sábado, 24 de abril de 2021

Sobre a Ordem das Estrelas da Via Celestial



Silêncio total no Centro da Libertação Universal, um templo salvífico  da Ordem das Estrelas da Via Celestial. O Pacato, uma espécie de sacristão da ordem, apenas como grau comparativo, subiu lentamente os passos da Rampa do Pantheon.

Aqui cabe uma observação de que o Pacato não poderia ser qualquer um, pois nos Estatutos e Autos da Libertação do Templo, o Pacato era um escolhido ainda no ventre da mãe para ter um passo medindo exatamente 41,5% da sua altura, de tal maneira que ao percorrer os 24 metros da Rampa do Pantheon, deveria ser capaz de fazê-lo naturalmente com 20 passos. Deveria, pois, medir exatamente 1,9277 metros, que era a medida exigida e enviada pelo Supremus Maximus.

Ao chegar no Ápice Místico, o Ponto Magistral, batia 13 vezes no Sino Celestial, despertando aquele que dorme em nove dimensões, o Supremus Maximus, o mais alto, superior ao Superos Máximus, intermediário abaixo do Supremus e acima do Super Máximus, que está logo acima dos mortais, e o único autorizado a conversar com a humanidade através de Cepheus, o Grande Líder, o Mestre Minor Máximus

O Pacato, então batia três palmas e a Horda das Angélicas Tártaras, no total de 21 virgens, entoava o Cântico de Antares, melodia enviada pelos que habitam as nove dimensões. Ao final de 11 minutos, o Pacato batia o segundo Sino Celestial, convocando Cepheus, a Luz que permeia a vida do Planeta.

O Grande Líder, o Mestre Minor Máximus sobe ao altar por um elevador vindo do subsolo. Explodem as luzes,  a Horda das Virgens entoa um canto catártico, as luzes são todas dirigidas para Cepheus, Aquele que Dança sob a Harpa e Cânticos das Virgens do Super Máximus. Cepheus foi assim denominado diante de consagração mística a  Máximus em suas três manifestações. 

Cepheus, em seu terno Lamê dourado com franjas e camisa salmão, acenava para o público em histeria celestial. Levantou a mão direita, a mão dos anéis, abençoando seus fieis. Gritos, desmaios, possessões, elementos do submundo saltitando aqui e ali, transes de várias matizes, palavras estranhas ininteligíveis e muitas outras coisas atingiam o clímax neste ato, até que levantasse  a mão esquerda, a mão nua, que seduzia e apaziguava todos os presentes. 

Quanto à Mão dos Anéis, com exceção do polegar, cada um dos quatro dedos tinha um anel contendo uma pedra rara, que deveria ser beijada somente com sua permissão, no dedo que indicasse. Assim, a Pedra de Ágata, no indicador, seria beijada apenas pelos amigos próximos. A Pedra de Calcita Verde, no dedo anelar era para aqueles perdoados que necessitavam da sua compaixão. A Pedra de Ametista, no dedo mínimo deveria ser beijada pelos que necessitam de cura física ou espiritual e a Pedra da Granada Vermelha, no dedo médio, era exclusivamente permitida somente e apenas para as vinte e uma virgens da Horda das Angélicas Tártaras. 

Depois de três horas de pregação, tocando a todos e todas da forma como devem ser tocados e tocadas, Cepheus olhou para o infinito, viu uma imensa Porta Dourada se abrindo ao fundo do Grande Templo. Aponta com o indicador da Mão Nua, todos olham extasiados para a Porta Dourada. Alguns viram anjos, outros parentes falecidos, outros viram amigos, ex-amores e outros não viram nada. 

Cepheus grita no mais alto tom - corram!!! Corram para a salvação. Os fiéis saem atropelando uns aos outros e ao passar pela Porta Dourada entram no Grande Shopping Supremus, onde compravam tudo que precisavam ou não, para deleite dos deuses.    

É isto aí!





 

sexta-feira, 23 de abril de 2021

Os desolados pela dor



Olha, João, tirando a mãe,
cresceu ouvindo em casa,
mulheres dão muito trabalho
por isto evite ter namorada

Olha, Maria, tirando o pai,
cresceu ouvindo em casa,
homens dão muito trabalho
por isto evite ter namorado.

João cresceu
e começou a perceber
que estava sozinho
num mundo de pares

Maria cresceu
e começou  a perceber 
que estava sozinha
num mundo de pares

João quer namorar
seu instinto o comprime
amar e ser amado
ser e ter alguém para si.

Maria quer namorar
seu instinto a comprime
amar e ser amada
ser e ter alguém para si.

Mas João, pela dor
por uma frase (infeliz) que virou verdade
não alcança seu desejo
João está no limbo sem sabe-lo.

Mas Maria, pela dor
por uma frase (infeliz) que virou verdade
não alcança seu desejo
Maria está no limbo sem sabe-lo.

João segue a vida com raiva
raiva de si, raiva do universo,
sentimento de culpa e frustração
João não consegue conseguir.

Maria segue a vida com raiva
raiva de si, raiva do universo,
sentimento de culpa e frustração
Maria não consegue conseguir.

João, desolado
esconde todas as suas dores
na sombra escondida n'algum lugar
do deserto da sua alma abalada

Maria, desolada,
esconde todas as suas dores
na sombra escondida n'algum lugar
do deserto da sua alma abalada.

João se culpa se culpa se culpa
reclama reclama reclama
chora por não saber por que chora
João não sabe achar o caminho da paz

Maria se culpa se culpa se culpa
reclama reclama reclama
chora por não saber por que chora
Maria não sabe achar o caminho da paz

João tem n'alma, em algum lugar
uma imensa sombra onde ficam escondidas
dezenas e dezenas de dores que o controlam.
as emoções negativas controlam João.

Maria tem n'alma, em algum lugar
uma imensa sombra onde ficam escondidas
dezenas e dezenas de dores que a controlam.
as emoções negativas controlam Maria.

João nunca aprendeu a perdoar
a abandonar numa estação da vida
suas dores, frustrações e crenças.
João é um homem triste e desesperançado.

Maria nunca aprendeu a perdoar
a abandonar numa estação da vida
suas dores, frustrações e crenças.
Maria é uma mulher triste e desesperançada.

João casou-se com Madalena
Maria casou-se com Sebastião
João foi ser um homem limitado
Maria foi ser uma mulher sem paixão.

Nasceram um para o outro
cresceram um para o outro
e se perderam um do outro
pela maldição de uma mentira bem contada

João nasceu para Maria
Maria nasceu para João
João morreu solitário e triste
Maria morreu sem João

É isto aí!







domingo, 18 de abril de 2021

Vão e não pequem mais.




Levante a mão 
quem nunca amou, 
quem nunca errou, 
quem nunca mentiu, 
quem nunca omitiu, 
quem nunca chorou.

Levante a mão
quem nunca atrasou,
quem nunca esqueceu,
quem nunca fracassou,
quem nunca se permitiu,
quem nunca ousou.

Levante a mão
quem nunca fugiu,
quem nunca brigou,
quem nunca perdoou,
quem nunca desdenhou,
quem nunca se perdeu.

Muito bem,
todos cabisbaixos
e contemplativos.
Sentiram e entenderam. 
Seus pecados estão perdoados,
Vão e não pequem mais.

É isto aí!


sábado, 17 de abril de 2021

O Perdão de cada dia.


Perdão não é emoção

Perdão não é sentimento

Perdão não é sensação

Perdão é decisão

Perdão é escolha

Perdão é ato de amor próprio

Perdão é respeito por si mesmo

Perdão é o ato de significância perante o universo

Perdão é a preservação da alegria

Perdão é a floração do prazer de viver

Perdão é amor puro, na essência

Perdão é inspirar e expirar Paz.

É isto aí!

She (Charles Aznavour/ Herbert Kretzmer)


She (Charles Aznavour/ Herbert Kretzmer)

She Tradução Vagalume

Ela
Pode ser o rosto que não consigo esquecer
O caminho para o prazer ou para o desgosto
Pode ser meu tesouro ou o preço que tenho que pagar

Ela pode ser a música que o verão canta
Pode ser o frio que o outono traz
Pode ser cem coisas diferentes
No decorrer de um dia

Ela
Pode ser a bela ou a fera
Pode ser a fome ou a abundância
Pode transformar cada dia em um paraíso ou em um inferno

Ela pode ser o espelho dos meus sonhos
Um sorriso refletido em um rio
Ela pode não ser o que ela parece
Dentro da sua concha

Ela, que sempre parece tão feliz no meio da multidão
Cujos olhos podem ser tão secretos e tão orgulhosos
Ninguém pode vê-los quando eles choram

Ela pode ser o amor que não se espera durar
Pode vir até mim pelas sombras do passado
Que eu lembrarei até o dia que eu morrer

Ela
Pode ser a razão pela qual eu sobrevivo
O porquê e pelo que eu estou vivo
A pessoa que cuidarei durante os rudes e chuvosos anos

Pegarei suas risadas e suas lágrimas
E farei delas minhas lembranças
Para onde ela for, eu tenho que estar

O sentido da minha vida é
Ela, ela, ela

Fonte Youtube - Elvis Costello/She
Provided to YouTube by Universal Music Group

She · Elvis Costello

Notting Hill

℗ An Island Records Relase; ℗ 1999 UMG Recordings, Inc.

Released on: 1999-01-01

Producer: Trevor Jones
Associated  Performer, Recording  Arranger: Julian Kershaw
Studio  Personnel, Mixer: Gareth Cousins
Studio  Personnel, Assistant  Mixer: Paul Hicks
Associated  Performer, Vocalist: Elvis Costello
Orchestra: London Symphony Orchestra
Conductor: Geoffrey Alexander
Composer: Charles Aznavour
Author: Herbert Kretzmer
Arranger, Work  Arranger: Tommy Tycho

Auto-generated by YouTube.

quarta-feira, 14 de abril de 2021

Perguntas e respostas em tempo de relações assépticas 2


Um casal de meia-idade, ele divorciado, ela viúva, resolveram se aventurar na onda das relações assépticas, por motivos distintos. Depois do divórcio, ele queria viver uma aventura, e ela queria alguém para ser seu par na solidão da velhice que se aproximava.

Se conheceram casualmente numa sala de bate-papo virtual ou virtuol, como queira o atento observador. Depois de vários encontros, ela mais animadinha, ofereceu uma conversa mais reservada, com os nomes reais e visão um do outro,  no Instagram. Assim preservaria a confidencialidade do telefone e finalmente veria seu galanteador.

No dia e hora marcados, ambos gostaram do que viram um no outro, ela admirou a expressão séria dele e ele se encantou com suas generosas curvas. Moravam na mesma região, em cidades vizinhas. Tinham dois conhecidos em comum e independência financeira.

Ela ficou maravilhada com a organização da estante de livros atrás dele e ele ficou excitado com suas generosas curvas.

Ela elogiou a postura dele, a foto das filhas ao fundo, a camisa muito bem passada, as unhas limpas, a elegância do seu olhar, a gesticulação comedida, o cabelo grisalho bem cuidado e ele ficou babando pelas suas generosas curvas.

Depois das perguntas triviais, veio o silêncio e depois do silêncio, ela se dispôs a aprofundar o diálogo para a área da sua carência. Olhou os olhos dele e perguntou se poderia fazer perguntas mais pessoais, digamos assim. Ela imaginou que suas perguntas provocariam nele a sensação de poderem viver um romance lindo e apaixonante. Ele viu nisto a possibilidade de ver ao vivo as suas generosas curvas.  

Ela -  Bem, vamos lá, não responda se não quiser, certo? 

Ele - Jamais deixaria uma mulher como você sem respostas.

Ela - Uau. Bem, vamos lá. Me diga qual é o seu ato favorito para expressar o amor?

Ele - Gosto do estilo cachorrinho, mas o tradicional também me empolga muito.

Ela - Humm...vou considerar sua resposta como um mal entendido, talvez eu não tenha conseguido expressar bem meu pensamento.

Ele - Tudo bem, manda a outra.

Ela - A outra ... a outra ...bem, vamos lá, me diga se você se sente estranho quando alguém fica te olhando muito.

Ele - Se for com mais uma amiga, fazendo um ménage à trois, tudo bem, mas se quiser outro sujeito ali, estou fora.

Ela - puxa, você tem uma mente prá lá de fértil. Vou tentar uma pergunta mais direta, que não permita ambiguidade interpretativa.

Ele - Tudo bem.

Ela - Já beijou alguém e não gostou?

Ele - Não tenho como saber.

Ela - Não entendi. Como não tem como saber?

Ele - Só depois de beijar você é que saberei, mas tenho 99% de certeza que será o melhor beijo da minha vida.

E viveram felizes para sempre!

Aviso do Blogger/Google - Nota Oficial



Você, leitor e leitora deste Blog Ao Pé da Pitangueira, o Google informa que a partir de Julho 2021, não serão mais enviados e-mails automáticos de postagens. 

Abaixo, a nota oficial:

O widget FollowByEmail (FeedBurner) será desativado
Você está recebendo estas informações porque seu blog usa o widget FollowByEmail (FeedBurner).

Recentemente a equipe do FeedBurner divulgou um aviso de atualização do sistema sobre a desativação do serviço de inscrição de e-mail em julho de 2021.
Após julho de 2021, seu feed continuará funcionando, mas os inscritos não receberão mais e-mails automáticos. Se você quiser continuar enviando e-mails, faça o download dos contatos dos seus inscritos. 

terça-feira, 13 de abril de 2021

Perguntas e respostas em tempo de relações assépticas



E agora? O que eu pergunto? Pensou o rapaz no vídeo-relacionamento asséptico. Olhou-a nos olhos de pixel e... nada, nenhuma ideia.

A mocinha descolada, psicanalisada e carente, aproveitou o silêncio e perguntou:

Ela - Diga, o que você pediria a uma estrela cadente nesse momento?

Ele de bate-pronto - Uma carona para Marte

Ela - Para Marte?

Ele - É, aí eu seria o primeiro humano solitário naquele planeta ...

Ela saiu.

No dia seguinte, numa nova oportunidade:

Ela -  Se você fosse um prato de comida, seria gostoso de comer?

Ele - está queimado em nome de Jesuis, xô xatanaxx

Ela saiu

No terceiro e último encontro virtual e asséptico, ele ainda não sabe o que dizer.

Ela já bastante impaciente, toma a liberdade de fazer mais uma pergunta.

Ela - Você tem vergonha de mostrar seus sentimentos?

Ele - Olhou para ela, olhou de novo, fez sinal de espera com a palma aberta e começou a tirar a roupa ...

Ela nunca mais foi vista naquela tela.

É isto aí!


sábado, 10 de abril de 2021

Tortura (Florbela Espanca)




Alto lá
Este poema não é meu
Confesso que copiei e colei
Fonte: Cultura Genial
Foto: Florbela Espanca - Supremo Enleio


Tirar dentro do peito a Emoção,

A lúcida Verdade, o Sentimento!

- E ser, depois de vir do coração,

Um punhado de cinza esparso ao vento!...


Sonhar um verso de alto pensamento,

E puro como um ritmo de oração!

- E ser, depois de vir do coração,

O pó, o nada, o sonho dum momento!...


São assim ocos, rudes, os meus versos:

Rimas perdidas, vendavais dispersos,

Com que eu iludo os outros, com que minto!


Quem me dera encontrar o verso puro,

O verso altivo e forte, estranho e duro,

Que dissesse, a chorar, isto que sinto!!

Aldravia 3



existiam

muitas

vias

todavia

havia

você


É isto aí!

Aldravia 2

 


peremptoriamente

terminantemente

categoricamente

toda

mente

mente


É isto aí!


Foto: https://cdn.folhape.com.br/img/pc/450/450/dn_arquivo/2019/03/mentira.jpg

quinta-feira, 8 de abril de 2021

Via Láctea (Olavo Bilac)



Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso! E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…

E conversamos toda a noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?

E eu vos direi: Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.

terça-feira, 6 de abril de 2021

Desintoxicação emocional. (Alessandra Santtos)

Alto lá
Este texto não é meu
Confesso que copiei e colei
Autora: Alessandra Santtos
Fonte: Instagram



Eu sempre soube que lidar com pessoas não era uma tarefa fácil. Mas descobri ao longo da vida que lidar comigo mesma de forma honesta e sem curvas me traria paz, mas também não seria fácil.

E neste desejo eminente pela minha paz interior e minha saúde emocional fui perdoando fatos e pessoas. Não me permiti mais o acúmulo das mágoas provenientes das decepções vividas com aqueles que um dia conviveram comigo.

A faxina emocional começou assim: Liberei perdão àqueles que um dia falaram de mim quando eu não estava presente, mas diante de mim demonstravam ser verdadeiros e não eram.

Perdoei àqueles que nunca me conheceram e mesmo assim, falaram daquilo que nunca souberam. Eu perdoei àqueles que enalteceram os meus erros com terceiros, mas nunca chegaram para mim e falaram o que sentiam.

Eu perdoei àqueles que me trocaram por supostas companhias melhores. Eu perdoei àqueles que vinham a mim apenas com a intenção de obterem qualquer tipo de benefício. Eu perdoei àqueles que um dia chamei de amigos, mas com o tempo vi que nunca houve amizade entre nós.

Eu perdoei àqueles que maliciosamente tramaram coisas intrigantes a meu respeito. Eu perdoei àqueles que tantas vezes me criticavam e hoje fazem as mesmas coisas que eu.

E neste processo, eu perdoei a mim por te guardado tralhas em minha alma devido a tudo isto. Eu gosto das voltas que a vida dá, pois são nestas voltas que podemos deixar ir o que nos aprisionou.

Mas nestas voltas, chegam muitas coisas lindas também. Hoje sou livre e não me permito mais carregar tralhas emocionais. O que passou, passou mesmo .... Estou no processo de desintoxicação emocional.

E agora? perguntou-se



Nunca pensou 
naquilo que passou 
pela sua mente 
na hora que falou 
o que não deveria ter dito
e agora? perguntou-se
agora fodeu tudo
respondeu a si com zelo.
cheio de razão plena
como devem ser as razões
repletas de erros

É isto aí!

segunda-feira, 5 de abril de 2021

Por que estamos aqui?

 


Mark Twain afirmou 

que os dois dias 

mais importantes 

da sua vida 

são o dia em que nasceu 

e o dia em que descobrir o porquê.

E sigo me perguntando

Por que estamos aqui? 

Por que existe vida? 

Por que o universo existe? 

Por que eu existo? 

Qual é o meu lugar nisso tudo?

Por que eu amo você?

Por que não fiz isto?

Por que ainda não faço?

Por que  fiz aquilo?

Por que faço assim?

Por que nada deu certo?

Por qual razão soltamos as mãos?

Por qual motivo perdi seu telefone?

Perdi seu aniversário, nosso natal?

Não fui ao futuro por medo

não voltei ao passado por arrependimento

porque tenho certeza que não sei

a respostas e os porquês!

Estão todas guardadas com você.


É isto aí!


Imagem - Tempo Perdido

Citação - Mark Twain (os dois dias mais importantes da sua vida são o dia em que nasceu e o dia em que descobrir o porquê.)

O canto da Águia te deixa feliz e produz Dopamina Instantânea



domingo, 4 de abril de 2021

O Analista da Pitangueira e as perguntas de alto impacto


Boa tarde!

Talvez!

Entre, por favor!

Claro, não pago para ser atendida em pé feito cliente de veterinário.

Já foi atendida por um veterinário?

Doutor, olha o limite entre nós.

Sente-se à cadeira, ou deite no Divã, onde preferir.

No Divã é melhor, sabe, não conseguirei olhar para seus olhos enquanto falo de mim.

Por favor, fique à vontade.

Doutor, olha o limite entre nós, não quero ficar à vontade, quero apenas a sessão.

O que a trás aqui, senhora?

Senhorita, mas pode me chamar de você, mas de um jeito que não ultrapasse o limite.

Certo, o que a trás aqui?

Melhor assim! Então, eu cansei de ser normal, sabe, certinha, rigorosa comigo mesma, imparcial até nas cores. Eu quero ser uma mulher diferente, um símbolo da modernidade líquida, uma figura excêntrica na acepção da palavra.

Defina o que é ser normal, por favor.

Ora, ora, doutor, olha para mim, basta uma simples varredura com sua percepção analítica que verá e constatará que sou normal, normalíssima. Eu apresento um comportamento e aparência que é socialmente aceitável e comum à natureza humana.

Vejo aqui na ficha que a sen, perdão, você nasceu em

Não fale doutor, não fale, não fale. Cale-se sobre isto, é invasão de privacidade.

Ah, perdão. Mudando de assunto, vejo que você foi casa...

Está difícil, isto viu. Minhas questões íntimas e sexuais não tem relação com as perversões daquele tarado que já partiu.

Seu ex-marido era um pervertido sexual?

Claro, o tarado queria dormir de luz apagada, só de calção e ficava lá, aquela coisa, nossa, nem quero lembrar disto.

Quer falar sobre aquela coisa?

Doutor, eu sou normal, não tenho nada além da normalidade, mas cansei. Se o senhor não sabe pegar uma pessoa normal e fazer dela uma pessoa excêntrica, então vou atravessar a rua e ...

E???

Sentar no meio fio e chorar até o senhor ir lá e me fazer excêntrica.

Hummm, veja, Nietzsche, por exemplo, disse que “O valor de todos os estados mórbidos consiste no fato de mostrarem, com uma lente de aumento, certas condições que (...) são dificilmente visíveis no estado normal”. Talvez se fizer isto ...

Não saio daqui, não saio daqui, alguém, por favor, tranca a porta, não me deixem sair daqui, eu sou normal, eu sou normal

Calma, ninguém irá tira-la daqui. Calma! Saiba que é impossível definir uma excentricidade baseada num critério puramente quantitativo, sendo necessário apelar para o discurso sobre seu desejo, ou seja, da ideia que você tem de um estado ideal que gostaria de atingir e que a sua normalidade a impede de alcançar.

Ah, é isso? Então, pode perguntar o que quiser.

Sua idade?

Espera lá, doutor, espera lá, não vale perguntas de alto impacto por enquanto ...

É isto aí!


sábado, 3 de abril de 2021

Quando fores velha (When You Are Old - William Butler Yeats)



Alto lá
Este poema não é meu
Confesso que copiei e colei
Autor:  William Butler Yeats (Nobel Literatura)


Quando fores velha, grisalha, vencida pelo sono,
Dormitando junto à lareira, toma este livro,
Lê-o devagar, e sonha com o doce olhar
Que outrora tiveram teus olhos, e com as suas sombras profundas;

Muitos amaram os momentos de teu alegre encanto,
Muitos amaram essa beleza com falso ou sincero amor,
Mas apenas um homem amou tua alma peregrina,
E amou as mágoas do teu rosto que mudava;

Inclinada sobre o ferro incandescente,
Murmura, com alguma tristeza, como o Amor te abandonou
E em largos passos galgou as montanhas
Escondendo o rosto numa imensidão de estrelas.


When You Are Old

When you are old and grey and full of sleep,
And nodding by the fire, take down this book,
And slowly read, and dream of the soft look
Your eyes had once, and of their shadows deep;

How many loved your moments of glad grace,
And loved your beauty with love false or true,
But one man loved the pilgrim soul in you,
And loved the sorrows of your changing face;

And bending down beside the glowing bars,
Murmur, a little sadly, how Love fled
And paced upon the mountains overhead
And hid his face amid a crowd of stars.


William Butler Yeats, muitas vezes apenas designado por W.B. Yeats (Dublin, 13 de junho de 1865 — Menton, França, 28 de janeiro de 1939), foi um poeta, dramaturgo e místico irlandês. Atuou ativamente no Renascimento Literário Irlandês e foi co-fundador do Abbey Theatre. 

As suas obras iniciais eram caracterizadas por tendência romântica exuberante e fantasiosa, que transparece no título da sua coletânea de 1893, The Celtic Twilight ("O Crepúsculo Celta"). Posteriormente, por volta dos seus 40 anos, e em resultado da sua relação com poetas modernistas, como Ezra Pound, e também do seu envolvimento ativo no nacionalismo irlandês, o seu estilo torna-se mais austero e moderno. 

Foi também senador irlandês, cargo que exerceu com dedicação e seriedade. Foi galardoado com o Nobel de Literatura de 1923. O Comité de entrega do prémio justificou a sua decisão pela "sua poesia sempre inspirada, que através de uma forma de elevado nível artístico dá expressão ao espírito de toda uma nação." Em 1934 compartilhou o Prémio Gothenburg para poesia com Rudyard Kipling.

Diário das memórias de cada um



Chegou ao carro e deu por falta dos óculos. Apalpou a face, bateu a mão no peito e nos bolsos e nada de encontrar o objeto. Voltou ao apartamento, no segundo andar, procurou por todos os possíveis locais onde geralmente não o coloca, até que finalmente deparou com o fugitivo na pia do banheiro. Colocou os óculos e desceu até a garagem.

Mão na maçaneta e deu com a porta trancada. Temeu pelo pior, as chaves terem ficado dentro do carro. Olhou, olhou olhou até que teve a ideia de ligar a lanterna do celular. Procurou em todos os compartimentos da roupa e notou que não o carregava. Encostou no automóvel, suspirou, balançou a cabeça e voltou ao apartamento. 

A pegar na maçaneta externa, deparou com o molho de chaves na fechadura, pelo lado de fora, o que era indício de que esquecera de retira-lo ao sair, apressado pelo atraso para ir ... para ir ... não lembrava para onde deveria ir. Entrou, fechou a porta segurando as chaves, sentou-se na cadeira que fica ao lado, onde desde antigamente era o local do telefone fixo.  

Olhou para o aparelho analógico, secular e lembrou que poderia discar para o celular e seguiria o som. Retirou o monofone do gancho e ... não lembrava seu número. Voltou o monofone à base, colocou as duas mãos sobre o rosto e deu um suspiro profundo, acenando negativamente a cabeça. Espere, já sei, anotei o número num cartão que está na minha carteira.

Levantou-se entusiasmado, bateu a mão nos bolsos da calça e ficou preocupado - perdeu a carteira com todos seus documentos, cartão do banco, dinheiro para eventuais necessidades e sobretudo o número do celular, que contem todas as senhas inclusive o número do seu telefone fixo, seu endereço, telefone da família, foto dos netos, etc.   

Cabisbaixo, suspirando, foi até o quarto, onde encontrou a carteira no criado-mudo, como havia deixado na noite anterior. Imediatamente a abriu, pegou o cartão, colocou a carteira no bolso e ligou para seu celular. Não escutava a chamada. Ligou muitas vezes e o silêncio era terrível. Bom, o jeito é descer e ir para fazer o que preciso fazer.

Desceu as escadas pesaroso, até que abriu o carro e viu o celular no banco do carona. Riu de si mesmo. Assim que o teve nas mãos, viu que o aparelho estava descarregado. Colocou a cabeça no encosto da poltrona do automóvel e olhando fixamente para a frente, não sabia para onde deveria ir. Subiu as escadas, desta vez conferindo todos os pertences e foi deitar.

Do outro lado da cidade filhos e parentes o aguardavam para uma festa surpresa de aniversário, à qual não compareceu. Despediram-se dos convidados todos resmungando um pouco. Guardaram todos enfeites, dividiram o bolo entre as crianças, e tiraram a conclusão que lhes parecia a mais confortável - papai é previsível mesmo, foi só sentir que faríamos a festa, desligou o celular e deve estar tomando sua cervejinha ... aquele velho é terrível.  

Nesta hora deve estar jogando truco com os amigos ...
Ou bebendo num boteco destes sujos ...
Ou namorando alguma coroa da vizinhança ...
Ou se divertindo ... Nem vou me preocupar, amanhã ele aparece sorrindo ...

É isto aí!
 


sexta-feira, 2 de abril de 2021

O Mago da Pitangueira 2021 - 1


 

Nesta semana pascal subi o Monte da Sabedoria em busca de conhecimentos que possam facilitar minha compreensão diante desta realidade líquida do novo mundo ou da nova ordem deste planeta. Fui de encontro ao Grande Mago da Pitangueira, o sábio da natureza humana.

Mestre, eis-me aqui para aprender com sua imensa sabedoria.

- Eis que muito aprendo com você também, meu filho. Diga-me, a subida foi fácil ou difícil?

Difícil, Mestre, muito difícil.

- Então pergunte algo que valha a pena saber.

Mestre, quero saber sobre esta pandemia, onde está e para onde vai a nossa humanidade. O que é tudo isto?

- Veja, meu filho, somente a espiritualidade ajudará na compreensão dos sofrimentos e na construção de significados e propósito à vida. 

Mas, Mestre, e o kit-pré-apocalíptico que evita o mal? E as máscaras? E o infesto quixotesco do planalto? E o álcool gel? E o fique-em-casa?

- Vejo que tem as mesmas dúvidas espalhadas em múltiplas perguntas. Vou procurar respondê-las em dois tempos. Primeiro aprenda com David, o grande rei, pai de Salomão, que ensinou - "Livra-me, ó Senhor, do homem mau; guarda-me do homem violento, que pensa o mal no coração; continuamente se ajunta para a guerra." Esta é a chave que abre as comportas da Paz, meu filho.

Puxa, vida, mestre, mas onde está este homem mal?

Em toda a parte, meu filho, uns são fáceis de serem notados, como o que citou, mas 99,9% estão nas sombras, operam silenciosamente, tramam de uma maneira de tamanha engenhosidade maligna, que a culpa recairá sempre sobre um inocente útil.

E o segundo tempo da sua grande resposta, Mestre?

Meu filho, deverão as suas habilidades espirituais serem reconhecidas pela sua consciência racional como essenciais, afinal você é um ser feito à imagem e semelhança, com sua dupla natureza, uma em carne e a outra em espírito. Desta forma a ciência é importante e deve ser respeitada e o cuidado espiritual é indispensável no enfrentamento desta pandemia. Agora vá, e não acredite em quem não acredita que você é um vetor da paz. Se todos os vetores das paz, que são bilhões, se unissem, o mal não teria espaço para avançar.

O Mestre acabou de responder e recolheu-se ao silêncio do seu eremitério. Pela primeira vez desci em lágrimas.

É isto aí!