quinta-feira, 13 de julho de 2017

Pitangueira News

Palácio Real da Justiça do Reino da Pitangueira
Considerando ser razoável a penalização por suspeita, indícios, ódio visceral ou testemunhos públicos com interesses privados;

Considerando o século XXI poder ser alterado para XIX apenas mexendo um pauzinho e continuar sendo duplo X

Considerando a neo-jurisprudência, a pós verdade e a condenação límbica;

Considerando a possibilidade da Daenerys Targaryen, Filha da Tormenta, a Não Queimada, Mãe de Dragões, Rainha de Mereen, Rainha dos Ândalos e dos Primeiros Homens, Quebradora de Correntes, Senhora dos Sete Reinos, Khaleesi dos Dothraki, a Primeira de Seu Nome.e Ultima descendente confirmada da Casa Targaryen. não ser isto tudo que ela diz ou se auto-intitula ser;


O Tribunal de Causas por Modalidade e Lateralidade da Corte Real do Reino da Pitangueira, da qual exerço monocraticamente o pleno direito de redigir, executar, julgar e condenar, declara a penalização por suspeita e indícios como patrimônio cultural do direito pátrio deste reino, inserida no Novo Códex, obedecendo aos seguintes critérios, sem direito a questionamentos da plebe:


Canalha 1 ano de liberdade condicional com tornozeleira fura fila.
 Bandido 0 a 30 anos, depende de variáveis do sentimento meritocrático
   Safado 0 a 2 anos (depende muito da cara do sujeito)
    Mercenário Inocente - é trabalhador até que a mala os separe.
     Meliante 15 anos para os mesmos .e Tornozeleira Fura Fila para lapsos de memória 
      Golpista Se se golpeia a favor não se golpeia, mas para a plebe 19 anos
       Alcoviteiro Isento de penalidade
        Biltre 3 meses (que nojo)
         Cafajeste depende de variáveis do sentimento meritocrático
          Velhaco depende de variáveis do sentimento meritocrático
           Beócio Só os suspeitos da desordem inconstitucional 1 a 3 anos
            Calhorda Pena social
             Desprezível Tornozeleira Fura-Fila
              Energúmeno Passível de Passe Livre
               Desatinado Coitado ... ele não sabe o que tem na mala.
                Janota depende de variáveis do sentimento meritocrático
                 Casquilho Só "aqueles" - 12 anos. 
                  Espinicado Foda-se
                   Mentecapto Incapaz, mas se fingidor denunciado pelo Jotaene - aí 12 anos.
                    Mequetrefe Só os pervertidos. Os pilotos de aviões e helicópteros estão fora.
                      Insignificante Isento
                       Mocorongo Multa de mil reais por cada aparição pública até escafeder-se
                        Cafona Obrigado a assistir aula de boas maneiras e vestuário prefake.
                         Paspalho Opa, estes são nossos, não mexe.
                          Inútil Os úteis são naturalmente isentos 
                          Tolo depende de variáveis do sentimento meritocrático
                           Petulante Quando adversários, 30 anos, os demais Tornozeleira Fura Fila
                            Palerma Opa, em se tratando de reincidentes, tornozeleira fura-fila ou exílio
                             Idiota depende de variáveis do sentimento meritocrático
                              Imbecil com ódio 30 anos, sem ódio uso tornozeleira socialight
                               Parvo suspeitos de crime contra a pátria 45 anos sem apelação
                                Patife 0 a 20 anos  - meritocracia, QI, filiação, etc
                                 Desavergonhado depende de variáveis do sentimento meritocrático
                                  Indigno Ver QI, mas negociar perda patrimônio dos outros por delação
                                   Débil depende de variáveis do sentimento meritocrático
                                    Medroso Quem tem cunha tem medo - isento
                                     Covarde Ninguém pode produzir provas contra si
                                       Pulha Só os incautos sem sentimento meritocrático
                                        Purgante Tribunal especial com recursos intermitentes
                                         Sacripanta Prisão perpétua ou liberdade caribenha, depende muito.
                                          Abiscoitado 12 anos sem recurso
                                           Pentelho Dos homens bons, normal, demais de 5 a 10 anos.
                                            Prevaricador Filme 3D, 15 testemunhas e 36 fotos analógicas.

É isto aí!

Este Lugar Não Existe (Herberto Helder)



Poema de Herberto Helder (in “Apresentação do Rosto”, Lisboa: Editora Ulisseia, 1968)
Dito pelo autor* (in EP “Herberto Helder: Poesia Portuguesa”, Philips 431 999 PE, 1970)

Este lugar não existe,
fica na Arábia Saudita,
no deserto.

Gosto do deserto.

Levei tábuas e pregos.
Ferramentas,
as belas ferramentas dos homens.
Levei água, víveres, sementes.
Não eram sementes de trigo ou aveia, nem de cravos
— também não eram sementes de máquinas.
As belas máquinas dos homens.

Não me lembro se fui pelo ar.

Não me lembro da lenta e progressiva despedida,
quando se anda pelas terras,
o labirinto doloroso,
a alegria, quando se vai pelas terras,
e nos despedimos, primeiro de um corpo,
depois de um sítio,
depois de um odor, uma luz, uma voz, os arrabaldes,
os sinais, as palavras, as temperaturas.

Não me lembro de quando se vai deixando.

Foi portanto pelo ar.
Levei tudo para experimentar o deserto.
Comprei tábuas, água, sementes,
ferramentas — as belas ferramentas.

Tenho uma pequena ciência.
Aprendi.

Vamos lá ver esse lugar que não existe,
na Arábia Saudita, no deserto.
Ficava no meio.
No meio é bom — há uma coisa que se chama à volta.
Serve para estar bem só.

Comprei tábuas, sementes e águas.
Não era trigo, nem cravos,
nem sementes de cores,
das cores que amamos com uma dor no corpo.

Eram sementes de cabeças de crianças.

Tenho uma pequena ciência.
Fiz como nos livros.
Dividi-me em sete dias.
Com os meus dez dedos enchi os dias,
e depois com os meus ouvidos
e o meu coração sôfrego.
Da minha virgindade dos desertos
tirei a minha ciência dos desertos.

Espalhei os dez dedos pelos dias
e, primeiro, criei os céus e as areias
daquele lugar que não havia.

Depois, os dois luzeiros:
um para o dia
e o outro para a noite do deserto.

No terceiro dia,
fiz uma casa com um alpendre
e uma cadeira no alpendre.

Foi então que senti o sangue bater na minha noite
e soube do sinistro silêncio
de toda a minha vida, e era o quarto dia.

No quinto, lancei às areias,
a toda a volta da casa,
até onde podia,
todas aquelas sementes
que não eram de cravos,
nem de trigo,
nem de algodão
— as sementes — lancei à minha volta o futuro nascimento,
e fiquei no meio do nascimento,
cercado pelo futuro nascimento.

Depois pensei,
como pode pensar um animal criador extenuado,
porque eu tinha-me criado a mim mesmo,
e era uma criatura quente e exausta,
e estava cheio da dor e da alegria da minha obra
— era então o sexto dia.

E no sétimo dia
vi que tudo tinha um sentido,
e sentei-me na minha casa,
no meu alpendre,
na minha cadeira.

Pela escrita
tinha eu pois chegado ao sétimo dia,
ligando tudo,
ligando o que não é como que visível
mas é como que audível,
semelhante às correntes de água subterrânea
que o nosso próprio corpo solitário
sente deitado sobre a terra.

Estava sentado na cadeira
criada no terceiro dia,
rodeado pela sementeira do quinto dia.
Era uma sementeira de cabeças de crianças.
Não serão nabos ou rosas?, perguntei no ervanário.

Não eram.

Porque principiaram a sair da areia
na tarde do sétimo dia,
e floresceram,
sombrias e doces cabeças de crianças
— era terrível.

Seriam verdes-garrafa?

Cabeças de crianças
do tamanho de cabeças de crianças
— vivas, oscilantes,
latejantes sobre o pedúnculo que irrompia do deserto,
à volta da minha casa,
do meu alpendre,
da minha cadeira,
do meu coração
que nunca mais dormiria.

Começaram então a sussurrar
— e eu pensei:
a aragem do fim do sétimo dia
passa sobre um campo de corolas verdes,
como no mundo,
e há o sussurro vegetal,
o ondular verde-garrafa,
em frente da casa de um proprietário
como no mundo.
Mas eram cabeças de crianças.

E as minhas tábuas e pregos e víveres,
a minha água e a cadeira,
e o meu coração
estavam cercados
pelo sussurro das cabeças das crianças.

Eu nunca mais dormiria
— era de noite,
era agora a minha noite.
E então elas começaram a cantar — na minha noite.
Eu estava sentado na cadeira,
no alpendre,
na casa
— e as vozes levantavam-se,
eram altas, altas,
inocentes e terríveis,
cada vez mais belas,
mais sufocantes.

No deserto.

O meu coração nunca mais dormiria.
Não serão cravos, ou nabos, ou máquinas?, perguntei no ervanário.

Eram cabeças de crianças.

Mozart - Lacrimosa




Latim (original)                                  Português (tradução)
Lacrimosa                                          Lacrimosa 
Lacrimosa dies illa,                                Dia de lágrimas,
Qua resurget ex favilla                       No qual ressurgirá da cinza
Judicandus homo reus.                       O homem será julgado como réu.
Huic ergo parce, Deus,                       Portanto, tem piedade deste, Deus,
Pie Jesu Domine,                                Piedoso Senhor Jesus,
Dona eis requiem. Amen.              Dá-lhes descanso. Amém.

Em resumo, a letra descreve o "dia de lágrimas" do juízo final, implorando a Deus e a Jesus que tenham piedade e concedam o descanso eterno à alma sendo julgada

Letra de Requiem, K. 626: Lacrimosa © Supraphon Schallplatten, Canadian Brass Publc., Fairwood Music (uk) Ltd., Oxford University Press, Naxos Ltd., Novello & Co. Ltd., De Wolfe Ltd, Novello And Co Ltd., Breitkopf-haertel Musikverlag Gmbh


terça-feira, 11 de julho de 2017

Nota de Falecimento

Noticiamos o falecimento da dignidade do trabalhador da Pátria Tupiniquim. Morreu numa tarde de inverno, assassinado sem luta, sem tiros, sem punhais ou espadas. 

Evoluiu ao óbito pela covardia de uma classe ergonomicamente curvada aos interesses do capital contra as necessidades básicas humanas. Foi a covardia, o cinismo, a hipocrisia e sobretudo a soberba, os agentes letais da sua morte.

O Serviço Funerário informa que não houve ódio no ato, nem agressões sexuais, nem perversões, nem mutilação de órgãos, nem decepação, nem constrangimento, nem rancor, nem remorso, nem nada. Não houve nada, por que de onde veio a ordem, de onde veio a determinação, vem junto o mal, não um mal qualquer, mas o mal no que se refere ao que ele realmente é. E este mal determinou que não se pode dividir este país com um povo mestiço, mulato, negro, quase negro, quase branco, pardo, índio, meio índio. O mal determinou que aqui agora é de domínio de uma classe superior, branca, perfumada e drogada.

O Serviço Funerário informa que o féretro será enterrado em urna lacrada junto aos seus pertences, tais como fundo de garantia, décimo terceiro, piso salarial, dissídio coletivo, justiça trabalhista, hora extra, assédio moral, assédio sexual, educação pública e outros de menor valor de estimação. 

Comunicamos que por questões de ordem pública não haverá orações, nem rezas, nem despedidas, nem discursos, nem direito ao adeus, nem cortejo, nem cantorias, nem velas, nem carpideiras, nem padres, nem pastores, nem amigos, nada. Só o sarcasmo está autorizado a se manifestar.

Enfim, este dia está marcado para sempre como o dia mais triste de todos os dias tristes da história do trabalhador honesto deste país.

É isto aí!

Orgulho danado destas senadoras!


O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB), suspendeu a sessão aberta para discutir a reforma trabalhista após senadoras da oposição ocuparem a mesa do plenário, onde fica a cadeira do senador, e se recusarem a deixar o local; as senadoras oposicionistas que ocuparam os lugares na mesa são: Gleisi Hoffmann (PT-PR), Lídice da Mata (PSB-BA), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Fátima Bezerra (PT-RN) e Regina Sousa (PT-PI); as luzes da Casa foram desligadas e a transmissão também foi suspensa; oposição acusa Eunício de impedir o debate




Smile (a cappella)


Smile is one of my favorite songs of all time, and I’ve always wanted to arrange it. Today seemed like a particularly apt day to bring a little sunshine to everyone, so at the last minute I decided to get a little crew together to make it happen. 

Please enjoy our video, you can download the track and sheet music for free here: https://app.box.com/s/97tirdfji9bucmt...

I’ll be donating to Planned Parenthood, ACLU, and Everytown for Gun Safety in honor of this song and I hope you'll join me by donating to an organization of your choice. Here are some ideas: http://www.papermag.com/progressive-c...
Much love to everyone!

Soprano: Erin Bentlage
Alto: India Carney
Tenor: Kenton Chen
Bass and arrangement: Ben Bram

Filmed by Ryan Parma
Mixed by Ed Boyer
Edited by Alex Green

segunda-feira, 10 de julho de 2017

O mel, o céu e o lagar

Eles só dormem agarrados
num quarto e sala conjugado
de um conjunto popular

Ele de bermuda rasgada
ela de cabelo escovado
e camisola noir

Ele tem sono pesado
Ela sonha acordada
e gosta de namorar

Ele tem ideias fixas
ela sonha ser bailarina
e viver livre a bailar

Ele gasta tudo em cerveja
Ela dá um pouco na igreja
ajoelha e põe-se a rezar

Ele saiu mudo da casa
Ela ficou calada na muda
Resolveram conversar

Ele descobriu que a ama
Ela desconfiou da fama
Mas se espremeram no lagar

Ele jurou pelo céu
Ela deliciou-se do mel
E deram-se a lambuzar

É isto aí!

domingo, 9 de julho de 2017

Jesus te salvou do que, afinal?

Alto lá
Este texto não é meu
Confesso que copiei e colei
Autor: Padre Beto*
Fonte: Caros Amigos

Quem já não ouviu de um fanático religioso a frase coercitiva "Jesus morreu pelos seus pecados!”, uma frase que parece nos colocar em dívida com Deus. A frase parece ter a intenção de nos fazer sentir em falta com o “Criador” se não frequentamos uma determinada religião. De fato, no início da vida de Jesus (Mt 1, 18-24), o evangelista deixa claro que quem irá nascer será aquele “que vai salvar seu povo de seus pecados”. Mas sejamos sinceros: Jesus nos salvou do que?

Se analisarmos o desenvolvimento da humanidade depois de Jesus Cristo encontraremos uma história de derramamento de sangue em nome ou não de Deus, de escravidão negra, de extermínio de povos na América e África, de duas grandes guerras somente no século 20 e hoje não temos uma sociedade sem pecados, sejam eles individuais ou sociais. Então, do que Jesus nos salvou?

O problema está na pergunta formulada e não na resposta. A pergunta não pode ser feita no pretérito, mas no presente: Jesus nos salva do que? Esta pergunta possui muito mais relação conosco do que com Deus. Deus já fez a sua parte. Jesus é um paradigma, um modelo a ser seguido, o caminho, a verdade de Deus e, portanto, a vida. Cabe a cada um de nós seguir ou não este modelo, viver como salvo ou como condenado. E quando eu falo em seguir ou não este modelo não está falando em ser adepto de uma religião ou não. A questão está relacionada a valores. Se lermos com atenção os Evangelhos veremos que ao vivermos os valores pregados e vividos por Jesus encontraremos um caminho de salvação não somente individual, mas também coletiva.

Ao vivermos como Jesus somos salvos de muitos aspectos destrutivos da vida. Jesus nos salva da hipocrisia. Jesus é uma pessoa verdadeira e que critica (principalmente os religiosos da época) todos que constroem relações baseadas na falsidade ou nas conveniências sociais. Jesus nos ensina que, ao vivermos na sinceridade e na veracidade, construímos uma vida segura para todos. Jesus nos salva do individualismo, pois Ele se envolve em todas as circunstâncias que lhe aparecem pela frente. Jesus mostra que não existe neutralidade, esta é uma ilusão criada pelo ser humano. A partir do momento em que tomo ciência de algum fato, estou envolvido e, a partir deste momento, cabe a mim a decisão de ser omisso ou me comprometer com ele. Jesus nos salva da indiferença social. Ele se coloca do lado dos pobres, marginalizados, miseráveis, moralmente excluídos, ao lado das mulheres e crianças. Jesus nos salva do “pré-conceito”de qualquer espécie nos mostrando que cada ser humano deve ser respeitado e nenhum deve ser excluído por ser estrangeiros, mulher, portador de deficiências ou qualquer outro motivo. Jesus chega ao ponto de dizer aos fariseus que as prostitutas os precederão no Reino dos Céus.

Por fim, Jesus nos salva da alienação. Por isso, Jesus coloca como mandamento maior amar ao próximo como a ti mesmo. Para viver isso é necessário que eu reflita o que é amar  e como expressar o meu amor em cada circunstância. Como desejo ser amado? Assim devo amar as pessoas. Amar é deixar que o outro possa se desenvolver da sua forma e não da maneira que eu gostaria que fosse. Enfim, para amar eu preciso me conhecer melhor, conhecer o outro, conhecer a lógica de nossa economia capitalista, o sistema de corrupção em nosso país, a política educacional que temos o sistema único de saúde pública, a política do governo atual, etc.

Amar ao próximo não é romantismo ou uma ideia platônica. Amar ao próximo começa com um processo sério de desalienação e termina na ação concreta, na atitude política, no posicionamento contra toda forma de exploração e a favor da vida. Isso é salvação.


Padre Beto é escritor, cronista e filósofo. Formado em direito pela Instituição Toledo de Ensino (ITE), em história pela Universidade do Sagrado Coração (USC) e em teologia pela Ludwig-Maximillian, de Munique (Alemanha).

É isto aí!

A Mulher Mais Bonita do Mundo (José Luís Peixoto)


Estás tão bonita hoje ...
Quando digo que nasceram 
flores novas na terra do jardim,
quero dizer que estás bonita. 

Entro na casa ...
entro no quarto ...
abro o armário.
abro uma gaveta,
abro uma caixa
onde está o teu fio de ouro. 

Entre os dedos,
seguro o teu fino fio de ouro,
como se tocasse a pele do teu pescoço. 

Há o céu ...
a casa ...
o quarto ...
e tu estás dentro de mim. 

Estás tão bonita hoje. 

Os teus cabelos ...
a testa ...
os olhos ...
o nariz ...
os lábios ... 

Estás dentro de algo
que está dentro de todas as coisas,
a minha voz nomeia-te
para descrever a beleza. 

os teus cabelos ...
a testa ...
os olhos ...
o nariz ...
os lábios ... 

De encontro ao silêncio,
dentro do mundo, 
estás tão bonita
é aquilo que quero dizer.

sábado, 8 de julho de 2017

Mala vem aí!

Cidadãos e cidadelas, hoje nessa querida e próspera cidade deste grande país lanço a pedra fodamental que assolará o mais rigoroso dia de lua de nova. Teremos-nus brilho nos olhos, teremos lágrimas nos olhos, teremos olhos nos olhos de toda a gente honesta, funesta, cafajesta, etccesta etcesta e tal e testa, que comece logo a festa.

Nosso pogresso deve-ce muito mais ao que aqui falamos por assim dizer do que aquilo que não fazemos à vistas de vocês. Temos que lutar para tirar os ladrões, os fascínoraxos, os bandidos de fraque e bengala que se fingem de vivo mas são mortos de cemitério clandestino enterrados feito endegentes prolixos da querência clássica segundo disse a firmou o grande filósifo Calógeras Marconedes, que se assim não o disse nestas palavars, deveria te-las feito pois se dão bem com nossa pátria.

Eu se lá vá me vou acabar com as maracutaias dos adversários, vai tudo preso na prisão da penitenciária que tem lá no presídio da cadeia municipal da nossa cidade. Aqui basta ser nosso adversário para a gente saber que é ladrão. Nós somos a história viva desta cidade, nós somos bons, nós somos do bem, nós somos legais, nós somos ricos.

E para encerrar no fim e indo aos finalmente, vote-se em mim, por que seu eu ganhar eu vou transformar esta cidade naquilo que sempre fiz, só que com mais novidades, e se eu perder, não tem descanso, eu volto pela vontade das ruas amarelas, eu quebro tudo pelo força dos patos, eu arrebento e assumo pela vontade do meu povo. Amém

É isto aí!

sexta-feira, 7 de julho de 2017

E por vezes (David Mourão-Ferreira)



E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos    E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites      não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos

David Mourão-Ferreira, in 'Matura Idade' 

Uma pequenina luz (Jorge de Sena)



Uma pequenina luz bruxuleante
não na distância brilhando no extremo da estrada
aqui no meio de nós e a multidão em volta
une toute petite lumiére
just a little light
una piccola…em todas as línguas do mundo
uma pequena luz bruxuleante
brilhando incerta mas brilhando
aqui no meio de nós
entre o bafo quente da multidão
a ventania dos cerros e a brisa dos mares
e o sopro azedo dos que a não vêem
só a advinham e raivosamente assopram.
Uma pequena luz
que vacila exata
que bruxuleia firme
que não ilumina apenas brilha.
Chamaram-lhe voz ouviram-na e é muda.
Muda como a exatidão como a firmeza
como a justiça
Brilhando indefectível.
Silenciosa não crepita
não consome não custa dinheiro.
Não aquece também os que de frio se juntam.
Não ilumina também os rostos que se curvam.
Apenas brilha bruxuleia ondeia
Indefectível próxima dourada.
Tudo é incerto ou falso ou violento: brilha.
Tudo é terror vaidade orgulho teimosia: brilha.
Tudo é pensamento realidade sensação saber: brilha.
Tudo é treva ou claridade contra a mesma treva: brilha.
Desde sempre ou desde nunca para sempre ou não:
brilha.
Uma pequenina luz bruxuleante e muda
Como a exatidão como a firmeza
como a justiça.
Apenas como elas.
Mas brilha.
Não na distância. Aqui
No meio de nós.
Brilha.

(in FIDELIDADE, 1958)


"Manual de Despedida para Mulheres Sensíveis" de Filipa Leal


Declamada por Pedro Lamares:

Ser digna na partida, 
na despedida, 
dizer adeus com jeito,
não chorar para não enfraquecer o emigrante, 
mesmo que o emigrante seja o nosso irmão mais novo,
dobrar-lhe as camisas, 
limpar-lhe as sapatilhas
com um pano úmido, 
ajudá-lo a pesar a mala
que não pode levar mais de vinte quilos
(quanto pesará o coração dele? e o meu?),
três pares de sapatos, 
um jogo de lençóis, 
o corta-vento,
oferecer-lhe a medalha 
que a Mãe usava 
sempre que partia
e que talvez não tenha usado 
quando partiu para sempre,
ter passado o dia 
à procura da medalha 
pela casa toda
(ninguém sai mais daqui sem a medalha, ninguém sai mais daqui),

pensar que a data escolhida 
para partir é a da morte da Mãe,
pensar que a Mãe 
não está comigo 
para lhe dobrar as camisas
e mesmo assim não chorar, 
nunca chorar,

mesmo que o Pai esteja a chorar, 
mesmo que estejam todos a chorar,
tomar umas merdas, 
se for preciso: 
uns calmantes, uns relaxantes,
uns antioxidantes para não chorar; 
andar a pé para não chorar,
apanhar sol para não chorar, 
jantar fora para não chorar, 
conhecer gente,
mas gente animada, 
pintar o cabelo 
e esconder as brancas, 
que os grisalhos são mais chorões, 
dizer graças para não pôr também
os amigos a chorar, 
os amigos gostam é de nós a rir, 
ver séries cômicas até cair, 

acordar mais cedo 
para lhe fazer torradas antes da viagem,
com manteiga, 
com doce de mirtilo, 
com tudo o que houver no frigorífico,
e não pensar 
que nunca mais 
seremos pequenos outra vez,
cheios de Mãe e de Pai no quarto ao lado,
cheios de emprego no quarto ao lado 
quando ainda existia Portugal.

É tanto o que se pede a um ser humano do século vinte e um.
Que morra de medo e de saudade no aeroporto Francisco Sá Carneiro.
Mas que não chore. 

Papo de Esquina XXXIX

- Vi pessoas vinculadas à Leva Leva clamarem pelo amor de Deus para as pessoas apoiarem suas mais sinceras intenções de bom mocismo.

- Enfim, se tudo der errado a culpa é dos crentes e tementes a Deus que não oraram decentemente pelos paladinos.

- No fundo no fundo, o buraco é mais embaixo, a Leva Leva nasceu e morreu pelas mesmas mãos ... mesmas mãos ... as mesmas.

- É, como dizia meu avô ... apenas mais dos mesmos de sempre ...

É isto aí!

quinta-feira, 6 de julho de 2017

A única sincera

Seis pessoas circulavam o féretro do Doutor Juquinha, proeminente advogado da pequena e pacata Cachoeira da Curva, um distinta vila nos confins do paraíso do Reino da Pitangueira. Foi juiz de paz, escrivão juramentado, delegado, prefeito, vereador, professor, coroinha, diácono, empresário do setor de secos&molhados, conselheiro matrimonial, jornalista e procurador municipal.

Casado, pai de seis filhos, avô de treze netos e duas bisnetas, nunca foi homem de dar carinho aos seus, os filhos homens eram os meninos, as filhas - as meninas, e os netos eram netos e netas. Não sabia nomes, datas de aniversário, batizados, festas familiares, etc. Enfim, era um estranho no lar.

Quase não saia de casa, tinha poucos amigos, não emprestava dinheiro, não fazia favores, não levava recado, não participava de reuniões além da Conferência Vicentina, da qual foi presidente por 45 anos. Detestava cachorros, gatos, crianças brincando, barulho de festas e aglomerações.

Enquanto as pessoas circulavam no salão, aguardando ansiosamente o coveiro avisar que o túmulo estava pronto, discretamente permanecia sentada num banco da praça, em frente ao portão do cemitério, Verinha Couto, uma viúva prá lá de voluptuosa, de grandes virtudes e caridades na sociedade local, respeitada pela história da família e pela sua própria de ter mantido intacta toda a fortuna herdada do pai, sem permitir que o falecido marido a destruísse com mulheres, bebida e jogo.

O que jamais souberam e nunca terão o privilégio de saber é que Verinha e Juquinha foram amantes desde a mocidade dela, aos 18 anos, naquela época já trinta anos mais nova do que ele, e foi seu amante que a instruiu passo a passo como ocultar e manter a herança paterna, para desgosto e ódio do marido, que quando a par da situação, sofreu um estranho acidente em trágico passeio nunca investigado nem reclamado pelas partes.    

Verinha, naquela tarde nebulosa e fria, era a única com lágrimas, discretas mas sinceras, na despedida do Doutor Juquinha.

É isto aí!

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Na depressão o foco é invertido

Resumo do resumo do resumo para extrair o sumo:

No texto Luto e Melancolia, de 1917, Freud realiza um estudo comparativo entre os dois estados: o estado de ter perdido alguém (luto) e o estado depressivo – como chamamos hoje – ou melancolia.

Vou ficar só na melancolia, que hoje acha-se depressão e daqui a um século será outro nome para a mesma coisa:

Freud respondeu à seguinte pergunta:

– Porque a pessoa, na melancolia, possui esta característica de se auto-criticar? De ter a sua autoestima tão em baixa?

Segundo ele, a resposta é:

“Se se ouvir pacientemente as muitas e variadas auto-acusações de um melancólico, não se poderá evitar, no fim, a impressão de que freqüentemente as mais violentas delas dificilmente se aplicam ao próprio paciente, mas que, com ligeiras modificações, se ajustam realmente a outrem, a alguém que o paciente ama, amou ou deveria amar”.

É isto aí!

sábado, 1 de julho de 2017

A namorada - Casos do Analista da Pitangueira

- Sabe, doutor, tive um sonho de novo com uma moça.

- Interessante. Quer falar sobre ele?

- Bem, desta vez cheguei atrasado para a apresentação da dança da namorada.

- Hummm, apareceu uma namorada. Sabe quem era?

- Sim, no sonho eu sabia bem, não está confusa esta identificação, chamava-se Sara Lúcia. Aí aconteceu algo inesperado - Como cheguei atrasado, as luzes já estavam apagadas, as pessoas acomodadas, então tropecei nas pernas de uma mulher que percebi que não só propiciou como ajudou na minha queda com um forte empurrão nas minhas costas.

- Conseguiu ver esta mulher?

- Engraçado, agora me lembro - parecia com mamãe - nossa era a mamãe.

Com a queda forçada, provocada pela mamãe, cai aos pés de outra mulher, de vestido sedutor, que segurou-me entre suas pernas, enquanto minhas mãos se perdiam no seu vestido preto com corte lateral acentuada. A moça permitiu uma situação sedutora. Cheguei a desejar ficar ali para sempre.

- Para sempre aos pés dela?

- Sim e não, havia mãos nas coxas e o desejo de ...

- Olha Betinho, desejo é apenas o desejo de ter desejo, ele está ali apenas para ser desejado.

- Eu entendo, doutor, mas aquelas coxas, o perfume, o ambiente ...

- A sua mãe ...

- É, tinha  a minha mãe, mas sabe que eu nem liguei para isto. Ao levantar, já me apoiando no braço da poltrona, a moça puxou delicadamente meu braço, conduzindo-me à poltrona ao lado sem tirar os olhos dos meus, e ficamos ali nos observando num olhar quase infindo.

- Foi só isto ou quer falar mais alguma coisa? Tem mais algum detalhe que lembre?

- Bem, veio então um homem imenso, sabe, parecia zagueiro de futebol americano. Ele veio para sentar ao lado da moça, onde eu já estava. Nem olhou para mim, então conversaram algo bem baixinho, e ele acabou sentando ao lado da mulher ... da mulher, caramba, ele sentou ao lado da minha mãe e deu-lhe um beijo escandaloso na boca.

- E isto despertou alguma emoção em você?

- Não tive tempo, pois assim que voltei os olhos ao palco, a moça do lado segurou minha mão e ficou, sabe, meio que apertando, meio que alisando. Aquilo foi ficando bom, tenso e excitante ... bom ... tenso e aí pensei - espera aí rapaz, ficou maluco?

- Não gostou dela?

- Não sei sobre o que está falando, senhor.

- Não se faça de bobo e não me faça perder meu tempo, gostou ou não gostou?

- Que conversa é esta?

- (mantendo a voz baixa e tensa) - gostou ou não gostou?

- Claro que gostei, mas eu não sabia ...

- Do que você não sabia, Betinho?

- Eu não sabia nada dela, nem o nome, nem idade, nem a voz, nada e ainda tinha a Sara Lúcia , e eu estava ali por ela ...

- E como conseguiu se controlar?

- Não me controlei (exaltado); não me controlei (babando); não me controlei (vermelho); eu não me controlei, caramba (chorando) ... a gente fez tudo ali, tudo, entende??? tudo ... eu não me controlei (sussurrando).

- Tudo bem, tudo bem, mas e depois do espetáculo? As luzes se acenderam, sua namorada apareceu sob aplausos?

- Mais ou menos.

- Como assim, mais ou menos?

- Mamãe consertou a roupa no corpo, toda revirada, levantou-se abruptamente e berrou histericamente: Olha Júnior, eu não te disse? A Sara Lúcia é uma drag-queen!!! E foi aquela gritaria no auditório do Colégio das Irmãs Devotas da Castidade.

- Mas e você?

- Eu o quê, doutor?

- Você sabia que ela era uma drag-queen?

- Espera, o senhor já me fez esta pergunta ...

- Com certeza não fiz, Betinho.

- Fez sim ... puta que o pariu, o senhor era o homem forte que pegou a minha mãe - quando ela berrou, virou-se para mim  e fez esta mesma pergunta .... aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhh socorro, o senhor quer me destruir ... seu seu ....

- Calma, Betinho, calma ... calma ... muita calma ... um sonho é um sonho, calma. Voltemos a ele, depois discutiremos os detalhes. Calma, ok? Calma ... isto, cal ... ma!!! isto ...

- Bem, com a confusão, a moça desapareceu, o senhor também, bem como a minha mãe e eu fiquei ali, nu, em pé na poltrona gritando - Sara Lúcia ... Sara Lúcia ...

- Humm, interessante

- Aí ela me viu, acenou e veio correndo na minha direção e quanto mais se aproximava mais se ... - não, não, não pode ser ...

- Não pode ser o que, Betinho?

- Ela era eu ... meu deusinho das causas oníricas, ela era eu ...

- Semana que vem no mesmo horário, Betinho, e traga a sua mãe.

É isto aí!

quinta-feira, 29 de junho de 2017

A verdade vos libertará

Alto lá
Este texto não é meu
Confesso que copiei e colei
Fonte - Portal A12 

No âmbito sócio-político consagra-se o termo no ano em que a sociedade preferiu boatos aos fatos. Neste momento político brasileiro, diariamente todos os meios de comunicação nos empanturram com notícias a respeito das chamadas “delações premiadas da Odebrecht, chamada operação Lava Jato. 

Esta (a Lava-Jato) mistura intencionalmente doações legais que empresas fizeram a candidatos nas eleições com propinas que pagaram a parlamentares, criminalizando a política como um todo... e o eleitorado vai às ruas para apoiar o juiz Sergio Moro e seus cruzados da moralidade pública, sem fazer qualquer ressalva. É um eleitorado capaz de jurar sobre a Bíblia que o” filho do Lula”, é dono da Friboi e de quase todo no País. 

Estamos num país em que a mídia cultiva o pensamento único, e os brasileiros não têm uma segunda opinião para ouvir e cotejar e acreditar. Uma prática basilar do jornalismo é sempre ouvir o “outro lado”. Não é portanto pelo excesso de versos, que a opinião publica nacional desacredita dos fatos e se nutre de factoides imaginários, cevados na ignorância e no preconceito. (Cf. Carta Capital, Gabriel Priolli – 13/01/2017).

Enfim cria-se uma indústria da pós verdade, das notícias falsas (“fake News”) nas mídias sociais que premiam a mentira e a noticia falsa. O desafio de discernir o que é verdade do que não é verdade aumentou exponencialmente. “A verdade factual” (Hannah Arendt) não pode ser desvalorizada, com checagem de informações, se quisermos uma imprensa ética.

Pesquisa realizadas nos EUA informam que 59% dos leitores só leem as manchetes das notícias (verdadeiras ou falas) e 25% dos leitores não sabem distinguir as noticiais falsas das verdadeiras, e quando o fazem, ainda acham válida a propagação das informações mentirosas. 

A “verdade vos libertará, já disse nosso mestre Jesus. Nunca devemos relativiza-la, toma-la pela metade ou desdenhá-la”. Temos um compromisso ético sério com a verdade dos fatos, da vida e dos acontecimentos.

Premiar a mentira, a meia-verdade ou a notícia falsa, nos cerceia a possibilidade de construir um futuro de uma sociedade democrática, “visto que democracia seria apenas um show de entretenimento”! Acrescentamos que não é a toa que o Marketing bem planejado, tornou-se central nas campanhas políticas, sem compromisso com a verdade, mas turbinado por uma postura falsa e sem escrúpulos, que alimenta o vale tudo para derrubar o inimigo ideológico.

Diz ainda Janine Ribeiro que esta tendência de fazer passar a mentira como sendo verdade “traz um elemento triste. Não é apenas falar uma mentira. Ao dizer ´pós´, é como se a verdade tivesse acabado e não importa mais. Essa é a diferença entre pós-verdade e todas as formas de manipulam das informações que tiver antes. É a ideia de que teríamos deixado um tempo em que nos preocupamos com isso e passamos então a um tempo em que seria avançado relativizar ou mesmo desdenhar a verdade”.

Que pensar de uma sociedade que a partir de seus líderes maiores, desdenham a verdade dos fatos e cultivam a indústria da mentira para destruir o outro muito bem orquestrada com um custoso Marketing? Não podemos ser cúmplices da manipulação de mentes, e mentiras deslavadas que nos seduzem por se “apresentarem esteticamente como verdades” e que acabam alimentando novos fundamentalismos e fanatismos tanto de direita, quanto de esquerda, tanto no mundo secular quanto no mundo religioso. Curioso que neste cenário a “pós-verdade” é apresentada como sendo uma evolução, um avanço de civilizacional e sinal de salvação!

É preciso insistir e repetir incansavelmente dito do Mestre: “Somente a verdade nos libertará” ... Não existe ética e muito menos bioética em nenhum âmbito da vida humana, sem um compromisso com a verdade!

* Superintendente da União Social Camiliana, entidade Mantenedora do Centro Universitário São Camilo - São Paulo e Espírito Santo desde 1997

sábado, 24 de junho de 2017

Sobre Teorias de Domínio e outras coisas patéticas e crueis

Primeiro vieram
com a Teoria
imoral e truculenta
do Domínio de Fatos

Onde você
se não sabia
deveria se dar conta
da nova pós-verdade

Nela pobres são abstratos
pretos são quase humanos
putas são quase mulheres
honestos são muito chatos

Depois disto
desta teoria abjeta
hedionda cretina
a camarilha projeta

E injeta
já empossados
num golpe
medíocre

Nada mais natural
nada mais normal
nada mais marginal
nada mais banal

Vemos estupefatos
a efetivação real
da Teoria sob
o domínio dos ratos

ratos roem pessoas
roem ratos também
roem roem roem
ratos arrotam amém.

É isto aí!