quinta-feira, 13 de maio de 2021

Retorno


Queria o retorno
no contorno 
do adeus ali
logo na frente
que fosse breve
Queria você 
aqui feito eu
um passarinho
assustado
no jardim secreto, 
mas livre e feliz
por estar
ali bem assim
mas que fosse
aqui sem aluí
ao lado colada
do meu lado,
suado, 
abraçada
asas soltas, 
voo livre
sorrindo
e preferindo 
namorar 

É isto aí!

"Livre pensar é só pensar" (o título é uma homenagem ao Millôr Fernandes)


O lado bom de pensar é que é livre pensar. Millor Fernandes tinha esta frase como seu slogan - "Livre pensar é só pensar". A liberdade que Millôr tanto prezava em seus trabalhos estendia-se também às convicções pessoais. Autoproclamado "livre-atirador", buscava não se comprometer com qualquer movimento organizado político ou religioso, considerando a ideologia uma "bitola estreita para orientar o pensamento". 

Defendia o livre pensar justificando que "não existe pensador católico. Não existe pensador marxista. Existe pensador. Preso a nada. Pensa, a todo risco". O desprendimento a dogmas, conceitos, mitos e sistemas de pensamento não resultava na falta de foco para suas críticas, pelo contrário: o alvo sempre foi o ser humano, o qual considerava "inviável".

Fiquei o dia todo pensando livre, pensando, pensando, como se formam os pensamentos? Não estou aqui querendo entrar na parte pedagógica da formação dos pensamentos, do aprendizado anterior, da educação, dos recursos cibernéticos, audiovisuais, cenestésicos, etc. Como uma energia condensada no cérebro faz gerar sentimentos, palavras e processo lógico numa mentira, numa desculpa retardada, numa protelação, por exemplo? 

Livre pensar, livre expressão, livre querer está tudo ficando muito tenso nestes tempos impensáveis até poucos meses atrás.

É isto aí!


quarta-feira, 12 de maio de 2021

Se eu fosse eu - Clarice Lispector

 



Se eu fosse Eu - (Clarice Lispector)


Quando eu não sei onde guardei um papel importante e a procura revela-se inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Às vezes dá certo. Mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase "se eu fosse eu", que a procura do papel se torna secundária, e começo a pensar, diria melhor SENTIR.

E não me sinto bem. Experimente: se você fosse você, como seria e o que faria? Logo de início se sente um constrangimento: a mentira em que nos acomodamos acabou de ser movida do lugar onde se acomodara. No entanto já li biografias de pessoas que de repente passavam a ser elas mesmas e mudavam inteiramente de vida.

Acho que se eu fosse realmente eu, os amigos não me cumprimentariam na rua, porque até minha fisionomia teria mudado. Como? Não sei.

Metade das coisas que eu faria se eu fosse eu, não posso contar. Acho por exemplo, que por um certo motivo eu terminaria presa na cadeia. E se eu fosse eu daria tudo que é meu e confiaria o futuro ao futuro.

"Se eu fosse eu" parece representar o nosso maior perigo de viver, parece a entrada nova no desconhecido.

No entanto tenho a intuição de que, passadas as primeiras chamadas loucuras da festa que seria, teríamos enfim a experiência do mundo. Bem sei, experimentaríamos enfim em pleno a dor do mundo. E a nossa dor aquela que aprendemos a não sentir. Mas também seríamos por vezes tomados de um êxtase de alegria pura e legítima que mal posso adivinhar. Não, acho que já estou de algum modo adivinhando, porque me senti sorrindo e também senti uma espécie de pudor que se tem diante do que é grande demais


Till There Was You ⎪Joscho Stephan Trio


Fonte do Vídeo - Youtube - Joscho Stephan Trio

We just recorded a trio version of "Till there was you". The song (written by Meredith Wilson) is part of my new Beatles tribute album (Get Back to the Beatles), where i play (almost) all instruments by myself. 

Even if its not a Beatles composition, the piece will always be associated with Paul McCartney's great vocal part.

Download the album: 

To join my online course: 


Till There Was You (Meredith Wilson)

There were bells on a hill
But I never heard them ringing
No, I never heard them at all
'Till there was you

There were birds in the sky
But I never saw them winging
No, I never saw them at all
'Till there was you

Then there was music and wonderful roses
They tell me in sweet fragrant meadows
Of dawn and you

There was love all around
But I never heard it singing
No, I never heard it at all
'Till there was you

Then there was music and wonderful roses
They tell me in sweet fragrant meadows
Of dawn and dew

There was love all around
But I never heard it singing
No, I never heard it at all
'Till there was you
'Till there was you

Breve história desta música:

Música de grande sucesso no Brasil em 1984, quando foi lançada uma boa versão por Beto Guedes - Quando te vi - esta música se transformou num grande sucesso mundial gravado pelos Beatles em 1963. 

Till There Was You é uma canção escrita por Meredith Willson para sua peça musical de 1957 The Music Man, que virou filme  em 1962 e ganhou em 1963 o Oscar de melhor Trilha Sonora. No Brasil o filme recebeu o nome de O Vendedor de Ilusões. A cena com esta música foi mantida na versão do filme de 1962. 

A música é cantada pela personagem Marian Paroo (interpretada por Shirley Jones no filme) para o Professor Harold Hill (no filme o ator Robert Preston

É isto aí!

Faça o teste e descubra se você ama demais





Alto lá
Este texto e este teste não são meus
Confesso que copiei e colei
Fonte²: MADA Mulheres que amam demais anônimas


O amor pode ser uma doença? Faça o teste e descubra se você ama demais

Ninguém sabe como nasce um amor, muito menos um doentio. Algumas teorias da psicologia, contudo, tentam desvendar quando e como um dos sentimentos mais nobres do mundo torna-se sombrio. Uma delas é a hipótese fundamentada na psicodinâmica. Quem a explica é Andrea Lorena da Costa¹, psicóloga e neuropsicóloga do Programa de Transtornos do Impulso do Instituto de Psiquiatria (IPq), do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP: 

- A origem pode ser a vinculação com a mãe ou com o(a) cuidador(a) na primeira infância. Por volta dos quatro anos, a criança está altamente ligada à mãe e vice-versa, e o comportamento materno nesse vínculo, percebido pela criança como inconstante, pode deixar cicatrizes para o relacionamento amoroso.;

Ainda sobre o tratamento recebido durante a primeira infância, Carmita Abdo², psiquiatra coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade da USP e presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), chama atenção para alguns fatores ambientais que podem contribuir para o nascimento do amor sem medidas. Algumas situações vivenciais, como uma perda afetiva importante que se transforma em uma frustração, associada a um perfil de personalidade não trabalhado na infância, acaba levando essa pessoa a desenvolver e a manter essa falta de controle emocional.

Mas quem estaria mais vulnerável ao amor patológico? Ainda de acordo com Carmita, notam-se sinais de risco desde muito cedo. É possível observar que aquela criança que se fixa em determinadas pessoas e tem dificuldade em dividir as amizades acaba tendo mais dificuldade em viver naturalmente os relacionamentos, detalha a psiquiatra.

Muitas vezes o amante patológico acredita que é mais apaixonado do que as demais pessoas ou que tem mais capacidade de se envolver que os outros. Porém, assim como outras enfermidades, o amor patológico apresenta sintomas (como a ilusão de ser "mais entregue" do que o normal). Percebemos que a obsessão evolui e deixa de ser o quadro principal. Deixa de ser caracterizada por afeto profundo e passa a ser definida por uma ansiedade grande, completa Carmita Abdo. Essa pessoa tem a autoestima precária, não respeita sua identidade, se submete a situações constrangedoras, tem instabilidade emocional e pode apresentar problemas afetivos não resolvidos na infância.

Sinais de um amor enfermo

Prestar cuidados excessivos ao parceiro;

Ter sintomas de abstinência na ausência do parceiro ou diante da ameaça do rompimento, como sudorese e taquicardia;

Tentativas de controlar o comportamento do parceiro;

Sintomas depressivos e ansiosos; Falta de apetite; Insônia; Taquicardia; Falta de ar.


Fonte¹: Andrea Lorena da Costa, psicóloga e neuropsicóloga; 

Fonte²: Carmita Abdo, psiquiatra.


Teste:

Sou uma Mulher que Ama Demais?


1) Você se torna obsessiva com os relacionamentos?

( ) Sim ( ) Não


2) Você mente ou evita pessoas para disfarçar o que ocorre numa relação?

( ) Sim ( ) Não


3) Você repete atitudes para controlar a relação?

( ) Sim ( ) Não


4) Você culpa e acusa seus relacionamentos pela infelicidade da sua vida?

( ) Sim ( ) Não


5) Você procura agradar às pessoas com quem se relaciona e se esquece de si mesma?

( ) Sim ( ) Não


6) Você só se sente viva ou completa quando tem um relacionamento amoroso?

( ) Sim ( ) Não


7) Você já tentou diversas vezes sair de um relacionamento, mas não conseguiu?

( ) Sim ( ) Não


8) Você sofre mudanças de humor inexplicáveis?

( ) Sim ( ) Não


9) Você sofre acidentes devido à distração?

( ) Sim ( ) Não


10) Você pratica atos irracionais?

( ) Sim ( ) Não


11) Você tem ataques de ira, depressão, culpa ou ressentimentos?

( ) Sim ( ) Não


12) Você já teve ataques de violência física contra si mesma ou contra outras pessoas?

( ) Sim ( ) Não


13) Você sente ódio de si mesma e se auto justifica?

( ) Sim ( ) Não


14) Você sofre doenças físicas devido às enfermidades produzidas por estresse?

( ) Sim ( ) Não


15) Você cuida excessivamente dos membros de sua família?

( ) Sim ( ) Não


16) Você não consegue se divertir sem a presença do (a) seu (sua) parceiro(a)?

( ) Sim ( ) Não


17) Você se sente exausta por assumir mais responsabilidades em um relacionamento?

( ) Sim ( ) Não


18) Você se sente incompreendida por todos?

( ) Sim ( ) Não


Resultado:

Se você respondeu SIM a duas ou três das perguntas acima, é possível que você seja uma MADA.

Se você respondeu SIM a mais de quatro perguntas, é mais provável que você seja uma MADA.


Atenção:

Mesmo que você não se encaixe nas perguntas acima, mas, ainda assim, sofra por amor e queira ajuda, procure uma reunião do grupo Mada.


Em busca da cura

Natalia* é uma das conselheiras e integrantes do grupo Mulheres que Amam Demais (MADA). O programa, baseado nos 12 Passos e 12 Tradições de MADA é uma adaptação do programa usado pelos Alcoólicos Anônimos (AA). Por meio de reuniões as integrantes conversam sobre amor, dependência, resiliência e superação. O grupo não se apoia em psicólogos, psiquiatras ou terapeutas, mas na empatia. "Acreditamos que a mulher que ama demais veio de uma família disfuncional, o que poderia ser um dos motivos para o problema surgir", explica.

No MADA, apenas a mulher pode se definir como alguém que ama demais. Há, no entanto, formas de se descobrir e de se ajudar (veja quadro acima e faça o teste). De acordo com a filosofia do grupo, a mulher é também livre para escolher se procura tratamento especializado ou não, além do programa de recuperação do MADA. 

"O nosso tratamento se baseia em espelhos, não em conselhos. Ao participar das reuniões do nosso grupo, a pessoa poderá partilhar seu problema e ouvir outras partilhas. Assim, o tratamento acontece", detalha. 

"Sugerimos a participação em pelo menos seis reuniões, como se fosse a primeira vez, para que a pessoa se identifique e decida se é uma mulher que ama demais e se o programa tem algo a lhe oferecer." As reuniões são gratuitas e não é necessário confirmar presença, fazer inscrição ou pagar taxas.

É claro que amar em demasia não é o melhor cenário, mas também não é um beco sem saída. O importante, de acordo com a psiquiatra Carmita Abdo, é entender o quadro em sua essência. "Não dá para abrir mão de uma psicoterapia, para a pessoa entender o que está fugindo do controle, trabalhar o apego exagerado e melhorar a autoestima, além de aprender a ter maior domínio sobre suas emoções", argumenta.

Muitas vezes, especialmente no início do tratamento, os pacientes precisam de medicamentos para limitar seus excessos. Por sua atuação em sintomas repetitivos, Carmita Abdo diz que os antidepressivos são, geralmente, a primeira escolha dos médicos. "São medicamentos úteis para controlar sintomas exagerados, quando a pessoa não tem controle dos próprios atos e emoções. Servem para ela ter melhor domínio sobre seus impulsos."

Além da medicina tradicional, há quem encontre ajuda na medicina holística. Márcio Ferrari, terapeuta holístico que acompanha um grupo MADA, baseia seu tratamento em aspectos que vão além do viés psicológico. A construção da personalidade, as crenças limitantes dos antepassados (como mãe, pai, avós) e toda a herança psíquica do indivíduo são levadas em consideração no caminho para a cura. "O holístico considera os problemas como sendo oportunidades de crescimento espiritual", define. "Tudo começa no autoconhecimento."

Para Márcio Ferrari, viemos ao mundo não para amar, necessariamente, mas para aprender a fazê-lo. Segundo ele, observar a repetição de padrões é a chave para se entender. ;É muito comum atrairmos pessoas do mesmo padrão. Acredito em um universo autoconsciente, em que a lei da atração faz com que nos aproximemos do que a gente precisa. O padrão vai se repetir até que a pessoa possa fazer uma mudança vibracional.; Nessa lógica, a dependência seria, então, uma oportunidade para olhar para dentro de si mesmo. ;Mudar não é fácil porque temos uma tendência a nos acostumarmos, inclusive, com a dor, com o sofrimento e com a tristeza;, completa.

O amor de dentro para fora:

"Em que situações negativas são vistas como chances de crescimento e o amor-próprio é considerado prioridade?" seria, para Ferrari, o começo de uma jornada livre das relações patológicas. "A maioria das pessoas têm problemas de relacionamento com elas mesmas. É preciso ter uma percepção de mundo diferente, olhando tudo com mais abrangência e profundidade, pensando". "Porque eu atraí essa pessoa? O que o universo quer me dizer com isso?" Quando a gente se propõe a olhar o amor-próprio, o amor ao próximo acontece.

O som do amor


- O próximo!!!

- Aqui, senhora.

- Nome por favor

- Sibemol Acústico

- O senhor está falando sério?

- Sério??

- Sério.

- Meu Deus do céu!!! Você, quer dizer, estado civil

- Solteiro.

- Filhos?

- Não

- Mora com a família?

- Não, resido sozinho.

- Casa  própria?

- Sim, um apartamento.

- Tem mais algum outro bem patrimonial?

- Sim, um carro e um sítio.

- Uau!!!!

- Posso saber por que a senhora está fazendo estas perguntas? 

- Como assim?

- Aqui não é o guichet de reclamações  desta empresa?

- Sim, mas é que eu precisava ...

- Posso saber o nome da senhora?

- Lá Sustenido ...

- Quer dizer ... quer dizer ...

- Sim ... eu sou a sua outra parte, sua metade, sua forma mulher.

- Quer casar comigo?

- Só se for agora...

É isto aí!!

terça-feira, 11 de maio de 2021

Sobre padrões e ladrões



Conflitos aqui e ali, 
em todos os pontos cardeais (do planeta). 
Assassinatos trágicos 
(todo assassinato é trágico)

Vulcões despertados
tempestades fortalecidas
Ciclones, furacões,
ventos de maio esmaecidos

Temporais, enchentes,
viroses letais, fome
ladrões de caravanas
ladrões ladrões ladrões

Tempo de ais emergentes
ciclos letais do homem
rompemos com os padrões
da vida divina (descaradamente).

É isto aí!

Referências da imagem: Príncipe Valente



domingo, 9 de maio de 2021

Sala da Quarentena.




Morri dia destes e ainda nem cheguei a me dar conta disto imediatamente. Deu que encontrei com o Tobias, puxa vida, o Tobias faleceu, deixa eu ver, hummm, há quase cinquenta anos. Não mudou nada. Na hora fiquei na dúvida se estava sendo um vidente de almas ou se eu era uma alma destas perdidas entre umbrais, até que eu vi aquela moça, meu deusdasmemóriasprontas, valei-me meu santo memorial, qual o nome dela? Engraçado, esqueci o nome dela, foi uma paixãozinha rápida, mas ela partiu mais ou menos na mesma época que o Tobias. Continua linda.

Comecei a observar o ambiente onde me encontrava. Vai que era a porta do paraíso? Vi dois anjos passando do outro lado da larga avenida, e engraçado, eles não tinhas asas, mas seu sabia que eram anjos. A avenida era de blocos de pedras polidas, tendendo ao formato retangular, já gastas pelos, hummm, milênios terrestres. Fiquei ali refletindo - um paraíso só para os humanos, de dimensões infinitas, com bilhões e bilhões de moradas. Meudeusinhodowifi ... tem sinal para todo mundo?

Atravessei a avenida fora da faixa de pedestres, afinal o que pode acontecer a um morto? Pensei e logo um agente de segurança ostensiva das avenidas celestiais levitou-me com um gesto e colocou suavemente meu corpo etéreo na faixa. Achei interessante, nada invasivo, nada abrupto, enfim, se as regras existem, devem ter uma serventia, afinal até Moisés teve que descer com as dez regras por duas vezes, então vou prestar mais atenção.

Na imensa calçada tinham umas barraquinhas e quiosques de diversos gostos alimentares. Estranhamente milhares de pessoas perdiam um precioso tempo naquele ambiente. Vi pessoas ali que despedi-me delas a 40, anos, e ficavam ali bebendo, comendo e fumando. Ouvi línguas das mais diversas diferenças, mas engraçado, ouvia em grego, por exemplo, e sabia que era grego, mas entendia tudo no meu simpático e monoglota português. Não vi acesso a banheiros, mas tinha cerveja em lata gratuitamente distribuídas por mocinhas elegantes. 

Dezenas de guichets traziam no alto uma placa com a palavra "Informação", em todas as línguas do mundo. E ao mesmo tempo uma voz suave, feminina falava ao meu ouvido - por favor, dirija-se ao guichet 118, da língua portuguesa, que era o tal com a placa da Informação.

A fila para pegar a senha de atendimento era rápida e a fila para o atendimento, surpreendentemente, também rápida. Depois que você recebe a ficha da senha, entra por um portão estreito, passa por um beco que vai se abrindo de forma cônica até chegar num imenso pátio, onde em meio círculo haviam 345 guichets. Uau, tudo muito organizado. A voz interior mandou que comparecesse ao guichet 141.

Um senhor com cara de poucos amigos pediu minha mão esquerda, colocou num aparelho digitalizador, conferiu na lista se eu era a pessoa que conferia com a mão, fez sinal para seguir por um corredor bem iluminado até chegar numa sala com som ambiente, sofás lounge e tudo em estilo art nouveau. Uma anjinha lindinha gostosinha cheirosinha se aproximou e me deu uma veste celestial, apontou-me um vestiário, fui, troquei de roupa, fiquei sem saber se mantinha ou não a cueca, mas resolvi tirar, afinal nunca gostei disto mesmo.

Na hora que abri a cortina esperando ver a anjinha novamente, recebi uma máscara N95 e fui conduzido por dois oficiais da guarda celestial até um salão imenso e espartano, com um telão passando "A Lagoa Azul" e um enorme cartaz escrito - Sala da Quarentena. 

Aí dei a bronca, aos gritos mandei chamar a gerencia, xinguei, briguei, pedi para falar com a diretoria, dei o nome de uma santa conhecida, como referência pessoal, esperneei, empurrei e saí correndo correndo correndo .. e foi assim que deu um clarão e me devolveram a este planetinha nativo, ainda a tempo de assistir à
semifinal da Champions League. 

Enquanto as pessoas gritavam de alegria nas arquibancadas, eu em casa, sozinho no sofá, fiquei puto prá caramba ... Sala de Quarentena ..onde vai parar isto? Veja só você ... sala de quarentena ... é ruim, hem!!!

É isto aí!



sexta-feira, 7 de maio de 2021

Há de haver soluções melhores (Paulo Abreu)


Tem dia que não deveria ser exatamente aquele dia,
deveria ser outro dia, outra época
mas seguindo aquele protocolo do tempo
sobre a natureza das coisas arbitrárias. 

Mas não para todos as pessoas, 
deveria ser optativo, tipo assim, 
no dia anterior veria as cenas ruins do dia seguinte
e a solução seria discutida com anjos celestiais.

E escolheria quais mudaria para o bem comum, 
nunca para o mal.
nunca para ser um triste dia
nunca para não ser feliz

Mas, puxa vida
o que dará felicidade a você
não necessariamente dará a outra pessoa.
há de haver soluções melhores

Tem dia que você se dá conta
que tem um dia do passado preso ao presente 
e está exatamente onde está, todos os dias 
porque ainda é parte real de uma dor maior. 

Não sei ainda como resolver estes dias 
que nunca vão embora. 
A cena milhares de vezes revistas 
as palavras, os olhares, o adeus que nunca mais outra vez é o retorno.

Tem dia que deveria se repetir de tão bom que foi, 
tem dia que deveria ser apagado completamente do cenário pessoal. 
Tem dia que os erros daquele dia valeram a pena, 
foram altamente instrutivos. 

Tem dia que as coisas certas a fazer 
foram as coisas mais idiotas que foram feitas.
Tem dia que chorar é a única saída
e tem dia que não pensar é o melhor lugar para esconder-se.

É isto aí!

quinta-feira, 6 de maio de 2021

A maldição do 17




Parou na praça e ficou ali a meditar sobre cosias normais, dívidas, relação conflituosa, banco, emprego, salário e Odete, a musa desaparecida da Pitangueira. De longe viu uma pequena aglomeração e aproximou-se:

- Faltam 34 dias para o fim do mundo, bradou o pequeno homem em cima de um tamborete, com um terno imenso, preto, sobre uma camisa apertada de colarinho sujo. Faltam 34 dias para o fim do mundo ... arrependei-vos, o fim está próximo.

Olhou para o homem, olhou para o calendário do celular e sorriu meio maroto. Uau, não precisarei mais pagar o aluguel atrasado, nem o armazém, nem a farmácia, nem a ... puxa vida. Senhor, senhor!! Aqui!!!

- Pois não, disse o distinto apocalíptico.

Como chegou à esta conta?

- Veja bem, meu fiel seguidor e ouvinte atento, saiba que na cronologia bíblica estamos no ano  6128, que somado dá 17, e como estamos no mês de maio, mês 5, do ano 2021, logo multiplicando 5 X 2021 = 10.105. Subtraindo 6128 fica 3.977, considerando que este ano tem 365 dias, logo 3.977 - 365 = 3.612. Olha como O Senhor do Universo é fantástico, meu irmão. Ao dividirmos 3.612 / 12 meses, temos 301. 

Não estou entendendo nada.   

Ouça bem, irmão, conhecereis a verdade e a mentira te afugentará. Saiba que daqui a 34 dias, teremos passados por dois dezessetes. Daqui a 34 dias será dia 17,  e aqui está a mística, nobre senhor, O sentimento de horror desse número se dá desde os tempos de Pitágoras, já que ele, o amaldiçoado 17,  se intromete entre dois números que o filósofo gostava bastante. O número 16 era chamado por ele de quadrado perfeito, e 301 somado dá 4, o quadrado perfeito, entende?  E o 18 era o dobro do quadrado perfeito do numero 3, que é a Trindade. Portanto, o 17 entra no meio desses dois números como o imperfeito, aquele que veio para quebrar e estragar as conexões. Calcule então daqui a duas vezes o dezessete (2X17=34), será o 17° dia de um ano morto.

Só isto? Não entendi nada.

- O senhor não entendeu nada por que é regido pelo 17, e olha, isto é uma maldição.

Eu??? Como assim??

- As pessoas que possuem a influência do número 17 possuem uma personalidade muito interessante. São pessoas que vivem para descobrir o significado de estarem justamente vivas.

 Parece então que é uma maldição familiar... me diga, se eu quisesse, o que eu faço para mudar isto?

- Sinto muito, tudo que posso fazer é permitir que suba no banquinho e denuncie o 17. Aí ele se anula pela sua maldição.

Mas tem um problema, senhor. No seu calendário, daqui a 34 dias será dia 17 de Junho e no calendário do mundo, daqui a 34 dias será 13 de Junho

- Daqui do alto deste altar por mim consagrado em cima deste banco santo, eu o proíbo de falar, pois do dia e da hora só eu sei. Que volte para as trevas, cão do terror.

Você é doido demais.

- Ei, volta aqui, anda não falei do dia 23 ... se não voltar vai ter pesadelos ...

É isto aí!




quarta-feira, 5 de maio de 2021

Hoje estou feliz






Hoje estou feliz
Hoje sou eu
e meu eu  feliz
         
Estou
Como se diz     
Não se explica
Nem se replica
Não  complica
Multiplica em si
               por si

Fez-se o liame
hoje o permiti
fiz-me Feliz     
    

É isto aí!


terça-feira, 4 de maio de 2021

Do amor senciente e outras tragédias




A tônica 
do amor 
é o adeus,
bradou 
o poeta.

A lógica
do adeus
é a solidão
bradou
o analista

A tragédia
da solidão
é a ausência
lamentou
o silêncio.

E ao ouvirem,
silentes,
partiram
sencientes
e malogrados 

É isto aí



segunda-feira, 3 de maio de 2021

Mão (Um poema de Clarice Lispector)

 


Agora preciso de tua mão,

não para que eu não tenha medo,

mas para que tu não tenhas medo.

Sei que acreditar em tudo isso será,

no começo, a tua grande solidão.

Mas chegará o instante em que me darás a mão,

não mais por solidão, mas como eu agora:

Por amor.


Fonte do poema: refletirpararefletir  

Clarice Lispector - uma das maiores escritoras do século XX

O Professor Emérito de Literatura Brasileira da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP , escritor e crítico literário  Alfredo Bosi apresenta três características do estilo narrativo de Clarice Lispector: 

1 - o uso intensivo da metáfora insólita, 

2 - a entrega ao fluxo de consciência e,

3 -  a ruptura com o enredo factual.

Bosi afirma que, na gênese das histórias da autora, há uma exacerbação tal do momento interior que a própria subjetividade entra em crise, fazendo com que o espírito procure um novo equilíbrio, trazido pela "recuperação do objeto", "não mais [no nível psicológico], mas na esfera da sua própria e irredutível realidade." Para Bosi, "trata-se de um salto do psicológico para o metafísico". 

Bosi vê também, na escrita da autora, exemplos de três crises literárias: 

1 - a crise da personagem-ego ("cujas contradições já não se resolvem no casulo intimista, mas na procura consciente do supra-individual"); 

2 - a crise da fala narrativa ("afetada agora por um estilo ensaístico, indagador") e,

3 -  a crise da velha fundação documental da prosa de romances.



domingo, 2 de maio de 2021

O Crupiê do Lupanar e outros líderes da nova era líquida

 




Ser Líder nesta realidade liquida está sendo um enorme desafio. De repente todos são empreendedores da sua existência. De repente, muito de repente, a Meritocracia nasceu para todos. Assim, listamos alguns dos líderes na nova era líquida da Meritocracia Empreendedora, que vão sacudir a nação:

01. Líder idiota

02. Líder incompetente

03. Crupiê do Lupanar

04. Líder autocrático

05. Líder democrático


01 - O Líder Idiota

Grandes organizações tendem a colocar em determinados e específicos departamentos uns líderes completamente idiotas. São mais comuns do que se imagina. Estão ali para manter interesses e privilégios de diretores e partes interessadas. Nunca subestime um líder idiota, por que ele é idiota, mas não é burro.

No grego antigo a raiz etimológica da palavra “idiota” vem doidios, que significava “privado” ou “pessoal”. Termo que se transformou em idiotes, para designar as pessoas focadas nos seus próprios interesses e que não exerciam nenhum tipo de trabalho público na Grécia antiga, o oposto ao político.

Com o passar do tempo, o significado de idiotes se modificou, passando a estar relacionado com os “homens comuns”, ou seja, aos indivíduos que não tinham nenhuma distinção ou qualificação diferenciada. Por fim, o significado chegou ao conceito generalizado indivíduo ignorante ou com pouca inteligência, excetos os líderes idiotas.

O enorme número de idiotas em cargos importantes liderando outros idiotas, serve para formar uma dinastia de idiotas. Idiotas formam idiotas que formam idiotas. Além disto temos também Idiotas escrevendo manuais definitivos sobre como ser um líder idiota.


02 - O Líder Incompetente

O Líder incompetente não é idiota, é apenas limitado intelectualmente. É o capacho feliz. Está ali para satisfazer o ego do diretor, que se julga o czar do império, o rei de tudo, o máxi-superfodástico. Tem conhecimento de livros de auto-ajuda e manuais de instalação de ar-condicionado e televisores moderninhos.

O Líder Incompetente tem capacidade decorrente de raso conhecimento sobre quaisquer assuntos. É um especialista em não saber algo. Assiste séries policiais e gosta do Batman. Para a empresa ele é um grande inibidor de despesas, pois o encarregado acaba carregando sozinho o piano nas costas, com raiva, magoado e estressado, enquanto o Líder incompetente ganha metade do que o encarregado receberia se fosse o ocupante da vaga.


03 - O Crupiê do Lupanar

O Crupiê do Lupanar não é necessariamente um Líder, mas é o cara. É o doutor do departamento. Todo mundo conhece o sujeito, do porteiro às faxineiras do noturno. Todo mundo adora ele, todo mundo elogia ele, todo mundo quer ser como ele, todo mundo tem uma pontinha de inveja dele.

É o Líder Operador. Faz ligações, ilações, conclusões, análise de consequências, corolários, deduções, induções e inferências. Na prática, só um ou dois diretores sabem a função do Líder Crupiê do Lupanar. O salário é por participação nos lucros com conta em paraísos fiscais.

Na maioria das vezes, na intimidade da instituição, é chamado de "dealer",  o intermediário que trabalha como líder, mas sem liderados, quase sempre por conta própria. Tem um sorriso largo, um olhar sério e um andar elegante. Raramente fala sobre negócios, não frequenta clubes nem rodas sociais e nunca vai nas festas do departamento.


04 - O Líder Autocrático

O líder autocrático é o chefe inseguro e ignorante. Ele é quem toma todas as decisões e sua equipe apenas segue seu comando. Concentra muito poder e ignora (em parte ou totalmente) as opiniões dos colaboradores.

É um forte candidato a ditador, só que não acredita em eleições, pois alguém pode trair sua confiança.  Este líder está ali para que a empresa não mude seus negócios, por que nunca se sabe no andar térreo quais acordos são feitos entre os que realmente mandam lá na cobertura.


05 - O Líder Democrático

É o chefe bonzinho. Os líderes democráticos são fãs da participação da sua equipe. Eles gostam de receber sugestões dos liderados e estimulam-nos para que assim o façam. Além disso, gestores com tal perfil são muito preocupados com a satisfação e o bem-estar do time.

Geralmente ocupam setores de pouco prestígio na instituição, e quando começam a mostrar serviço são imediatamente trocados por um idiota disrruptivo. Depois reinicia-se o ciclo com um novo líder democrático. 

É isto aí!

sexta-feira, 30 de abril de 2021

Das palavras mal ditas

 


Decidiu voltar

deu meia volta

estava decidido

retornar ao ciclo

da comunhão 

com ela, para ela


Desistiu de voltar

volta e meia recuada

estava indeciso

pelas palavras ditas

mal proferidas

por ela, per se.


Decidiu voltar,

seguiu pela diagonal

estava perdido

ao amar o olvido

perdeu a vida

sem ela para si


É isto aí!!


Créditos da foto: Deborah Kerr e Van Johnson no filme The End of the Affair
The End of the Affair é um filme de drama britânico-americano lançado em fevereiro de 1955, foi dirigido por Edward Dmytryk, baseado no livro/romance de Graham Greene de 1951 com o mesmo nome. O filme é estrelado por Deborah Kerr, Van Johnson, John Mills e Peter Cushing.




quinta-feira, 29 de abril de 2021

Um dia normal de votação no Congresso da Pitangueira


- Pelos poderes por mim e a mim constituídos, declaro aberta a sessão. 

- Senhor presidente da mesa, este senhor que se apossou do microfone, sem mérito, é nóxio ao ambiente, um abantesma para a nossa sociedade, solicito pois que o serviço de segurança interna o retire, fazendo uso, se necessário, dos moldes da força de expressão.

- Um aparte, presidente, já que fui citado por este bonifrate...

- Questão de ordem.

- Aqui, senhor presidente, este aparte deve ser impugnado pelo volume da obra concupiscente deste senhor.

- Questão de Ordem, senhor presidente. Tenho esta prerrogativa...

- Olha, só, Vossa Excelência, o peralvilho do Congresso clamando por prerrogativas.

- Senhor Presidente, não bastava termos um dendroclasta do mau ambiente, que é parte interessada na aprovação deste projeto - sic - presente no recinto, ainda temos que aturar esta trupe de espurcícia venal? Nós somos o povo aqui, vamos nos ater à pauta, à verdade e à democracia.

- Se continuarem a tumultuar, terei que suspender a sessão.

- Questão de ordem, senhor presidente, enquanto estes futres de rapina permanecerem no recinto, não temos como dar prosseguimento.

- Com a palavra a representante da minoria da comunidade das mulheres eleitas.

- Questão de ordem, senhor presidente, esta grasnadora não é digna de colocar seu salto agulha neste tapete. 

- Salto agulha eu uso nos pés, já vossa excelência aprecia por outras necessidades, não é, vossa excelência?!?! Seu histrião caquético.

- Ora, ora, a nobre legisladora está se saindo uma digna representante da zoantropia nacional.

- Silêncio... ordem ... mais um desvio e encerro os apartes.

- Senhor presidente, posso falar?

- Tem a palavra o líder da bancada da língua pátria.

- Um aparte, senhor presidente, este líder não passa de um intrujão golpista. Seu nicho é a bancada apátrida, reconhecidíssima e abonadíssima pelo seu vício xenômano.

- Protesto!!! Eu, como se diz na língua nativa ... OMG, esqueci ...

- Questão de ordem, senhor presidente, Vossa Excelência não deveria abrir apartes para jacobeus e liliputianos traidores da família, da moral, da igreja e da propriedade.

- Quem vossa excelência pensa que é, exatamente,  para ditar normas aqui dentro? Seu ... seu ... seu misólogo.

- Discutida a matéria, pelos poderes por mim e a mim constituídos, vamos colocar em votação:

Os que aderem permaneçam como estão. Aprovado sem alterações o projeto de lei PL2698, que cria a obrigatoriedade de instalação imediata de Porteiras de Madeira de Reflorestamento, reforçadas com a exclusiva tramela Tabajara, segura e inoxidável, nos portos, postos alfandegários e aeroportos da grande nação guarani / tupi / guajajara / tupinambá / krenake / aimoré e todos os demais que Tupã guarda e protege. 

É isto aí!


segunda-feira, 26 de abril de 2021

You Always Hurt The One You Love



Such a beautiful Soul sound that melts you into the music.  
Join me.....
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Production @streetsofsoul

Desiderata (Um caminho para a vida) (Max Ehrmann)


Alto lá
Este poema não é meu
Confesso que copiei e colei
Autor: Max Ehrmann
Tradução: Iva Sofia Gonçalves Lima
Editora Sextante, 2006 (Max Ehrmann, Desiderata, Copyright 1952).
Fonte: Revista Prosa Verso Arte
Fonte da imagem: Kritika Mishira - Happyness


“Desiderata: um caminho para a vida”. 

Siga tranquilamente entre a pressa e a inquietude, 
lembrando-se que há sempre paz no silêncio.
Tanto quanto possível, sem se humilhar, 
mantenha boas relações com todas as pessoas.
Fale a sua verdade mansa e claramente 
e ouça a dos outros, mesmo a dos insensatos e ignorantes, 
pois eles também têm sua própria história.

Evite as pessoas escandalosas e agressivas. 
Elas afligem o nosso espírito.
Se você se comparar com os outros, 
tornar-se-á presunçoso e magoado, 
pois haverá sempre alguém superior e alguém inferior a você.
Você é filho do Universo, irmão das estrelas e árvores. 
Você merece estar aqui, e mesmo sem você perceber, 
a Terra e o Universo vão cumprir o seu destino.

Desfrute das suas realizações, bem como dos seus planos. 
Mantenha-se interessado em sua carreira, 
ainda que humilde, pois ela é um ganho real na fortuna cambiante do tempo.
Tenha cautela nos negócios, pois o mundo está cheio de astúcias, 
mas não se torne um cético porque a virtude sempre existirá. 
Muita gente luta por altos ideais e em toda a parte a vida está cheia de heroísmo.

Seja você mesmo, principalmente. 
Não simule afeição. 
Não seja descrente do amor, 
porque mesmo diante de tanta aridez e tanto desencanto 
ele é tão perene quanto a selva.

Aceite com carinho o conselho dos mais velhos 
e seja compreensivo com os arroubos inovadores da juventude.
Alimente a força do espírito que o protegerá no infortúnio inesperado, 
mas não se desespere com perigos imaginários. 
Muitos temores nascem do cansaço e da solidão, 
e a despeito de uma disciplina rigorosa. 
Seja gentil para consigo mesmo.

Portanto, esteja em paz com Deus como quer que você o conceba 
e quaisquer que sejam seus trabalhos e as aspirações. 
Na fatigante confusão da vida, 
mantenha-se em paz com sua própria alma, 
apesar de todas as falsidades, fadigas e desencantos. 
O mundo ainda é bonito.

Seja prudente e faça tudo para ser feliz!


DESIDERATA

Go placidly amid the noise and haste,
and remember what peace there may be in silence.
As far as possible without surrender
be on good terms with all persons.
Speak your truth quietly and clearly;
and listen to others,
even the dull and the ignorant;
they too have their story.

Avoid loud and aggressive persons,
they are vexations to the spirit.
If you compare yourself with others,
you may become vain and bitter;
for always there will be greater and lesser persons than yourself.
Enjoy your achievements as well as your plans.

Keep interested in your own career, however humble;
it is a real possession in the changing fortunes of time.
Exercise caution in your business affairs;
for the world is full of trickery.
But let this not blind you to what virtue there is;
many persons strive for high ideals;
and everywhere life is full of heroism.

Be yourself.
Especially, do not feign affection.
Neither be cynical about love;
for in the face of all aridity and disenchantment
it is as perennial as the grass.

Take kindly the counsel of the years,
gracefully surrendering the things of youth.
Nurture strength of spirit to shield you in sudden misfortune.
But do not distress yourself with dark imaginings.
Many fears are born of fatigue and loneliness.
Beyond a wholesome discipline,
be gentle with yourself.

You are a child of the universe,
no less than the trees and the stars;
you have a right to be here.
And whether or not it is clear to you,
no doubt the universe is unfolding as it should.

Therefore be at peace with God,
whatever you conceive Him to be,
and whatever your labors and aspirations,
in the noisy confusion of life keep peace with your soul.

With all its sham, drudgery, and broken dreams,
it is still a beautiful world.
Be cheerful.
Strive to be happy.

– Max Ehrmann, em “Desiderata: um caminho para a vida”. [tradução Iva Sofia Gonçalves Lima]. Edições de Bolso. Rio de Janeiro: Editora Sextante, 2006. (Max Ehrmann, Desiderata, Copyright 1952).


Max Ehrmann 

*Max Ehrmann nasceu em 26 de setembro de 1872, em Terre Haute, Indiana. Formou-se na Universidade DePauw em Greencastle, Indiana, onde tornou-se o redator-chefe da revista DePauw Weekly. Em 1894, ingressou na Faculdade de Filosofia da Universidade de Harvard, especializando-se em Direito e Filosofia. Por um bom tempo, exerceu as funções de advogado e escritor. O resultado da dupla jornada deixou-o doente, com febre tifóide. Durante sua convalescença, escreveu A Prayer (Uma Prece), que, tal como Desiderata, mais tarde iria se tornar uma mensagem de esperança para milhares de pessoas.

Em 1912, Ehrmann abandonou o Direito e dedicou-se inteiramente à literatura. Morando em um apartamento de três cômodos, passou os últimos 33 anos de sua vida como poeta e filósofo. Aos 55 anos, escreveu o ‘Desiderata’, que despertam os melhores sentimentos de cada um.

Fonte: Sextante editora


Física Quântica - A Interpretação de Muitos Mundos em 9 passos




Fonte da Gravura: Revista Barril
Autor: Milton Mastabi  

Fonte da Matéria: hyperscience.com 
Autora: Gabriela Mateos




Fonte da Gravura: supervault.com.br
Temática - Dark/Netflix

Nota do Blog do Reino da Pitangueira - Este texto abaixo foi em publicado em 2015 e explica DARK, lançado pela Netflix em dezembro 2017 (será que a moça viajou até 2017 e voltou em 2015 para escrever o roteiro?)
 
A Interpretação de Muitos Mundos 

De acordo com a “interpretação de muitos mundos” (IMM) da física quântica, vivemos em uma rede infinita de linhas de tempo alternativas. Essa obviamente é uma afirmação grave que carrega uma bagagem bastante científica, filosófica e existencial.

Para você entender melhor do que tudo isso se trata, reunimos aqui o que me parecem ser as nove mais estranhas possíveis implicações dessa teoria engenhosa.

De acordo com uma hipótese planejada pelo físico quântico Hugh Everett, vivemos em um universo – ou mais precisamente um multiverso – onde cronogramas estão constantemente se ramificando e criando mundos distintos e coerentes, cada um experimentado por uma versão diferente de você.

Os físicos quânticos têm usado a IMM para conciliar uma lacuna desconfortável da “interpretação de Copenhague”, que é a afirmação de que um fenômeno não observado pode existir em estados duplos. Então, ao invés de dizer que o gato de Schrödinger é vivo e morto, os defensores da IMM diriam que o gato simplesmente “se ramificou” em dois mundos diferentes: um em que ele está vivo e outro em que ele está morto.

Cerca de 60 anos após ter sido concebida pela primeira vez, a IMM continua a ser um assunto altamente controverso. Em uma pesquisa feita entre físicos quânticos em 2013, apenas um quinto deles disse que assinam embaixo da IMM (em comparação com 42% que preferem a interpretação de Copenhague).

Dito isso, a lista de pensadores que se dizem favoráveis à interpretação de muitos mundo é impressionante, e inclui pensadores eminentes como o físico quântico David Deutsch, o cientista da computação teórica Scott Aaronson e o físico Sean Carroll.

Independentemente de como essa teoria se destaca, é certamente interessante pensar sobre suas implicações. A gente nem começou e a minha cabeça já deu um nó!

A física quântica acabou de ficar menos complicada

1. Nós vivemos em um multiverso de proporções gargantuescas

É muitas vezes tido como certo pelos cosmólogos que o mundo que observamos é único – daí o “uni” no universo.

Ruminações de multiversos já foram consideradas uma heresia científica, mas está parecendo cada vez mais provável que sejam verdade. Na verdade, a sugestão de que existe uma multiplicidade de universos foi posta por um número de cientistas e metafísicos bastante renomados.

A afirmação principal do IMM é que toda a existência é composta por uma superposição quântica de um número incontavelmente grande – ou até mesmo infinito – de universos. Se esta interpretação da existência é verdade, então deve haver um número absolutamente surpreendente de mundos alternativos.

E, consequentemente, mais chances de existir vida lá fora.

2. A única narrativa da sua vida é uma ilusão

A IMM também perturba a nossa noção de individualidade. Todos nós experimentamos nossas vidas como uma viagem coerente e discreta através do que parece ser o espaço e o tempo. Na realidade, porém, o auto é um conjunto em expansão exponencial de casos que estão ramificando-se de momento a momento. Como resultado, não devemos pensar em nós mesmos como indivíduos, mas como multiplicidades.

A razão para essa ilusão é que várias experiências não podem ser observadas, por isso ficamos com a impressão de que nós somos apenas uma única pessoa. Agora, isso não quer dizer que nossas experiências de realidade não são de alguma forma reais ou verdadeiras. Elas são. Nós apenas temos que reconhecer – via a Interpretação de Muitos Mundos – que nossas vidas não são exatamente o que parecem ser.

De repente, me sinto como uma personagem do filme Interestrelar. Que, aliás, se você não assistiu, deveria.

E se… a física quântica funcionasse em nível macroscópico?

3. Existem versões incontáveis de você

Se a IMM for verdade, então deve haver um número quase infinito (ou infinito mesmo) de versões de você, e cada uma experimenta o mundo como indivíduo distinto e alheio a você e aos outros.

Consequentemente, o volume de caminhos alternativos de vida tem que ser incrivelmente grande. Desde o nascimento, você – ou o que você acha que é você – ramificou-se em mundos diferentes, com cada superposição de passagem. O conjunto completo de “você” é como um sistema radicular maciço que está crescendo exponencialmente, de forma que cada raiz representa um novo cronograma.

Como a IMM implica na variabilidade constante com base em probabilidades, cada nova instância de você deve ser diferente, observando-se um mundo em que um resultado alternativo tem acontecido.

Há versões de você que ainda estão com seus ex-pares românticos. Muitos de seus eus alternativos são mais felizes e mais bem sucedidos do que você é, e vice-versa. Também deve haver versões de você que já morreram, ou que sofreram a morte de um ente querido que ainda está vivo em seu mundo atual. Pode até haver versões “malvadas” de você, a la Star Trek. As possibilidades são praticamente infinitas, desde que os fundamentos da física não sejam violados.

Física quântica: será que ela governa a nossa vida?

4. Você ainda tem o livre-arbítrio

Tendo em conta que todas as decisões possíveis serão feitas por diferentes versões de você, a IMM torna difícil conciliar a questão do livre-arbítrio. Se todas as opções de escolha são selecionadas em mundos alternativos, então por que passar por todos os problemas de pesar todas as evidências antes de escolher? O destino coletivo de nossa totalidade, ao que parece, já foi determinado.

Mas, como especialista Michael Clive Price explica, enquanto todas as decisões são realizadas, algumas são realizadas com mais frequência do que outras. Em outras palavras, cada ramo de uma decisão tem o seu próprio “peso” que é fazer cumprir as leis usuais da estatística quântica.

Além disso, a IMM implicaria em um certo indeterminismo da existência, ainda que de forma intuitiva. Sempre nos perguntamos: “Eu poderia ter escolhido um rumo diferente na vida?”. A IMM implica fortemente que a resposta é definitivamente sim.

Além do mais, não só poderia ter escolhido um curso de ação diferente, como uma versão alternativa do que você realmente fez! Quanto ao porquê de você escolher de forma diferente, ou porque você se saiu de uma certa maneira em uma prova ou sei lá, tudo se resume à forma como os eventos quânticos na escala clássica são afetados – incluindo as cogitações do seu cérebro.

5. Deve haver algum mundo muito estranho lá fora

A IMM leva necessariamente a algumas possibilidades muito bizarras.

Mais uma vez, todas as ramificações dessa ideia são TEORICAMENTE possíveis, desde que sejam prováveis e não violem as leis da física. É importante notar, no entanto, que, dado o espaço de todos os mundos possíveis, é muito mais provável que você se encontre nos mais prováveis e aparentemente racionais dos mundos, porque eles aparecem com os mais elevados graus de frequência (e por várias ordens de magnitude).

Mas haverá alguns mundos em que coisas altamente improváveis devem acontecer. Por exemplo, se uma pessoa jogasse uma moeda para cima 1.000 vezes, deve haver um mundo em que a pessoa tira “cara” 1.000 vezes em sequência.

Além disso, deve haver um mundo lá fora onde alguém sempre aposta corretamente nos resultados de jogos esportivos, por exemplo.

Mais radicalmente, uma pessoa sem formação musical alguma podia sentar-se na frente de um piano e imediatamente começar a tocar o 3º Concerto de Rachmaninoff do início ao fim, incluindo todas as dinâmicas necessárias.

Em tal cenário, cada resolução de resultados de superposição em um determinado estado cerebral produz os movimentos corretos. As chances de isso acontecer, no entanto, estão além da escala astronômica e envolveria um terrivelmente pequeno subconjunto de todos os universos possíveis.

É aqui que muitos céticos traçam a linha dessa interpretação, argumentando que esses cenários são tão ridículos que quase parecem provar que a IMM não pode ser verdade.

6. Você é imortal… Ou quase

Isto é o que é referido como o suicídio quântico.

Imagine um cenário em que uma pessoa joga roleta russa com balas colocadas em metade das câmaras. Nesta superposição, cada rodada da câmara deve redefinir as chances de essa pessoa se matar em 50/50. Mas a IMM nos diz que deve haver um mundo em que a pessoa nunca atira em si mesma, mesmo depois de, digamos, 50 rotações da arma.

Embora as chances de isso acontecer sejam de uma em um quatrilhão, a interpretação de muitos mundos nos diz que isso deve acontecer em algum lugar, sim! Loucura total, não?

Curiosamente, o físico Max Tegmark diz que este experimento em particular realmente pode servir como prova de que a IMM é verdade, embora, necessariamente, teria que acontecer a morte em inúmeros casos apenas para que um experimentador sortudo sobrevivesse.

Outra visão sobre a imortalidade quântica é a afirmação de que uma versão de nós deve sempre estar por perto para observar o universo. Paul Halpern, autor do livro “Einstein’s Dice and Schrödinger’s Cat”, coloca desta forma: “E sobre a sobrevivência humana? Somos uma coleção de partículas regidas no nível mais profundo por regras quânticas. Se cada vez que uma transição quântica tomasse lugar, nossos corpos e divisão da consciência, haveria cópias que experimentaram cada resultado possível, incluindo as que possam determinar a nossa vida ou morte. Suponha que em um caso um determinado conjunto de transições quânticas resultou na divisão celular com defeito e, finalmente, uma forma fatal de câncer. Para cada uma das transições, haveria sempre uma alternativa que não levaria ao câncer. Portanto, haveria sempre ramos com sobreviventes. Se nossa percepção consciente flui apenas nas cópias vivas, nós poderíamos sobreviver a qualquer número de eventos potencialmente perigosos relacionados com transições quânticas”.

Dito isto, os eventos quânticos devem obedecer às leis de conservação, de modo que provavelmente haverá situações em que não há como escapar das regras da natureza.

Gato de Schrӧdinger é domado e pode ser usado em um novo tipo de computador quântico

7. A comunicação entre mundos paralelos pode ser possível

Em 1995, o físico quântico Rainer Plaga propôs um teste experimental da IMM no qual ele descreve um procedimento para a troca de informações e energia “intermundos”, ou seja, “acoplamento fraco”.

Ao utilizar equipamento óptico quântico padrão, um único íon pode ser isolado a partir do seu ambiente em uma armadilha de íons. Uma medição de mecânica quântica, então, seria feita com dois resultados separados realizados em outro sistema, o que resultaria na criação de dois mundos paralelos.

Dependendo do resultado, um íon deve ser excitado em apenas um destes mundos paralelos antes do íon decorrer através da sua interação com o ambiente.

Plaga argumenta que devemos ser capazes de detectar essa excitação no outro mundo paralelo, o que posteriormente forneceria provas para corroborar a IMM – e um caminho potencial para enviar as informações para uma realidade paralela.

É difícil saber o quão detalhada essa informação poderia ser, ou se isso significaria alguma coisa para o receptor. É uma ideia fascinante a especular sobre as potenciais implicações de comunicação intermundos.

8. Não existem paradoxos sobre viagens no tempo

Muito simples: a presença de mundos alternativos significa que não há uma única linha de tempo para ser estragada.

Se uma pessoa fosse voltar no tempo, ela iria apenas detonar uma inteiramente nova rede de cronogramas. A IMM sugere que paradoxos – como voltar no tempo para matar alguém – não são nada para se preocupar.

9. Tudo já aconteceu, e vai acontecer novamente

A coisa mais engraçada sobre o conjunto completo de mundos infinitamente variáveis é que tudo já aconteceu.

E não é só isso: tudo o que já foi feito vai acontecer de novo um número infinito de vezes. Assim como Bill Murray no clássico filme “O Feitiço do Tempo” (no original, “Groundhog Day”), de 1993, o dia atual será experimentado por você mesmo mais algumas vezes. Incalculáveis vezes. [io9]