sexta-feira, 12 de setembro de 2014

HELENA MEIRELLES - CHALANA

Helena Meirelles: uma das 100 melhores instrumentistas do mundo, segundo a revista americana Guitar Playerem EM violas de seis, oito, 10 e 12 cordas. Teve o voto do guitarrista britânico Eric Clapton, um dos melhores de todos os tempos.

Em vida, a violeira Helena Meirelles (1924-2005) foi eleita, em 1993, pela revista norte-americana Guitar Player como uma das 100 melhores instrumentistas do mundo, em violas de seis, oito, 10 e 12 cordas. Teve o voto do guitarrista britânico Eric Clapton, um dos melhores de todos os tempos. Em 2012, seu nome foi incluído, pela revista Tolling Stone Brasil, na lista dos 30 maiores ícones brasileiros da guitarra e do violão, na categoria Raízes Brasileiras.

A violeira nasceu em 13 de agosto de 1924 na fazenda Jararaca, às margens do Rio Pardo e da estrada boiadeira que ligava a capital Campo Grande ao Porto XV, em Bataguassu. Cresceu em meio aos peões de boiadeiro, das comitivas e de violeiros. Despertou o desejo de tocar muito cedo, mas a cultura machista impunha a proibição de seus pais. Então, aprendeu a tocar por contra própria, às escondidas; até que seu tio Leôncio Meirelles descobriu e lhe deu apoio, por conta do enorme talento.

Helena ficou conhecida nas festas da região e pelos boiadeiros. Nunca frequentou escola. Casou-se aos 17 anos e teve três filhos, mas deixou a marido aos 21 anos, por conta dos ciúmes dele. Juntou-se com um paraguaio que tocava violão e violino com qual viveu mais de oito anos e tiveram dois filhos. Ao entregar os cinco filhos para pais adotivos; foi viver no bordel. Ao todo teve 11 filhos e fez os próprios partos. Ficou 35 anos com seu terceiro e último marido.

 O prestígio internacional e nacional
Isso ocorreu aos seus 70 anos, depois que tinha sido dada como desparecida pela família e foi encontrada por parentes que a levaram para a região metropolitana de São Paulo. Seu sobrinho Mário Araújo enviou carta, fotografias e gravações em fita cassete para a revista Guitar Player. A partir daí foi reconhecida com instrumentista e esteve envolvida em vários projetos, tocando com renomados artistas, a exemplo de Almir Sater.

Em 2004, foi produzido um filme do gênero documentário, dirigido por Francisco de Paula e com trilha sonora da própria Helena Meirelles que morreu aos 81 anos, no dia 28 de setembro de 2005, em Campo Grande, vítima de pneumonia crônica.

O radiocumentário produzido por Jeferson teve a orientação do professor Homéro Ferreira e avaliação das professoras Giselle Tomé e Maria Luísa Hoffmann, como TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) na Faculdade de Comunicação que agora tem o nome de Escola de Comunicação e Estratégias Digitais da Unoeste.

Fonte do Vídeo: Youtube
Página da publicação: Jaime Silva




quarta-feira, 10 de setembro de 2014

A mineira

Alto lá - este texto não é meu
Confesso que achei bom demais da conta, copiei e colei
Copiei daqui: http://xicosa.blogfolha.uol.com.br/2012/07/20/sexo-e-em-minas-o-resto-e-sacanagem/
Colei dele: Xico Sá


Essa impressão eu tive desde a primeira vez. No casamento com uma delas não havia mais dúvida. Coisa findas muito mais que lindas. Mas ainda carecia de rodagem e meditação nas montanhas para escrever com mais tutano e propriedade.

Carecia de mais depuração no alambique de Salinas ou Januária. Precisava comer mais frango com quiabo na serra do Rola-moça.

Agora não há mais dúvida: há realmente algo de especial na mulher mineira. Se você pedir que eu me explique melhor sou incapaz de fazê-lo. A mineira tem um “je ne sais quoi”. E pronto.

Um não-sei-o-quê, se é que você me entende.

Você vê a mais moderna das moças de Minas, por exemplo, e, além muito além daquele repertório todo de modernidade haverá, quase sempre, um quintalzinho imaginário com uma pimenteira, uma sombra, uma pitada de arcadismo e contemplação.

Na mineira há sempre um conforto depois da fachada.

Com uma mineira você tem a sensação de gozar sob as badaladas dos sinos de Ouro Preto. E não estamos falando da sem-vergonhice da Linda Lovelace no filme “Garganta Profunda”.

Há um drama barroco, uma pedra sabão de Aleijadinho no amor com uma moça das Gerais. Você sempre acha que está cometendo algum inexplicável pecado.

Você sempre vai achar que está fazendo sexo na porta funda de uma igreja de Congonhas.

Você diz “mas não há nada de errado nisso, somos maiores, vacinados, estamos juntos, como um homem e uma mulher de qualquer canto do planeta”. Mesmo assim, diante do olhar de uma mineira, ira permanecer a sensação pecaminosa.

Quer algo mais incrível do que ser devolvido à condição de pecador? Não tem dinheiro que pague. É a inversão do teorema de Dostoievski: se Deus está vivo, tudo é proibido.

Você pode praticar todas as safadezas do mundo, mas com uma mineira você tem a nítida sensação de estar fazendo sexo. A bíblica conjunção carnal de fato. Não apenas sacanagem. Isso é outra coisa.

A mineira nos faz recuperar a bela culpa que torna o sexo mais gostoso. Uma transa qualquer sem uma demão de culpa ainda não pode ser considerado sexo.

Só há sexo em Minas Gerais. No resto do Brasil é sacanagem.

Você há de contestar, amigo, dizer que sou um reducionista. Um esmagador de clichês sobre a mineiridade etc etc.


Insisto. Com uma mineira é diferente. Há algo que faz da prosódia um doce de leite de Senador Firmino.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Um conto triste

Posso saber onde você estava?
Olha só, eu estava trabalhando até agora.
Sabe quantas horas são? Isto é hora de chegar?
Sim, eu sei quantas horas são, e sim toda hora é boa para regressar.
Canalha, cínico.
(silêncio, com o olhar voltado para o teto, em súplica)
Aposto que estava na farra com estas amiguinhas putinhas do escritório. A Nathalia ou a Magali, eu acho, aquelas duas vadias.
Liga para o Pedrosa, ou melhor, vai no escritório amanhã e pergunta direto ao Cardoso.
Safado, sem vergonha. Acha que caio nesta?
(silêncio, segurando um leve sorriso tenso)
Idiota, imbecil, seu merda.
(silêncio, com o olhar nos olhos dela)
Quer saber de uma coisa? Quer saber? Cansei.Vá embora.
Ok.
Como assim? Volta aqui, eu ainda não terminei.
(partindo)
Volta... volta aqui...
(entrando no carro)
Desculpa... volta... pelo amor de Deus, me perdoa...
(partiu)
Volta, pelo amor de Deus, volta. O celular, é isto, vou ligar para ele. 
(o celular dele toca no quarto)
Corre desesperada - ele voltou, ele voltou...
(o celular toca abandonado no criado mudo)
Mas ele volta, sim, ele volta, suas roupas estão todas aqui.
(abre o guarda-roupa e o descobre vazio)
Mas e os documentos dele? Passaporte, certificados? Já sei, estão na pasta.
(Pasta vazia)
Claro, a página do facebook
(desativada)
Google+, acho que ele mudou para o Google+
(inexistente)
E-mail, vou entupir a caixa de e-mails dele.
(retornam as mensagens - e-mail inexistente)
Vou ligar para a cascavel da mãe dele. O telefone está na agenda.
(agenda desaparecida)
Puxa vida, a dor não é da partida, mas sim de já te-la feito a muito tempo e eu nunca percebi. Então fui eu quem o abandonou e nunca me dei conta disto? E agora? Agora o que eu faço?  
(chora... chora... chora...)
As fotos, isto, as fotos, ele está em todos os álbuns, nossa viagem à Europa, na praia... cadê os álbuns? 
Que dor é esta? Que dor que não passa. Uma dor de impotência com abandono. Nunca mais outra vez. Sinto-me em queda livre, num buraco que eu mesma cavei. Puxa vida, não me dei conta de que ele partia. Puxa vida... acho que..., não, nada disto, por que eu não acho mais nada.

É isto aí!


segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Frenesi em três atos

Orient Industry - Nippon
O casamento já não estava muito aquecido, e alguma coisa deveria ser feita para voltarem a sentir a incandescente brasa do prazer total, que durante anos os uniu em um processo de amor em chamas. Passaram por todas as posições do Kama Sutra, Ananga Ranga e derivações ocidentais cabíveis.

Na realidade, eram tarados em seus desejos recíprocos. Quando distantes, mesmo que por horas, trocavam carícias eróticas pelo celular.

Além disto, alternavam estes processos orientais com fantasias oníricas das mais diversas matizes. Tudo entre os dois era permitido de todas as formas, de todo jeito, de todo modo. Mas o oxigênio foi acabando, e quando se deram conta, a rotina era uma mesmice só, destas de assistir filme romântico, dormindo no sofá, vestidos para o baile.

Desesperados, procuraram os Neuróticos Anônimos, todos os Conselheiros Matrimoniais, as clínicas comportamentais, os psicanalistas, as Benzedeiras, Rezadores, Exorcistas, Pai de Santo, Mãe de Terreiro e nada, faltava-lhes algo. Depararam com um imenso e abissal vazio e não sabiam como preenche-lo. 

Resolveram introduzir uma terceira pessoa, e em comum acordo, passaram a contratar meninas de programa. Uma, duas, três vezes e a decepção foi grande - eram amadoras demais. Só faziam coisas normais, quase um comum ritual. Um terceiro foi até cogitado, mas acharam que não ia dar muito certo, afinal dois machos alfa em um só ambiente acabariam se estranhando de alguma forma. Descartaram a zoofilia e as casas de swing que amigos frequentavam - achavam tudo muito nojento, esquisito, meio que sem graça.

Ouvindo o conselho de um amigo, decidiu adquirir uma destas bonecas japonesas, em tamanho real, pele sedosa, extremamente sensual e em lingerie provocante. Foi então que voltaram, de uma forma afrodisíaca, a reviver seus bons momentos de deleite. A loucura reinstalou-se no lar de uma maneira ímpar. Amaram-se em frenesi. Até que um dia, ao chegar do escritório, não encontrou as duas - haviam fugido para local incerto e não sabido.

É isto aí!






domingo, 7 de setembro de 2014

Meu Hiato Passional

  
                                                  surreal-photos-by-joel-robinson.html

É uma relação interessante entre criador e criatura, no caso específico, este que escreve e seu reino "o Reino Ao Pé da Pitangueira". É bem verdade que no meu quintal tem uma Pitangueira, e daí nascem os contos, no meu estilo - minha casa, meu castelo.

Estes dias estão sendo de retiro, reflexão e busca. Escrever aqui é muito bom, mas o mundo exige também ações estranhas, além de respirar, comer e dormir. Tem as relações pessoais, as questões sociais e societárias, enfim, a vida não para.

Estes momentos de silêncio, os denomino de Hiato Passional. É aquele tempo entre sair de um processo e entrar no outro. Pode ser de curtíssima duração - o primeiro beijo apaixonado, trêmulo. O tempo entre tomar a decisão e beijar é uma eternidade.

O tempo entre sair de casa e ir de encontro à soluções para seus problemas. Esta ausência entre um passo e o próximo. Então estou assim, no meu Hiato Passional.

É isto aí!

sábado, 30 de agosto de 2014

O amor bandido

Eu te amo, mas não consigo deixar de querer te trair. Não é verdade que no plano real tenha feito algo que fisicamente seja considerado traição, a ponto de desmerecer sua confiança, mas no fundo, no fundo sou bandido nas coisa de amor.

Armandinho...

Espera, ainda não falei tudo. Quando minhas mãos nuas tocam seu corpo macio, sua pele, suas coxas torneadas, sabe, eu desejo, excito, deliro, aí quero algo mais. 

Armandinho...

Eu entendo suas reticências, seu olhar perdido, pode acreditar, eu sei exatamente o que significa este teu olhar. Quando ouço meu nome, no exato instante que estamos sós, minha vida está dentro da sua vida. 

Armandinhoooo ...

Escuta, Carminha, para de falar. Serei breve - escuta. Olha, eu não sei como tenho forças e coragem para te dizer o que está preso em mim. Mas quero ardentemente você agora, estou em chamas, preciso de você em mim.

Armandinhooooo, quer parar com isto? Para agora.

Mas que merda, Carminha, por que grita o meu nome insistentemente? Afinal o que você quer?

O que tanto você conversa com esta cabrita, Armandinho? Parece doido. Vem aqui trocar o gás, que acabou.  

É isto aí!

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Um mulher cansada

Poesia minha


Uma mulher cansada 
encanta pela nobreza, 
enriquece o ambiente, 
 e não fica a soçobrar 
pelas quinas seu lamento. 

Está apenas exausta. 
Guerreira indomável e livre
 é toda uma poesia tangível .
que baila alucinadamente,  
até tocar os pés nas estrelas.

Uma mulher cansada 
não claudica com reclames.
Desvia por entre obstáculos
sem trôpego andar. 

Suas curvas, quadris e lábios,
seus seios, cabelos e coxas, 
seu ventre, língua e lágrimas,
são carne e alma a afarvar-lhe
em delirante sensualidade.

Uma mulher cansada
não se cansa, nem se entrega
é mãe, amante, enamorada
na  toada de todos nós.

É isto aí!

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Carminha entre vistas da entrevista

- Dr Renato, a moça agendada para a entrevista do emprego está na recepção.

Ah, saco - Lourdinha, fala para esperar que estou em reunião online urgente com clientes internacionais.

- Já falei, mas ela está muito nervosa e falou que tem outras atividades ainda hoje, Dr. Renato.

E daí? Se não quiser esperar que se dane, e trás um café para mim.

- Bom dia, Dr. Lima, em que posso ser útil.

Bom dia, Lourdinha, o Renato está aí?

- Está sim senhor.

Ele está ocupado?

- Bem, Dr. Lima, ele disse que está em reunião online.

Entendo, e esta moça ali, parece que está nervosa ... 

- Está esperando para uma entrevista com o Dr. Renato.

Engraçado, parece que já a vi aqui. Mas tudo bem, assim que ele puder me receber, liga na minha sala.

Lourdinha, manda a mulherzinha enervada aí entrar...

Muito bem sente-se e vamos à entrevista.

- O senhor se importa se eu não sentar?

Sim, importo.

- Posso saber o motivo de importar-se?

Não, não pode.

- Mas se é relevante para o senhor que eu tome assento à mesa, deve haver uma razão.

A razão é que eu sou o chefe aqui, mando e determino as ações e você é apenas uma pretendente.

- Entendo, por ser apenas uma pretendente mereço ser tratada de uma forma autoritária.

Olha, como é mesmo o seu nome? Se quiser sentar senta, aliás, nem precisa, saia. 

- Vejo que chegamos a um segundo impasse.

Segundo impasse o caralho, saia agora. Lourdinha, quer fazer o favor de vir à minha sala agora.

(silêncio)

Lourdinha...LOURDINHA. Caralho, aquela merda da Lourdinha deve ter ido vadiar na copa. Saia. Saia agora.

- Então é assim que o senhor enfrenta suas adversidades? Expulsando os problemas da sua frente?

O que você pensa não me interessa - fora, saia, vaza, foda-se.

- Peça com modos que posso refletir sobre isto... ei, solta meu braço, você está me machucando.

SAI!! SAI DAQUI!!!

- Não, acalme-se, sente-se, relaxe, vamos terminar isto de uma forma civilizada.

Caralho, tudo bem. Já sentei, agora saia.

Lourdinha...alô..

Olá Renato é o Lima, posso entrar na sala? Preciso te falar um negócio.

Entre, Lima, tem uma putinha aqui que deve ter dado o rabo a noite toda e não pode sentar...

- Acho que o senhor está confundindo as coisas, Dr. Renato.

Confundindo, é? Olha aqui, reconheço uma puta só de bater o olho, e você não é só isto...

- Sei...

É feia, ridícula, corpo escrotinho, voz estridente e chata.

Renato, estou entrando... agora eu lembrei da moça. É a  Carminha, filha do Cardoso, nosso sócio que mora em Londres..

Carminha, filha do Cardoso? Olha só, Lima, que ela vai prá puta que a pariu... fui.

Renato, espera, vamos conversar.

Lima, se vira com esta piranha aí.

Olha, Carminha, desculpe, isto nunca aconteceu aqui. Peço desculpas em nome da empresa.

- Entendo Dr. Lima, estas coisas acontecem.

Muito bem sente-se e vamos tomar um cafezinho e conversar.

- O senhor se importa se eu não sentar?

É isto aí!





domingo, 24 de agosto de 2014

Manoel de Barros

Senhor, ajudai-nos a construir a nossa casa
Com janelas de aurora e árvores no quintal -
Árvores que na primavera fiquem cobertas de flores
E ao crepúsculo fiquem cinzentas
como a roupa dos pescadores.

O que desejo é apenas uma casa.
Em verdade, Não é necessário que seja azul,
nem que tenha cortinas de rendas.
Em verdade, nem é necessário que tenha cortinas.
Quero apenas uma casa em uma rua sem nome.

Sem nome, porém honrada, Senhor.
Só não dispenso a árvore,
Porque é a mais bela coisa que
nos destes e a menos amarga.
Quero de minha janela sentir
os ventos pelos caminhos, e ver o sol

Dourando os cabelos negros
e os olhos de minha amada.
  
Também a minha amada não dispenso, meu Senhor.
Em verdade ele é a parte mais importante deste poema.
Em verdade vos digo, e bastante constrangido,
Que sem ela a casa também eu não queria,
e voltava pra pensão.

Ao menos, na pensão, eu tenho meus amigos
E a dona é sempre uma senhora
do interior que tem uma filha alegre.
Eu adoro menina alegre,
e daí podeis muito bem deduzir

Que para elas eu corro nas minhas horas de aflição.

Nas minhas solidões de amor e
nas minhas solidões do pecado
Sempre fujo para elas, quando não fujo delas, de noite,
E vou procurar prostitutas. Oh, Senhor vós bem sabeis
Como amarga a vida de um
homem o carinho das prostitutas!
  
Vós sabeis como tudo amarga
naquelas vestes amassadas
Por tantas mãos truculentas ou tímidas ou cabeludas
Vós bem sabeis tudo isso, e portanto permiti
Que eu continue sonhando com a minha casinha azul.

Permiti que eu sonhe com
a minha amada também, porque:
- De que me vale ter casa sem ter
mulher amada dentro?
Permiti que eu sonhe com uma que ame
andar sobre os montes descalça
E quando me vier beijar faça-o
como se vê nos cinemas...
  
O ideal seria uma que amasse fazer comparações
de nuvens com vestidos, e peixes com avião;
Que gostasse de passarinho pequeno,
gostasse de escorregar no corrimão da escada
E na sombra das tardes viesse pousar
Como a brisa nas varandas abertas...
  
O ideal seria uma menina boba:
que gostasse de ver folha cair de tarde...
Que só pensasse coisas leves que nem existem na terra,
E ficasse assustada quando ao cair da noite
Um homem lhe dissesse palavras misteriosas ...
O ideal seria uma criança sem dono,
que aparecesse como nuvem,
Que não tivesse destino nem nome -
senão que um sorriso triste
E que nesse sorriso estivessem encerrados
Toda a timidez e todo o espanto

das crianças que não têm rumo...

*Manoel Wenceslau Leite de Barros (Cuiabá, 19 de dezembro de 1916) é um poeta brasileiro do século XX, pertencente, cronologicamente à Geração de 45, mas formalmente ao pos- Modernismo brasileiro, se situando mais próximo das vanguardas européias do início do século e da Poesia Pau-Brasil e da Antropofagia de Oswald de Andrade. Recebeu vários prêmios literários, entre eles, dois Prêmios Jabutis. É o mais aclamado poeta brasileiro da contemporaneidade nos meios literários. Enquanto ainda escrevia, Carlos Drummond de Andrade recusou o epíteto de maior poeta vivo do Brasil em favor de Manoel de Barros . Sua obra mais conhecida é o "Livro sobre Nada" de 1996.

sábado, 23 de agosto de 2014

Só refletindo

Um homem com formação médica, destrói a vida de dezenas de mulheres, e tem o mérito de ganhar a liberdade pela mais alta magistratura do país, com a defesa de que não era mais médico, o que anularia seu risco perante a sociedade.

Ser "Ex" parece ser um status importante na grande nação tupynambá. Existe a lenda de que uma pessoa qualquer que tenha roubado aqui e ali, envolvendo-se com crimes das mais diversas formas, ao encontrar uma forma espiritual - qualquer uma, sem ofensa, liberta-se; não pertence mais ao mundo. Torna-se um ex-bandido que pode agora ser livre, inocentado de tudo que fez.

Assim deve ser a analogia com o cidadão em voga. Tornou-se um ex-médico. Mas, neste caso, a grande imprensa estranhamente ficou muda. Nunca cobrou sua busca, nem sequer questionou o magistrado.

Pronto, a salvo dos olhos da choldra, a partir daí, guardados os seus milhões de dinheiros ganhos em cima de suas taras e atividades clínicas concomitantes, foge para a vizinha República Guarany, vivendo em condições de plena liberdade, com riqueza e poder poucos discretos. Foi visto, fotografado e documentado passeando pela cidade de origem da cena dos crimes, mas logo, mais uma vez, a imprensa tratou de destratar.

Tem dia que acreditar na justiça cede a dúvidas. Como pode um indivíduo comprovadamente pernicioso para a convivência social, ser libertado com uma condenação de quase duzentos anos? E as vítimas, com suas vidas destruídas?

É isto aí!

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Memória

Memória
Carlos Drummond de Andrade


Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.



Escultura em madeira - Bruno Walpoth

Escultura em madeira - Bruno 
http://www.walpoth.com/


quarta-feira, 20 de agosto de 2014

A mulher dos meus sonhos


Meu nome é Carlos, sou economista, mas pode ser Carlinhos também. Tenho 42 anos e estou em uma capela que está com poucos convidados, basicamente apenas os amigos mais próximos e a família da Amelinha, minha noiva. Vista de fora, é pequena, mas quando se entra para casar, vira um tapete de uns três quilômetros.

Ficamos enamorados e noivos a apenas quatro semanas, apesar de sermos vizinhos de porta a mais de quinze anos. Amelinha é bonitinha, meio que gordinha, engraçadinha, um metro e meio mais alguma coisa, tem 38 anos, cabelos castanhos escuros e é analista de sistemas.

Sempre nos olhamos, às vezes uma troca rápida de assuntos aleatórios na viagem do elevador, durante os 17 andares até a garagem, mas nada além disto. Na realidade nem sequer sabia seu nome até três semanas atrás, quando até então era um solteiro convicto, determinado e seletivo no gosto com mulheres. Bem, vou tentar fazer um resumo de como tudo isto começou.

Três meses atrás, numa segunda-feira:

Tive uma noite estranha. Dormia sozinho em casa e, puxa vida, dormi assustadoramente demais. Não recordo de nada, mas tive um sonho que era tão real que mal conseguia distinguir entre realidade mundana e onírica. Deixa pensar... não bebi, isto não bebi nada ontem. Não estava tomando barbitúricos, nem aqueles legais, é verdade, tem uns que dão barato... mas não tomei nada.

Agora estava ali, de olhos fechados, pensando no que foi aquela noite. Será que morri? - pensei antes de abrir os olhos.  Minha analista - meu Deus, como ela é gostosa, certa feita confidenciou-me que o sonho é o resultado de uma conciliação. 

Segundo ela, dorme-se e, não obstante, vivencia-se a remoção de um desejo. Satisfaz-se um desejo, porém, ao mesmo tempo, continua-se a dormir. Ambas as realizações são em parte concretizadas e em parte abandonadas. 

Bem, vou abrir os olhos, e então saberei de algo. Caramba, estou moído, triturado. Mas, espere, o que é isto ao meu lado... aaaaiiiii, como você entrou aqui? Quem é você? Ei... acorda, moça... acorda... quem é você?

Hummm, bom dia amor... vem cá, me dá um beijinho de bom dia...

Quem é você? Espera... eu morri? É isto?

Bobinho, tem nada disto. Olha bem para mim, pensa bem - você sabe quem eu sou.

Sei apenas que não sei de nada, agora se explique - este é o meu quarto, esta é a minha cama e você...

Eu sou sua.

Minha? Que papo doido é este? Espere (pulei da cama, corri todo o apartamento, olhei as portas, conferi as janelas, liguei para a portaria para saber se alguém subiu nas últimas doze horas). Refleti - Moro no décimo sétimo andar, como esta moça entrou aqui?  Voltei para o quarto, e não mais a vi. Desesperado, voltei à sala, abri a porta, olhei no corredor, voltei, olhei no banheiro, cozinha, nada da moça.

Voltei à analista, contei detalhes, dei informações que nem lembrava mais. Olhou-me com aquela expressão intelectual irritante, cruzou suas coxas delirantes, e professou a sentença - Carlinhos, você a conhece, mas não está ligando a pessoa ao fato. Veja com outros olhos.

Saí dali desesperado. Procurava ansioso nas ruas, nos rostos anônimos das calçadas, vitrines, restaurantes e no escritório. Nada, ela entrou e saiu da minha vida de uma forma tão surpreendente que fiquei atordoado.

Três semanas atrás, num domingo às seis horas da manhã:

Creditei aos problemas do trabalho e ao cansaço, o sono pesado daquela experiência. Mas aí acordei num domingo com ela ao meu lado, ainda dormindo. Linda, angelical. Desta vez não assustei tanto. É um sonho, pensei. Afaguei-lhe o rosto, desfilei os dedos entre seus cabelos, apertei-lhe brandamente as bochechas. Descobri-a e admirei seu corpo formoso e encantadoramente sensual sob um pijama de seda. Tirei meu pijama, ajoelhei-me no chão ao seu lado e...

Olá... disse sussurrando e acariciando sua face. Ela espreguiçou lentamente, abriu os olhos, sorriu de forma angelical, levou a mão ao meu encontro, em movimentos delicados, e com uma voz deliciosa, retribui-me a saudação. Senti sua falta, disse-lhe trêmulo e emocionado. Não sei quem é você, mas você não saiu do meu pensamento, eu a busquei loucamente nestas semanas.

Eu sou a mulher dos seus sonhos... 

Dos meus sonhos? Como assim? 

Sou seus desejos, suas vontades, seu prazer. Sou sua, toda sua.

Como é isto? Eu só gosto de loiras, sempre tive só namoradas loiras, eu gosto de mulheres altas, seios grandes, e você, desculpe, mas você não está enquadrada nestes parâmetros. Não sei como entrou aqui, nem sei como saiu da outra vez, mas como assim - mulher dos meus sonhos? E você disse que eu sabia quem era, e eu não tenho a menor ideia disto.

—Olhe bem para mim, Carlinhos, nos meus olhos...

Aí fui olhando, olhando, olhando e de repente, em um estalo, gritei em pleno desespero - Mamãe! É você, mamãe?! Mas o que é isto? O que está acontecendo comigo? Ah!

De salto, pulei para fora do quarto aos gritos, ainda nu, abri abruptamente a porta da sala e deparei com Amelinha de porta aberta, frente à minha, de camisolinha transparente, curta. Olhamos nos olhos, cruzamos a extensão do corpo de um no cobiçado olhar do outro corpo, olhamos para os lados, dei três passos em sua direção, ajoelhei-me, peguei a sua mão e a pedi em casamento. Ajoelhou, abraçou-me, beijamos e agora estou aqui, nesta Capela...


É isto aí!

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Templo da Filosofia Ecumênica Macunaímica

O pregador: Meus irmão e minhas irmãos, caríssimos, em verdade, em verdade vos digo - Deus é amor. Assim está escrito, assim o é. O amor...

O fiel - Mas como Deus é amor se o amor é cego?

A gorda sexy - Mas meu pai também é cego.

A gostosa do Templo - Caramba, será que o pai da gorda sexy é Deus?

O pai da gorda sexy - Não sou Deus, além disso sempre disseram-me que sou ninguém.

A beata solteira - Convenhamos, você sabe que ninguém é perfeito, talvez por isto seja cego.

O ex-delinquente recuperado - Humm, espera, se o pai da gorda é ninguém, logo ele é perfeito.

O pregador - Só Deus é perfeito.

A gorda sexy - Então meu pai é Deus?

O fiel - Milagre... Deus se fez carne no nosso Templo, o pai da gorda é Deus...

A beata solteira - Se o pai da gorda sexy é Deus, a partir de agora quero ser igual a ele.

A gorda sexy - Estou cega... estou cega...

É isto aí!

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Um conto imoral

Tudo deu errado na vida de Aureliano Cantareira. Nasceu pobre, família modesta, estudou como desejava o pai, concluiu o segundo grau, ingressou em uma carreira pública como assessor de certo vereador do bairro, e daí fez faculdade, conheceu Rosinha, uma morena deslumbrante e ao seu lado deu passos largos e tombos inevitáveis. Perdeu tudo, de Rosinha ao chaveiro do carro.

Passou a vagar aqui e ali, morando em pensões baratas, comendo quando podia, capinando um quintal, coletando sucatas, enfim, conheceu o lado dos desvalidos até a velhice, que viu chegar lenta e progressivamente dolorosa. Ao fim, acomodado em um asilo municipal, com melhor conforto do que vivera nos últimos trinta anos, passou a ter tempo para refletir sobre sua vida.

Onde deu errado? Por que tudo teve que acontecer desta forma? E chorava, meditava, refletia, porém a resposta não vinha. Um dia chegou no horário de visitas um velho bem vestido, pletórico, e foi direto ao seu encontro. 

- Olá Aureliano.
- Olá... nos conhecemos?
- Sim, nos conhecemos.
- Sério? Qual o seu nome?
- Rafael. Não se lembra de mim? Brincávamos na infancia, eramos amigos em tudo, inseparáveis.
- Verdade? Bom, a que devo a honra da sua visita, Rafael?
- Você tem se cobrado muito pelo motivo pelo qual está aqui, como tudo aconteceu, então quer uma resposta para suas divagações, e eu vim responder. Pode perguntar.
- Como você sabe disto? Eu não te conheço e você sabe meu nome e minhas angústias?
- Pergunte, Aureliano, não tenha medo.
- Você é Deus?
- É assim que me vê?
- Não sei, está tudo tão estranho, você aqui, esta conversa...
- Eu sou o que sou  estou aqui para cumprir com minha obrigação.
- Você faz truques? faz mágicas? Multiplica as coisas? Faz aparecer dinheiro do nada?
- Aureliano Cantareira, você é um incorrigível perdedor. Pare com suas dúvidas e questionamentos superficiais e arrisque saber a verdade.
- Está certo. Estava com medo de você, medo da verdade. Passei a vida com medo. Diga, Rafael, onde errei?
- Onde errou? Você é um tremendo de um filho de uma puta, um pulha, um asqueroso dejeto humano, você é uma bosta seca no pasto árido, inútil e idiota.
- Mas o que é isto? Veio aqui chutar um velho derrotado?
- Derrotado hoje, mas no dia que roubou meu emprego na Câmara e a minha namorada, Rosinha, eu jurei que iria destruir a sua vida. E me dediquei à esta obra por cada segundo que passou desde a semente do ódio germinada. Eu destruí você, Aureliano. E agora? Vim te dizer que prometi e cumpri. Vai tomar no c*, Aureliano.
- O que você ganhou com isto, qual é a moral desta história?
- Ganhei a liberdade de vim te dizer que você é um cagão e a moral da história é que não há imoralidade entre fazer e destruir um imbecil como você. Adeus, babaca.
- Rafael, espere, não vá ainda, preciso te dizer uma coisa...
- Fala, farrapo.
- Muito obrigado por tudo, ninguém nunca havia feito nada por mim e você dedicou toda a sua vida à minha vida.   
- Vá à merda, Aureliano, e retire este sorriso cínico do rosto, por que se não o fizer eu farei de tudo para removê-lo.
- Rafael... escute... Rosinha não valia isto tudo, acredite.
- Eu sei, esta é a minha ira. Quando finalmente a tive nos braços, descobri o quanto você estava feliz por te-la perdido. Eu te odeio, Aureliano...

É isto aí!

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Só pensando e viajando nas estrelas

É claro para mim, como pai e ser político, que o falecimento do candidato à presidência pelo PSB, Eduardo Campos, é muito triste. Não só dele, como dos companheiros de vôo. Impossível não sentir uma dor pela tragédia e uma reflexão sobre a morte.

Nesta semana dezenas de pessoas perderam a vida em acidentes no Brasil. Aqui, a poucos minutos de distância de minha casa, um jovem casal universitário partiu deste plano da mesma forma que todas as outras tragédias rodoviárias, terrestres ou de navegação. 

Li aqui e ali imbecilidades sem fim. Acusações, regras demoníacas, superstições idiotas e até um suposto filosofo guru da banda podre aventou a possibilidade de um atentado. Estão todos impressionados, pressionados e aprisionados em um redemoinho, que psicanalista fosse, enredaria pela Pulsão da Morte de Freud.

Do que têm medo estas pessoas? Do futuro? Não acho. O pânico é sobre o AGORA. O que resta disto tudo? O agora. Só isto e mais nada. Quem vencerá as eleições, quem ganhará o campeonato, quem tirará a virgindade da gostosa do 701 do Bloco B? Nada disto interessa ao passado, e não está no futuro.

E há algo importante a ressaltar: nada está traçado para a  vida de uma forma reta, pré-destinada, o futuro está sempre mudando. Todas possibilidades existem, a vida pode tomar qualquer rumo, pra melhor ou pior, o que define como alguém vai desenvolver o seu caminho e aprendizado é o personagem que esta pessoa cria pra ela mesma, as suas escolhas em geral e o seu estado de consciência.

Esqueça Einstein, Planck, Curie e outros notáveis. Existe uma nova teoria que foi proposta no final da década de 80 pelos físicos russos Mikhail Vasiliev e Efin Fradkin, do Lebedev Institute, em Moscou, que é conhecida nos meios científicos como "A Teoria Vasiliev" (para fins de brevidade, o nome Fradkin é deixado de lado) e leva a ideia básica da Física Moderna a extremos: o mundo consiste de campos – os campos elétrico e magnético, além de um punhado de outros que representam as forças conhecidas da natureza e seus tipos de matéria. A teoria Vasiliev postula um número infinito de campos. Eles vêm em variedades cada vez mais complicadas descritas pela propriedade quântico-mecânica do spin.

Assim, lendo desta forma, tanto você quanto eu não não está entendendo nada, mas parece que a teoria afirma que o tempo está inserido no plano espaço, e por isto temos vários "agora" coexistindo em nossa existência. Então por que preocupar com o futuro se o "agora" que estou nele não for compatível com o "agora" que me levará a outras respostas e perguntas?

Vou repensar isto tudo e parar de beber enquanto escrevo...

É isto aí

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Sabe por que ela é tão sensacional?

ATENÇÃO - ESTE TEXTO NÃO É MEU - COPIEI E COLEI
Autora - Nathalí Macedo*
Fonte - http://www.entendaoshomens.com.br

http://www.zupi.com.br/as-pin-ups-de-elvgren/
Sabe por que ela é tão sensacional? Porque ela te faz esperar. Te faz implorar. Te deixa ridiculamente vulnerável, te rouba o sossego, te faz trocar o travesseiro pela cachaça, o sorriso pela lágrima, a paz pelo desespero.

Sabe por que ela te parece tão inspiradora? Porque ela é uma filha da puta. Que te trocou por outro, não respondeu as tuas mensagens, cuspiu na sua dignidade e continua sendo musa das suas poesias.

Ela não tem uma bunda insubstituível, nem faz um sexo sensacional, nem tem a sensualidade de uma deusa – o que tornaria, talvez, explicável toda essa obsessão patética. Só há uma diferença verdadeiramente expressiva entre ela e aquela moça que te elogiou o sorriso: é que ela não te quer. Ela tornou-se inalcançável e isto te atraiu de uma maneira que você simplesmente não consegue lidar. Que grandessíssimo babaca é você, deixando mulheres sensacionais para trás enquanto se ocupa em remoer o desprezo de quem simplesmente não te ama mais.

Você parece tão adulto, mas que grandessíssimo babaca – amando sem ser amado pelo simples prazer de protagonizar um pseudodrama imbecil.

Quer saber de uma coisa realmente dolorosa – e da qual um imbecil como você é completamente merecedor? – ela não te quer. Nem por um diazinho. Nem pra lamber-lhe os sapatos e lavar-lhe as calcinhas. Ela deixou de te querer quando percebeu que continuar te querendo era o primeiro passo pra deixar de te merecer. Porque um homem como você só se contenta com o impossível, com o difícil, com o problemático – e, embora você seja realmente muito filho da puta, quem sou eu pra te julgar? Eu também gosto dos filhos da puta.

Mas, acredite, ela faria qualquer coisa pra se ver livre dessa sua patética dor de cotovelo. Ela não vê, mas seria tão simples: a ela bastaria se apaixonar por você. Ouvir tuas palavras, te aquecer numa noite fria, tomar uma cerveja com você no fim do expediente. Cuidar bem do teu amor.

E então, ela deixaria de ser sua musa inalcançável para tornar-se um inconveniente, um infortúnio. Deixaria de ser venerada para ser simplesmente indesejada no momento em que correspondesse a estes anseios ridiculamente exagerados que você alimenta. Ela ouviria um milhão de nãos no instante em que te dissesse sim. Por que um homem como você não ama o amor: ama a conquista, a vitória, o triunfo. Um homem como você é babaca demais pra perceber: ela só é tão sensacional porque não ser mais tua.

*Sobre Nathalí Macedo

Atriz por vocação, escritora por amor e feminista em tempo integral. Adora rir de si mesma e costuma se dar ao luxo de passar os domingos de pijama vendo desenho animado. Apesar de tirar fotos olhando por cima do ombro, garante que é a simplicidade em pessoa. No mais, nunca foi santa. Escreve sobre tudo em: facebook.com/escritosnathalimacedo


sábado, 9 de agosto de 2014

Armando e Laurinha - A pesquisa eleitoral

Eu odeio gatos, disse a moça segurando uma enorme caneca de café. E também não gosto de saudade, nem despedidas, nem rapidinhas, e muito menos beijo sem língua. Detesto encoxadas sem continuidade bem como não gosto só de provocações sem complementação. E, deixa-me pensar - cigarro, isto, eu odeio cheiro de cigarro a qualquer dia e a qualquer hora.

Senhora, por favor...

Por favor digo eu - senhorita, moça, mocinha, garota ou outras expressões de características similares eu aceito, mas "senhora"? Como assim? Pareço ser sua mãe? Eu não sou velha, não sou chata, não sou gorda, não sou burra, não sou ... ah, o que você pensou, também não sou.

Moça, acalme-se, deixe-me explicar...

Meu ciclo menstrual é normal, minha TPM é legal, adoro fazer  sexo em locais bizarros, faço academia, natação e ioga; ciclismo, caminhada e boxe tailandês. Dirijo bem, detesto ônibus com aquelas aglomerações pornoletários, entende, uma mistura de um porno com a classe proletária, mas não sou preconceituosa, pois um pretinho básico sempre cai bem.

Posso falar?

Olha, passar bem, querido. Vai tabular sua prancheta em outras bandas, já disse tudo. Ah, gosto de fazer tipo cachorrinho, entende? Deve ser por isto que não gosto de gatos... Valeu, já sabe tudo de mim, beijinhos e tchau.

Com quem você falava tanto na porta da sala, Laurinha?

Armandinho, era um carinha aí, sei lá, meio esquisito, falando que era entrevistador de pesquisa eleitoral, aí empolguei e falei de toda a minha plataforma...

Mas assim, Laurinha?

Assim como, Armandinho?

Nua?

Meu Deus, será que ele pensou alguma coisa sobre mim? Gorda? Feia? Será, será??? E meus peitos? Será que achou que estão caídos? E agora vai tudo para ser divulgado na TV? Meu Deus, meu Deus!!!! 

Laurinha, você é muito doidinha, mas eu te amo.Era uma pesquisa para saber em quem vai votar, só isto...

Nossa, era só pra isto? Então... vamos brincar de boca de urna? Não para, Armandinho, não para, ai... você me mata, Armandinho...

É isto aí!

sábado, 2 de agosto de 2014

ESPERANZA SPALDING - Samba em Prelúdio - Baden Powell

Disritmia (Martinho da Vila)


Eu quero me esconder debaixo
Dessa sua saia prá fugir do mundo
Pretendo também me embrenhar
No emaranhado desses seus cabelos

Preciso transfundir seu sangue
Pro meu coração, que é tão vagabundo
Me deixa te trazer num dengo
Pra num cafuné fazer os meus apelos
Me deixa te trazer num dengo
Pra num cafuné fazer os meus apelos

Eu quero ser exorcizado
Pela água benta desse olhar infindo
Que bom é ser fotografado
Mas pelas retinas desses olhos lindos

Me deixe hipnotizado pra acabar de vez
Com essa disritmia
Vem logo, vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia
Vem logo, vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia

Eu quero ser exorcizado
Pela água benta desse olhar infindo
Que bom é ser fotografado
Mas pelas retinas desses olhos lindos

Me deixe hipnotizado pra acabar de vez
Com essa disritmia
Vem logo, vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia
Vem logo, vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia
Vem logo, vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia
Vem logo, vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia
Vem logo, vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia
Vem logo, vem curar teu nego

Que chegou de porre lá da boemia