
esse correr inexorável
de existir, ser gente
e não criado-mudo,
cômoda de três gavetas,
capa de chuva,
porta-níquel,
- desenho na parede -,
digo sexta porque
não é hoje, e isso,
se não me basta,
já me serve
um bom tanto:
apenas hoje,
não.
Pensamento do dia da pátria tupi-guarany
Sempre foi assim
O povo aduba
agua planta
agua planta
planta planta
aí subitamente
como um hobby
vem o ladrão
como um hobby
vem o ladrão
e arranca
todo o jardim
num só golpe.
num só golpe.
É isto aí!
Ray Charles & Mary Ann - Sweet Memories
Sweet Memories " é uma canção de Mickey Newbury , trazida ao sucesso por Andy Williams . A canção alcançou a posição 4 na parada adulta contemporânea e a posição 75 na parada da Billboard em 1968.
Fonte letra da música: letras mus
Sweet Memories
My world is like a river, mmm, as dark as it is deep
Night after night, the past slips in, and gathers all my sleep
My days are just an endless stream of emptiness to me
Filled only by the fleeting moments of her memories
Sweet memories, oh Lord
Sweet memories, oh Lord
He slipped into the silence of my dreams again last night
Wandering from room to room, turning on the lights
Your laughter spills like a river of water out the sea
I'm swept away from sadness clinging to your memory
Sweet memories (Sing it)
Sweet memories, oh oh
Hey now
Fonte Youtube: Jan Hammer
sábado, 2 de setembro de 2017
sexta-feira, 1 de setembro de 2017
Ela roubou minha ausência
Ela usa meias soquete
uma laranja outra azul
com sapatos oxford
de salto marrom
sob as pernas lindas
e uma cabeça brilhante
e uma cabeça brilhante
sobre um corpo mignon
Na doçura do jazz
flutua nos arranjos
feito Stan Getz
tem olhos profundos
dois olhos dois mundos
cabelo caramelo cacheado
e boca carmim - linda
Roubou minha ausência
meu non sense de amor
ou me deixei roubar
quando perdi o tom
quando perdi o tom
pela moça das meias soquete
do jazz profundo
no salto do oxford marron
É isto aí!
Nem tudo são flores
Conheceram-se na infância,
enamoraram na adolescência,
casaram-se na juventude
e viveram tristes para sempre
É isto aí!
enamoraram na adolescência,
casaram-se na juventude
e viveram tristes para sempre
É isto aí!
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| The Seagull |
quarta-feira, 30 de agosto de 2017
Tudo passa
Desceu a rua no sentido centro, sem se preocupar com tráfego, pessoas e movimentos urbanos, enfim , sem maiores preocupações, inclusive esqueceu até o motivo de ter ido à casa naquela hora da manhã. Os passos foram reduzindo a velocidade, o pensamento foi sendo retardado, a paz foi dominando o ambiente do grande salão mental enquanto andando andando ainda não se deu conta onde estava indo.
Perdeu completamente a noção do tempo, chegou num lugar onde achou as casas diferentes, as pessoas diferentes, tudo muito estranho. Sentou no banco de uma praça florida, muito bem cuidada, olhou em volta e não tinha a menor ideia de onde estava. Enquanto isto na porta da casa estava o Samu tentando reanimar o corpo sem vida, mas o infarto foi fulminante, segundo o médico da equipe.
Oswaldinho mudou de cidade, Dolores ficou só e o cachorro fugiu. Oswaldinho perdeu o brilho de conquistador, Dolores perdeu o corpo sedutor e o tempo seguiu. Tudo passa, tudo tudo passa.
É isto aí!
sábado, 26 de agosto de 2017
Tecendo a teia da ausência
Traço de memória
sua silhueta delgada
com braços longos
corpo delicado
em quintessência
Nela teço a vida
em quatro terços
parte menino
parte homem
parte você
parte ausência
teço o menino
em três terços
parte sonhos
parte medos
parte viver
teço o homem
em três terços
parte trabalho
parte desejo
parte sofrer
teço você
em três terços
parte mulher
parte amada
parte haver
teço com a dor
sua ausência
em muitos terços
partes tristeza
partes solidão
partes jazer.
É isto aí!
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