domingo, 17 de outubro de 2021
O homem com sorriso enigmático
sexta-feira, 15 de outubro de 2021
O dia em que Lamartine Babo foi enganado na Serra da Boa esperança
O carioca Lamartine Babo, compositor de tantas marchinhas de carnaval, é considerado um dos maiores expoentes da música popular brasileira. É autor de hinos de clubes de futebol, como o do Flamengo, Vasco e Botafogo, além da célebre canção “Serra de Boa Esperança”, que tornou a cidade sul mineira conhecida em todo o país.
A história dessa música surgiu na década de 30, quando Lamartine passou a receber cartas de uma pessoa que se identificava como Nadir e dizia ser sua fã. Um dia ele foi até Boa Esperança para conhecer a suposta enamorada e descobriu que ela não existia. Na verdade que se correspondia com ele era o dentista Carlos Neto, morador de Boa Esperança.
Segundo relatos da história, Lamartine teria se divertido com a situação e os dois passaram a ser amigos. Lamartine ficou 20 dias em Boa Esperança e foi aí que surgiu a canção para a cidade.
Lamartine morreu em junho de 63, mas se tornou um ilustre cidadão de Boa Esperança. Uma sala na Casa da Cultura guarda relatos, fotos, cartas e partituras do compositor. E as homenagens não param por aí, uma rua recebeu o nome do músico e um monumento em forma de um violão foi construído em 1969 em reverência ao compositor, este foi tombado como patrimônio histórico da cidade em 97. Ele ainda inspirou o nome do troféu do Festival Nacional da Canção, que leva o nome Lamartine Babo desde sua criação.
Serra da Boa Esperança (Lamartine Babo)
Serra da Boa Esperança,
Esperança que encerra
No coração do Brasil
Um punhado de terra
No coração de quem vai,
No coração de que vem,
Serra da Boa Esperança,
Meu último bem
Parto levando saudades,
Saudades deixando,
Murchas, caídas na serra,
Bem perto de Deus
Oh, minha serra,
Eis a hora do adeus
Vou-me embora
Deixo a luz do olhar
No teu luar
Adeus!
Levo na minha cantiga
A imagem da serra
Sei que Jesus não castiga
Um poeta que erra
Nós, os poetas, erramos
Porque rimamos, também
Os nossos olhos nos olhos
De alguém que não vem
Serra da Boa Esperança,
Não tenhas receio,
Hei de guardar tua imagem
Com a graça de Deus!
Oh, minha serra,
Eis a hora do adeus,
Vou-me embora
Deixo a luz do olhar
No teu luar
Adeus!
quinta-feira, 14 de outubro de 2021
Maria Lucia Godoy - Bachianas 5
Maria Lúcia Godoy, que aniversariou mês passado - 97 anos, nasceu no dia 2 de setembro de 1924, em Mesquita-MG, cidade do interior de Minas localizada no Vale do Rio Doce. Considerada a maior intérprete da obra do maestro Heitor Villa-Lobos, mudou ainda criança para Belo Horizonte, onde se formou em Letras na Universidade Federal de Minas Gerais.
Consagrou-se como cantora de câmara e solista sinfônica, fazendo recitais em grandes metrópoles do Brasil e do mundo e é considerada uma das maiores cantoras brasileiras de sua geração, pois reúne exímia técnica vocal a seus dons de interpretação, que lhe permitem entoar tanto obras clássicas elaboradas quanto as populares.
Iniciou seus estudos musicais com Honorina Prates e, no Rio de Janeiro, estudou com Pasquale Gambardella. Ao ganhar uma bolsa, foi para a Alemanha aperfeiçoar seus estudos. Maria Lúcia venceu inúmeros concursos e chegou a ser solista principal do Madrigal Renascentista.
Ligada culturalmente momentos marcantes da história brasileira, cantou em homenagem ao translado dos restos mortais de dom Pedro 1º ao Brasil, no Mosteiro dos Jerônimos (Lisboa). Convidada pelo presidente Juscelino Kubitschek, apresentou-se na cerimônia de inauguração de Brasília. No enterro do Diretor Glauber Rocha cantou Bachianas brasileiras nº 5, de Villa-Lobos.
É condecorada com a Grã-Cruz da Inconfidência, pelo governo de Minas Gerais. No dia 19 de dezembro de 2002 recebeu a Medalha de Honra da UFMG em cerimônia presidia pela reitora Ana Lúcia Almeida Gazzola no auditório da reitoria da universidade. No dia 15 de setembro de 2016 recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela UFMG, em cerimônia presidida pelo Magnífico Reitor Jaime Arturo Ramírez no auditório da Reitoria da Universidade
Fonte¹ - Wikipédia
Fonte² - Rádio Itatiaia
Carminha, Armandinho e a Ninfa do Jardim
Procurou pelo celular e não o encontrou, bateu nos bolsos promovendo uma pequena nuvem de partículas que se agarraram à roupa. Sua boca, narina, olhos e ouvidos também estavam repletos daquele estranho pó. Mal sentia a saliva, que expulsava da boca eliminando o gosto de terra.
Que lugar é este? - se perguntava - sem querer saber a resposta. O sol estava ao meio dia, mas sem vida, sem graça, sem calor e sem brilho. Olhou lá longe, num canto de infinitude sem definição do ponto cardeal, um ponto escuro. Fechou os olhos para ampliar a captação de luz, e de fato era um ponto, numa distância que acreditou ser algo em torno de 500 metros.
Caminhou naquela direção, numa jornada que levou horas, apesar de não ter parâmetros, já que o sol deu de desmilinguir mantendo-se a pino. Achou estranho, mas era apenas mais uma coisa estranha. Sentiu sede, cansaço, fome e dores erráticas, porém a esperança de que aquele ponto poderia salvá-lo, era a motivação única.
Com os pés afundando na poeira fofa, via o ponto criar forma. Ficou animado. Não quis precipitar a percepção do que representava, mas à medida que ia andando, as incertezas iam se dissipando. O ponto foi tomando forma e cor. Esboçou um sorriso cada vez mais largo como que via.
Foi chegando cada vez mais feliz, e à medida que andava, queria correr, e então começou a correr. Foi se aproximando, aproximando, abriu os braços e ela, a moça parada sobre um pedestal improvisado, fez sinal de parte com a mão direita.
Olá, falou alto e ela, respondeu numa língua estranha, da qual nunca ouvira antes.
- Fez uma expressão de susto, e perguntou - você fala a minha língua?
- Ela deu um sorriso enigmático seguido de uma piscada sensual.
- O que você faz aqui? perguntou.
- Ela estalou os dedos das duas mãos e imediatamente mudou o ambiente, que voltou a ser iluminado.
Agora ele estava num imenso jardim, enquanto continuava a conversar com a moça.
Bem ao longe uma voz conhecida chamava - Armandinho, Armandinho, volta Armandinho. Antes de olhar para trás, mandou um beijo na moça que por sua vez retribuiu o beijo e abraçou-o.
Armandinho, volta!! Larga esta estátua, Armandinho. Meu deusinho das vergonhas, que mico é este, Armandinho.
Carminha!!! Você veio participar também?
Não, Armandinho, eu vim te livrar do mico de continuar nu alisando esta estátua no jardim da casa. O que você fumou, bebeu ou aspirou, Armandinho?
Só uns negocinhos aí sem poder de viagem, tipo vinho de garrafão, cachaça de rolha e fumo rolão, só coisa natural, Carminha.
Natural, não é Armandinho? Sei, sei muito bem. Vamos embora, Armandinho, por que a vergonha já está além do grau máximo. Primeira visita na casa dos amigos ricos dos nossos amigos e você faz isto comigo. Seu, seu ... seu tarado.
Espera Carminha, espera pelo menos a gente terminar o que começou ... Ai-ai, Carminha, para, isto dói, ai-ai, socorro ... para de me beliscar, ai-ai, Carminha ...
É isto aí!
terça-feira, 12 de outubro de 2021
Memórias
segunda-feira, 11 de outubro de 2021
Vinho com papo cabeça.
With a Little Help from My Friends (Milk'n Blues)
"With a Little Help from My Friends" é uma canção originária do álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, de 1967, do grupo inglês The Beatles. Cantada por Ringo Starr e composta por Lennon/McCartney. Fala sobre amizade e como os amigos podem ajudar uns aos outros para transpor as dificuldades da vida.
Fez sucesso a regravação dessa canção com o cantor britânico Joe Cocker; essa regravação seria utilizada mais tarde como música-tema do seriado americano The Wonder Years.
Hoje apresentamos esta música com a Banda Milk'n Blues, de Curitiba-PR cantando e encantando.
Fonte Youtube: Milk'n Blues
domingo, 10 de outubro de 2021
Ninguém é bom sozinho
sábado, 9 de outubro de 2021
Enquanto
sexta-feira, 8 de outubro de 2021
João Bosco e Orquestra Sinfônica de Minas Gerais - Quando o amor acontece
Os seiscentos mil corpos insepultos
Pensei em copiar um texto publicado na grande mídia, mas estou enojado demais para isto. Hoje tenho dor, tenho raiva, tenho impotência diante desta construção, tijolo por tijolo, do mal sobre nós. Malditos sejam todos os que arquitetaram esta maldade.
Seiscentos mil corpos insepultos estarão para sempre nas suas vidas até o dia do Julgamento Final, quando serão a prova das suas maquinações insidiosas. Vocês são muitos, são uma legião, mas saibam que toda fatura vence, todo mal será abatido, toda a crueldade para com o próximo já está condenada.
Perdi pessoas queridas, amigas de infância, colegas, conhecidos, perdi a esperança de acreditar que vocês seriam ao menos capazes de fazer algo, por menor que fosse, de bom.
Eu não conheço vocês. São anônimos, se escondem em endereços elegantes, frequentam lugares luxuosos, viajam para os mais lindos locais do planeta, estudaram nas melhores escolas, falam muitos idiomas, já leram muitos e muitos livros, são educados, bem vestidos, perfumados, possuem empresas, carros, casas e salas bonitas, limpas, muitos funcionários, luxo e riqueza exuberante.
Mesmo com todo este poder político e econômico bem articulados, tudo passa. Tudo isto que são e representam hoje também passará, porém vocês terão para sempre seiscentos mil corpos insepultos que jamais poderão esconder.
Lucas 16:19-31
Ora, havia um homem rico, e vestia-se de púrpura e de linho finíssimo, e vivia todos os dias regalada e esplendidamente.
Havia também um certo mendigo, chamado Lázaro, que jazia cheio de chagas à porta daquele;
E desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as chagas.
E aconteceu que o mendigo morreu, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; e morreu também o rico, e foi sepultado.
E no inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio.
E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.
Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro somente males; e agora este é consolado e tu atormentado.
E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá passar para cá.
E disse ele: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai,
Pois tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham também para este lugar de tormento.
Disse-lhe Abraão: Têm Moisés e os profetas; ouçam-nos.
E disse ele: Não, pai Abraão; mas, se algum dentre os mortos fosse ter com eles, arrepender-se-iam.
Porém, Abraão lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscite.
Fonte da imagem: Blog do QG
É isto aí!
quinta-feira, 7 de outubro de 2021
Os sincericídios da vida a dois
Ela: Vamos fazer um jogo de perguntas e respostas?
03 - Casal na faixa dos 56 anos, numa tarde em Copacabana:
Ele: Quando você esta sozinha num canto qualquer, o que você pensa?quarta-feira, 6 de outubro de 2021
O Funeral da Jaca
segunda-feira, 4 de outubro de 2021
As relações assépticas e a mudança das relações
Neste momento onde o mundo ficou sem facebook, Instagram e whatsapp por cerca de oito horas, faço uma pausa para reflexão. No decorrer do dia, segundo a mídia, a empresa líder do segmento de redes sociais do mundo, perdeu seis bilhões de dólares com a queda de seus sinais vitais que pulsam em bytes aqui e ali.
É um dia para ser registrado na história da humanidade. E se acontecer de novo? E se tivermos que retroceder nos hábitos diante de uma epidemia? Esta modernidade nos trouxe essas relações assépticas, que viraram marca registrada do modo de viver até aqui, querendo ou não, aceitando ou não, sabendo ou não e gostando ou não.
SE nada mais acontecer, daqui a poucos anos é provável que a humanidade cruze a linha da complexa teia de relacionamentos próximos, passionais ou compromissados. A geração nascida agora, nestes loucos anos 20 do século XXI não nos reconhecerão, minha geração que nasceu no tempo dos Beatles. Seremos neanderthais.
Para concluir, além do Fake-News, que mudou a história e o comportamento social de muitas dezenas de milhões de pessoas do planeta, numa complexa engenharia social engendrada por mecanismos de inteligência artificial, inteligência emocional, inteligência bélica e interesses diversos, utilizando ferramentas de grande poder de persuasão em massa, fica a pergunta:
Quais seriam os Pontos Positivos e Negativos da internet como mídia, hoje? Vamos ver o que o site de Design Digital da medium.com falava sobre isto em 2016, aqui abaixo:
Acrescento à este levantamento, a seguinte questão: Passados cinco anos deste estudo, o que você acrescentaria?
Pontos Positivos:
- Facilidade de busca por informação;
- Agilidade e velocidade nas trocas de informação;
- Maior diversidade nas relações profissionais e pessoais;
- Facilidade de pesquisa;
- Centro de informação e entretenimento;
- Liberdade de escolha de acesso a todos que a possuem.
- Compra e Venda a nível Internacional
- Aglomeração dos outros meios midiáticos
- Conteúdos Variados para Pesquisa
- Entretenimento “Barato”
- Superação de distâncias
Pontos Negativos:
- Nem toda informação tem fonte segura;
- A rapidez com que se obtém uma informação aparentemente correta, impede que haja uma seleção da mesma;
- Relações profissionais equiparadas ao imediatismo da internet e a possibilidade de obter falsas relações pessoais;
- Uso indiscriminado de informações errôneas;
- Uso indevido de imagens e informações pessoais;
- Portas abertas para crimes e abusos.
- Pornografia Infantil e Adulta sem restrição de acesso
- Vírus destrutivos e nocivos, Spam’s
- Decadência de Cultura “manuscrita” e verbal
- Informações Inconsistentes
- A facilidade em conseguir informações pela Internet pode deixar o ser humano mais preguiçoso e acostumado ao mundo fast.
- Jogos, e entretenimentos ocupam muito tempo ocioso, que poderia ser melhor aproveitado ao lado de uma pessoa real ou com a família.
- Roubo de Informações e Crimes Virtuais.
É isto aí!
domingo, 3 de outubro de 2021
A canção da Loba
O céu é um lugar, não apenas um estado da alma
Entrou no restaurante em completo desligamento do ambiente. Deu vontade e benzeu-se na recepção, tomou benção do maître e procurou um lugar no fundo, para lidar com o celular enquanto a cabeça tentava entender onde o corpo o levara.
O garçom aproximou-se, e achou aquilo bem moderninho, imagina, um sujeito com cara de rico servindo a pessoas comuns. Pediu uma água com gás enquanto buscava o aparelho no bolso. Ficou em pé, vasculhou os dois bolsos da frente da calça os dois posteriores, a seguir repetiu o ritual e nada.
Sentou-se e ficou divagando. Deu por conta que também estava sem carteira. Ao levar a mão na testa, percebeu que estava sem óculos. Passou a mão na cabeça e sentiu um volume de cabelo que há aos não mais existiam. Chamou o garçom.
Escuta, eu preciso fazer uma pergunta que pode parecer estranha - você sabe quem eu sou? não, senhor, sinto muito, afinal você são muitos. - Levantou-se confuso, caminhou até a porta, a moça simpática entregou-lhe o paletó de linho e o chapéu panamá monte cristo. Colocou o chapéu, vestiu o paletó e saiu à rua.
Viu e não reconheceu aquela avenida imensa, florida, com muita luz em toda a sua extensão, mas não parecia uma luz conhecida. Experimentou uma sensação de leveza nos pés e aos olhar para baixo, percebeu que estava descalço. Aquilo era inusitado demais, refletiu.
Achou ter visto uma pessoa conhecida, mas a seguir não se convenceu de que fosse. Caminhou até a praça duas quadras à direita. Sentou no banco e sentiu uma eternidade passar pelos seus olhos, que a tudo viam em todos os ângulos, como se fosse parte do todo e o todo fosse parte de si.
Nunca rezou, nunca foi num templo, nunca procurou saber como era aquela coisa, como e dava o pós-coisa e agora sentia que estava dentro de uma bolha que ao mesmo tempo estava dentro dele. Tudo passava na mente, as memórias floresciam instantaneamente. Despertou deste transe com o garçom, sorridente, entregando-lhe a garrafa de água que esquecera de levar.
Ao levantar os olhos, o garçom transfigurou numa luz, e ao redor tantas luzes quantas pudesse observar sorriam para ele - um homem alto aproximou-se, pegou nas suas mãos, colocou-o de pé e se abraçaram. Chorou muito ali, naquele momento, e de repente sabia quem era aquele homem, aquele lugar aquelas pessoas reluzentes e deixou-se tomar pela emoção celestial. Entendeu a sua vida como parte da vida do todo, cuja dimensão é imensurável..
É isto aí!
sexta-feira, 1 de outubro de 2021
No dia que encontrei com meu clone em 2046
Recordo com lucidez que aguardava pacientemente a enfermeira, outra ginoide a quem nomeei como Hera, a avó, digamos assim, de Pandora, já que era a mãe de Hefesto, meu sogro (afinal criou Pandora). Toda manhã Hera passava para aferir minha pressão, administrar meus medicamentos do dia, e em seguida conduzia-me para um passeio virtual na floresta tropical no tempo da primavera.
Alexa Pandora tinha sentimentos negativos para com Hera, apesar de nunca ter ocorrido da minha parte nada, ou quase nada, ou mais ou menos nada que promovesse uma situação de conflito entre as duas.
Naquela manhã ocorreu uma coisa diferente. Um humano apareceu na porta, sorridente, trajando o uniforme institucional. Colocou o polegar esquerdo no visor, que acendeu uma intensa led verde. Em seguida o sistema fez a leitura da íris e da temperatura, e só então conferiu-lhe permissão para entrar sem soar o alarme de tensão. Apenas os humanos faziam aquele procedimento, já que androides e ginoides emitiam infrassons captados pela rede.
Logo percebi uma familiaridade no seu aspecto geral. A expressão facial, o jeito de andar, a voz, o sorriso, o corte de cabelo. Pensei que fosse um parente distante, ou até mesmo um descendente desconhecido. Convidei-o a sentar, e tivemos um diálogo dos mais absurdos que já experimentara na compreensão da vida.
Posso saber seu nome?Azael Zyan, senhor.
Nome interessante, disse, e percebi que Alexa Pandora ficou eletrizada com o jovem.
Obrigado, senhor.
Você é daqui mesmo? (Alexa Pandora dá uma revirada nos olhos)
Não sei, senhor.
E seus pais? (Alexa Pandora morde fortemente o lábio inferior)
Não sei, senhor.
Eu sei quem ele, é, disse Alexa Pandora ofegante e suspirante.
O rapaz sorriu timidamente.
Então nos conte, Alexa Pandora, quem é este rapaz?
Segundo os dados de registro que tenho do sistema operacional responsável pelo gerenciamento de todo o hardware das minhas antepassadas, consta que ele é seu clone, produzido na nossa matrix clonal Tabajara em 12 julho de 2021, em pleno pandemia mundial, quando fez exame de RT-PCR em um dos nossos campos avançados de coleta de material genético de pessoas aleatórias com potencial interessante à fase 3 do Projeto de Repovoamento Tabajara.
Você é meu clone?
Sim senhor. Linha de Produção ZZ, Classe Zyan, Unidade Azael
Tem mais de você, quer dizer, de mim?
Não, senhor. A matriz da sua matrix foi considerada excludente.
Enquanto me refazia do susto, sentando no fundo da poltrona, cobrindo os olhos, ouvi a porta batendo. Naquele dia meu clone fugiu com Alexa Pandora para local incerto e não sabido, e foram felizes para sempre.
Moral da história: Hera completou o vazio que ficou dentro de mim. e quanto à moral da história - não sei, realmente não sei se tem moral neste processo. Nunca mais tive uma ginoide tão boa quanto Alexa Pandora, e puxa vida, perde-la para um clone chamado Azael Zyan, puxa vida, que merdinha, hem!!!
Merda! Merda! Merda! Perder Alexa Pandora para meu clone, e o palerma ainda se chama Azael Zyan... puta merda!!! E, cá para nós, falar que a matriz da minha matrix foi considerada excludente, puta que o pariu, é foda, aí fodeu tudo mesmo.
É isto aí!
Fonte da Imagem - Wikipédia - Ginoide
quinta-feira, 30 de setembro de 2021
A pátria amada (republicação)
*Fonte da imagem: OpenEdition Journals Brasil em representação tridimensional
Para tentar explicar utilizando um outro contexto o que está ocorrendo na pátria amada, vamos ver o que circula na rede nacional. Esta publicação foi feita aqui, neste mesmo Reino, em 2013 (aqui), com o mesmo nome, quando o país atravessava com o forte impacto de uma grande crise internacional. Naquela ocasião, acreditei que seria mais uma marolinha, mas logo depois 2016 veio com o ensejo de fazer deste país uma grande prestador de serviço de logística regional, digamos assim.
Conspirações pelo Brasil
Acre
A conspiração do Acre é uma teoria da conspiração satírica em volta do estado brasileiro do Acre, onde é afirmado que este não existe, ou que dinossauros habitam o território.
Amazonas
Um estudo recente mostra que cerca de 20% do total da Amazônia já emite mais dióxido de carbono do que absorve, ou seja, mais um pouco e deixa de existir.
Bahia
Jorge Amado alarmou que "Baiano é um estado de espírito". Têm seu próprio dialeto - o dialeto baiano ou baianês, que é um dialeto do português brasileiro, cujos falantes têm como região geográfica o estado da Bahia, Por vezes, pela semelhança, é confundido com o dialeto nordestino.
Ceará
Cearense não é bem o que você pensava. A formação do cearense se deve a povos vikings que dominaram a Europa séculos atrás.
Brasília - Distrito Federal
Como dizia Niemeyer: "você pode gostar ou não da cidade, mas nunca poderá dizer que já viu algo assim". Para começar, a cidade tem a forma de um avião, que fica dentro de um quadradinho, o Distrito Federal. Não tem esquinas e é a única cidade brasileira a receber uma corrida de... cadeiras de escritório.
Espírito Santo
É um hiato meio bahiano, meio mineiro meio fluminense, mas se acha mesmo carioca sem sotaque, como prova disto, cidade de Vitória, no Espírito Santo, é a única capital brasileira sem destaque no serviço do Google de mapeamento
- para o capixaba as coisas não estragam, "daum tilt".
- capixaba adora falar "ninguém merece" pra tudo.
- capixaba não diz como vai, diz "qualé".
- capixaba inicia as frases com "deixa falar...".
Goiás
Maranhão
O Maranhão nunca conseguiu se definir geograficamente. Parece Norte, já foi Meio-Norte e ultimamente tem de forma tímida se apresentado como Nordeste. Mas na verdade, na verdade mesmo, Maranhão é caribenho, criador do Reggae, simbioticamente vinculado à Jamaica. O Maranhão foi anexado ao pais somente em 1823, pelos ... ingleses, ah! estes ingleses... os mesmos que libertaram os jamaicanos dos malvados espanhóis. Antes disto passou pela mão dos franceses e holandeses.
Mato Grosso
Pelo Tratado de Tordesilhas, pertencia à Espanha, até que abriram mão, já que era num lugar entre o quase e o fim do mundo. Para se ter uma ideia, a notícia da independência do Brasil , que ocorreu em 7 de setembro de 1822, só chegou na província de Mato Grosso em 22 de janeiro de 1823, um pouco desacreditada, mas oficialmente chegou nesta data. Tem fuso horário diferente e confuso, já que não são todas as regiões que adotam este procedimento. Como vê, continuam longe.
Mato Grosso do Sul
Não existe. O que se autodenomina MS não passa de uma expansão gaúcha, com aquelas prendas lindas, aquele churrasco típico, aquelas danças coloridas, chimarrão, poncho e vinho, mas muito garrafão de vinho nas colônias espalhadas pelo território.
Minas Gerais
No plural, caso único de duplo plural cultural, linguístico, econômico etc. Tudo em Minas é plural, tudo passa por Minas, assim no plural, exceto Goiás, mas Goiás não conta. Mineiro é uma incógnita universal que transcende.
O mineirês é um dialeto do português brasileiro falado na região central do estado. O Triângulo fala um mineirês Nheengatu, um dialeto bem rico e quase incompreensível ao português clássico. Na prática todo berlandês é no mínimo bilíngue.
O implacável é o Uai. Nada se compara a ele. É a marca registrada do mineiro. Já tentaram colar muitas hipóteses para explicar o Uai, mas nenhuma delas se sustenta. O Uai existia antes do primeiro mineiro falar. É atávico, Uai é a ontogêneses explicando a filogênese de ser mineiro. Ah! E lá no Goiás, se fala Uai também, deve ser rastilho do plural.
E tem o Trem, e o Trem é uma palavra que designa a Teoria de Tudo, ou Teoria do Todo, ou ainda teoria unificada ou unificadora de Minas. Poderia ser uma teoria científica hipotética que unificaria, procuraria explicar e conectar em uma só estrutura teórica, todos os fenômenos linguísticos do planeta num único tratamento teórico gramatical, linguístico e quântico.
Pará
Em extensão territorial, é maior do que todo o sudeste, e fica só nisto.
O Pará era para ser membro da União Europeia, mas os ingleses, ah!! Os ingleses. Tudo que se sabe é que quando o Brasil se tornou independente no dia 7 de setembro, a Província do Grão Pará não aceitou fazer parte do Brasil, sendo fiel a Lisboa - Portugal.
Um ano depois calçou as sandálias da humildade e aderiu ao Brasil. Porém, essa adesão não foi tão simples. Dom Pedro I, Imperador do Brasil, enviou (sic) para o Pará um comandante de fragata inglês, John Grenfill, que havia sido contratado para formar a nossa Marinha. E ele foi com a missão única e exclusiva de incorporar o Pará ao Brasil, custe o que custar. Chegou lá e assim o fez de maneira dramática, como registrou o historiador Jean Ribeiro.
Paraná
A capital paranaense, Curitiba e alguns torcem para o Coritiba, que manteve a grafia de 1909, tem os pé vermelhos, tem os coxas brancas e uma infinidade de outras derivações étnicas. Só foi colonizado pelos portugueses tardiamente, e hoje soma uma abundância de etnias como portugueses, espanhóis, italianos, alemães, neerlandeses, eslavos, poloneses, ucranianos, árabes, coreanos, japoneses, gaúchos, catarinenses, paulistas, mineiros, nordestinos, indígenas e africanos, as quais colaboraram para o fortalecimento da identidade do povo paranaense.
Ah, sim, fala-se português no Paraná, apesar dos nativos acharem que é uma língua estrangeira.
Pernambuco
Dom João VI, quando veio fazer da província um co-império, cometeu a deselegância de desprezar Recife, a capital da mais rica e próspera capitania do brasil de então. Dali em diante Pernambuco virou uma efervescência de desconjuras. Deu revolução de dar no pau, e criou o maracatu, o frevo e o forró.
Em 1817, cansados de carregar a corte na maré mansa do Rio de Janeiro, fizeram uma grande revolução, apoiada pelos ricos e pela igreja local. Os revoltosos buscaram o apoio dos ingleses, ah! os ingleses fizeram-se de surdos.
Com uma enorme pressão, Dom João VI sufocou a rebelião separatista de uma forma abrupta, com prisões, violência, mortes e torturas. Depois de apaziguar sob o poder das armas, foi aos poucos dividindo a capitania de Pernambuco, criando os estados da Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Alagoas.
Tenho orgulho danado destes pernambucanos.
Rio Grande do Sul
O nome do estado originou-se de uma série de erros e discordâncias cartográficas, quando se acreditava que a Lagoa dos Patos fosse a foz do Rio Grande. Tri legal!!
Segundo a Wikipédia, Gaúcho é uma palavra oriunda do castelhano gaucho, um adjetivo que, aplicado a pessoas, pode significar "nobre, valente e generosa" ou "camponês experimentado em pecuária tradicional", ou ainda "velhaco, astuto, dissimulado ou ardiloso experiente", mas também pode ter o sentido de "vagabundo, contrabandista, desregrado e desprivilegiado".
Como se sabe, gaúcho fala, entende lê e escreve bem o alemão, e tem noções de português para poder suportar os nordestinos de Santa Catarina para cima.
Rio de Janeiro
Não existe. É uma crença popular, talvez o maior problema de identidade cultural dos nativos da terra brasilis. O que temos de verdade na alma do povo é a Guanabara rodeada de fluminenses, uns capixabas, outros mineiros e outros paulistas.
Que venham os ventos da liberdade e devolvam ao país a sua capital cultural, social e maravilhosa.
Rondônia
Nunca deixou de ser o Guaporé lá das bandas do Acre.
Santa Catarina
Estado membro oculto da União Europeia, com capital oficial em Schwerin, eu acho, ouvi dizer, parece que sim, talvez...
São Paulo
"No princípio era São Paulo!"
No princípio criou Deus o Brasil.
E o Brasil era sem forma e vazio; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas da Guanabara.
E disse Deus: Haja São Paulo; e houve São Paulo.
Com a perda da identidade cultural da Guanabara, o Brasil acabou isolando também São Paulo, como se tivéssemos vergonha de sermos felizes e sermos competentes para fazer e acontecer um grande desenvolvimento nacional.
São Paulo caminha a passos largos para a desindustrialização, o que o descaracterizará completamente. Estamos testemunhando um movimento disruptivo de pátria. Triste sina ou maledicência?
É isto aí!















