domingo, 13 de janeiro de 2019

Memórias esquisitas do dia que morri

Flanagan's wake

Cheguei atrasado ao meu velório e, pelo que ouvi, perdi cenas imperdíveis de olhares atravessados, fidelidades e infidelidades em disputa de território, Uns estranhamentos entre a turma da ladeira e a turma do beco, aí a lei chegou, rolou um B.O. e outras coisas mais. 

Tentei explicar o atraso da funerária para a titular espiritual, conforme seu crachá, do ministério conjugal, mas sua face em estilo de arrogância imperturbável denunciava que era melhor ficar calado. Vi uns dois ou tres amigos que já partiram também - o Gasolina, o Moita e 
Poucas pessoas, o que de certa forma me confortou, pois sempre odiei tumultos e multidões. Veio a Gelinha — na realidade o nome dela era Jacira, mas parecia um gelo chupado. Um dia a chamei de Gelinha, ela sorriu e perguntou o por que daquilo, e eu:

— Ora, ora, ora, Jacira, você é Gelinha só para mim e para mais ninguém. E por isso, por ser só minha Gelinha, não vá sair por aí declarando nosso segredo.

Bem, ela contou o segredo do nome, mas guardou consigo o segredo do nosso tórrido romance.

Veio o Juca Franco; sinceramente, um chato de galocha. Nunca gostei desse cara, e agora o vejo e a viúva em entreolhares táticos. E não é que o coisa ruim  mancomunado se aproximou e colocou a mão na nuca dela? Eu sabia... eu sabia.

Também estavam a Dentinha, a Bolinha e a Feinha, três irmãs do carcamano do italiano da padaria, que foram aos poucos me levando para o depósito de farinha, onde acabei me revelando um grande entendedor de massas e folheados. Italianinhas das mais doidas que já conheci.

Agora aquele filho de uma gata de rua do Juca Franco saiu para o quarto de repouso e fez um sinal discreto com a cabeça para a desavergonhada da viúva. Mas veja só, nem o velório serve mais como lugar de respeito! Tentei entrar no ambiente e dar logo uma porrada no sujeito, mas um cara enorme, de asas, me barrou. No que tocou a mão direita no meu ombro esquerdo, voei para uma sala estranha.

Era uma enorme e silenciosa sala. Pensa num silêncio total. Era aquilo. O sujeito de asas ficou encostado num canto, atrás de mim, com os braços cruzados, sem olhar para lugar algum, e eu fiquei ali. A sala era ovalada, sabe? O teto era alto, o piso de pedra, não tinha bancos, não tinha luz, mas era clara — uma claridade meio penumbra, meio luz.

Aí, do nada, surgiu uma cadeira e uma mesinha, então o ser alado me puxou para sentar. Um homem sem asas entrou sem tocar os pés no chão e me entregou um formulário imenso. Gente, tinha pelo menos umas dez páginas e umas duas mil questões abertas! Olhei para o sujeito, olhei para aquela enciclopédia de perguntas e fiz três questionamentos. Só três. Na realidade tinha uns doze para fazer, mas só deu tempo de três bem rapidinhos. E puxa vida, quando você não sabe o que falar diante de um cenário desconhecido, só fala bobagem e sempre vai dar merda.

— Posso ir ao banheiro?

— É de consulta?

— Vai liberar o gabarito?

Gente, o sujeito me olhou com uma fúria bem lá no fundo do fundo, e só ouvi aquele barulho maluco, meio chiado, meio lascado... e caí aqui, no meio do velório. Vi um tanto de olhares curiosos e rostos desconfiados e então meu corpo foi virando no caixão, acho que em convulsão, e fui pulando ao encontro do filho de uma descomungada do Juca Franco. Aí o filho de uma égua morreu de susto. Como eu suspeitava, era uma coisinha fraca o fresco do filhinho de mamãe do Juca Franco...



É isto aí!
É isto aí!


sábado, 12 de janeiro de 2019

Rosa (Pixinguinha / Otávio de Souza)

Tu és divina e graciosa
Estátua majestosa do amor
Por Deus esculturada
E formada com ardor
Da alma da mais linda flor
De mais ativo olor
Que na vida é preferida pelo beija-flor
Se Deus me fora tão clemente
Aqui nesse ambiente de luz
Formada numa tela deslumbrante e bela
Teu coração junto ao meu lanceado
Pregado e crucificado sobre a rósea cruz
Do arfante peito teu

Tu és a forma ideal
Estátua magistral. Oh, alma perenal
Do meu primeiro amor, sublime amor
Tu és de Deus a soberana flor
Tu és de Deus a criação
Que em todo coração sepultas um amor
O riso, a fé, a dor
Em sândalos olentes cheios de sabor
Em vozes tão dolentes como um sonho em flor
És láctea estrela
És mãe da realeza
És tudo enfim que tem de belo
Em todo resplendor da santa natureza

Perdão se ouso confessar-te
Eu hei de sempre amar-te
Oh flor meu peito não resiste
Oh meu Deus o quanto é triste
A incerteza de um amor
Que mais me faz penar em esperar
Em conduzir-te um dia
Ao pé do altar
Jurar, aos pés do onipotente
Em preces comoventes de dor
E receber a unção da tua gratidão
Depois de remir meus desejos
Em nuvens de beijos
Hei de envolver-te até meu padecer
De todo fenecer


sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Rábula dativo

Minas Gerais neste sombrio verão de 2019

Meritíssima Amanda Machado,

Referente ao Processo 

Eu preciso falar sobre o caso Allan/Alice. Considerando que os membros do juri ainda não se pronunciaram em seus comentários, como rábula dativo, vou defender os princípios do Allan, para que fique registrado nos autos do processo da Alice.

É...hummmm...então, lembro das aulas de catecismo onde a professorinha de voz baixa e olhar duro falava que as palavras sagradas não devem ser analisadas ao pé da letra. E as palavras de Allan soam sagradas, pois as reforça com Verdade; Abençoa; Éden e Amor.

Allan escreveu "Alice, não era para sermos". Não era para sermos e fomos assim mesmo. Está lá, como prova 1, irrefutável, Meritíssima, irrefutável. 

Allan escreveu "Felizes para sempre". Ora, direis, ouvir estrelas, até o átimo, senhores jurados, é um processo infinito. Felizes para sempre não é uma prerrogativa de um processo duradouro, é o êxtase do momento, e êxtase é infinito enquanto dura.

Aqui, senhores e senhoras do Juri, há uma dubiedade, pois na Prova 3, Allan denuncia que "A verdade é a felicidade". Assim está escrito que devemos procurar a verdade porque a verdade nos liberta - esta é a chave para a felicidade.

Na prova 4, "O mundo nos abençoa em todo deserto". Ora, ora, ora. Não foi assim com Israel nos 40 anos de deserto? Não foi assim com João Batista? Não foi assim com o Cristo? 

Na prova 5, nosso Allan fala de uma forma fantástica "Há oasis um Eden. Aqui, senhores e senhoras membros deste tribunal, na verdade eu vos falo que sobre as Memórias de Futuro do Amor dos quais evolui sua linha de raciocínio a doce e meiga Alice, não hão de ser invalidadas ou anuladas por que ela deseja. 

Meritíssima, saiba que a memória de longa duração fica no hipocampo, situado no sistema límbico, e é a principal ferramenta capaz de formar e evocar memórias e/ou de induzir o resto do córtex cerebral a fazer o mesmo, volutaria ou involuntariamente. 

Allan, um erudito da língua portuguesa, trás Oásis no plural, pois há um só Paraíso, entre tantas ofertas de prazer e descanso.

Concluindo, Meritíssima, "O amor sempre anda no infinito". Como definir o abstrato? Como tangenciar um sentimento? Se se morre de amor, se morre? Foi assim que aprendemos? 

Data venia, Meritíssima, Allan está condenado à paixão, e Alice tem o direito de se desvencilhar deste caminho, mas não pode jurar que será tão fácil assim. Amar dói!

Senhores jurados, julguem com o coração!

Paulo Abreu - rábula dativo das causas perdidas 

É isto aí!

domingo, 6 de janeiro de 2019

(Coldplay) Viva La Vida - Sungha Jung


Fonte Youtube: Sungha Jung 

Sungha http://www.sunghajung.com arranged and played "Viva La Vida" by Coldplay using loopstation.

Sungha Jung Live in Singapore 2014!
 
Sungha Jung Live in Saigon 2014!

Música: Viva La Vida
Compositores: Berryman Guy Rupert / Buckland Jonathan Mark / Champion William / Martin Christopher Anthony John
Licenciado para o YouTube por:
WMG (em nome de PLG UK Frontline)
Fonte Youtube: Coldplay

Felix Baumgartner Space Jump World Record 2012 (Red Bull Stratos)


Fonte Youtube: Felix Baumgartner Space Jump World Record 2012 Full HD 1080p [FULL]

Veja também: Red Bull Stratos FULL POV | Felix Baumgartner's Stratosphere Jump


Felix Baumgartner (Salzburgo, 20 de abril de 1969) é um paraquedista e base jumper austríaco.

No dia 14 de outubro de 2012 fez o salto em maior altitude de todos os tempos (39 mil metros), e bateu um recorde estabelecido em 1960 por Joseph Kittinger.

Após ser adiado por 2 vezes (primeiramente foi marcado para o dia 09/10 e depois para 12/10) devido ao mau tempo, Felix saltou no dia 14 de outubro de 2012 de uma cápsula levada por um balão à estratosfera por volta das 15h05min (horário local de Roswell-EUA). A subida demorou 2h30min.

Para saltar, teve de respirar oxigênio puro para eliminar o nitrogênio de seu sangue, que poderia se expandir em alturas elevadas e com isso ameaçar sua saúde.

Com o sucesso do salto, o austríaco afirmou que quer “inspirar a próxima geração”. “Quero ajudar quem quiser vir e quebrar meu recorde”, contou ele.

Red Bull Stratos: 

Red Bull Stratos foi um projeto realizado no dia 14 de outubro de 2012 que envolveu o paraquedista e base jumper austríaco Felix Baumgartner, e que foi patrocinado pela Red Bull. O projeto teve como objetivo quebrar vários recordes ao mesmo tempo e ajudar a contribuir em pesquisas científicas.

Preparativos e Treinamentos
Os preparativos para esta missão começaram em 2007. Felix Baumgartner, que tem o apelido de Felix Sem Medo recebeu um longo tratamento psicológico. Por ser claustrofóbico, ele sofria ataques de pânico toda vez que tinha que vestir o macacão e o capacete reforçado para deixá-lo totalmente isolado do ambiente hostil durante o salto. Assim, ele foi submetido a um acompanhamento psicológico realizado por Michael Gervais, especializado em atender esportistas de aventura. A equipe técnica também contribuiu para Baumgartner superar a claustrofobia e criou um procedimento detalhado antes do salto para manter sua mente ocupada e longe dos medos.

Além disso, o salto estava cercado de riscos, já que Baumgartner poderia perder a consciência e sofrer uma hemorragia cerebral caso começasse a rodar de forma descontrolada.

Perigos
A estratosfera é um ambiente extremamente hostil, com pouca presença de oxigênio e temperaturas baixíssimas, que chegam abaixo de -50 C°. Com isso, o paraquedista poderia morrer congelado ou por asfixia.

Qualquer dano à sua roupa especial poderia fazer com que o ar escapasse, provocando uma despressurização do equipamento. Isso poderia ocasionar a formação de bolhas de gás no sangue (conhecida como embolia gasosa). Ou seja, o paraquedista sofreria um efeito de como se ele estivesse sendo fervido por dentro. Ou seja, morte instantânea.

Baumgartner precisava saltar em uma posição previamente calculada, evitando a perda de controle do voo. Caso ele começasse a rodar, ele poderia desmaiar e continuar girando até que as forças aplicadas sobre seu corpo rompessem o seu tronco encefálico. (De fato ele chegou a rodopiar fortemente, mas conseguiu estabilizar).

O paraquedista poderia vomitar dentro do capacete e ter sua visualização do exterior e da linha do horizonte obstruída, ficando assim completamente desorientado.

Ninguém, até então, sabia como o corpo humano livre (protegido apenas pelo traje especial) iria se comportar ao ultrapassar a barreira do som, já que ninguém tinha conseguido a tal proeza até então.

Equipamentos e Vestimentas

Cápsula
A cápsula foi desenvolvida especialmente para este projeto. Ela possuiu mais de 1.300 quilos e espaço útil de 1,80 metros. Além de manter o aventureiro em segurança durante a subida, a cápsula possuía todos os instrumentos de navegação, câmeras e também um sistema de segurança. Ela também seria quase indestrutível, em caso de um impacto.

Balão
Foi utilizado um balão com aproximadamente 850 milhões de metros cúbicos de hélio. Contando com o peso da cápsula, todo o sistema do balão pesou ao redor de 3200 kg.

Traje
O traje especial pressurizado foi feito baseado nos equipamentos utilizados pelos astronautas. O material utilizado é resistente ao fogo e funciona como isolante térmico. A roupa pesou aproximadamente 13 quilos, sem considerar o capacete e o visor. O traje completo levava quase duas horas para ser colocado e verificado.

Capacete
O capacete também foi pressurizado. O equipamento possuiu mecanismos de aquecimento interno para que o visor não embaciasse ou congelasse. Esse visor ainda contava com uma película protetora contra os raios ultravioleta. Dentro do capacete, haviam também um microfone de comunicação, o canal que levava 100% de oxigênio e um dispositivo que despejava alimentos no estado líquido na boca do tripulante. Ao todo, o capacete pesava pouco mais de 3,5 kg.

Sistemas de segurança, comunicação e localização
Preso ao seu tórax, Baumgartner carregou durante o salto, uma espécie de bolsa na qual estavam todos os dispositivos eletrônicos responsáveis pela sua comunicação com a equipe de solo, o monitoramento de seus sinais vitais e o seu rastreamento no globo terrestre (um GPS melhorado), além do IMU (“Unidade de Medida Inercial”), que registrou todos os dados (altura, velocidade, tempo de queda, etc.), e uma câmera de alta definição com ângulo de visão de 120°. Fora dessa caixa, foi acoplado ao traje um dispositivo designado "CYPRES 2", que seria acionado automaticamente em caso de emergência.

Paraquedas
Além dos dois paraquedas tradicionais (o principal e o reserva), o paraquedista ainda contou com um paraquedas específico para estabilizar o seu voo caso ele começasse a girar. Nas laterais do macacão, existiam mecanismos para cortar algum dos paraquedas caso ele se enrolasse.

Treinamentos
Na sua preparação Baumgartner realizou vários saltos, entre eles, um a 20 km de altitude que atingiu 580 km/h.

O Salto
“Quando você está no topo do mundo, torna-se mais humilde. Eu não pensava em recordes, nada disso. Só não queria morrer na frente dos meus pais e da minha namorada, que estavam me vendo. Era só nisso que eu pensava. Pensei em todo mundo que estava me vendo, torcendo por mim... Às vezes, é preciso ir muito alto para compreender quão pequenos somos!”
Felix Baumgartner

A Complexidade do Projeto
Por causa da complexidade do projeto, condições climáticas perfeitas eram fundamentais para o sucesso da missão. Assim, inicialmente marcado para o dia 09/10/2012, e após mais dois adiamentos devido ao forte vento, o salto "estratosférico" finalmente ocorreu no dia 14 de Outubro de 2012. A missão, bem sucedida, levou Baumgartner a aproximadamente 39 quilómetros de altura, na estratosfera sobre o Novo México num balão de hélio, fazendo uma queda-livre e depois usando um paraquedas. Chegou a alcançar a velocidade de 1.342 quilómetros por hora (em condições normais -- pressão 1 atm e temperatura 20oC -- no ar denso da atmosfera terrestre a velocidade do som é de 1.234 km/h, enquanto na estratosfera devido ao ar rarefeito o valor tipico é 1.110 km/h, segundo a missão que coordenou o salto). 

A Expectativa de Recordes
Com o salto, Baumgartner esperava superar 4 recordes: ser o primeiro humano a superar a velocidade do som sem ajuda mecânica; realizar o mais alto salto de paraquedas, subir ao ponto mais distante da Terra e protagonizar a queda livre mais longa. Destes, os 3 primeiros foram superados. A queda livre de Baumgartner foi de 4 min e 19 seg, o que não permitiu que ele batesse o recorde mundial nesta modalidade, que era de 4 min e 36 seg.

A queda livre foi prevista para cinco ou seis minutos, mas acabou por durar 4:19. O salto total (sem haver contato com o chão) durou aproximadamente dez minutos.

O Salto em Números
Tempo de Subida: 2 horas e 35 minutos
Tempo de Queda Livre: 4.19 min
Duração do Salto: 9.3min
Velocidade Máxima atingida em Queda Livre: 1357,6km/h (atingida durante os primeiros 40 segundos de queda)
Altitude Máxima : 128.097 pés (ou 38 969,4 metros)

Os Recordes
Primeira pessoa a romper a barreira do som em queda livre (atingiu a velocidade de 373 metros por segundo = 1,24 vezes a velocidade do som)
O salto mais alto de todos os tempos (39.045m de altitude)
Maior distância vertical percorrida (36.529m)
O pulo de paraquedas mais alto (39.045m de altitude).
A transmissão ao vivo de seu salto da estratosfera tornou-se o vídeo ao vivo com maior número de visualizações simultâneas: 8 milhões (pico).

O Legado
O projeto visou contribuir em vários aspectos científicos. Dentre eles:

Ajudar no desenvolvimento de roupas espaciais, isso poderá ajudar até em caso de emergência, com o astronauta saindo da nave e reentrando na atmosfera.

Ajudar no desenvolvimento de protocolos de exposição a altas altitudes e altas acelerações.

Ajudar na exploração dos efeitos do corpo humano em acelerações e desacelerações supersônicas.

Ajudar a desenvolver paraquedas no estado da arte, envolvendo maior segurança e precisão.

Assim, o legado deixado por essa missão foi proporcionar aos cientistas descobertas importantes para a melhoria da segurança dos programas espaciais, principalmente no tocante a maneiras de escape dos astronautas durante emergências em altitudes muito elevadas.

Curiosidades
A data do salto (14 de outubro) coincidiu com o 65.º aniversário da primeira vez que a barreira do som foi rompida. O feito foi do americano Chuck Yeager, a bordo de um Bell X-1, no dia 14 de outubro de 1947.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Carminha e Armandinho - O dia seguinte


Acordou, tateou procurando os óculos em algum lugar do ambiente e encontrou uma mão fina, aveludada. Apertou-a e foi retribuído com um aperto leve. Virou-se ainda confuso, cabeça latejante, corpo dolorido e pelo vulto na penumbra não conseguiu perceber quem seria.

Ela lentamente colocou os óculos no seu rosto, levantou-se, caminhou para a janela, abriu as pesadas cortinas e ... surpresa ... era a ex-esposa, completamente nua e linda, sorrindo encantadoramente para ele que não sorria para ninguém.

Dedé ... esta é a nossa, digo, a sua ...

Sim, querido, a nossa casa.

Como eu vim parar aqui? Você me deixou entrar? O que está acontecendo? Quer dor de cabeça é esta? Dedé, eu morri?

Uma coisa de cada vez, querido. Sua roupa está lavada, passada e pendurada no banheiro. Tome uma ducha, aqui está uma aspirina, uma escova de dente e uma toalha de banho. Eu te espero na copa.

Tomou a aspirina, a ducha e se vestiu. Os sapatos estavam no banheiro, bem como as meias, a carteira e todo o dinheiro, os cartões ... não deu por falta de nada. Tentou se lembrar como chegou ali, mas um bloqueio impedia esta ação. Dedé foi a primeira namorada, e depois de seis anos se casaram, lua de mel em Paris, férias nos Alpes, verão em Floripa, inverno em Montreal, até que três anos depois as brigas, os ciúmes, as fases intransponíveis, e quando se deram conta, partiram para um desatamento doloroso.

A mesa estava posta, um café puro, sem açúcar e ela ali, sorrindo com os olhos, enamorando sua alma, deram-se as mãos, lembrou do dia que colocou a aliança naquela mão delicada. Começou a chorar ... chorar ... chorar ... até que um tapa no rosto seguido de uma força descomunal sacolejou todo o seu corpo.

Armandinho .. Armandinho ... acorda, Armandinho ... acorda, para de chorar, Armandinho, vai ... pelamordedeus, acorda ... Armandinho ...

Carminha? Como você veio parar aqui?

Como é que é? Safado.!! Estava sonhando com aquela vadia de novo, não é? E tome chinelada vapt, vulpt, vapt...

Como você sabia?

Eu não sabia, apenas desconfiava, mas agora que perguntou, tenho certeza vapt vapt vapt ...

  É isto aí!

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Coluna Social da Marquesa - O Baile de Reveillon


Coluna Social da Marquesa
Diário da Cidade DC 
Em sociedade tudo é brilho

Fluiu como mel viscoso o clima de reveillon no Clube Social da Elite Pitangueira. Alguns dos mais ilustres cidadãos da mais fina elite da mais fina casta da mais fina finesse e glamour do mundo enquanto poder, estavam presentes.

É claro que não passou desapercebido que Madame K. Lúnia, famosa por apoiar todas as causas que dispensam contato com o povo e  amar todos os valores sociais acima de seis dígitos, abusou da boa educação dos amigos mais próximos, ao exibir além do rapazote à tiracolo, um generoso decote mostrando o que nunca foi surpresa para 90% dos cavalheiros probos e honestos presentes.

Do outro lado do elegante salão imperial, Dr. Jota Arde, um meritocrata de valor inestimável, degustava com os olhos e trazia nos braços a provinciana Naná, empresária de uma rede de entretenimentos de cunho pessoal. 

Na mesa da família Arde, sentada sob certo conforto na mesma cadeira que Jorginho Caó, sua linda  e discreta esposa, cuja fenda frontal do vestido era coberta pelas mãos amigas do bom rapaz, discursava para as mulheres honestas e do bem da elite pitangueira que os tempos modernos da moralidade, da tradição e da família estão de volta, graças à luta contra o mal, vencido pelas graças do charme, da beleza e do aroma da classe empreendedora.

Ao lado das fortes colunas de mármore que dão acesso ao jardim, proeminente líder espiritual da elite da elite da salvação prévia celestial, descontraindo-se com Alcides, uma moça de fino trato da modernidade moderninha, apregoava que só a austeridade cívica fará deste povo uma nova e ordeira classe trabalhadora.

No meio da pista, Mr. Light Hand dançava de uma forma encaixada, mas em total respeito e apreço, com a Madame L. Contras, esposa de poderoso senhor das leis e das ordens. Enquanto isto, ao lado, Beto Rato experimentava as curvas de Cidinha Tan, mocinha ingênua do ensino universitário público e gratuito, filha de Leo Tan, maior investidor de ações sociais de limpeza urbana da região, digamos assim.

E assim, dentro de um forte esquema de segurança, que impediu a choldra de se aproximar do quarteirão do Clube, o presidente cuidou também para que fotos e principalmente celulares fossem proibidos no recinto, e isto causou orgasmos múltiplos na mente vazia do povo recalcado que não percebe que a meritocracia é a alma da honra, da tradição e da família.

É isto aí!

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Louis Armstrong- A Kiss To Build A Dream On [1962] Live


A Kiss To Build A Dream On
Give me a kiss to build a dream on
And my imagination will thrive upon that kiss
Sweetheart, I ask no more than this
A kiss to build a dream on

Give me a kiss before you leave me
And my imagination will feed my hungry heart
Leave me one thing before we part
A kiss to build a dream on

When I'm alone with my fancies...I'll be with you
Weaving romances...making believe they're true

Give me your lips for just a moment
And my imagination will make that moment live
Give me what you alone can give
A kiss to build a dream on

(instrumental break)

When I'm alone with my fancies...I'll be with you
Weaving romances...making believe they're true

Give me your lips for just a moment,
And my imagination will make that moment live
Give me what you alone can give
A kiss to build a dream on

Dê-me um beijo para construir um sonho
E minha imaginação irá prosperar após este beijo
Querida, eu não peço mais do que isso
Um beijo para construir um sonho

Dê-me um beijo antes de me deixar
E minha imaginação vai alimentar meu coração faminto
Deixe-me uma coisa antes de nos separarmos
Um beijo para construir um sonho

Quando eu estou sozinho com minhas fantasias ... Eu estarei com você
Tecendo romances ... fazendo acreditar que são verdadeiros

Dê-me teus lábios por apenas um momento
E minha imaginação vai fazer deste momento ao vivo
Dê-me o que somente você pode dar
Um beijo para construir um sonho

(Ruptura instrumental)

Quando eu estou sozinho com minhas fantasias ... Eu estarei com você
Tecendo romances ... fazendo acreditar que são verdadeiros

Dê-me teus lábios por apenas um momento,
E minha imaginação vai fazer deste momento ao vivo
Dê-me o que somente você pode dar
Um beijo para construir um sonho

domingo, 30 de dezembro de 2018

Coisas para não fazer em 2019 (Herbert B. Swope)

Pont Louis-Philippe, Paris
Foto de Kevin Burg and Jamie Beck 

1. Vontade de agradar os outros

Quantas vezes você fingiu gostar de algo apenas para agradar os seus “amigos” e fazer com que eles gostassem de você? Mais cedo ou mais tarde você irá descobrir que essas não são as suas verdadeiras amizades…

As pessoas que realmente gostam de você irão te aceitar do jeito que você é e nada menos que isso! Conheça, respeite e ame a sua personalidade!

Não conheço nenhuma fórmula infalível para obter o sucesso, mas conheço uma forma infalível de fracassar: tentar agradar a todos.

2. O medo da mudança

Por mais que você queira, nada será igual para sempre. A vida está em constante movimento… Felizmente, não?

Não tenha medo das mudanças. Não vale a pena lutar contra aquilo que você não pode mudar, mas sim usar o seu tempo e energia para aprender a viver com o novo!

3. Viver no passado

Todos têm um passado, alguns mais felizes que outros, mas uma coisa é certa: o que passou, passou!

Reviver continuamente o passado não vai te ajudar a construir um futuro melhor. Aproveite os acontecimentos que passaram para aprender e ganhar experiência, mas não deixe de continuar a caminhada e seguir com a vida.

Como diria Shakespeare: Lamentar uma dor passada no presente, é criar outra dor e sofrer novamente.

4. Críticas a você mesmo

Não seja demasiado cruel consigo mesmo… Todo mundo erra, não existe ninguém perfeito. Acredite!

Tente fazer sempre o seu melhor e, mesmo falhando, não deixe que isso te derrube. Reconheça os seus erros, acertos e se prepare para o próximo round!

5. Pensar demasiado!

Melhor feito do que perfeito!

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Minha primeira vez com Miúcha

Miúcha, que partiu ontem para planos superiores, não era só a irmã do Chico do Buarque, e sim uma personalidade do mundo. Nascida no Rio de Janeiro e criada em São Paulo, aos vinte e três anos mudou-se para Paris e estudou História da Arte na École du Louvre. 

Morando em Paris circulou pela Grécia, França e Itália. E foi na Itália, precisamente em Roma, no bar La Candelária, que conheceu a cantora chilena Violeta Parra, que a apresentou ao cantor e compositor baiano João Gilberto.

Amor incandescente promoveu seu casamento com o criador da Bossa Nova, e desta união nasceu a também cantora, Bebel Gilberto.

Escutei Miucha em 1977, pela Rádio Jornal do Brasil, foi a primeira vez de muitas muitas vezes.

Miúcha agora é uma estrela no céu. Gratidão por sua arte doada a todos nós.

Um abraço, até um dia, até talvez, até quem sabe ...

É isto aí!


quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Receita de Ano Novo (Carlos Drummond de Andrade)

Cary Grant/Katharine Hepburn (Holiday)

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade , "Receita de Ano Novo". Editora Record. 2008.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Feliz Natal

O Reino da Pitangueira deseja a todos vocês um Feliz Natal e um 2019 bom, na medida do possível.

É isto aí! Muito amor e muita criatividade.


Sonata Natalis in C Major: Allegro - Adagio - Allegro
℗ Edel Germany GmbH / Deutschlandradio
Released on: 2011-11-18
Artist: Concerto Köln
Music  Publisher: Copyright Control
Composer: Pavel Josef Vejvanovsky






sábado, 15 de dezembro de 2018

Papo de Coach sobre o Natal

Há uma música que você canta desde a sua infância e que talvez nunca tenha percebido que ela é transformadora e libertadora. Ela fala do perdão, e aqui eu te mostro a letra e como isto se dá no seu mais íntimo ser.

O Natal Existe
Compositor: Edson Borges, o ''Passarinho''

Quero ver
você não chorar
não olhar pra trás
nem se arrepender do que faz...

Quero ver
o amor crescer
mas se a dor nascer
você resistir e sorrir...

Se você
pode ser assim
tão enorme assim
eu vou crer...

Que o Natal existe
que ninguém é triste
e no mundo há sempre amor...

Bom Natal um Feliz Natal
muito Amor e Paz pra Você.
pra você!

Leu a letra e logo a música foi surgindo, não foi? Seu lado cognitivo aliou-se ao emocional e o levou a um outro patamar de realidade, aquela onde você é ou deveria ser feliz. Aqui vamos falar da primeira estrofe: Quero ver / você não chorar / não olhar pra trás / nem se arrepender do que faz...

Quantas vezes você ouviu e quantas vezes cantou esta estrofe sem se dar conta que isto é libertador e transformador?

Esta estrofe fala do Perdão, de se perdoar, de se aceitar como você é, e ser capaz de ser feliz apesar de ... Vem comigo, eu te mostro como:

Perdoar-se e arrepender-se é terapêutico, é o ato de desamarrar-se das dores, das mágoas, das lágrimas, das tristezas que a vida providenciou, das angústias que você edificou. Sim, as tristezas são senhoras que habitam o mundo exterior e ao entrarem na sua existência, você edifica angústias para cultivá-las. E quanto mais sofre, mas as aduba, mais elas crescem.

Há ainda o inefável sentimento de culpa por que acreditava que tudo que acontece no mundo ao seu redor é por sua culpa, positiva ou negativa (muita pretensão, não é mesmo?)

A letra desta música é libertadora, que por que ela te fez saber que o Advento que se comemora neste 25 de dezembro é sobre o Verbo que se fez Carne e que morreu para te salvar. Pense nisto, e seja feliz pelo Cristo que ressuscitou ao terceiro dia para que todos tenham vida e a tenham em abundância. 

É isto aí!


segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Vingança!


Nunca interrompa seu inimigo quando ele está cometendo um erro

Napoleão Bonaparte foi bom em muitas coisas, principalmente na forma como tratava seus inimigos. É dele a frase que nomeia este texto: "Nunca interrompa seu inimigo quando ele está cometendo um erro". 

Fulaninho já vinha a alguns anos provocando aliados e adversários, cuspindo no rosto, chutando de bico na canela, disparando palavras duras e o silêncio era total. Suas andanças em corredeiras e cachoeiras corriam a miúdo, apenas para ouvidos especializados, em especial três dos mais aguçados caciques tupynambás.

Dia destes dois destes caciques foram a Sampa ouvir um grande pajé, pois a estréia do teatro já estava pronta, só faltava o sinal verde. Sua ex-celência da Pajelança ecumênica determinou ao cacique menor, digamos assim,  pegar Fulaninho para si, como um brinquedinho especial, e o cacique maior ficou ocupado em fazer desaparecer o elefante diante da platéia, sem deixar vestígios.

Nada melhor do que vingança em prato frio...

Enquanto isto, em território apache, um sioux de 41 anos foi julgado no tribunal de Pierce County, porque sua ex-mulher que continuava oficialmente casada com ele, descobriu por meio do Facebook que o acusado mudou de nome e estava novamente casado.

Soubesse o cidadão bígamo da origem da espécie, quando, segundo o Talmude, Lilith foi a primeira esposa e infernizou literalmente a segunda união de Adão, saberia que ex é para sempre...

É isto aí!

domingo, 9 de dezembro de 2018

O Tempo que foge (Ricardo Gondim)

Nota do autor:
Querem roubar e ainda me chamam de ladrão
Ricardo Gondim

Escrevi “O Tempo que Foge”. Alguém o fez circular como de um Autor Anônimo. Depois, disseram que era de Mário de Andrade. Agora, por último, me acusam de tê-lo roubado de Rubem Alves. Insisto, o texto é meu. Eu o escrevi no meu computador, na privacidade de meu ambiente de trabalho e está publicado no meu livro “Creio, mas tenho Dúvidas”, Editora Ultimato, com registro no ISBN, na página 107.



Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não vou mais a workshops onde se ensina como converter milhões usando uma fórmula de poucos pontos. Não quero que me convidem para eventos de um fim-de-semana com a proposta de abalar o milênio.

Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos parlamentares e regimentos internos. Não gosto de assembléias ordinárias em que as organizações procuram se proteger e perpetuar através de infindáveis detalhes organizacionais.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos. Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de “confrontação”, onde “tiramos fatos à limpo”. Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário do coral.

Já não tenho tempo para debater vírgulas, detalhes gramaticais sutis, ou sobre as diferentes traduções da Bíblia. Não quero ficar explicando porque gosto da Nova Versão Internacional das Escrituras, só porque há um grupo que a considera herética. Minha resposta será curta e delicada: – Gosto, e ponto final! Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: “As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos”. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos.

Já não tenho tempo para ficar dando explicação aos medianos se estou ou não perdendo a fé, porque admiro a poesia do Chico Buarque e do Vinicius de Moraes; a voz da Maria Bethânia; os livros de Machado de Assis, Thomas Mann, Ernest Hemingway e José Lins do Rego.

Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita para a “última hora”; não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja andar humildemente com Deus. Caminhar perto dessas pessoas nunca será perda de tempo.

Soli Deo Gloria.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Nó (Poesida de Eliara Sandim)

Alto lá
Esta Poesida* não é minha 
Autora: Eliara Sandim
Fonte: http://escritoriodepoesia.blogspot.com/

Sometimes Life Is Unfair


Eu tenho algo de que
horóscopo nenhum fala
algo que não está estampado na cara
como algo crônico ou raro
um problema que não se entende
algo sem solução
como se eu tivesse nascido com os dedos amarrados
um estranho presente pregado nas mãos
um brinquedo quebrado
ou sem manual de instrução

que eu nasci pra ser fantasma, ralé
alguém sem mais nada
nem mesmo fé
ou será que tiraram de mim
ou será que vendi?
ou será que perdi, em alguma esquina que não sei se caí...

o médico vê saúde
as pessoas vêem não sei o quê
eu só me vejo emagrecer

acharam que eram drogas
ou uma crise temporária
acharam que eu era heroína
com dom pra pessoa gregária
alguém que "da a volta por cima"
um animalzinho que se dá bronca
e depois mima...

mas acordo sempre com isso doendo
isso que enjoa tudo o que tenho
essa ladainha que era coisa adolescente
mas volta todos os dias
depois do sol poente.

uma vocação pra ser capacho
um eterno cio pra nenhum macho...
Luzes apagadas diante dos olhos
todos boquiabertos me esperam mostrar
aquilo que nenhum médico ainda soube explicar.

*Poesida é o nome que Eliara Sandim dá aos seus poemas

Coaching do Luto





FONTES
01 - José Roberto Marques Master Coach Senior & Trainer, Presidente IBC 

02 - Maya Santana - Jornalista correspondente da BBC Londres e Blogueira Blog50eMais

01 - José Roberto Marques:

Todos nós passamos por situações difíceis, seja a falta de um emprego, uma doença terminal, crise conjugal, instabilidade financeira, problemas de saúde e tantos outros. Mas a verdade é que nenhuma delas pode ser maior ou pior do que a dor do luto.

A angústia de perder alguém que amamos é, sem dúvida, um dos sofrimentos mais difíceis de lidar. Isso porque a morte nos separa de alguém que fez parte da nossa vida e de tudo o que é importante para nós. É uma dor inimaginável.

Sabemos que a morte faz parte do ciclo natural das coisas. Todos nós nascemos, crescemos, constituímos famílias, nos realizamos pessoal e profissionalmente, envelhecemos e morremos. Essa é a lei da vida. Mas, apesar de sabermos que um dia partiremos e quem amamos também, nenhum de nós está realmente pronto para lidar com este fato. A verdade é que ninguém nasce sabendo lidar com a perda, com a separação, com o fim de uma vida.

Mas hoje, através deste artigo, quero mostrar a você que, mesmo não estando preparados, existe sim uma luz no fim do túnel e uma esperança em meio a dor e ao óbito. Se você está passando por este momento tão difícil e delicado, já vivenciou ou conhece alguém que está passando pelo luto, quero te dizer que é possível superar a morte e continuar a viver através do Coaching.

Não estou dizendo que esta ferida será dissipada. Pelo contrário, ela continuará ali, mas será cicatrizada, curada e restaurada de uma forma positiva e equilibrada.

Quero apenas te ensinar como o Coaching, a melhor e mais eficaz metodologia de desenvolvimento e capacitação humana da atualidade pode te ajudar a superar o falecimento de alguém e seguir em frente.

Quero apenas te encorajar, te estimular e te mostrar que o processo que mudou a minha vida e a minha história pode mudar a sua também. Quero te mostrar como o Coaching pode trocar a dor do luto pela superação e, ainda, como ele pode te auxiliar a continuar a sua jornada sem tristeza e mágoas, apenas com as boas lembranças e a esperança de que algum dia, em algum momento ou plano, nos reencontraremos novamente com aqueles que já partiram.

Você já deve ter ouvido falar em algum de meus artigos, materiais, livros ou formações sobre o extraordinário poder do Coaching para mudar e transformar a vida de pessoas e profissionais em qualquer situação. E quero apenas salientar que este processo não é apenas uma metodologia ou um conhecimento, é uma mudança, uma experiência de vida que, quando aplicada de forma eficaz, pode impactar todas as áreas da sua vida.

Por isso, quero compartilhar com você alguns aspectos importantes que o Coaching pode trabalhar para ajudar a superar a morte.

Dicas de Coaching para lidar com a morte


Confira 3 dicas de Coaching para superar e lidar com a morte:

·         Legado eterno


A morte nos separa daqueles a quem amamos, mas tudo o que essa pessoa fez de bom, proveitoso e benéfico para a família, amigos e o mundo ao seu redor continuará eternamente. Esse é um registro que ficará marcado durante todos os nossos dias. É o que eu costumo chamar de legado. Ele existe essencialmente porque todos nós partiremos um dia e queremos deixar a nossa marca no mundo.

Qual foi o legado que o seu ente deixou em sua vida, em sua memória e no mundo? Qual foi a missão de vida dele? Quais foram os pontos positivos que ele deixou depois da partida? O que você pode aprender com ele?

Reflita sobre isso e veja como os seus sentimentos podem ser transformados em ações e lembranças positivas e permanentes para você e para todos a sua volta.

·         Lidando com as emoções
A morte acarreta uma série de sentimentos maléficos e destrutivos que podem ocasionar doenças como a solidão, a baixa auto estima, o estresse, a depressão e até mesmo o pensamento de suicídio.

Todos nós sabemos que sofrer se faz necessário durante o momento da perda, mas quero te lembrar que o sofrimento é passageiro, mas a dor de permanecer nele é uma escolha sua. Você tem duas opções: mergulhar num lago profundo de dor, tristeza e lembranças dolorosas constantes que podem te impedir de viver e só fará mal para a sua mente, emoções e para a sua vida ou escolher suportar a dor com otimismo.

Isso é aceitar a perda mas lembrar que a vida continua, que os seus sonhos continuam e que os sonhos daquele que partiu também podem continuar através da sua vida e das suas ações.

·         Cultive boas recordações


A pessoa que se foi sempre fará parte da sua vida mesmo não presente fisicamente. Por isso tente cultivar apenas boas lembranças e recordações com otimismo e força.

A pessoa que partiu jamais será esquecida, mas é importante ter em mente que qualquer um que já não esteja entre nós gostaria que seguíssemos em frente, que continuássemos nossas jornadas com fé e otimismo, guardando apenas a saudade e a esperança de um dia vê-los novamente.

E você, está passando por um momento parecido? Como você tem enfrentado essa situação? Deixe o seu comentário e compartilhe comigo a sua história para que mais pessoas sejam edificadas através do seu relato. Espero que o Coaching, verdadeiramente, possa te apoiar e ajudar a superar a morte de uma forma positiva.

Paz e Luz,

02 - Maya Santana

Achei a história da médica Rosângela Cassiano,50 anos, publicada pelo Uol, inspiradora. Decidi postá-la aqui no 50emais num momento em que nos preparamos para despedir de 2015 e queremos nos encher de boas energias, bons fluidos, para iniciar o novo ano no positivo. Rosângela perdeu, em épocas diferentes, três fihos. Superou as perdas se reinventando: “Descobri minha real missão nessa vida e decidi me transformar em coach de luto de mães. Foi a forma que encontrei de ajudar outras mães a encontrar um novo caminho sem a presença física de um filho que morreu, a buscar um novo propósito de vida”, conta ela.

Quem nunca passou por isso sequer pode imaginar o tamanho da dor de perder um filho. A médica Rosangela Cassiano, de 50 anos, viveu essa situação nem uma, nem duas vezes… mas três.

“A primeira vez que vivenciei a perda de um filho foi em 1985. Estava grávida de 19 semanas e houve um sangramento. Fui para o hospital e meu bebê já não tinha mais frequência cardíaca, estava morto na minha barriga”, conta.

Nove anos depois, Rosangela perdeu Reinaldo, seu filho adotivo, em um acidente de mobilete. Foi avisada por telefone, poucos minutos antes de começar uma palestra em um hotel em São Paulo. “No exato momento em que soube do estado do meu filho, muitas coisas passaram em minha cabeça, muitas cenas…”, lembra-se.

Rosangela conta que seu primeiro sentimento foi de negação, depois solidão, desamparo, raiva e depressão, cada um em seu ciclo.

Foram as filhas Marielle e Michelle que lhe deram o sentido de que ela precisava para seguir em frente. “Era preciso retomar a minha vida sem aquele que também era uma das pessoas mais importantes na minha vida”, diz.

Em 2011, Rosangela enfrentou sua terceira perda. Na véspera do Dia das Mães, seu telefone tocou de madrugada. Marielle havia sofrido um acidente de carro. Faleceu 20 minutos depois de chegar ao hospital. O desespero tomou conta de Rosangela. “De novo, não, meu Deus”, era tudo o que ela pensava.

A dor do luto não deu trégua, mas, com o tempo, Rosangela conseguiu superá-la mais uma vez, com ajuda da filha Michelle e da neta Maria Vitória, de 4 anos (que aparece na foto com ela, acima). Durante todo esse período, questionou-se por que a vida havia lhe tirado três filhos.

“Depois de tudo isso, cheguei à conclusão de que posso ajudar pessoas que também perderam filhos. Descobri minha real missão nessa vida e decidi me transformar em coach de luto de mães. Foi a forma que encontrei de ajudar outras mães a encontrar um novo caminho sem a presença física de um filho que morreu, a buscar um novo propósito de vida, a criar novos caminhos para voltar a encontrar o sentido da vida”, explica.

“A dor da perda de um filho é inexplicável. Mas pode ser transformadora a quem se dá a oportunidade de renascer. Nós não temos a total compreensão de algumas coisas, mas somos capazes de superar, porque a vida é assim. A única certeza que temos é: nascemos, evoluímos ou não e morremos. A morte é para todos”, conclui.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Namoro científico (28 de abril de 2012)

Esta crônica foi publicada no primeiro Blog, logo no início, em 28 de abril de 2012. Ela e duas centenas de outras estão na fila da recuperação, pois à época o blog anterior  foi desconectado. Foi uma das primeiras crônicas que escrevi. Espero que goste:


Projeto Orion era uma idéia burocrática do poder militar ao melhor estilo romano, em terras apaches&sioux, na década de 1950, com a simplicidade de colocar como propulsor das naves espacias uma Bomba Nuclear como fonte de energia galática. A nave seria levada por uma onda de choque, e alavancaria condições de vôo espacial fantásticas.

Só faltou envolver a possibilidade de que somos seres vivos, e uma onde de choque desta natureza anularia a possibilidade de viajarmos ao espaço, ao infinito e além, além, é óbvio, da possibilidade de algum acidente provocar eventos de natureza dramática por sobre a atmosfera...

Você pode estar pensando onde quero chegar com isto, pois afinal sempre queremos chegar a algum lugar, ou não?

Este blogueiro andou verificando alguns megatons que estão ocultos em sites de relacionamentos, onde mulheres procuram amor e homens procuram mulheres. O que nós, bípedes da combinação genética XY não sabemos é que elas, as XX sabem do que falam e possuem memória atômica. Vejamos um pequeno exemplo, onde resguardarei o direito da informação da fonte, mas asseguro que são verdadeiras:

O que elas querem:
1 - Susaninha, 46 anos, divorciada Rio de Janeiro - Não sou uma mulher perfeita, mas em minhas imperfeições sou única. Quero ser seu amor!
2 - Mell, 38 anos, viúva, Cuiabá - Se quero algo sério e posso me expor ... então pq vc tbém não pode ??? Quero um homem que seja fiel.
3 - Tatuadasex, solteira, 38 anos, Brasília - Quero grudar no seu corpo...e ser sua para sempre!
4 - Quitthy, 50anos, Belo Horizonte - Quero ser feliz! Quero alguém para completá-la!
5 - Liz, 40 anos, divorciada - Uma mulher especial!! Fiel e apaixonante!

O que eles dizem:
1 - Jajá, 36 anos, solteiro, Rio de Janeiro - Hoje você está bem na fita? Venha ser meu telecine!! 
2 - Carlinhos, 45 anos, casado, Niterói - Vem aqui para o seu tigrão!!!!
3 - Renato3465, 38 anos, divorciado, Belo Horizonte - Pode confiar, eu sou foda!
4 - Gatinho345A, 27 anos, solteiro, São Paulo - O que vc está esperando? Sigilo e discrição.
5 - Geraldinho, 52 anos, divorciado, Campinas - Venha fazer parte da minha coleção!!!

Então?!? Você acredita que esta combinação é explosiva ou isto é o que a mídia globalizante chama de amor?

É isto aí!