quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Da Colina do Bom Senso vê-se o Putoscópio


Observadores postados na Colina do Bom Senso do Reino da Pitangueira perceberam o que há de mais moderno em Bananaland, mais especificamente na sua bela capital no planalto central da ré púbica a quem passaram a denominar de Putoscópio de Mala.

Existem outros modelos e variações como putoscópios de agências de encontros, de casas de massagem, de templos salvíficos, de mulheres mal amadas, mas Putoscópio de Mala supera todos, pois é a unificação do conceito.

Segundo estudiosos da Real Academia da Pitangueira, o  Putoscópio da Mala é um dispositivo que consiste num safado suspenso por um suporte formado por três instituições articuladas, com juntas tipo papel moeda modelado. Seu funcionamento baseia-se no princípio da inércia. O eixo em rotação tem um efeito de memória que guarda direção fixa em relação ao círculo máximo, dispensando as coordenadas constitucionais. 

O Putoscópio veio a substituir a Sacanagem Putocrática na navegação visual, surreal e cretina. A navegação visual serve-se de putocompasso e piloto automático, permitindo o voto em condições de visibilidade zero. Nos votos especiais o dispositivo é fundamental para a orientação das espaçoputas.

O Putoscópio consiste essencialmente em uma rodada livre, ou varias rodadas (depende do puto), para girar em qualquer direção e com uma propriedade: opõe-se a qualquer tentativa de mudar sua direção original. Exemplo facilmente observável é que, ao travar a rodada de um putocrata no ar e tentar mudar a direção de seu eixo bruscamente, percebe-se uma enorme reação.

Dessa maneira, o Putoscópio serve como referência de direção, mas não de posição. Ou seja, é possível movimentar um Putoscópio normalmente dentro dos labirintos, saunas e secretos caminhos de Bananaland sem qualquer trabalho além do necessário para transportar sua massa de papel moeda, seus golpes, suas sombras e suas farsas editadas por homens de bem e distribuídas ao deleite de bornais nacionais. 

Há de se considerar sempre que em um Putoscópio autorizado, de linhagem ética e zelosa, a resistência sempre, desde tempos memoriais de Dom João e sua louca amada, surgirá contrária a forças que atuem de maneira a rotacionar seu eixo de rotação a qualquer configuração não paralela à sua posição original. 

Assim, um homem de bem, destes que sempre fazem excessiva rotação à esquematosa benevolência intestina, uma vez munido de um putoscópio, pode medir com precisão qualquer mudança em sua orientação, exceto rotações que ocorram no plano de giro dos discos do putoscópio. Isto explica de uma maneira singular por que um Putocrata, ao lançar mão de seu Putoscópio, necessita obrigatoriamente de dois outros putoscópios institucionais perpendiculares de modo a integralizar a possibilidade de detecção de variações na orientação.

É interessante registrar que um putoscópio é indicado e usado como auxiliar em navegação de helicópteros radio controlados, corrigindo automaticamente o curso até seu completo desaparecimento.

PS - As agências de segurança terrestre, aeronáutica, náutica, institucional, suprema, executiva e as naves espaciais utilizam um aparelho baseado no putoscópio conhecido como putoscópio humano para o treinamento de putocratas. O putocrata utiliza o peso das malas como motor e tem a sensação de "driblar a gravidade da cafetinagem explícita". Somente depois de estar apto ao Putoscópio humano o putonauta estará pronto para fazer golpes especiais.

É isto aí!

terça-feira, 17 de outubro de 2017

A rede neural do poder ou quem mandou fechar a zona?

Naquela noite o Rei não foi feliz na relação plena com a fidalga Karmelytta Djackeline, sua concubina predileta. Na hora daquele enlace perfeito, o momento no qual o supremo encaixa, mata no peito, julga, processa e regozija para delírio plenário foi interrompido pelo chamado urgente do camareiro para atender ao Consul do Reino da Águia, cujo bom senso o impedia de deixar esperar. A reunião durou cerca de três horas. Ao voltar a amada dormia.

Mal amanheceu o dia, ainda de péssimo humor e ainda sob efeito da pílula azul, mandou chamar o Grão-Duque.

- Pois não, Vossa Majestade Imperial!
- Meu filho, aumente os impostos, amplie as prisões, corte os gastos com saúde e educação.
- Sua ordem será atendida, Vossa Majestade Imperial.

O Grão-Duque saiu furioso - que merda, papai me colocou num tremendo rabo de foguete. Vou ficar mal na fita com as meninas das vilas. Puta que o pariu! Já sei!! Comandante, manda trazer aquela bosta daquele Marquês aqui.
- Quando, Vossa Alteza?
- Agora, Comandante, agora!

- Pois não Vossa Alteza Imperial?
- Marquês, sei que Vossa Graça sempre foi fiel ao Rei e ao Reino.
- Perfeitamente, Vossa Alteza Imperial, e o faço com lealdade e prazer.
- Meu pai, digo, Vossa Majestade Imperial, o Rei, determinou que Vossa Graça Imperial, o Senhor Marquês,  aumente os impostos, amplie as prisões, corte os gastos com saúde e educação e aumente os juros de financiamento às empresas privadas.
- Farei imediatamente, Vossa Alteza Imperial.

O Marquês saiu furioso - que merda, quem este filhinho de papai pensa que é? Me colocou num tremendo rabo de foguete. Vou ficar mal na fita com os bofes e regalos do platô. Puta que o pariu! Já sei!! Coronel, manda trazer aquela inútil daquele Conde aqui, e quero que seja agora!

- Pois não, Vossa Graça Imperial?
- Nobre Conde, saiba que tenho muito apreço por Vossa Excelência que em muito tem contribuído para o engrandecimento do Reino.
- Agrada-me saber proferido diretamente por Vossa Graça Imperial. A que devo a honra?
- Vossa Alteza Imperial, o Grão-Duque determinou que Vossa Excelência, o Senhor Conde,  aumente os impostos, amplie as prisões, corte os gastos com saúde e educação e aumente os juros de financiamento às empresas privadas e reforce a censura aos meios de comunicação.
- Assim o farei, Vossa Graça e nobre Marquês.

O Conde saiu furioso. Puta que o pariu, quem este veadinho pensa que é? Mas que merda. Me colocou na lama agora. Como vou ficar com as donzelas e viúvas do Reino, a quem presto apreço e atenção íntima?  Hummm, já sei, vou passar este abacaxi para aquele inútil do Visconde. 

- Capitão da Guarda, traga aqui imediatamente Sua Graça, o Visconde.

- Pois não Vossa Excelência?
- Nobre Visconde, Sua Graça Imperial é o equilíbrio da Corte diante do povo e do clero.
- Muito gentil de Vossa Parte, Vossa Excelência.
- Então, mais uma vez contamos com vossa determinação juramentada para cumprir com a ordem da Vossa Graça Imperial, o Marquês. Por determinação imperial, Sua Graça, nobre Visconde, deverá aumentar os impostos, ampliar as prisões, cortar os gastos com saúde e educação, aumentar os juros de financiamento às empresas privadas, reforçar a censura aos meios de comunicação e triplicar o imposto previdenciário do empregado.
- Assim será feito, Vossa Excelência; assim será feito.

O Visconde saiu dali revoltadíssimo. Mas que desgraça. Quem este animador de velório para catar viúvas pensa que é? Que sacanagem. Que coisa horrível. Como vou continuar bancando os meus cassinos ilegais? É muita pressão. Pressão rima com Barão - é isto - Tenente, convoque imediatamente Sua Senhoria, o Barão.

- Pois não, Vossa Graça Imperial, nobre Visconde?
- Senhor Barão, serei franco e direto com Sua Senhoria, pois trata-se de um delicado assunto de Estado que depende única e exclusivamente de uma atitude sua.
- Estou pronto, Visconde, Vossa Graça Imperial sabe que sempre estou pronto.
- Ótimo, Sua Senhoria está a partir deste momento sob a obrigação de promover a Lei e a Ordem do Reino, já infestado de parasitas pseudo-intelectualoides e conspiradores descrentes da fé no Rei. Desta forma, para mostrar quem de fato manda e governa, deverá aumentar os impostos, ampliar as prisões, cortar os gastos com saúde e educação, aumentar os juros de financiamento às empresas privadas, reforçar a censura aos meios de comunicação, triplicar o imposto previdenciário do empregado e ampliar de 40 para 60 horas trabalhadas por semana.
- Mais alguma coisa, Vossa Graça Imperial?
- Não, mas faça isto imediatamente, entendeu? Imediatamente.

O Barão saiu dali com um discreto sorriso nos lábios, passou no Palácio das Hortências onde se hospedava a fidalga Karmelytta Djackeline. e aguardou a visita secreta de Sua Alteza Imperial.

- Vossa Majestade Imperial! estou ao seu dispor.
- Então, Barão, vamos ao que interessa.
- Aumentaram a dose da ordem, Vossa Majestade.
- Hummm, entendo. Manda fechar a Zona e prender as moças.
- Todas, Vossa Majestade?
- Todas.
- Por quanto tempo, Vossa Majestade?
- Até irem reclamar ao Bispo, Barão, depois solta.
- Assim será, Vossa Majestade.

No aconchego da cama da amada, o rei sussurrou-lhe
- Sabe Lytta, só mais um pouco e tudo isto será seu ...

É isto aí!

sábado, 14 de outubro de 2017

Os lacerdinhas voltaram

Os lacerdinhas voltaram a este insignificante reino. Bastou uma palavra para que a turba ressurgisse. Os bolso minions, uma cópia ridícula e mal formulada dos lacerdinhas com certeza não sabem nada sobre o assunto.

Tudo começou no início da  década de 1960, no pré-golpe. Bananaland era toda circundada por praças com chafarizes e árvores de uma espécie de Ficus, que formavam um conjunto harmônico e bucólico ao paraíso tropical. Naquela época já ocorria uma praga de enorme poder de oratória, inteligente, educado, culto, mas violentamente ferino contra as reformas que Bananaland precisava para se desenvolver. 

Desta forma, dado à sua virulência, o povo, na sua sabedoria, batizou de lacerdinha um pequeno inseto asiático, minúsculo, que se tornou uma praga nacional ao infestar as praças da pátria amada.

Vinham em bandos, cegavam todos de maneira que não se enxergava nada por um tempo. Só depois de vinte anos é que as pessoas puderam voltar a ver as praças desertas, as ruas desertas, a vida deserta.

O Reino da Pitangueira não tem barões, viscondes, condes, marqueses, duques e arquiduques. Não tem banco gerador de riquezas estranhas e pobrezas miseráveis, não tem incentivos à violência, à ignorância, ao mau caratismo e outras coisas ruins como ração de lixo para pessoas com fome, não tem pessoas supremas, nem justiceiros mascarados.

Então, com qual finalidade estes lacerdinhas aparecem aqui? Daqui a alguns dias, quando passar a banda com a fanfarra que está sendo domesticada para animar os bailes das múltiplas ilhas fiscais dos amigos, tornarão a desaparecer. Isto talvez seja um movimento feito como o de algumas espécies de abelhas e formigas que sempre antes de terremotos e vulcões abalarem a terra, modificam seu comportamento. Talvez ... quem sabe? talvez ... nada se cria, nada se transforma, tudo se copia para ficar sempre da mesma forma

É isto aí!

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

A perigosa caixa preta dos algoritmos e a campanha eleitoral de 2018

Alto lá
Este texto não é meu
Confesso que copiei e colei
Autor : Renato Leite Monteiro
Fonte : El País

A perigosa caixa preta dos algoritmos e a campanha eleitoral de 2018

Lei libera propaganda política no Facebook enquanto empresa enfrenta escândalo nos EUA, Brasil não dispõe de regra, como europeia, que exigirá informações sobre os algoritmos.

A ProPublica, um instituto de jornalismo independente estadunidense que já ganhou diversos prêmios por seu trabalho investigativo, recentemente noticiou que softwares utilizados para ajudar magistrados dos Estados Unidos a calcular penas com base na probabilidade de os acusados cometerem novos crimes tinha um grave problema: se o indivíduo era negro, o algoritmo concluía que, em algumas situações, este tinha chances quase duas vezes maior do que um branco de cometer novos ilícitos. Com base neste cálculo, juízes condenaram negros a penas bem maiores do que indivíduos brancos com antecedentes e histórico de bom comportamento similares. Havia um outro grande problema: ninguém sabia que critérios eram utilizados para realizar o cálculo de risco. Devido a essa falta de transparência, em breve um caso será revisto pela Suprema Corte Americana porque o acusado afirmou que seu direito ao devido processo legal foi violado quando lhe foi negado o direito a entender o funcionamento do algoritmo.

Um outro estudo mais recente mostrou que algoritmos baseados inteligência artificial aprenderam, após analisar milhares de fotos, que se existe uma imagem com alguém numa cozinha, em frente a um fogão, deve ser uma mulher, reforçando estereótipos e causando discriminação. Em outro caso, um plano de saúde concluiu que determinado consumidor teria maiores chances de ter problemas cardiovasculares ao inferir que este seria obeso por possuir um carro grande e não ter filhos. E se os dados estiverem incorretos? E se fosse um homem na cozinha? E se o carro tivesse sido um presente? Como lidar quando os dados não são precisos?

Este são apenas exemplos, por mais assustadores que sejam, de como as nossas vidas hoje são controladas por algoritmos que muitas vezes reproduzem preconceitos, estereótipos e contribuem para aumentar a assimetria de poder entre cidadãos, o estado e empresas. Bancos, financeiras, agências de empregos, seguradoras, cidades inteligentes, carros que se autodirigem, todas são áreas da sociedade que dependem ferozmente de ADM (Automated Decision Making), algo como algoritmos que tomam decisões automaticamente.

Frank Pasquale, hoje um dos maiores especialistas no assunto, defende que vivemos numa Black Box Society, em alusão a opacidade intrínseca dos algoritmos que controlam diversos aspectos do nosso dia-a-dia e muitas vezes definem como, e se, exerceremos alguns dos nossos direitos mais básicos, mas que não permitem conhecer como se dá o seu efetivo funcionamento. Mas antes, é necessário entender o que são algoritmos.

A necessidade de transparência nos algoritmos é premente ante cenários quase apocalípticos onde processos decisórios automatizados superarão o processo decisório dos humanos

Algoritmos são sequências de instruções programados para realizar uma ou várias tarefas. Normalmente, coletam dados de fontes diversas que funcionam como variáveis que combinadas levam a um resultado. Em um programa de computador, é um código, linhas de comando, escritas por programadores. Mais recentemente, algoritmos de aprendizagem automática passaram a escrever, sozinhos, outros algoritmos por meio de inteligência artificial, o que, por vezes, pode levar a resultados totalmente inesperados, que não poderiam ser antevistos pelos humanos que desenvolveram o código original. Esse código é, pela maioria das legislações do mundo, proprietário. Isso significa que ele pertence a uma empresa, pode ter um grande valor de mercado e ser considerado um segredo de negócio. O acesso a ele por terceiros pode significar uma grande desvantagem competitiva. E aqui reside um dos maiores embates que impede a efetiva transparência dos algoritmos.

Os que defendem, como Pasquale, que as empresas deveriam revelar o código de seus algoritmos a fim de permitir que a sociedade os entendessem e auditassem, visando evitar práticas discriminatórios, encontram barreiras na própria legislação nacional e internacional que conferem as companhias quase que um escudo, sob as bandeiras da propriedade intelectual e da livre concorrência, que impede conhecer os detalhes que levam os algoritmos a estas tomadas de decisão.

Na União Europeia, o Google vem sendo acusado de utilizar o seu algoritmo para favorecer seu próprio serviço, mostrando as ofertas do Google Shopping como as mais relevantes, o que, levando-se em consideração posição quase que dominante o buscador, vem sendo considerada uma prática monopolística. Sob o argumento do abuso de poder de dominância, a empresa foi multada em quase 2,5 bilhões de Euros. Algumas das principais discussões do processo envolviam a necessidade de transparência dos algoritmos para aferir se a companhia realmente favorecia seus serviços, o que, para infortúnio de pesquisadores, não aconteceu.

Outros, advogam a necessidade de uma transparência balanceada, que não impacte segredos comerciais, mas que permita não só aos consumidores, mas a sociedade como um todo, auditar algoritmos para verificar se estes não estão, de fábrica, imbuídos de práticas discriminatórias.

Desse contexto nasce a ideia de Accountability by Design, que, por meio de processos indiretos, tenta coadunar os interesses da sociedade em fiscalizar práticas baseadas em algoritmos sem que seja necessário ter acesso direito ao seu código fonte e revelar práticas comerciais. Testes padrões como os hoje realizados em veículos para identificar se estes estão em conformidade com o arranjo regulatório nacional e os padrões internacionais definidos podem ser desenvolvidos, similar ao que hoje já existe para calcular riscos aceitáveis de impacto ao meio ambiente quando da construção de obras. Mas, infelizmente, até mesmo essa solução tem se mostrado ineficiente.

Em mais um escândalo envolvendo algoritmos, a montadora Volkswagen alterou artificialmente o software de seus veículos para disfarçar a quantidade de poluentes emitidos durante testes para poderem ter acesso a determinados mercados. A complexidade do código embarcado era tal que este conseguia detectar quando estava sendo testado para que somente durante o procedimento o carro emitisse poluentes dentro dos limites permitidos pela legislação. Ou seja, para evitar acesso ao código foram utilizadas outras metodologias de verificação, mas que foram alvo de fraudes gravíssimas que levaram a empresa a multas astronômicas, enaltecendo a necessidade de se encontrar formas alternativas e eficientes para abrir as caixas pretas.

Facebook e a eleição de 2018

No Brasil, essas questões começam a ser discutidas, principalmente no contexto de fake news e propaganda eleitoral. Estudo da FGV mostra que contas automatizadas motivam até 20% de debates em apoio a políticos no Twitter, impondo riscos à democracia e ao processo eleitoral de 2018 por meio de um discurso ilegítimo e parcial. A polêmica aumentou com a promulgação da lei da reforma política, que proibiu, no seu art. 57-C, a “veiculação de qualquer tipo de propaganda eleitoral paga na Internet, excetuado o impulsionamento de conteúdos, desde que identificado de forma inequívoca como tal e contratado exclusivamente por partidos, coligações e candidatos e seus representantes”.

Afora a discussão se o impulsionamento de conteúdo poderia ser efetivamente considerado conteúdo pago, fica a dúvida de como os algoritmos que irão impulsionar as propagandas funcionam. Essa desconfiança tem origem nas recentes declarações feitas por Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, admitindo que a rede social foi, de alguma forma, manipulada durante as últimas eleições americanas por atores russos que tinham claro interesse em eleger o atual presidente, Donald Trump. Isso levou a empresa a enviar ao Congresso registros de milhares de compras de publicidade feitos por russos e a assumir um compromisso de mais transparência com relação a como a publicidade comportamental da sua rede social funciona, inclusive o impulsionamento. Como esse posicionamento será implementado no Brasil ainda é uma incógnita, principalmente por não haver regras que assegurem a transparência algorítmica, algo que poderia ser aprendido com o velho continente.

Desde da aprovação da nova GDPR (Regulação Europeia de Proteção de Dados), que entrará em vigor em maio do próximo ano, representantes de diversos setores tem clamado a positivação de um tal direito a explicação das decisões tomadas por sistemas inteligentes e automatizados, baseado no direito à transparência no tratamento de dados pessoais. O texto determina que um indivíduo tem o direito a obter informações suficientes sobre um algoritmo, como o seu funcionamento e possíveis consequências, que o permitam tomar uma decisão racional autorizando ou se opondo ao uso dos seus dados pessoais. Em outras palavras, a GDPR tentou achar um meio termo para harmonizar direitos e interesses, mas não determinou o acesso ao código dos algoritmos. Uma tônica diversa pode ser encontrada em várias leis que visam regular o tratamento de dados pessoais, como os projetos de lei atualmente em discussão no Brasil.

O Brasil, ainda, não dispõe de uma lei que outorgue efetivos instrumentos que permitam ao cidadão algo similar ao presente no contexto europeu. Todavia, projetos em trâmite no Congresso Nacional recorrem a princípios que visam limitar que dados serão coletados para compor os algoritmos, valendo-se de critérios de proporcionalidade e transparência para evitar práticas discriminatórias. Esses projetos obrigam ainda que sejam implementadas medidas protetivas à privacidade e outras liberdades fundamentais desde o momento da concepção do serviço, durante o seu desenvolvimento e a sua oferta ao mercado. Princípios éticos vêm sendo discutidos em larga escala e são cada vez mais adotados na construção desses algoritmos. No entanto, quem irá efetivamente fiscalizar essas melhores práticas ainda não se sabe.

Diante de tudo isso, a necessidade de transparência nos algoritmos se torna cada vez mais premente diante de cenários quase apocalípticos de um futuro onde processos decisórios automatizados e inteligência artificial dominarão, e superarão, o processo decisório natural do ser humano. Desde carros que sem motoristas, robôs e máquinas que substituem profissões comuns, geração automática de notícias, até mesmo engenharia artificial e ambientes bélicos, quase nenhum setor da sociedade estará imune aos efeitos que antes somente eram pensados, e possíveis, em obras de ficção científica. Caso a caixa preta não seja aberta, poderemos nos tornar reféns da nosso própria evolução.

Renato Leite Monteiro é especialista em privacidade e proteção de dados. É professor de direito digital do Mackenzie e da FGV/SP.

A Inteligência Artificial e outras coisas aí

Realdoll sex robot
Eu tinha esquecido que determinadas palavras não podem ou melhor, não devem ser postadas nas redes sociais, como este espaço, por exemplo. Dia destes bastou escrever uma palavra que relaciona o horror às coisas tristes e feias praticadas pelos seres humanos, as ações horror  istas, e pronto. No dia seguinte algumas centenas de visitas para checagem in loco. Claro que estas visitas são na sua maioria feita por inteligências artificiais que sondam o ambiente, e apenas uma ou outra vem de supostos humanos que avaliam o contexto, sem sequer dominar a fina flor do lácio, inculta e bela.

Outro dia o líder russo afirmou que quem dominar a inteligência artificial vai dominar o mundo (aqui). E esta coisa está aos poucos desumanizando o mundo e humanizando sistemas binários. Neste ano, a 50ª edição da feira de eletrônica de consumo, em Las Vegas, promovida pela "Consumer Technology Association" deu uma balançada no mundo - não estamos mais sós enquanto seres pensantes.

Você já imaginou se deparar com um computador cognitivo que entende expressões humanas, sejam elas textuais, verbais ou visuais. Não só isso, que ele também consiga compreender a intenção e qual o contexto do problema que lhe está sendo endereçado, reconhecer padrões a partir de exemplos de feedbacks e interagir com humanos de uma forma bastante natural? Já existe - e está além da nossa compreensão entender seu processamento - é o Watson-IBM .

Na minha limitação de computadores, o Watson é uma pessoa não-humana que fala, pensa e decodifica as situações à sua volta. É só questão de tempo para estar num boneco de estrutura física humana - aí a coisa vai ficar interessante. Não será surpresa se em poucas décadas estas "criaturas" serem capazes de gerar seus descendentes com memória emocional. Assustador. 

Enquanto isto caminha a humanidade entre o céu e o inferno em Bananaland numa suposta eleição em 2018, cuja armação já se encontra na forma da lei feita por e para o golpe:

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/10/11/opinion/1507749770_561225.html



É isto aí!

domingo, 8 de outubro de 2017

Sobre palavras, deuses e maldições

Um poemeu há muito guardado:

Palavras
bem ditas
nas lavras
malditas
não ecoam
implodem
palavras
mal ditas
nas lavras
benditas
incendeiam
as aras
e rompem
a esperança.

É isto aí!

sábado, 7 de outubro de 2017

Gandhi e o ódio canalizado


Alto lá, este texto não é meu
Confesso que copiei e colei
Livro - Gandhi: O Despertar dos Humilhados
Autor - Jacques Attali
Editora - Novo Século


As mandíbulas da morte:

Gandhi é odiado pelos muçulmanos por ser hindu; é detestado pelos hindus porque defende muçulmanos e intocáveis. É desprezado pelos intocáveis porque lhes nega um estatuto particular. Em 28 de junho, manifestantes tentam descarrilar o trem que faz o trajeto Deli a Poona.
Ele (Gandhi) lança a frase – “O homem vive nas mandíbulas da morte.”¹

"Reconheço que estou totalmente indefeso diante da violência quando ela é feita pelos nossos; e, enquanto ouço falar sobre ela, um médico tomando o meu pulso logo constataria a aceleração dos batimentos cardíacos do meu coração. Tenho necessidade de alguns instantes, consagrados à espera da ajuda de Deus, para que o meu coração recupere um ritmo normal. 

Sou incapaz de remediar essa debilidade. Eu a alimento. Essa emotividade me permite continuar sendo apto a servir e a guiar, a permanecer humilde e guardar a confiança em Deus. Somente Ele sabe quando estarei suficientemente contrariado e comovido, pelos nossos atos de violência, para que se justifique um jejum temporário ou permanente. É a última arma do satyagrahi contra aqueles a quem se ama."  - Mahatma Gandhi (1869 - 1948) 

¹ Texto publicado online

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Universidade da Demolição Nacional - UDN



 Atenção para a chamada.

Professor, qual é esta matéria?

Fora.

Mas eu só perguntei ...

Fora, ou chamo os seguranças. Alguém mais tem alguma pergunta? - Muito bem, à chamada:

Professor, desculpe a pergunta, mas por que não tem mulher aqui?

- Segurança, pode levar - é ativista esquerzoide detectado em ato falho. Mais alguém? Bem, vamos voltar ao que interessa à Glande Pátria:

- Não seria Grande, professor? Outro comunista!! Seguranças, sem dó, conduzam o terrorista. Mais alguém? Pois bem, vamos à chamada em nome da Pátria:

- Demolidor da Construção Civil? - Presente.

- Destruidor da Engenharia Nacional? - Aqui!

- Desarticulador de oposição? - Pronto!

- Aniquilador de Universidade Públicas? - Presente, presente, presente!!!!

- Destituidor de honra? - Aqui!

- Destruidor da Assistência Social? - Foda-se, aqui!

- Exterminador da Previdência? - É nois na fita, teacher!!!

- Zelador da Moral, da Família, da Tradição e da Propriedade? - Graças a deus, aqui, senhor!

- Exterminador do Petróleo? - Sem falta, aqui!

- Maestro da Falsa Bandeira? - Cá no canto!

- Economês enrolation? - Pronto!

- Produtor de falsidades ideológicas? Aqui, ali, lá, por aí ... - Ok!

- Herói dos Trapaceiros? - Presente!

- Líder de bancada dos Vigaristas? Parece que sou eu, professor ... - Ok!

- Patife dos Vendilhões da Fé? Em nome da verdade, Jotacê cátoueu e agora cá tô eu! - Ok!

- Chefe do Traidores da mãe gentil? - Data venia, professor, o título é pouco nobre, mas C'est moi!

- Democracia? ... Democracia???
  Está na UTI gastando dinheiro público para mais uma obra inútil, professor, mas tomara que morra logo.
- Quem falou isto? Ah, foi o senhor, desculpa, senhor, está certo senhor, obrigado senhor!

- Destruidor da Corrupção? ... Destruidor da Corrupção???? Cadê o destruidor da ...
   Como o senhor é ingênuo, professor. Até hoje não sabe que ele só entra na foto da aula inaugural e  depois volta a deitar no berço esplêndido?
   Quem falou isto? Ah, desculpe Mister, sorry, desculpe ... sorry ...

Senhores, agradecemos a preferência pela nossa instituição honrada, séria, de moral ilibada, bela, recatada e do lar. Quero transmitir que todos vocês até aqui fizeram um excelente esforço de aprendizado, e agora, para coroar com êxito este curso lindo, maravilhoso e soberbo, vamos passar para a aula de hoje, cujo tema será - "Como continuar enterrando na areia e atolando atoladinho nos patos amarelos, sem que gemam ou sintam dor" ...

É isto aí!

A tragédia de Santa Maria-RS e as Mulheres de Conforto

The doll test
Subi a Colina do Bom Senso, local aprazível do reino da Pitangueira. Fiquei ali por um tempo interminável, refletindo sobre a vida da vida da vida. Aprendi que no final sempre optamos pelo que já foi escolhido, e acabei pensando nestas e outras coisas:

- Janaúba-MG 
Tragédia. Dor, tristeza, lamento, amargura, impotência e pesar. Lembro da tragédia Santa Maria-RS, a quase cinco anos, onde 242 jovens faleceram, outros 600 tiveram sequelas físicas e/ou psíquicas e centenas de pais tiveram a pena de prisão perpétua pela dor. 

- Las Vegas - USA
Tragédia. Dor, tristeza, lamento, amargura, impotência e pesar. Lembro da tragédia Santa Maria, a quase cinco anos, onde 242 jovens faleceram, outros 600 tiveram sequelas físicas e/ou psíquicas e centenas de pais tiveram a pena de prisão perpétua pela dor. 

- Catalunha - Espanha
 Tragédia. Dor, tristeza, lamento, amargura, impotência e pesar. Lembro da tragédia Santa Maria, a quase cinco anos, onde 242 jovens faleceram, outros 600 tiveram sequelas físicas e/ou psíquicas e centenas de pais tiveram a pena de prisão perpétua pela dor. 

- Yemen - Oriente Médio
A democrática Arábia Saudita desde 2015 destrói sistematicamente este pobre pais, em nome da liberdade. A guerra bloqueou as importações de alimentos, levando a uma fome que afeta 17 milhões de pessoas. A falta de água potável, causada por aqüíferos empobrecidos e a destruição das infra-estruturas hídricas do país, também causou o maior surto de cólera do mundo , com o número de casos suspeitos superiores a 700.000. Mais de 2.100 pessoas morreram desde que o foco começou a se espalhar rapidamente no final de abril. 

Lembro da tragédia Santa Maria, a quase cinco anos, onde 242 jovens faleceram, outros 600 tiveram sequelas físicas e/ou psíquicas e centenas de pais tiveram a pena de prisão perpétua pela dor. 

Coreia - Ásia
Em 1910 o Japão invadiu a Coreia e dominou a península, escravizando a população. Durante a Segunda Guerra Mundial, os japoneses usaram a comida, a pecuária e metais coreanos e alistou 2,6 milhões de coreanos como força de trabalho escravo. 
Cerca de 723 000 escravos coreanos foram enviadas para trabalhar em territórios ocupados pelos japoneses no exterior. Em janeiro de 1945, os escravos coreanos eram cerca de 32% da força de trabalho japonesa. Em agosto daquele ano, quando os Estados Unidos lançaram bombas atômicas contra as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, cerca de 25% dos mortos eram coreanos (ninguém fala nisto pois é assunto proibido).

As mulheres coreanas na fase juvenil tornavam-se escravas sexuais dos japoneses, e tinham a alcunha de Mulheres de Conforto. estima-se que cerca de 200.000 destas moças foram assassinadas pelas diversas modalidades e prazeres pelos valorosos soldados japoneses da ocupação.

Terminada a guerra, os dois países que ganharam dividiram a Coreia e o que está aí hoje é resultado da destruição de um país que nunca foi ameaça ao mundo, apenas para atender interesses do mundo. A guerra promoveu a morte de milhões de civis a até hoje o mundo que os dividiu fomenta mortes.

Lembro da tragédia Santa Maria, a quase cinco anos, onde 242 jovens faleceram, outros 600 tiveram sequelas ora físicas ora psíquicas e centenas de pais tiveram a pena de prisão perpétua pela dor. 

Iraque, Sudão, Líbia, Síria, Afeganistão, América Latina, Carteis, tudo junto e misturado para apagar da nossa memória o preço que pagamos pela tragédia e pelas consequências de Santa Maria-RS.

É isto aí!


quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Tempos




Tempos difíceis ...

Tempos inenarráveis ...

Tempos de nojo...

Nojo de pesar 

Nojo de luto

Nojo de desgosto

Nojo de tristeza, 

Nojo de descontentamento, 

Nojo de aborrecimento, 

Nojo de tédio ...

É isto aí!

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Um texto de Tom Zé

Resultado de imagem para tom zé

Alto lá - Este texto não é meu
Confesso que Copiei e colei
Autor - Tom Zé
Onde: http://tomze.blog.uol.com.br/arch2008-11-30_2008-12-06.html

Exegese de TÔ FICANDO ATOLADINHA, Meta-Refrão Microtonal e Pluri-Semiótico

3) Pluri-semiótico:
O refrão de “Atoladinha” tem vários planos de significado:
a) em termos semânticos, o significado léxico já registrado em dicionário, que abarca o nível denotativo;
b) em termos pragmáticos, “Tô Ficando Atoladinha” desencadeia um novo significado, agora ambientado em um ato sexual. É o chamado nível conotativo dos significados deflagrados pelo uso.
* * * *
Depois desse passeio pelo denota e pelo conota, o refrão foge dessas classificações e vai reverberar no sentido do tato. E o tato já é outro código de sinais.
* * * *
Além disso, cria um signo contundente, quando numa sociedade misógina e preconceituosa, faz uma mulher assumir o comando de um ato sexual e chamar para si o direito e a conclamação do prazer.
* * * * 
De acordo com C. S. Pierce, o fundador da Semiótica, o conjunto de signos “To Ficando Atoladinha”, dentro das 10 classificações compostas e combinatoriamente possíveis das tríades piercianas, forma um legi-signo dicente indicial.
Considerando o contexto, eu talvez preferisse um sin-signo dicente indicial, porque o lugar objetivo onde se dá o encharcamento é o vestíbulo vaginal e a metáfora lancinante é mais exatamente uma metonímia – o tropo que estabelece a parte tomada pelo todo.

Estou exagerando? Se o exagero passa por sua cabeça, convoco o testemunho da dra. Carmita Abdo, diretora do Departamento de Sexologia da USP. Em pesquisa divulgada em outubro de 2004 a dra. Abdo revelou que, no próprio campus da USP, um dos bolsões mais civilizados do País, 68% das meninas de 15 a 25 anos revelaram não ter prazer no ato sexual. Alegaram que seus parceiros terminavam antes, não ligavam para o que acontecia com elas. e “com medo de parecerem depravadas ou prostitutas”, não tinham coragem de pedir mais, de pedir ao parceiro que as socorresse na frustração.

2) Microtonal

O canto microtonal era praticado pelos cristãos nas catacumbas de Roma, onde se reuniam os adeptos de uma religião católica ainda proibida no Império Romano. Depois da oficialização do credo, o papa Gregório, no início do século 7, proibiu a microtonalidade na Igreja e instituiu a escala diatônica, criando o cantochão ou canto gregoriano.

Essa escala diatônica serviria de base para toda a música ocidental. Até hoje somos prisioneiros desse dó-ré-mi-fá-sol-lá-si-dó, com seus sustenidos e bemóis, tanto na música erudita quanto na popular.
Acontece que do ponto de vista da Física, entre um dó e um ré existem 9 comas, que se instituiu chamar quartos de tom e oitavos de tom.

Vale a pena dizer que para um violinista o dó # é diferente do ré bemol. Chegaram a ser construídos na Europa instrumentos de teclado que tinham uma tecla para o dó # e outra para o ré bemol. Depois, no século 18, veio o temperamento, que unificou os dois acidentes.

Muitos músicos e teóricos saíram a campo para dizer que não funcionaria, mas J. S. Bach tomou o partido da inovação. Para provar que dava certo escreveu o Cravo bem temperado.

Desde então a prisão da escala diatônica temperada dominou a música ocidental popular e erudita.
Agora defrontamo-nos com o inesperado.

Há duas exceções: o compositor erudito italiano Giacinto Scelsi e o funk carioca com o MC Bola de Fogo. O primeiro, escrevendo peças microtonais para orquestra e este, escrevendo Tô ficando atoladinha.

No caso de Atoladinha, trata-se de um achado muito simples. Na repetição obsessiva
Tô ficando atoladinha,
Tô ficando atoladinha ,
a cantora não muda diatonicamente a nota musical: num crescendo insistente, vai subindo obsessivamente quartos de tom, como a própria excitação e aquecimento do assunto requer.

1) Meta-refrão

Ora,uma peça tão bem achada chama a atenção e põe em questão todos os refrões e toda a arte de compô-los.

Portanto, quando se acusa o meu “Estudando a Bossa” de ser influenciado pelo funk carioca, não se trata de uma aberração: em aspectos mais profundos e em momentos de exceção, o funk tem laivos criativos tão altos como a bossa nova."

Por: Tom Zé

domingo, 1 de outubro de 2017

Metade (Adriana Calcanhotto)

Eu perco o chão
Eu não acho as palavras
Eu ando tão triste
Eu ando pela sala
Eu perco a hora
Eu chego no fim
Eu deixo a porta aberta
Eu não moro mais em mim
Eu perco as chaves de casa
Eu perco o freio
Estou em milhares de cacos
Eu estou ao meio
Onde será que você está
Agora?

Letra e música: Adriana Da Cunha Calcanhotto

Fonte Youtube: Adriana Calcanhotto - Metade | Bárbara B | Cover | Play Hits Br

Artista: Bárbara B | @barbara_b_oficial
Música: Metade

Ficha Técnica:
Câmera - Kauê Lima
Captação de Áudio e Mixagem - Thiago Rodrigues
Produção Executiva e Curadoria Musical - Celsinho Junior
Edição - Giovanni Sgréccia
Direção Geral : Celsinho Junior e Kauê Lima




Um coração estúpido


Tenho um coração
estúpido
entupido de paixões
estrépitas
Tenho uma razão
lúcida
só uma
por que as outras
são trépidas
entupidas de razões
opacas.

É isto aí!

Milton Nascimento e Pena Branca & Xavantinho (1987)


Programa Chico & Caetano, série especial da Rede Globo, exibido em 14/03/1987, com Milton Nascimento e a dupla Pena Branca & Xavantinho cantando a música "O Cio da Terra", de Milton e Chico Buarque (compacto Philips,1977). Percussão de Robertinho Silva.

Fonte Youtube: O Cio da Terra / Musicatis

O Cio da Terra (Fonte - Letras)
Chico Buarque/Milton Nascimento

Debulhar o trigo
Recolher cada bago do trigo
Forjar no trigo o milagre do pão
E se fartar de pão

Decepar a cana
Recolher a garapa da cana
Roubar da cana a doçura do mel
Se lambuzar de mel

Afagar a terra
Conhecer os desejos da terra
Cio da terra, a propícia estação
E fecundar o chão

O Cio da Terra é uma canção composta por Milton Nascimento e com letra de Chico Buarque, lançada em 1977. Segundo Chico, é "uma canção de trabalho agrário" que Milton compôs inspirado no canto das mulheres camponesas na colheita do algodão do Vale do Rio Doce.

Criada em um momento comercial importante da MPB e em um período de abertura política no Brasil, a canção integrou um compacto com a canção Primeiro de Maio[2], que comemorava a data em 1977, quando o movimento sindical do ABC paulista, dirigido pelo metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva, se reorganizava.

A canção foi regravada separadamente por Milton e Chico e por diversos grupos e cantores brasileiros, incluindo Maria Bethânia (em parceria com a cubana Omara Portuondo), Pena Branca & Xavantinho, MPB-4, Uakti e Tetê Espíndola. Ganhou também versões da argentina Mercedes Sosa e do grupo hispano-americano Raíces de América, além de uma regravação em inglês do escocês Bert Jansch, sob o título de Sweet Mother Earth.

O Cio da Terra não foi a primeira parceria de Milton e Chico. Em 1976, a dupla havia gravado O Que Será? em um encontro casual, por sugestão de Francis Hime. (Wikipédia)

sábado, 30 de setembro de 2017

Rinaldo di George Frideric Handel_Regia Pier Luigi Pizzi


Rinaldo (1711) é uma ópera de George Frideric Handel composta em 1711. É a primeira ópera de Haendel em italiano escrita especificamente para a sua apresentação em Londres. 

O libreto foi preparado por Giacomo Rossi a partir de um cenário previsto por Aaron Hill. 

O trabalho foi realizado no "Queen's Theatre in London's Haymarket " (Teatro da Rainha em Haymarket -Londres ) em 24 de fevereiro de 1711. 

A história da batalha de amor e redenção definida no momento da Primeira Cruzada é vagamente baseada no poema épico Gerusalemme Liberata ( Jerusalém Libertada ) de Torquato Tasso, e sua encenação envolveu muitos efeitos originais. Foi um grande sucesso com o público, apesar de reações negativas da crítica literária hostil à tendência de entretenimento italiano nos teatros ingleses. 

Händel compôs a música para Rinaldo rapidamente. Muito dos empréstimos e adaptações de óperas e outras obras que Handel compôs durante a sua longa estadia na Itália, durante 1706-1710, foram aproveitadas. Nos anos seguintes à estréia, Handel freqüentemente apresentou novos números, descartando outros, e algumas peças transpostas para faixas de vozes diferentes, saindo da peça original. Apesar da falta de uma edição padrão, Rinaldo apresenta espetaculares passagens vocais e orquestrais, tornando-se uma das maiores óperas de Handel. 

De seus números individuais, a ária da soprano "lascia ch'io pianga"(deixe-me chorar) tornou-se uma favorita particular e é uma peça de concerto popular. Handel passou a dominar a ópera na Inglaterra durante várias décadas. Rinaldo foi revivida em Londres regularmente até 1717, e uma versão revista foi apresentada em 1731. A ópera também foi realizado em várias cidades europeias. Durante a vida de Handel, Rinaldo foi a mais freqüentemente realizada, dentre todos os dramas do compositor musical.

Depois de 1731, no entanto, a ópera não foi mais encenada por mais de 200 anos. Renovado o interesse na ópera barroca, no século 20, foi levada à produção moderna, primeiro no local de nascimento de Handel, Halle, na Alemanha, em 1954. 

A ópera foi montada esporadicamente ao longo dos próximos 30 anos. Depois de uma temporada de sucesso em Nova York no Metropolitan Opera, em 1984, várias apresentações e gravações do trabalho se tornaram mais freqüentes em todo o mundo. Da ópera tricentenária, em 2011 trouxe uma produção modernizada no Festival de Glyndebourne. 

Em Londres, por meios que não estão documentados, Handel garantiu uma comissão para escrever uma ópera italiana para o Teatro da Rainha no Haymarket (que se tornou o "O Teatro do Rei " após a adesão do rei George I em 1714). Este teatro, projetado e construído por Sir John Vanbrugh, tornou-se a casa principal de ópera de Londres e seu gerente, Aaron Hill, pretendeu montar a primeira ópera italiana escrita especificamente para Londres e tinha contratado uma empresa de italianos para a temporada de ópera de 1710-1711. Dentre os empregados havia um poeta italiano e professor de línguas, Giacomo Rossi, que foi contratado para escrever um libreto, baseado em um cenário que Aaron Hill preparou. Assim, escolheu Gerusalemme Liberata, um épico da Primeira Cruzada do século 16 do poeta italiano Torquato Tasso, enquanto a ópera foi chamada de Rinaldo, tomado do nome do principal protagonista.

Hill estava determinado a explorar ao máximo as oportunidades para um espetáculo luxuoso oferecido pelas máquinas do teatro que ele possuía e seu objetivo era combinar o virtuosismo do canto italiano, com a extravagância da masque do século. Portanto, a ópera Rinaldo foi um verdadeiro sucesso. 

Funções e Personagens: 
Goffredo : líder da Primeira Cruzada. -contralto 
Rinaldo: um nobre da Casa de Este -alto castrato
Almirena: filha de Goffredo -soprano 
Eustazio: irmão de Goffredo -alto castrato 
Valentino Urbani - Um arauto-tenor 
Argante: Saracen rei de Jerusalém -baixo 
Armida: Rainha de Damasco, amante de Argante - soprano
Duas sereias - sopranos 
Uma mulher - soprano 
Um mago cristão - alto castrato 
Sereias, espíritos, fadas, funcionários, guardas, atendentes - Não cantam dentro e ao redor da cidade de Jerusalém durante a Primeira Cruzada Tempo : 1099 

Ato 1 
O exército das cruzadas sob o comando de Goffredo faz o cerco a Jerusalém, onde o rei sarraceno Argante fica confinado com suas tropas. Com Goffredo estão seu irmão Eustazio, sua filha Almirena, e o cavaleiro Rinaldo. Assim que Goffredo canta o início da vitória, Rinaldo declara seu amor por Almirena e Goffredo confirma que ela será a noiva de Rinaldo quando Jerusalém cair totalmente. 

Almirena pede a Rinaldo para lutar com coragem e garantir a vitória. Quando ela sai, um arauto anuncia a aproximação de Argante vindo da cidade. Eustazio supõe que o rei derrota medos, o que parece ser confirmado quando Argante, depois de uma entrada grandiosa, pede uma trégua de três dias para a qual Goffredo graciosamente parece ser favorável. 

Após a saída de Goffredo, Argante declara seu amor por Armida, a rainha de Damasco que também é uma feiticeira poderosa, e considera a ajuda de seus poderes pode trazê-lo de volta. Assim como as musas, Armida chega do céu em uma carruagem de fogo. Ela adivinhou que a única chance dos sarracenos para a vitória consiste em vencer Rinaldo, e tem o poder, ela afirma, para o conseguir. 

A cena muda para um jardim, com fontes e pássaros, onde Rinaldo e Almirena estão celebrando seu amor. Eles são interrompidos por Armida que aparece e arranca Almirena do abraço de Rinaldo. Rinaldo desembainha sua espada para defender a sua amante, mas uma nuvem negra desce para envolver Armida e Almirena, e elas são transportadas. Rinaldo lamenta a perda de sua amada. 

Quando Goffredo e Eustazio chegam, eles confortam Rinaldo, e propõem que eles visitem um mago cristão que pode ter o poder de salvar Almirena. Rinaldo, deixado sozinho, ora para lhe dar forças. 

Ato 2 
Armida se apaixona por Rinaldo.

A beira-mar. Como Goffredo, Eustazio e Rinaldo estão perto do covil do mago, quando uma linda mulher chama-os do seu barco, prometendo a Rinaldo que ela pode levá-lo até a Almirena. 

Duas sereias cantam de delícias do amor, e Rinaldo tem vontade de ir no barco. Ele hesita, sem saber o que fazer, e seus companheiros tentam contê-lo. Zangado pelo rapto de sua amada, Rinaldo entra no barco, que imediatamente veleja. Goffredo e Eustazio estão chocados com a impulsividade de Rinaldo e acreditam que ele tenha desertado. 

No jardim do palácio de Armida, Almirena lamenta seu cativeiro. Argante se junta a ela e, dominado por sua beleza, confessa que agora ele a ama. Ele promete que, como prova de seus sentimentos, ele vai desafiar a ira de Armida e garantir a liberdade de Almirena. 

Enquanto isso, Rinaldo é levado perante Armida que está triunfante. Como ele exige que Almirena seja posta em liberdade, Armida se vê atraída ao seu espírito nobre, e declara seu amor por ele. Quando ele a rejeita com raiva, porque supõe que ela esteja usando seus poderes para assumir a forma de Almirena, Rinaldo suspeita das trapaças, e se afasta. 

Armida, retomando sua própria aparência, fica furiosa com a sua rejeição, mas ainda mantém os sentimentos de terno amor. Ela decide em fazer uma nova tentativa de enredar Rinaldo, e transforma-se de volta na forma de Almirena, mas então encontra Argante. Acreditando que ela seja Almirena, Argante repete as promessas de amor feitas anteriormente e como também de sua liberdade.

Rapidamente retomando sua forma própria, Armida denuncia sua infidelidade. e jura vingança. Desafiadoramente, Argante confirma seu amor por Almirena e declara que ele não precisa mais da ajuda de Armida. Ela sai como uma fúria. 

Ato 3 
Uma montanha, à caverna do mago.

Goffredo e Eustazio dizem para o Mago que Almirena que está sendo mantida em cativeiro no palácio de Armida, o qual está no topo da montanha. Ignorando o alerta do mágico de que eles vão precisar de poderes especiais, o par parte para o palácio, mas são rapidamente rechaçados pelos monstros de Armida.

O mágico então os presenteia com varinhas mágicas que transcendem o poder de Armida, e eles partem novamente. Desta vez, eles superam os monstros, mas quando eles chegam aos portões do palácio, este desaparece, deixando-os agarrados a uma rocha no meio de um mar tempestuoso. Eles sobem e descem a pedra até ficarem fora da vista.

No jardim do palácio, Armida prepara para matar Almirena. Rinaldo desembainha sua espada, mas Armida está protegida contra a sua ira, por espíritos. De repente, Goffredo e Eustazio chegam, mas assim que eles tocam o jardim com suas varinhas ele desaparece, deixando-os, todos, em uma planície vazia com a cidade de Jerusalém visível à distância.

Armida, após uma última tentativa para matar Almirena, também desaparece assim que Rinaldo a golpeia com sua espada. Os quatro restantes celebram a reunião, enquanto Goffredo anuncia que o ataque a Jerusalém começará no dia seguinte.

Na cidade, Argante e Armida, em perigo de um inimigo comum, reconciliam-se e preparam suas tropas para a batalha. O exército de Goffredo avança, e finalmente a batalha começa. Depois de uma luta pela supremacia, Jerusalém cai para Goffredo, enquanto Argante é capturado por Rinaldo, e Armida é presa por Eustazio. Rinaldo e Almirena celebram seu amor e futuro casamento.

Armida, aceitando sua derrota, quebra a varinha que é a fonte de seu poder maligno e, juntamente com Argante abraça o cristianismo. Goffredo expressa seu perdão aos seus inimigos derrotados e os liberta, e ante de vencedores e vencidos se juntam ao coro da reconciliação.

Alterações da ópera:

A mudança da história da ópera foi um longo caminho percorrido, a partir da original de Tasso. Colina inventou uma nova heroína, Almirena, para fornecer o interesse amoroso principal com o Rinaldo herói, e a relação entre Rinaldo e Armida e esta como má figura da ópera.

Da mesma forma, o caso entre Argante e Armida é da criação de Hill, como são as conversões ao cristianismo, este último possivelmente um bocado para as suscetibilidades inglesas. Rossi foi obrigado a transformar o cenário elaborado em versos, uma tarefa relativamente leve, mas que no entanto, Rossi reclamou que Handel dificilmente lhe deu tempo para escrever.

O papel de Rossi foi além de ser um versejador simples, citando as palavras de Hill de louvor para Rossi, no prefácio para o libreto, que sugerem que Rossi foi o parceiro sênior do nascimento do libreto.

A ópera foi revista mais particularmente em 1717 e em 1731, apresentando performances modernas que são geralmente uma fusão das versões disponíveis. Até a de 1717, estas mudanças não tiveram efeito significativo sobre o enredo.

Na versão 1731, no entanto, no ato 2 Armida imita a voz de Almirena, em vez de assumir sua aparência, e Argante declara seu amor ao retrato de Almirena ao invés de ser face a face.

No Ato 3 as marchas e a cena de batalha são cortadas e Armida e Argante permanecem impenitentes e desaparecem em uma carruagem puxada por dragões, antes da celebração.

A casa de ópera na Haymarket - inicialmente conhecido como Teatro da Rainha e depois mais tarde, como Teatro do Rei - onde muitas das obras de Handel, incluindo Rinaldo , foram realizadas pela primeira vez é famosa até nos dias atuais.

Do século 19, o crítico musical George Hogarth escreveu que Rinaldo foi o interesse romântico do assunto, os encantos da música e do esplendor do espetáculo, que se fez como um objeto de atração geral. A sua estreia no Teatro da Rainha em 24 de fevereiro de 1711, possivelmente sob a direção de Haendel, foi um sucesso triunfante.

Mais de 12 performances foram imediatamente agendadas, no final da temporada, a demanda popular era tal que mais duas foram acrescentadas. Não obstante o entusiasmo, as tensões financeiras de uma produção tão grandiosa levaram a ações legais contra Hill, pelo trabalho de artesãos não remunerado.

Nove dias após a estréia, o Escritório Chamberlain revogou a licença do empresário. Sob os sucessores de Hill, a ópera foi jogada no teatro, na maioria das temporadas até 1716-17, altura em que ascendeu a 47 performances, muito mais do que qualquer ópera na sede da Rainha. O entusiasmo geral do público para a ópera não foi compartilhado pelos escritores Joseph Addison e Richard Steele, que usaram as páginas de sua nova revista, "The Spectator" , para desprezar e ridicularizar o trabalho.

Addison pode ter sido motivado pelo seu próprio fracasso, alguns anos antes, para estabelecer uma escola de ópera com Rosamund, em que tinha colaborado com o compositor Thomas Clayton. Era um absurdo, ele escreveu, que o público de teatro deva ser exposto a noite inteira de entretenimento em uma língua estrangeira. Addison, no entanto, louvou o canto de Nicolo Grimaldi, o célebre castrato conhecido como "Nicolini", no papel-título.

Steele comparou desfavoravelmente a produção a um "Punch and Judy show", particularmente criticando certas mudanças de cena e má qualidade de efeitos, como trovões e relâmpagos. Em novembro de 1715, uma versão em alemão foi realizada em Hamburgo. Esta produção, com base em uma tradução pelo dramaturgo Barthold Feind, provou ser muito popular e foi revivida na cidade em numerosas ocasiões durante a década de 1720.

Um pastiche da ópera, com números adicionais por Leonardo Leo (1694-1744), foi apresentada no Royal Court em Nápoles em 1718, com Nicolini cantando seu papel original. Depois de 1716-1717, Rinaldo não foi visto nos palcos de Londres até 1731, quando foi revivida na sua forma revista no Teatro do Rei. Durante estes anos, a 'indústria' de Handel era tal que ele estava produzindo uma nova ópera para o teatro a cada nove meses.

A produção de 1731 de Rinaldo recebeu seis performances, elevando o total de Londres para o trabalho a 53 na vida de Handel, o máximo de qualquer de suas óperas. No século seguinte, já não se fala mais nas óperas de Handel!

A produção Zurich Opera de 2008, dirigido por Jens-Daniel Herzog e conduzido por William Christie, colocou de lado todas as convenções, representando a ação em um saguão de aeroporto do século 21 e centro de conferências, com Rinaldo vestido com um blazer marinho, precisando de uma bebida. Os personagens subiam e desciam escadas rolantes no palco, e o conjunto de cenários mostravam várias áreas do salão e do terminal. Existe uma dissecação de um pequeno e branco animal peludo, uma grande serpente, algumas alusões às garotas louras e transformações de personagens. Os cristãos puxavam armas para os muçulmanos em uma cerimônia de assinatura.

********** A versão de concerto de Rinaldo foi dado em 2009 no Festival de Edimburgo , pelo Bach Collegium Japan conduzido por Masaaki Suzuki, com a soprano o japonesa Maki Mori como Almirena. Durante a ópera tricentenária nos anos de 2011, o Festival de Glyndebourne (Glyndebourne é uma casa no campo com um espaço maravilhoso, que mantém uma casa anexa à arte da ópera, no centro do condado de Sussex) onde montou uma nova produção dirigida por Robert Carsen, projetada por Gideon Davey, e conduzida por Ottavio Dantone com a Orchestra of the Age of Enlightenment. A produção foi definida em uma escola onde Rinaldo é um estudante, inicialmente vítima de bullying, que entra no mundo das Cruzadas. O Festival de Ópera de Glyndebourne trouxe uma versão semi-encenada desta produção para o 2011 Proms. 

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

É muita sacanagem

Imagem relacionada
Todo dia que amanhece 
ficamos cada vez mais ricos, 
ricos! Muito ... muito ricos.
A costa brasileira é rica
Tão rica, mas tão rica
que aqui neste eldorado
este paraíso tropical
está cada vez mais
se transformando
numa linda sensual
e imensa Costa Rica.
Mas no fundo
do fundo do fundo
bem lá no fundo
tateando no escuro
entre pães e circos,
o que começou como Porto Seguro
terminará como Porto Rico.


É isto aí!

New York Jazz Lounge - Bar Jazz Classics

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Penta Campeão


O Cruzeiro agora faz parte de um grupo restrito. Com o título da Copa do Brasil, o clube passou a integrar o hall dos pentacampeões nacionais no país. Os celestes são os sétimos a atingir esse feito. Os demais membros são Santos, Palmeiras, São Paulo, Flamengo, Corinthians e Grêmio.

O pentacampeonato da Copa do Brasil foi construído em 1993, 1996, 2000, 2003 e 2017. Agora, o Cruzeiro volta a ser recordista de títulos nessa competição, ao lado do Grêmio, vencedor em 1989, 1994, 1997, 2001, 2016.

O primeiro penta nacional foi o Santos de Pelé, vencedor da Taça Brasil de 1961 a 1965. O clube acabou chegando à condição de octocampeão com as conquistas de 1968, 2002 e 2004.

O Palmeiras veio na sequência, com os títulos da Taça Brasil de 1960 e 1967, do Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1967 e 1969 e do Campeonato Nacional de Clubes de 1972. O Verdão acabou chegando ao enea ao levantar o troféu em 1973, 1993, 1994 e 2016.

O São Paulo iniciou sua série em 1977, ao derrotar o Atlético na decisão, e chegou ao pentacampeonato brasileiro com os títulos de 1986, 1991, 2006 e 2007. Em 2008, atingiu o hexa graças ao tri consecutivo na era bem-sucedida do técnico Muricy Ramalho

terça-feira, 26 de setembro de 2017

A receita da profecia

- Alô? É da Farmácia?

- Sim, pois não?

- Eu estou com uma receita que não consigo ler, será que vocês podem dar um jeito?

- Traga a receita que poderemos verificar.

- Não, não posso fazer isto, é uma coisa muito pessoal.

- Certo, se resolver trazer, estaremos à disposição.

- Como assim se resolver? O que você quis dizer com isto? Que sou indecisa?

- Não, por favor, de forma alguma, apenas disse que preciso ver a receita.

- Curioso você, hem ... escuta, cadê o farmacêutico?

- Sou eu mesmo, senhora.

- Senhora é a sua mãe, eu sou senhorita.

- Desculpe, senhorita, não sabia o que dizer.

- Se não sabia, ficasse calado. Quer saber, eu vou aí.

- Estarei aguardando.

- Humm, você é de qual igreja?

- Igreja, olha moça, o que isto tem a ver com esta conversa?

- É que você estará me aguardando - aguardar vem do latim "sperare" - ter fé, esperança - uau

- Senhorita, não entendi.

- Agora tudo se manifestou à minha frente, cumpre-se a profecia da beata. A necessidade da minha ida à farmácia gerou em você a esperança de me encontrar e vivermos felizes para sempre ...

- Senhorita, eu sou casado ...

- Eu devia ter desconfiado. Seu tarado, safado, cretino, vai iludir outra, cafajeste!

É isto aí! 

domingo, 24 de setembro de 2017

Wanda, a porta-voz de Bananaland.

Dia destes subi na Colina do Bom Senso, e colei os olhos no meu potente telescópio, focando Bananaland, um distante planeta verde muito além do jardim sideral, e percebi que estava em chamas. 

Através de amigos de amigos de amigos, consegui uma entrevista via skyping-UP interplanetária com Wanda Neura, uma famosa e poderosa liderança dos insatisfeitos de Bananaland. Procurei fazer perguntas genéricas para não criar maiores polêmicas. Ela solicitou que eu formulasse 50 questões sobre temas diferentes e destas escolheria, junto com o Comitê do Movimento Bananaland Livre, dez passíveis de resposta. 

Bem, transcrevo aqui, na íntegra conforme combinado em cartório interplanetário, depois da vistoria, edição, correções e alterações do movimento extra-quadril pró-quadrilhão da Wanda:

1 - O que aconteceu em Bananaland?
Terrolhas e comunirrolhas tentaram tomar o poder seduzindo pessoas humildes, inocentes e simplórias da casta dos povachos, povoados, povolhos e povilhos. Em nome da lei, da liberdade e da ordem tomamos o poder destes terrolhas bastardos.

2 - E depois que tomaram o poder, como se deu a execução do plano?
Estamos agora providenciando a antítese da tese. Neste momento todos os captos-mens que a princípio promoveram a retomada da ordem institucional, estão sendo acusados de alguma coisa, uns com malas, outros com amantes, outros com documentos jupiterianos, para que saiam da frente da Verdade Libertária de Bananaland

3 - E os depostos?
Estes, ao contrário dos captos-mens, sempre foram terrolhas e comunirrolhas - tudo safado, sem vergonha, bandido, meliante, sem vergonha, adúlteros, vão pagar caro por tentarem destruir a moral, a ordem, a fé e a estrutura fálica do nosso grande líder.

4 - Então há um líder, Wanda?
Quem falou isto? Nada de partidos, nada de políticolhos, odiamos politicolhos. O líder é o povorich que sofre preso nas suas residências enquanto o povacho et caterva, monitorado com lavagem cerebral executada pelos terrolhas acha que pode viajar nas nossas naves, andar na zona restrita, comprar coisas que não o identificam enquanto povachos, povoados, povolhos e povilhos, enfim, a coisa estava perdendo o fio da moral, da crença nos bons deuses e deusas do Monte FaloetCala e da boa fé galáctica.

5 - E quais são os planos para o futuro?
Fim do estado como interventor social, educacional, financial, assistencial, etc e coisa e tal e domínio total de tudo em nome da pátria, do planeta e da vida pelos cidadãos do bem, únicos capacitados para administrar as coisas boas e belas de Bananaland, por meritocracia dinástica, meu bem!!

6 - E quem são os cidadãos do bem?
Não interessa.

7 - Quais serão as medidas sociais?
Não vem ao caso,

8 - Como serão definidas as estratégias de governo?
Não interessa.

9 - Como será a forma das eleições?
Não vem ao caso.

10 - Quer dizer uma palavra para os outros planetas do sistema solar?
O que é o sistema solar? L'État c'est moi, mon ami!!!!

É isto aí"