sábado, 14 de julho de 2018

Sobre hologramas quânticos e amor


Até aquele momento desconhecia que o espaço não é tridimensional, com altura, largura e profundidade mensuráveis e o tempo não é uma entidade separada. A única certeza é que não haveria volta. O pavor, a sirene, a maca correndo no corredor com luzes infinitas no rosto, pressão no peito, vozes, movimentos, passos, tudo desapareceu ao penetrar num infinito tetradimensional onde o tempo não é linear, nem absoluto, apenas é o que é.

Como um objeto no vácuo, seu corpo bailava num contínuum de onde percebia com aparente linearidade os acontecimentos da sua vida. Na sequência, de forma absurdamente natural, compreendeu que matéria e energia eram intercambiáveis. A ver que pessoas amadas, odiadas, detestadas, apaixonantes e apaixonadas  pela sua existência nada mais eram do que uma forma de energia, ora matéria  cuja energia ficava desacelerada ou cristalizada, ora luz, pode entender as lágrimas, os sorrisos, a dor e a alegria nestes encontros e desencontros.

Seus olhos encontraram os olhos da mulher que habitou por décadas seus sentimentos mais íntimos. Viu quando se perceberam na primeira vez e quando se despediram de maneira angustiante, Todas as formas de amor ocorrem por irradiação eletromagnética e aparecem não só como ondas, mas também como quanta, descreveu-lhe um ser luminescente, cuja aparência era incrivelmente bela.

Mas eu  a perdi, respondeu e chorou descontroladamente. O ser luminescente aproximou-se e por um holograma de luzes místicas garantiu que entre os dois esses quanta de luz que fluíram enquanto amantes foram aceitos como partículas genuínas do amor cósmico. Nesta fase do amor, disse, cada partícula promotora desta troca de sentimentos é um pacote de energia que trás consigo a sua história.

Por meio desta experiência, somente agora você pode verificar que a relação carnal que ocorreu entre vocês foi completamente mutável para energia plena, e por isto ela está guardada em você agora, como também nela. E esta luz que é a razão da existência neste eixo espacial se mantém eternamente, pois não existe amor em lugares definidos, pois ele, o amor, apenas o é, sem nada em troca, demonstrando tendências para existir, e não promessas, garantias, segurança e outros sentimentos e exigências do corpo físico, coordenado por questões cognitivas e emocionais.

Eu a encontrarei?

Quando ocorre, como no caso de vocês dois um encontro com esta grandeza plena de luz, todas as partículas são transmutadas em outras partículas que são transmutadas em outras partículas, assim sucessivamente. Elas foram criadas por que a conexão entre vocês permitiu isto, mesmo com toda a dor da ruptura no plano material. Não podemos determinar com exatidão onde e quando isso acontecerá novamente, pois o continuum é atemporal, mas sabemos que acontecerá pois quando duas pessoas se entregam totalmente, sem cobranças, de uma forma de tamanha grandeza, todo o universo conspira pela sua razão infinita.

Pensou em rezar, orar, clamar, proclamar, mas a essência da sua luz já transcendia este plano, e pela primeira vez teve a certeza de que voltariam a ser um só elemento, desta vez etéreo e eterno.

É isto aí!

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Diálogos absurdos


Sabe que tem dia e hora que faltam os minutos, os segundos e os átimos? - indagou sem esperar resposta. Na realidade não queria respostas, nem conversar, nem abraçar, nem nada. Queria o momento para si. Olhei nos seus olhos e não a encontrei, devia estar no seu lugar seguro, um remoto paraíso secreto que só ela e os anjos sabem como chegar.

A mim falta o que ainda não descobri, mas esta imensa ausência deve haver de ser preenchida um dia - pensei comigo, por que dói de uma forma tão estranha, que se não for amor, é saudade.

É isto aí!

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Conceitos e interesses

Por séculos, o modelo de mulher bonita e sensual passava pelo padrão gordinha, de curvas e formas arredondadas, retratada nos quadros, estátuas e gravuras de farta documentação. Hoje, a moda paranoide cobra das mulheres o padrão magra. Na realidade, a sensualidade depende de um conjunto. Toda mulher, independente do peso, pode ser sensual, 

O modelo de beleza "Magra" movimenta bilhões e mais bilhões de lucro para a indústria farmacêutica, moda e também a alimentícia, mantendo com isto milhões de empregos em todos os setores da Saúde, na nutrição, medicina, farmácia, fisioterapia,  vestuário, etc. 

Ao se deparar gorda, a moça, sob pressão, pode apresentar um quadro de tristeza, onde vai procurar os culpados de sempre, o pai ausente, a mãe autoritária, a irmã crítica e magra (que ódio) e a avó desalmada. Aí entra o clima familiar, incluindo as melhores amigas, diagnosticando uma depressão, que não tem nada a ver com tristeza. 

Desta fase em diante o caminho é quase sem volta. Chás e cápsulas milagrosas, medicamentos controlados, obtidos de forma correta ou descontrolada e a vida fica dentro de um vendaval.

Termina pior do que quando começou - a moça sexy, gorda e sensual fica desgostosa do seu corpo por culpa de uma odiosa e maluca obsessão pelo corpo seco.

Existe a obesidade mórbida, mas esta não é objeto de provocação midiática, pois é composta de uma minoria que não se tornará núcleo de consumo. Em uma fria análise, são reserva de mercado, portanto o desafio é conquistar quem não está neste estágio (ainda, segundo as loucas literaturas oficiais).

Meninas, não se iludam nem sequer fiquem incomodadas. Não existe corpo perfeito, nem mulher completa, nem mesmo super-homens. Estamos todos dentro da mesma arca, feito Noé, esperando a hora de atracar e gozar dos privilégios da terra firme, em todas as suas potencialidades. O resto é superstição ou maldade. E Eva também devia ser meio que gordinha, já que não tinha ninguém lá para falar do seu corpinho de miss.

É  isto aí!

domingo, 8 de julho de 2018

Alguém aí no céu, rogai por nós

Leopoldo II
Subi nesta tarde de inverno a Colina do Bom Senso para avistar Pindorama e sua plebe rude a pedir justiça de um lado e sua plebe nobre a pedir justiciamento do outro lado à cega moça que segura a balança pendente para a direita. Digo serem ambas as partes antagonistas uma mesma plebe pois é assim que os homens de bem de terras nórdicas os veêm - uma enorme choldra cabocla, uns dóceis, outros a serem domesticados.

Num chuvoso dia de Santa Luzia, no mesmo ano em que Paris promoveu suas barricadas do desejo 

PS - (sic recentemente, à boca pequena, aqui e ali pessoas outras de alto cunho intelectual supostamente disseram que parece que a mesma força que levou o pensamento de Deleuze, assim como o de Guattari,  ao clima intelectual que envolveu as manifestações do "maio de 1968", incentivou as primaveras árabes e a judicializaçao latina - mas são apenas suspeitas, já que parece, não se cabe com certeza, e quem souber pode estar equivocado, pois supostamente a França estava desalinhada ao eixo de interesses dos homens de bem, tal qual as latinas nações neanderthais).

Continuando o fluxo - Bem, naquele fatídico dia de Santa Luzia, na colônia do império ultramarino deitada eternamente (ai-ai), alguém com a ética às favas, bradou:

Art. 5º - A suspensão dos direitos políticos, com base neste Ato, importa, simultaneamente, em:         

        I - cessação de privilégio de foro por prerrogativa de função;

        II - suspensão do direito de votar e de ser votado nas eleições sindicais;

        III - proibição de atividades ou manifestação sobre assunto de natureza política;

        IV - aplicação, quando necessária, das seguintes medidas de segurança:

        a) liberdade vigiada;

        b) proibição de freqüentar determinados lugares;

        c) domicílio determinado,

        § 1º - O ato que decretar a suspensão dos direitos políticos poderá fixar restrições ou proibições relativamente ao exercício de quaisquer outros direitos públicos ou privados.        

Parece que este Ato foi evocado nesta data invernal para hummmmm, para hummm, então. .. No ano seguinte, o Ano Woodstock, veio o AI6 para dar mais um aperto, e depois vieram coisas que seguiram a escola do nobre Leopoldo II da Belgica, um dos grandes homens de bem dos nórdicos,  ao mostrar aos pares como se deve lidar com a choldra dos povos não alvos, digamos assim.

E agora que a maldição foi evocada, como será o ano seguinte da pátria cabocla, cafuza, morena e guarani?

É isto aí!

sábado, 7 de julho de 2018

Como lidar com o luto pelo suicídio de uma pessoa querida

FONTE
Paula Adamo Idoeta - @paulaidoeta
Da BBC News Brasil em São Paulo
https://www.bbc.com/portuguese/geral-44618309


Quando as pessoas chegam a um grupo de apoio na zona sul de São Paulo, carregam consigo não apenas uma imensa tristeza, mas também culpa e diversas perguntas.

"Por que isso aconteceu? Como eu não percebi nada? Será que pode acontecer de novo com a minha família?" são os questionamentos mais comuns entre quem acaba de perder uma pessoa querida para o suicídio.

"É um luto mais intenso, duradouro, repleto de 'por quês' e com muito estigma", relata a psicóloga Karen Scavacini, mediadora do grupo de apoio, destinado a pessoas enlutadas pelo suicídio. "Muitas vezes a família estendida e os amigos se afastam ou não sabem como falar do tema, deixando essas pessoas em situação de grande vulnerabilidade."

Essa vulnerabilidade se reflete no fato de que parentes e pessoas próximas de suicidas têm risco até dez vezes maior do que o restante da população de, eles próprios, tentarem tirar a própria vida. E isso só será mitigado, segundo especialistas consultados pela BBC News Brasil, se a sociedade combater o estigma que envolve o suicídio e a saúde mental, bem como deixar de buscar "a causa" ou "o culpado" pela morte - que é multicausal e às vezes decidida de modo impulsivo, em um momento de desespero.

'Não vamos encontrar causas'

"No grupo de apoio, dizemos que não adianta ficar preso na busca do 'por quê?', já que a resposta foi embora com quem morreu", explica Scavacini.

"Na verdade, a gente não vai encontrar causas, porque o suicídio é sempre resultado de um conjunto de fatores", afirma o psiquiatra Daniel Martins de Barros, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (IPq-HC).

Segundo a Organização Mundial da Saúde, quase 800 mil mortes por suicídio ocorrem anualmente no mundo, o que equivale a uma morte a cada 40 segundos. No Brasil, foram registrados 11,7 mil suicídios em 2015 (dado mais recente disponível no Ministério da Saúde), sendo que parte dos especialistas teme que haja subnotificações.

E, segundo a Associação Internacional de Prevenção ao Suicídio, cada morte por suicídio afeta outras 135 pessoas, que ficam psicologicamente abaladas e traumatizadas.

Como ajudar essas pessoas a lidar com tamanha dor?

'Você se sente muito isolado'

A escritora e psicanalista Paula Fontenelle sentiu na pele o estigma que envolve suicídio quando seu pai tirou a própria vida, em 2005.

"Ninguém sabe como falar com você a respeito, então, simplesmente, ninguém fala nada. O luto acaba sendo muito diferente por causa disso", conta Fontenelle à BBC News Brasil.

"Você se sente muito isolado. Certa vez, uma amiga me perguntou a causa da morte do meu pai e, quando eu respondi que era suicídio, ela ficou chocada. 'Não fale essa palavra em público, não é bom'. As pessoas têm medo. O problema é que é no silêncio que o suicídio cresce. Porque nenhuma dor diminui se você não tiver com quem falar sobre ela."

A franqueza em falar sobre o assunto e a empatia são, de fato, cruciais ao amparar pessoas de luto pelo suicídio, segundo Barros, do IPq-HC.

"É um momento de compartilhar a dor, oferecer o ombro e não evitar a pessoa enlutada. Em casos de mortes trágicas, às vezes a gente acha melhor não falar nada, mas isso é mais para evitar o nosso próprio mal-estar em torno da morte. Porque, para a pessoa enlutada, falar a respeito pode ser um alívio", diz o psiquiatra.

"É preciso ainda fazer um grande esforço para não atribuir culpas - por exemplo, combatendo o pensamento automático de 'Como será que era o relacionamento com os pais daquele jovem que se matou?', porque ao se tentar atribuir uma causa, você estigmatiza as pessoas (envolvidas) e aumenta o risco de contágio do suicídio."

Direito ao luto

Para além da família, amigos e pessoas próximas ao morto também requerem atenção especial, porque também estão extremamente vulneráveis.

"Consideramos sobreviventes do suicídio quaisquer pessoas que tenham sentido aquela morte de alguma forma", explica Scavacini.

"Até um chefe ou um colega de trabalho (de um suicida) pode ficar abalado ou sentir-se culpado, talvez até igual a um parente. Essas pessoas também estão sujeitas ao efeito contágio (ou seja, a elas próprias pensarem em suicídio) e não adianta simplesmente dizer a elas 'não se deixe abater'. Elas também têm de ter permissão de fazer seu luto."

"Aprendi que não podemos colocar as coisas debaixo do tapete", diz Paula Fontenelle, a respeito do luto pela morte do pai. "Na minha família, sempre conversamos sobre o tema, para ele não virar tabu. E sempre chamamos o suicídio pelo que ele é."

O mesmo vale para crianças e adolescentes - expostas, por exemplo, ao suicídio de colegas, em casos que ganharam as manchetes em São Paulo e Brasília recentemente.

Em muitos casos, é a primeira vez que eles (os adolescentes) se deparam com a morte:

"Com adolescentes, é preciso explicar o que é o luto e os sentimentos envolvidos, bem como ensiná-los a identificar em si mesmos e nos amigos o que não está legal e quem procurar nessas situações", afirma Scavacini.

Nessa faixa etária, é ainda mais crucial reforçar os vínculos pessoais, em vez de apenas os digitais.

"As relações estão mais líquidas hoje", lamenta o psiquiatra Fabio Gomes de Matos e Souza, coordenador do Programa de Apoio à Vida (Pravida) da Universidade Federal do Ceará (UFC). "Existe (entre adolescentes) uma ausência de espaços para desabafar e conversar, em vez de apenas olhar a 'revista digital' do Instagram, onde você não vê quem está mal ou sofrendo, porque essas pessoas estão sozinhas em seus quartos."

As fases do luto - e como lidar com ele

Em seu esforço para entender e processar a perda do pai, Fontenelle passou anos estudando o suicídio, pesquisa que levou ao livro Suicídio - O Futuro Interrompido: Guia para Sobreviventes e ao site prevencaosuicidio.blog.br.

"Ao estudar o luto, identifiquei que ele tem fases, que começam com a raiva, muito intensa: 'como ele/ela fez isso comigo?' É um mecanismo de proteção, por ser mais fácil lidar com a raiva do que com a tristeza. Mas é algo que obviamente te consome. Já conheci enlutados pelo suicídio que passaram anos presos a isso", conta.

Depois, vem o que se costuma chamar de "autópsia psicológica": a busca das pessoas por tentar entender as causas ou o que supostamente poderiam ter feito para evitar aquela morte. É o "Como eu não enxerguei?"

"Claro que é possível ficar atento a sinais de comportamento suicida, mas não temos como saber antes (que a pessoa vai se matar). Ninguém é culpado", diz Fontenelle.

Em seguida vêm o estigma em torno da morte suicida e o medo: "será que eu ou algum outro parente meu também pode ser levado a cometer suicídio?"

"É que, quando alguém se mata, o suicídio, que até então era algo distante, passa a ser uma possibilidade para as pessoas ao redor", agrega Fontenelle.

No grupo de apoio mediado por Karen Scavacini, a maioria dos participantes ao longo dos anos já mencionou ter tido, em algum momento do luto, vontade de morrer, em geral abalados pela culpa.

"Tentamos fazê-los entender que o suicídio é multifatorial e que nem sempre os sinais são fáceis de ler - muitas vezes, só são visíveis após a morte", diz a psicóloga.

A maioria dos casos de suicídio costumam estar associados a problemas de saúde mental (diagnosticados ou não), como depressão, ansiedade e bipolaridade, o que torna importante conversar a respeito e focar em prevenção. Mas, depois de ocorrido o suicídio, especialistas consideram infrutífera a busca por causas individuais.

"Talvez aquele paciente estivesse com depressão, mas não era só aquilo - afinal, há milhões de pessoas deprimidas que não se matam. Por trás de cada suicídio, há muitas coisas que não sabemos e nunca saberemos", diz Barros.

Grupos de apoio, terapia e conversas ajudam ao mostrar aos sobreviventes que a raiva faz parte do luto, que outras pessoas passam por situações parecidas, que a morte da pessoa querida "estava além do que eles poderiam fazer e que o suicídio não é uma escolha livre, mas sim um ato de um momento de muito desespero e dor", afirma Scavacini.

No grupo de apoio mediado por ela, há atividades terapêuticas como escrever histórias sobre o luto e a pessoa perdida ou produzir murais de fotos para honrar a vida de quem morreu.

Muitos, como Paula Fontenelle, acabam encontrando conforto ao se dedicar a criar conscientização em torno do tema.

"Escrever um livro sobre isso foi catártico para mim, foi parte do meu processo de cura, ainda que tenha sido muito difícil - levei três anos para escrevê-lo e o interrompi duas vezes", diz ela. "(Mas) eu precisava entender o que havia acontecido com o meu pai."

Aos poucos, as pessoas também passam a identificar o que lhes faz bem ou mal - voltar a frequentar eventos sociais e familiares, por exemplo - "sem que nada seja considerado certo ou errado e sem que seja esperado um determinado comportamento delas", agrega Scavacini.

"E eles precisam aprender que podem voltar a ser felizes, mesmo que o processo seja lento. O suicídio é como um tsunami, que destrói tudo. Mas dá para fazer uma reconstrução da vida. Haverá um antes e um depois, mas é possível ser feliz."

* O Centro de Valorização da Vida (CVV) dá apoio emocional e preventivo ao suicídio. Se você está em busca de ajuda, ligue para 188 (número gratuito) ou acesse www.cvv.org.br. (Até 30 de junho de 2018, o CVV atende pessoas de Maranhão, Bahia, Pará e Paraná no número 141; após essa data, o atendimento ao país inteiro migrará para o 188.)

*O Instituto Vita Alere tem grupos gratuitos de apoio a sobreviventes de suicídio em São Paulo, Baixada Santista e Rio de Janeiro: http://vitaalere.com.br/sobre-o-suicidio/posvencao/grupo-de-sobreviventes/

sexta-feira, 6 de julho de 2018

A culpa é da tequila

Cena do filme "A culpa é das estrelas"

Meu Nokia 2003 original único dono vibrou exatamente à uma hora e três minutos. Intrigado, resolvi ler, pois poderia ser algo importante, apesar de quase ninguém mais usar mensagem de texto, salvo as companhias telefônicas que "lembram" com 30 dias de antecedência que sua fatura vencerá no mês seguinte. Abaixo, ipsis litteris, a mensagem:

1h03min
Beto, sou eu, a Nanda. Desculpa estar mandando esta mensagem. É que a Kel, que é minha BFF e sua namorada, ficou chateada comigo e eu queria me desculpar com alguém e escolhi fazer com você, por que aí você faz esta conexão de fatos e verdades entre nós duas. Deu que ontem ela me ligou para assistirmos juntas ao desenho Os Incríveis, que saiu agora. Beto, era importante por que foi o primeiro filme que nós assistimos juntas na infância, e eu recusei ir com ela. Aí ela falou que eu estava muito esquisita, que aquilo magoou ela muito. Então é isto.

1h15min
Beto, sou eu, a Nanda. É que eu fiquei chateada, aí tomei um golinho de nada de Tequila com coca-cola, e estou aqui assistindo ao filme "A culpa é das estrelas". Beto, me perdoa, vai, diz prá mim que você me perdoa, é importante prá mim. Vou tomar mais um golinho só ...

1h22min
Beto, é Ananda, a Nanda, isto, eu sou a Nanda. Beto, o filme é muito triste. Eu preciso te falar uma coisa. Eu te amo, Beto. Gente, a Kel nem pode saber disto. Puxa vida, mas eu precisava te falar, mas esquece, esquece Beto, desculpa, é o filme, tá triste ... Beto, desculpa, tôchorando. vou tomar mais um golinhosó para relaxar e dormir.

1h37min
Betinho, é eu, sua nandinha, Betio, eu quero você, eu te amo demais, muito, beto, fica comigo, gente estou completamente machuca, matuca, maluca, issso, maluca, tem a Kel, minamiga, a Kel. Beto, me beixa ...

1h53min
Berto, pelomordedeus, vem aqui agora e me abalaça. Eu acabeu tumano mais uns golinho da ... eskici, ahtá, da tranquila, esto confusia, vc tá qui ou estou screvendo isso? Bretio, eu te amo dismais, nossassenhora, tô esquisita. 

2h15min
Beto, caralho, seu puto, que meda, eu yte amo. te amo, te amo, te amo teamo teamo teaaammooo. Vô beber um trem ali para clarear.

2h36min
teto, tôbebada, nunca bibi sim, tudo gerando, cadêocê Geto. Merda, a kel é uma merda, merta ,erda ,erda, eu sou boa, a jel é má ,,, neto, vemquimevê

2h57min
veto, chamusamu, num tôbem ...

Eu acredito que a moça, quando acordar do efeito Tequila e descobrir que mandou as mensagens para um telefone desconhecido, vai economizar aí uns dois anos de terapia.

É isto aí!

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Oblivion (Ástor Piazzolla)



Oblivion (Ástor Piazzolla)
Él es Oblivion, fe del jamás y el no,
fe brutal de olvidar por la eternidad.
Él es Oblivion, ley de la ingratitud,
hechicero astral.
Matón de la desmemoria
y el sin recuerdos es Oblivion rey.

Es como un pozo en pasión de enterrar
que florece al sangrar
los estigmas del corazón.
Luz degollada de un tiempo tan feliz
hoy Oblivion vas a borrarme(olvidarme) a mí.

Él, reto agotador, vuelve a cero igual
lo real, lo mejor, lo fatal.
Él te hipnotiza con dolorosa miel
del ausente amor,
para ultimar, ebrio, amargo y vil,
el sagrado ayer, Oblivion rey.

(Es como un pozo en pasión de enterrar
que florece al sangrar
los estigmas del corazón.
Luz degollada de un tiempo tan feliz)
hoy Oblivion vas a borrarme(olvidarme) a mí.
(Oblivion rey... )

Se se morre de amor ...

Imagem de Salvador Dali (1931)

Tinha jurado a si mesmo que não choraria nunca mais, desde que ... desde que a memória não avivasse a dor, a ferida aberta, tampada com esparadrapo barato das coisas do dia a dia. Nunca mais é muito tempo e tempo nenhum, tudo junto e misturado, matutou na quebrada da tarde que ia prenunciando as estrelas que escondiam seus medos em outros sois, outros planetas, e quem sabe num deles outra mulher igual a ela.

Naquela noite, ainda na rede da varanda, espiando o nada com os olhos voltados para si, ela apareceu. Não sabia se aquilo era real ou virtual. Ela, era assim que falava para não dizer seu nome, ela ... ela ...
Corrigiu o curso das ideias, aprumou os pensamentos, suspirou duas vezes, a segunda com soluço, duas maledicentes lágrimas rolaram no canto do olho espremido pela tensão de estar ali e ela ... ela ... também.

Olharam-se de uma forma que não se explica com palavras. Um viu a alma do outro, ele viu o imenso vazio dentro dela e ela viu o deserto da existência nele. Olharam-se mudos. Tentou esboçar um sorriso com o canto dos lábios, mas era impossível, a realidade era maior do que seus desejos. Pensou em falar isto, aquilo, aquilo outro. Não tinha o que falar. Ela ... ela ... também silenciosa, findando o olhar em seu amor.

Abriu a rede, cedeu o seu lado esquerdo e ela aproximou-se, deitou ao seu lado, e morreram felizes para sempre.

É isto aí!

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Se é por falta de adeus (Dolores Duran-Tom Jobim)

Áurea Martins, de voz afinadíssima, apresenta no teatro Imperial da Pitangueira este clássico de Dolores Duran e Tom Jobim, imperdível: Ouça e se deixe levar pela música e pela voz da moça:


Se é por falta de adeus
Vá se embora desde já
Se é por falta de adeus
Não precisa mais ficar

Seus olhos vivem dizendo
O que você teima em querer esconder
A tarde parece que chora
Com pena de ver
Este sonho morrer

Não precisa iludir
Nem fingir e nem chorar
Não precisa dizer
O que eu não quero escutar

Deixe meus olhos vazios
Vazios de sonhos
E dos olhos seus
Não é preciso ficar
Nem querer enganar
Só por falta de adeus

terça-feira, 3 de julho de 2018

Tengo Miedo - Pablo Neruda

Tenho medo. A tarde é cinzenta e a tristeza
        do céu abre-se como uma boca de morto.
        Tem o meu coração um pranto de princesa
        esquecida no fundo de um palácio deserto.

        Tenho medo. E me sinto cansado e pequeno
        refletindo a tarde sem meditar sobre ela.
        Na cabeça doente não cabe um menino
        sonhando, assim no céu não caberá uma estrela.

        Nos meus olhos, no entanto, uma pergunta existe,
        um grito em minha boca e a boca não grita.
        Não há órgão que escute minha queixa mais triste
        abandonada em meio à terra infinita!

        Vai morrer o universo em sua calma agonia
        sem a festa do sol e o crepúsculo verde.
        Agoniza Saturno e sua pena me enlia,
        a terra é fruta negra que o céu nunca perde.

        E pela vastidão do vazio vão às cegas
        as nuvens que entardecem, são barcas perdidas
        que esconderam estrelas rotas nas adegas.
        Cai a morte do mundo sobre a minha vida.

A seleção imperial


O Reino da Pitangueira tem evitado falar do torneio início amador da Rússia, para que não fique ofuscado com a grande seleção de talento futebolístico imperial, abaixo escalada:

Preguinho no gol, Feijão e Carioca na zaga, Catatau na lateral direita, Buê na lateral esquerda, Pavio e Pintado no meio, Meinha na meia esquerda, Faraó na meia direita e Jajá e Titi na frente.

Com este esquadrão basta a justiça prevalecer e os homens de bem pararem de interferir na vida da vida, que assim que o destino convidar o povo , vamos, vemos, jogamos e vencemos. O resto é o resto!

É isto aí!

domingo, 1 de julho de 2018

De rosto coladinho



Heaven, I'm in heaven, 
And my heart beats so that I can hardly speak
And I seem to find the happiness I seek
When we're out together dancing, cheek to cheek
Heaven, I'm in heaven, 
And the cares that hang around me through the week
Seem to vanish like a gambler's lucky streak
When we're out together dancing, cheek to cheek
Oh! I love to climb a mountain, 
And to reach the highest peak,
But it doesn't thrill me half as much
As dancing cheek to cheek
Oh! I love to go out fishing 
In a river or a creek,
But I don't enjoy it half as much
As dancing cheek to cheek
Dance with me
I want my arm about you
The charm about you
Will carry me through to heaven
I'm in heaven 
And my heart beats so that I can hardly speak 
And I seem to find the happiness I seek
When we're out together dancing cheek to cheek

Céu, estou no céu
E meu coração bate tanto que mal posso falar
E eu pareço encontrar a felicidade que eu procuro
Quando saímos juntos dançando, de rosto colado
Céu, estou no céu
E as preocupações que me rodeiam durante a semana
Parece desaparecer como a sorte de um jogador
Quando saímos juntos dançando, de rosto colado
Oh! Adoro escalar uma montanha
E para alcançar o pico mais alto,
Mas não me excita tanto
Como dançar de rosto coladinho
Oh! Eu amo sair para pescar
Em um rio ou riacho
Mas eu não gosto tanto disso
Como dançar de rosto coladinho
Dance Comigo
Eu quero meu braço sobre você
O charme sobre você
Vai me levar até o céu
eu estou no paraíso
E meu coração bate tanto que mal posso falar
E eu pareço encontrar a felicidade que eu procuro
Quando saímos juntos dançando de rosto coladinho.


O analista da Pitangueira e o paciente conectado às conjunções planetárias


- Doutor, eu vim aqui hoje por que eu estou muito entediado.

- Semana passada você disse, exatamente com estas palavras - "eu não tenho nenhum problema, os outros é que trazem problemas para mim";

- Isto mesmo, eu disse semana passada. Já se passaram sete dias e minha caixa de problemas lotou, por que Júpiter fez um aspecto trígono com Netuno, aumentando muito meus processos neuro-sensorias significantes de fé, intuição e sorte, que ficaram desde então bastante ativos durante toda a semana.

- Entendo! Pode dizer três problemas que chegaram por determinação astrológica nestes dias, pela origem e pelo grau de importância? 

- Três problemas ... três ... hummm ... Sabe, doutor, eu mesmo sinto aqui dentro do meu coração que hoje eu quero morrer ...

- Sente? E como seria esta morte?

- Como assim? Morrer morrendo de morte morrida.

- Entendo. Vou mudar a pergunta. É do seu desejo morrer de causas naturais? de arma de fogo? de acidente? por engano? 

- Tem mais opção, doutor?

- Envenenamento, estrangulamento, enforcamento, apedrejamento, encravamento, empalamento ...

- Encravamento? Interessante. É morrer por causa de um cravo no rosto, alguma coisa assim?

- Não. É por penetração de qualquer objeto afiado e consistente, como uma faca ou tesoura, em qualquer parte do corpo.

- Credo, doutor, que agonia. Quero morrer disto não. E este tal de empalamento? É morrer vestido feito gaúcho caipira, com aquelas palas quentinhas? Gostei demais da conta disto. Conheço a serra gaúcha. caramba, achei minha forma de morrer. Bem que falaram que o senhor é bom mesmo, doutor.

- Tem nada disto. Empalamento é um encravamento perineal.

- Peri o que?

- Perineal, de períneo - sabe do períneo? Sua etimologia provem dos termos gregos peri = ao redor de e naion = ânus, é a região do tronco situada inferiormente ao diafragma da pelve.

- Em volta da saída? Que é isto, doutor, eu hem, quero morrer mais não ... curei, pronto, credo, morro nunca mais, estou fora, vivo, vivinho, eu, hem!!!!

- Semana que vem no mesmo horário?

- Sim, doutor, e vivo, hem ... credo ... e acho, eu pressinto, eu sinto a força cósmica conspiradora do universo sussurrando ao meu ouvido que surgirão problemas ...

É isto aí!

sábado, 30 de junho de 2018

Saiu de casa, atravessou a rua.

Saiu só com a intenção de ir ali, e nunca mais voltou para dizer adeus, justificar a ausência, falar sobre a morte de uma pessoa viva para as pessoas que o amavam. Nada disto passou pela sua mente naquela manhã. Saiu, partiu, assim, sem caso pensado, sem imaginar que faria daquela forma, sem planejar uma fuga. Partiu ...

Deixou o diploma, os documentos pessoais, o santinho do Menino Jesus de Praga que ganhou da avó materna, o terço de dezena que nunca soube usar, o barbeador elétrico, a aliança e as meias verdes que detestava ...

Atravessou a rua, olhou para a casa, pensou nas lágrimas, nas tristezas, nas agonizantes tempestades, nos invernos prolongados, entrou no coletivo, e esta foi  a última vez que foi visto.

Deixou dívidas administráveis, roupas, sapato que só usou uma vez, deixou a caneta que ganhou de uma paixão alucinante e secreta, deixou as anotações de coisas que faria quando ficasse rico, deixou a toalha molhada jogada no canto do banheiro, o chinelo virado só para irritar e a luz da sala acesa.

Deixou o celular, o terno azul marinho, as cartas que recebeu, a coleção de selos, o jogo de xadrez, a coleção completa do Machado de Assis, o retrato da família, deixou o cartão do banco, os talões de cheque, o carro, a bicicleta, o relógio que ganhou do pai, deixou a saudade, a falta,  a ausência, o adeus, as brigas, o amor, a angústia, a tristeza, a melancolia, as gargalhadas, deixou ...

 Deixou o emprego, o cafezinho, o bar com os amigos, o futebol aos sábados, o clube com a família, as caminhadas com o cachorro, a esperança de dias melhores, os medicamentos na gaveta, o pudim na geladeira, o vazio na sua cadeira, o pranto escondido, as fantasias meticulosamente construídas para fugir de si.

Saiu de casa, atravessou a rua e deixou para trás a história que o fez sair de casa e atravessar a rua.

É isto aí!


sexta-feira, 29 de junho de 2018

Não mereceram, mas também não se esforçaram

Dia destes encontrei com um velho amigo. Nunca fui de dormir bem - disse -  e de uns tempos para cá não durmo mais. Não estranhei, pois nunca o achei normal mesmo, era uma pessoa de alma inquieta e impulsivo.

Revelou que encontrou com a sua parte abandonada na estrada da vida, de uma forma tão dolorida, inesperada, numa rede social, que dormir passou a ser uma tortura. Bastava fechar os olhos e os olhos dela estavam lá, chorando copiosamente, numa dor tangível. Era a cena da cena da cena de um rompimento doloridíssimo.

Aquilo não me sensibilizou, confidenciou-me, pois semanas antes no mesmo lugar, eu também chorara copiosamente por ela, que havia traído minha confiança, meu amor e nosso futuro, nos braços de outro qualquer, mais um terceiro que foi uma aventura de momento.

Ela te disse isto? - perguntei.

- Não, respondeu, uma amiga dela que me procurou e contou tudo.

Você abriu mão do amor da sua vida por causa de uma fofoca? Você nunca conversou com ela sobre isto?

- Ah, fiquei revoltado, era a melhor amiga dela, sabe?

E?

Mas aí ela foi lá em casa, e ocorreu que ela chorava e eu fui impassível de pé, esperando a palavra mágica - perdão. Ela não disse, nunca disse e assim cada um levou sua dor pela vida. 

 O que você acha? Perguntou-me

Pensei comigo e não falei que sobrou nele orgulho e faltou humildade. Sobrou nela coragem e faltou sensibilidade para dissolver algo que não foi útil, nem interessante, e nem teve o valor dado por ele. Abraçasse a moça, se se ama, se abraça e depois conversa. Os dois foram imaturos diante de uma causa perdida pela imprudência juvenil. Neste caso, perderam-se para sempre, cada qual com seu pranto!

Mas preferi despedir do amigo e aleguei que ainda não havia tomado meu café. Parti em busca de algo que me desse lucidez. Pensei de novo cá comigo que aquilo era coisa e propriedade dos dois. Não me cabia dar opinião, afinal, mais cedo ou mais tarde, neste ou em outro mundo, terão que sentar e conversar, senão nunca mais terão sossego na alma.

É isto aí!

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Meu sonho familiar (Paul Verlaine)


Sonho às vezes o sonho estranho e persistente
De não sei que mulher que eu quero e que me quer,
E que nunca é, de fato, uma única mulher
E nem outra, de fato, e me compreende e sente.

Compreende-me, e este meu coração, transparente
Para ela, não é mais um problema qualquer,
Só para ela, o meu suor de angústia, se quiser,
Chorando, ela transforma em frescura envolvente.

Se é morena, ou se loura, ou se ruiva – eu ignoro.
Seu nome? É como o nome ideal, doce e sonoro,
Dos amados que a vida exilou para além.

Seu olhar lembra o olhar de alguma estátua antiga,
E sua voz longínqua, e calma, e grave, tem
Certa inflexão de emudecida voz amiga.

Paul Verlaine (1844 – 1896) está no rol dos principais poetas da literatura francesa.

A tradução é 1944, feita por de Guilherme de Almeida (1890 – 1969), poeta e ensaísta brasileiro, membro da ABL.

Poema original:
 
Mon rêve familier
Je fais souvent ce rêve étrange et pénétrant
D’une femme inconnue, et que j’aime, et qui m’aime,
Et qui n’est, chaque fois, ni tout à fait la même
Ni tout à fait une autre, et m’aime et me comprend.

Car elle me comprend, et mon coeur transparent
Pour elle seule, hélas! cesse d’être un problème
Pour elle seule, et les moiteurs de mon front blême,
Elle seule les sait rafraîchir, en pleurant.

Est-elle brune, blonde ou rousse? Je l’ignore.
Son nom? Je me souviens qu’il est doux et sonore,
Comme ceux des aimés que la vie exila.

Son regard est pareil au regard des statues,
Et, pour sa voix, lointaine, et calme, et grave, elle a
L’inflexion des voix chères qui se sont tues.



quarta-feira, 27 de junho de 2018

Tem dia que é assim

Tem dia que a gente sente uma imensa vontade de estar partindo no trem, sabendo onde quer chegar, sem pressa, mas com saudade, determinação e falta de juizo ... partindo ... partindo ... ao som do Villa Lobos


terça-feira, 26 de junho de 2018

Como surgem as crenças limitantes

No vídeo abaixo tem uma das melhores postagens no Youtube sobre as Crenças Limitantes. É de autoria da psicóloga Camila Ragazini .

Excelente mesmo. Pode ouvir que você vai gostar.






Considerações finais


Com esta postagem, estou encerrando este tema do Mural dos Sonhos. Quero agradecer aos visitantes deste Reino da Pitangueira, que desde a postagem de "Um Conto Triste", triplicou o acesso. Claro que fico feliz com isto, então se vieram e isto fez sentido, vai dar tudo certo. Gratidão e Paz a todos.

Bem, vamos lá. Fiz o Mural dos Sonhos, e agora?

Se o Mural está dentro do que você realmente deseja, já sabe - segredo, segredo e segredo. Ninguém sonha os seus sonhos e sempre será contestado, avaliado ou desprezado, então larga a mão de ser bobo/boba e veja aqui o que faremos com o Mural:

O Mural te dá esperança e visão de futuro, blindando sua mente de agressões externas  (ofensas, ataques pessoais, humilhações, desprezos, etc). 

Aí você pergunta: Então, Paulo, nunca mais vou ter agressões externas depois de fazer o Mural?

Respondo; O mundo não gira em torno do seu umbigo. As coisas continuarão a acontecer da mesma forma, só que você agora tem uma meta, sua vida passou a fazer sentido, e as agressões externas pouco ou nada te afetarão. Você perceberá isto muito rapidamente.

O Mural te dá segurança contra as suas agressões internas (medos, ansiedade, depressão, avareza, etc), que são nada mais nada menos as suas crenças limitantes que você aprendeu como verdade principalmente na sua infância.  Não que quem criou você era uma pessoa má ou despreparada. Ela deu o máximo de si para te fornecer chaves de proteção contra o mundo, só que isto era para a sua infância e agora você cresceu e ninguém nunca te falou que isto está te limitando a encontrar o amor verdadeiro, a ganhar dinheiro, a ser feliz, a ter paz, a passar num bom concurso, a ser mãe, a ser pai, etc.

Vamos supor que seu sonho é morar na França, por exemplo. Comece a estudar francês, assista filmes franceses, deguste a culinária francesa, coloque um quadro da Torre Eiffel na sua copa ou sala.

Quer ter um salão de beleza. Faça um curso, compre revistas sobre o tema, acesse sites. Etc.

Quer comprar um carro dos sonhos. Leia sobre o carro, veja vídeos deste carro no youtube, saiba tudo dele. 

Depois de fazer seu Mural (Não tenha pressa e seja sincero - não coloque coisas que você não quer, só para ter status, isto é bobagem - o Universo amplia os seus sonhos intimos, pessoais e significantes.) você tem que tomar as importantes decisões abaixo:

1 - PARE DE RECLAMAR

- Das pessoas (qualquer pessoa)
- das coisas (fila de banco, rua suja, onibus atrasado, barulho, festas dos outros)
- das atitudes das pessoas próximas como não ser convidado/a, receber um comentário ruim, etc

2 - PARE DE DAR OUVIDOS A QUEM RECLAMA
- Quem reclama não quer um ombro amigo, quer um aliado para a sua reclamação. Evite pessoas reclamantes, peça licença, fala que vai no banheiro, sai sem criar tensão. os reclamantes são sugadores da sua energia, pois dar ouvido a quem reclama, faz você ficar vinculado/a à dor desta pessoa. E seus sonhos vão naufragando aqui e ali.

3 - PARE DE SE OFERECER PARA ADMINISTRAR PROBLEMAS DOS OUTROS.
Olha só. Nem todos os problemas do outro/a é seu.
Para que você assuma o problema de alguém, é necessário que duas coisas ocorram concomitantemente:

A - A PESSOA ESPECIFICOU LITERALMENTE QUE QUER A SUA AJUDA. SE A PESSOA FALA QUE ESTÁ PRECISANDO DE UMA AJUDA, ELA NÃO QUER VOCÊ. ISTO É ÓBVIO E MUITAS VEZES VOCÊ SE DEU MAL POR ACREDITAR QUE SUA AJUDA ERA IMPRESCINDÍVEL. 

B - VOCÊ SÓ PODERÁ SER O ADMINISTRADOR DO PROBLEMA DE OUTRA PESSOA SE TIVER HABILIDADE PARA ISTO. SE NÃO SOUBER CORTAR CABELO, NÃO O FAÇA, SE NÃO TIVER DINHEIRO NÃO O FAÇA, SE NÃO ENTENDER NADA DE CARRO, DE CRIAR FILHOS, DE CRISE CONJUGAL, NÃO O FAÇA. VOCÊ VAI SAIR BEM MACHUCADO/ DO PROCESSO. SE PUXAR PELA MEMÓRIA SE LEMBRARÁ DA ULTIMA VEZ QUE ENTROU NUMA ROUBADA DESTE PORTE, 

4 - PARE DE DAR EXPLICAÇÕES E SATISFAÇÕES

NÃO DÊ EXPLICAÇÕES A PESSOAS FORA DO SEU CÍRCULO INTIMO DE AMIZADE.

5 - EVITE A AMIZADE E ROMPA A AMIZADE COM PESSOAS COM PRINCÍPIOS E VALORES DIFERENTES DO SEUS.

Em sociedades, negócios, amizades, relacionamentos amorosos, etc.

Ninguém muda alguém. Você vai ficar o tempo todo debatendo, desgastando sua vida em troca de nada.

6 - SEU CÍRCULO DE AMIGOS TEM QUE SER REDUZIDO. AMIGOS SÃO AMIGOS, 99% SÃO CONHECIDOS. 


Mas, Paulo, vou ficar conhecido como chato/a. 

Sim, vai ficar conhecido como chato/a por pessoas que nunca te deram valor e este seu novo perfil vai te aproximar de pessoas que te farão ver e crer num mundo bem melhor.

Dica de filme - O livro de Eli.

É isto aí!