sábado, 22 de maio de 2021

O vôo da Águia


Atenção
O texto e o vídeo abaixo não são meus
Confesso que copiei e colei
Autora: Psico-coach Bárbara Santos 
Postado no Youtube em 17/fevereiro 2020 - Arquétipo da Águia Gerador de Dopamina


A Águia é um dos arquétipos mais poderosos que existem na natureza.

Ao entrar na energia desse arquétipo você receberá em seu organismo uma onda de informação poderosíssima de força, coragem, realização, determinação, foco, presença, estratégia, persistência, renovação ao meio do ciclo de vida, além de muitos outros. 

 A principal função ao meu ver com o uso desse arquétipo se inclina para a produção de Dopamina, que é um neurotransmissor responsável por diversos sentimentos positivos em nosso organismo, isso inclui o controle do nosso humor, ativa nossa cognição provocando um aumento de concentração e assim melhora a nossa possibilidade de memorizar, o prazer em realizações pela tomada de atitudes antes difíceis de serem tomadas por nós, também é um ponto alto para quem entra no campo do arquétipo da águia. 

O prazer pela conquista, a motivação para prosseguir e buscar novos horizontes estratégicos para atuação, a visão a longo alcance e a precisão necessária para a hora da tomada da decisão conjuntamente com os demais gatilhos de ação incorporados por esse arquétipo trazem para quem experimenta e vivencia esse arquétipo sensações únicas de crescimento e muito sucesso em todos os sentidos: prosperidade financeira, relacionamentos afetivos duradouros, dentre muitos outros pontos positivos. 

A única cautela aqui que deve-se ter é com o exagero do contato com esse arquétipo que pode na desproporcionalidade gerar um desequilíbrio que o fará exceder em determinados comportamentos provocando uma atitude egoísta, solitária, gananciosa e dominadora para quem esta no campo desse arquétipo fazendo o uso desequilibrado dessa energia. 

Os relatos de pessoas que perderam seus empregos, terminaram relacionamentos, perderam amigos que vibravam em contradição com essa energia são realmente significativos. Portanto, cautela é necessário. Estudar mais sobre esse arquétipo também! No campo da expansão da consciência, o salto é gigantesco. 

Contudo, esse arquétipo é para contato pessoal, nunca deve ser muito exposto a não ser que se tenha certeza do que sua reação poderá provocar naquela circunstância.




sexta-feira, 21 de maio de 2021

Paulinho Moska e Vander Lee - Zoombido - Românticos



Paulinho Moska e Vander Lee - Zoombido - Românticos (2006)


Direção: Pablo Casacuberta

Gravação e mixagem de audio: Nilo Romero

Os áudios da série foram extraídos das gravações de “Zoombido", programa que foi apresentado por Paulinho Moska no Canal Brasil. 

Parceria da MP ENTRETENIMENTO com o Canal Brasil e distribuição digital da ONErpm.

Palavras do Paulinho Moska: 

O saudoso cantautor mineiro Vander Lee foi o primeiro artista a gravar um episódio do Zoombido na primeira temporada em 2006. Podemos considerá-lo um padrinho/piloto da série porque todas as ideias que pensamos e realizamos com ele permaneceram no formato do programa até o episódio 276, onze anos depois. Ele foi uma espécie de "benção" inicial. 

Na sua infância Vander Lee escutava rádio o tempo inteiro. O pai tocava violão, a mãe cantava em casa. Quando começou a tocar logo se interessou a brincar de fazer versões de músicas originais em inglês, o que serviu pra desenvolver suas primeiras letras em português. 

Apaixonado pelo ato de compor, me disse que a música era como se fosse um "outro eu" que conversa com ele. Se sentia um cronista popular que aprendia muito nas conversas de boteco. Gostava de tocar violão vendo televisão sem som... a imagem "influenciava" os dedos. Me disse que achava que estava sempre fazendo a mesma música e essa falta de resolução era o que o movia. A sensação que sentia quando cantava era de vôo, de flutuação. 

Obrigado por esse momento no Zoombido, amigo querido. Você faz muita falta. Cantar "Românticos" no nosso dueto foi e ainda é muito emocionante pra mim. Que bom que temos suas canções para abraçar.”


Românticos (Letra e Música - Vander Lee)

Românticos são poucos
Românticos são loucos desvairados
Que querem ser o outro
Que pensam que o outro é o paraíso

Românticos são lindos
Românticos são limpos e pirados
Que choram com baladas
Que amam sem vergonha e sem juízo

São tipos populares
Que vivem pelos bares
E mesmo certos vão pedir perdão

Que passam a noite em claro
Conhecem o gosto raro
De amar sem medo de outra desilusão

Romântico é uma espécie em extinção
Romântico é uma espécie em extinção

Românticos são poucos
Românticos são loucos desvairados
Que querem ser o outro
Que pensam que o outro é o paraíso

Românticos são lindos
Românticos são limpos e pirados
Que choram com baladas
Que amam sem vergonha e sem juízo

São tipos populares
Que vivem pelos bares
E mesmo certos vão pedir perdão

Que passam a noite em claro
Conhecem o gosto raro
De amar sem medo de outra desilusão

Romântico é uma espécie em extinção
Romântico é uma espécie em extinção

Românticos são poucos
Românticos são loucos como eu
Românticos são loucos
Românticos são poucos como eu, como eu

Fonte: LyricFind

Compositores: Vanderli Catarina

Letra de Românticos © Deck Produções Artísticas Ltda.

Paulinho Moska / Casuarina - Cabelos Brancos

 


Fonte: Casuarina/Paulinho Moska - Cabelos Brancos

Vídeo Exclusivo - Sony Music Brasil 09/janeiro/2010

Música - Cabelos Brancos

Autores - Herivelto Martins e Marino Pinto

Cabelos Brancos

Não falem desta mulher perto de mim

Não falem pra eu não lembrar da minha dor

Eu já fui moço, já gozei a mocidade

Se me lembro dela, me dá saudade

Por ela vivo aos trancos e barrancos,

Respeitem ao menos os meus cabelos brancos


Ninguém viveu a vida que eu vivi

Ninguém sofreu na vida o que eu sofri

As lágrimas sentidas

E o meu sorriso franco

Refletem-se hoje em dia

Nos meus cabelos brancos

E agora em homenagem ao meu fim

Não falem desta mulher perto de mim


quinta-feira, 20 de maio de 2021

Classificados do Diário Real da Pitangueira (Edição da Tarde)




Vende-se um Sonho.
Todo em detalhes luxuosos, com um sobrado elegante, tapetes persas, móveis em madeira de lei, luxuosos lustres de cristal, cozinha moderna toda  jardim florido, felicidade, paz e elegância. Somente não estarei incluída se você for ex.

Alugo pela melhor oferta.
Alugo piadas prontas, destas que não precisa se lembrar depois. Tenho piadas familiares, infanto-juvenis, adultas e pornográficas. Todas com garantia de origem e selo de qualidade. Temos também textos de improviso para situações previstas.

Vendo ou troco por melhor oferta.
Vendo 120 pombos em habitat natural, de cores variadas. Custo zero de manutenção. Entrega em toda  a região. Formam uma linda paisagem ao entardecer, sobre os fios da rede elétrica. Geram uma boa quantidade de material orgânico excelente para adubação de plantas nativas, preferencialmente as gramíneas selvagens. Aceito Fusca no negócio.

Vendo ou alugo ou empresto 
Um FIAT 147, no estado atual. Não aceito reclamações posteriores. Não tem muito arranhão, não tem muitos amassadinhos, não tem muitas trincas na lataria, não tem muita ferrugem, não tem muitos remendos nos pneus, não tem estepe, não tem CD/DVD/Multimídia. Não tem vidro elétrico, não tem farol de milha, não tem chave para as portas (tem um excelente sistema de trinco alemão, individual e dessincronizado). Muito bonito. Cor Azul Celeste original

Procuro para casamento
Moça solteira, se for bonita, moça viúva se for rica.

Perdi meu amor
Recomendo a quem souber o paradeiro que me avise para evitar o trajeto. Perdi, está perdido e não tenho o menor interesse de encontrar o traste de novo. Favor não devolver na porta.

Vendo apartamento blend conceitual - excelente local, ambiente de família 
É um moderníssimo quarto/banheiro/área de serviço conjugado, com o toque de requinte de área vip compartilhada, de sala e copa, com os outros três apartamentos do andar. Vista definitiva para os fundos da Padaria do Prata. Garagem externa, aproveitando o glamour da Alameda do Solapino. Play ground com capacidade para duas crianças e uma acompanhante uniformizada, por vez, em horários acordados na Convenção de Condomínio.

Vendo Carne bovina e suína 3D 100% natural
Produzida assepticamente em impressão 3D, por FDM (modelagem por fibras e derivados), este nutritivo alimento  funciona basicamente através da adição de fibras musculares sobrepostas. Os músculos são impressos camada por camada até ser moldado a forma final. Inédito, de excelente valor nutritivo, sem gorduras, nervuras e contaminações cruzadas. Aqui você paga pela qualidade. Entregamos em toda a região. Somos fornecedores exclusivos da Associação Mundial dos Astronautas em Marte  (AMAM), filiada à Nutricione Autentic Solamente Astronautikas (NASA)  

Vendo contas sem aval
Todas são legítimas, com notas sociais publicadas provando que venceram títulos. Estas contas são grandes  campeãs em todos os níveis, mesmo com protestos. Temos contas alienadas, com excelente massa falimentar. Temos também multas por litigância de má-fé em embargos de terceiros. Dispenso curiosos. Pagamento à vista, em espécie, sem intermediários.

Serviços Gerais
Lavo muito bem, passo maravilhosamente, cozinho divinamente, piloto moto, dirijo carro de passeio, caminhonete e furgão. Passaporte em dia. Entendo de finanças, domino matemática financeira, planilha excel. Falo leio e escrevo fluentemente português, alemão e inglês. Sou carinhosa, meiga e enóloga. Tenho cultura geral vasta e não preciso de salário, já que sou empresária executiva bem sucedida. Aos interessados, mandar de próprio punho uma carta falando sobre os três últimos livros que leram. Ao vencedor basta um contrato realizado em Cartório de Registro Civil, em processo realizado por juiz de paz, na presença de testemunhas. Dispenso curiosos.

É isto aí!






Desculpe o transtorno!!!!

 


Prezado/a leitor/a que navega por este Reino da Pitangueira,

O Blog, como pode perceber, inclusive lendo esta carta na data de hoje, passou por uma manifestação dos tempos modernos e precisou fechar para balanço. A princípio seria por dez dias, mas amanhã, 21 de maio, retornaremos, afinal toda tempestade uma hora acaba.

Não foi ataque político, ideológico ou partidário, antes que se sinta interessado/a em saber. Foi uma tentativa de alcançar dados, ou algo parecido, mas o mais importante, suponho, seria alcançar dados. Tomamos as providências necessárias, além dos cuidados já pré-estabelecidos.

Viver nas ruas altas horas era perigoso, depois foi sendo ampliado, depois foi invadindo as redes, enfim, o mal é mutante e nunca dorme. Mas eu durmo bem prá caramba, pois sei que é impossível fechar todas as portas, então faço o que posso, o que não posso, Deus no comando.

Bem, amanhã, bem cedo, de volta ao Reino, e aguardo não termos mais nenhuma surpresa nas próximas horas/dias..

É isto aí!

quarta-feira, 19 de maio de 2021

Sobre a lei natural das fotos



Deve haver
ou deveria
uma lei simples 
natural e legal
que 
garantisse ter 
ou assegurasse
ao crédulo devoto
portar fotos
amarrotadas
dentro da
carteira velha
que 
valessem a pena
sonhar com ela
e até prever
os molhados beijos  
que 
quer no desejo
desnudado da dor
do arraigado pejo
quer no ato impudico
do amor pleno
dar e receber
e dizer sem pudor
eu amo você

É isto aí!

Sobre a imagem:  
Fonte: Gustav Klimt 

“O Beijo”, obra executada em óleo sobre tela em 1907-1907, mede 180×180 centímetros;

O artista austríaco Gustav Klimt fez parte do movimento artístico denominado Secessionista e é considerado um pintor precursor do Simbolismo. Klimt foi o primeiro presidente do grupo da Secessão de Viena, formado por artistas que romperam com os padrões artísticos tradicionais da época, indo oposto do realismo, naturalismo e ao positivismo, sendo movido pelos ideais românticos.

terça-feira, 18 de maio de 2021

Moça linda bem tratada, (Mário de Andrade)



Moça linda bem tratada,
Três séculos de família,
Burra como uma porta:
Um amor.

Grã-fino do despudor,
Esporte, ignorância e sexo,
Burro como uma porta:
Um coió.

Mulher gordaça, filó,
De ouro por todos os poros
Burra como uma porta:
Paciência...

Plutocrata sem consciência,
Nada porta, terremoto
Que a porta do pobre arromba:
Uma bomba.

Mário de Andrade

A ponta da cidade e o campo limpo.



O circo estava sendo montado na Ponta da Cidade, no sentido da Mata do Boi, entre o Rio do Peixe e a Praça Abandonada. Antigamente a cidade era lá na ponta, mas aconteceram coisa tristes muitas vezes por lá e as pessoas foram saindo para o Lado Limpo. Assim, a cidade ficou com duas referências geográficas bem determinadas - a Ponta da Cidade e o Lado Limpo. A Ponta foi abandonada e o Lado Limpo viu crescer uma simpática e eternamente pequena cidadezinha do interior.

Nasci na Ponta da Cidade, numa casa simples, com parteira e água na bacia. Crescemos um amontoado de crianças felizes, até que um dia a fábrica fechou, vieram as máquinas e destruíram tudo. Algumas máquinas sem olhos e sem modos  atingiram algumas pessoas, como meu pai, por exemplo. É tudo que lembro da Ponta da Cidade.

A Mata do Boi era o local onde a gente catava lenha na adolescência e caçava uns coelhos para reforçar a canja. Um dia vieram e cercaram a mata toda, pessoas de muitas ferramentas de lançamento de projéteis de vários tamanhos apareceram. Eram surdos e mudos, andavam em bando dia e noite. De longe ouvíamos as máquinas roncando, zoando, e à noite passos pesados, até que a mata acabou. Hoje tem umas aroeiras, capim  e pronto.

A Praça Abandonada ficou sendo o depósito das máquinas que vieram. Foram enferrujando e destruindo a praça, o parque e as tardes de domingo. Virou o habitat de pessoas estranhas ao nosso convívio, de hábitos peculiares, digamos assim. Virou a Praça Proibida.

O Rio do Peixe foi secando, secando, até que um dia nas andanças da juventude descobrimos que havia sido desviado para outras terras de outras pessoas que não gostam de conversar com quem perdeu o que a natureza deu de presente. Vi muitos daqueles homens surdos/mudos naquelas bandas, naqueles dias de longos invernos.

O Lado Limpo era chamado assim por causa do descampado, para onde correram os sobreviventes das dores daqueles outonos. Saí do Lado Limpo no findar da juventude, fui para a capital, e me fiz uma pessoa bem sucedida. Estou voltando para rever alguns amigos, passados vinte anos e chego no meio de uma cena já marcada a ferro e fogo na infância. Máquinas avançam sobre tudo e todos no Campo Limpo. 

É isto aí!


 

segunda-feira, 17 de maio de 2021

A bicicleta era dela!!!

Naquela tarde trazia comigo apenas mais uma versão de desânimo. Não era a melhor versão, mas a que acreditava que seria a única. Cheguei no endereço depois de andar duas horas. Encostada na parede uma bicicleta que sempre sonhei. Entrei, conforme fui orientado, e era uma casa bem simples, chão batido, dois bancos de madeira, toscos, enfileirados, uma mesa velha e manca. No canto, sobre uma bancada, um filtro de barro. quatro canecas de alumínio esmaltado e uma vela acesa. No final da pequena sala, numa cadeira, na penumbra, uma mocinha nervosa, de cabeça baixa, apertando os dedos, unindo as mãos e olhando para o vazio do piso.

Tentei puxar conversa, mas arredia, ela se esquivou de qualquer aproximação e sequer levantou o rosto, coberto. Vestia um vestido simples de bolas, de algodão, sem manga, sem decote ousado ou comprimento que permitisse ver acima do joelho. Tudo muito discreto, mas tinha uma aura, um ar de nobreza destes que encanta.

A porta feita de tábuas irregulares rangeu, saiu de lá um homem chorando, cabisbaixo. Uma voz firme falou alto, mansamente, sem gritar - entra a moça. Engraçado era que a porta era irregular, mas não se ouvia nenhuma conversa lá dentro. Reparei que a vela apagava e acendia de uma forma estranha, sem um padrão de tempo. Tirando isto, um silêncio esquisito, e o celular sem sinal. Acho que cochilei. 

Senti que alguém tocou levemente meu ombro, por trás, e apontou para a porta de tábuas irregulares - entra o moço. Entrei. A senhora era alta, morena, de voz grave suave. Usava um vestido largo e um lenço, talvez de seda, pelo menos pareceu-me, elegantemente tramado no cabelo. Não sorriu, não disse nada, apenas apontou para uma cadeira onde eu deveria sentar. Ficou em pé e lembro dela ter colocado o dedo indicador no meio da minha testa.

Depois disto nos deslocamos para um descampado, onde podia ver ao longe pessoas felizes, que cantavam, brincavam e divertiam-se em suas roupas coloridas. Voltei os olhos para ela, estava sentada à minha frente. Não disse nada. Novamente colocou o dedo indicador na minha testa e vi coisas, pessoas, eu morando numa cidade bonita, num casa imensa, feliz, uma mulher linda ao meu lado, não conhecia o lugar nem a cidade, mas era uma cidade de média para pequena. 

Vi muita riqueza, detalhes da casa, dos carros, minha roupa era muito cara , daí fui tragado para um local com uma casa muito simples, bem cuidada, e a mesma mulher ao meu lado. Estava com uma roupa surrada, limpa, mas bem batida. Voltei à cadeira. Uma voz ecoou dentro de mim - primeiro viu o que virá depois de aceitar a segunda visão. Acredite, será um longo caminho, será com honestidade e perseverança ao lado da companheira que terá ao seu lado. Terá que encontra-la - seu coração dirá quem é. 

Ela bateu levemente uma palma e voltamos à sala da porta de tábuas irregulares. Levantei e ao sair olhei nos olhos da mocinha que agora estava sentada no banco tosco, de cabeça erguida. Ela levantou os olhos, nos entreolhamos, começamos a sorrir, fomos rindo, nos aproximando - era ela quem estava na visão. Era um encontro cósmico.

Já fora da casa, trêmulos, nos demos as mãos e sequer sabíamos para onde ir. Mas estávamos de mãos dadas, era isto que importava. Não sei o que virá, mas sei que estarei ao seu lado para sempre, disse. Ela sorriu e me abraçou. Em seguida dirigiu-se à bicicleta - a bicicleta era dela!!!! e voltamos juntos em cima do nosso primeiro patrimônio.    

É isto aí!

O coração risonho (Charles Bukowski)



Alto lá
Claro que este poema não é meu
Confesso que copiei e colei
Tradutora: Carolina Marcello (Mestre em Estudos Literários)
Imagem: Francescoch / Getty Images Pro / Canva


Sua vida é sua vida
Não deixe que ela seja esmagada na fria submissão.
Esteja atento.
Existem outros caminhos.
E em algum lugar, ainda existe luz.
Pode não ser muita luz, mas
ela vence a escuridão
Esteja atento.
Os deuses vão lhe oferecer oportunidades.
Reconheça-as.
Agarre-as.
Você não pode vencer a morte,
mas você pode vencer a morte durante a vida, às vezes.
E quanto mais você aprender a fazer isso,
mais luz vai existir.
Sua vida é sua vida.
Conheça-a enquanto ela ainda é sua.
Você é maravilhoso.
Os deuses esperam para se deliciar
em você.

domingo, 16 de maio de 2021

Tudo valeu a pena


De repente a sós
reinventamo-nos
nas conversações
nas atrações duais
nas amarras do amor

De repente nós
fugimos da vida
real e tangível
das reações marginais
e nos escondemos

De repente após
tudo ficar maior
todo amor ficar 
no melhor desejo
transcendemos

Tudo valeu a pena
e vale uma recaída
tudo foi bom a dois
tudo foi melhor assim
a volta é a saída.   

É isto aí!



sexta-feira, 14 de maio de 2021

Outra sessão parlamentar no Reino da Pitangueira - Ninguém entra, ninguém entra ...


O Médico perguntou: Doutor Jota, que bom que o senhor acordou. A boa noticia é que está fora de perigo. A má notícia é que ficará aqui, imobilizado, mais três dias. Mas conte como tudo aconteceu. O senhor foi atropelado?


— Dr. Jota respondeu: 
Antes fosse, doutor, antes fosse. Vou contar até onde lembro. Tudo começou naquela sessão aborrecente da tarde de sexta-feira, aproveitando o plenário esvaziado, resolvi falar umas invencionices para chatear e denunciar o puto do meu adversário da região. Aí, me inscrevi para o discurso...

— A Mesa Diretora:
O próximo inscrito é o nobre parlamentar Doutor Jota Mato.

— Doutor Juca Pinto: 
Licença, senhor presidente, questão de ordem

— A Mesa Diretora:
Com a palavra o líder da MEIA, nobre parlamentar Doutor Juca Pinto

— Doutor Juca Pinto:
Obrigado a Vossa Excelência, senhor presidente. Só quero aqui salientar que este senhor que tomou para si a palavra, este Mato Pinto, é indigno de estar aqui nesta tribuna.

— Doutor Jota Mato:
Exijo o direito imediato à defesa, Senhor Presidente.

— A Mesa Diretora:
A palavra é sua, nobre parlamentar.

— Doutor Jota Mato:
Ora, ora, Vossa Excelência, veja só como o insignificante Doutor Juca Pinto Mole, que é um estupefaciente alcoviteiro da maior zona da sua cidade, resolveu vir pela primeira vez ao plenário depois de semanas de férias com a amante/secretária do lar, impunemente bancada por esta instituição.

— A Mesa Diretora:
Ordem, ordem. Este é um ambiente democrático, de respeito e de livre manifestação política em alto nível.

— Doutor Juca Pinto:
Senhor Presidente, eu fui citado como indigno e tenho direito à resposta. E não é Pinto Mole, seu moleque. É Juca Pinto Melo, seu filhodégua, e sua mãe sabe disto.

— Doutor Jota Mato:
Citado? Vossa Excelência é quem me chamou de alcoviteiro, seu corno manso.

— A Mesa Diretora:
Estou autorizando retirar estes apartes da ata.

— Doutor Juca Pinto:
Não, Senhor Presidente, não retire, pois todo o povo sabe que este homem, amigo do alheio, é corrupto

Pois saiba Vossa Excelência, que corrupta é a triputa que o pariu, seu molequinho de bordel. Eu sei do que tu gosta.

— Doutor Jota Mato:
Vossa Excelência, cria do baixo meretrício, sabe que mulheres que me cercam são honestas, religiosas, e não as quengas do seu pasto.

— Doutor Juca Pinto:
Vossa Excelência não tem o direito, a honra, a moral e a dignidade para falar da minha família.

— Doutor Jota Mato:
Vossa Excelência tenha a generosidade de deixar-me de fora desse seu mau sentimento de lacaio de porteiro de zona.

— A Mesa Diretora:
Ordem!! Ordem!! Vou encerrar a sessão!!!!

— Doutor Jota Mato:
Só um instante, senhor presidente. Este nobre parlamentar está aqui apenas querendo angariar simpatia da corja que o elege, é um acéfalo insidioso.

— Doutor Juca Pinto:
Vossa Excelência é um esfaimado indigno de representar o povo nesta tribuna.

— Doutor Jota Mato:
Vossa Excelência é um reverendíssima onagro e não passa de um sevandija

— Doutor Juca Pinto:
Vossa Excelência é um filibusteiro, é cria de manga-de-alpaca. Rei das maracutaias

— Doutor Jota Mato:
Vossa Excelência é a encarnação mefistofélica do final dos tempos. É um "fluffer"
do cais do porto.

— Doutor Juca Pinto:
Vossa Excelência só não apanha agora, por que não bato em merda mole.
Pode vir, seu merda. Aqui é Melo Pinto, seu palhaço.

— Doutor Jota Mato:
Ninguém me segura, vou arrancar o braço deste merda mole e bater com sua mãozinha morta no seu rostinho de gueixa

— A Mesa Diretora:
Ninguém entra, ninguém entra, deixem os dois resolverem democraticamente, disse o presidente.

— Doutor Jota Mato:
E foi assim que além de descobrir que o filho de uma puta bate pra caralho, apanhei muito, já que ninguém aparteou nem segurou os dois. O filho de uma jumenta com o demônio bate demais da conta.


É isto aí!

quinta-feira, 13 de maio de 2021

Retorno


Queria o retorno
no contorno 
do adeus ali
logo na frente
que fosse breve
Queria você 
aqui feito eu
um passarinho
assustado
no jardim secreto, 
mas livre e feliz
por estar
ali bem assim
mas que fosse
aqui sem aluí
ao lado colada
do meu lado,
suado, 
abraçada
asas soltas, 
voo livre
sorrindo
e preferindo 
namorar 

É isto aí!

"Livre pensar é só pensar" (o título é uma homenagem ao Millôr Fernandes)


O lado bom de pensar é que é livre pensar. Millor Fernandes tinha esta frase como seu slogan - "Livre pensar é só pensar". A liberdade que Millôr tanto prezava em seus trabalhos estendia-se também às convicções pessoais. Autoproclamado "livre-atirador", buscava não se comprometer com qualquer movimento organizado político ou religioso, considerando a ideologia uma "bitola estreita para orientar o pensamento". 

Defendia o livre pensar justificando que "não existe pensador católico. Não existe pensador marxista. Existe pensador. Preso a nada. Pensa, a todo risco". O desprendimento a dogmas, conceitos, mitos e sistemas de pensamento não resultava na falta de foco para suas críticas, pelo contrário: o alvo sempre foi o ser humano, o qual considerava "inviável".

Fiquei o dia todo pensando livre, pensando, pensando, como se formam os pensamentos? Não estou aqui querendo entrar na parte pedagógica da formação dos pensamentos, do aprendizado anterior, da educação, dos recursos cibernéticos, audiovisuais, cenestésicos, etc. Como uma energia condensada no cérebro faz gerar sentimentos, palavras e processo lógico numa mentira, numa desculpa retardada, numa protelação, por exemplo? 

Livre pensar, livre expressão, livre querer está tudo ficando muito tenso nestes tempos impensáveis até poucos meses atrás.

É isto aí!


quarta-feira, 12 de maio de 2021

Se eu fosse eu - Clarice Lispector

 



Se eu fosse Eu - (Clarice Lispector)


Quando eu não sei onde guardei um papel importante e a procura revela-se inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Às vezes dá certo. Mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase "se eu fosse eu", que a procura do papel se torna secundária, e começo a pensar, diria melhor SENTIR.

E não me sinto bem. Experimente: se você fosse você, como seria e o que faria? Logo de início se sente um constrangimento: a mentira em que nos acomodamos acabou de ser movida do lugar onde se acomodara. No entanto já li biografias de pessoas que de repente passavam a ser elas mesmas e mudavam inteiramente de vida.

Acho que se eu fosse realmente eu, os amigos não me cumprimentariam na rua, porque até minha fisionomia teria mudado. Como? Não sei.

Metade das coisas que eu faria se eu fosse eu, não posso contar. Acho por exemplo, que por um certo motivo eu terminaria presa na cadeia. E se eu fosse eu daria tudo que é meu e confiaria o futuro ao futuro.

"Se eu fosse eu" parece representar o nosso maior perigo de viver, parece a entrada nova no desconhecido.

No entanto tenho a intuição de que, passadas as primeiras chamadas loucuras da festa que seria, teríamos enfim a experiência do mundo. Bem sei, experimentaríamos enfim em pleno a dor do mundo. E a nossa dor aquela que aprendemos a não sentir. Mas também seríamos por vezes tomados de um êxtase de alegria pura e legítima que mal posso adivinhar. Não, acho que já estou de algum modo adivinhando, porque me senti sorrindo e também senti uma espécie de pudor que se tem diante do que é grande demais


Till There Was You ⎪Joscho Stephan Trio


Fonte do Vídeo - Youtube - Joscho Stephan Trio

We just recorded a trio version of "Till there was you". The song (written by Meredith Wilson) is part of my new Beatles tribute album (Get Back to the Beatles), where i play (almost) all instruments by myself. 

Even if its not a Beatles composition, the piece will always be associated with Paul McCartney's great vocal part.

Download the album: 

To join my online course: 


Till There Was You (Meredith Wilson)

There were bells on a hill
But I never heard them ringing
No, I never heard them at all
'Till there was you

There were birds in the sky
But I never saw them winging
No, I never saw them at all
'Till there was you

Then there was music and wonderful roses
They tell me in sweet fragrant meadows
Of dawn and you

There was love all around
But I never heard it singing
No, I never heard it at all
'Till there was you

Then there was music and wonderful roses
They tell me in sweet fragrant meadows
Of dawn and dew

There was love all around
But I never heard it singing
No, I never heard it at all
'Till there was you
'Till there was you

Breve história desta música:

Música de grande sucesso no Brasil em 1984, quando foi lançada uma boa versão por Beto Guedes - Quando te vi - esta música se transformou num grande sucesso mundial gravado pelos Beatles em 1963. 

Till There Was You é uma canção escrita por Meredith Willson para sua peça musical de 1957 The Music Man, que virou filme  em 1962 e ganhou em 1963 o Oscar de melhor Trilha Sonora. No Brasil o filme recebeu o nome de O Vendedor de Ilusões. A cena com esta música foi mantida na versão do filme de 1962. 

A música é cantada pela personagem Marian Paroo (interpretada por Shirley Jones no filme) para o Professor Harold Hill (no filme o ator Robert Preston

É isto aí!

Faça o teste e descubra se você ama demais





Alto lá
Este texto e este teste não são meus
Confesso que copiei e colei
Fonte²: MADA Mulheres que amam demais anônimas


O amor pode ser uma doença? Faça o teste e descubra se você ama demais

Ninguém sabe como nasce um amor, muito menos um doentio. Algumas teorias da psicologia, contudo, tentam desvendar quando e como um dos sentimentos mais nobres do mundo torna-se sombrio. Uma delas é a hipótese fundamentada na psicodinâmica. Quem a explica é Andrea Lorena da Costa¹, psicóloga e neuropsicóloga do Programa de Transtornos do Impulso do Instituto de Psiquiatria (IPq), do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP: 

- A origem pode ser a vinculação com a mãe ou com o(a) cuidador(a) na primeira infância. Por volta dos quatro anos, a criança está altamente ligada à mãe e vice-versa, e o comportamento materno nesse vínculo, percebido pela criança como inconstante, pode deixar cicatrizes para o relacionamento amoroso.;

Ainda sobre o tratamento recebido durante a primeira infância, Carmita Abdo², psiquiatra coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade da USP e presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), chama atenção para alguns fatores ambientais que podem contribuir para o nascimento do amor sem medidas. Algumas situações vivenciais, como uma perda afetiva importante que se transforma em uma frustração, associada a um perfil de personalidade não trabalhado na infância, acaba levando essa pessoa a desenvolver e a manter essa falta de controle emocional.

Mas quem estaria mais vulnerável ao amor patológico? Ainda de acordo com Carmita, notam-se sinais de risco desde muito cedo. É possível observar que aquela criança que se fixa em determinadas pessoas e tem dificuldade em dividir as amizades acaba tendo mais dificuldade em viver naturalmente os relacionamentos, detalha a psiquiatra.

Muitas vezes o amante patológico acredita que é mais apaixonado do que as demais pessoas ou que tem mais capacidade de se envolver que os outros. Porém, assim como outras enfermidades, o amor patológico apresenta sintomas (como a ilusão de ser "mais entregue" do que o normal). Percebemos que a obsessão evolui e deixa de ser o quadro principal. Deixa de ser caracterizada por afeto profundo e passa a ser definida por uma ansiedade grande, completa Carmita Abdo. Essa pessoa tem a autoestima precária, não respeita sua identidade, se submete a situações constrangedoras, tem instabilidade emocional e pode apresentar problemas afetivos não resolvidos na infância.

Sinais de um amor enfermo

Prestar cuidados excessivos ao parceiro;

Ter sintomas de abstinência na ausência do parceiro ou diante da ameaça do rompimento, como sudorese e taquicardia;

Tentativas de controlar o comportamento do parceiro;

Sintomas depressivos e ansiosos; Falta de apetite; Insônia; Taquicardia; Falta de ar.


Fonte¹: Andrea Lorena da Costa, psicóloga e neuropsicóloga; 

Fonte²: Carmita Abdo, psiquiatra.


Teste:

Sou uma Mulher que Ama Demais?


1) Você se torna obsessiva com os relacionamentos?

( ) Sim ( ) Não


2) Você mente ou evita pessoas para disfarçar o que ocorre numa relação?

( ) Sim ( ) Não


3) Você repete atitudes para controlar a relação?

( ) Sim ( ) Não


4) Você culpa e acusa seus relacionamentos pela infelicidade da sua vida?

( ) Sim ( ) Não


5) Você procura agradar às pessoas com quem se relaciona e se esquece de si mesma?

( ) Sim ( ) Não


6) Você só se sente viva ou completa quando tem um relacionamento amoroso?

( ) Sim ( ) Não


7) Você já tentou diversas vezes sair de um relacionamento, mas não conseguiu?

( ) Sim ( ) Não


8) Você sofre mudanças de humor inexplicáveis?

( ) Sim ( ) Não


9) Você sofre acidentes devido à distração?

( ) Sim ( ) Não


10) Você pratica atos irracionais?

( ) Sim ( ) Não


11) Você tem ataques de ira, depressão, culpa ou ressentimentos?

( ) Sim ( ) Não


12) Você já teve ataques de violência física contra si mesma ou contra outras pessoas?

( ) Sim ( ) Não


13) Você sente ódio de si mesma e se auto justifica?

( ) Sim ( ) Não


14) Você sofre doenças físicas devido às enfermidades produzidas por estresse?

( ) Sim ( ) Não


15) Você cuida excessivamente dos membros de sua família?

( ) Sim ( ) Não


16) Você não consegue se divertir sem a presença do (a) seu (sua) parceiro(a)?

( ) Sim ( ) Não


17) Você se sente exausta por assumir mais responsabilidades em um relacionamento?

( ) Sim ( ) Não


18) Você se sente incompreendida por todos?

( ) Sim ( ) Não


Resultado:

Se você respondeu SIM a duas ou três das perguntas acima, é possível que você seja uma MADA.

Se você respondeu SIM a mais de quatro perguntas, é mais provável que você seja uma MADA.


Atenção:

Mesmo que você não se encaixe nas perguntas acima, mas, ainda assim, sofra por amor e queira ajuda, procure uma reunião do grupo Mada.


Em busca da cura

Natalia* é uma das conselheiras e integrantes do grupo Mulheres que Amam Demais (MADA). O programa, baseado nos 12 Passos e 12 Tradições de MADA é uma adaptação do programa usado pelos Alcoólicos Anônimos (AA). Por meio de reuniões as integrantes conversam sobre amor, dependência, resiliência e superação. O grupo não se apoia em psicólogos, psiquiatras ou terapeutas, mas na empatia. "Acreditamos que a mulher que ama demais veio de uma família disfuncional, o que poderia ser um dos motivos para o problema surgir", explica.

No MADA, apenas a mulher pode se definir como alguém que ama demais. Há, no entanto, formas de se descobrir e de se ajudar (veja quadro acima e faça o teste). De acordo com a filosofia do grupo, a mulher é também livre para escolher se procura tratamento especializado ou não, além do programa de recuperação do MADA. 

"O nosso tratamento se baseia em espelhos, não em conselhos. Ao participar das reuniões do nosso grupo, a pessoa poderá partilhar seu problema e ouvir outras partilhas. Assim, o tratamento acontece", detalha. 

"Sugerimos a participação em pelo menos seis reuniões, como se fosse a primeira vez, para que a pessoa se identifique e decida se é uma mulher que ama demais e se o programa tem algo a lhe oferecer." As reuniões são gratuitas e não é necessário confirmar presença, fazer inscrição ou pagar taxas.

É claro que amar em demasia não é o melhor cenário, mas também não é um beco sem saída. O importante, de acordo com a psiquiatra Carmita Abdo, é entender o quadro em sua essência. "Não dá para abrir mão de uma psicoterapia, para a pessoa entender o que está fugindo do controle, trabalhar o apego exagerado e melhorar a autoestima, além de aprender a ter maior domínio sobre suas emoções", argumenta.

Muitas vezes, especialmente no início do tratamento, os pacientes precisam de medicamentos para limitar seus excessos. Por sua atuação em sintomas repetitivos, Carmita Abdo diz que os antidepressivos são, geralmente, a primeira escolha dos médicos. "São medicamentos úteis para controlar sintomas exagerados, quando a pessoa não tem controle dos próprios atos e emoções. Servem para ela ter melhor domínio sobre seus impulsos."

Além da medicina tradicional, há quem encontre ajuda na medicina holística. Márcio Ferrari, terapeuta holístico que acompanha um grupo MADA, baseia seu tratamento em aspectos que vão além do viés psicológico. A construção da personalidade, as crenças limitantes dos antepassados (como mãe, pai, avós) e toda a herança psíquica do indivíduo são levadas em consideração no caminho para a cura. "O holístico considera os problemas como sendo oportunidades de crescimento espiritual", define. "Tudo começa no autoconhecimento."

Para Márcio Ferrari, viemos ao mundo não para amar, necessariamente, mas para aprender a fazê-lo. Segundo ele, observar a repetição de padrões é a chave para se entender. ;É muito comum atrairmos pessoas do mesmo padrão. Acredito em um universo autoconsciente, em que a lei da atração faz com que nos aproximemos do que a gente precisa. O padrão vai se repetir até que a pessoa possa fazer uma mudança vibracional.; Nessa lógica, a dependência seria, então, uma oportunidade para olhar para dentro de si mesmo. ;Mudar não é fácil porque temos uma tendência a nos acostumarmos, inclusive, com a dor, com o sofrimento e com a tristeza;, completa.

O amor de dentro para fora:

"Em que situações negativas são vistas como chances de crescimento e o amor-próprio é considerado prioridade?" seria, para Ferrari, o começo de uma jornada livre das relações patológicas. "A maioria das pessoas têm problemas de relacionamento com elas mesmas. É preciso ter uma percepção de mundo diferente, olhando tudo com mais abrangência e profundidade, pensando". "Porque eu atraí essa pessoa? O que o universo quer me dizer com isso?" Quando a gente se propõe a olhar o amor-próprio, o amor ao próximo acontece.

O som do amor


- O próximo!!!

- Aqui, senhora.

- Nome por favor

- Sibemol Acústico

- O senhor está falando sério?

- Sério??

- Sério.

- Meu Deus do céu!!! Você, quer dizer, estado civil

- Solteiro.

- Filhos?

- Não

- Mora com a família?

- Não, resido sozinho.

- Casa  própria?

- Sim, um apartamento.

- Tem mais algum outro bem patrimonial?

- Sim, um carro e um sítio.

- Uau!!!!

- Posso saber por que a senhora está fazendo estas perguntas? 

- Como assim?

- Aqui não é o guichet de reclamações  desta empresa?

- Sim, mas é que eu precisava ...

- Posso saber o nome da senhora?

- Lá Sustenido ...

- Quer dizer ... quer dizer ...

- Sim ... eu sou a sua outra parte, sua metade, sua forma mulher.

- Quer casar comigo?

- Só se for agora...

É isto aí!!

terça-feira, 11 de maio de 2021

Sobre padrões e ladrões



Conflitos aqui e ali, 
em todos os pontos cardeais (do planeta). 
Assassinatos trágicos 
(todo assassinato é trágico)

Vulcões despertados
tempestades fortalecidas
Ciclones, furacões,
ventos de maio esmaecidos

Temporais, enchentes,
viroses letais, fome
ladrões de caravanas
ladrões ladrões ladrões

Tempo de ais emergentes
ciclos letais do homem
rompemos com os padrões
da vida divina (descaradamente).

É isto aí!

Referências da imagem: Príncipe Valente



domingo, 9 de maio de 2021

Sala da Quarentena.




Morri dia destes e ainda nem cheguei a me dar conta disto imediatamente. Deu que encontrei com o Tobias, puxa vida, o Tobias faleceu, deixa eu ver, hummm, há quase cinquenta anos. Não mudou nada. Na hora fiquei na dúvida se estava sendo um vidente de almas ou se eu era uma alma destas perdidas entre umbrais, até que eu vi aquela moça, meu deusdasmemóriasprontas, valei-me meu santo memorial, qual o nome dela? Engraçado, esqueci o nome dela, foi uma paixãozinha rápida, mas ela partiu mais ou menos na mesma época que o Tobias. Continua linda.

Comecei a observar o ambiente onde me encontrava. Vai que era a porta do paraíso? Vi dois anjos passando do outro lado da larga avenida, e engraçado, eles não tinhas asas, mas seu sabia que eram anjos. A avenida era de blocos de pedras polidas, tendendo ao formato retangular, já gastas pelos, hummm, milênios terrestres. Fiquei ali refletindo - um paraíso só para os humanos, de dimensões infinitas, com bilhões e bilhões de moradas. Meudeusinhodowifi ... tem sinal para todo mundo?

Atravessei a avenida fora da faixa de pedestres, afinal o que pode acontecer a um morto? Pensei e logo um agente de segurança ostensiva das avenidas celestiais levitou-me com um gesto e colocou suavemente meu corpo etéreo na faixa. Achei interessante, nada invasivo, nada abrupto, enfim, se as regras existem, devem ter uma serventia, afinal até Moisés teve que descer com as dez regras por duas vezes, então vou prestar mais atenção.

Na imensa calçada tinham umas barraquinhas e quiosques de diversos gostos alimentares. Estranhamente milhares de pessoas perdiam um precioso tempo naquele ambiente. Vi pessoas ali que despedi-me delas a 40, anos, e ficavam ali bebendo, comendo e fumando. Ouvi línguas das mais diversas diferenças, mas engraçado, ouvia em grego, por exemplo, e sabia que era grego, mas entendia tudo no meu simpático e monoglota português. Não vi acesso a banheiros, mas tinha cerveja em lata gratuitamente distribuídas por mocinhas elegantes. 

Dezenas de guichets traziam no alto uma placa com a palavra "Informação", em todas as línguas do mundo. E ao mesmo tempo uma voz suave, feminina falava ao meu ouvido - por favor, dirija-se ao guichet 118, da língua portuguesa, que era o tal com a placa da Informação.

A fila para pegar a senha de atendimento era rápida e a fila para o atendimento, surpreendentemente, também rápida. Depois que você recebe a ficha da senha, entra por um portão estreito, passa por um beco que vai se abrindo de forma cônica até chegar num imenso pátio, onde em meio círculo haviam 345 guichets. Uau, tudo muito organizado. A voz interior mandou que comparecesse ao guichet 141.

Um senhor com cara de poucos amigos pediu minha mão esquerda, colocou num aparelho digitalizador, conferiu na lista se eu era a pessoa que conferia com a mão, fez sinal para seguir por um corredor bem iluminado até chegar numa sala com som ambiente, sofás lounge e tudo em estilo art nouveau. Uma anjinha lindinha gostosinha cheirosinha se aproximou e me deu uma veste celestial, apontou-me um vestiário, fui, troquei de roupa, fiquei sem saber se mantinha ou não a cueca, mas resolvi tirar, afinal nunca gostei disto mesmo.

Na hora que abri a cortina esperando ver a anjinha novamente, recebi uma máscara N95 e fui conduzido por dois oficiais da guarda celestial até um salão imenso e espartano, com um telão passando "A Lagoa Azul" e um enorme cartaz escrito - Sala da Quarentena. 

Aí dei a bronca, aos gritos mandei chamar a gerencia, xinguei, briguei, pedi para falar com a diretoria, dei o nome de uma santa conhecida, como referência pessoal, esperneei, empurrei e saí correndo correndo correndo .. e foi assim que deu um clarão e me devolveram a este planetinha nativo, ainda a tempo de assistir à
semifinal da Champions League. 

Enquanto as pessoas gritavam de alegria nas arquibancadas, eu em casa, sozinho no sofá, fiquei puto prá caramba ... Sala de Quarentena ..onde vai parar isto? Veja só você ... sala de quarentena ... é ruim, hem!!!

É isto aí!