terça-feira, 22 de março de 2016

Qualquer coisa

Jura que me ama, jura? Jura? Jura? Vai, jura prá mim, olha nos meus olhos e jura, vai, jura aí ...

Não.

Pelo amor de Deus, por tudo que é mais sagrado, não faz isto comigo. Jura, vai, jura que me ama.

Não.

Não precisa olhar nos meus olhos, então. É só jurar, caramba, não custa nada.

Custa e a resposta é não.

Olha, eu faço qualquer coisa, mas qualquer coisa mesmo, se você jurar. Qualquer coisa.

Sério? Qualquer coisa?

Lógico que não, seu otário... mas jura, vai, você cedeu quando eu falei qualquer coisa.

Não.

É isto aí!


domingo, 20 de março de 2016

Deus escreve certo por linhas tortas?

A canalhice e a hipocrisia tomam conta da grande pátria tupynambá. Tenho lido e ouvido pelos asseclas e esquizoides que Deus escreve certo por linhas tortas.

Um oficial da lei pode sacanear, mentir, escamotear, ofender, etc e tal, sem que isto seja visto como crime pelo parlatório privado, de pessoas privadas de bom senso e de humanidade.

Um putado pode tudo, inclusive pedir a queda do governo por que foi flagrado em delito. A choldra acha isto lindo, afinal este deus deles escreve certo por linhas tortas.

Mas, e Deus? Escreve certo por linhas tortas? Claro que não.

Deuteronômio 32
…3Eu vou proclamar o Nome de Yahweh; quanto a vós, glorificai a grandeza do nosso Deus! 4Ele é a nossa Rocha, suas obras são todas perfeitas, e seus caminhos todos, justos. Deus é fiel, e jamais comete erros. Deus é bom, sábio e justo! 5Contudo, seus filhos se entregaram ao pecado; deixando de agir como filhos, tornaram-se manchas, marcas de uma geração perversa e corrupta.…

Então quem escreve certo por linhas tortas é o outro? Sim, o outro, o inimigo, o diabo, o capeta, etc e tal, apoiando-se na estupidez desta geração perversa e corrupta. 

É isto aí!

quarta-feira, 16 de março de 2016

A delação na Pitangueira!

Saibam todos que este dossiê é um procedimento real, legal, monocrático e determinante da justiça pitangueira. Com a palavra o Sr. Geovircio Fragoso.

- Eu estou aqui para delatar que ...

- Um momento, sr. Geovircio, o senhor terá primeiro que ouvir seus direitos, e o que o trouxe aqui.

Naquele momento, na rua em frente ao edifício do Fórum da Justiça Pitangueira uma enorme multidão se aglomerava diante da porta principal. Devem ser entre 30 e 32 pessoas, berrou o segundo sargento da real Cavalaria. Mandem reforços, repito, mandem reforços ...

Entendido, sargento. Atenção todas as unidades, dirijam-se ao Palácio da justiça, onde uma enorme multidão tomou de assalto a entrada principal.

Positivo e operante, Central, neste momento temos duas bicicletas de patrulha e três agentes de segurança em terra se dirigindo ao local. O japonês pode ser mandado como reforço?

Enquanto isto, mais trinta e duas pessoas se ajuntaram ao grupo, gerando 64.

Metade gritava palavras de ordem coordenadas assindéticas - Geovircio é um safado e seu pai foi corneado!

Metade gritava palavras de desordem subordinada - Geovircio não fuja à luta, sua mãe é que é puta!

Geovircio chega à janela, desnorteado, sem palavras e os 64 em uníssono - pula! pula! pula!

- O juiz em polvorosa grita - antes de pular assina a delação, assina a delação ...

Nisto o promotor real toma  a palavra e invoca a 18ª emenda da sub-relatoria da segunda Câmara do Terceiro Reinado. Esperem todos, antes de pular, terá que responder a algumas perguntas, e caso não saiba as respostas, estará condenado a pular.

Promotor: - Geovircio, quanto é 3 vezes 3? - 9. - E quanto é 6 vezes 6? - 36. E o promotor continua com a bateria de perguntas que um réu culpado não saberia responder e Geovircio não comete erro algum. 

O promotor, dando-se por satisfeito, diz para o Juiz:: - Meritíssimo, acho que temos mesmo que colocar o Geovircio em liberdade. 

Posso fazer algumas perguntas também? perguntou a auxiliar de acusação ao promotor? O juiz e o promotor concordam. A advogada, cheia de ideias, pergunta: - O que é que uma vaca tem quatro e a sua mãe só tem duas? 
Maior silêncio dentro e fora do recinto. Geovircio pensa, pensa ... e responde: - Pernas. (ohhh-todos)

Ela não se dá por vencida e faz outra pergunta: - O que é que há nas suas calças que não há nas minhas? O juiz arregala os olhos, mas não tem tempo de interromper. - Bolsos - responde o Geovircio. 

Imediatamente e não se dando por satisfeita, ela engata uma próxima pergunta - O que é que entra na frente da mulher e que só pode entrar atrás do homem? Estupefato com os questionamentos, o promotor prende a respiração. O juiz fecha os olhos e aguarda uma resposta errada. - Geovircio respira fundo, aperta uma mão sobre a outra, sua frio e responde quase perguntando - A letra 'M'. 

Isto é impossível. Uma hora o senhor cairá em contradição e continua a argüição: - Onde é que a mulher tem o cabelo mais enroladinho? - Geovircio dá um sorriso sem graça, coça a cabeleira ruiva, esfrega as mãos espalmadas por sobre a mesa, olha para a janela, pensa em pular, mas de súbito grita - Na África!! É na África!!

Como o senhor pode saber de tudo isto? Mas eu guardei as duas perguntas incriminatórias para o final, senhor Geovircio. - Qual o monossílabo tônico que começa com a letra C termina com a letra U e ora está sujo ora está limpo? O promotor começa a suar frio, os 64 começam a ajoelhar, o juiz treme. Geovircio não tem mais nada  a perder, mas arrisca a resposta que acha que o inocentará - O céu, doutora. - Como o senhor falou? Por favor, fale ao microfone para que todos escutem. - O céu!. - Muito bem, até aqui não caiu em contradição, mas ...

Senhor Geovircio, o que é que começa com C tem duas letras, um buraco no meio do redondo, e eu já dei para várias pessoas? - Geovircio, sua frio, o suor escorre por todos os poros, a roupa está molhada. De repente dá um soco no ar e grita - CD. 

Não mais se contendo, o juiz interrompe, respira aliviado e diz para a promotoria: - Põe o Geovircio em liberdade e parcela apenas 10% do que se suspeita que subtraiu, dividido em 120 parcelas para que todos  vejam nisto que a justiça foi feita.

É isto aí!


segunda-feira, 14 de março de 2016

O que fazer depois de agarrar um bouquet de noiva

Saiu atrasado, como de costume, ainda mastigando o pão e ajeitando o paletó. No carro verificou se não esquecera nada, conferiu a carteira, os documentos, procurou num relance os óculos e deu um discreto sorriso ao descobri-los na face. Conferiu mais uma vez mentalmente se tudo estava em ordem, o gás desligado, as janelas fechadas, a comida e água do cachorro, e deu partida rumo ao ...

Espere, espere, gritou o seu Zezinho - passei no seu andar e volta lá, acho que esqueceu de fechar a torneira do banheiro. Ah! Fechei, claro que fechei. Sério? Lembra do mês passado? Tudo bem, vou verificar. Entrou na casa, foi direto à suíte e para sua surpresa a torneira estava de fato aberta. Fechou-a e seguiu para a cozinha onde percebeu que a janela estava aberta, bem como a geladeira e que o ferro ainda ligado por sobre a mesa.

Foi quando tropeçou no pequeno animal de estimação, que deveria estar na área de serviço. Esquecera de soltá-lo. Abriu a porta e mais uma vez certificou-se da água e da ração. Hummm - falta a água. Uma vez sanadas estas questões, passou a escutar um som de chiado vindo da sala. Caminhou lentamente e deu de cara com uma mulher lindíssima, semi-nua, deitada no sofá, com a televisão ligada ao dvd, num filme que provavelmente a fez dormir.

Desligou a TV e saiu pé-ante-pé, não sem antes fotografar a beldade. Passou o dia inteiro no escritório pensando naquela cena. Que mulher misteriosa seria aquela? Volta e meia observava as oito fotografias que tirou da musa da manhã. Não sabia nem por onde buscar aquela imagem na memória.

O relógio apontava para as vinte horas quando estacionou na apertada e esquinada vaga que detinha. Caminhou para a portaria e seu Zezinho fez sinal para que se aproximasse.

- Escuta Dr. Luiz, o senhor soube do arrombamento desta manhã?

- Arrombamento? Como assim? Onde? 

- No apartamento da dona Belinha, moradora novata do 703, e como o senhor mora no 803, talvez tenha escutado algo.

- Novata? Belinha? 703? Hoje?

- Sim, dr. Luiz, hoje.

- Não fiquei sabendo, mas de qualquer forma obrigado pela informação.

- No elevador deu aquele sorriso de alívio e sentiu o alívio de achar que tudo não passara de um mal entendido. Ao entrar no seu apartamento, percebeu que havia alguém lá dentro. Escaldado, volta e confere o número. Era de fato o 803. Vai entrando fazendo barulho e dá de cara com a vizinha maravilhosa do 703.

- Olá! Posso ajudar em alguma coisa?

- Bem, desculpe, você deve ser o Luiz, então ... eu posso explicar. Eu acordei com a sensação de que havia alguém na minha casa, e encontrei a minha porta aberta. Então percebi que havia um barulho de água com cheiro de pano queimando e corri por todas as torneiras e para minha surpresa as torneira estavam fechadas e não vi nada queimando. Seguindo o som e o cheiro, subi as escadas e deparei com esta sua porta aberta, onde percebi ser a origem do barulho no tanque da área de serviço, bem como a geladeira aberta e o ferro ainda ligado por sobre a mesa, sem falar na TV ligada.

- Puxa vida, muito obrigado, você evitou uma tragédia aqui hoje.

- É, parece que sim. Já que estava aqui, aproveitei e arrumei a sua cozinha, que estava muito, muito bagunçada, tudo engordurado, as coisas fora do lugar, produtos vencidos ...

- Sério? Você fez isto mesmo?

- Bem, aí resolvi dar uma olhada no seu quarto - santo deus, aquilo não via uma arrumação há uns bons anos. Então tomei a liberdade de organizar todo o seu quarto.

- Caramba, você é um anjo, uma fada ou algo equivalente?

- Nada disto, apenas achei que merecia. Percebi que é solteiro, apesar de ter uma vida sexual intensa dado ao número de preservativos no cesto do banheiro. E falando em cesto, lavei todas as roupas do cesto de roupas. Menino, tinha roupa ali que estava em estado crítico.

E assim foram felizes para sempre. É claro que o seu Zezinho da portaria ganhou um salário extra por ter trocado a identificação dos apartamentos e do elevador, mas isto é outra história.

É isto aí!




terça-feira, 8 de março de 2016

A castidade com que abria as coxas

gettyimages*
Sentado em cômoda postura numa cadeira na calçada de frente ao alpendre, o velho suspirou profundamente e pensou em voz alta na solidão do seu espaço - Todo dia espero pela morte e ela não vem. Enquanto isto filosofo à margem da vida.

A vida passava pacificada, cheia de graça e pedras, como a vida , filosofava entre memórias antigas e esquecimentos recentes.

Nisto passa a vizinha, uma moça sem nome, nascida e criada na casa ao lado. Ela sempre soube que olhava suas pernas e por querer, provocava seus olhos de desejo.

Colocando suavemente a mão sedosa sobre suas mãos enrugadas, sussurra - Seu Juca, declama mais uma poesia para mim, estou me sentindo tão carente hoje, e aproveitou, entre beicinhos e movimentos lentos, para dar um afago na cabeleira branca do ancião.

Ele levantou os olhos, com a voz e mãos trêmulas a querer tocar-lhe o corpo, declamou de uma tirada empolgante um poema do Drummond guardado nalguma parte da memória para aquele momento:

A castidade com que abria as coxas 
e reluzia a sua flora brava. 

Na mansuetude das ovelhas mochas, 
e tão estrita, como se alargava. 

Ah, coito, coito, morte de tão vida, 
sepultura na grama, sem dizeres. 
Em minha ardente substância esvaída, 
eu não era ninguém e era mil seres 

em mim ressuscitados. Era Adão, 
primeiro gesto nu ante a primeira 
negritude de corpo feminino. 

Roupa e tempo jaziam pelo chão. 
E nem restava mais o mundo, à beira 
dessa moita orvalhada, nem destino. 

(Carlos Drummond de Andrade, em 'O Amor Natural') 

Nossa, seu Juca, é lindo, não entendi muito as palavras difíceis, mas deve ser coisa divina, não é? Falar de Adão,  orvalho, muito lindo, seu Juca, muito lindo, enquanto acariciava o rosto dele e ele as coxas dela.

É isto aí!

Fotografia:
*Old man is looking at a young woman in tight shorts walking by- 1960-
Photographer: Jochen Blume- Vintage property of ullstein bild

Seio de Virgem - Álvares de Azevedo

O que eu sonho noite e dia,
O que me dá poesia
E me torna a vida bela,
O que num brando roçar
Faz meu peito se agitar,
É o teu seio, donzela!

Oh! quem pintara o cetim
Desses limões de marfim,
Os leves cerúleos veios
Na brancura deslumbrante
E o tremido de teus seios?

Quando os vejo, de paixão
Sinto pruridos na mão
De os apalpar e conter...
Sorriste do meu desejo?
Loucura! bastava um beijo
Para neles se morrer!


Álvares de Azevedo

Não vem ao caso, meu amor!



Todos já conhecem a fábula do lobo e da ovelha?

- Eu não, professora!!!

Só você? Mais alguém não conhece?

- Eu também não! Eu também!! Eu!! Eu nunca ouvi falar!!

Muito bem, vou contar a fábula para vocês:

Era uma vez, num reino muito distante, um ente intrépido, impassível, destemido, ousado e audaz, conhecido como o sr. Lobo.

- Ohhh! (todos)

O sr. Lobo dominava tudo. As pessoas o idolatravam, era assunto obrigatório em todas as conversas, e só o que ele divulgava podia ser conversado, pois era a verdade única e irrestrita vinda do sr. Lobo. Além dele não havia outra verdade. Era cínico, debochado, irritante e rico, muito muito rico. O mais rico do reino e quanto mais ignorantes as pessoas pela sua verdade, mais rico ele ficava.

- Uau!! Nossa!! (todos)

No reino havia um único regato cristalino que desaguava próximo a um majestoso palácio triplex cunhado em ambiente marinho. Um dia apareceu por lá, no regato e não no palácio majestoso, uma linda ovelha e pôs-se a beber da água limpa que deveria servir a todos, mas estavam tão encantados com o sr. Lobo, que bebiam água contaminada por muitas coisas, menos, é claro, os príncipes do castelo, digo, do palácio majestoso cunhado em ambiente marinho, como já falei.

O sr. Lobo ficou com muita raiva daquela ovelha - quem ela pensa que é? Se perguntava. Mandou pessoas aparentemente simples para demover a ovelha daquele vício. E ela, a ovelha fez que não entendeu o recado. Então mandou que fosse divulgado em todo reino uma mensagem falando que a ovelha era comunista, que comeria todas as crianças, que estupraria todas as velhas, que mataria todas as aulas de filosofia e que enfim, era transgênica.

A multidão em convulsão dividiu-se, pois uns apoiavam a ovelha em silêncio e as outras portavam-se entre as que tinham medo do sr. Lobo e as que mamavam nas mutretas lupinas, sob imenso guarda-chuva da morada da tradição da família cristã e da propriedade dos ricos pelos ricos. Com isto, o sr. Lobo sentiu que estava sendo traído e colocou nas ruas seu exército de canibais, exorcistas, escretores (sim - escretores - um misto entre excretores e escritores). As ordem era destruir tudo para que a paz reinasse no majestoso palácio.

Foi então que Maricotinha, estrela dalva das noites luzidias da Escola de Samba Unidos da Pitangueira bradou com sua rouca e poderosa voz:

- Alto lá! Para tudo que este Lobo aí está em déficit orçamentário doméstico cá comigo!

- Como assim, Maricotinha?

- Uiva muito, pula muito, aparece muito, só vai e só vê e só ouve e só enxerga para o lado direito mas é só isto...

E cada um seguiu seu rumo e o Lobo ficou com aquela cara de ovelha desgarrada no meio do vazio da sua penitente salinha de torturas pedagógicas e Maricotinha deu aquele largo sorriso entre fadas e duendes que acreditavam no sr. Lobo.

É isto aí!




Se eu fosse eu mesmo, só que diferente?

Vou poetar um poemeu bem fraquinho, mas até que é um pouco melhorzinho

Se eu fosse um livro,
qual livro seria?
E se fosse uma estrada
qual estrada correria?

E se fosse um bicho?
Uma nuvem? Um rio?
E se fosse uma árvore?
cravo, hortelã ou lírios?

Teria também depressão,
Enxaqueca, tristeza?
Decepções, desamores,
amarguras, incertezas?

E se eu fosse outro?
Que outro habitaria?
Alguém mais feliz,
será que seria?

E se eu fosse eu mesmo
só que diferente em tudo?
Seria eu mesmo com novos capítulos,
ou morreria no prelúdio?

É isto aí!

segunda-feira, 7 de março de 2016

Momentos evasivos de inspiração ulterior


O pensador e a porta do inferno de Rodin
le penseur de_la porte de lenfer (musee rodin) 

Fonte: Arte Ref

François-Auguste-René Rodin (1840 – 1917), mais conhecido como Auguste Rodin, foi um escultor francês e autor de O Pensador.

Apesar de ser considerado o progenitor da escultura moderna, não se propôs a rebelar-se contra o passado. Foi educado tradicionalmente, teve o artesanato como abordagem em seu trabalho, e desejava o reconhecimento acadêmico, embora tenha sido aceito na escola principal de arte de Paris.

Esculturalmente, Rodin possui uma capacidade única em modelar uma superfície complexa, turbulenta, profundamente embolsa em argila. Muitas de suas esculturas mais notáveis ​​foram duramente criticas durante sua vida.

Eles entraram em confronto com uma tradição da escultura da figura predominante, onde são obras assimétricas, estereotipadas ou altamente temáticas. Seu trabalho mais original partiram de temas tradicionais da mitologia e da alegoria, modelando o corpo humano com realismo e celebrando o caráter individual.

Rodin era sensível a controvérsias em torno do seu trabalho, mas se recusou um mudar seu estilo. Sucessivas obras trouxeram aumentos de favores do governo e da comunidade artística.

1) O Pensador é uma das partes de um trabalho maior
A representação de um homem nu curvado no pensamento aparente era originalmente parte de “le penseur de la porte de lenfer” com quase 7 metros de altura. O trabalho deveria capturar a primeira seção do poema épico “Divina Comédia” de Dante Alighieri. O pensador pode ser visto empoleirado em frente à porta.

2) Le penseur de la porte de lenfer foi comissionado para um museu que nunca abriu
Rodin foi contratado para fazer a escultura para um novo museu de artes decorativas em Paris. O grande tamanho e o incrível detalhe da peça imponente exigiram 37 anos de trabalho da Rodin. Em todo esse tempo, os Portões do Inferno nunca foram concluídos e o próprio museu nunca foi construído.


3) O Pensador não foi o nome original
Rodin originalmente chamou essa figura de “O Poeta” . Este nome suporta a teoria de que a estátua era uma representação de Dante. Mas porque O Pensador não se encaixa na visão do século 19 de Dante alto e magro, alguns viram uma natureza mais alegórica: eles teorizam que poderia ser o próprio Rodin sobre sua criação ou talvez o Adão bíblico considerando os pecados dele descendentes. O nome “O Pensador” é creditado aos trabalhadores da fundição que sentiram que a escultura tinha uma semelhança notável com a escultura de Michelangelo com o mesmo nome.


4) O trabalho de Michelangelo foi uma influência para Rodin
No entanto, não era a pose de Michelangelo que Rodin estava propositadamente referenciando. Rodin escolheu fazer seu pensador nu para seguir o estilo dos nus heróicos de Michelangelo e seus irmãos renascentistas. Também se suspeita que as obras do contemporâneo de Rodin, Hugo Rheinhold, foram uma inspiração. Os historiadores da arte citam o interesse compartilhado do casal em poses que favoreceram as posturas naturais e realistas do homem.

5) A obra quase teve roupa
Durante a longa criação de”le penseur de la porte de lenfer”, Rodin brincou com a idéia de um Pensador / Poeta vestido. “O devoto Dante em sua túnica reta separada de todo o resto teria sido sem significado”, escreveu ele. “Guiado pela minha primeira inspiração, concebi outro pensador, um homem nu, sentado em uma pedra, o punho contra os dentes, sonha. O pensamento fértil lentamente se desenvolve dentro de seu cérebro. Ele não é mais um sonhador, ele é um criador “.

6) O pensador virou solo em 1888
Rodin experimentou com uma versão moldada em gesso de seu destacado”le penseur de la porte de lenfer”. Medindo cerca de 1metro de altura,O Pensador fez sua estréia na exposição individual, que se mostrou suficientemente popular para inspirar Rodin a pensar mais. Em seguida, ele fez a versão um pouco maior do que conhecemos hoje. Em bronze, este pensador tinha 6 metros de altura e tornou-se o centro do elogio da mídia instantânea.

7) Você pode ver O Pensador em todo o mundo
Em sua vida, Rodin fez pelo menos 10 Pensadores. Após a sua morte em 1917, os direitos de reformulação foram dados à nação da França. Desde então, esse número cresceu para mais de 20. (A figura exata é uma questão de debate.) Hoje, versões de gesso e bronze de O Pensador podem ser vistas na Galeria Nacional de Victoria de Melbourne, no Musée d’Art et d’Histoire de Genebra , A Galeria Nacional de Arte de Washington DC e o Museu Rodin de Paris, apenas para citar alguns. Há também um que marca o túmulo de Rodin.

8) O Pensador de Cleveland foi vítima de um ataque terrorista
O Pensador é tradicionalmente exibido ao ar livre, e The Cleveland Museum of Art seguiu o exemplo quando adquiriu uma peça. Assim,O Pensador estava indefeso nas primeiras horas do dia 24 de março de 1970, quando pessoas não identificadas amarraram, o que se suspeita,  três bananas de dinamite para sua base. A explosão destruiu os pés do pensador e danificou de forma irreparável as pernas.  As identidades dos bombardeiros nunca foram determinadas. A escultura ainda está em exibição, embora não tenha sido restaurada.

9) Rodin conhecia o segredo do sucesso de o Pensador
A imensa popularidade da peça tem sido freqüentemente creditada à emoção familiar que projeta, de ser perdida no pensamento, congelada da ação. Rodin explicou: “O que pensa o meu pensador é que ele pensa não só com o cérebro, com as sobrancelhas, as narinas distendidas e os lábios comprimidos, mas com cada músculo de seus braços, costas e pernas, com o punho cerrado e o aperto dedos do pé.”



sexta-feira, 4 de março de 2016

Pátria minha (Vinicius de Moraes)



Fonte da Imagem: Nova Escola

PÁTRIA MINHA

A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.

Se me perguntarem o que é a minha pátria, direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.

Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias, pátria minha
Tão pobrinha!

Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação e o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!

Tenho-te no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.

Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz
À espera de ver surgir a Cruz do Sul
Que eu sabia, mas amanheceu...

Fonte de mel, bicho triste, pátria minha
Amada, idolatrada, salve, salve!
Que mais doce esperança acorrentada
O não poder dizer-te: aguarda...
Não tardo!

Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.

Pátria minha... A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.

Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamen
Que um dia traduzi num exame escrito:
"Liberta que serás também"
E repito!

Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão...
Que vontade me vem de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.

Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha
Brasil, talvez.

Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
"Pátria minha, saudades de quem te ama…
Vinicius de Moraes."


Fonte no Youtube: LeCommedieDellArte


quarta-feira, 2 de março de 2016

A delação do Renatinho


Renatinho, puta que pariu, sai deste banheiro logo e para de ficar falando sozinho.

Sim, mamãe, estou saindo. E não estava falando sozinho, estava refletindo com a possibilidade de pedir a Adelaide para sair comigo.

Como é que é? Aquela vigaristazinha, filha do Zéduardo? Só por cima do meu cadáver, Renatinho. Aquela é uma caninana igual à cafetina da avó que criou a moça no cortiço junto com a cadela no cio da mãe. Esquece isto, Renatinho, ela não presta para você.

Naquela noite:

Adelaide, eu preciso falar uma coisa para você.

Fala então.

Eu te a... eu te a... eu te a... eu quero namorar com você.

Namorar comigo? Depois que a sua família difamou gratuitamente a minha por causa do corno do seu pai que recusou pagar o carro que comprou do meu tio?

Adelaide, isto foi entre eles.

E você, que ficou até a semana passada com a minha prima? E agora vem falar que me ama?

Eu juro, Adelaide, eu juro pelo que há de mais sagrado na face da terra, que nunca mais vai acontecer de novo.

- Silêncio (Olhar fulminante)

Eu juro por tudo, pela minha santa mãe, pela minha avó, pela Tia Telinha, eu juro.

- Silêncio (Olhar de desprezo)

Eu errei, eu fui fraco, eu fui covarde, eu fui um idiota, isto mesmo, eu fui um perfeito idiota.

- Silêncio (Olhar de indiferença)

Adelaide, o que eu preciso fazer para ter você e viver feliz para sempre?

Basta fazer uma delação premiada pré-determinada para com a minha amada, estimada, santificada e honesta famiglia...

É isto aí!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

A Física Quântica, minhas mulheres e os mundos multiplos

Caramba, esta foi a melhor performance sexual de toda a minha vida ...

Você é que é maravilhoso Geraldinho!

Que isto, Carminha; você é que é divina!

Gostoso!!

Gostosa!! - Adelaide?!

Como é o negócio? Eu não sou esta tal de Adelaide. Você é um cretino.

Não, Carminha, eu sei que você é você, mas Adelaide é ela, que está em pé à porta.

Ai!! Como uma bruxa desqualificada desta entrou aqui, Geraldinho?

Carminha, não tem outra forma de te dizer ...

Então diga, que já estou desesperada.

Adelaide é minha esposa.

Esposa? Como assim esposa? Você me disse que era solteiro.

Sim, eu disse, mas no campo civil tridimensional. Adelaide é uma personagem secundária que participou de um livro que escrevi, e acabamos nos apaixonando de tal forma que rompemos a barreira do imaginário, pois tudo é real dentro da mente. Se aqui fora os conceitos de matéria ainda estão longe da realidade quântica, no mundo da física moderna existem mecanismos que permitem penetrarmos no labirinto neural e vivermos experiências únicas, fantásticas e inigualáveis.

Geraldinho, então esta gorda horrorosa, vitrine de estrias e celulites, encostada no portal, com cara e roupa de puta barata e cabelo ridículo, fora o esmalte com bolhas e a rasteirinha de banca é objeto de desejo materializado? Me explica como uma coisa absurda desta pode ter sido desejo compulsivo do seu sonho pornoerótico, e revelar que prefere um muquifo deste porte a ter uma linda, gostosa, maravilhosa e infinitamente sexy, feito euzinha?

Ora, Carminha, saiba que  da mesma forma que existem outras interpretações da mecânica quântica, a interpretação de muitos mundos é motivada pelo comportamento que pode ser ilustrado pela experiência da dupla fenda. Quando partículas de luz, ou algo semelhante, são conduzidos através de uma dupla-fenda, uma explicação baseada no comportamento de onda para luz é necessária para identificar onde as partículas deverão ser observadas. Já quando as partículas são observadas, elas se mostram como partículas e não como ondas não localizadas.

Uau, Geraldinho. Neste caso, como eu não entendi nada, mas ainda achando que esta aí é uma rapariga adquirida com vinte reais na rua, vou aceitar seus argumentos e vem prá cá, Adelaide, que vamos então proporcionar uma fusão neste elemento...

É isto aí!


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Beijo Eterno - Olavo Bilac


Quero um beijo sem fim, 

Que dure a vida inteira e aplaque o meu desejo! 

Ferve-me o sangue. Acalma-o com teu beijo,

Beija-me assim! 

O ouvido fecha ao rumor

Do mundo, e beija-me, querida! 

Vive só para mim, só para a minha vida,

Só para o meu amor!




Fora, repouse em paz 

Dormida em calmo sono a calma natureza,

Ou se debata, das tormentas presa, -

Beija inda mais!

E, enquanto o brando calor 

Sinto em meu peito de teu seio,

Nossas bocas febris se unam com o mesmo anseio, 

Com o mesmo ardente amor!


De arrebol a arrebol,

Vão-se os dias sem conto! e as noites, como os dias, 

Sem conto vão-se, cálidas ou frias!

Rutile o sol

Esplêndido e abrasador!

No alto as estrelas coruscantes,

Tauxiando os largos céus, brilhem como diamantes!

Brilhe aqui dentro o amor!


Suceda a treva à luz!

Vele a noite de crepe a curva do horizonte;

Em véus de opala a madrugada aponte

Nos céus azuis,

E Vênus, como uma flor,

Brilhe, a sorrir, do ocaso à porta,

Brilhe à porta do Oriente! A treva e a luz - que importa?

Só nos importa o amor!



Raive o sol no Verão!

Venha o Outono! do Inverno os frígidos vapores

Toldem o céu! das aves e das flores

Venha a estação!

Que nos importa o esplendor

Da primavera, e o firmamento

Limpo, e o sol cintilante, e a neve, e a chuva, e o vento?

- Beijemo-nos, amor!


Beijemo-nos! que o mar

Nossos beijos ouvindo, em pasmo a voz levante!

E cante o sol! a ave desperte e cante!

Cante o luar,

Cheio de um novo fulgor!

Cante a amplidão! cante a floresta!

E a natureza toda, em delirante festa,

Cante, cante este amor!

Rasgue-se, à noite, o véu

Das neblinas, e o vento inquira o monte e o vale:

"Quem canta assim?" E uma áurea estrela fale

Do alto do céu

Ao mar, presa de pavor:

"Que agitação estranha é aquela?"

E o mar adoce a voz, e à curiosa estrela

Responda que é o amor!

E a ave, ao sol da manhã,

Também, a asa vibrando, à estrela que palpita

Responda, ao vê-la desmaiada e aflita:

"Que beijo, irmã! Pudesses ver com que ardor 

Eles se beijam loucamente!"

E inveje-nos a estrela... - e apague o olhar dormente, 

Morta, morta de amor!..

Diz tua boca: "Vem!"

"Inda mais!", diz a minha, a soluçar... Exclama 

Todo o meu corpo que o teu corpo chama:

"Morde também!" 

Ai! morde! que doce é a dor

Que me entra as carnes, e as tortura! 

Beija mais! morde mais! que eu morra de ventura,

Morto por teu amor!

Quero um beijo sem fim, 

Que dure a vida inteira e aplaque o meu desejo! 

Ferve-me o sangue: acalma-o com teu beijo!

Beija-me assim! 

O ouvido fecha ao rumor

Do mundo, e beija-me, querida! 

Vive só para mim, só para a minha vida,

Só para o meu amor

sábado, 6 de fevereiro de 2016

O Analista da Pitangueira e a Paft High Teck

Bom dia, Afonso!

Isto, doutor, mas pode me chamar de Afonsinho.

Bem, Afonso, sente-se. Aqui na sua ficha consta que você é casado, três filhos, profissional liberal. O que o trás aqui? e na última sessão você terminou falando que estava solteiro. Vamos começar de onde paramos?

Sou ex-casado.

Humm, então por que não alterou este dado na sua ficha? 

Bem doutor, eu tentarei explicar através de um fato que ocorreu comigo enquanto aguardava a consulta. Estava ainda há pouco lá fora, na ante-sala desta clínica. Éramos doze pessoas sentadas comportadamente e comodamente em poltronas confortáveis, ar refrigerado e ambiente agradável. Mas há algo que me incomodava profundamente naquele instante.

Eram mesmo doze pessoas?

Sim, já disse isto, mas entre estas uma era criança entre dois e três anos, e sem exceção, todos estavam calados. 

Calados? Como assim? 

Bem, desde a gostosa de vestido justo até o senhor impaciente ao meu lado, todos digitavam coisas na tela de seu smartphone. Somente eu e a criança sonolenta estávamos ali como num mundo distante.

Mas é provável que você tenha um celular, mesmo que seja simples, uma televisão de LCD/Plasma, cartão magnético de múltiplas atividades, carro com componentes eletrônicos e isto obrigatoriamente o inclui nesta comunidade.

Sim e não, talvez até uma coisa ou outra acusaria um delito de contato com a inteligência artificial, mas é o meu limite, e quando estou envolvido nestes processos, não faço disto uma relação asséptica. Eu tenho a necessidade de falar e escutar vozes humanas, doutor, eu tenho carência de humanidade, do exercício do olhar, do toque, dos sentimentos expressos nas palavras.

E isto te incomoda? Toda esta parafernália high-teck assusta, amedronta ou aterroriza você?  

Pois então ... é confuso estar inserido neste contexto, pois os amigos, meus amores e paixões que por aqui dentro do meu peito vadiam, não vadeam como aqueles lá fora. E tem sido assim com minha esposa. 

Deixa ver se estou entendendo ... tem lenço de papel sobre a mesa, ao lado do seu sofá, pode usá-lo. Não se preocupe, espero. Você gosta de ter alegria do contato humano consigo e contigo, por isto explanou com muita propriedade que as pessoas que ama podem e devem divertir-se e diverti-lo num motocontínuo. É isto?

Exatamente isto, doutor, eu tenho carência de vida. 

Mas então, segundo você, as pessoas estão preferindo, com suas próprias pernas, cruzar a vau para o lado das relações assépticas, sem respostas neuro sensoriais, sem carinho, sem açúcar e sem afeto, revisando a poesia do Chico para encaixar na sua dor.

Exatamente, doutor. É isto mesmo. E sofro muito por isto. Eu tenho cura doutor? tenho cura?

Veja, Afonso, Darwin nos trouxe à luz conceitos interessantes de preservação das espécias mediante adaptações, algumas pequenas, outras bizarras ... espera, o que está fazendo? Larga meu smartphone agora, Afonso, solta já meu aparelho, me da isto, solta logo, não, não , nããããoooo.

Olha, seu smartphone não tem chip ... hummm, então seu discurso é inútil ... hummm. Crashhhh!!!!

Seu, seu, seu cretino!

Na próxima semana, no mesmo horário, doutor?

Sim, mas meu Iphone será debitado no seu cartão de crédito.

Sem problema, mas lembre que ele não tem chip.

Não tem chip, não é? Paft ... não tem chip então ... paft

Que isto doutor, o senhor está me agredindo.

Paft ... não tem chip .. vai agora para a sala de pensamento e só saia de lá quando eu mandar .. paft ...

Não doeu ... não doeeeu ... não tem chip ... não tem chip ... não doeeeuuu!!!!

Paftt!

É isto aí!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Fiado e Ano Novo? Só depois do carnaval.

Gente, eu ainda não engrenei neste 2016. É uma preguiça danada esta, viu?!

Amigos mandam mensagem, outros perguntam - cadê os fatos e casos da Pitangueira? E eu ali, quietinho, mais parado que gato velho de armazém.

Odete me liga, as coisas acontecem e eu deitado na rede  por conta de ver a conta vencendo. Mas isto vai mudar... depois do carnaval, eu acho!

Um abraço

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Música para tocar em velório













Asmodeu França tinha o que se podia chamar de obsessão pela morte. Mas não exatamente da parte religiosa da morte separando corpo aqui e espírito partindo para outras moradas ali. Sua obstinação fitava o velório. Não perdia um sequer na cidade. Era uma figura esperada. Tinha declamações, orações, encomendas, rituais, etc., tudo adquirido com a experiência de anos observando o féretro.

Tomou o trem noturno para  a capital onde chegou amanhecendo o dia. Passou na pensão do seu Teobaldo, conterrâneo e amigo de longa data da família. Explicou o interesse em visitar Agências Funerárias e o amigo ligou para um taxista que iria atendê-lo. Dentro do carro, de estalo, pediu para visitar o cemitério das celebridades e ricos, no que foi prontamente atendido.

Havia um velório de grande empresário regional. Lindo, tecnicamente perfeito, do ponto de vista de Asmodeu. Foi às lágrimas ao ver o esquife lardeado por 6 coroas de flores de orquídeas, com alças de bronze, forro aveludado em tom azul marinho clássico. No lado de fora músicos tocavam uma seleção previamente escolhida pelo falecido e buffet do mais alto nível no salão anexo. 

Quase morreu de tanta felicidade ao ver um enterro exatamente igual ao que desejava para si. Voltou para casa deslumbrado. Anotou detalhes, endereços, contatos, enfim, criou uma condição excepcional para realizar seu desejo de morrer com dignidade. 

Passados alguns anos, adoeceu e a situação foi se agravando até ver que não teria saída, senão viver seu sonho dourado. Pediu à filha a relação dos contatos, e fez as ligações já orçando e encomendando a urna, as flores, o buffet, mas ao contatar a banda, lembrou que nunca havia pensado nas músicas que queria que fosse tocadas no funeral.

Quase morreu de aflição. Como pode ter esquecido as músicas? Esta revolta superou quatro enfartes agudos, duas pontes safena, três acidentes vasculares no cérebro, uma nefrite em cada rim, e por fim uma pancreatite gravíssima. Tudo isto nos dez anos que ficou para escolher as músicas. Queria um Strauss, depois pensava se não seria melhor Wagner, mas aí achava muito violento, migrou pelas óperas clássicas e quando o tempo chegou partiu sem conseguir definir.

Raimundinho, o maior sem caráter do município, que reza a lenda, conheceu biblicamente todas as mulheres da cidade, bem como bebeu, cheirou e se lambuzou de tudo que podia, colocou um potente carro de som na porta do Clube do Salão Literário e Cultural, exclusivo da elite do município e mandou ver o melhor do Calcinha Preta.

Não teve quem se segurou no velório. A cidade dançou até amanhecer o dia, comendo e bebendo do bom e do melhor, sem parar. Na hora de baixar o caixão na sepultura, Rosinha, que segundo as malvadas de plantão, era um caso secreto do falecido, pediu para abrirem a urna. A família protestou ferozmente, os amigos apoiaram a moça e aí a briga deu-se sem fim. Foi pancada para tudo quanto é lado, até que Diógenes de Brito, delegado calça curta, sacou sua cano serrado, deu um tirambaço para cima e aos berros mandou pararem com aquela zona.

Ele mesmo abriu a tampa e cadê o Asmodeu? Dentro da urna lacrada o bilhete - "é ruim, hem!"

É isto aí!


segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Como transformar seus sonhos em projetos - Padre Léo


Fonte da imagem: Padre Leo - Padre Léo/ Foto: Arquivo – Canção Nova 

1. Padre Leo
Padre Léo Tarcísio Gonçalves Pereira, SCJ, mais conhecido como Padre Léo, nasceu em Delfim Moreira (MG), em 9 de outubro de 1961 e faleceu em São Paulo (SP), em 4 de janeiro de 2007.

Era conhecido nacionalmente por suas pregações bem humoradas e intensas, sempre com uma mensagem relevante e voltada à realidade do cotidiano das pessoas.

2. Foi um Padre Dehoniano
Muita gente não sabia, mas ele foi um sacerdote da Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus (Dehonianos). Era cantor, compositor, apresentador, pregador e escritor, assim como os seus confrades de congregação, Padre Zezinho, Padre Fábio de Melo (hoje, diocesano) e Padre Joãozinho.

3. Fazia parte da RCC
Ele entrou para a Renovação Carismática Católica (RCC) em 1983. Frequentemente participava de eventos televisionados. Nestes eventos, ganhou popularidade pela intensidade de suas palavras.

4. Fundou a Comunidade Bethânia
Em 12 de outubro de 1995, fundou a Comunidade Bethânia, que tem como objetivo acolher e oferecer tratamento a dependentes químicos, alcoólatras e portadores do vírus HIV, além de menores abandonados.

5. Falecimento
Em abril de 2006, Padre Léo começou um tratamento contra um câncer no sistema linfático (linfoma). Em 4 de janeiro de 2007, morreu no Hospital das Clínicas em São Paulo, de infecção generalizada em consequência do câncer.

Menos de um mês antes, fez uma de suas pregações mais admiradas pelos católicos no evento “Hosana Brasil”. Fraco e debilitado, ele passou a mensagem "Buscai as coisas do Alto" e buscou forças, tocou os mais profundos sentimentos dos católicos, naquele evento que seria o seu último e talvez mais marcante.

6.Processo de beatificação
Em 8 de dezembro de 2019, durante o 'Hosana Brasil', exatamente 13 anos após sua última pregação, foi anunciada a data de abertura de seu processo de beatificação. A notícia foi anunciada pelo fundador da Comunidade Canção Nova, monsenhor Jonas Abib.

Em 7 de março de 2020, celebrou-se a abertura do processo de beatificação e a elevação dele a Servo de Deus.


Fonte do vídeo Youtube: Canção Nova Play

Nesta Pregação, Padre Léo, vai nos ensinar os meios que precisamos, para que possamos transformar nossos sonhos em projetos, por que não adianta ter na mente sonhos, se não procuramos coloca-los em prática, através dos projetos que Deus tem para cada um de nós que somos seus filhos. 

Inscreva-se no nosso Canal: https://goo.gl/3gMtH7
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Se o vídeo não abrir - Clique aqui: 

domingo, 10 de janeiro de 2016

Sertaneja (René Bittencourt/1939)



No vídeo publicado abaixo (Sr. Brasil) Rolando Boldrin recebe o cantor Lula Barbosa (São Paulo - SP) que canta "Sertaneja" (René Bittencourt). Músicos Acompanhantes: Mario Lúcio (clarinete), Orlando Aldasi (cavaquinho), Pratinha (bandolim e flauta), Ventura Ramirez (violão 7 cordas).

Essa canção de René Bittencourt (1917-1979) foi seu primeiro sucesso como compositor, tendo sido gravada pela primeira vez por Orlando Silva na R. C. A. Victor, em 1939.

De uma simplicidade comovente, este bucólico canto de amor à mulher sertaneja seria uma das composições mais cantadas em todo o Brasil nos anos seguintes ao seu lançamento, em julho de 1939.
Todo amador com pretensões a se tornar um novo "cantor das multidões", inscrevia-se num programa de calouros (que na época vivia o auge da popularidade) para cantar: "Sertaneja se eu pudesse / se Papai do Céu me desse / o espaço pra voar / eu corria a natureza / acabava com a tristeza / só pra não te ver chorar...".

Incluída entre os maiores sucessos de Orlando Silva, "Sertaneja" seria superada em popularidade apenas por três ou quatro canções de seu repertório, como "Carinhoso" e "Lábios Que Beijei". Curiosamente, seu autor, o compositor, jornalista e empresário artístico, René Bittencourt, não era do sertão, tendo nascido na Ilha de Paquetá e vivido no Rio de Janeiro.

René Bittencourt Costa (Paquetá, 23 de dezembro de 1907 — Rio de Janeiro, 21 de novembro de 1979) foi um compositor, jornalista e empresário artístico brasileiro.

Foi membro da Sociedade Brasileira de Autores, Compositores e Escritores de Música (SBACEM), atuando no conselho deliberativo e também nas suas comissões de finanças e repertório.

SERTANEJA
(Renê Bittencourt)

Sertaneja se eu pudesse
se papai do céu me desse
O espaço pra voar
eu corria a natureza
acabava com a tristeza
Só pra não te ver chorar
Na ilusão desse poema
eu roubava um diadema
lá no céu pra te ofertar
e onde a fonte rumoreja
eu erguia a tua igreja
e dentro dela o teu altar

Sertaneja, por que choras quando eu canto
Sertaneja, se este canto é todo teu
Sertaneja, pra secar os teus olhinhos
vai ouvir os passarinhos
que cantam mais do que eu

A tristeza do teu pranto
é mais triste quando eu canto
a canção que te escrevi
e os teus olhos neste instante
brilham mais que a mais brilhante
das estrelas que eu já vi
sertaneja eu vou embora
a saudade vem agora
alegria vem depois
vou subir por estas serras
construir lá N'outras terras
um ranchinho pra nós dois.



"Sertaneja" por Lula Barbosa - Sr. Brasil - 18/05/14
Fonte Youtube: Sr. Brasil



Ó Lua Branca...