sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Pergunto-me, e não respondo porque sou educado:


No alto da idade que agora desce a ladeira, pergunto-me, e não respondo porque sou educado, alguns temas que na infância aprendi que quando chegasse onde agora estou, seria inteligente o suficiente para sabê-los. Bem vamos lá ao questionamento de hoje deste programa de maior audiência na história do Reino da Pitangueira:

Pergunto-me, e não respondo porque sou educado:

01 - O que valeu realmente a pena?
02 - Quais livros não li e deveria ter lido?
03 - Chorar resolve?
04 - No filme da minha vida, quem seria a protagonista?
05 - Ainda no filme, o roteiro segue uma sequência temporal ou estará tudo ligado?
06 - Ainda sobre o filme, será baseado em fatos reais?
07 - Seria o filme baseado num livro?
08 - Quantas pessoas leriam este livro?
09 - Quem não estaria no livro?
10 - Em que fase fica a famosa felicidade?
11 - Amar dói?
12 - Qual o percentual de acerto toda vez que tomei uma decisão sob forte tensão emocional?
13 - O que nunca tentei fazer?
14 - O que arrependi de não ter feito?
15 - Quem sou eu, de verdade?
16 - Para onde irei?
17 - Onde estou?

Abaixo, já nos alertava Fernando Pessoa, com mais dúvidas existenciais:

Não sei quem sou, que alma tenho.
Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo.
Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros)...
Sinto crenças que não tenho.
Enlevam-me ânsias que repudio.
A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me ponta
traições de alma a um carácter que talvez eu não tenha,
nem ela julga que eu tenho.
Sinto-me múltiplo.
Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos
que torcem para reflexões falsas
uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas.
Como o panteísta se sente árvore (?) e até a flor,
eu sinto-me vários seres.
Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente,
como se o meu ser participasse de todos os homens,
incompletamente de cada (?),
por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço.

Fernando Pessoa

É isto aí!


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Orégano com azeite


Passava da meia-noite quando chegou em casa. Ao buscar as chaves, encontrou no bolso um bilhete escrito num verso de nota de balcão, em lápis delineador - eu sei que vou te amar, e um cinematográfico beijo com batom vermelho. Olhou, olhou, olhou. Não sabia se retornava ao local de origem ou jogava no lixo. Optou por rasgar e deixar que a chuva resolvesse o processo.

Não tinha a menor ideia de como aquilo acontecera. Pensou em várias mulheres e em várias possibilidades. Lembrou da Carminha, da Lucinha, da Maria, da Penha, da Lucinha, da Margarida, mas não cabiam no contexto. Já sem o bilhete, entrou e havia pelo menos doze pessoas no escuro, o aguardando, e ao acender a luz - surpresa!!!! 

Olhou para aquelas pessoas, uma a uma, e não reconhecia ninguém. Continuavam gritando vivas e cantando  Zum Geburtstag viel Glück!, que é o clássico parabéns para você em alemão. Espantado, deu dois passos para trás até alcançar a porta, abriu e fugiu rapidamente. Não reconheceu a rua, nem a casa e foi andando na chuva.

Andou três quarteirões, e parou em frente a uma pizzaria. Entrou, e ao buscar, por hábito, a carteira, encontrou novamente o tal bilhete, da mesma forma, do mesmo jeito. Sentou-se e então deu conta de que estava de carro, mas onde estava o carro? Levantou-se, procurou em todos os bolsos - nada de chaves. Lembrou que abriu a porta da casa e na confusão, talvez a chave tenha ficado, mas eram chaveiros diferentes.

O garçom trouxe uma pizza vegana com muito orégano e azeite. Olhou aquilo meio que assustado, não aceitou, e saiu mais assustado do que quando entrou. Começou a sentir calafrios, percebeu uma enorme pressão no peito, um clarão e  num piscar de olhos estava num local maravilhoso, indescritível.

Deu-se conta que era o Paraíso. Viu passar um destes santos mais famosos, sinalizou com a mão, o santo foi se aproximando, e ele ali, ansioso.

- Pois não, meu irmão, sei que tem muitas perguntas, estou aqui para ajudá-lo.
- Só uma, na realidade duas - de quem era o bilhete e por que me deram pizza vegana?   

É isto aí!

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

O Corpo explica o principal motivo do seu relacionamento não estar indo bem (1ª Parte)


Alto lá!
Este texto não é meu
Copiei e colei aqui: ocorpoexplica.com.br
Todos os direitos estão reservados a O Corpo Explica® 

O principal motivo do seu relacionamento não estar indo bem é um só:

Você está tentando juntar duas peças que você não conhece direito. Não estou falando que são duas peças que não se encaixam, estou falando que são duas peças que você não conhece bem.

E quando eu digo “não conhece bem”, vamos substituir isso por: peças que você não sabe direito como funcionam. Sempre que alguém está com dificuldade no relacionamento, a primeira coisa que se deve fazer é mostrar o quanto as pessoas não se conhecem. E não estou falando de conhecerem umas às outras, estou falando de não se conhecerem, não saberem como a sua mente e as suas emoções funcionam.

Se você não sabe como você funciona, como você pode se atrever a querer que o outro mude, ou pior, como você pode esperar que o outro te atenda?

Eu posso te garantir uma coisa, metade dos problemas e conflitos do seu relacionamento não precisavam existir e no momento em que você souber quais das 5 sensações básicas do seu sistema nervoso são mais sensíveis, você vai parar de exigir muito do seu parceiro e da sua parceira, e melhor, depois disso você vai poder acessar o outro respeitando as Cinco sensações básicas no sistema nervoso dele.

Antes de mostrar como é possível identificar essas sensações básicas do sistema nervoso de uma pessoa para entender os pontos fortes e os pontos fracos da mente e das emoções dela, eu quero que você anote essas sensações e já tente identificar com quais delas (pode ser mais de uma) você mais se identifica. Por enquanto pense só em você, não tente avaliar o seu parceiro ou a sua parceira, pense apenas em você. 

As cinco sensações básicas registradas no nosso sistema que a nossa mente cria formas de evitar são:

1. Rejeição,
2. Abandono,
3. Manipulação,
4. Humilhação,
5. Traição.

Fim da Primeira Parte. Postaremos a sequência. nos proximos dias.


domingo, 16 de fevereiro de 2020

Um conto de fadinhas neocons


Era uma vez numa linda floresta, uma menina que vivia sob os cuidados da avó.

- Alto lá! Ela tinha licença ambiental para viver nesta floresta? 
- Ela tinha a guarda definitiva da criança? 
- Elas teriam relação de parentesco?

Não sei. Mas elas viviam na floresta.

- Alto lá! E elas tinham veículo de condução para a cidade mais próxima?
- Tinham luz, gás e internet? Água tratada?
- A avó tinha ficha limpa? A casa era segura?

Não sei. A vovó amava sua netinha. E fazia doces e guloseimas deliciosas para ela.

- Alto lá! Tinha controle nutricional nesta dieta?
- A criança tinha sobre-peso?
- A avó cozinhava resguardando a higiene?

Não sei! Num belo dia, a vovó pediu a netinha para buscar morangos silvestres na floresta.

- Alto lá! Era período letivo?
- Qual  a idade da criança?
- Não seria este um trabalho escravo de exploração infantil?

Não sei! Era num domingo, logo cedinho, não tinha escola aos domingos.

- Alto lá! E a Igreja?
- Esta criança era privada de conhecer a fé, a esperança e a alegria de servir ao Senhor?
- Seria a avó uma ateia comunista que não contribuía com o dízimo? 

Não sei! Então, era domingo, a avó pediu à neta para buscar morangos e quando ela abriu a porta, uma fada malvada, insensível e invejosa, lançou um raio que matou as duas. Assim termina a história.

- Coitadas!!! Será que eram batizadas, pelo menos?
- Ela tinha escritura da casa?
- Tinha seguro? Conta no banco? Herdeiros conhecidos??

É isto aí!




sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Outono


A ideia era escrever um poema, mas poemas custam muito a nascer. Você escreve uns versos, vez ou outra dá uma olhada, muda uma coisa, outra, e quando assusta, ainda não está maduro. As palavras são muito exigentes num poema. Têm que deslizar sem atrito, plainar na noosfera a ponto de traduzir leveza no diálogo.

Lembrei de um poema que escrevi há alguns anos, e acho que já publiquei em algum ponto do Blog. Mas são mais de duas mil publicações, e não sei o nome com o qual o batizei. Engraçado isto, por que quando se dá o nome, quando se nomeia, o poema fica estático, preso àquela função. 

Nomeia-se para facilitar a leitura, a busca, a organização de praxe. Se fosse renomeá-lo hoje, não saberia exatamente o título. Fiquei entre "Eu te amo!" e "Outono." Gostei mais de Outono, caiu bem. Então vamos lá

Outono.

Ainda não sei,
confesso que não sei mesmo,
se dizer que te amo
é de alguma utilidade

Fica comigo
da forma que puder
fica visível, invisível
partícula onda ou luz

fica do meu lado
fica pertinho
fica longe
mas fica aqui

eu te amo
com medo
desesperadamente assustado
feito uma criança perdida

eu te clamo
entrelace nosso destino
e no outono da vida
o amor ascenderá em nós

É isto aí!

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Rubel, ANAVITÓRIA - Partilhar [Clipe Oficial]



PARTILHAR
(Rubel)

Se for preciso, eu pego um barco e remo
Por seis meses, como peixe pra te ver
Tão pra inventar um mar grande o bastante
Que me assuste, e que eu desista de você

Se for preciso, eu crio alguma máquina
Mais rápida que a dúvida, mais súbita que a lágrima
Viajo a toda força, e num instante de saudade e dor
Eu chego pra dizer que eu vim te ver

Eu quero partilhar
A vida boa com você

Que amor tão grande tem que ser vivido a todo instante
E a cada hora que eu tô longe é um desperdício
Eu só tenho 80 anos pela frente
Por favor, me dá uma chance de viver

Eu quero partilhar
A vida boa com você

Se for preciso, eu giro a Terra inteira
Até que o tempo se esqueça de ir pra frente e volte atrás
Milhões de anos, quando todos continentes se encontravam
Pra que eu possa caminhar até você

Eu sei, mulher, não se vive só de peixe, nem se volta no passado
As minhas palavras valem pouco e as juras não te dizem nada
Mas se existe alguém que pode resgatar sua fé no mundo, existe nós

Também perdi meu rumo, até meu canto ficou mudo
E eu desconfio que esse mundo já não seja tudo aquilo
Mas não importa, a gente inventa a nossa vida
E a vida é boa, mas é muito melhor com você

Eu quero partilhar
A vida boa com você

Não tem, pra trás, nada
Tudo que ficou tá aqui

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

As Boas Coisas da Vida (Rubem Braga)

serge-marshennikov femme allongée sur un canapé

Uma revista mais ou menos frívola pediu a várias pessoas para dizer as “dez coisas que fazem a vida valer a pena”. Sem pensar demasiado, fiz esta pequena lista:

- Esbarrar às vezes com certas comidas da infância, por exemplo: aipim cozido, ainda quente, com melado de cana que vem numa garrafa cuja rolha é um sabugo de milho. O sabugo dará um certo gosto ao melado? Dá: gosto de infância, de tarde na fazenda.

- Tomar um banho excelente num bom hotel, vestir uma roupa confortável e sair pela primeira vez pelas ruas de uma cidade estranha, achando que ali vão acontecer coisas surpreendentes e lindas. E acontecerem.

- Quando você vai andando por um lugar e há um bate-bola, sentir que a bola vem para o seu lado e, de repente, dar um chute perfeito – e ser aplaudido pelos servente de pedreiro.

- Ler pela primeira vez um poema realmente bom. Ou um pedaço de prosa, daqueles que dão inveja na gente e vontade de reler.

- Aquele momento em que você sente que de um velho amor ficou uma grande amizade – ou que uma grande amizade está virando, de repente, amor.

- Sentir que você deixou de gostar de uma mulher que, afinal, para você, era apenas aflição de espírito e frustração da carne – a mulher que não te deu e não te dá, essa amaldiçoada.

- Viajar, partir…

- Voltar.

- Quando se vive na Europa, voltar para Paris, quando se vive no Brasil, voltar para o Rio.

- Pensar que, por pior que estejam as coisas, há sempre uma solução, a morte – o assim chamado descanso eterno.

*Rubem Braga, (1913-1990) foi um escritor e jornalista brasileiro. Popularizou a crônica no país nos anos 60, reunindo-as em livros que se tornaram best-sellers.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Você me faz feliz!


Entrou na casa na esperança de encontrar ali sossego e paz. Tudo que encontrou foi dor, passado, tristeza e solidão. Mesmo assim entrou e fechou  a porta. Aquilo tinha que ser feito, pensou. Passou pela sala com móveis cobertos com lençóis velhos e remendados. Viu um quadro semi-coberto, na parede lateral,  que despertou a imagem de flores, vinho e alegria. A lágrima escorreu suave.

Na cozinha, copos e pratos no escorredor, a geladeira vazia e aberta, o fogão empoeirado e a dispensa vazia. Sentiu o cheiro de café, da carne ao alho, do macarrão da madrugada, dos beijos na beira do fogo. Aquilo tudo ardia feito brasa.

Voltou à sala, não teve coragem de entrar no quarto. As pernas travaram, a respiração ficou pesada, o ar denso, o suor gelado escorrendo pelo corpo tenso. Chorou em pé, a princípio discretamente, e aos poucos a musculatura foi permitindo chorar chorar chorar. Voltar foi um erro, balbuciou. Voltar foi aceitar que errei em tempo integral.

Na parede um retrato onde sorriem para o infinito. Ela tão linda. Desejou ardentemente entrar na fotografia. Resolveu caminhar em sua direção e enquanto andava, a realidade transmutava para a foto, para o dia que sorriram para o infinito. Agora eram os dois novamente, dentro de um tempo paralelo.

Acordou com dificuldade de abrir os olhos. Voltou para o plano real, ou supostamente real. E ela veio junto, estava novamente em sua vida. Você me faz feliz, balbuciou para o retrato da parede da memória.

É isto aí!




quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

A Chuva, o Vírus, a Bolsa, as contas do mês e o Mágico de Oz

O Mágico de Oz

Devemos considerar que o índice pluviométrico para Minas Gerais foi alto, sem dúvida. Mas a urbanização sem critérios promove a tragédia. Além disto, o péssimo estado de conservação de algumas obras aqui e ali saltam aos olhos.

Enquanto isto a bolsa de valores do mundo caiu por uma virose (rá rá rá). Nunca jamais foi e nunca jamais será possível para um vírus derrubar especulações de capital. E olha que é um vírus menos letal do que os quatro da Dengue, por exemplo. Quem tiver olhos, ouvidos e neurônios, que preste atenção, pois as contas vencem.

E as contas vencem mesmo, rindo ou chorando.

Mas espera, onde está o Mágico de Oz nesta história?

Segundo a BBC, existem mensagens subversivas ocultas no clássico filme, num anti-conto  de fadas sobre uma garota órfã e uma bruxa malvada. Basta olhar para o trio de desajustados que acompanha a heroína ao longo de sua viagem pela estrada de tijolos amarelos. Nenhum deles é o que você chamaria de um belo príncipe.

Fazendo uma leitura geral, a mensagem principal é que as pessoas vão seguir qualquer figura de autoridade que cause impacto, por mais indigna que seja. É ou não é uma ideia subversiva em 2020? esta BBC ...

É isto aí!

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Something (George Harrison - Beatles)


Something in the way she moves
Attracts me like no other lover
Something in the way she woos me

I don't want to leave her now
You know I believe and how

Somewhere in her smile, she knows
That I don't need no other lover
Something in her style that shows me

I don't want to leave her now
You know I believe and how

You're asking me will my love grow
I don't know, I don't know
You stick around now it may show
I don't know, I don't know

Something in the way she knows
And all I have to do is think of her
Something in the things she shows me

I don't want to leave her now
You know I believe and how

Alguma coisa no jeito em que ela anda
Me atrai como nenhuma outra amante
Alguma coisa em seu jeito que me encanta

Eu não quero deixá-la agora
Você sabe o quanto eu acredito

Em algum lugar em seu sorriso, ela sabe
Que não preciso de nenhum outro amor
Algo em seu estilo me mostra

Eu não quero deixá-la agora
Você sabe o quanto eu acredito

Você está me perguntando se meu amor crescerá
Eu não sei, eu não sei
Acompanhe de perto e você verá
Eu não sei, eu não sei

Alguma coisa em seu jeito de saber
E tudo o que tenho que fazer é pensar nela
Algo naquilo que ela me mostra

Eu não quero deixá-la agora
Você sabe o quanto eu acredito

A Felicidade (Aristóteles - Filósofo Grego)

A felicidade tem, por conseguinte, as mesmas fronteiras que a contemplação, e os que estão na mais plena posse desta última são os mais genuinamente felizes, não como simples concomitante mas em virtude da própria contemplação, pois que esta é preciosa em si mesma. E assim, a felicidade deve ser alguma forma de contemplação.

Mas o homem feliz, como homem que é, também necessita de prosperidade exterior, porquanto a nossa natureza não basta a si mesma e para os fins da contemplação: nosso corpo também precisa de saúde, de ser alimentado e cuidado. Não se pense, todavia, que o homem para ser feliz necessite de muitas ou de grandes coisas, só porque não pode ser supramente feliz sem bens exteriores. A autossuficiência e a ação não implicam excesso, e podemos praticar atos nobres sem sermos donos da terra e do mar. Mesmo desfrutando vantagens bastante moderadas pode-se proceder virtuosamente […]. E é suficiente que tenhamos o necessário para isso, pois a vida do homem que age de acordo com a virtude será feliz.

[…]

E assim, as opiniões dos sábios parecem harmonizar-se com os nossos argumentos. Mas, embora essas coisas também tenham certo poder de convencer, a verdade em assuntos práticos percebe-se melhor pela observação dos fatos da vida, pois estes são o fator decisivo. Devemos, portanto, examinar o que já dissemos à luz desses fatos, e se estiver em harmonia com eles aceitá-lo-emos, mas se entrarem em conflito admitiremos que não passa de simples teoria.

Ora, quem exerce e cultiva a sua razão parece desfrutar ao mesmo tempo a melhor disposição de espírito e ser extremamente caro aos deuses. Porque, se os deuses se interessam pelos assuntos humanos como nós pensamos, tanto seria natural que se deleitassem naquilo que é melhor e mais afinidade tem com eles (isto é, a razão), como que recompensassem os que a amam e honram acima de todas as coisas, zelando por aquilo que lhes é caro e conduzindo-se com justiça e nobreza. Ora, é evidente que todos esses atributos pertencem mais que a ninguém ao filósofo. É ele, por conseguinte, de todos os homens o mais caro aos deuses. E será, presumivelmente, também o mais feliz. De sorte que também neste sentido o filósofo será o mais feliz dos homens…

ARISTÓTELES. Ética e Nicômaco. 3. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1984. p. 231 – 232 (Os pensadores)

sábado, 18 de janeiro de 2020

A arte de ser feliz (Cecília Meireles)


Houve um tempo em que minha janela se abria
sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.

Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde,
e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual,
para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem,
para as gotas de água que caíam de seus dedos magros 
e meu coração ficava completamente feliz.

Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.

Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Ás vezes, um galo canta.
Às vezes, um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.

E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

Preciso falar de Cecília Meireles:
Maior poetisa nacional, nasceu no Rio de Janeiro em 1901, onde faleceu em 1964.
Foi aluno de Olavo Bilac (que a homenageou) e Osório Duque Estrada

Cecília teve todos os obstáculos ruins que não a permitiriam seguir em frente, se não fosse iluminada e determinada:
- Seu pai faleceu apenas três meses antes do seu nascimento, em 1901
- Sua mãe faleceu quando tinha apenas três anos de idade.
- Com 21 anos casou-se com o artista plastico português, Fernando Correa Dias, que suicidou em 1935. Nesta fase, passou por graves problemas financeiros, principalmente por preconceito e perseguição política.
- Começou a ter destaque nacional e internacional a partir de 1940.
- Em 1962, no auge da carreira, foi diagnosticado um câncer estomacal que levou-a ao óbito dois anos mais tarde.

Se desejar saber mais sobre vida e obra da Cecília Meireles, leia aqui

Tem frases que são verdadeiros aforismos:

"Há pessoas que nos falam e nem as escutamos, há pessoas que nos ferem e nem cicatrizes deixam mas há pessoas que simplesmente aparecem em nossas vidas e nos marcam para sempre".

 "em toda a vida, nunca me esforcei por ganhar e nem me espantei por perder"




quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

O que aprendemos com os games?

God of War

Fonte: Anônimo
Corre na Rede há anos, com algumas variáveis

01 - A cada conquista feita, você ganha uma vida.
02 - Não existe fase impossível.
03 - Acredite nos sinais e na intuição.
04 - Existem momentos altos e momentos baixos
05 - Se algo te acertar, a culpa é sua.
06 - É errando que se aprende a jogar.
07 - Não precisa necessariamente atacar todo mundo para vencer.
08 - É usando a cabeça que derruba obstáculos e adiciona mais pontos.
09 - Existem muitos castelos, mas princesa só tem uma.
10 - Só existe um único objetivo.

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Cartas sem fim


Tem dia que tudo que a gente precisa é tomar uma decisão certa, por que decisões erradas afloram por todos os poros. A Estatística afirma que em cada decisão temos 50% de chance de acerto, se formos muito otimistas ou 50% de possibilidade de erro, se formos bastante pessimistas. Mas isto funciona apenas para as coisas materiais. 

Para as coisas do coração, qualquer decisão estará sempre fadada ao desafio de não ter sido a melhor escolha. Não deveríamos manter uma análise matemática nestes casos, apesar de sempre acreditarmos (ou desejarmos acreditar) que um dos principais fatores limitantes na hora de fazer a escolha assertiva é ter excesso de possibilidades para avaliar e acharmos que uma decisão é apenas um ponto final.

Focar apenas nas opções essenciais que realmente são importantes e pertinentes ao que almejamos passam ao largo do sentimento natural de amar e ser amado. Além disso, o nível máximo do senso crítico e da sua capacidade para analisar a situação estará prejudicado pelos conflitos passionais, biológicos, espirituais e pelas leis divinas universais.

Neste caso, o melhor que poderíamos fazer seria validarmos a decisão, custe o que custar. Embora tenhamos a consciência de que a validação é um doloroso processo para assegurar que de fato tomamos a melhor decisão, a escolha do "sim ou do não" requer renúncia, abdicação ou troca, além das consequências naturais do ato. O complicador é que validar uma decisão sobre um processo de difícil controle é como manter o equilíbrio emocional num salto onde o paraquedas demora a abrir.

Por isso refletir sobre o que perdemos fazendo uma escolha é, sobretudo, obrigatório, apesar de massacrante. Não ter medo de falar com a parte envolvida e perguntar a si mesmo “Quais serão os efeitos imediatos e de longo prazo de minha decisão?” e/ou  “Todas as possibilidades foram consideradas?”.

A necessidade de se tomar uma decisão é resultado da necessidade de mudar. Se é preciso mudar, é fundamental estar disposto a sair da zona de conforto e ousar fazer algo diferente.  Portanto, a escolha só tem relevância se estiver acompanhada de ações, e talvez este seja o maior fator limitante para a maioria das pessoas. 

Sempre que possível, deveríamos fazer as seguintes perguntas ao nosso coração:
 - “Quais foram as razões que me levaram a tomar essa decisão?”,
- “Os motivos que a justificam são realmente importantes para mim?”,
- “De que modo esses fatores estão ligados ao meu estado desejado?” e
- “Quais os meios que criarei para produzir os resultados necessários?”.

Um conselho: Como são as decisões que tomamos sob forte impacto emocional aquelas que moldam o nosso destino, nada de respondermos a essas perguntas com pressa.


É isto aí!

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Faxina na Alma (Carlos Drummond de Andrade)


Não importa onde você parou, em que momento da vida você cansou. Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo, é renovar as esperanças na vida e, o mais importante, acreditar em você de novo. Sofreu muito nesse período? Foi aprendizado. Chorou muito? Foi limpeza da alma. Ficou com raiva das pessoas? Foi para perdoá-las um dia.

Sentiu-se só por diversas vezes? É porque fechaste a porta até para os anjos. Acreditou que tudo estava perdido? Era o início da tua melhora. Pois é… Agora é hora de reiniciar, de pensar na luz, de encontrar prazer nas coisas simples de novo. Um corte de cabelo arrojado diferente, um novo curso, ou aquele velho desejo de aprender a pintar, desenhar, dominar o computador, ou qualquer outra coisa. Olha quanto desafio, quanta coisa nova nesse mundão de meu Deus te esperando… Tá se sentindo sozinho? Besteira, tem tanta gente que você afastou com o seu "período de isolamento".

Tem tanta gente esperando apenas um sorriso teu para "chegar" perto de você. Quando nos trancamos na tristeza, nem nós mesmos nos suportamos, ficamos horríveis. O mau humor vai comendo nosso fígado, até a boca fica amarga. Recomeçar… Hoje é um bom dia para começar novos desafios.

Onde você quer chegar? Alto? Sonhe alto! Queira o melhor do melhor. Queira coisas boas para a vida. Pensando assim, trazemos prá nós aquilo que desejamos. Se pensamos pequeno, coisas pequenas teremos. Já se desejarmos fortemente o melhor e, principalmente lutarmos pelo melhor, o melhor vai se instalar na nossa vida. E é hoje o dia da faxina mental. Jogue fora tudo que te prende ao passado, ao mundinho de coisas tristes. Fotos, peças de roupa, papel de bala, ingressos de cinema, bilhetes de viagens e toda aquela tranqueira que guardamos quando nos julgamos apaixonados.

Jogue tudo fora, mas principalmente esvazie seu coração. Fique pronto para a vida, para um novo amor. Lembre-se, somos apaixonáveis, somos sempre capazes de amar muitas e muitas vezes, afinal de contas, nós somos o "Amor". Porque sou do tamanho daquilo que vejo, e não do tamanho da minha altura.

domingo, 12 de janeiro de 2020

Amor e Medo (Affonso Romano de Sant'Anna)


Estou te amando e não percebo,
porque, certo, tenho medo.
Estou te amando, sim, concedo,
mas te amando tanto
que nem a mim mesmo
revelo este segredo.



sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Ouro de Tolo (Raul Seixas)


Eu devia estar contente porque eu tenho um emprego
Sou o dito cidadão respeitável
E ganho quatro mil cruzeiros por mês
Eu devia agradecer ao Senhor
Por ter tido sucesso na vida como artista
Eu devia estar feliz
Porque consegui comprar um Corcel 73

Eu devia estar alegre e satisfeito
Por morar em Ipanema
Depois de ter passado fome por dois anos
Aqui na cidade maravilhosa
Ah eu devia estar sorrindo e orgulhoso
Por ter finalmente vencido na vida
Mas eu acho isso uma grande piada
E um tanto quanto perigosa

Eu devia estar contente
Por ter conseguido tudo o que eu quis
Mas confesso, abestalhado
Que eu estou decepcionado
Por que foi tão fácil conseguir
E agora eu me pergunto "e daí?"
Eu tenho uma porção de coisas grandes pra conquistar
E eu não posso ficar aí parado

Eu devia estar feliz pelo Senhor
Ter me concedido o domingo
Pra ir com a família no jardim zoológico dar pipocas aos macacos
Ah, mas que sujeito chato sou eu que não acha nada engraçado
Macaco, praia, carro, jornal, tobogã, eu acho tudo isso um saco

É você olhar no espelho
E se sentir um grandessíssimo idiota
Saber que é humano, ridículo, limitado
E que só usa 10% de sua cabeça animal
E você ainda acredita que é um doutor, padre ou policial
Que está contribuindo com sua parte
Para nosso belo quadro social

Eu é que não me sento no trono de um apartamento
Com a boca escancarada, cheia de dentes
Esperando a morte chegar
Porque longe das cercas
Embandeiradas que separam quintais
No cume calmo do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora de um disco voador


Autor: Raul Santos Seixas

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Bom 2020 (Valter Hugo Mãe) Presente de Amanda Machado


Amanda Machado (leia aqui esta matéria),  poetisa, contista e escritora, do Blog (imperdível)  Pareço louca https://parecolouca.blogspot.com/ , presenteou-me nesta manhã com este fantástico texto do escritor português Valter Hugo Mãe para brindarmos literariamente o 2020.

Como presente bom tem que ser compartilhado, está aí o texto:


Costumava ficar melancólico com o fim do ano. Sentia como se perdesse da mão alguém. Passava o tempo igual a perder pessoas, companhia, as coisas acumuladas. Mudei.

Envelheço agora com frontalidade. A vida mede-se por intensidade e nunca por extensão. Vazios vão tantos por aí, longos no tempo, e tão repletos podem estar os jovens, conscientes já do sentido inteiro das suas existências. Mudar de ano não pode ser folia ou depressão de calendário, tem de ser sobretudo uma inspeção interna à distância que estamos de cuidarmos da nossa autoestima. Nenhum ego ou soberba, apenas autoestima, essa qualidade essencial para que nos sintamos justificados na agressividade do real.

Tudo conspira para que a atenção esteja na contingência de sobreviver, contudo, sobreviver é apenas a manutenção da condição animal. A humanidade é uma ideia para depois da sobrevivência. Ela coloca-se para lá de comer, vestir, habitar. Quando me bato pela Cultura, não é senão nesta convicção profunda de que é ela que nos estrutura para o projeto humano, isso que nos levanta da contingência do bicho e nos elogia com o brio do conhecimento, da imaginação e da criatividade.

Sendo claro o sucesso dos torpes na ordem do Mundo, com a perda do complexo que os faz agora orgulhosos, nunca me pareceu mais urgente refletirmos acerca da importância da Cultura, do mesmo modo como ponderamos o futuro da humanidade. A radicalização das convicções leva a uma emotividade primária em que a frustração inventa o ódio. A Cultura, por outro lado, nesse cômputo gigante do conhecimento e da imaginação, é uma disciplina de ponderação e respeito. Serve para maturar o pensamento e o gesto. Serve para impedir o ódio, essa perturbação que é absolutamente contrária ao imperativo da Humanidade, assente na alteridade e no diverso.

À entrada de um novo ano, esperando que os espíritos se encontrem mais permeáveis à mudança, é o que escolho e desejo: uma participação nessa construção pacífica, inteligente, do ideal humano. Um passo novamente em direção à compaixão, nunca por uma piedade arrogante e moralista, mas por uma limpidez de raciocínio. Somos votados ao coletivo, faremos maravilhas em coletivo, e haveremos de sucumbir na atomização e no ódio. Usar-se a compaixão é demonstrar-se a essencial inteligência. Aquela que opta por estar do lado da Humanidade ao invés de se render ao bicho que na História inteira procuramos educar.

Bom ano novo a todos. Muita coragem para amarem mais as pessoas, começando talvez por se tornarem mais amáveis também. O desafio que me faço.

Valter Hugo Mãe 

2020 chegou e já está velho.

Olhando para a direita ... hummm
Olhando para a esquerda ... hummm
Olhando para cima ... hummm

Este 2020 está esquisito demais da conta

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

2020 o ano em que faremos contato!


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