Alto lá! Este texto não é meu.
Confesso que copiei e colei
Autora - Alessandra Santos
Fonte Instagram - @alesanttos_hmdp
Não sei, realmente, se o Reino da Pitangueira conseguirá resistir a este próximo ano, prenunciando ser tão ou mais grave que o atual. Freud tinha um aforismo que dizia: "Quem tem olhos para ver e ouvidos para ouvir, se convence que os mortais não podem ocultar nenhum segredo. Aquele que não fala com os lábios, fala com as pontas dos dedos: nós nos traímos por todos os poros."
Hoje, numa releitura Matriz, sugerida pelos cátedras da Escola de Analistas do Reino da Pitangueira, acrescenta a Matrix sem alterar o contexto:
"Quem tem olhos para ver e ouvidos para ouvir, e rede para se comunicar, se convence que os mortais não podem ocultar nenhum segredo. Aquele que não fala com os lábios, fala com as pontas dos dedos no teclado digital ou analógico: nós nos traímos por todos os poros."
Noel Rosa, o Noel da Vila Isabel, o gênio do samba, afirmou em 1933, no samba-canção "Não tem tradução": "Tudo aquilo que o malandro pronuncia com voz macia é brasileiro, já passou de português"
Noel propôs uma revolução cultural, sugerindo ao povo distanciar a língua falada no becos, guetos, favelas, morros e zona norte do linguajar estrangeiro e caracterizá-la como uma língua brasileira, a identidade nacional. Isto faria deste país uma grande nação, afinal somos falantes e viventes de uma língua brasileira.
Mas isto tudo foi antes do fenômeno irreversível da comunicação pela rede mundial. É uma terra com dono oculto, com regras e legislação própria e com rigor no cumprimento delas. Mas olhando assim, sempre parece que é tudo numa boa, que estamos sozinhos diante da tela, ou ecrã como dizem o patrícios, podendo ser e fazer o que bem entendermos.
E em 2021 vai ser mais apertado. Há sinais aqui e ali que indicam e/ou sugerem isto.
Voltando ao velho e bom Sigmund Freud, que parece estar falando da rede mundial, mas descrevia o Inconsciente, quando afirmava que a maior parte da vida psíquica se desenrola sem que tenhamos acesso a ela. Ali se encontram principalmente ideias reprimidas que aparecem disfarçadas nos sonhos e nos sintomas neuróticos.
Hoje esta parte psíquica está terceirizada, quer você queira ou não, quer acesse a rede ou não, seu nome e todos os seus dados, fotos, acessos, opção política, sexual, social etc., estão lá para serem apreciados por quem de direito na ocasião necessária.
Cuide-se em 21, e para encerrar, uma máxima de Freud:
"Somos feitos de carne, mas temos de viver como se fôssemos de ferro."
É isto aí!
— Este Natal anda muito perigoso — concluiu João Brandão, ao ver dois PM travarem pelos braços o robusto Papai Noel, que tentava fugir, e o conduzirem a trancos e barrancos para o Distrito. Se até Papai Noel é considerado fora-da-lei, que não acontecerá com a gente?
Logo lhe explicaram que aquele era um falso velhinho, conspurcador das vestes amáveis. Em vez de dar presentes, tomava-os das lojas onde a multidão se comprime, e os vendedores, afobados com a clientela, não podem prestar atenção a tais manobras. Fora apanhado em flagrante, ao furtar um rádio transistor, e teria de despir a fantasia.
— De qualquer maneira, este Natal é fogo — voltou a ponderar Brandão, pois se os ladrões se disfarçam em Papai Noel, que garantia tem a gente diante de um bispo, de um almirante, de um astronauta? Pode ser de verdade, pode ser de mentira; acabou-se a confiança no próximo.
De resto, é isso mesmo que o jornal recomenda: "Nesta época do Natal, o melhor é desconfiar sempre". Talvez do próprio Menino Jesus, que, na sua inocência cerâmica, se for de tamanho natural, poderá esconder não sei que mecanismo pérfido, pronto a subtrair tua carteira ou teu anel, na hora em que te curvares sobre o presépio para beijar o divino infante.
O gerente de uma loja de brinquedos queixou-se a João que o movimento está fraco, menos por falta de dinheiro que por medo de punguistas e vigaristas. Alertados pela imprensa, os cautelosos preferem não se arriscar a duas eventualidades: serem furtados ou serem suspeitados como afanadores, pois o vendedor precisa desconfiar do comprador: se ele, por exemplo, já traz um pacote, toda cautela é pouca. Vai ver, o pacote tem fundo falso, e destina-se a recolher objetos ao alcance da mão rápida.
O punguista é a delicadeza em pessoa, adverte-nos a polícia. Assim, temos de desconfiar de todo desconhecido que se mostre cortês; se ele levar a requintes sua gentileza, o melhor é chamar o Cosme e depois verificar, na delegacia, se se trata de embaixador aposentado, da era de Ataulfo de Paiva e D. Laurinda Santos Lobo, ou de reles lalau.
Triste é desconfiar da saborosa moça que deseja experimentar um vestido, experimenta, e sai com ele sem pagar, deixando o antigo, ou nem esse. Acontece — informa um detetive, que nos inocula a suspeita prévia em desfavor de todas as moças agradáveis do Rio de Janeiro. O Natal de pé atrás, que nos ensina o desamor.
E mais. Não aceite o oferecimento do sujeito sentado no ônibus, que pretende guardar sobre os joelhos o seu embrulho.
Quem use botas, seja ou não Papai Noel, olho nele: é esconderijo de objetos surrupiados. Sua carteira, meu caro senhor, deve ser presa a um alfinete de fralda, no bolso mais íntimo do paletó; e se, ainda assim, sentir-se ameaçado pelo vizinho de olhar suspeito, cerre o bolso com fita durex e passe uma tela de arame fino e eletrificado em redor do peito. Enterrar o dinheiro no fundo do quintal não adianta, primeiro porque não há quintal, e, se houvesse, dos terraços dos edifícios em redor, munidos de binóculos, ladrões implacáveis sorririam da pobre astúcia.
Eis os conselhos que nos dão pelo Natal, para que o atravessemos a salvo. Francamente, o melhor seria suprimir o Natal e, com ele, os especialistas em furto natalino. Ou — idéia de João Brandão, o sempre inventivo — comemorá-lo em épocas incertas, sem aviso prévio, no maior silêncio, em grupos pequenos de parentes, amigos e amores, unidos na paz e na confiança de Deus.
(14-12-1966)
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Texto extraído do livro "Caminhos de João Brandão", José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1970, pág. 84.
Fonte da imagem: stickeramoi.com
Acordou diferente. Olhou para o teto, não era o mesmo. Olhou para o lado, vazio. Olhou pela janela e viu uma linda mulher fazendo exercícios solo com um personal trainer, olhou novamente para o quarto, nada ali era conhecido. Fechou os olhos, talvez fosse necessário dormir mais um pouco e acordar daquele sonho estranho.
Cerca de trinta minutos se passaram. Acordou sob a coberta e já pulou da cama para conferir em pé se o sonho já acabara. Estava num leito de trem em movimento. Na estação, a mesma linda morena sorria, fazendo sinal para saltar e se aproximar, enquanto fazia exercícios orientada pelo personal trainer. Entre o desejo e a dúvida, optou pela duvida, pulou na sua cama, cobriu-se e dormiu novamente.
Acordou com enjoo, sentindo um movimento ondular. Custou a ficar em pé. Olhou pela janela e estava em alto mar. Meu Deus, pensou, que loucura é esta? Segurando o vômito, saiu da cabine e chegou ao deck do barco, com vômito e confuso. A morena abriu os braços, chamando para um abraço, enquanto fazia exercício com um personal trainer.
No desespero se atirou ao mar e nadou até uma praia não muito distante. Deitou na areia e desacordou. Voltou à consciência com a cabeça no colo da mesma morena, naquela ilha paradisíaca do Taiti. Resolveu não acordar mais. Era o sonho da sua vida, ela ali, dançando e sorrindo só para ele, até que o personal trainer apitou para começarem uma nova série de exercícios.
Voltou a si, letargicamente, no sofá da sua casa, sozinho com sua garrafa vazia de vinho, e a TV ligada em alguma coisa. Custou a entender onde estava, a cabeça parecia explodir, o corpo dolorido. Nisto ouviu um apito, pensou que era o raio do personal trainer, pegou uma barra de ferro que segurava a janela e jogou na televisão onde passava um jogo de futebol.
Sentiu-se aliviado. Fez o que tinha que ser feito, calou o idiota. Aquilo não era ciúme, era um ato em legítima defesa da honra idílica e das experiências oníricas. Foi tomar um banho, se arrumou e sentou para assistir a TV, que não sofreu nenhuma agressão no mundo real, mas sua moral e seu nome estavam salvos no campo do desejo e dos sonhos ...
É isto aí!
Interlúdio de Cecília Meireles é, antes de mais nada, um poema que fala de uma entrega de corpo e alma. Nele o eu-lírico sublinha a necessidade de viver e sentir o momento - o aqui e agora -, sem se refugiar no passado ou se perder nas perspectivas de futuro.
O título do poema (Interlúdio) quer dizer literalmente pausa, intervalo. Possivelmente é uma alusão ao gesto do eu-lírico de refletir sobre os afetos e fazer um balanço da sua vida sentimental. A palavra interlúdio também quer dizer um trecho musical que interrompe duas cenas (ou dois atos), em uma peça dramática. Esse significado também não deve ser descartado porque a poética de Cecília está repleta de música.
Repare no poema como o terceiro verso se repete e é o último a concluir a escrita, simbolizando a certeza do eu-lírico. Apesar dos excessos do mundo (as inúmeras palavras e hipóteses, como mencionado), o sujeito poético sublinha aquilo que tem completa segurança: o desejo de estar o lado da pessoa amada.
Chegou no baile no avançar da hora. Baile na roça começa 19 hs e vai atééé 23 hs no máximo. Chegou aperreado, acabrunhado, abatido, prostrado, entristecido, ferido no amor-próprio, humilhado, transtornado e vexado. O cabra estava tão para baixo, mas tão para baixo que a testa parecia tocar chão.
Foi se achegando meio bisonho, se consertando no traje simples, sem muita confiança, pouca segurança, desequilibrado das firmezas quanto a si mesmo, muito tímido, acanhado e assustadiço. Não olhava para a frente, nem para os lados, nem para arriba nem para baixo. Naquela hora só tinha olhos para a caipirinha mais linda dentre todas as prendas mais lindas do mundo.
Apeou do desconforto interior, chegou quase que por atração gravitacional bem pertinho, bem coladinho, bem pareado com Nisinha, a musa dos seus sonhos, das suas histórias e do seu coração. Agora tudo era paz e relaxamento - estava ali, do ladinho dela. Deu um volteio ligeiro no próprio eixo vertical e pronto, olhos nos olhos.
Entreolharam-se, ela não se aguentando dentro do seu vestidinho de chita, ele se contorcendo de bem querer / mal querer, e naquele momento onde a coragem só se explica nos casos de amor, saiu de dentro da sua alma uma incontestável e verossímil frase autoexplicativa que custou-lhe anos para remir.
Pegou trêmulo as mãozinhas calejadas da moça e falou a verdade que estava ali como prova do seu sentir - Nisinha, eu quase não vim por causa da carreirinha, mas no súbito de não perder a prosa contigo, o espaço entre os barros diluídos e ardentes aumentou, mas deu que ao adentrar no arraial, o bagulho nas tripas se encurtou e estou agora aqui para te dizer que estou frouxo, te amo, casa comigo, mas digo logo por que estou todo cagado neste momento como prova do meu amor por você ...
Ela o tomou pelo braço, o levou até sua casa, cuidou do seu amor e viveram felizes para sempre!
É isto aí!
Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, era devoto de padre Cícero e respeitava as suas crenças e conselhos. Os dois se encontraram uma única vez, em Juazeiro do Norte, em 1926. Naquele ano, a Coluna Prestes, liderada por Luís Carlos Prestes, percorria o interior do Brasil desafiando o Governo Federal.
Nos endereços abaixo, clique e leia a imperdível história de Benjamin Abrahão, o homem que enganou o Padre Cícero.
Sobre o livro:
Benjamin Abrahão - entre Anjos e Cangaceiros
"Dono de uma trajetória curta, mas cheia de lances inacreditáveis, o imigrante sírio Benjamin Abrahão, que desembarcou no Recife na primeira década do século passado e morreu em 1938, aos 37 anos, acaba de ganhar uma biografia que faz jus ao seu espírito aventureiro, corajoso e controverso. O livro chama-se “Benjamin Abrahão – entre Anjos e Cangaceiros” (Escrituras), foi escrito pelo historiador e especialista em cangaço Frederico Pernambucano de Mello, e mostra como Abrahão acompanhou as demonstrações de fé e religiosidade que moviam os devotos do padre Cícero, no Ceará, e a violência e o banditismo praticados pelo grupo de Lampião. Dá o devido status a esse personagem que viveu na intimidade dois movimentos populares mais importantes do País".(https://istoe.com.br/270461_ENTRE+LAMPIAO+E+PADRE+CICERO/)

— Heitorzinho, acorda! Vamos, levante-se do box, coloque uma roupa e vamos conversar. Eu quero, ordeno e determino que explique tudo agora, de forma inteligível, clara e convincente e explique por que não atendeu o celular e deixou uma vaca atender no seu lugar?
— Heitor, para de mentir e fala sério
— Como é que é? Seu cachorro, safado, medíocre. Fala a verdade, eu quero a verdade.
— E você quer que eu acredite que uma vaca loira atendeu sozinha o seu celular? Quem era? Como sabia sua senha?
— Continua, Heitor. Ai, que ódio desta safada.
— Você está me dando nos nervos, Heitor. Não estou entendendo nada. Que mais aconteceu neste covil?
— Te enquadrando Heitor? Eu esfolarei vocês dois vivos, Heitor, pelo menos umas três vezes, aí depois eu te castro antes de raspar o cabelo dela. Antes vou pintar vocês dois de piche, ai, que ódio, que ódio... que mais?
— Heitor, que cara de pau, hem! Não se lembra de nada? Será que fui só um joguinho de faz de conta? Você ficou meses suspirando por mim, me desejando, me querendo, e era tudo mentira? Eu só vim por que uma piranha atendeu o telefone e disse que você estava ocupado tomando banho com ela. Cheguei, toquei a campainha, resolvi verificar se a porta estava aberta, por que eu queria bater nos dois, mas aí encontrei você dormindo sozinho no chão do box, com esta cara de retardado e sorriso ridículo, abraçado à toalha. Adeus, Heitor, não suporto mais suas mentiras.