quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Quem está pegando a Dona Anuência?

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Do Presidente
Para o Diretor Comercial
Ilmo. Dr. Barbosa,

CONSIDERANDO que eu pessoalmente criei e presido a Comissão Administrativa de Festas e Eventos Sociais para ser o único órgão gestor de fiscalização, disciplina e orientação administrativa, moral, cívica, patriota, cultural e democrática dentro da tradição, da família, da pátria e da liberdade desta empresa;

RESOLVO:
ORIENTAR a todos Gerentes, com a minha benevolente Anuência, que identifiquem e regularizem eventuais e/ou permanentes situações que envolvam desvio da função supracitada, levando ao Expurgo imediato dos envolvidos, tantos os homens do sexo masculino bem como as mulheres do sexo feminino, para que não exerçam mais as atribuições pertinentes ao cargo que ocupam, táoquei?

Do Diretor Comercial
Para o Gerente Comercial
Prezado Sr. Lima Júnior
Prezado Senhor Lima Júnior. Leia o e-mail em anexo. Fique atento a estas festinhas entre os homens e as mulheres desta empresa, mesmo em eventos particulares, sem a benevolente Anuência do Sr. Presidente. Não serão mais permitidas, e todos os casos serão resolvidos com o Expurgo.

Do Gerente Comercial 
Para o Chefe de Divisão
Seu Oswaldo,
Estão suspensos quaisquer encontros entre os funcionários do sexo masculino e as funcionárias do sexo feminino em eventos sociais privados ou públicos sem convidar a tal da Anuência da administração. Leia o e-mail em anexo. Senão vão te mandar o tal do Expurgo (Não sei quem é.)

Do Chefe de Divisão
Para os Chefe de Seção
Carioca
Vê aí o que está rolando nas rodinhas para verificar se estão planejando festinhas sem convidar a Dona Anuência (deve ser aquela gostosona) e o Seu Expurgo (quem é esta coisinha?) da diretoria. Segue o anexo, tá ok? 

Do Chefe de Seção
Para Almoxarifado e Expedição
Olha a merda aí em anexo. Eu já avisei, eu já cansei de falar. Alguém pegou a Dona Anuência? Se pegou e levou na maciota, saiba que era cacho do Tal de Dr. Expurgo, que deve ser um daqueles aspones engomadinhos dos homens lá de cima. Para de dar festas com estas meninas da diretoria, eu falei eu ia dar merda. E sábado tem pagode na lagoa com as meninas da recepção, tudo lindinha - maravilha!!!!

É isto aí!




Alguém, ninguém e a memória do futuro

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Chegou à janela do tempo e viu o mundo diferente. Olhou para dentro, não da casa, mas para dentro de si e se percebeu perdido, triste, desolado e com medo de escolher entre o amor e a dor; entre a comodidade de um sim e a impotência de um não que nunca deveria ter dito. 

Olhou novamente a paisagem da peregrinação que fez - estava diferente - havia uma percepção nova, uma imagem, uma voz, uma palavra mal dita que ficara maldita por que o bendito não fez a leitura do futuro, fora-se. Passou anos evitando este momento, e este momento que nunca saiu da sua memória, evadiu-se levando consigo a sua dor.

O fato é que ninguém entre todos os alguéns jamais ensinara que existe um troço, uma coisa, um evento quântico denominado Memória do Futuro. Nesta coisa chamada Memória do Futuro existe um segredo, e este segredo ensina que o passado não determina o presente e nem o futuro, e apenas pode inspirar avanços ou retrocessos. Além disto, as melhores experiências já ocorridas na sua vida não se sucederam na interdependência com a abundância. 

Mas o futuro é quem detém as melhores e mais abundantes memórias, arquivadas em sonhos. Cada vez que anulamos um destes sonhos, ficamos mais presos ao passado. A dor sobrevive do passado, e o sentido da vida reluz a partir do futuro. Chegou à janela buscando algum lugar no passado e acabou por vê-la no futuro. Quase a tocou com suas mãos - eu te amo, murmurou baixinho. É tudo que sei do futuro - eu te amo! E isto faz minha jornada valer a pena a partir deste átimo.

É isto aí!



terça-feira, 5 de novembro de 2019

A idade de ser feliz (Mário Quintana)

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Existe somente uma idade para a gente ser feliz,
somente uma época na vida de cada pessoa
em que é possível sonhar e fazer planos
e ter energia bastante para realizá-los
a despeito de todas as dificuldades e obstáculos.
Uma só idade para a gente se encantar com a vida
e viver apaixonadamente
e desfrutar tudo com toda intensidade
sem medo nem culpa de sentir prazer.

Fase dourada
em que a gente pode criar e recriar a vida
à nossa própria imagem e semelhança
e vestir-se com todas as cores
e experimentar todos os sabores
e entregar-se a todos os amores
sem preconceito, nem pudor.

Tempo de entusiasmo e coragem
em que todo desafio é mais um convite à luta
que a gente enfrenta
com toda disposição de tentar algo novo,
de novo e de novo,
e quantas vezes for preciso.

Essa idade tão fugaz na vida da gente
chama-se Presente
e tem a duração do instante que passa ...


segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Cartas da Primavera

Deep Dreams (lindyginn) Tags: dreams ipad iart butterfly ethereal surreal softly girl black white bird photo i photographed vintage self portrait ginn
Deep Dreams
Prezada moça que passeia nos meus sonhos

Eu sei quem você é. Dia destes esteve no meu sonho por volta das três horas da manhã. Logo que adentrei no ambiente onírico, percebi sua silhueta e engraçado, você era feia. Sim, isto é estranho demais, sei. Você é linda e no sonho era feia. Feia, estranha, muda e com uma careta de afetação. Eu me aproximei e disse que você tinha uma careta pernóstica.

Riu absurdamente da minha percepção. E neste sorriso, sua boca se transformou numa via de acesso ao seu interior. Fui tragado pela sua inspiração, e lá dentro encontrei a você que amo. Estava linda. Era você, e ali estava etérea - não tinha mãos comuns, nem sequer braços ou pernas ou coxas ou peitos tangíveis. Você estava dentro de mim e ao mesmo tempo coexistia no meu abraço e se percebia em minha pele.

Sai do seu interior abestalhado, com gosto gostoso de ter penetrado no labirinto da sua existência. Lá fora você estava menos feia, humm, digamos que feinha, meio destrambelhada, mas o sorriso, ah! o sorriso, se pudesse descrever, se visse seus olhos como eu os guardei em mim, saberia que naquele instante você sorrindo era deliciosamente gostosa, deliciosamente deliciosa segurando minhas mãos geladas.

Estava com medo, estávamos com medo. Tremia de medo, tremíamos de medo. Decisões custam caro, custam envolver outras decisões, romper contratos ruins, abandonar espaços ruins, prejudicar pessoas boas, pessoas neutras, pessoas impessoais e pessoas descartáveis. Ali, diante do olhar do seu olhar eu tremia de medo de perder sua candura outra vez tão cedo.

Eu sei o seu nome, sei da sua boca, da sua língua, sei da sua voz, da sua alegria, eu amo você todo dia. Todos os dias, daqueles que vieram e daqueles que virão. Proporei a você no próximo sonho selarmos um acordo registrado no cartório celestial de que nunca mais nos separaremos para vivermos felizes para sempre em todo o sempre da eternidade.

É isto aí!



domingo, 3 de novembro de 2019

Discurso de Velório

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Dez horas da manhã quente e abafada do verão mais castigante de todos os tempos. Era velório do Nhô Alois Quatre-Vingts, um coronel de patente comprada, ruim que nem praga no pasto e ao mesmo tempo generoso como poucos, com os desvalidos.

Naquele dia toda a história do vilarejo conhecido como Patrimônio do Alois, perdido no interior do sertão da caatinga, tomou um rumo diferente do seu curso natural.. Começou bem, com as carpideiras se esforçando ao máximo, seguido pelo coral da Sagrada Família entoando de forma lenta e triste " Eis-me aqui Senhor! Pra fazer Tua Vontade pra viver do Teu Amor ...

A Banda Gloriosa da Ordem Terceira de Alois se colocou na estreita rua da capelinha de Nossa Senhora das Dores,onde estava a urna mortuária com o falecido. Tocou o Hino da Cidade, o Hino do Estado, O Hino Nacional, o Hino da Proclamação da República, o Hino da Bandeira e por fim, sob forte comoção, o Hino do grandioso Parreirinhas Futebol Clube, que era presidido pelo coronel, e cuja bandeira cobria o féretro.

O delegado subiu num banco da capela e com um megafone bradou: 

Eis as últimas palavras com o desejo do benemérito coronel:

Senhoras e senhores, amigos, conhecidos e curiosos, gratidão eterna por terem comparecido.

Falar de mim neste momento é enaltecer a obra de cada um dos presentes. É a certeza de que me livrei do mal de muitos e perdi a virtude de poucos.

Peço encarecidamente que só comecem as preces com o Tião Tabaco à minha direita e o Zé Frotinha à esquerda. Assim e só assim poderão dizer que morri como Jesus Cristo, entre dois ladrões. 

Já deixei autorizado para o delegado, o escrivão e o vigário para confirmar documentalmente a  quem de direito a paternidade genética e incluir no meu inventário como únicas herdeiras legítimas do meu patrimônio a Maria Ravena, filha da comadre Penha, da Maria Renata, filha da comadre Rosilda, da Maria Rita, filha da comadre Chica, da Maria Roberta, filha da comadre Cacilda e por fim da Maria Ruanda, fila da comadre Filó. 

Só Nestor Preto, marido de Comadre Rosilda, que teve as muletas roubadas para servir de ferramenta de combate, não se levantou para o alvoroçante espetáculo promovido entre todas as partes, desde a família do morto, até partidários, interessados, inimigos e as meninas privilegiadas, com tapas, empurrões, agarrões, unhadas, socos, ponta-pés, dentadas e safanões, que só cessaram quando deram por falta do corpo, desaparecido no meio da fúria. 

Como o médico estava demorando para chegar, pois morava em outra cidade, ainda não tinham o atestado de óbito, e sem corpo não tem atestado e sem atestado não tem óbito. E daí foi que ninguém quis testemunhar que o coronel estava morto de verdade

As meninas ficaram desassistidas, as comadres faladas, os compadres corneados, a família do morto perdida e para piorar, dalí a três dias, Tião Tabaco e Zé Frotinha ressuscitaram o morto e assumiram todo o patrimônio, segundo procuração que apresentaram, assinada pelo agora foragido, supostamente morando em local incerto e não sabido. 

É isto aí!

sábado, 2 de novembro de 2019

E foram nunca mais felizes outra vez!


Abriu o guarda-roupa e pegou a única roupa com a qual saiu de casa. Calçou o desgastado sapato tipo mocassim marrom sobre as meias vermelhas, a calça brim bege,  o cinto de courvin preto. Vestiu uma camiseta surrada, amarela, de malha, uma camisa verde com listras azuis e por cima um paletó de lã. Levantou-se da cama ainda confuso enquanto no celular, no despertador, escolhido por ela, Vinicius declamava o Soneto de Fidelidade.

Diante do espelho amarelado e sujo, repartiu o cabelo em uma risca e evitou redemoinhos e frizz. Com um pouco de gel nas mãos, moldou com os dedos, puxando o cabelo dividido em direções opostas. Com o pente úmido, passou na direção planejada. Esse visual caia bem em cabelos finos e médios, disfarçando as entradas.

Colocou a cadeira ao lado da porta, subiu nela, encurvou o tronco até atingir o olho mágico. Confirmou o inevitável. Ela estava no corredor aguardando a sua passagem. Sem ruídos foi até a janela e voltou pelo menos umas três vezes, só para ver o que já sabia - os pais dela estavam na rua.

Foi ao banheiro, sentou no vaso umas muitas vezes, levantou, abriu o enxaguante bucal, que estava quase no fim, colocou cerimonialmente num copo de extrato de tomate, completou com dois dedos de água para render, enxaguou a boca vigorosamente, passou o dedo indicador em todos os dentes, e em seguida deixou as lágrimas virem à borda dos olhos. Lavou o rosto, deu um tapa em cada face, falou uma voz de comando, e decidiu o que fazer.

Voltou à porta, respirou fundo, bateu a chave e saiu. Já levantara a mão para explicar a desculpa que poderia corrigir tudo, mas ela não estava mais. Desceu os dois andares, na estreita escada, tenso e amedrontado. Ganhou a rua e ninguém mais o esperava. Fez sinal para o coletivo, desceu no centro, mas aquilo não estava certo.

Voltou ao apartamento, sentou na portaria e ali ficou a esperar que ela regressasse. Foi na casa onde tentaram ser pessoas normais em condições normais, e estava fechada para alugar, perguntou aqui e ali e nada. 

Só então descobriu pela dor da ausência que ela era o seu único grande amor. 

E foram nunca mais felizes outra vez!

É isto aí!

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

As melhores amigas para sempre.

Autora: Gislaine Lima
Fonte: https://www.insoonia.com/


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Ju
: Gente, nem acredito, ele mandou zap me convidando para sair

Mari: Manda o Print
Carol: Print print print
: Sério? Uau!!

(print)

Ju: Eu respondo o quê? Que topo?
Mari: Não!!! Ainda não. Responde perguntando outra coisa.

Ju: Outra coisa o quê, por exemplo?
Carol: Sei lá! Algo profundo tipo se ele sabe quanto tá o dólar.
: Demorou .... HAHAHAHAHA cala a boca, Carol.
Mari: Pergunta a que horas ele deve sair do trabalho.
Carol: Vai que ele não trabalha
Mari: Aí a Ju fica sabendo que ele não trabalha.
Carol: Ah, é!!! Pergunta se ele tem irmão que trabalha.
Ju: Cala a boca, Carol ...

Ju: Tá bom! Vou responder assim: “Oiê, acho que sim. Você sai do trabalho tipo mais ou menos que horas?” Pode ser assim, gente?
: Tira o ”Oiê, acho que sim”, tá ridículo.
Mari: Tira também “tipo mais ou menos”. Vai ficar mais objetiva.
Carol: Tira  a calça jeans, bota o fio dentaaaaaallll
Mari: Pelamordedeus, cala a boca, Carol.
: Migas, alguém do grupo exclua a Carol, por favor

Ju: Então vou responder assim: “Oiê, a que horas você sai do trabalho?”
: Ju, presta atenção, “Oiê” é péssimo.
Carol: Também acho, HAHAHAHAHA, é péssimo, Ju ...
Mari: Tira o Oiê e coloca Oi
: Ou Hello!!!
Carol: Ou então “e aí veado”??

Ju: Obrigada, Carol, ótima ideia HAHAHAHAHA.
Mari: Cala a boca, Carol
: Cala a boca, Carol
Mari: Manda sem o “Oi” mesmo
Ju: A que horas você sai do trabalho? Gente, não estou sendo meio grossa?
: Verdade. Tá sim. Manda: “Pode ser, mas a que horas você sai do trabalho?"

Ju: Beleza!!! Vou mandar assim.

(3 minutos depois)

Ju: Ele respondeu que sai tipo oito horas, mais ou menos.
: Pergunta se pode ser amanhã às oito, aí você não vai parecer que está tão disponível prá ele..
Mari: Não! Pergunta se pode ser hoje as nove horas. Dá tempo dele se arrumar, e amanhã ele pode mudar de ideia.

Ju: É mesmo, tipo nove horas de hoje, aí ele fica cheiroso. Hummm...
Carol: Pergunta se ele gosta de Bruno e Marrone.
: Onde quer chegar com isto, Carol?
Carol: Ué, pra saber se ele vai dormir na praça pensando na Ju.
Mari: Carol, outra dessa e você sai do grupo.
Ju: HAHAHAHAHA, cala a boca, Carol.
Mari: Quem foi que convidou a Carol pro grupo?
Carol: Foi a Ju, Mari, e eu fiquei muito feliz.
Mari: Ah, Ju...

Ju: Então vou falar que estou livre a partir das oito e meia, ok?
: Ok! Manda!
Mari: Beleza, vai contando as horas
Carol: posso ir também, Ju?
: Cala a boca, Carol.

(2 minutos depois)

Ju: Ele disse que me pega às oito e meia. E agora? Digo que está tudo bem?
Mari: Sim, diz “Ok”
: Sim, diz “Beleza”
Carol: Sim! Diz: “HOJE TEEEEEEMMM”
Mari: Carol ... caramba.
Ju: Ok, entendi. Não para a resposta da Carol, por motivos óbvios. 

(1 minuto depois)

Ju: Ele mandou um joinha
Mari: Manda a carinha piscando
: Manda a carinha do beijinho
Carol: Manda o brinde das cervejas
Ju: Acho que a carinha piscando fica meio “ui” demais, não?
: Manda a carinha do beijo, já falei.
Ju: O beijinho com coração?
Mari: Não! Sem o coração! Senão fica o ó.
: também acho.
Carol: Manda aquela figurinha da Berinjela, é linda.
Ju: Grata, Carol, mas vou ficar com o beijinho.
Carol: Manda então o beijinho com aquela da capetinha, ele vai ficar empolgado.

Ju: Vou mandar o beijinho sozinho, sem coração.
Carol: Puxa vida, ninguém liga para o que eu falo...
Ju: Também, né Carol ... só fala merda.
: Ôôôô Carol, fica tisti não, a gente te ama. A Ju tá nervosa.
Mari: Até mesmo porque a gente sabe que você tem déficit cognitivo.
Carol: Puxa vida, grata, gente. É chique demais ter amiga que faz psicologia. Vocês me fazem muito feliz.

(7 horas depois)

Ju: Gente, ele falou que já tá vindo.
Carol: Ele quem gente?
: Ignora
Mari: Você tá pronta?
Ju: Tô
Mari: Diz que precisa de mais uns cinco minutinhos
Carol: É, fala que a menstruação desceu e manchou a calcinha.
: Ai-ai

Ju: Prá quê mais cinco minutos, Mari?
Mari: Prá parecer que você está caprichando no visual.
Carol: Entendi nada.
: Ignora, gente.
Ju: Tá bom! Valeu a dica.
Carol: Obrigada, Ju.
Ju: HAHAHAHAHA

(14 minutos depois)

Ju: Ele chegou, está na portaria. Mando subir?
Mari: Lógico que não. Faz ele esperar mais um pouco, e aí desce.
Carol: DESCE DESCE DESCE DESCE GLAMOUROSA!!!!
Ju: Respondi que tô descendo.
Carol: Que resposta incrível, Ju. Arrasou, amiga!
Ju: HAHAHAHAHA
Mari: Vai lá e arrasa, amiga!!!
: Boa sorte, Ju!!!
Ju: Eita nóis, as melhores amigas para sempre. Amo vocês!!!
Carol: Gente, onde a Ju vai?

É isto aí!

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Fiz de tudo e nada de te esquecer (O reverso da Sabiá)


Alto lá
O Reverso da Sabiá não tem a pretensão de ser nada além de uma resenha livre, longe (muito longe) de ter a qualidade poética do original de Chico Buarque/Tom Jobim - Sabiá. É apenas o que se propõe a ser - uma resenha livre.


O Reverso da Sabiá

Vou voltar!
Fiz de tudo e nada de te esquecer
Assim como fiz estradas de me perder
como fiz enganos de me encontrar
Não será em vão tantos planos
de me enganar.

Vou voltar! 
Sim, sei, vou voltar.
Talvez possa esquecer
as noites que eu não queria
E sorver no dia
o amor que já não há
assim como as flores e a sabiá   

Vou voltar! 
Sei que ainda vou voltar
Foi lá e ainda é lá que ainda hei de ouvir
que fiz de tudo e nada de te esquecer.
 
Novamente farei estradas de me perder
ou farei enganos de me encontrar
Não será em vão fazer tantos planos
só para me enganar.

Talvez possa espantar 
algum novo amor
E reiniciar um dia
as flores que não queria
e colher o que já não há.


Sabiá (Chico Buarque/Tom Jobim)

Vou voltar
Sei que ainda vou, vou voltar
Para o meu lugar
Foi lá e é ainda lá
Que eu hei de ouvir cantar uma sabiá
O meu sabiá

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Vou deitar à sombra de uma palmeira que já não há
Colher a flor que já não dá
E algum amor talvez possa espantar
As noites que eu não queria
E anunciar o dia

Vou voltar
Sei que ainda vou, vou voltar voltar
Não vai ser em vão
Que fiz tantos planos de me enganar
Como fiz enganos de me encontrar
Como fiz estradas de me perder
Fiz de tudo e nada de te esquecer

Fonte: Musixmatch
Compositores: Antonio Carlos Jobim / Chico Buarque
Letra de Sabiá © Org. Mauricio Marconi, Songs Of Universal Inc.

Clique aqui e ouça a melodia:
Fonte Youtube Tom/Chico: Sabiá 
Fonte Youtube Quarteto em Cy/MPB4: Sabiá

É isto aí!

Cenas de amor no whatsapp



Eu gosto de você, e tem coisas que fortalecem isto, afirmou o rapaz à moça enquanto apreciava um sorvete de flocos numa tarde lenta e quente daquele verão.

Eu mais que gosto de você, eu adoro você, replicou a mocinha, cheia de si e locupletada de paixão pelo moço.

Eu amo você, disse o rapaz, quando deixa reticências, e sei que elas marcam uma suspensão da frase, devido, muitas vezes a elementos de natureza emocional que transcendem suas palavras. Estes três pontos indicam eu, você e nós, num eflúvio cósmico.

Eu amo você, disse a mocinha, já cheia de si, embriagada pela névoa passional que os encobria. Eu ... eu ... não tenho palavras ... .

Só há uma coisa em você que me deixa consternado em demasia, meu amor, afirmou o rapaz.

Fala, por que meu coração não permitirá mais que eu cause cicatrizes no nosso amor.

É você utilizar deste maldito "kkkk" quando termina as frases após as reticências ... é um escárnio intempestivo.

Mas é o meu modo de sorrir e mostrar minha felicidade ... puxa vida, não pode fazer isto comigo.

Desculpa, amor, eu nunca pensei que te ofenderia desta forma. Perdoa.

Está perdoado! Agora estou feliz ... kkkk ... kkkk...

E foi assim que terminaram o relacionamento, e viveram infelizes para sempre.


É isto aí!

sábado, 26 de outubro de 2019

O novo mundo surge diante de nós (Thierry Meyssan - Rede Voltaire)

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O Rei Salman recebe o Presidente Vladimir Putin, o pacificador.

Autor: Thierry Meyssan     Fonte: Rede Voltaire

Em Fevereiro de 1943, a vitória soviética face ao Reich nazi marcava a viragem da Segunda Guerra Mundial. A sequência dos acontecimentos era inelutável. Foi preciso, no entanto, esperar o desembarque anglo-americano na Normandia (Junho de 1944), a Conferência de Ialta (Fevereiro de 1945), o suicídio do Chanceler Hitler (Fevereiro de 1945) e, por fim, a capitulação do Reich (8 de Maio de 1945) para se ver levantar este mundo novo.

Num ano (Junho de 44-a Maio de 45), o Grande Reich fora substituído pelo duopólio soviéto-americano. O Reino Unido e a França, que eram ainda as duas primeiras potências mundiais, doze anos antes, iam assistir à descolonização dos seus Impérios.

É um momento como esse o que nós vivemos hoje em dia.

Cada período histórico tem o seu próprio sistema económico e constrói uma super-estrutura política para o proteger. Durante o fim da Guerra Fria, e da dissolução da URSS, o Presidente Bush Sr desmobilizou um milhão de militares dos EUA e confiou a procura da prosperidade aos patrões das suas multinacionais. Estes fizeram uma aliança com Deng Xiaoping, deslocalizaram os empregos dos EUA para a China, que se tornou a fábrica (usina-br) do mundo. Longe de trazer a prosperidade aos cidadãos dos EUA, eles monopolizaram os lucros, provocando progressivamente o lento desaparecimento das classes médias ocidentais. Em 2001, financiaram os atentados do 11-de-Setembro para impor ao Pentágono a estratégia Rumsfeld/Cebrowski de destruição das estruturas estatais. O Presidente Bush Jr transformou então o «Médio-Oriente Alargado» no teatro de uma «guerra sem fim».

A libertação numa semana de um quarto do território sírio não é somente a vitória do Presidente Bashar al-Assad, «o homem que desde há oito anos deve sair», ela marca o fracasso da estratégia militar que visava estabelecer a supremacia do capitalismo financeiro. O que parecia inimaginável aconteceu. A ordem do mundo mudou. O desenrolar dos acontecimentos vai tornar-se inevitável.

A recepção do Presidente Vladimir Putin com enorme pompa na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos atesta a espetacular reviravolta das potências do Golfo que se viram agora para o campo russo.

A igualmente espectacular redistribuição de cartas no Líbano sanciona o mesmo fracasso político do capitalismo financeiro. Num país dolarizado, onde já não se encontram mais dólares desde há um mês, onde os bancos fecham seus guichês e onde os saques bancários são limitados, não serão as manifestações anti-corrupção que irão parar o derrube (derrubada-br) da antiga ordem.

As convulsões da antiga ordem espalham-se. O Presidente equatoriano Lenín Moreno atribui a revolta popular contra as medidas impostas pelo capitalismo financeiro ao seu predecessor, Rafael Correa, que vive no exílio na Bélgica, e a um símbolo da resistência a esta forma de exploração humana, o Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, muito embora eles não tenham qualquer influência no seu país.

O Reino Unido já retirou as suas Forças Especiais da Síria e tenta sair do Estado supranacional de Bruxelas (União Europeia). Depois de ter pensado conservar o Mercado Comum (projecto de Theresa May), decidiu romper com toda a construção europeia (projecto de Boris Johnson). Após os erros de Nicolas Sarkozy, François Hollande e Emmanuel Macron, a França perde subitamente toda a credibilidade e influência. Os Estados Unidos de Donald Trump deixam de ser a «nação indispensável», o «gendarme do mundo» ao serviço do capitalismo financeiro para voltar a ser, eles próprios, uma grande potência económica. Retiram o seu arsenal nuclear da Turquia e aprestam-se a fechar o CentCom no Catar. A Rússia é reconhecida por todos como o «pacificador» fazendo triunfar o Direito Internacional que ela havia criado ao convocar, em 1899, a «Conferência Internacional da Paz» em Haia, cujos princípios foram depois pisados pelos membros da OTAN.
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A Conferência Internacional para a Paz de 1899. Seria preciso mais de um século para compreender as suas implicações.


Tal como a Segunda Guerra Mundial pôs fim à Liga das Nações (SDN) para criar a ONU, este mundo novo vai, provavelmente, dar à luz uma nova organização internacional fundada sobre os princípios da Conferência de 1899 do Czar russo, Nicolau II, e do Prémio Nobel da Paz francês, Léon Bourgeois. Para isso, será preciso primeiro dissolver a OTAN, que tentará sobreviver estendendo-se para o Pacífico, e a União Europeia, Estado-refúgio do capitalismo financeiro.

É preciso entender bem o que se passa. Entramos num período de transição. Lenine dizia, em 1916, que o imperialismo era o estágio supremo da forma de capitalismo que desapareceu com as duas Guerras Mundiais e a crise bolsista de 1929. O mundo de hoje é o do capitalismo financeiro que devasta, uma a uma, as economias em benefício exclusivo de alguns super-ricos. O seu estádio supremo pressupunha a divisão do mundo em dois: de um lado os países estáveis e globalizados, do outro, regiões do mundo privadas de Estado, reduzidas a não ser mais do que simples reservas de matérias-primas. Este modelo, contestado tanto pelo Presidente Trump nos Estados Unidos, como pelos coletes amarelos na Europa Ocidental, ou a Síria no Levante, agoniza diante dos nossos olhos.
Thierry Meyssan

Tradução
Alva

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Eu amo até a sua saudade.(Paulo Abreu)

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Sabe quando abre a cicatriz
e sua alma fica exposta
e transita livre a tristeza

E a angústia é a resposta,
sem beleza nem graça
com mágoas liquefeitas?

Vêm as lágrimas da incerteza,
diluem as coisas tangíveis
e a vida arbitra e sabota 

Parado, patético, assustado.
percebo que o tempo desbota,
qualquer tempo assim é falta 

Você é um amor de pessoa
eu adoro você, muito.
muito além deste mundo

Sua ausência sempre foi pauta
e ao romper esta cicatriz
eu amo até a sua saudade.

É isto aí!

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

A memória em um sermão de Antônio Vieira (Marina Massimi)

Alto lá!
Este texto não é meu
Confesso que li, copiei e colei
Autora: Profª Dra. Marina Massimi
Fonte: Scielo

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A memória em um sermão de Antônio Vieira

No sermão do Rosário, pregado em 1654 (2000), na Igreja do Colégio Jesuíta de São Luís do Maranhão, "com o Santíssimo Sacramento exposto, no sábado da infra Octavam Corporis Christi e na hora em que todas as tarde se reza o Rosário", Antônio Vieira estabelece uma analogia entre o tema da festividade (a solenidade do corpo de Cristo) e o corpo humano. Retira a analogia do livro bíblico do Cântico dos Cantos e afirma que a Igreja católica, corpo místico de Cristo, pode ser considerada corpo vivo. Deste corpo vivo aborda a 'fisiologia', focando uma função decisiva para a sobrevivência: a função alimentar:

E discorrendo particularmente por todos os membros e partes de que se compõe, com louvor da formosura, e declaração do ofício de cada um, chega finalmente àquela oficina universal, onde se recebe o alimento, e convertido em sangue se reparte por todo o corpo (2000, p. 31).

O ilustre pregador evidencia as possíveis significações espirituais do ato de alimentar-se e de seus efeitos fisiológicos (Massimi, 2006): neste âmbito, refere-se à memória atribuindo-lhe a função fundamental de "o estômago da alma". De fato, afirma que da mesma forma em que o estômago é o lugar do organismo onde "se recebe e se retém o comer corporal e ali se faz a primeira decocção dos alimentos" (p. 43), a memória é a primeira potência anímica que recebe e recolhe dentro de si, "por meio da apreensão", o conteúdo percebido pelos sentidos a ser elaborado pelo entendimento e pela vontade de modo a produzir conhecimento.

Por outro lado, este conteúdo melhor será elaborado, quando mais vagarosamente for apreendido: "lembrando-se não de passagem, senão muito devagar" (p. 43). Ou seja, a função nutritiva cujo processo depende da atividade do órgão do estômago-memória que preside o metabolismo digestivo, realiza-se da melhor forma se forem tomados alguns cuidados necessários ao bom funcionamento desse mesmo órgão. Com efeito, observa Vieira, "o mantimento corporal que se come, e não se digere, por mais substancial e esquisito que seja não faz nutrição, nem se converte em substância. Lá diz o aforismo vulgar da Medicina: Non quod ingeritur; sed quod digeritur" (p. 34).

Analogamente ao que acontece na fisiologia do corpo, também na "fisiologia anímica" (se assim a podemos chamar), o processo da nutrição "reparte por todas as veias e os membros do corpo a substância e a virtude do que se come" (p. 35). Disto decorre a assimilação do alimento "que se recebe não só no peito do corpo, senão no estômago da Alma e nele se digere"; "dali se difunde por todas as veias e reparte e comunica a todos os membros do nosso corpo a virtude e virtudes do corpo e membros de Cristo, que na substância e na realidade do que comemos se encerra" (p. 35).

O objetivo de Vieira é fundamentar nesta analogia, a tese acerca da eficácia da prática religiosa do Rosário, exercício devocional que "esmiúça" o conteúdo doutrinário em pequenas partes (cada um dos "mistérios" contemplados pelo devoto, ao longo do exercício). O funcionamento da memória e seu encadeamento com a atividade das demais potências psíquicas são descritos em pormenores para justificar adequadamente a tese proposta.

A memória, definida como o "estômago da alma", realiza a primeira "decocção" dos seus objetos, "lembrando-se não só de passagem, senão muito devagar (como se faz no corpo), e representando à Alma quem é o que está presente" no conteúdo a ser memorizado. De fato, a propriedade da memória é "fazer presentes as coisas ausentes" (p. 43). Esta é a potência que tem a capacidade de "levar-nos aos ausentes, para que estejamos com eles, e trazê-los a nós, para que estejam conosco" (p. 43). Desse modo, a memória fazendo "presente" o que é "ausente", torna possível uma modalidade de presença que não é mais física e sim ocorre no nível do entendimento e da vontade: no nível do simbólico, diríamos hoje: "Lembrai-vos do amigo ausente que está em Portugal, e ao mesmo tempo vós estais lá com ele, e ele está cá convosco, porque lá nos levou a memória, e cá o tendes no pensamento" (2000, p. 44)

O dinamismo da memória articula-se ao das demais potências, exatamente como na "fábrica da nutrição" as operações principais são três: "uma que recebendo retém, outra que alterando assemelha, outra que unindo converte" (p. 42). Vieira afirma que estes conceitos derivam de Aristóteles e Galeno. Analogamente, "a potência da memória recebe e retém por meio da apreensão" o objeto, "a potência do entendimento alerta-o [o objeto, ndr.] e assemelha-o a si (ou a si a ele) por meio da meditação", "a potência da vontade converte e une em si mesma" este mesmo objeto. A atividade reflexiva do entendimento suscita o afeto amoroso na vontade. Vieira assemelha este afeto ao "calor natural" que no organismo permite a digestão (p. 47): dito calor "afetivo" é o que faz o sujeito "se incorporar pela vontade" ao objeto (p. 47).

Como o próprio Vieira declara, esta analogia não é sua invenção e sim retirada de toda uma ampla tradição cujos alicerces são: Platão (428-348 a.C.), a retórica romana, Agostinho (354-430), a tradição monástica medieval, o pregador e teólogo Bernardo de Claraval (1090-1153) e o pregador popular Bernardino da Siena (1380-1444).


A memória segundo Agostinho

Focalizamos agora a concepção de memória proposta por uma das fontes principais de Vieira: Agostinho, declarado por Vieira, no dito sermão, como sendo "o excelente filósofo da memória" (2000, p. 42).

Agostinho refere-se à memória como sendo "ventre da alma" em vários textos. É derivada destes textos a concepção exposta por Vieira de que a melhor maneira para que o "estomago da alma" funcione bem é a ruminação, ou seja, o modo de assimilação do alimento próprio dos bois, "que depois de comer tornam a ruminar, ou remoer aquilo mesmo que comeram", "muito devagar" (p. 48); o que facilita o processo digestivo.

Agostinho refere-se ao ato de "ruminar" e usa desta metáfora, repetidas vezes ao descrever o processo da memória (por exemplo: no discurso sobre o salmo 36; sobre o salmo 130).

Nas "Confissões" (397) aplica o termo aos atos de memória que assumem um valor e um significado entre si muito diferentes. No "Livro Terceiro", ao referir-se ao início do relacionamento com a mulher que depois se tornou sua amante, Agostinho (397) afirma: "ela me seduziu porque me encontrou fora de mim, habitando nos olhos da minha carne e ruminando o que por eles tinha devorado" (p. 66). Neste contexto, a ruminação da memória refere-se à elaboração das imagens dos objetos sensíveis, alimentos estes que, porém, "não conseguiam saciar sua fome".

Já no "Livro Sexto", a ruminação da memória é aplicada ao "paladar espiritual" de Ambrosio e aqui a ruminação refere-se aos gozos interiores dos alimentos imperecíveis e espirituais: "Não tinha eu experiência da consolação nas adversidades e do paladar íntimo do coração com que ele saborosamente ruminava o pão dos vossos gozos" (p. 118).

Por fim, no "Livro Sétimo" Agostinho aplica o verbo ruminar ao ato da consideração filosófica dos argumentos dos adversários (no caso específico, tais argumentos justificariam os vaticínios dos astrólogos), num diálogo imaginário. Este ato por ele é considerado útil para construir sua própria posição e bem argumentar a refutação daquelas teses: "ruminava tudo isto comigo, para que nenhum desses loucos que viviam de tal negócio e que eu desejava atacar imediatamente e pôr a ridículo me pudessem resistir" (p. 148).

Em outra obra, o "Livro Sexto contra Fausto o Maniqueu" (410), ele refere-se ao ruminar pela memória como ao ato que, pela "doçura da lembrança" de um conteúdo ouvido e reconhecido como útil, evoca e transmite este conteúdo das "vísceras da memória para a boca do pensamento" (livro 06, par. 07, v. 11).

Na "Exposição acerca do Salmo 141" Agostinho (2010) detalha em pormenores seu entendimento do ato de ruminar a palavra. Parte da constatação de que, diante da palavra a ser aprendida, normalmente temos certa avidez que em muitos casos nos faz esquecer nossa própria fragilidade e limites intelectuais, bem como as limitações de quem nos comunica esta palavra. Diante disto, aconselha a "esconder a palavra ouvida no ventre da memória, tornando-a objeto de meditação vagarosa" (par. 01, v. 8). Ruminar significa voltar pelo pensamento ao que se ouviu, de modo a se apossar daquele conteúdo na profundidade do eu (no "homem interior"): assim o conceito aprendido coincidirá com a sua expressão vocal (o que ele chamara de "boca do pensamento"). Com efeito, para o orador Agostinho, pronunciar o verbo identifica-se com o pensar o conceito, sendo ambos expressivos da apreensão da única verdade.

Desse modo, para ele, o processo da memória deve ser balizado numa temporalidade própria e é voltado para a transmissão oral: a palavra fruto da elaboração do pensamento, que é a ruminação, é assim profundamente associada à atividade da memória.

Agostinho (397) aborda amplamente o tema da memória no livro X das Confissões: aqui descreve a memória pela metáfora do "palácio": em seu espaço a memória retém as imagens trazidas pela percepção, como também todos os produtos do pensamento. A evocação dos conteúdos da memória é feita pela vontade: "Quando lá entro, mando comparecer diante de mim todas as imagens que quero" (p. 224). Apesar das diferentes imagens comparecerem com intensidades e tempos diferentes (algumas se apresentam imediatamente, outras mais vagarosamente, algumas se impõem à atenção, outras precisam ser extraídas; algumas "irrompem aos turbilhões", outras "em sério ordenada", é a escolha da vontade que as organiza, como Agostinho frisa repetidamente pelo uso de verbos como querer, apetecer etc.: "quando eu quiser", "se me apetece chamá-los", "conforme me agrada" etc.

Em primeiro lugar, Agostinho analisa a memória sensorial: esta é um palácio interiormente organizado, onde "se conservam distintas e classificadas todas as sensações que entram isoladamente pela sua porta" (p. 225), ou seja, pelos cinco sentidos. As imagens das coisas sensíveis que entram na memória nela permanecem "sempre prestes a oferecer-se ao pensamento que as recorda" (p. 225).

A memória é descrita também como "um grande receptáculo" formado por "sinuosidades secretas e inefáveis, onde tudo entra pelas portas respectivas e se aloja sem confusão" (p. 225). Na memória estão presentes todas as imagens do mundo real, derivada pelos sentidos.

Uma segunda função da memória é a de ser o lugar onde encontrar a si mesmo: a lembrança de ações, sentimentos, ideias, experiências vividas.

Em terceiro lugar, Agostinho trata da memória intelectual, que é a o repositório de todos os conhecimentos adquiridos. Neste caso também, ressalta a dimensão espacial da memória, caracterizando-a, porém, como espaço não físico e sim virtual: "estes conhecimentos serão como que retirados num lugar mais íntimo, que não é lugar" (p. 227), onde "as imagens [dos objetos, ndr.]. são recolhidas com espantosa rapidez e dispostas, por assim dizer, em células admiráveis, donde admiravelmente são tiradas pela lembrança" (p. 227). Aqui está o princípio daquela que será a arte da mnemotécnica, amplamente utilizada no Ocidente medieval, renascentista e aos inícios da Idade Moderna.

Nas "concavidades secretíssimas" (p. 228) e mais retiradas da memória estão as noções inatas, ou seja , as que não são derivadas pelas imagens sensoriais e sim que "vemos em nosso interior tais quais são em si mesmas". A aprendizagem destas noções que a memória retém de modo desordenado e disperso consiste em "coligi-las pelo pensamento" e "obrigá-las pela força da atenção, a estarem sempre como que à mão, e a se apresentarem com facilidade ao esforço costumado do nosso espírito" (p. 229). Neste caso, o exercício é fundamental, pois "se deixar de as recordar, ainda que seja por pequeno espaço de tempo, de novo imergem e como que escapam para esconderijos mais profundos" (p. 229). Aqui Agostinho estabelece uma interessante relação entre a atividade de coligir estas noções dispersas e a etimologia do verbo latim cogitare que significa pensar. Da mesma forma, a memória retém números e figuras geométricas.

A memória lembra de sua própria atividade e encerra em si os afetos da alma, mas "não da maneira como os sente a própria alma, quando os experimenta, mas de outra muito diferente, segundo o exige a força da memória" (p. 230).

Neste ponto, Agostinho retoma a metáfora da memória como sendo o "ventre da alma", ao explicar a razão do fato que os afetos vivenciados são modificados pela memória: "A memória é como o ventre da alma. A alegria, porém, e a tristeza são o seu alimento, doce ou amargo. Quando tais emoções se confiam à memória, podem ali encerrar-se depois de ter passado, por assim dizer, para esse estômago; mas não podem ter sabor" (p. 231). De modo que eu posso apoiar-me na memória para reconhecer as "quatro perturbações da alma" (p. 231), a saber, desejo, alegria, medo e tristeza, mas ao fazê-lo "não me altero com nenhuma daquelas perturbações quando as relembro com a memória" (p. 231). E continua: "Assim como a comida graças à ruminação, sai do estômago, assim também elas saem da memória, devido à lembrança", mas ao serem recordadas elas não trazem "à boca do pensamento, a doçura da alegria nem a amargura da tristeza" (p. 231). De fato, isto é necessário para que tenhamos a vontade de lembrar, pois "quem de nós falaria voluntariamente da tristeza e do temor, se fôssemos obrigados a entristecer-nos e a temer, sempre que falamos da tristeza ou temor?" (p. 232). Todavia, estes sentimentos também são retidos na memória: da memória tiramos o som das palavras utilizadas na conversa, conforme as imagens gravadas pelos sentimentos corporais, mas também a noção dos sentimentos àquelas associados, que estão igualmente retidos nela.

A "força" ou "potência da memória" é retratada por Agostinho como sendo idêntica à dimensão mais essencial do homem, "o eu mesmo", "uma vida variada de inúmeras formas com amplidão imensa" (p. 234). Devido à vastidão e complexidade da memória, Agostinho utiliza-se também de outra metáfora espacial: "eis-me nos campos de minha memória" que "percorro" indo "por aqui e por ali" (p. 234), penetrando "por toda a parte quanto posso, sem achar fim". Adentra assim "nos seus antros e cavernas sem número" e descobre que eles são ocupados por "presenças": "repletas, ao infinito, de toda a espécie de coisas que lá estão gravadas, ou por imagens como os corpos, ou por si mesmas como as ciências e as artes, ou então por não sei que noções e sinais, como os movimentos da alma, os quais, ainda quando não a agitam, se enraízam na memória, posto que esteja na memória tudo o que está na alma" (p. 234). Ao percorrer os campos da memória, porém, o ser humano não se satisfaz com os achados proporcionados pelo aspecto da memória que é comum também aos animais: esta funciona como sistema de referência para a vida cotidiana, permitindo-nos adquirir hábitos e regressar a lugares corriqueiros. Além disto, o homem procura na memória o que mais profunda e ardentemente deseja, a saber, a "felicidade real", "a felicidade em concreto" (p. 237), esta felicidade que "os homens de todas as línguas têm um desejo ardente de alcançar" (p. 238). Cada ser humano ao ser perguntado se quer ser feliz, pode sem hesitação responder que sim, pelo fato de que em sua memória conserva a lembrança real do que a palavra felicidade significa. A memória é, portanto, o lugar onde o homem busca encontrar não somente o saber, como também a vida.


As práticas da memória

Essa dimensão existencial da memória reencontra-se, muitos séculos depois, nos escritos de Bernardo de Claraval (1090-1153). No Sermão trigésimo sexto sobre o conhecimento e a ignorância, Bernardo retoma a metáfora da memória estômago da alma e enfatiza a função do afeto neste processo: o "fogo do amor" é essencial para cozer os alimentos no aparelho digestivo da alma. De outro modo, ter-se-á um "saber indigesto" pela presença de "humores maus e nocivos" (Lauand, 1998, p. 267) causadores de "inchaços e cólicas de consciência" (p. 268). O que seria esse alimento indigesto? Trata-se de um saber desvinculado do bem viver: articulação ideal entre vida e saber própria de toda a tradição medieval. O bom uso da memória moldada pelo desejo do bom e pela vontade de alcançar a felicidade é tido, portanto, como elemento essencial para realizar o alimento saudável que corresponde ao verdadeiro conhecimento, à verdadeira filosofia.

Entre Agostinho e Bernardo, há um trabalho secular que manteve viva esta concepção e esta prática da memória, trabalho que Carruthers (2006) identifica como realizado extensivamente pelas comunidades monásticas ao longo do período medieval. Esta autora, em contraste com a tese clássica de Yates (1966) que enfatizara o caráter repetitivo e mecânico da arte da memória, aponta para a importância dos exercícios da meditação monástica, como suporte na elaboração dos processos cognitivos em culturas orais. Carruthers evidencia o nexo da memória com a inventio e a mediação que a memória exerce na composição mental de um percurso que pode ser puramente mental ou real. As técnicas da memória nesta perspectiva assumem uma função relevante na modalidade de leitura e assimilação de textos que são transformados em patrimônio interior e nela armazenados de modo a serem reutilizados na criação de novos textos como também na tomada de decisões morais. As técnicas da arte da memória próprias da tradição da retórica clássica interagem assim com as práticas monásticas da meditação ensinando a criar "lugares" mentais, onde colocar lembranças de coisas lidas ou ouvidas e dos quais tirar materiais e associações para novos pensamentos, novas palavras e novos atos. Trata-se do processo que Agostinho definira como a "força da memória": a construção mental de lugares, palácios, jardins, itinerários a serem percorridos. A memória atua assim como um grande arquivo capaz de se reproduzir e gerar; é capaz de mobilizar afetos e proporciona conservação e invenção.

A arte da memória assim concebida não funciona apenas como meio persuasivo e sim como recurso para a invenção e para a construção do pensamento. Retoma-se, nesta perspectiva, o significado etimológico da palavra latina inventio - uma das componentes fundamentais da arte retórica - que assume o duplo significado de inventar e de inventariar, recolher e ordenar a informação.

Este exercício realiza aquilo que Carruthes define uma ortopraxis, ou seja, um itinerário que possibilita um reacontecer da experiência do fundador semelhante à originária. Trata-se da aprendizagem de uma prática que cria familiaridade com a experiência que a promove. Dito percurso educativo, ou seja, a experiência disciplinada, permite ao aprendiz identificar-se com uma vivência reconhecida como original e fundante. A memória desta origem envolve um dinamismo amplo em que participam rememoração, emoção, imaginação e meditação. Trata-se de uma construção do pensamento proporcionada pela vivência comunitária que norteia certo uso da retórica como inventio, como arte da composição, da meditação resultante de uma atividade cognitiva disciplinada: o silentium. Com efeito, já Agostinho considerava a meditação a forma mais alta de eloquência.

Nesta perspectiva, a memória não é concebida tanto como repetição ou reprodução de algo quanto como matriz de uma atividade cognitiva em que as lembranças são mescladas e associadas num esquema mnemônico, numa arquitetura da memória, ou machina memorialis. Trata-se de uma concepção da memória que muito se aproxima daquela própria da tradição retórica romana: não se trata tanto da arte da repetição quanto da arte da invenção, que possibilita ao usuário o saber usar a palavra apropriadamente em qualquer circunstância. Não se trata, portanto, de uma memória estática e repetitiva, mesmo quando assume a feição da memória artificial, ou mnemotécnica (Yates, 2002). Memória e arte da composição são profundamente associadas: a invenção, o pensamento criativo são relacionados assim profundamente à arte da retórica. O termo invenção (inventio) tem um duplo significado de criar algo novo e de inventariar, colocar as ideias na ordem em determinados lugares que permitem sejam reencontradas facilmente: trata-se de uma memória que localiza. A memória funciona muito menos como estrutura temporal que como lugar para dispor as coisas, através de seus sinais ou indícios que tomam forma de imagens mentais, tendo intenso componente afetivo.

Esta concepção não mecanicista da memória e de suas possibilidades alcançadas pelo exercício proporciona uma mais ampla compreensão do uso das imagens mentais e das articulações entre as relações entre memória e imaginação. Com efeito, por um lado, a visualização do pensamento em esquemas organizados de imagens aproxima estes métodos a tópicos importantes da psicologia contemporânea e, por outro, esta concepção de memória ativa (e não apenas repetitiva) que constrói esquemas de imagens para organizar seus conteúdos remete à memória coletiva, sendo estes esquemas e lugares expressão de fenômenos sociais e culturais influentes na construção desta arquitetura mental. No que diz respeito especificamente às imagens e à imaginação, segundo a perspectiva metodológica proposta por Carruthes, a criação das imagens mentais não é sugerida tanto pela imitação e semelhança aos objetos que devem representar, quanto pela função cognitiva a ser desenvolvida: por exemplo, o fato de que um ponto é mais facilmente localizável se pertencer a um conjunto (exemplo: uma estrela numa figura de constelação como urso, carro etc.); ou se pertencer a certa narrativa, a certa história (conforme hoje a psicologia moderna confirma pelos experimentos de F.C. Bartlett). A eficácia mnemônica destas narrativas é aumentada quanto mais forem afetivamente intensas e cognitivamente inusitadas.

No dinamismo da memória, portanto, a imagem ocupa um lugar específico não tanto pelo seu conteúdo quanto pela sua forma. A prática monástica da meditação resulta na fabricação de imagens mentais ou de quadros cognitivos utilizados para pensar e compor. De fato, o monaquismo frisa a necessidade de que as pessoas visualizem os pensamentos em suas mentes através de esquemas organizados de imagens. As imagens da memória são compostas por dois elementos: uma semelhança que sinaliza a experiência a ser lembrada e uma intentio, ou seja, a inclinação para com esta experiência, importante para classificá-la e reencontrá-la: por isto, as lembranças são constituídas por imagens com intenso componente emocional. Em suma, nesta tradição retórica, a construção das imagens mnemônicas obedece não a regras de conteúdo e sim de forma: devem servir para compor relações e redes de relações úteis para reter conceitos importantes e para auxiliar descobertas. É uma específica configuração e a posição nela ocupada pela imagem mental que permite a memorização; as redes e os lugares desta configuração pertencem a inventários sociais e mentais que proporcionam mapas de orientação dos pensamentos e das condutas.

A imagem é, assim, uma espécie de veículo dos conteúdos da memória, sendo a imaginação usada para construir estes mapas e para decifrar os percursos sugeridos. Exemplificando, na Idade Média, as peregrinações para determinados lugares e as procissões de fiéis seguindo determinadas imagens nos andores não eram relevantes pela autenticidade histórica dos lugares e das imagens, mas pelo fato de essas práticas proporcionarem o reconhecimento de imagens da memória, de modo que "a atividade física do deslocamento de um lugar para outro, espelhava fielmente a atividade mental na qual se empenhavam os participantes da procissão" (Carruthers, 2006, p. 68; tradução livre). As imagens, reconhecidas não tanto pelo seu conteúdo e sim pela sua função, são utilizadas como suportes para o pensamento: inclusive sua forma estética e os apelos sensoriais e afetivos por ela suscitados, são funcionais ao pensamento.


Conclusão

A abordagem proposta por Carruthers ilumina também a consideração de práticas culturais e religiosas difundidas no Brasil colonial: nestas podemos reconhecer um dinamismo análogo. Trata-se aqui também do emprego de uma máquina retórica visando transmitir e ensinar certo tipo de elaboração da experiência a ser memorizada e reinventada. Esta máquina é utilizada pelas congregações, irmandades e ordens religiosas atuantes na sociedade colonial que se apoiam na memória coletiva de vivências e tradições culturais e elaboram e reinventam práticas dessas tradições, acomodadas ao contexto em que deverão ser efetivadas. Portanto, a mobilização do dinamismo psíquico dos destinatários para a elaboração da experiência ocorre em conformidades a tais matrizes. Assim, quando Vieira em seu belo sermão introduz a devoção do Rosário como sendo ruminação dos mistérios que compõem a Sagrada Ceia e que vagarosamente devem ser ingeridos para poderem ser digeridos pela memória, ventre da alma, ele inspira-se em Agostinho e Bernardo e também fundamenta-se na tradição da machina memorialis transmitida através das gerações e apropriada por Inácio e pela Companhia de Jesus, conforme documenta a fonte mais significativa que da experiência jesuítica propõe-se a ser, formadora e modelo: os "Exercícios Espirituais".

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Em busca da alma gêmea!


Chegou atrasado ao casamento, e por mais um pouco não daria para dizer que a cerimônia deveria ser interrompida, já que a noiva era sua esposa, segundo descobrira numa profunda imersão em vidas passadas com Mãe Ragchalá Roban. Subiu apressadamente os degraus da Igreja, e não passou do décimo segundo de quarenta e seis degraus, quando desacordou ao tropeçar no cadarço desamarrado do pé direito.

A não suspensão da cerimônia causaria seu retorno ao planeta azul por mais dez temporadas, pois ambos, ele e sua amada, tinham um ascendente em Touro, tendo como  regente Vênus. E Vênus estava em Capricórnio na casa 09, orientado para Órion. Nesse conjunto de energias, altamente importante na composição das almas gêmeas, se libertariam definitivamente da maldição que sofreram a cerca de quatrocentos e setenta e oito anos atrás.

Duas semanas após o incidente, solitário no leito do hospital, voltou ao mundo real, sem entender onde estava nem quem era nem o que fazia ali. Ninguém o conhecia. Precisou de mais outros dois dias para se recordar que viajara cerca de seiscentos e vinte quilômetros para a pequena cidade no interior do interior, apenas pela informação precisa de que era necessário suspender a cerimônia. Ao recobrar a consciência, teve alta.  

Saiu do hospital e foi direto para a casa paroquial, afinal queria informações sobre o casamento, como nome dos noivos, endereço de contato, e diria que era um primo distante, que gostaria de cumprimentá-los. O padre o escutou com toda a atenção possível, Pediu para repetir o dia, e apenas fez uma ligeira negativa com a cabeça.

- Padre, por que o senhor está com este ar de preocupação? Sabe de algo?

- Meu filho, há duas semanas atrás não tivemos casamento na Igreja. O último foi a sessenta dias.

- O senhor tem certeza disto?

- Tenho, tanta quanto a sua presença diante de mim.

- Mas, padre ... eu cheguei aqui, subi as escadarias ...

- Meu filho, venha aqui fora comigo. 

- Sim, irei.

- Veja, a Igreja está no nível da rua, sem escadas.

- Talvez tenha outra igreja na cidade.

- Meu filho, esta é a única igreja da cidade.

- Voltou ao hospital, do outro lado da praça e pediu seu prontuário. 

- Senhor, não temos prontuário do senhor. O senhor nunca esteve internado aqui.

Procurou pelo carro, não estava em nenhum lugar. Foi à delegacia prestar queixa e deu conta que não tinha nem o documento nem a chave do automóvel. Sequer lembrara da placa. Ligou para os telefones de contato, e todos inexistentes. 

Sentou no banco da praça, desolado, desconsolado, lágrimas após lágrimas, num profundo sentimento de dor e de abandono. Sentiu um leve toque no ombro - era ela - a noiva, mas não estava de noiva, e parecia feliz. Olhou-a em compaixão plena.

- Vem, me acompanha, vamos para casa.

Entrou num casarão imenso, cuja porta era toda em entalhes barrocos, seguiram por um longo corredor em total silêncio, até chegar à porta dos fundos. Ela parou na frente da porta, deu-lhe um abraço e sussurrou. Não tenha medo. Vou abrir a porta e você, de olhos fechados,  sairá rapidamente, eu irei em seguida, e estarei tocando no seu ombro. E deu-se que abriu a porta, ele deus três passos largos e mergulhou num abismo profundo, enquanto ela, parada no portal gritou - você é um idiota!!!!

Enquanto isto, ele caia em si outra vez ... outra vez ... outra vez ... e fluía pelos poros da dor a paixão mal resolvida.


É isto aí!




quinta-feira, 17 de outubro de 2019

O caso da viúva - O analista da Pitangueira.

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- Seja bem vinda! Entre, vamos conversar aqui dentro.

- Aí dentro? Só eu e o senhor?

- Sim, venha, é um ambiente seguro.

- Seguro como?

- Eu sou o segurança do lugar.

- Mas o senhor nem está fardado. Tem câmara de segurança?

- Não temos câmeras aqui dentro.

- Mas e a câmara de segurança, com pessoas eleitas para proteger-me do mal do mundo?

- Ah! São destas câmaras que você falava. Não há necessidade. Pode entrar.

- Não, obrigada!

- Algum problema? Tem algo que a deixa desconfortável aqui?

- Sim. Tem.

- Posso saber o que é?

- É o senhor.

- Eu? Eu sou o gerador do seu desconforto?

- De certa forma sim. Além disto mamãe disse para eu não conversar com estranhos.

- Eu sou um estranho para você?

- Hummmmmmm... não! Não é exatamente um estranho.

- Então?!?

- Melhor que não. Outro dia eu volto.

- Poderia ser na semana que vem a sua volta?

- Sim, poderia. tenho a agenda livre para daqui a sete dias.

- E poderia ser no mesmo horário?

- Interessante. Tenho este horário também em aberto. Sim, eu venho semana que vem.

- Estarei aguardando.

- Posso fazer uma pergunta ao senhor?

- Esteja a vontade.

- O senhor se sente atraído por mim, agora que estou viúva?

- Qual o impacto que tem sobre você a possibilidade de achá-la atraente?

- Semana que vem posso responder que o impacto é sobre nós e nosso futuro radiante?

- Sim, terá uma semana para refletir sobre o tema.

- Agora eu posso entrar?

- Não! Seu horário de hoje acabou.

É isto aí!




A Tríade do Tempo (aprenda a usar seu tempo)


Como você utiliza o seu Tempo? Não tem tempo para nada? Faça este teste e descubra como identificar a sua Tríade do Tempo.

É aconselhável você dispor de pelo menos dois minutos para ler a matéria abaixo antes de fazer o Teste. Vai enriquecer muito a sua experiência.

Identificando a sua Tríade do Tempo
Autor: Christian Barbosa
Fontes:
1 - A Tríade do Tempo - Christian Barbosa

2 - IBC Coaching   

Cada pessoa tem uma Tríade do Tempo diferente. Algumas têm a esfera da urgência maior. Outras conseguem ter seu tempo mais dedicado à esfera da importância. Outras, ainda, têm a esfera das circunstâncias mais acentuada. De acordo com sua idade, maturidade, condição social, cargo ou condição de vida, a tríade pode sofrer variações.

Como a Tríade do Tempo é dividida:

01 - Esfera da Importância
Está diretamente relacionada às atividades que nós realizamos e que são relevantes em nossas vidas. Que trazem resultados em curto, médio ou longo prazo. Em geral, as coisas importantes têm prazos de execução, porém nunca são urgentes. As atividades importantes proporcionam prazer ao serem executadas, sendo que a maioria delas é espontânea.

02 -  Esfera da Urgência
Esta esfera abrange todas as atividades para as quais o tempo está curto, no limite ou já se esgotou. São as exigências que chegam em cima da hora e que não podem ser previstas. Em geral, acabam trazendo pressão e estresse.

03 - Esfera Circunstancial
Diz respeito às atividades desnecessárias, por serem consideradas apropriadas pela sociedade, excessivas ou sem resultados. São os gastos inúteis de tempo, como as horas a mais na cama, checar várias vezes por dia as redes sociais e demais atividades feitas por comodidade. Elas não trazem resultados e há alto potencial para gerar apenas frustrações.

Para que serve a Tríade do Tempo?

Uma das principais funções da Tríade do Tempo é fazer com que as pessoas consigam se delegar atividades diárias, de maneira que sua rotina seja menos estressante e desgastante. Para que consigam viver com mais tranquilidade e, consequentemente, obtenham resultados concretos a partir das ações cotidianas.

Através da Tríade, ocorre a descoberta do que é realmente importante, do que deve ser mantido e do que deve ser descartado. Assim como sobre o que pode ser delegado e o que precisa ser recusado.

Aplicando a metodologia, é possível estabelecer objetivos e metas a serem seguidas em um caminho que dará rumo à sua vida. Percebendo quais são as ações necessárias para alcançar o que tanto almeja, assim, aumentando sua produtividade e gerando mais tempo para que viva aquilo que realmente é importante.

Por exemplo, você deseja voltar a estudar, fazer uma pós-graduação ou, mesmo, outra faculdade. Mas esse é um objetivo que acabou ficando em segundo plano por causa da falta de tempo. A metodologia da Tríade do Tempo vai poder te ajudar a perceber que, na verdade, existe tempo suficiente, mas boa parte dele está sendo utilizado de forma inadequada, improdutiva.

Como colocar a Tríade do Tempo em prática

Basicamente, esse método possui cinco fases básicas que devem ser colocadas em prática, de maneira ordenada e sequencial, para que você consiga obter os resultados mais positivos possíveis. Cada uma delas tem como objetivo atender diferentes necessidades no planejamento de produtividade pessoal, além de conter uma série de etapas.

1 – Identidade
Nessa etapa acontece a reflexão, momento em que é preciso olhar para dentro de si. Ela fase serve como um espelho para autoanálise. E é por isso que o autoconhecimento é tão importante. Porque, como eu disse anteriormente, quanto mais você se conhecer, mais fácil será identificar os erros. Lembrando que, é preciso ser extremamente sincero consigo mesmo.

2 – Metas
Você sabe o que, de fato, são metas? Elas são tarefas específicas atreladas aos objetivos. São temporais e possuem prazos específicos para acontecerem. Por exemplo, se você tem o objetivo de ficar rico, sua meta será traçar meios que te levem à riqueza. E como você vai fazer isso, só depende de você.

Quando as metas são atingidas você consegue alcançar seus objetivos. A pequena diferença entre metas e objetivos – terminologias que as pessoas confundem muito facilmente, está em os objetivos serem onde você quer chegar, enquanto as metas são especificações dos mesmos, como você fará para chegar lá.

Em relação à Tríade do Tempo, depois de fazer sua auto-análise, é chegada a hora de transformar seus sonhos em realidade. É aqui que você começa a traçar suas metas. Afinal de contas, quem não tem metas vive de objetivos inalcançáveis, muitas vezes impostos por outras pessoas.

3 – Planejamento
É um “esqueleto” dos caminhos que vão te conduzir a atingir suas metas. Através do planejamento você será capaz de definir cada etapa de cada meta para alcançar seu objetivo. Ir em busca de um objetivo sem planejamento, gera estresse porque, praticamente, tudo o que acontece é imprevisto por você.

4 – Organização
Manter prazos pode ser algo difícil para muitas pessoas. Mas quando há organização e cumprimento das tarefas, a produtividade e o tempo livre também aumentam. Se organizar é um passo indispensável para iniciar qualquer projeto, seja pessoal ou profissional.

5 – Execução
É aqui que todas as etapas mencionadas acima vão se juntar. A autoanálise é exposta, as metas começam a ser cumpridas, o planejamento é colocado em prática e a organização aumenta sua produtividade, assim como seu aproveitamento do tempo.

Lembre-se: nada acontece em curto prazo. Não adianta tentar colocar a carroça na frente dos bois, porque a única pessoa que vai ser prejudicada com o “desespero desplanejado” vai ser você. Execute bem as etapas da Tríade, realize as tarefas de maneira segura e com persistência para que sejam sempre concluídas.