Compositores: Jorge Vercillo (Jorge Luiz Sant'anna Vercillo)
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021
Ciclo - Paulinho Moska/Jorge Vercillo
Compositores: Jorge Vercillo (Jorge Luiz Sant'anna Vercillo)
Você nunca mais esquecerá de mim.
- Você sabe meu nome, mas eu com certeza não me recordo de você, desculpe a franqueza.
- Estou acostumada com isto, imagina. Só queria mesmo era matar a saudade.
- Você é a ...
- Hummm, está curioso, hem!!!
- Claro, não é todo dia que uma moça linda me convida para sentar com ela num restaurante.
- Sempre gentil com as palavras. Você não muda nunca. Mas conta, o que você faz?
- Hoje sou Trader, casei com a Beth...
- A Bethinha Biscuit?
- É... ela mesma. Você a conhece?!
- Claro, e sei que ela odiava este apelido.
- Verdade, era por que a mãe fazia bonecas de biscuit para vender. Engraçado, nunca te vi.
- Mas desculpa a minha ignorância no tema, mas o que faz um Trader?
- Ah! Achei que também soubesse o que faço. Faço Day Trading. Sou especulador autônomo numa modalidade de negociação utilizada em mercados financeiros, que tem por objetivo a obtenção de lucro com a oscilação de preço, ao longo do dia, de ativos financeiros.
- Nossa, estou orgulhosa de ver você trabalhando com capital de risco. Podemos pedir? Não se preocupe com preço, a vida foi gentil comigo, hoje faço questão de pagar este encontro.
- Poderá ser o primeiro de uma série de encontros?.
- Olha, vou pedir o 2, a sobremesa 4 e este vinho aqui. E assim que chegar o vinho, quem sabe respondo esta pergunta para você? Está bom assim?
- Mas eu nem sei seu nome, e este almoço vai ficar em mais de três mil reais.
- Eu vou pagar. Você é amigo que eu precisava ver. Saudades, sabe? Durante o almoço a gente vai conversando, vai se abrindo um pouco e apreciando este cardápio dos deuses. Acontecerão duas coisas aqui, disse sorrindo e piscando charmosamente o olho esquerdo: você não se arrependerá e nunca mais esquecerá de mim.
- Uau ...
...e a conversa foi circulando em órbitas ora elípticas, ora circulares até que enquanto almoçavam, ela pediu licença para ir ao banheiro e desapareceu. Usou todo o crédito ainda disponível no cartão para pagar a despesa.
Riu da sua ingenuidade. Caramba ... quem é esta mulher?? Estou apaixonado por ela! Juntos seríamos imbatíveis ...
É isto aí!
O Agora e o Amanhã (com aporte do Salmo 37)
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021
A violência contra a mulher é o atestado de insanidade da humanidade
Mulheres cada vez mais têm cada vez menos espaço de tempo entre as agressões físicas, químicas, espirituais e psicológicas. Cedo ou tarde, as sobreviventes apresentam traumas psicológicos, depressão, transtorno de ansiedade e dissociação da realidade, numa espécie de Síndrome de Estocolmo.
Numa corrida de olhos nos principais meios de comunicação nacional, apenas nesta manhã, visualizei mais de uma dezena de assassinatos, e muitas ocorrências de espancamento. Neste rol estão representados todos os homens agressores, quer sejam políticos, pastores, empresários, servidores públicos, empresários, pobres, miseráveis e anônimos.
Um dos maiores riscos de falar sobre este tema é a armadilha de um efeito disrruptivo da psicanálise, aquela denominada "psicanalhice", justificando tal violência através de um academicismo ou teorização precipitada e preconceituosa, encontrando na mulher, por exemplo, traços de um masoquismo estrutural, tal como proposto por Freud (1924/2010) no texto O problema econômico do masoquismo. (leia uma síntese aqui)
Há ainda a lenda, hoje representada e incorporada num dos ícones da sociedade alienada, vulgarizando mais e mais a mulher, e o pior é que neste caso as histéricas vão ao delírio (silencioso) em defesa do seu mito.
Inevitável falar da herança e colaboração de Nelson Rodrigues. Em seus trabalhos, o escritor volta e meia pesou a mão no tratamento às mulheres, mostrando-as como loucas, inconsequentes, frívolas, insensatas e destruidoras de lares e corações. Uma de suas frases mais icônicas "Nem todas as mulheres gostam de apanhar, só as normais" não só induz à normatização da violência doméstica como ainda sugere que a mulher provoca a agressão porque se julga merecedora dela.
Dalva de Oliveira, uma das grandes cantoras do século XX, foi uma das maiores vítimas deste machismo barato, idiota e misógino, defendida pela mesma sociedade que recusava Nelson Rodrigues à luz do dia e se deleitava em gozo nas suas peças de teatro, livros e crônicas, à noite.
Quanto à novidade da primeira linha - As agressões químicas:
A ansiedade é, com a depressão, o transtorno de saúde mental mais comum no diagnóstico das mulheres. É o dobro do que é diagnosticado nos homens, segundo a Organização Mundial da Saúde. Os hipnosedantes –tranquilizantes e soníferos – são os únicos psicoativos mais consumidos pelas mulheres do que pelos homens.
Esta é uma violência silenciosa (mas não quer dizer que é pequena), opressora e misógina, que elas aprendem ainda na puberdade/adolescência, quando analgésicos cada vez mais potentes são introduzidos nas suas cólicas (algumas severas) e dores diversas, comuns aos humanos. Poderia tirar várias conclusões aqui, mas há um recado principal que a sociedade passa neste discreto movimento - dor se cura com remédio, e não com diálogo, franqueza, verdade, humanização e respeito..
É isto aí!
terça-feira, 2 de fevereiro de 2021
Originais do Yahoo (Mulher grava aula de aeróbica em meio ao golpe militar em Mianmar)
Mulher grava aula de aeróbica em meio ao golpe militar em Mianmar
Assista ao vídeo clicando aqui abaixo:
Atualizado seg., 1 de fevereiro de 2021 3:49 PM
Uma mulher flagrou o exato momento em que o comboio militar chega ao parlamento em Mianmar para aplicar um golpe de Estado nesta segunda-feira (1). Sem perceber a movimentação que estava acontecendo, a mulher continua a aula normalmente, enquanto os veículos militares passam em direção ao Legislativo.
ou aqui , em vídeo BBC, pelo youtube
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021
Sobre a palavra Amém
Fonte da imagem: Sci*News
A palavra “Amém” é um acróstico. Os acrósticos são formas textuais onde a primeira letra de cada frase ou verso formam uma palavra ou frase.
O Talmud nos revela que, a palavra hebraica “Amém” que significa “que assim seja” foi criada a partir da expressão: “Deus, Rei Fiel” que em hebraico se diz: “El Melech Neeman” (נֶאֱמָן מֶלֶךְ אֵל). Tomando as letras iniciais de cada palavra obtêm a palavra:
“Amém (que assim seja)” (אָמֵן)
Na raiz desta palavra temos o temor hebraico "emuna" que significa "confiança"; significa também "confirmar aquilo que está escrito".
Toda vez que afirmamos em algum momento dizendo Amém, estamos declarando que colocamos nossa confiança, fé e esperança no Único que pode realizar tudo em todos e em qualquer circunstancia.
Deus, Meu Rei é Fiel e Justo (para cumprir o que prometeu)
sábado, 30 de janeiro de 2021
A mulher desmedida
Quando entrou em casa percebera o inusitado fato de que não estava na sua casa. Ficou confuso, desorientado e deu dois passos para trás, abriu a porta, saiu e fechou-a sem bater. Ainda de costas para a rua, foi girando sobre seu próprio eixo comedidamente, em movimentos bem lentos, enquanto petrificado podia verificar que não estava mais na sua rua.
Dirigiu-se ao carro azul, que comprara em 96 parcelas, das quais já pagara seis. Experimentou a chave uma, duas, três e muitas outras vezes, e o carro não abriu. Deu de verificar a placa, era outra placa. Mão no queixo, indicador atravessando a boca, contemplou o impossível diante de si.
Apalpou-se nervosamente para verificar se estava num sonho, talvez num projeto experimental ultrassecreto do poder oculto internacional, de quem ouvira falar. Só então percebeu que estava nu. Olhou-se até os pés, rodou o tronco, curvou a cabeça e verificou in loco que estava sem nada a não ser a si próprio.
Deu-se conta da solidão com ares variando de perdido à confuso. Começou fazer pequenos exercícios de memória, mas não lembrava mais seu nome. Só o nome de uma mulher linda lhe vinha à mente. Não apenas o nome, mas toda a memória do seu corpo, seus cabelos, sua boca e seu perfume.
Olhou para o céu, abriu os braços e começou a questionar aos anjos que por ali sobrevoavam, sobre as medidas corporais dela, pois no seu raciocínio lógico, naquele instante, somente estes dados seriam de suma importância para desvendar aquele mistério no qual mergulhara.
Começou a chorar em desconsolo Deitou num canto da cerca viva que separava as casas e dormiu. Acordou num ambiente de luz, sem definição de espaço e tempo. Sentia dores e desconforto. Alguém segurava a sua mão. Era a mulher desmedida. Olhou para ela, sorriu e voltou a dormir.
Acordou numa casa de barro e forro de palha, simples e espartana. Estava numa cama estreita, colchão de palha e travesseiro de paina. Sorriu, levantou, tomou um café frio e partiu no mundo buscando perguntas para as respostas que agora, sabiamente, poderia dar.
É isto aí!
sexta-feira, 29 de janeiro de 2021
Mistérios são Mistérios (Marjorie Dawe)
quarta-feira, 27 de janeiro de 2021
Paulinho Moska e Dalto - Pessoa
Julio Secchin - Jovem (Clipe Oficial)
sábado, 23 de janeiro de 2021
Não há como fugir de um grande amor
sexta-feira, 22 de janeiro de 2021
Tem dia que é mais difícil
quinta-feira, 21 de janeiro de 2021
quarta-feira, 20 de janeiro de 2021
segunda-feira, 18 de janeiro de 2021
1904 (2ª parte) - A revolta da Vacina
Este texto não é meu
Confesso que copiei e colei
Autora: Juliana Bezerra
Fonte: A revolta da vacina
A Revolta da Vacina
Foi uma rebelião popular contra a vacina anti-varíola, ocorrida no Rio de Janeiro, em novembro de 1904.
Quando o presidente Rodrigues Alves assumiu o governo, em 1902, nas ruas da cidade do Rio de Janeiro acumulavam-se toneladas de lixo. Desta maneira, o vírus da varíola se espalhava. Proliferavam ratos e mosquitos transmissores de doenças fatais como a peste bubônica e a febre amarela, que matavam milhares de pessoas anualmente.
Decidido a reurbanizar e sanear a cidade, Rodrigues Alves nomeou o engenheiro Pereira Passos para prefeito e o médico Oswaldo Cruz para Diretor da Saúde Pública. Com isso, iniciou a construção de grandes obras públicas, o alargamento de ruas, avenidas e o combate às doenças.
A reurbanização do Rio de Janeiro, no entanto, sacrificou as camadas mais pobres da cidade, que foram desalojadas, pois tiveram seus casebres e cortiços demolidos. A população foi obrigada a mudar para longe do trabalho e para os morros, incrementando a construção das favelas.
Como resultado das demolições, os aluguéis subiram de preço deixando a população cada vez mais indignada.
Era necessário combater o mosquito e o rato, transmissores das principais doenças. Por isso, o intuito central da campanha era precisamente acabar com os focos das doenças e o lixo acumulado pela cidade.
Primeiro, o governo anunciou que pagaria a população por cada rato que fosse entregue às autoridades. O resultado foi o surgimento de criadores desses roedores a fim de conseguirem uma renda extra.
Devido às fraudes, o governo suspendeu a recompensa pela apreensão dos ratos.
Contudo, a campanha de saneamento realizava-se com autoritarismo, onde as casas eram invadidas e vasculhadas. Não foi feito nenhum esclarecimento sobre a importância da vacina ou da higiene.
Num tempo onde as pessoas se vestiam cobrindo todo o corpo, mostrar os seus braços para tomar a vacina foi visto como "imoral". Assim, a insatisfação da população contra o governo foi generalizada, desencadeando "A Revolta da Vacina".
Vacinação obrigatória
O médico Oswaldo Cruz (1872-1917), contratado para combater as doenças, impôs vacinação obrigatória contra a varíola, para todo brasileiro com mais de seis meses de idade.
Políticos, militares de oposição e a população da cidade se opuseram à vacina. A imprensa não perdoava Oswaldo Cruz dedicando-lhe charges cruéis ironizando a eficácia do remédio.
Agitadores incitavam a massa urbana a enfrentar os funcionários da Saúde Pública que, protegidos pelos policiais, invadiam as casas e vacinavam as pessoas à força. Os mais radicais pregavam a resistência à bala, alegando que o cidadão tinha o direito de preservar o próprio corpo e não aceitar aquele líquido desconhecido.
O descontentamento se generalizou, somando aos problemas de moradia e ao elevado custo de vida, resultando na Revolta da Vacina Obrigatória. Entre 10 e 16 de novembro de 1904, as camadas populares do Rio de Janeiro saíram às ruas para enfrentar os agentes da Saúde Pública e a polícia.
O centro do Rio de Janeiro foi transformado numa praça de guerra com bondes derrubados, edifícios depredados e muita confusão na Avenida Central (atual Avenida Rio Branco). A revolta popular teve o apoio de militares que tentaram usar a massa insatisfeita para derrubar, sem sucesso, o presidente Rodrigues Alves.
A capitulação e o povoamento do Acre
O movimento rebelde foi dominado pelo governo, que prendeu e enviou algumas pessoas para o Acre. Em seguida, a Lei da Vacina Obrigatória foi modificada, tornando facultativo o seu uso.
1904 - Os caçadores de ratos (1ª parte)
domingo, 17 de janeiro de 2021
Francisco de Vitoria e o Direito das Gentes
Francisco de Vitoria (c. 1483-1546), foi teólogo tomista e fundador do movimento escolástico denominado Escola de Salamanca, foi talvez o primeiro jurista filósofo a propor discussões sobre a liberdade natural dos indígenas. Sua principal contribuição foi trazer para a filosofia questões antes relativas à teologia. Ao questionar se os indígenas seriam naturalmente livres ou escravos, concluiu que eram livres e, portanto, possuíam o direito de se afirmarem como senhores de seus bens. Em pleno processo de colonização, Vitoria inovou o pensamento da época ao colocar em questão o direito de conquista dos europeus, defendendo o princípio da "guerra justa".
Segundo ele, o "direito das gentes" seria algo inalienável, aquilo que todos os povos reconhecem como necessário, um direito natural ou dele decorrente, - daí o seu entendimento de que nada justificaria o domínio europeu sobre outros povos. Desse modo, os indígenas teriam o legítimo direito de defender seu território da tentativa de ocupação estrangeira por meio da guerra, se necessário.
Vitoria contestou a pretensa superioridade europeia e questionou o poder religioso do papa. Na sua concepção, era ilegítimo o direito que os colonizadores tinham de subjugar povos nativos sob a alegação de que estes seriam bárbaros. O processo de colonização implica anular o outro e, para ele, os conceitos de civilização e barbárie tinham significados diferentes para cada cultura, portanto, era preciso respeitar o princípio da alteridade - ideia que seria retomada por Montaigne. Nesse sentido, Vitoria defendia que a comunicação entre os povos era possível.
O direito natural, ou jusnaturalismo, supõe a existência de um direito universal, estabelecido pela natureza. Seu fundamento é o da lei natural, e não o da lei humana, que rege os acordos e contratos sociais.
Na obra publicada pela primeira vez em Lyon, em 1557, Leçon Sur Les Indiens, encontramos as seguintes passagens, nas quais Vitoria pontua as razões da ilegitimidade da dominação espanhola na América, colocando em pauta a discussão valorativa entre hereges e cristãos:
I - O imperador não é o senhor do mundo;
II - Ainda que fosse senhor do mundo, o imperador não poderia ocupar as províncias dos bárbaros, instituir novos senhores, depor os antigos e impor novos tributos;
III - Em se tratando de poder temporal, o papa não é o senhor do mundo;
IV - O papa tem um poder temporal destinado às coisas espirituais;
V - A recusa dos bárbaros em reconhecer um poder atribuído ao papa não autoriza nem a lhes fazer guerra nem a lhes privar de seus bens;
VI - Se os bárbaros não querem receber a lei mesmo que ela lhes tenha sido anunciada de maneira suficiente, não é lícito lhes fazer a guerra e lhes privar de seus bens;
VII - Os príncipes cristãos não têm o direito de punir os bárbaros por seus pecados contra a lei natural, mesmo sob a cobertura da autoridade do papa.
É claro, para Vitoria, que a lei positiva não pode contrariar a lei natural. Por isso, ele defende o direito dos povos da terra às suas diferenças, chamando a atenção para a ótica equivocada do europeu com sua visão eurocêntrica do mundo. Vitoria reformula a "justiça" global da conquista, embora não a negue. A novidade era sua tentativa de propor um novo ponto de vista para o problema.
Certezas.
sábado, 16 de janeiro de 2021
Love of my Life (Freddie Mercury)- Queen In Rock In Rio 85 - HD
sexta-feira, 15 de janeiro de 2021
Sobre ilusões e virulências.
Dias depois, um senhor na minha frente, na fila do supermercado, virou-se para mim, mediu meus cabelos brancos e meu olhar míope e desabafou - sabe, perdi a libido nestes últimos doze meses, não consigo fazer mais nada, nem com estímulo destes medicamentos milagrosos. Olhei para aquele homem se lamentando e me recordei das muitas vezes que o vi com muitas mulheres, que não a do lar. Apenas acenei com a cabeça, numa negativa de concordância, com aquele olhar de solidariedade antagônica.
No dia seguinte, na padaria, cumprimentei educadamente a senhora de vestido azul, surrado, que estava ao meu lado escolhendo os pães. Deu dois suspiros em falsete, olhou para mim e desabafou - queria tanto que tudo isto acabasse para ver meus filhos e netos de volta à minha casa. Estive para falar que conheço os filhos, moram na cidade vizinha e jamais vieram visitá-la em quaisquer datas importantes, incluindo as festivas. Quantas vezes fui em solidariedade assoprar as velas junto com ela nos seus aniversários solitários?!?! Preferi deixar que a ilusão a faça esperançosa.
Tempos de reflexão são sempre difíceis, porque olhar para dentro de si dói; dói muito!
É isto aí!














