terça-feira, 17 de abril de 2018

Carta de Compromisso com a Fé



Hebreus, 11
A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê.

01 - Ame a si mesmo
02 - Perdoe-se 
03 - Seja determinado
04 - Banque-se, sustente a si mesmo.
05 - Faça acontecer
06 - Doe seus talentos ao Universo
07 - Acredite no impossível
08 - Ouça e siga sua intuição.
09 - Tenha Força para superar os obstáculos.
10 - Nunca se desvie do seu foco principal
11 - Guardai a Fé em Deus Pai!
12 - Pratique a gratidão.

É isto aí!

sábado, 14 de abril de 2018

Afirmações PODEROSAS para prosperidade - Maura de Albanesi


Se Torne um Imã de Prosperidade - 5 Passos para Sintonizar a Energia do Dinheiro
Fonte Youtube - Maura de Albanesi

Atenção - este vídeo acima de data, com a mesma temática, é de 2020 e foi colocado para substituir o anterior que saiu da grade da Maura de Albanesi, no Youtube

quarta-feira, 11 de abril de 2018

E se o cabaret fosse diferente?


Dados da imagem: 
Artista: Henri de Toulouse-Lautrec ,
Nome do Quadro: Salão da rue des Moulins , pintado em 1894,
Está no Museu Toulouse-Lautrec .


Deveria estar aqui escrevendo coisas que estão coisando, mas o fato é que já coisei sobre isto e cansei. A forma de coisar que no século XX apresentou-se como democracia aliada ao capitalismo e comunismo aliado a, hummmm, aliado a ... hummm ..., confuso demais isto daí. 

Bem, sabia-se que o planeta era plano, estático no centro de um universo sem graça. Aí falaram que era redondo redondo, tudo bem até aí, aí falaram que não era o centro do universo - O pau quebrou, pois o topo da pirâmide sempre soube disto, mas seria bom que a choldra não coisasse. Aí o sol ficou validado como o centro, ficou meia bomba até que a ciência, esta intrometida, provou que o sistema solar é uma nanopartícula em movimento libre por um infinito espaço de turbilhões de coisas, sois, planetas, luas, asteroides, galáxias, estrelas mortas, anãs, marrons, buracos negros, aí foi ficando chato prá caramba, até que djênios metamorfósicos reinventaram  a terra plana ... uau bem vindo ao tobogã da insatisfação.

Neste planetinha ora plano, ora redondo e no geral chato e inconveniente - menos para os mesmos, o império neo-romano domina do seu jeito atabalhoado, nada sutil e bastante indelicado, ao oeste de Greenwich. O império do sol domina o leste quase na totalidade. No meio a sissi, a indefectível, bate de frente e ao mesmo tempo abraça a beth, a velhinha da ilha das maldades - centro universal das maldades do mundo. 

Ao sul do meio, um imenso, gigantesco laboratório de experiências sensoriais per e sobre-humanas. Um continente tomado pela dor, sangue, tristeza e desprezo.

Ao norte do meio um império incógnita. Tem poder, tecnologia, recursos, lendas, bons escritores e poder bélico assustadoramente assustador.

E aqui, na grande e vasta tabajara, do atlântico ao pacífico, da patagônia ao caribe, o paraíso da poderosa mani pulite, os amigos fieis da pátria, do amor, da liberdade, da família e das putas celibatárias instalaram um imenso templo centralizador e dominante onde virgens dos lábios de mel são entregues aos homens de bem, já doutrinadas, preparadas e treinadas para exercerem suas fogosas qualidades como geradoras de heróis da salvação nacional. 

A classe mérdia deste torreão tem síndrome de estocolmo, a classe rica tem síndrome de adolf (não se sabe bem por que já que ...) e a classe pobre não tem nada, é assindrômica, assombradamente tapada nos ouvidos, nos olhos e na boca, mas está liberarararadaaaaahh para se masturbar no 3B de janeiro a abril ..., quando começam os campeonatos de cartas marcadas.


Fui ali coisar - é isto aí!

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Atingiu-se o ponto do não retorno

No dia 10 de Janeiro do ano 49 AC, há 2067 anos atrás, Júlio César atravessava o rio Rubicão, proferindo as famosas palavras “alea jacta est”, isto é, “os dados estão lançados”.

Desde aí, a expressão “atravessar o Rubicão” adquiriu um significado paradigmático de qualquer situação que chegue a um ponto de não retorno.

Para César, vindo desde os confins da Gália e chegado ao Rubicão, fronteira proibida de passar por qualquer legião do exército romano, sabia que passar esse rio significava guerra, o tal ponto de não retorno. Ou sairia dela como um traidor executado e para sempre esquecido entre os meandros da história ou como o glorioso vencedor e governante absoluto da República que queria tornar Império.



terça-feira, 3 de abril de 2018

Stand by Me


O Talibã é aqui


Na pátria amada idolatrada salve salve, mulher só pode ser objeto de escárnio, de desejo e de prazer, o resto é pecado mortal. Assim são destituídas presidentes, assassinadas líderes de movimentos sociais (mesmo sendo freiras), assassinadas agentes políticas, estupradas, violentadas, agredidas, transgredidas e mortificadas.

Os Talibãs que determinaram algumas normas a serem seguidas rigorosamente pelas mulheres, enquanto governaram (sic) fizeram escola em terras guaranis:

1 – Total proibição do trabalho feminino fora de casa. Apenas algumas médicas e enfermeiras estão autorizados a trabalhar nos hospitais de Cabul.
2 – Total  proibição de qualquer atividade feminina fora de casa se a mulher não estiver acompanhada por um mahram (parente próximo do sexo masculino, como pai, irmão ou marido).
3 – Impedidas de fazer compras com comerciantes masculinos.
4 – Não podem ser tratadas por médicos do sexo masculino.
5 – Proibidas de estudar em escolas, universidades ou qualquer outra instituição educacional (o Taliban converteu as escolas para meninas em seminários religiosos).
6 – Obrigação do uso da burca, vestimenta que as cobre da cabeça aos pés.
7 – As mulheres que não se vistam conforme as regras do Taliban ou que não estejam acompanhadas por um mahram são açoitadas, espancadas ou ofendidas verbalmente.
8 – Açoites públicos contra as mulheres que não escondem seus tornozelos.
9 - Apedrejamento público contra as mulheres acusadas de ter relações sexuais fora do casamento (muitas delas são apedrejadas até a morte).
10 - Proibição do uso de cosméticos (muitas mulheres que pintaram as unhas tiveram os dedos amputados).
11 - Proibição de falar ou apertar as mãos de homens não-mahram .
12 - Proibição de rir alto (nenhum estrangeiro pode ouvir a voz de uma mulher).
13 – São proibidas de usar sapatos de salto alto, que podem produzir som ao caminhar (um homem não pode ouvir os passos de uma mulher).
14 - Proibidas de andar em táxi sem o mahram.
15 – Proibidas de participar de programas de rádio, televisão ou de reuniões públicas de qualquer espécie.
16 – Proibidas de praticar esportes e de entrar em centros esportivos ou clubes.
17 – Proibidas de andar de bicicleta ou motos .
18 – Proibidas de usar roupas muitos coloridas. Para o Taliban, isso as tornam sexualmente atrativas.
19 – Proibidas de participar de encontros festivos com fins recreativos.
20 – Proibidas de lavar as roupas em rios ou qualquer outro lugar público.
21 – Alteração de todos os nomes de ruas e praças que tenham a palavra. "mulher" . Por exemplo, "Jardim das Mulheres" se chama agora "Jardim da Primavera".
22 – Proibidas de  aparecer nas varandas de seus apartamentos ou casas.
23 – Janelas de vidro são pintadas para que as mulheres não sejam vistas do lado de fora de suas casas.
24 – Os alfaiates são proibidos de costurar roupas femininas ou até tomar as suas medidas.
25 – Proibidas de usar banheiros públicos.
26 – Mulheres e homens são proibidos de viajar no  mesmo ônibus. Os ônibus são divididos em "só para homens" ou "só para mulheres".
27 – Proibidas de usar calças, mesmo debaixo da burca.
28 – É proibido fotografar ou filmar mulheres.
29 – É proibido publicar imagens de mulheres em revistas, jornais, livros ou cartazes de qualquer ordem.
Além dessas restrições, as mulheres também não podem ouvir música, assistir filmes, de comemorar a chegada do ano novo.



É isto aí!

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Toy Story - You've Got A Friend In Me - Hollywood in Vienna 2014



You've got a friend in me
You've got a friend in me
When the road looks rough ahead
And you're miles and miles from your nice warm bed
You just remember what your old pal said
Boy, you've got a friend in me
Yeah, you've got a friend in me

You've got a friend in me
You've got a friend in me
If you got troubles, I got'em too
There isn't anything I wouldn't do for you
If we stick together we can see it through
'Cause you've got a friend in me
Yes, you've got a friend in me

Some other folks might
Be a little bit smarter than I am
Bigger and stronger too. Maybe
But none of them will ever love you
The way I do
It's me and you, boy

And as the years go by
Our friendship will never die
You're gonna see, it's our destiny
You've got a friend in me
You've got a friend in me
Yes, you've got a friend in me

Você tem um amigo em mim

Você tem um amigo em mim

Quando a estrada adiante parecer dura

E você está há milhas e milhas de sua bela cama quente

Você apenas relembre do que seu velho amigo disse

Garoto, você tem um amigo em mim

É, você tem um amigo em mim



Você tem um amigo em mim

Você tem um amigo em mim

Você tem seus problema, eu os tenho também



Não há nada que eu não faria por você

Nos mantendo unidos, nós podemos resolver isso

Porque você tem um amigo em mim

Você tem um amigo em mim



Algumas outras pessoas podem ser um pouco mais inteligentes do que eu

Maiores e mais fortes também

Talvez, mas nenhum deles irá te amar como eu amo

É você e eu, garoto

E à medida que os anos passam

Nossa amizade nunca irá morrer

Nós dois veremos, é o nosso destino

Você tem um amigo em mim



Você tem um amigo em mim

quarta-feira, 21 de março de 2018

Pausa -poemeu

Sem assunto, apesar de
Sem palavras, apesar de
Sem argumentos, apesar de
Sem forças, apesar de

Sem otimismo, apesar de
Sem disposição, apesar de
Sem confiança, apesar de
Sem racionalidade, apesar de

Sem equilíbrio. apesar de
Sem concentração, apesar de
Sem ambição, apesar de 
Sem dinamismo, apesar de

Minh'alma quer paz
Meu corpo quer guerra
Minha pátria está apátrida
Minha luta é eterna.

É isto aí!

Resultado de imagem para cala a boca

terça-feira, 13 de março de 2018

Tocando em frente (Renato Teixeira e Almir Sater)

Ando devagar porque já tive pressa 
Levo esse sorriso porque já chorei demais 
Hoje me sinto mais forte, mais feliz, quem sabe?
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Ou nada sei. 

Conhecer as manhas e as manhãs, 
O sabor das massas e das maçãs, 
É preciso amor pra poder pulsar, 
É preciso paz pra poder sorrir, 
É preciso a chuva para florir.

Penso que cumprir a vida seja simplesmente 
Compreender a marcha e ir tocando em frente 
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou
Estrada eu sou. 

Conhecer as manhas e as manhãs, 
O sabor das massas e das maçãs, 
É preciso amor pra poder pulsar, 
É preciso paz pra poder sorrir, 
É preciso a chuva para florir.

Todo mundo ama um dia todo mundo chora, 
Um dia a gente chega, no outro vai embora 
Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz 
De ser feliz.

Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir, 
É preciso a chuva para florir.

Ando devagar porque já tive pressa 
E levo esse sorriso porque já chorei demais 
Cada um de nós compõe a sua história, 
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
de ser feliz.

Conhecer as manhas e as manhãs, 
O sabor das massas e das maçãs, 
É preciso amor pra poder pulsar, 
É preciso paz pra poder sorrir, 
É preciso a chuva para florir.


Diante da dor, o salto


Dantes
dessa dor
estressante
Desse amor
intrigante

havia um gato
morto
na sacada
do prédio

Hesitante
seu beijo mentolado
provocante
e gelado

e o gato
salta
da sacada
do prédio


É isto aí!

segunda-feira, 12 de março de 2018

Zadig ou o Destino (Voltaire) Parte X - A escravidão

X. A ESCRAVIDÃO

Ao entrar na cidade egípcia, viu-se cercado pelo povo.

- Eis o que raptou a bela Missuf bradavam - e o que acaba de assassinar Cletófis!

- Senhores disse êle, - Deus me livre de raptar algum dia a vossa bela Missuf! É demasiado caprichosa. E, quanto a Cletófis, não o matei: apenas me defendi contra êle. Queria matar-me, porque lhe pedi com




tôda a humildade que poupasse a bela Missuf, a quem batia impiedosamente. Sou um estrangeiro que




vem procurar asilo no Egito; e não teria cabimento que, vindo solicitar vossa proteção, começasse por me




apoderar de uma mulher e por assassinar um homem.




Os egípcios eram então justos e humanos. O povo conduziu Zadig à prefeitura. Começaram por lhe tratar




do ferimento, e em seguida o interrogaram, a êle e ao criado separadamente, a fim de saber a verdade.




Reconheceu-se que Zadig não era um assassino; mas sendo culpado de ter vertido sangue humano, a lei o




condenava à escravidão. Os seus dois camelos foram vendidos em proveito da comuna, repartido entre os




Zadig




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habitantes todo o ouro que trouxera, e sua pessoa exposta em hasta pública, bem como o seu




companheiro de viagem. Um mercador árabe, chamado Setoc, arrematou-o; mas o criado, mais resistente




à fadiga, foi vendido muito mais caro que o patrão. Nem faziam comparação entre os dois Zadig ficou,




como escravo, subordinado a seu serviçal; ligaram um ao outro por uma cadeia prêsa aos tornozelos e,




nesse estado, acompanharam ambos o seu senhor. Zadig, pelo caminho, consolava o criado e exortava-o




à paciência; mas, segundo o seu costume, fazia reflexões sôbre a vida humana: "Vejo - dizia-lhe - que os




males do meu destino se expandem sôbre o teu. Até agora, tudo me saiu muito estranho, na verdade.




Multaram-me por causa de um grifo; mandaram-me a suplício por ter feito versos em louvor do rei;




estive prestes a ser estrangulado porque a rainha tinha fitas amarelas; e eis-me agora escravizado contigo




porque um brutamontes deu uma sova na amante. Mas não percamos a coragem; tudo isso, decerto,




acabará; afinal de contas, os mercadores árabes têm de possuir escravos; e por que não seria eu um




escravo como qualquer outro, visto que sou um homem como qualquer outro? Êsse mercador não pode




ser impiedoso, pois terá de tratar bem a seus escravos, se quiser aproveitá-los". Assim falava êle, mas, no




fundo do coração, estava preocupado com a sorte da rainha de Babilônia.




Setoc, o mercador, partiu, dois dias depois, para a Arábia deserta, com os escravos e camelos. Sua tribo




habitava para as bandas do deserto de Horeb, e a viagem foi longa e penosa.




Setoc, no caminho, fazia mais caso do criado que do patrão, pois o primeiro sabia lidar melhor com os




camelos, e tôdas as pequenas regalias foram para êle.




Um camelo morreu a dois dias de Horeb; dividiram-lhe a carga pelos escravos; Zadig ganhou o seu




quinhão. Setoc pôs-se a rir ao ver todos os escravos marcharem curvados. Zadig tomou a liberdade de




explicar-lhe a razão, e fêz-lhe conhecer as leis do equilíbrio. O mercador, espantado, começou a olhá-lo




de outra maneira. Zadig, vendo que lhe excitava a curiosidade, redobrou-a ensinando-lhe muitas coisas




que não eram estranhas a seu comércio: o pêso específico doa metais e dos gêneros em volume igual; as




propriedades de vários animais úteis; os meios de tornar úteis os que não o eram; em suma,




afigurou-se-lhe um verdadeiro sábio. Setoc o preferiu a seu camarada, a quem tanto estimara. Tratou-o




bem, e não teve de que se arrepender.




Chegado à sua tribo, Setoc reclamou duzentas onças de prata a um hebreu a quem as emprestara em




presença de duas testemunhas; mas estas haviam morrido, e o hebreu disso se aproveitara para ficar com




o dinheiro do mercador, dando graças a Deus por lhe haver proporcionado ensejo de enganar a um árabe.




Setoc confiou a dificuldade a Zadig, que se tornara seu conselheiro.




- Em que local emprestou suas quinhentas onças a êsse infiel? - perguntou-lhe Zadig.




- Sôbre uma larga pedra que se acha ao pé do monte Horeb.




- Qual é o caráter de seu devedor?




- O de um legítimo velhaco.




- Mas o que lhe pergunto é se é um homem vivo ou fleugmático, atilado ou imprudente.




- De todos os maus pagadores, é o mais vivo que eu conheço.




- Pois bem! - insistiu Zadig. - Permita que pleiteie sua causa perante o juiz.




Com efeito, citou o hebreu ao tribunal, e assim falou ao juiz:




Zadig




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- Almofada do trono da eqüidade, venho reclamar a êsse homem em nome de meu senhor, quinhentas




onças de prata, que êle não quer devolver.




- Há testemunhas?




- Não, morreram; mas existe uma larga pedra sôbre a qual foi contado o dinheiro; e, se aprouver a Vossa




Grandeza mandar trazê-la, espero que ela preste testemunho; aqui ficaremos, o israelita e eu, à espera de




que chegue essa pedra; mandarei buscá-la por conta de Setoc, meu senhor.




- Muito bem - concordou o juiz. E pôs-se a despachar outros assuntos.




- E então? - disse êle a Zadig no fim da audiência. - Ainda não chegou a sua pedra?




O hebreu retrucou a rir:




- Poderia Vossa Grandeza ficar aqui até amanhã, que a pedra ainda não chegaria; está a mais de seis




milhas de distância e seria preciso uns quinze homens para transportá-la.




- Estais vendo?! - exclamou Zadig. - Bem disse eu que a pedra prestaria testemunho; já que êsse homem




sabe onde está a pedra, confessa, pois, que foi sôbre ela que se contou o dinheiro.




O hebreu, interdito, viu-se logo obrigado a confessar tudo. O juiz ordenou que fôsse êle atado à pedra,




sem beber nem comer, até devolver as quinhentas onças, que foram pagas sem demora.




O escravo Zadig e a pedra alcançaram grande fama em tôda a Arábia.

domingo, 11 de março de 2018

Zadig ou o Destino (Voltaire) Parte IX - A mulher batida

IX. A MULHER BATIDA

Zadig orientava-se pelas estrelas. A constelação de Orion e o brilhante astro de Sírio guiavam-no para o pólo de Canope. Admirava esses vastos globos de luz que não parecem a nossos olhos mais que fracas centelhas, ao passo que a terra, que em verdade é apenas um imperceptível ponto na natureza, afigura-se à nossa cupidez uma coisa tão grande e tão nobre. Via então os homens tais como são na realidade: - insetos a se entredevorarem num pequeno átomo de lama. Essa imagem verdadeira parecia aniquilar suas desventuras, retraçando-lhe o nada da sua existência e a de Babilônia. Sua alma arrebatava-se até o infinito e contemplava, liberta dos sentidos, a imutável ordem do universo.

Mas quando, em seguida, de volta a si mesmo e penetrando de novo em seu coração, pensava em Astartéia sacrificada por sua causa, o universo desaparecia a seus olhos, e ele apenas via, em toda a natureza, Astartéia moribunda e Zadig desgraçado. Enquanto se entregava a esse fluxo e refluxo de sublime filosofia e dor acabrunhante, ia avançando pelas fronteiras do Egito; e já seu fiel criado se achava na primeira localidade, em busca de alojamento.

Enquanto isso, Zadig passeava pelos jardins dos arredores. Senão quando avistou, não longe estrada real, uma mulher que gritava por socorro e um homem furioso que a perseguia. Já o homem a alcançava e ela, caída, enlaçava-lhe os joelhos. O homem enchia-a de pancadas e censuras. Pela violência do egípcio e pelos reiterados perdões que lhe pedia a dama, viu Zadig que ele era ciumento e ela infiel. Mas, depois de atentar naquela mulher, que era de impressionante beleza e até se assemelhava um pouco à infeliz Astartéia, sentiu-se tomado de compaixão por ela e aversão ao egípcio. "Acode-me! - bradou ela a Zadig, entre soluços. - Arranca-me das mãos do mais bárbaro dos homens, salva-me a vida!"

A êeses clamores, Zadig lançou-se entre ela e aquele bárbaro. Tinha algum conhecimento da língua egípcia, e assim lhe falou:

- Se tens alguma humanidade, conjuro-te a respeitar a beleza e a fraqueza. Podes assim ultrajar uma obra-prima da Criação, que jaz a teus pés e só tem por defesa as lágrimas?

- Ah! Ah! - exclamou o possesso. Com que então também a amas? É de ti que tenho de vingar-me.

Dizendo tais palavras, deixa a dama, que segurava pelos cabelos, e, empunhando a lança, tenta matar o estrangeiro. Este, que não perdera o sangue frio, evitou facilmente o golpe de um furioso. Segurou a lança perto da ponta. Quer um retirá-la, o outro arrancá-la. A lança parte-se. O egípcio puxa da espada; Zadig também. Atacam-se. Lança este cem golpes precipitados, apara-os aquele com destreza. A dama, sentada na relva, reajusta os cabelos e olha-os. O egípcio era o mais robusto, Zadig o mais ágil.

Batia-se o último como um homem cuja cabeça conduzia o braço, e o primeiro como um arrebatado, cuja cólera cega lhe guiava ao acaso os movimentos. Zadig desarma-o. E como o egípcio, mais furioso, procura arremeter contra ele, Zadig segura-o, domina-o, fá-lo cair e, apontando-lhe a espada contra o peito, oferece poupar-lhe a vida. O egípcio, fora de si, arranca o punhal e fere Zadig no mesmo instante em que o vencedor lhe perdoava. Zadig, indignado, lhe mergulha a espada no peito; O egípcio lança um grito horrível e morre, debatendo-se.

Zadig avança então para a dama e lhe diz respeitosamente:

- Foi ele que me obrigou a matá-lo; estais vingada, e livre do homem mais violento que já vi na minha vida. Que quereis agora de mim, senhora?

- Que morras, celerado, que morras; mataste o meu amor; eu quisera estraçalhar-te o coração.

- Na verdade, senhora que tínheis um esquisito amor; ele vos batia com toda a fôrça e queria tirar-me a vida, por me haverdes pedido socorro.

- Quisera que ele me batesse ainda - tornou a dama, aos gritos. - Eu bem que o merecia, pois lhe dei motivos para ciúmes. Quem dera que ele me batesse e que tu estivesses no seu lugar!

Zadig, mais surpreso e encolerizado do que nunca estivera em sua vida, retrucou:

- Senhora, com toda a vossa beleza, merecíeis que eu vos batesse por minha vez, tão incoerente sois; mas não me darei a esse trabalho. Dito isto, montou no camelo e dirigiu-se para a cidade. Mal dera alguns passos, volta-se ao estrépito que faziam quatro correios de Babilônia. Vinham a toda brida. Um deles, ao ver a mulher, exclamou: "É ela mesma; assemelha-se à descrição que nos fizeram".

Sem dar atenção ao morto, apoderaram-se logo da dama, a qual não cessava de gritar para Zadig: 

"Socorrei-me outra vez, generoso estrangeiro! Perdoai-me por me haver queixado de vós. Socorrei-me, que serei vossa até o túmulo".

A Zadig, passara-lhe todo e qualquer desejo de se bater por ela. "Arranja-te com outros - respondeu-lhe, a mim é que não me pegas mais!"

Aliás, estava ferido, perdia sangue e necessitava socorro; e a vista dos quatro babilônios, provavelmente enviados pelo rei Moabdar, enchia-o de inquietação. Avança às pressas para a aldeia, sem atinar por que motivo vinham quatro correios de Babilônia apoderar-se daquela egípcia, mas ainda muito mais espantado com o caráter da referida dama.