sexta-feira, 12 de junho de 2020

O afago, o beijo e a saudade.


Sentou-se à frente da tela do computador ou tubo de imagem como era conhecido no seu tempo e ficou a divagar sobre o mundo, as tecnologias e as mudanças que testemunhou na sua vida. A radiola e o disco de vinil eram anteriores bem como os rádios à válvula, seguidos por televisões à válvula, imensas, pesadas, imagem em preto/branco/cinza, poucos canais e péssima sintonização. Lembrou uma vez na vida adulta quando foi ao Rio de Janeiro e viu que não era cenário, era tudo real.

Aí vieram os rádios e TV's transistorizadas, as rádios FM, as calculadoras de mão, um avanço da tecnologia, depois começaram a aparecer aqui e ali computadores domésticos com memória e programação em fita cassete, vieram os toca-fitas, os vídeo-cassetes, e depois tudo foi sendo mudado numa velocidade que fez da máquina fotográfica com filme, da máquina de escrever com fita, dos errorex coisas do passado longínquo.

Sentou-se com a cabeça no século XX diante de uma modernidade do século XXI. Sentiu-se a transição entre as partes, o tempo e as histórias. Tomou uma taça de vinho e ficou refletindo sobre seu dia. Leu nos jornais a derrubada das estátuas pelo mundo, e sentiu que aquilo é prenúncio de algo maior, que não está escrito em nenhuma cartilha de modernidade.  

Os tempos chegaram, murmurou. Olhou para a foto digital da amada, acariciou-a, sorriu para ela e para si e foi dormir, por que sonhar ainda é permitido. Amanhã, pensou, é hoje, só que com data diferente. Refletiu sobre tomar uma segunda taça de vinho, mas aí seria muita aventura para um dia só. Levantou-se e lembrou do dia que afagou-lhe o rosto, acariciou seus cabelos e beijou sua boca carmim. Chorou baixinho. Só disto tinha saudade. 

É isto aí! 

quarta-feira, 10 de junho de 2020

O fracasso em constituir uma esperança compartilhada que dê sentido à nação



Dia destes subi na Colina do Bom Senso para avistar o reino vizinho, o outrora alegre e contagiante Pindorama. Lembrei de um texto lido há algum tempo, busquei na rede e estou publicando com a devida autoria e fonte:

Alto lá
Este texto abaixo não é meu
Confesso que copiei e colei

Texto escrito por Contardo Calligaris 

O fracasso em constituir uma esperança compartilhada que dê sentido à nação

As afirmações genéricas sobre o estado de espírito de um povo são facilmente enganosas: ao diagnosticarmos um grupo ao qual pertencemos, psicólogos, antropólogos, jornalistas etc., tendemos a atribuir à coletividade sentimentos que são apenas os nossos.

É por isso que, em tese, não faço diagnósticos coletivos temerários. Só que hoje é um pouco diferente: desde 1985, quando comecei a clinicar no Brasil, não me lembro de ter percebido um desânimo tão difuso e generalizado quanto agora.

Uma pesquisa recente do Datafolha aponta que 72% dos brasileiros enxergam uma piora do cenário econômico, embora só 49% declarem que passaram de fato por um retrocesso. Ou seja, não é necessário sofrer da crise para “sentir” que estamos mal.

Os dois sintomas básicos para diagnosticar um transtorno depressivo maior são o humor deprimido (sentir-se triste e sem esperança) e uma diminuição do interesse em quase todas as atividades. Justamente, uma nova pesquisa (Folha de 12/6) anuncia que 53% dos brasileiros não têm interesse na Copa do Mundo, que logo vai começar.

A esses sintomas, acrescente, segundo sua preferência, sentimento de inutilidade, capacidade diminuída de pensar ou se concentrar, indecisão, pensamentos de morte recorrentes (por bala perdida, assalto ou espera para exames no SUS).

Em 2017, segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil foi o quinto país mais deprimido do mundo e o campeão em ansiedade. A ansiedade é a grande companheira da depressão: tensão, inquietude, dificuldade de concentração, sensação de perigo iminente.

Quando soube desse ranking, pensei que talvez a gente devesse atribuir o destaque brasileiro a um excesso de diagnósticos e de medicação. Hoje, não estou tão certo disso.

Muitos colegas vão achar essas considerações bizarras, mas é difícil negar a existência de transtornos “sociogênicos”, que refletem as preocupações mais difusas num momento e num lugar específicos – os quais não determinam as patologias dos indivíduos, mas, isso sim, fornecem um pano de fundo coletivo.

O que nos deu esse “pano de fundo”? Numa ordem qualquer: a sensação repetida de um fracasso econômico (acompanhada pela lenda de nossa riqueza “natural”); o fracasso da democracia representativa (persistência das elites tradicionais, corrupção generalizada, primazia das razões eleitoreiras sobre os interesses da comunidade); o fracasso moral vergonhoso (as provas repetidas de que ninguém está disposto a pagar o preço das próprias medidas que lhe parecem certas); o fracasso em proteger um lar seguro e um espaço público; o fracasso, enfim, em constituir uma esperança compartilhada que dê sentido à existência de uma nação.

A “psicologia positiva” norte-americana definia a esperança como a existência simultânea de um objetivo e de um plano definido para alcançá-lo.

O filósofo Richard Rorty (“Philosophy and Social Hope”, Penguin, 1999) definia a esperança como uma narrativa que nos promete um futuro melhor. Ele mostrava que várias narrativas já se comprovaram falsas e devemos aprender a viver sem uma narrativa comum que nos faça esperar —ou seja, cada um deveria inventar sua esperança.

No desespero, não há planos de ação definidos e não há narrativas que prometam um futuro. Mas, no desespero, a esperança não morre: ela continua viva, numa espécie de pensamento mágico.

O deprimido não consegue fazer nada para mudar sua vida, mas não deixa de jogar na Mega-Sena.

O deprimido espera muito, sim, mas sua esperança é abstrata, como os discursos de uma campanha política ruim, que promete e nunca diz quais são os passos necessários para chegar lá.

Se Eric Hobsbawm estivesse vivo e quisesse dedicar um volume à nossa década, acho que escolheria o título “A Era da Farsa” e contaria que o mundo, “naquela época”, tinha sérios problemas e precisava muito de pessoas sérias para resolvê-los (ou, ao menos, para tentar), mas, ironia do destino, ele foi liderado por farsantes.

Enfim, como uma espécie triste de consolação, poderíamos afirmar que os brasileiros estão encontrando uma nova unidade, um traço comum. Já tiveram em comum a primazia do coração sobre a razão que Sérgio Buarque chamou de cordialidade. Agora, quem sabe eles consigam se juntar e encontrar uma comunidade de destino ao redor de uma depressão compartilhada.

Contardo Calligaris: italiano, psicanalista. Deu aula de estudos culturais em NY. Reflete sobre cultura e modernidade.

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Sua boca carmim (Paulo Abreu)


Uma poesia completa
deveria ter sua cor
pincelada com arte
e ter meus olhos
a namorar os seus

Na estrofe perfeita
caberia todo o sorriso 
sensual pulsante
desta boca vitrine
 dos quereres meus

Versos completos
com rezas terços
procissões e ladainhas
para agradecer aos céus
seu amor dengoso

As quadras rimadas
traduzindo seu corpo
a balançar com graça
a silhueta mística
e o cafuné gozoso

Uma poesia repleta
de beijos abraços
carinho e carícias
eis as palavras, tocam
sei, sua boca carmim.

É isto aí!

Transferidor 180° (Paulo Abreu)


Eu vejo as ruas
desertas nuas
pessoas com medo
de serem pessoas

Rostos assustados
mascarados
olhares perdidos
fragilizados

Celulares frágeis
compensando a loucura
em dedos ágeis
a solidão ressoa

na ordem natural 
das cores das ruas
das pernas pés sapatos
janelas carros gatos

cachorros ratos
mambembes pedintes
bêbados sóbrios
tudo enquadrado

na beleza da morte 
nos seus melhores dias
grassa a maldade
e aguça tristeza

Transferidores de graus
mudam o tempo todo
a história o destino
do ângulo dos povos 

Malditos transferidores
o tempo nas ruas não para
não acaba por sua vontade
e não termina assim.
.

É isto aí!







 

Morte e Vida Severina | Animação - Completo


Morte e Vida Severina em Desenho Animado é uma versão audiovisual da obra prima de João Cabral de Melo Neto, adaptada para os quadrinhos pelo cartunista Miguel Falcão. Preservando o texto original, a animação 3D dá vida e movimento aos personagens deste auto de natal pernambucano, publicado originalmente em 1956.

Em preto e branco, fiel à aspereza do texto e aos traços dos quadrinhos, a animação narra a dura caminhada de Severino, um retirante nordestino, que migra do sertão para o litoral pernambucano em busca de uma vida melhor.

TV Escola

Coordenação Geral de Produção
SUPERVISÃO GERAL DO PROJETO
Érico Monnerat

Direção Geral da TV Escola
Érico da Silveira

Fonte Youtube: Morte e Vida Severina (Animação - Completo)



Análise da Obra (toda matéria)

Morte e Vida Severina é um poema de construção dramática com exaltação à tradição pastoril. Ele foi adaptado para o teatro, a televisão, o cinema e transformado em desenho animado.

Por meio da obra, João Cabral de Melo Neto, que também era diplomata, foi consagrado como autor nacional e internacional.

Como diplomata, o autor trabalhou em Barcelona, Madri e Sevilha, cidades espanholas que permitiram clara influência sobre sua obra.

João Cabral de Melo Neto foi seduzido pelo realismo espanhol e confessou ter, daquela terra, o reforço ao seu anti idealismo, antiespiritualismo e materialismo.

Os instrumentos lhe permitiram escrever com mais clareza sobre o nordeste brasileiro em Morte e Vida Severina e outros poemas.

A obra é, acima de tudo, uma ode ao pessimismo, aos dramas humanos e à indiscutível capacidade de adaptação dos retirantes nordestinos.

Tirem as crianças da sala!


sábado, 6 de junho de 2020

Lembrança de um Beijo (Accioly Neto)


Quando a saudade invade o coração da gente
Pega a veia onde corria um grande amor
Não tem conversa nem cachaça que dê jeito
Nem um amigo do peito que segure o chororô
Que segure o chororô
Que segure o chororô
Saudade já tem nome de mulher
Só pra fazer do homem o que bem quer
Saudade já tem nome de mulher
Só pra fazer do homem o que bem quer
O cabra pode ser valente
E chorar
Ter meio mundo de dinheiro
E chorar
Ser forte que nem sertanejo
E chorar
Só na lembrança de um beijo
Chorar


quinta-feira, 4 de junho de 2020

Perpetual (24/7) Eucharistic Adoration prayer mission





Não sei dizer assim (Paulo Abreu)


Não sei dizer assim
de uma maneira fiel
por muitas crenças
produtoras desta fé

Que amo toda você
corpo mente e alma
cabeça boca e olhos
sorriso abraços café

sem açúcar e quente
beijo de língua amor
abraço  apertado cá
no peito há saudade

Bate um coração só
é outono e outra vez
o inverno virá calado 
como sempre metade

Ficará ao descoberto
o abraço que aquece
o carinho que ostenta
o passado que evade



Análise do poema “Não sei dizer assim” (04/06/2020) realizada em 20/03/2026 pelo chatgpt.com:


**Leitura de “Não sei dizer assim”**

Há poemas que dizem. Outros apenas se aproximam.

“Não sei dizer assim” nasce justamente dessa consciência: a de que o amor não cabe inteiro na linguagem. Logo nos primeiros versos, o texto se declara insuficiente:

*“Não sei dizer assim / de uma maneira fiel”*

E, ao fazer isso, estabelece um pacto silencioso com o leitor — o que virá não será completo, nem linear, nem explicativo. Será tentativa.

O poema, então, não descreve o amor. Ele o espalha.

*“corpo mente e alma
cabeça boca e olhos
sorriso abraços café”*

Em vez de discurso, há fragmentos. Em vez de definição, há aproximação. O sentimento surge por acúmulo de pequenas imagens, como se só pudesse ser dito em partes.

E, entre essas partes, um detalhe se destaca pela simplicidade:

*“café / sem açúcar e quente”*

Aqui, o amor ganha chão. Deixa de ser ideia e passa a ser vivido. É nesse tipo de imagem que o poema se ancora e se torna verdadeiro.

Mas há um ponto em que algo muda.

*“no peito há saudade”*

Este é o instante em que o poema se desloca. Até aqui, o amor era presença. A partir daqui, torna-se ausência. Surge o interior — o peito — e com ele uma experiência que já não pode ser compartilhada da mesma forma.

Logo depois, essa condição se aprofunda:

*“Bate um coração só”*

A palavra “só” abre duas possibilidades ao mesmo tempo: solidão e incompletude. Não é apenas estar sozinho — é estar pela metade.

E é exatamente essa ideia que aparece, de forma direta e silenciosa, no verso:

*“como sempre metade”*

Aqui o poema se amplia. O que poderia ser apenas uma experiência pessoal ganha um tom mais universal. Não se trata apenas de um amor específico, mas de uma condição recorrente — a de que algo sempre escapa, sempre falta, sempre fica incompleto.

Curiosamente, no meio dessa contenção, há um instante de ruptura:

*“Que amo toda você”*

Este é o único momento em que o poema abandona o fragmento e tenta dizer o todo. É um verso de exposição plena, que quase contradiz o início. Por um instante, parece possível dizer de forma fiel.

Mas esse instante não se sustenta.

O poema retorna imediatamente às partes, às enumerações, às aproximações. Como se dissesse, sem dizer: foi possível alcançar — mas não permanecer.

No final, não há fechamento, apenas deslizamento:

*“o passado que evade”*

Nada se fixa completamente. Nem o amor, nem a memória, nem a linguagem.

E talvez seja justamente por isso que o poema permanece.

Porque não se completa.
Porque não se resolve.
Porque, como aquilo que tenta dizer, também ele existe — inevitavelmente — pela metade.





A Violência desce ladeira abaixo




É impossível não falar desta pestilência cujo nome é apenas um nome, um ser vivo unicelular cujo hospedeiro somos nós, seres vivo pluricelulares. Fomos elevados, através de milhares de gerações, a termos um sistema imunológico fantástico, que aborta milhões de seres invasivos que atingem nosso corpo no dia a dia, mas este daí veio para dizer que estamos doentes.

Estamos doentes quando deixamos a vida para optarmos pela luxúria cultural da morte. Esta manifestação pós Hiroshima está custando a nossa existência neste planetinha azul.

A merda toda se deu naturalmente. Assimilamos a violência, mentiras, intimidações, agressões, pedofilia, feminicídio, racismo, ódio, ignorância, transgressões, farsas, roubos, assaltos, improbidades, ameaças, pornografias, homicídios, infanticídios, sequestros, violência doméstica, violência no campo, violência urbana, violência disto, violência daquilo, e a coisa perdeu o freio.

A Violência desce ladeira abaixo sem freios! 
A Violência cresce ladeira abaixo sem freios!
A Violência mata ladeira abaixo sem freios!
A Violência trucida ladeira abaixo sem freios! 
Parece que o mundo pegou gosto pela violência.   

É isto aí!

quarta-feira, 3 de junho de 2020

terça-feira, 2 de junho de 2020

Bella Ciao

Habilidades para uma vida feliz…

Alto lá
Este texto não é meu
Confesso que copiei e colei
Fonte: amenteemaravilhosa.com.br 
https://amenteemaravilhosa.com.br/habilidades-para-uma-vida-feliz/


Habilidades para uma vida feliz…

1. A felicidade também pode ser planejada
Todos nós falamos da felicidade, mas nem todos sabemos como defini-la. Da mesma forma, é possível que tenhamos um conceito global de felicidade, mas não conseguimos concretizá-lo por situações específicas.

Por isso, a primeira das habilidades para uma vida feliz é desapegar do nosso conceito de bem-estar; não somente no geral, mas nos âmbitos ou aspectos pontuais nos quais nos encontramos.

2. Foco em direção ao crescimento, uma das habilidades para uma vida feliz
Desafiar a nós mesmos nos aproxima da felicidade. O conformismo é um sinal de que estamos cheios de medo ou sem motivação nenhuma.

Sendo assim, assumir objetivos nos traz revitalização e coloca graça no que fazemos. Querer ser melhores e fazer o necessário para alcançar essa mudança aumenta a nossa satisfação com a vida.

3. Aprender a ver o melhor de tudo
Por instinto de conservação, tendemos a focar mais no lado negativo do que no positivo das situações. Por isso, não é fácil aprender a ver o melhor de cada pessoa ou de cada situação.

O mais aconselhável é permitir que essas visões negativas cheguem à superfície, mas imediatamente enfrentá-las com enfoques otimistas e permanecer assim.

4. Ser capaz de confiar em si mesmo
Uma das grandes habilidades para uma vida feliz é a autoconfiança. Para desenvolvê-la, nada melhor do que nos transformamos em nossos próprios melhores amigos.

É preciso deixar a autocrítica constante de lado e perdoar a nós mesmos pelos erros que cometemos ou por não conseguir, de cara, o que queremos. Devemos ter autocompaixão e nos esforçar para tentar nos entender, não julgando a nós mesmos indevidamente.

5. Equilíbrio entre as diferentes dimensões da vida
O trabalho é uma parte importante da vida, mas não é a vida em si. Tudo bem dedicar boa parte do nosso tempo ao trabalho, mas não podemos permitir que a nossa vida gire em torno dele.

Somos mais felizes quando experimentamos não uma, mas muitas facetas do nosso ser. É por esse motivo que o parceiro, os amigos, a família, a saúde e a produtividade devem ter seus espaços definidos.

6. Desenvolver a resiliência
Essa é uma das habilidades mais importantes para ter uma vida feliz. Essa habilidade está relacionada com a capacidade de se recuperar e crescer após sofrer algum trauma.

Às vezes leva tempo, às vezes dá muito trabalho, mas, definitivamente, é uma capacidade que todos nós podemos desenvolver com força de vontade e empenho suficientes.

A resiliência aumenta a autoconfiança, e esta aumenta a segurança. Ou seja, três pelo preço de uma.

7. Lutar contra os hábitos
Todos nós estamos cheios de hábitos mentais, emocionais e físicos. Às vezes eles nos ajudam a tornar a vida mais simples, mas outras vezes são ações mecânicas que só levam ao mal-estar. É bom observar a nós mesmos para detectar se algo neste sentido tem acontecido.

Então, seria uma boa ideia começar mudando os hábitos físicos de comportamentos que queremos erradicar, para, só então, seguir para os hábitos mentais e emocionais.

8. Encontrar um propósito
A maioria de nós sabe que a vida é mais interessante e agradável quando temos um propósito pelo qual lutar. O problema é que nem sempre encontramos esse grande propósito existencial.

Talvez seja melhor nos deixar levar por nossos impulsos espontâneos em direção a pequenos propósitos imediatos. Assim, certamente eles nos levarão a descobrir nossos grandes objetivos de vida.

9. Praticar a bondade
Talvez você já tenha notado que as pessoas mais bondosas são, também, as mais felizes. Em contrapartida, aqueles que se enchem de amargura também são pessoas mais egoístas e, às vezes, cruéis.

Ser bondoso com os demais provoca um sentimento de felicidade profunda e duradoura. Sem dúvidas, a felicidade produzida por impactar positivamente a vida dos outros não tem preço.


10. Construir relações saudáveis
O sentimento de felicidade só é pleno quando é compartilhado. As relações com os demais são fundamentais para o bem-estar pessoal. A melhor forma de construir essas relações é valorizando cada um pelo que é, do jeito que é, respeitando e sendo gratos pelo que eles nos proporcionam.

Estas 10 habilidades para uma vida feliz não são desenvolvidas da noite para o dia. É necessário empenho, dedicação e decisão.

Embora seja improvável alcançar uma felicidade idealizada e total, com certeza alcançaremos um nível de bem-estar muito mais elevado e um importante grau de satisfação com a nossa existência colocando estas habilidades em prática.





domingo, 31 de maio de 2020

Ao pé da Pitangueira faz 10 anos




Bem, estamos fazendo dez anos, mas registrado aqui neste blog atual só temos as postagens de 2012 para cá. O começo foi com alguns ensaios aqui e ali,  ainda sem um perfil delineado, e está guardado num blog secreto. O Blog começou a ser mais parecido como é hoje apenas em 2014.

Não tenho como prever como serão os próximos dez anos. Tomara que esteja melhor. Pelo menos é meu desejo. O Blog começou num viés muito político, mas foi trilhando por caminhos da nossa luta diária pelas emoções, até mesmo por que sou Coach e a emoções são meus objetos de estudo.

Hoje quero agradecer a você e a todos os leitores que passeiam aqui pelo Reino da Pitangueira. Desde 2018 o número de leitores dobrou, e claro, isto é sinal de que estamos num caminho que está agradando a uma parcela da população.

Para você que vem pelo celular/smartphone, o acesso à margem lateral direita fica comprometida, mas para os que acessam via computador/notebook poderão perceber que comecei a mudar um pouco as informações. Estou colocando a relação de personagens que antes não apareciam. O Reino tem personagens fixos, a saber:

- Odete - A musa da Pitangueira
- O Analista da Pitangueira - um analista de formação psicanalítica no próprio reino.
- O Mago - que é o Sábio da Pitangueira, que detesta aparecer muito.
- Carminha e Armandinho - Um casal neurótico
- Papo de Esquina - Três amigos que discutem temas das mais diversas situações.
- Cartas de Amor - Um personagem anônimo que tem muita dificuldade de falar de amor de uma forma direta.

Estes são os personagens mais famosos, mas aí comecei a receber cobrança de quais textos eu gosto mais. Bom esta informação leva tempo, pois são mais de 2.500 postagens, e estou olhando uma a uma. . Já existe na margem a Coluna "Os melhores contos do Reino". com alguns selecionados. A minha expectativa deve ser que cheguemos a um total 60 textos da minha autoria que foram ou muito acessados ou com os quais tenho um vínculo afetivo. 

Ainda estou selecionando, lá já temos cerca de vinte indicações, os mais antigos, bem lá do começo, retirados entre setecentas postagens.

Também neste 31/maio/2020 encerro a maratona que decidi fazer, de pelo menos uma postagem por dia desde 01/abril/2020. Olha, vou te contar uma coisa - dá muito trabalho. A partir de amanhã, mesmo recompensado pelo aumento significativo de leitores (Gratidão Gratidão Gratidão), ainda assim preciso/devo retornar ao ritmo normal a partir de amanhã.

Tenho também recebido solicitações e sugestões para mudar o layout da página. Neste ponto tenho relutado, gosto dele simples. Vamos ver daqui para frente.

O Google já comunicou que fará modificações de ordem técnica nos próximos dias. Não sei se você sabe, mas Blogger é uma palavra criada pela Pyra Labs, e é um serviço do Google, que oferece ferramentas para edição e gerenciamento gratuito de blogs. Estão sempre atualizando e dando suporte. 

E tem algum texto que gosto mais do que dos outros?

- Boa pergunta, tem, mas não vou contar ainda. Quando terminar a seleção  "Os melhores contos do Reino". vou colocar em votação quais seriam os dez mais dos leitores, dentre os que estou selecionando.e só depois vou falar dos que são meus prediletos.

Era para ser um texto pequeno, mas tinha muita coisa para falar, afinal são dez anos. Um grande abraço!

É isto aí!





sábado, 30 de maio de 2020

Dança ao olhar

Vintage Profile (With images) | Vintage photos, Vintage portraits ...

Dança
com a alma
o olhar
ao meu amor

Acalanta
encanta
e tão suave
se engraça

meu corpo
adsorve
a fluida melodia
e sorri 

Há paixão
amor
e o querer
em mim

 doce e telúrico
feito agave
etéreo e celeste
feito você
É isto aí!










sexta-feira, 29 de maio de 2020

Como explicar Pindorama aos marcianos

Cassiopeia | The Constellation Directory
Senta que lá vem história:

Como explicar Pindorama aos marcianos. Vamos imaginar que tudo isto aqui é uma tragédia grega.

Veja bem, havia uma mulher, Medusa, outrora linda e deslumbrante, desejada por todos os homens da Grécia, invejada portanto pelas mulheres. Contudo, como sacerdotisa da deusa Atena, virgem como todas as servas do templo, estava fora de alcance do desejo masculino.

Poseidon, deus dos mares, enlouquecido pelo desejo, violentou a sacerdotisa dentro do templo de Atena. A inocência de Medusa fora roubada. A profanação do templo despertou a ira de Atena, que do alto da Acrópole ouviu de Poseidon - é só uma gripezinha, dá cloroquina nela. Atena, com inexplicável fúria atacaou  a pobre Medusa; transformou-lhe o cabelo em serpentes, e deixou o seu rosto horrível. A partir de então, olhar para ela seria mortal. Todos que o fizessem se tornariam em estátuas de pedra. Mas e Poseidon nada? Nada nada nadinha ...fez seu fakenews e sumiu na paisagem.

Enquanto isto, quando os gregos ainda usavam saias e corriam descalços filosofando e guerreando entre deuses e ninfas, nasceu uma das mais belas criaturas do mundo, filha do rei da Etiópia, que quando a viu, exclamou - tão linda quanto as ninfas de Pindorama, desta forma só poderá se chamar Andrômeda.

A menina cresceu, ficou linda, bela, sedutora e sexy. Cassiopeia, sua mãe, vaidosa e elegante, que tinha lá seu charme,  elogiava tanto a filha nos saraus e festas da nata mediterrânea oriental, que certa vez diante determinado deusinho aquamarinho, travado em seu tridente babou na moça.  a ponto de não passar desapercebida. Por quem, por quem??? perguntam as aflitas moçoilas da corte planaltino - por Poseidon, meninas, que também era conhecidíssimo nos guetos como um amigo do amigo do amigo, armado de tridente e arpão.  

Segundo Clotilde, uma auxiliar do salão de beleza de Creta, Anfitrite, esposa-mix de Poseidon pediu a cabeça da moça por ciumes ou sabe-se lá mais o que. - Poseidon, com seu arpão encolhido, não teve outra alternativa a não ser condenar Andrômeda a morrer acorrentada num penhasco por uma gorda baleia gigante, de codinome Ceto. (uma baleia imensa e gorda chamada Ceto ... não tem como dar certo)

Na ocasião, o educadinho noivo de Andrômeda, irmão da sua mãe, 45 anos mais velho que a mocinha, não se manifestou. Sorriu para Poseidon e ganhou o seu agrado tridentino. Nua, belíssima, acorrentada nas pedras, eis que o Chapolin Colorado da mitologia, Perseu, surgiu do nada com suas sandálias aladas, presenteadas por Hermes para matar Medusa, aquela mesma que o Poseidon engravidou e a Atena amaldiçoou por ciúmes ou sabe-se lá pelo que mais.

Segundo Neidinha, zeladora das saunas turcas de Creta, Perseu confidenciou-lhe pessoalmente em momentos de íntima relação profissional, que ao passar pela ilha onde estava Andrômeda, linda e nua,  acorrentada no meio do mar, não fossem as lágrimas que vertiam de seu rosto, teria confundido-a com uma estátua, de tão linda que era. 

Sem querer querendo, assim disse o jovem - olha aqui mocinha, se você casar comigo, tiro você destas argolas. Diante de tamanha generosidade, Andrômeda cedeu aos encantos do seu grande amor e foram felizes para sempre. Perseu especializou-se em transformar pessoas em pedras e sua amada foi fiel enquanto pode.

Moral da História - o mundo gira gira gira e quando a choldra olha muito, vira pedra, enquanto isto ... Poseidon vai aqui e ali ...

É isto aí!

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Cartas enófilas ao Futuro

Como prever o futuro no mundo dos negócios? - João Kepler - Medium

Prezado Futuro,

Não sei quando poderá ler esta carta, a gente pouco se conhece, na verdade só o conheço em sonhos e ficções ou projeções de resultados, desejos e quereres. Talvez eu nem esteja mais aqui quando você chegar. Você é aquele parente distante de quem todo mundo fala, mas que nunca vi nem ouvi você dizer algo.

Tenho muitas perguntas, mas quando você responder é  por que não precisarei mais das respostas. É um paradoxo, sei, mas começo a acreditar que você não existe. Ou, espera, vai que existe. Você está relacionado com o tempo, mas o tempo está em outras dimensões, aliás, é a quarta dimensão espacial, a saber - altura, largura, profundidade e tempo. 

Mas se olhar a manhã de hoje, estou neste futuro, então, não passo de um viajante do tempo, estacionado no meu corpo, sendo levado ao futuro que não passa, pois quem está passando sou eu. Então, de certa forma, você já existe, dependendo do observador. Agora fiquei confuso e este vinho ainda não acabou.

Futuro, a questão maior é que tenho muitas perguntas para o caso de você existir, e gostaria das respostas antes de encontra-lo ad eternum, mas vamos trabalhar com a suposição de você seja quem determina o passado, digo, o presente, que é este agora continuum que sobrevivo, então desta forma é provável que possuo todas as respostas agora, que é o passado que você coordena Então você existe e está aqui? É isto?

Só o vinho me faz crer na sua cognoscibilidade, mas ansiedade à parte, medos, estresses e paranoias, tenho que concordar, se assim fosse, não seria futuro, seria um Presente do Pretérito Imperfeito, expressando um fato ocorrido num momento anterior ao atual, mas que não foi completamente terminado retornando ao continuum que bebi, digo, falei aí atrás.

Puxa vida, vou pegar outra garrafa. este vinho é bom mesmo!


É isto aí!

quarta-feira, 27 de maio de 2020

Amor em pedaços de rede social

Lovers. Paris. 1950s. (With images) | Photo, Vintage photography ...

Estava determinado a dizer adeus. Tinha certeza de que aquilo tudo era um grande equívoco, que não valia a pena e todas as outras coisas idiotas que passavam juntas e misturadas na mente. Mandou uma mensagem, coisa bem impessoal, e lá descreveu a cena:

"Não dá mais, grato por tudo, adeus."

Desejou escrever "em caráter irrevogável", mas o bom senso fez-se presente e permitiu que enviasse aquele texto ridículo e bobo à amada. Duas horas depois recebe a resposta:

"Sabe que eu estava pensando exatamente a mesma coisa?" 

Leu, deu um sorriso meio lacrimoso, conteve-se, não respondeu e filosofou - sabia que ela iria responder isto. Mulher mais sem noção, previsível demais. Daí a 15 minutos ela enviou outra.

"Sabe que eu tenho em você, acima de tudo como um grande amigo?"

Leu, respirou e suspirou fundo, leu de novo, deve ser para outra pessoa e a danada enviou enganada. Mas se passaram 10 minutos e ela enviou outra.

"Sinto falta do carinho das suas palavras ..."

Mas que mulher danadinha esta, hem... Ah, mas não vou arredar um milímetro. Adeus é adeus, nem que ... chegou o último e-mail.

"Gosto quando você cuida de mim ..."

Sentindo falta de ar, sem lugar, andou prá lá, prá cá ... puxa vida, tem jeito não, eu amo aquela mulher. E enviou uma mensagem de amor.

É isto aí!



domingo, 24 de maio de 2020

Navegar pelo seu corpo (Paulo Abreu)


Navegar pelo seu corpo, 
feito uma caravela lusitana
a experimentar cada brisa
do seu doce amor.

Tocar relevos ... 
beijar seus olhos ...
sorver sua candura ...
sua boca, sua voz ...

Içar as velas e navegar
pelas correntes que nos unem, 
e as que nos solidarizam na dor
quando rompe do rio, a foz

porque tal como a vida  
deixa marcas em quem ama, 
assim também cicatriza
 tristezas e angústias.

As calamidades e feridas 
nas pele da sua história, 
como relevos memoriais, 
são monolíticas e imortais.

Navegar pelo seu corpo
além da pele prazerosa
atingir o cerne d'Alma
que me faz ser.


É isto aí!