Sonhar não é para principiantes.
Sonhar pode ser intransitivo,
Sonhar pode ser do tipo transitivo
Em Janeiro/22 recebi a terceira dose da vacina e achava que tudo corria bem. Em abril/22 fiz aqui o passo a passo da manifestação do Covid na minha vida. Segundo os médicos, a ciência e a minha experiência farmacêutica, meu quadro foi atenuado pelas vacinas, porém, mesmo assim foi uma experiência muito muitíssimo desagradável. Supostamente, pelos sintomas, fui vitimado pela variante Alfa.
Agora, novamente com um quadro clínico que levou ao exame, o teste positivou. Os sintomas sugerem a manifestação da variante Beta. Tenho febre, muita tosse, dor de garganta, falta de ar, enjoo, dor no corpo, cansaço, sudorese, fadiga e muita sonolência.
Vai passar, mas enquanto não passa, é tenso.
É isto aí!
- Bom dia, entre.
- Estou bem aqui.
- Estou vendo, mas estará melhor ao entrar
- O que há de tão importante que me faça sentir melhor aí dentro?
- Nada é mais importante aqui do que falarmos das suas emoções.
- Então o objetivo é só este??
- Não, claro que não. Um dos maiores objetivos é criar um vínculo entre terapeuta e paciente, a fim de compreender os processos reprimidos pelo seu subconsciente, que geram sintomas como a angústia ou a ansiedade entre tantas outras emoções.
- Criar um vínculo? Processos reprimidos? Angústia? Não estou entendendo nada.
- Não se preocupe com isto. Todo esse acompanhamento é realizado por meio da interpretação das suas ações e seus pensamentos, e - maktub - a boca fala do que está cheio o coração.
- Estou confusa...
- Também auxiliarei você a descobrir-se e tornar-se quem você é.
- Você está conjecturando que esta que eu sou não sou eu mesma?
- Venha, entre. Aqui fora estarão ouvindo nossas conversas.
- Não ligo para o que outros pensam, falam e veem em mim. Minha vida é um livro aberto.
- Mas é um livro pronto e acabado?
- Sim, claro, em edição de luxo.
- Feito um caixão?
- Como assim? Minha vida é ...
- Sim, sua vida é ...
- Estou morta? Por isto sou um livro editado, pronto e acabado?
- Quer continuar o velório aqui ou descobrir páginas em branco a serem escritas, no divã?
- Melhor entrar. Mas não me conte o final.
É isto aí!
Gal,
Quero que este momento perenize tanto quanto a sua voz na minha memória. Triste Bahia! ó quão dessemelhante, eternizou o imortal e insepulto Gregório de Matos.
Vapor Barato, ícone da contracultura encantada pela Gal me permite trazer à luz o bahiano Gregório de Matos com sua vertente satírica da poesia e multiplico a Bahia de todos nós e de todos os santos: Triste Brasil! ó quão dessemelhante.
Já falei que amo você, amo sua voz, seu jeito, suas qualidades para nos ensinar que é preciso estar atento e forte, sermos guerreiros, argonautas, doces bárbaros. Vou pedir licença para ficar triste, e para agradecer por ter doado sua arte para nós..
Tudo valeu a pena, assistir seus shows, escutar seus discos e saber que você estava ali, ao alcance do meu amor.
Vapor Barato é o hino da contracultura traduzida por você para a minha geração:Fonte da imagem: Gal Costa, LP Gal Costa (Capa Foto) - LP Vinil
É isto aí!
Atravessei a estreita rua e no meio dela, ao olhar para a direita, vejo-me, encliticamente, numa avenida enorme e cosmopolita, porém o frio, a chuva fina e o vento confirmavam que aquilo ainda era Juiz de Fora. Encolhi os ombros, deixei o tempo se embrenhar nos segundos do dia e cheguei à casa que aparentemente era conhecida. Ao abrir a porta, pessoas corriam de um canto para o outro no interior do imóvel. Preparavam um evento destes psicocibernéticos revolucionários da mente e do espírito.
A psicocibernética, como sabem, é a mãe da Inteligência Emocional e avó do Coaching moderninho, nascida nos anos de 1950 nos Estados Unidos pelas mãos do médico Maxwell Maltz, e Juiz de Fora, cidade com o maior número de psicólogos per capita do mundo. deve muito da proliferação psi a esta teoria maxwelliana.
Bem, preciso voltar ao sonho. A casa é um velho sobrado dos épicos tempos áureos da Manchester mineira. Subo a escada em caracol que abre-se para um mezanino confortável. Ao fundo havia uma moça, destas de lindeza linda, sentada numa confortável cadeira abdutora que potencializava a mobilidade dos seus belíssimos membros inferiores, além de ajudar na coordenação motora e fortalecer os músculos do quadril, da coxa e da região lombar. De pé, ao seu lado, um personal trainer. Fiquei meio que com ciúme de vê-la ali com um personal, mas contive a ira.
Reparei que as flores começaram a desaparecer antes do combinado e algumas pessoas ficaram eufóricas com aquilo. Olhei para a esquerda onde haviam duas grandes janelas de vidro e madeira. Estavam abertas. Não era o combinado. Uma pessoa estranha me disse que estavam abertas para facilitar a fuga das pessoas que roubavam as flores.
Não sei se percebi ou foi intuição de que aquilo tudo estava errado e fora de ordem. Uma pessoa aproximou-se e apresentou-me uma mulher muito simpática e empática. Disse que esta mulher era do serviço de inteligência floral e que tinha uma coisa importante para falar.
E a mulher simpática e empática olhou no fundo dos meus sonhos e disse uma frase épica de Maxwell Maltz:
"O êxito na vida não significa apenas ser bem sucedido, mas também sobrepor-se aos fracassos."
Foi aí que percebi que aquele personal trainer não era personal merda nenhuma. Pulei a janela, segui na direção da minha sincera e fiel bicicleta Phillips, onde pedalei epicamente até a grande e acolhedora cidade de Ewbank da Câmara, de onde embarquei para Pasárgada no vôo noturno.
É isto aí!
Sempre que ela citava a motivação, crenças e valores, passava como um letreiro na sua mente a frase lida muitas vezes no banheiro do bar que frequentava antes da união estável: - Na subida do Everest existem centenas de corpos abandonados. Lembre-se de que cada cadáver ali largado pelos amigos já foi um dia uma pessoa altamente motivada.
Ela dizia calmamente com a voz rouca e compassada: - Perdeu o emprego de novo? Empreenda, já falei isto tantas vezes para você. Novo letreiro passava na mente - É fácil dizer isto, mas tente explicar para um motoboy que aquilo não é empreendedorismo e ela fala como se o empreender fosse uma fórmula infalível para se encontrar o pote de ouro no fim do arco-íris.
Apertou as duas mãos, dedos machucando as palmas suadas, olhou nos olhos da moça, respirou fundo, contou até seis, controlou a tensão, relaxou a musculatura do tórax, e sem retirar os olhos dos olhos dela, disse - estou indo embora.
- É? É mesmo? A criança vai voltar para a casa da mamãe?
- Apesar de não ser da sua conta, a resposta é não.
- Como assim "não" (fazendo as aspas com os dedos das mãos)?
- Estou saindo, por favor devolva a chave para a porta e saia da minha frente.
- Só se disser para onde está indo. Não estou pedindo nada demais, só quero saber, vai que esqueceu algo.
- Eu não esqueci nada, já levei tudo que precisava.
- O que? Como? Quando foi isto?
- Hoje de manhã enquanto se arrumava no salão. Agora por favor, coloque a chave de volta ou terei que usar a saída pela área de serviço.
- Quer saber, vai para o inferno, vai para a merda da sua vidinha proletária intelectualizada, mas espera, como vai ficar o aluguel, o condomínio, a luz, o gás, a netflix, a internet, o supermercado, meu salão, a Yoga? Hem? Cadê sua responsabilidade?
- Você exigiu que tudo ficasse no seu nome, lembra? Era para aparecer nos cadastros, nos currículos, fazer média no banco, aparecer para as amigas, etc. Então se vire. Por favor abra a porta e saia da frente.
- Tudo bem, tudo bem, me viro, mas só sairá daqui se falar para onde está indo. Afinal me deve ao menos esta informação. Não sou uma pessoa má que destruiu sua vida.
- Você é uma pessoa má que destruiu a minha vida. Por favor abra a porta e saia da frente.
- Se está com pressa, pule a janela, quer saber, vai embora logo, você me dá nojo. Passa, cachorrinho. Babaca, meninão, idiota, vai embora.
- Já no corredor, como os minutos para a chegada do elevador pareciam uma eternidade, principalmente por que ela continuava ali, com rígida postura e olhar fatal, resolveu fugir da ira descendo pela escada e o homem que até então estava seguro, quando se viu só desabou, pôs-se a chorar e soluçar como uma criança até chegar na garagem torcendo para não encontrar com alguém, e partiu para a casa da mamãe.
É isto aí!
Fonte da imagem: Lauren Bacall