existiam
muitas
vias
todavia
havia
você
É isto aí!
peremptoriamente
terminantemente
categoricamente
toda
mente
mente
É isto aí!
Foto: https://cdn.folhape.com.br/img/pc/450/450/dn_arquivo/2019/03/mentira.jpg
Mark Twain afirmou
que os dois dias
mais importantes
da sua vida
são o dia em que nasceu
e o dia em que descobrir o porquê.
E sigo me perguntando
Por que estamos aqui?
Por que existe vida?
Por que o universo existe?
Por que eu existo?
Qual é o meu lugar nisso tudo?
Por que eu amo você?
Por que não fiz isto?
Por que ainda não faço?
Por que fiz aquilo?
Por que faço assim?
Por que nada deu certo?
Por qual razão soltamos as mãos?
Por qual motivo perdi seu telefone?
Perdi seu aniversário, nosso natal?
Não fui ao futuro por medo
não voltei ao passado por arrependimento
porque tenho certeza que não sei
a respostas e os porquês!
Estão todas guardadas com você.
É isto aí!
Imagem - Tempo Perdido
Citação - Mark Twain (os dois dias mais importantes da sua vida são o dia em que nasceu e o dia em que descobrir o porquê.)
Boa tarde!
Talvez!
Entre, por favor!
Claro, não pago para ser atendida em pé feito cliente de veterinário.
Já foi atendida por um veterinário?
Doutor, olha o limite entre nós.
Sente-se à cadeira, ou deite no Divã, onde preferir.
No Divã é melhor, sabe, não conseguirei olhar para seus olhos enquanto falo de mim.
Por favor, fique à vontade.
Doutor, olha o limite entre nós, não quero ficar à vontade, quero apenas a sessão.
O que a trás aqui, senhora?
Senhorita, mas pode me chamar de você, mas de um jeito que não ultrapasse o limite.
Certo, o que a trás aqui?
Melhor assim! Então, eu cansei de ser normal, sabe, certinha, rigorosa comigo mesma, imparcial até nas cores. Eu quero ser uma mulher diferente, um símbolo da modernidade líquida, uma figura excêntrica na acepção da palavra.
Defina o que é ser normal, por favor.
Nesta semana pascal subi o Monte da Sabedoria em busca de conhecimentos que possam facilitar minha compreensão diante desta realidade líquida do novo mundo ou da nova ordem deste planeta. Fui de encontro ao Grande Mago da Pitangueira, o sábio da natureza humana.
Mestre, eis-me aqui para aprender com sua imensa sabedoria.
- Eis que muito aprendo com você também, meu filho. Diga-me, a subida foi fácil ou difícil?
Difícil, Mestre, muito difícil.
- Então pergunte algo que valha a pena saber.
Mestre, quero saber sobre esta pandemia, onde está e para onde vai a nossa humanidade. O que é tudo isto?
- Veja, meu filho, somente a espiritualidade ajudará na compreensão dos sofrimentos e na construção de significados e propósito à vida.
Mas, Mestre, e o kit-pré-apocalíptico que evita o mal? E as máscaras? E o infesto quixotesco do planalto? E o álcool gel? E o fique-em-casa?
- Vejo que tem as mesmas dúvidas espalhadas em múltiplas perguntas. Vou procurar respondê-las em dois tempos. Primeiro aprenda com David, o grande rei, pai de Salomão, que ensinou - "Livra-me, ó Senhor, do homem mau; guarda-me do homem violento, que pensa o mal no coração; continuamente se ajunta para a guerra." Esta é a chave que abre as comportas da Paz, meu filho.
Puxa, vida, mestre, mas onde está este homem mal?
Em toda a parte, meu filho, uns são fáceis de serem notados, como o que citou, mas 99,9% estão nas sombras, operam silenciosamente, tramam de uma maneira de tamanha engenhosidade maligna, que a culpa recairá sempre sobre um inocente útil.
E o segundo tempo da sua grande resposta, Mestre?
Meu filho, deverão as suas habilidades espirituais serem reconhecidas pela sua consciência racional como essenciais, afinal você é um ser feito à imagem e semelhança, com sua dupla natureza, uma em carne e a outra em espírito. Desta forma a ciência é importante e deve ser respeitada e o cuidado espiritual é indispensável no enfrentamento desta pandemia. Agora vá, e não acredite em quem não acredita que você é um vetor da paz. Se todos os vetores das paz, que são bilhões, se unissem, o mal não teria espaço para avançar.
O Mestre acabou de responder e recolheu-se ao silêncio do seu eremitério. Pela primeira vez desci em lágrimas.
É isto aí!
Neguinha, eu amo você! Sim, sei, é uma frase fácil de dizer, mas cá entre nós, tem que ter uma coragem danada para assumir isto e confirmar e reconhecer com firmeza e cravar o testemunho e provar o que está falando e cantar aquela música daquele cara que canta daquele jeito que você adora e rebola magistralmente de uma maneira íntima, pessoal e solitária.
Neguinha, estou com saudade de muita coisa. Saudade da minha infância numa rua descalça e a vida eterna e vadia. Saudade dos seus olhos; saudade das suas mãos delicadas; saudades dos seus beijos; saudades das suas covinhas. Claro que tudo isto uma hora passa, mas tenho a inútil saudade de vinho quente barato com queijo frescal gelado e azeitona com caroço. Mas subo o tom com as saudades de beijar seu pescoço, sua nuca, sua boca.
Neguinha, dia destes, estacionado numa vaga de supermercado, uma mulher se aproximou de mim para pedir algo. Alta, elegante, mas simples no estar e existir. Ao chegar próxima da janela do carona, abri o vidro - entreolhamos, esbocei um sorriso, ela antecipou uma dúvida e perguntei - pois não, senhora? - Puxa vida, ela começou a chorar, ninguém mais me chamou de senhora desde que fui arrastada para as ruas.
Neguinha, queria você ali para me ajudar a entender o mundo dentro daquela dor plural. A dor do mundo estava naquela mulher. Dei um dinheiro a ela, que recusou. Ela se sentiu humana depois de tempos, foi reconhecida como uma senhora. Choramos na nossa impotência - ela em pé no vidro do carona e eu sentado ao volante. Naquele dia e naquela hora queria você ali para me ajudar.
Neguinha, duas semanas depois, passo por uma esquina e vejo aquela senhora desacordada pelas drogas, no chão, sem alguém para elevar seu estado de espírito. Senti uma dor terrível. Não sabia o que fazer, as pessoas passavam para lá e para cá, não tinham pedras nas mãos, mas as carregavam no desdém e no desprezo nítido. Quantas vezes nossa humanidade apenas deseja ser reconhecida como tal? Fiquei ali, parado e abalado, até que uma pessoa se aproximou a levou.
Neguinha, eu amo você! Sim, já disse isto, já escrevi isto, já falei sobre isto, já me olhei pelo avesso procurando a possibilidade de ser um engano, um erro cósmico, um desvio do universo, mas não encontro nada. Eu amo você, suas covinhas e sua existência. Nunca mais outra vez um agora tão difícil como este tempo de vírus letal e ao mesmo tempo instrumento de tortura física, mental, financeira e psicológica. Mas isto fica para outro dia.
É isto aí!
Sabe aquele medo da infânciade um monstro sob a cama?Sabe aquele medo da infânciade ter que assumir um erro?Sabe aquele medo da adolescênciade que amar dói e beijo é o delírio?Sabe aquele medo da adolescênciade que um dia seremos adultos?Sabe aquele medo da juventudede perder um grande amor?Sabe aquele medo da juventudede que a maturidade está na esquina?Sabe todos os seus medos?Não são nada perto do que vemNão são nem exercício prévioNão são nada em comparação a istoDe verdade, perdemos o sensode verdade perdemos a humanidadede verdade perdemos a espiritualidadepor um vírus, sem bomba H nem mais nada.
É isto aí!