quarta-feira, 5 de novembro de 2014

A amiga, o noivo, as cartas e o destino.

Aline tinha treze anos e já sabia de coisas que a mãe, professora, jamais suspeitara que existissem. Na escola era a mais querida, a mais amada, a mais procurada, a mais inteligente e a mais invejada, claro, por que as amigas não dão trégua às estrelas. A melhor companheira de memoriais eventos sociais, culturais e aventuras diversas era Clarinha.

Clarinha era o oposto perante a classe e educandário. A mãe era taróloga e a moça quase uma muda, introvertida, roupa comportada, aluna mediana, mas quando entravam em sintonia pelos labirintos da juventude, a mocinha transformava-se numa irreconhecível Clara, a reluzente, e Aline, por incrível que pareça, se retraia. Se completavam como amigas para sempre.

Aline conheceu Heitor, menino tímido, do tipo gordo e bonito. Sossegou o facho de fogueteira estudantil ao descobrir-se apaixonada e reciprocamente correspondida. Clarinha não gostava de ninguém. Afastaram-se, cada uma seguiu sua trilha e seu destino.

Dez anos se passaram. Clarinha tinha medo de não dar certo com Heitor e agora está aflita para chegar na Capela para encontrar sua cara metade, o amor de sua vida, sua felicidade suprema, seu sorriso apaixonado - Fernandinho, um rapaz esforçado e talentoso com futuro promissor na carreira advocatícia, feito o pai.

Ao estacionar o veículo é comunicada que o noivo não está; desapareceu e todos estão aflitos em ambas famílias e amigos em comum. No apartamento vazio e agora imenso, montado e planejado durante meses, um único bilhete sobre a mesa - fui ser feliz.

O telefone toca - era Heitor. Não esperou nem ao menos uma segunda frase - mandou-o ao inferno. Imagine, um tipo gordo daquele me ligar nesta hora de um vazio imenso. Heitor, vá à merda!

Pegou as duas passagens do pacote para as Ilhas Gregas, e lembrou de Aline - a melhor amiga para sempre. Rumou para a casa da inseparável companheira, e para sua surpresa e desespero, o noivo fugitivo estava nos braços da fidelíssima e juramentada companheira de juventude.

Dez anos se passaram e nem Heitor nem nenhum outro nunca mais ligou; Fernandinho assumiu sua porção mulher e Clarinha abriu uma Tenda de Astrologia&Tarot. Aline não se lembrava do trauma do abandono, mas carregava o peso de ter negado duas vezes a possibilidade ser feliz  Passou então a frequentar a Tenda da  Clarinha para ver se descobria um caminho...

É isto aí!

domingo, 2 de novembro de 2014

Mãe aflita

Pioneer woman milking a cow. Ohio or W. Virginia, 1890-1900, Albert J.  Ewing (Photographer) (With images) | Ohio history, Milk the cow, Cow

Você está preparada para casar, Marcineide? - perguntou a mãe aflita.

Claro mamãe, eu sei bem o que significa casar. Com o que a senhora está tão preocupada?

Minha filha, existem coisas diferentes num casamento.

Tem nada mamãe, você pode ficar sossegada.

Mas e as diferenças, o homem tem diferenças.

Ora, mamãe, o Marcinho não é um homem qualquer. Ele é o amor da minha vida. E eu sei que quando casarmos ele vai me tratar com um carinho imenso.

Mas você está sabendo que ele vai tocar em você?

Tocar em mim? Assim, tipo pegar na minha mão, estas coisas Ora, mamãe, ele já faz isto.

Faz o que, minha filha?

Ele pega na minha mão, ele alisa o meu cabelo, ele aperta delicadamente minhas bochechas, e aí eu suspiro. Não é assim não?

Mas ele vai estar nu com você, Marcineide. 

Nu? Tipo assim pelado? Ficou doida, mamãe? Onde já se viu isto? Que isto? Marcinho nunca faria uma coisa destas comigo.

Minha filha. Aquilo que os touros fazem com as vacas, os cavalos fazem com as éguas, os porcos com as porcas, entende agora? Você já viu isto dezenas de vezes aqui na roça.

Ah, bom! Você está falando da cobertura, ah, isto aí eu já sabia... bicho cruza mesmo mãe, que susto. Eu sei cuidar dos bichos.

Como assim, que susto? O que você pensou?

Achei que o Marcinho ia pegar a andar pelado, mas isto de botar os bicho para cruzar eu já vi até enjoar aqui na roça... e vai daí que num deve de ser nada diferente, o difícil que vou achar é ficar de quatro com ele subindo nas minhas costas, mas com o tempo vai que a gente acostuma...

É isto aí

sábado, 1 de novembro de 2014

O banco da pracinha

Atenção - este texto não é meu - Copiei e Colei do site abaixo:
http://informacaoincorrecta.blogspot.com.br/2014/03/banco-da-inglaterra-toda-verdade-nao.html


Na passada Terça-feira, o diário inglês The Guardian publicou um artigo que vale a pena ler.

Assunto: bancos e dinheiro. Um artigo fantástico. Que, enquanto tal, passou absolutamente (e não casualmente) despercebido.

Tudo nasce dum relatório do Banco da Inglaterra, Money creation in the modern economy ("A criação do dinheiro na economia moderna"). O The Guardian pegou nas 14 páginas do estudo e explicou de forma simples o que isso significa.

Nada daquilo que segue é novidade para os leitores deste blog. Mas atenção: este é o The Guardian cuja versão online, só para ter uma ideia, é a terceira mais lida do mundo (9 milhões de visitas diárias).

Vamos ler:

A verdade desvendada: o dinheiro é apenas uma promessa de pagamento, e os bancos aproveitam.

Na década de 1930, Henry Ford supostamente observou que era uma coisa boa que a maioria dos americanos não soubesse como o sistema bancário realmente funcionava, porque se o soubessem "haveria uma revolução antes de amanhã de manhã".

Na semana passada, algo notável aconteceu. O Banco da Inglaterra falou. Num artigo chamado "A criação do dinheiro na economia moderna", co-autoria de três economistas da Direção de Análise Monetária do Banco, declara abertamente que as ideias mais comuns de como funciona o banco estão simplesmente erradas, e que os as posições populistas, heterodoxas, mais normalmente associadas a grupos como Occupy Wall Street estão corretas. Ao fazê-lo, o Banco efetivamente atira toda a base teórica da austeridade para fora da janela.

Para ter uma noção de quanto radical seja a posição do Banco, considerarmos o ponto de vista convencional, que continua a ser a base de todo o debate sobre a política pública. As pessoas colocam o dinheiro delas nos bancos. Os bancos emprestam esse dinheiro com juros (aos consumidores, ou aos empresários dispostos a investir). É verdade, o sistema da reserva fraccionária não permite que os bancos emprestem muito mais do que mantêm em reserva, e se as poupanças não forem suficientes, os bancos privados podem procurar empréstimos do banco central.

O banco central pode imprimir tanto dinheiro quanto desejar. Mas também tem o cuidado de não imprimir muito. Na verdade, é dito com frequência que é por isso que existem os bancos centrais independentes. Se os governos pudessem imprimir dinheiro, certamente imprimiriam demais e a inflação resultante atiraria a economia para o caos. Instituições como o Banco da Inglaterra ou a Federal Reserve foram criadas para regular cuidadosamente a oferta de dinheiro para evitar a inflação. É por isso que estão proibidos de financiar diretamente o governo, por exemplo, através da compra de Títulos do Estado, mas financiam a atividade econômica privada que o governo simplesmente taxa.

É esse conceito que permite continuar a falar de dinheiro como se fosse um recurso limitado, tal como a bauxita ou o petróleo, e dizer "não há dinheiro suficiente" para financiar programas sociais, falar da imoralidade da dívida pública ou da despesa pública.

O que o Banco da Inglaterra admitiu esta semana é que nada disso é verdade. Para citar um dos seus próprios resumos iniciais: "Ao invés de receber os depósitos das famílias que poupam e, em seguida, empresta-los, os empréstimos bancários criam depósitos" [...] "Em tempos normais, o banco central não fixa a quantidade de dinheiro em circulação".

Em outras palavras, tudo o que sabemos não está apenas errado, é o contrário. Quando os bancos fazem empréstimos, criam dinheiro. Isso ocorre porque o dinheiro é realmente apenas uma promessa de pagamento. O papel do banco central é presidir uma ordem jurídica que concede efectivamente aos bancos o direito exclusivo de criar notas promissórias, aquelas que o governo vai reconhecer com curso legal e aceitá-las no pagamento de impostos. Não há realmente nenhum limite ao quanto os bancos poderiam criar, desde que possam encontrar alguém disposto a contrair um empréstimo.

Nunca ficarão sem dinheiro, pela simples razão de que os que contraem empréstimos, de modo geral, não guardam o dinheiro debaixo do colchão, assim, em última análise, todo o dinheiro dos empréstimos bancários vai acabar de volta em algum banco. Assim, para o sistema bancário no complexo, cada empréstimo efetuado só se torna um outro depósito. Além de mais, na medida em que os bancos precisam de adquirir fundos do banco central, podem pedir emprestado tanto dinheiro quanto gostam, tudo o que é feito é definir uma taxa de juros, o custo do dinheiro, e não a sua quantidade. Desde o início da recessão, os bancos centrais dos EUA e do Reino Unido reduziram esse custo a quase nada. Na verdade, com o "Quantitative Easing" efetivamente bombearam o máximo de dinheiro possível nos bancos, sem produzir quaisquer efeitos inflacionários.

O que isto significa é que o limite real da quantidade de dinheiro em circulação não é o quanto o banco central está disposto a emprestar, mas quanto o governo, as empresas e os cidadãos comuns estão dispostos a pedir em empréstimo. Os gastos do governo são o principal motor de tudo isto (e o relatório admite, ao lê-lo com cuidado, que o banco central financia o governo). Então, os gastos públicos não limitam o investimento privado. É exatamente o oposto.

Porque o Banco da Inglaterra de repente admite tudo isso? Bom, uma das razões é porque é obviamente verdadeiro. O trabalho do Banco é analisar o sistema e, ultimamente, o sistema não tem funcionado particularmente bem. É possível que tenha decidido que a manutenção da fantasiosa versão da economia, que se tem mostrado tão conveniente para os ricos, é simplesmente um luxo que não é possível pagar.

Mas, politicamente, está a assumir um risco enorme. Basta considerar o que poderia acontecer se os detentores das hipotecas percebessem que o dinheiro emprestado pelo banco não é, na verdade, as poupanças duma vida de alguns reformados, mas algo que o banco só tem criado por meio da varinha mágica que nós, o público, lhe demos.

Historicamente, o Banco da Inglaterra tende a ser um termômetro, demarcando posições radicais que, afinal, tornam-se novas ortodoxias. Se isso é o que está a acontecer aqui, podemos em breve estar numa posição para saber se Henry Ford estava certo.

Como o Leitor terá percebido, este é um daqueles artigos que devem ser imprimidos, emoldurados e pendurados perto da mesa de cabaceira.

Porque aqui está toda a mentira na qual vivemos: o nosso tornou-se um sistema que existe para alimentar os bancos. A compra duma casa, dum carro, o cartão de crédito, de dívida: tudo permite que o banco crie mais dinheiro a partir do nada, dinheiro que será outra vez emprestado, criando juros e lucro para o banco, num círculo que parece não ter limites.

Deveria haver por aqui um pouco de satisfação por parte de quem escreve: quanto afirmado pelo The Guardian (que fez o resumo) e pelo Banco da Inglaterra (que publicou o relatório) é exatamente quanto repetido nestas páginas ao longo dos últimos três anos e meio. Mas, em vez de satisfação, há amargura. E perceber a razão é simples.

Este relatório apareceu na metade deste mês, enquanto o artigo do The Guardian é da semana passada. O que aconteceu desde então?

Viram especialistas na televisão discutindo acerca do assunto? Reportagens? Aprofundamentos? Artigos nos jornais nacionais, tão solícitos em traduzir as últimas novidades quando estas estiverem relacionadas com o último bebé da casa real?

Não houve nada. O que é fantasticamente deprimente: um banco (e não um banco qualquer) afirma que somos burlados, todos, indistintamente, repetidamente, e o nada absoluto é a resposta.

"Porque o Banco da Inglaterra de repente admite tudo isso?" pergunta o jornalista.
A minha resposta é: porque sabe que é verdade e que não há nenhum risco em revela-la. Não vai haver manifestações de protestos, nenhuma questão levantada nos vários parlamentos nacionais, nenhum Leitor escandalizado que escreve ao redator do diário local.
Não vai haver nada.

Se o Banco da Inglaterra tivesse escrito que José Mourinho (o português treinador de Chelsea) é um parvo, em Portugal teria explodido uma meia revolução. Pelo contrário, o Banco afirma que somos constantemente enganados e a nossa indignação consiste em ficar preocupados com um avião desaparecido do outro lado do planeta.

"Historicamente," conclui o jornalista, "o Banco da Inglaterra tende a ser um termômetro, demarcando posições radicais que, afinal, tornam-se novas ortodoxias".

Esta é uma observação que temos de ter em conta. O discurso arrisca ser demasiado comprido, mas não podemos esquecer a quem pertence o Banco da Inglaterra (e não, não é da Rainha...). Um relatório como este não é algo que inocentemente foi publicado num anônimo dia de Março: porque, na verdade, as mesmas coisas poderiam ter sido escritas há um, cinco ou dez anos atrás. Se apareceu agora, é porque existe um motivo.

Qual? Mudanças no horizonte.
Nenhuma revolução como preconizado por Henry Ford. Mas alguém decidiu ter chegado o tempo duma mudança. Que será lenta, pouco visível e que não sabemos até que ponto poderá trazer algo de bom. Mas o relatório do Banco da Inglaterra é o apito inicial.


Ipse dixit.


O importante é manter o charme


O inferno são os outros


Recebi no início da campanha eleitoral um e-mail que impressiona pelo amadorismo. Um grupo insatisfeito com a Democracia, propõe um governo ditatorial, com comando único, sem eleição e com a perda dos direitos civis. Bem, vamos ao conteúdo, onde procurarei, dentro da imparcialidade que este grupo não tem, questionar de uma forma elucidativa, suas convicções:





GOVERNO FEDERAL E POLITICOS ESTÃO PREOCUPADÍSSIMOS COM UMA GRANDE MOBILIZAÇÃO QUE COMEÇA A TOMAR VULTO NA INTERNET.
É... o clima lembra o período que antecedeu a revolução francesa.
Engraçado, achava que era parecido com o golpe de 1964.

O terceiro estado (povo esclarecido) clama por justiça.
Terceiro estado? Que negócio é este? No Reino de Portugal, entre o século XV e XVII, o termo Terceiro Estado indicava as pessoas que não faziam parte do Clero (Primeiro Estado) nem da nobreza (Segundo Estado), ou seja, eram os burgueses. Será a Dilma uma papisa?

Há uma enorme movimentação pela internet para reunir um milhão de pessoas na Avenida Paulista pela demissão de toda a classe política (ainda sem data marcada).
Um milhão de burgueses na Paulista. Que coisa, hem!? Cito os burgueses, por que eles se auto-intitulam o 3º Estado.

Este e-mail de convocação já começou a  circular e está sendo lido por centenas de milhares de pessoas. A guerra contra o mau político, e contra a degradação da nação está começando. Não subestimem o povo esclarecido que começa a sair da inércia e de sua zona de conforto para lutar por um Brasil melhor.
E-mail de convocação? Parece um Comando de Ordem Unida, ou algo parecido.

Todos os ''governantes'' do Brasil, até aqui, falam em cortes de despesas - mas não CORTAM despesas - querem o aumentos de impostos como se não fôssemos o campeão mundial em impostos. A história nos mostra que muitos governantes caíram e até perderam suas cabeças exatamente por isto.
Generalizar é a melhor forma de mostrar que não tem domínio sobre o tema. Alguém fala, alguém não corta, etc. É interessante a intenção de ressuscitar a guilhotina como mecanismo de composição democrática. E, claro, não somos os campeões mundiais de impostos, mas aí perderia o sentido se soubessem disto.

Nenhum governante fala em: 
Olha aí a generalização de novo - nenhum governante, qual governante? Mais generalizações.

1. Reduzir as mordomias (gabinetes, secretárias, adjuntos, assessores, suportes burocráticos respectivos, carros, motoristas, 14º e 15º salários etc.) dos poderes da República.
E toma generalização sem nenhum critério de discussão. Poderia até ser um tema interessante, mas foi tão banalizado que ficou fora do esquadro.

2. Redução do número de deputados da Câmara Federal, e seus gabinetes, profissionalizando-os como nos países sérios. Acabar com as mordomias na Câmara, Senado e Ministérios, como almoços opíparos, com digestivos e outras libações, tudo à custa do povo;
- Profissionalizar político? Como assim? Terão patentes? Farão carreira militar no Congresso Nacional? 
- Acabar com as mordomias. Generalizar para não discutir.
- Almoços opíparos com digestivos (Em relação a que? Ao que comem os burgueses que locupletarão a Paulista? E o que exatamente quer dizer Digestivos? Será um Bicarbonato?)
- Libações - Veja só - Vinhos oferecidos às divindades, deusas e deuses tupy-guaranys.

3. Acabar com centenas de Institutos Públicos e Fundações Públicas que não servem para nada e, têm funcionários e administradores com 2º e 3º emprego;
Quais não servem para nada? Generalizar para não discutir. Sem nenhum embasamento.

4. Acabar com as empresas Municipais, com Administradores a auferir milhares de reais/mês e que não servem para nada, antes, acumulam funções nos municípios, para aumentarem o bolo salarial respectivo.
Empresas Municipais. Quais? Em que circunstância? Seriam as Funerárias? Sério isto?

5. Acabar com as Câmara Estaduais, que só servem aos seus membros e aos seus familiares.
Câmaras Estaduais - o que são as Câmaras Estaduais? O que fazem? Cite pelo menos um exemplo. Como sempre, generalizar para banalizar.

6. Redução drástica das Câmaras Municipais e das Assembleias Estaduais .
Redução drástica - credo! E o povo que se dane. E as Assembleias? Como ficam as leis estaduais?

7. Acabar com o Financiamento aos partidos, que devem viver da quotização dos seus associados e da imaginação que aos outros exigem, para conseguirem verbas para as suas atividades; Aliás, 2 partidos apenas como os EUA e outros países adiantados, seria mais que suficiente.
- A qual financiamento? Empréstimo pelo Banco do Brasil? Financiar partidos? Desconhecimento total das leis.
- Aqui o mais ridículo - Dois partidos como os Estados Unidos. Na realidade quis dizer dois partidos como Arena e MDB, mas não tem coragem, então conta uma mentira destas. Uma rápida olhada na Wikipédia acaba com esta bobagem. Vai ficar chateado ao descobrir mais de 60 partidos por lá.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_partidos_pol%C3%ADticos_nos_Estados_Unidos

8. Acabar com a distribuição de carros a Presidentes, Assessores, etc.., das Câmaras, Juntas, etc., que se deslocam em digressões particulares pelo País;
Generalizar para não discutir. Todos de Liteira então...

9. Acabar com os motoristas particulares 24 h/dia, com o agravamento das horas extraordinárias... para servir suas excelências, filhos e famílias e até, as ex-famílias...
Ora bolas, se são particulares, não são do Estado. Vai matar todos os motoristas então?

10. Acabar com a renovação sistemática de frotas de carros do Estado;
Vai enriquecer as oficinas. Muito interessante. Nada de novidade, tudo reformadinho. E os incentivos fiscais, as vantagens de um menor custo de manutenção que se danem...

11. Colocar chapas de identificação em todos os carros do Estado. Não permitir de modo algum que carros oficiais façam serviço particular tal como levar e trazer familiares e filhos, às escolas, ir ao mercado a compras, etc.;
E a polícia federal e estadual, civil e militar? Brincadeira isto, hem!

12. Acabar com o vaivém semanal dos deputados e respectivas estadias em em hotéis de cinco estrelas pagos pelos contribuintes;
Generalizar para banalizar. Como assim vaivém? Ah, claro, os deputados serão cargos de carreira com patente, lotados em seus respectivos comandos de área. Mas que coisa, hem!

13. Controlar o pessoal da Função Pública (todos os funcionários pagos por nós que nunca estão no local de trabalho). HÁ QUADROS (diretores gerais e outros) QUE, EM VEZ DE ESTAREM NO SERVIÇO PÚBLICO, PASSAM O TEMPO NOS SEUS ESCRITÓRIOS DE CONSULTORIAS A CUIDAR DOS SEUS INTERESSES....;
Função Pública foi extinta em 1988, mas tudo bem se querem controlar, vão à luta!

14. Acabar com as administrações numerosíssimas de hospitais públicos que servem para garantir aos apadrinhados do poder - há hospitais de cidades com mais administradores que pessoal médico. Às oligarquias locais do partido no poder...
Mais ridículo, impossível. Você conhece algum hospital público assim?

15. Acabar com os milhares de pareceres jurídicos, caríssimos, pagos sempre aos mesmos escritórios que têm canais de comunicação fáceis com o governo, no âmbito de um tráfico de influências que há que criminalizar, autuar, julgar e condenar;
Então está bem. Que a sociedade passe a fazer pareceres domesticos, pareceres intergalácticos, etc, mas jurídico nem pensar, pois parece que será extinta a área judicial.

16. Acabar com as várias aposentadorias por pessoa, de entre o pessoal do Estado e entidades privadas, que passaram fugazmente pelo LEGISLATIVO.
Ridículo. Um professor, um médico, etc. estão proibidos de trabalhar para o Estado. Que coisa, hem! 

17. Pedir o pagamento da devolução dos milhões dos empréstimos compulsórios confiscados dos contribuintes, e pagamento IMEDIATO DOS PRECATÓRIOS judiciais;
Aqui a genialidade do autor é impressionante - observe - fala em PEDIR, mas não diz a quem nem se será atendido, é apenas um refresco, um ventilador pequeno na sala de TV.
É claro que Precatório é uma aberração Jurídica, mas cada caso é um caso. Existem precatórios que são casos de complexo e meritório estudo sobre a sua origem.

18. Criminalizar, imediatamente, o enriquecimento ilícito, perseguindo, confiscando e punindo os ladrões que fizeram fortunas e adquiriram patrimônios de forma indevida e à custa do contribuinte, manipulando e aumentando preços de empreitadas públicas, desviando dinheiros segundo esquemas pretensamente "legais", sem controle, e vivendo à tripa forra à custa dos dinheiros que deveriam servir para o progresso do país e para a assistência aos que efetivamente dela precisam;
Isto é justo, mas com Justiça. Está na Lei. Mas não há aqui a preocupação em fortalecer o Judiciário, ampliar este serviço, por que dá a entender que a Justiça não é quem deverá fazer isto neste plano.

19. Não deixar um único malfeitor de colarinho branco impune, fazendo com que paguem efetivamente pelos seus crimes, adaptando o nosso sistema de justiça a padrões civilizados, onde as escutas VALEM e os crimes não prescrevem com leis à pressa, feitas à medida;
Julgar e condenar sem provas, bastando a denúncia de alguém que não gosta de você. Que coisa hem!

20. Impedir os que foram ministros de virem a ser gestores de empresas que tenham beneficiado de fundos públicos ou de adjudicações decididas pelos ditos.
A quarentena existe, mas parece que a proposta é prender o sujeito depois de sair do serviço público.

21. Fazer um levantamento geral e minucioso de todos os que ocuparam cargos políticos, central e local, de forma a saber qual o seu patrimônio antes e depois.
Mais uma vez exclui a Justiça. Estranho isto daí. É claro que todo enriquecimento ilícito deve ser investigado, mas com ferramentas democráticas.

22. Pôr os Bancos pagando impostos e, atendendo a todos nos horários do comércio e da indústria.
Um banco 24 horas. Onde tem isto no mundo? E quanto aos impostos, não são isentos.

23. Proibir repasses de verbas para todas e quaisquer ONGs.
Não existem mais ONGs - que coisa, hem! Pois qualquer organização privada não é governamental. Falta conhecer a Lei, que parece não ser o interesse.Não serei eu quem vai ensinar isto, pois mais uma vez o Ministério da Justiça é o caminho da lei federal 9790 de 1999.

24. Fazer uma devassa nas contas do MST e similares, bem como no PT e demais partidos políticos.
Demorou. O alvo é apenas o PT.  

25. REVER imediatamente a situação dos Aposentados Federais, Estaduais e Municipais, que precisam muito mais que estes que vivem às custas dos brasileiros trabalhadores e, dos Próprios Aposentados.
Que coisa doida é esta. Fala em Rever Imediatamente, mas de uma forma inteligente não diz por quê Rever. Muito esquisito. 

26. REVER as indenizações milionárias pagas indevidamente aos "perseguidos políticos" (guerrilheiros).
Demorou. O alvo são os que lutaram contra a Ditadura.

27. AUDITORIA sobre o perdão de dívidas que o Brasil concedeu a outros países.
Nossa, que coisa hem... Quem vai lá cobrar? Será que perdoou dívidas da Europa, USA? Será que os acordos internacionais não valem nada?

28. Acabar com as mordomias (que são abusivas) da aposentadoria do Presidente da Republica, após um mandato, nós temos que trabalhar 35 anos e não temos direito a carro, combustível, segurança, etc.
Nós quem cara pálida? E mais uma vez generalizar para não discutir.

29. Acabar com o direito do prisioneiro receber mais do que o salário mínimo por filho menor, e, se ele morrer, ainda fica esse beneficio para a família. O prisioneiro deve trabalhar para receber algum benefício, e deveria indenizar a família que ele prejudicou.
Não existe este direito. esta afirmação acima é FALSA.

Já que esses nossos politicos e governantes não querem fazer reformas de fato, não querem passar o Brasil a limpo, cabe a nós, povo esclarecido, fazer isto através da mobilização em massa e ir para as ruas (sem vandalismo) manifestar a nossa insatisfação.
Nós quem? Esclarecido em que?


Vamos juntos, vamos mostrar que no Brasil o povo esclarecido pode realmente mudar o rumo da história .... já que pelas urnas vai ser difícil por motivos óbvios.
Humm, povo esclarecido espertinho este hem! Sem votos mas com golpe. Os motivos óbvios são que só querem se arrumar.

Eterna Saudade (Dilermando Reis) - Raíssa Amaral

Arlindo, estou grávida!


Arlindo, precisamos conversar...

Mas é o que estamos fazendo, Terezinha - estamos conversando.

Nossa, Arlindo, como você é burro. Quarenta anos juntos e sempre o mesmo burro.

Bem, pelo menos você achou alguma coisa em mim...

Arlindo, eu tenho que falar uma coisa com você, e não sei como dizer isto.

Terezenha, comece pelo mais simples.

Odeio quando você faz este maldito trocadilho com meu nome, me chamando de Terezenha, eu sei por que você faz isto. Você é um cretino, e eu descobri que este "enha" é por que você me julga seca, enrugada e inflexível como uma haste de lenha, e não desminta por que ouvi esta versão de uma amiga cujo marido bêbado, que é da sua turminha de idiotas, contou achando graça.

Vai, fala logo ou então termina esta conversa.

Nem desmente. Cretino! Cretino! Ai, que ódio, meu Deus, que ódio... Arlindo, eu preciso te dizer uma coisa, nem sei como falar, mas não posso mais esconder isto está doendo muito em mim esta vida dupla que estou levando. Arlindo... eu... eu... olha Arlindo, quero que saiba que te amo, mas tenho um amante.

(silêncio)

Um amante, Arlindo, um homem que me ama, me seduz, me tem nos seus braços e me chama de amor.

(silêncio e sorrindo)

Espera, você não vai falar nada? Diz prá mim, Arlindo, fala alguma coisa e tira este sorrisinho irônico do rosto... perdoa Arlindo, eu te traí por que te amo... perdoa meu amor...

(gargalhando)

Para de rir, Arlindo, para com isto... espera, onde você vai? Volta, amor, não ria... fiz isto por nós dois...

Só vou no bar contar esta para os amigos e depois eu volto...

Volta amor... precisamos conversar mais sobre isto... é que estou grávida...

Ai, Terezinha, você é muito divertida... (gargalhadas escandalosas)

Malvado... bem que podia ser verdade só para você ser corno...

Mas aí eu já teria te abandonado.

É... por este lado melhor que não, não é amor?

É isto aí!




quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Cheiro

Autor - Alonso Alvarez 
Poema - Cheiro

ontem à noite
sonhei de corpo inteiro
– acordei com teu cheiro

A bunda, que engraçada

Autor - Carlos Drummond de Andrade 
Poema - A bunda, que engraçada

A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.

Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora – murmura a bunda – esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.

A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.

A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.

Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.

A bunda é a bunda,
rebunda.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Amo-te três vezes

Amo-te três vezes

                                      Amo-te três vezes                                      
Crê serem muitas?
Cada uma com três formas
Cada forma com três jeitos

Cada jeito com três maneiras
De cada maneira três atos
Em cada ato três falas
Em cada fala um ensejo

Amo-te três vezes
Tanto te amo e te beijo
Que até nos devaneios
Tu és um triplo desejo.
Three Women Fernand Leger - 1921  http://www.wikiart.org/pt/fernand-leger



Simpatia de Ano Novo para casar

Diga-me mestre, como fazer para conquistar um homem rico, bonito, alto, forte, solteiro, heterossexual, educado, inteligente, culto, novo, viril, de boa família, fiel, religioso e apaixonante?

Tem certeza disto, minha filha?

Sim, Mestre. Tenho convicção que quero um homem assim.

Minha filha, este homem não existe.

Existe, Mestre. Minha amiga arrumou um para ela e ele é assim. Eu quero um igual para mim.

Sei.... arranjou mesmo? Tem certeza?

Bem, não é isto tudo, mas se a gente pode pedir o pacote completo, para que regatear, não é verdade?

Entendo. Olha, o tempo não tem compromisso com o espaço.

Como assim, Mestre?

Ele poderá ser rico um dia, mas não necessariamente na hora que te encontrar.

Ah, não, quero pobre não, se vira aí. 

Então, filha, você vai precisar de uma folha de papel virgem...

Papel virgem? Mas o que é isto, Mestre? Tem ninguém virgem mais não, que dirá de papel. Conheço papel crepom, almaço, cartão, papel jornal, papel manteiga. 

Pode ser qualquer um, minha filha. Mas de preferência o Sulfite.

Sulfite, Mestre? Que papel é este?

Estes de formato A4 para impressora, sabe minha filha?

Ah... olha só... desculpe de rir.. então chama Sulfite... danadinho hem Mestre.

Então pega uma folha de papel sulfite virgem

Mas como vou saber se ela é virgem, Mestre?

Minha filha, virgem é uma folha que nunca foi usada, que nunca recebeu contato nenhum da mão do homem.

Nossa, Mestre, quer dizer então que se for uma mulher... uau.... não penetra... safadinho, hem Mestre...

Minha filha, pegue uma folha que nunca foi usada para nada, por ninguém. Entendeu?

Entendi. Agora ficou claro. Mas pode ser rosa?

Pode, pode ser rosa.

Vixemaria, então vou ter que comprar por que lá em casa só tem branca. Mas e verde? Pode ser verde?

Pode, minha filha, pode ser verde.

Humm, nunca vi folha verde.. deve de ser bonita.

É, deve ser bonita. Mas escolha a cor da sua preferência...

Está bem...

Em seguida providencie um Pote de Vidro transparente e virgem, com tampa de rosca.

Puxa vida, o senhor tem fixação em virgens mesmo... pode ser pote de maionese?

Minha filha, só pode ser pote virgem, que nunca foi usado para nada, igual a folha, entendeu?

Mas se eu lavar o vidro bem direitinho, fica novinho em folha, mas já a folha, se eu lavar, fica molhadinha... (gargalhadas)

Minha filha, vá à loja e compre um pote destes pequenos, de vidro, com tampa.

Pode ser tampa estampada? Ou tem que ser lisa? Posso colocar uns adesivos de Santo Antônio só para garantir?

O pote pode ser de qualquer jeito, mas sem adesivos, por que tem que ser virgem.

Nossa, Mestre, que fixação, Santo Antônio não vai tirar a virgindade da tampa e da rosca não.

Minha filha, em seguida, faça uma pasta de mel virgem com açúcar, de maneira que todo o volume caiba dentro do pote. esta pasta deverá ser feita com uma colher de madeira virgem, em uma tigela de vidro também virgem.

Mestre, o senhor é virgem? Por que, sinceramente, para que tanta virgindade assim. O senhor deveria se tratar, sei lá, o senhor já viu uma virgem? Tem trauma?

Então, minha filha, pegue a folha de papel e escreva o nome completo da pessoa desejada, utilizando uma caneta...

Virgem não é? Acertei? Uma caneta virgem... uau... Pode ser vermelha?

Pode, minha filha.

Posso desenhar uns coraçõezinhos ao lado do nome?

Não, minha filha, não pode.

Chateada... nem um coraçãozinho pititititinho assim, deste tamaninho? 

Não minha filha, quanto menor o coração, menor a caneta do garanhão...

Nossa, então, na rima, melhor que não.. (rindo de dobrar)

Dobre o papel até que caiba deitado no fundo do pote.

Mas Mestre, aí ficará muito grosso...

Minha filha, você já está começando a entender o espírito da coisa.

Bobinho...

Agora, minha filha, coloque a pasta de mel e açúcar sobre o papel...

Mestre, o açúcar é cristal ou refinado?

Você poderá variar do mascavo ao refinado, vai depender da cor que está no seu pedido...

Sério? Pode ser um mulatinho ou um branquinho?

Sim, minha filha, pode ser da cor do seu desejo...

Ái, negão você é meu... desculpe Mestre, não resisti...

Bem, minha filha, em seguida tampe bem o vidro e enterre  bem em algum lugar onde ninguém pise. Não conte para ninguém que você fez a simpatia, é muito importante mantê-la em segredo.

Enterrar? Como assim? O negão vai ficar por baixo? Quero não.

Tem nada disto, minha filha, é parte da simpatia.

Mestre, e se não der certo?

Aí, minha filha, pois é... se não der certo... o rapaz vai ficar numa alegria incontida...

É isto aí!


Disfarce da Dor

Autora - Florbela Espanca
Disfarce da Dor 


Tento disfarçar a minha dor
Com uma face, dor que não se enxerga,
Só eu vejo o sentimento
Que sufoca meu coração,
Entristece minha alma
E perturba minha mente,
Por dentro eu grito e choro como
Uma criança sendo torturada,
Mas por fora sou uma simples pessoa
Tentando disfarçar a realidade que vive,

E disfarço tão bem que poucos percebem.


segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Quem ri quando goza

Autora - Alice Ruiz          
Poema - Quem ri quando goza



quem ri quando goza
é poesia
até quando é prosa


Oração dos Casais


Autor - Carlos Lúcio Gontijo   
Poema - Oração dos casais

Meu bem, 
sei que Deus protege os casais
Semeia trigais de ternura na pele
Para que o amor sele
as marcas da procura.

Então, 
na hora em que a gente for dormir
Façamos jus aos cuidados do Senhor
Por favor,
acenda-me quando apagar a luz!

Arte Final

Autor - Affonso Romano de Sant'Anna                
Poema - Arte-final

Não basta um grande amor
            para fazer poemas.
E o amor dos artistas, não se enganem,
não é mais belo
            que o amor da gente.

O grande amante é aquele que silente
se aplica a escrever com o corpo
o que seu corpo deseja e sente.

Uma coisa é a letra,
e outra o ato,

            – quem toma uma por outra

               confunde e mente.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Chico Buarque - Pedaço de mim

Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi
Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor

Adeus

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Templo da Salvação em Zênite


Irmãos e Irmãs, este é meu Templo, a Casa Sagrada da Salvação em Zênite. Hoje fui tocado pelas ninfas do Templo, logo ao amanhecer, e senti que deveria ungir dois membros da nossa Missão, com a Cura Divinizada por mim, para mim e em mim. 

Irmãos e irmãs, hoje vou libertá-los. Sente dor na cabeça? Sente dor nas costas? Lombalgia? Espinhela caída? Sente dor de barriga? Sente dor nas pernas? Sente mal do Fígado? Diarreia? Corrimento? Prisão de Ventre? Impotência Sexual? Diga ao seu senhor, que eu o curo. Eu sou divino, maravilhoso, poderoso, cheiroso e gostoso. E o inimigo não me vence, Irmão, não me vence Irmã, por que este Templo é protegido pela unção das minhas mãos sagradas.

Você aí, de camisa xadrez. O que você sente irmão? 

Eu?

É, você mesmo. Os anjos me dizem que sente uma dor.

Bem, sinto uma enorme dor de dente.

Pecador, pois eu mesmo não lhe disse que abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditos todos os seus dentes?

Disse Missionário, o senhor realmente disse.

Então, pecador, se tivesse procurado os profissionais da Santa Arcada da nossa Clínica Celestial da Salvação Oral, que trabalham voluntariamente pela Causa por uma módica quantia para as obras, por apenas cinco mil reais sua boca estaria digna deste templo, mas não - preferiu os dentistazinhos do mundo. Agora clamará pela cura até a exaustão e terá que pagar a multa do Perdulário, que me é de direito cobrar, conforme nosso Regimento Salvítico.

Irmãos e irmãs, nem toda dor é passível da cura pelas minhas mãos ungidas, pois o Inimigo antecipa os passos místicos para nos atentar. A senhora aí, irmã, de blusa preta, isto, pode se levantar, a senhora mesmo. Qual a sua dor, irmã?

Eu? Nossa, Missionário, estou tão nervosa. Eu nem vinha, sabe, mas uma voz entrou dentro de mim com tanta força, de baixo para cima, sabe? Uma voz forte, cavernosa, grave, ui... nossa, foi bom demais da conta...

Não preciso destes detalhes irmã, pois sei como a senhora ..., bem, deixa prá lá. Fale, Irmã, que eu te liberto agora, e o farei pelo poder a mim constituído pelas Sete Potestades do meu jardim.

Eu estou com muita dor no dedão, Missionário. Estou com uma baita de uma unha encravada, que dói e lateja sem parar...

Hipócrita, samaritana, pecadora. Onde estava quando não ouviu o chamado da sua salvação? Eu digo, pela voz dos meus anjos, estava pecando na luxúria de uma bacia de uma pedicure do mundo.

Piedade, Missionário, piedade...

Se tivesse utilizado do serviço das profetizas missionárias do meu Reino, pela módica quantia de trezentos reais por pé, seus pés entrariam no paraíso. Mas não, agora os tem em pecado. Retire-se agora, por que este templo é santo.

Amém?! Aleluia? Não esqueçam da contribuição voluntária de cobrança compulsória de apenas cem reais, irmãos. Vamos ter fé, irmãos, que a luta é severa contra os pecados da carne.

É isto aí!

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Sangue de mênstruo

Autora - Marina Colasanti         
Sangue de mênstruo


Paixão se escreve
em folha vermelha
de papel de seda
selada com lacre.

Paixão te escrevo
em língua de fogo
pena de flamingo
flor de gravatá.

Minha tinta é sumo
de morango e amora
suco de cereja.
Mas no fim do escrito
só sangue me assina
sangue de mênstruo
     fúria de assassina.

Por onde ela passa

Poesia de Domínio Público - Autor Desconhecido**
Por onde ela passa
**Fiz modificações no poema original que circula na rede, e é este com as modificações o que está ao lado da foto que motiva e ilustra o tema. Logo abaixo da fotografia, o poema no original.




Por onde ela passa todo mundo espia
Não para a cara, que não é formosa
Mas para a bunda, que é maravilhosa
Confesso com emoção em riste
Em bunda nunca vi tanta magia

Dobra, requebra, e rodopia
Numa pureza lascívia
E ela tem uma bunda tão rosa
Que quando se olha
parece o céu amanhecendo o dia

E ela sabe que sua bunda é boa
Vai pela rua rebolando à toa
fazendo a multidão esquecer da proa

Eu a contemplo num silêncio mudo
 Embora a cara não valesse tanto
 Só aquela bunda me valia o mundo!




Por onde ela passa... (Poema Original)

Por onde ela passa todo mundo espia
Não para a cara que não é formosa
Mas para a bunda, que é maravilhosa
Em bunda nunca vi tanta magia

Sobre, requebra e rodopia
Numa expressão maravilhosa
Deve ser uma bunda cor de rosa
Da cor do céu quando desponta o dia

E ela sabe que sua bunda é boa
Vai pela rua rebolando à toa
Deixando a multidão maravilhada

Eu a contemplo num silêncio mudo
Embora a cara não valesse nada
Só aquela bunda me valia tudo!







Coito

Autor - Ferreira Gullar  
Coito

Todos os movimentos
           do amor
           são noturnos
mesmo quando praticados
           à luz do dia

Vem de ti o sinal
           no cheiro ou no tato
que faz acordar o bicho
           em seu fosso:
           na treva, lento,
           se desenrola
                     e desliza
em direção a teu sorriso

Hipnotiza-te
com seu guizo
                     envolve-te
em seus anéis
corredios
                     beija-te
                     a boca em flor
e por baixo
           com seu esporão
           te fende te fode

           e se fundem
           no gozo

depois
desenfia-se de ti

           a teu lado
           na cama

           recupero a minha forma usual