sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Escolhas (Curta animado)

Fonte:Gustavo Ávila
Animação: "Alike "
De Daniel Martínez Lara & Rafa Cano Méndez | CGMeetup
www.youtube.com/c/Cgmeetup


domingo, 9 de agosto de 2020

We'll Meet Again - Vera Lynn (Nos encontraremos novamente)

Provided to YouTube by Universal Music Group
We'll Meet Again, The Very Best Of Vera Lynn
℗ 1953 Decca Music Group Limited
Released on: 2009-01-01
Main  Artist: Sailors, Soldiers & Airmen of Her Majesty's Forces
Main  Artist: Roland Shaw & His Orchestra
Composer  Lyricist: Ross C. Parker
Composer  Lyricist: Hugh Charles
Auto-generated by YouTube.


Nos encontraremos novamente,
Não sei onde,
Não sei quando
Mas eu sei que nos encontraremos novamente 
em algum dia ensolarado

Continue sorrindo até o fim,
Assim como você sempre faz
Até que o céu azul 
afaste as nuvens escuras para longe

Então por favor diga "Olá"
Para as pessoas que eu conheço
Diga que eu não demorarei
Eles ficarão felizes em saber
Que quando você me viu partir
Eu estava cantando essa canção

Nos encontraremos novamente,
Não sei onde,
Não sei quando
Mas eu sei que nos encontraremos novamente 
em algum dia ensolarado

Nos encontraremos novamente,
Não sei onde
Não sei quando.
Mas eu sei que nos encontraremos novamente 
em algum dia ensolarado.

Continue sorrindo até o fim
Assim como você sempre faz,
Até que o céu azul
Afaste as nuvens escuras para longe

Então por favor diga "Olá"
Para as pessoas que eu conheço.
Diga que eu não demorarei.
Eles ficarão felizes em saber
Que quando você me viu partir,
Eu estava cantando esta canção.

Nos encontraremos novamente,
Não sei onde,
Não sei quando
Mas eu sei que nos encontraremos novamente 
em algum dia ensolarado


sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Esse seu olhar

É possível ter esquecido
seu cheiro, sorriso e penteado
sua pele, tom de voz, as mãos
segurando minhas mãos.

É passível de acontecer
o apenso da saudade
num canto, abandonado
pelas memórias da dor.

É ponderável  chorar
entristecido e assustado
dentro da lembrança
dos seus abraços.

É perecível o acalanto
que a saudade abrasa,
Tornam-se cinzas do legado
do seu olhar.

É isto aí

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Conversas estranhas

Saiu de casa arrasado, entrou no carro e deu conta que isto o faria retornar, afinal o carro estava no financiamento, com três parcelas atrasadas. Pegou o guarda-chuva, herança familiar, e acenou para o ônibus urbano. Entrou e a única nota que tinha era uma de cem reais. O trocador deu sinal, o motorista parou e teria que descer se não fosse a providencial ajuda de uma mocinha linda, que cedeu-lhe uma passagem.

Passaram a roleta e sentaram juntos, a princípio em silêncio. Ela deveria ter uns trinta anos, aproximadamente, rosto e corpo lindos, olhos redondos e a íris quase negra. A analisou por inteiro - tronco, cabelos, mãos e pernas.

- Pronto? perguntou a moça?

- Pronto para o quê? Respondeu de sobressalto.

- Já acabou de examinar meu exterior?

- Não, quer dizer, só o que pude verificar.

- Entendo. Mas teve o desejo de ver tudo?

- Conversa estranha, esta, hem?!

- Estranha? Você fez uma varredura no meu corpo com seu olhar e acha que a conversa é estranha?

- Verdade. Desculpe, foi força de hábito. Não desejei ofende-la.

- Mas não ofendeu. Viu o que pode ser visto.

- Mas e o que não pode ser visto?

- Nada é tão secreto que não possa ser revelado.

- Nós, hummm, nós, quer dizer, você já me conhece?

- Sim, eu conheço você. Sei o seu nome, sei onde mora, onde trabalha.

- Sério? Mas como é isso? Como assim?

- Vamos descer aqui, que eu vou mostrar a você como sei de tudo isto. Não tenha medo, não vou te fazer mal, nem tirar dinheiro de você, que sei que não tem.

- Você está me assustando.

- Venha, vamos descer, me dê a sua mão e verá que tudo pode acontecer.

Saíram de mãos dadas, atravessaram a Rua da Quitanda, dobraram na esquina para a Rua Azul, seguiram em silêncio dois quarteirões até a Praça das Mangueiras. Atravessaram a Praça, entraram na Avenida do Pequi e pararam diante de uma casa simples, do conjunto habitacional do bairro. Foi quando se entreolharam, a mão dele suando muito, e ela disse:

- Venha, é aqui. 

Foram entrando na casa, em silêncio. Casa simples, móveis simples. Tudo limpo e um aromático café vindo da cozinha, para onde se dirigiram. Ela pediu licença, disse que tinha que ir ao banheiro. Ele ficou ali, ficou, ficou, até que desconfiou da demora. Bateu na porta do banheiro que estava aberta e moça desapareceu. Foi surgindo um sono pesado, deitou no sofá e acordou na sua casa com o oficial de justiça na porta. 

Recebeu mais uma intimação e saiu de casa arrasado, entrou no carro e deu conta que isto o faria retornar, afinal o carro estava no financiamento, com três parcelas atrasadas. Pegou o guarda-chuva, herança familiar, e acenou para o ônibus urbano, que não parou. Logo atrás parou um carro, no volante uma moça linda de uns trinta anos aproximadamente, rosto e corpo lindos, olhos redondos e a íris quase negra. A analisou por inteiro - tronco, cabelos, mãos e pernas.

- Vai ficar me namorando por muito tempo ou vai entrar? - perguntou a moça.

- Nós, hummm, nós, quer dizer, você já me conhece?

- Quem sabe?? 

É isto aí!

O coisa e as pós-coisas


O MetaPit, que é o SID-PI (Sistema Imperial de Dados e Metadados do Reino Monocrático da Pitangueira), vinculado ao SIQ-PI (Serviço Imperial de Inteligentzia Quântica do Reino da Pitangueira), está fazendo uma pesquisa de comportamento pós-coisas visíveis e invisíveis que aconteceram no mundo de doze meses para cá, depois do Coisa coisar.

Leia sem pressa, sabemos que a leitura é extensa, exatamente para ser imparcial. Repita a leitura quantas vezes desejar e responda, pela sua percepção, quais são as cinco pós-coisas que mais cresceram percentualmente neste intervalo de tempo?

heróis anônimos
imprestáveis  
andarilhos
esforçados
profetas
preguiçosos
perversos
negacionistas
hipócritas
cínicos
mestres
safados
trágicos
medrosos
corruptos
mentirosos 
satanistas
irritantes
miseráveis
neuróticos
prestativos
bem-aventurados 
deprimidos 
falaciosos 
idiotas
desempregados
malabaristas
bandidos
vigilantes
dedicados; 
retardados; 
sebosos; 
chatos; 
diabólicos; 
positivistas;
educados; 
cafajestes;
violentos; 
fragilizados; 
especialistas;
deuses; 
messiânicos; 
negativistas.

É isto aí!


quarta-feira, 5 de agosto de 2020

"No te enamores …"(Martha Rivera Garrido)



Não se apaixone ... (Martha Rivera)
Tradução livre deste Blog

Não se apaixone por uma mulher que lê, 
por uma mulher que ama intensamente, 
por uma mulher que escreve ...

Não se apaixone por uma mulher culta, 
mágica, delirante e louca.
Não se apaixone por uma mulher que pensa, 
que sabe o que sabe e também sabe voar; 
uma mulher segura de si mesma.

Não se apaixone por uma mulher que ri ou chora fazendo amor, 
que sabe como transformar sua carne em espírito; 
muito menos da que gosta de poesia (são as mais perigosas), 
ou que passa meia hora contemplando uma pintura e não sabe viver sem música.

Não se apaixone por uma mulher interessada em política,
rebelde e que sente um imenso horror de injustiças, 
uma que gosta de futebol e jogos de bola 
e que não gosta de assistir televisão. 
Nem de uma mulher bonita, 
que não se importa com as características de seu rosto e do seu corpo.

Não se apaixone por uma mulher intensa, 
lúdica, lúcida e irreverente.
Você não quer se apaixonar por uma mulher assim.
Porque quando você se apaixona por uma mulher assim, 
quer ela fique com você ou não, 
quer você a ame ou não, 
dela, de uma mulher assim, 
jamais conseguirá se livrar.


Martha Rivera










(Santo Domingo, República Dominicana, 1961) Poeta, narradora, ensaísta. Começou os estudos em Ciência Política na Universidade Autônoma de Santo Domingo, no início dos anos 80. Sua voz foi uma ruptura completa com a poesia que havia sido praticada até então. Sua busca era pelo espaço íntimo e cotidiano. 

No te enamores...

No te enamores de una mujer que lee, 
de una mujer que siente demasiado, de una mujer que escribe…
No te enamores de una mujer culta, maga, delirante, loca.
No te enamores de una mujer que piensa, que sabe lo que sabe y además sabe volar; una mujer segura de sí misma.

No te enamores de una mujer que se ríe o llora haciendo el amor, que sabe convertir en espíritu su carne; y mucho menos de una que ame la poesía (esas son las más peligrosas), o que se quede media hora contemplando una pintura y no sepa vivir sin la música.

No te enamores de una mujer a la que le interese la política y que sea rebelde y sienta un inmenso horror por las injusticias.Una a la que le gusten los juegos de fútbol y de pelota y no le guste para nada ver televisión. Ni de una mujer que es bella sin importar las características de su cara y de su cuerpo.
No te enamores de una mujer intensa, lúdica y lúcida e irreverente.
No quieras enamorarte de una mujer así.
Porque cuando te enamoras de una mujer como esa, se quede ella contigo o no, te ame ella o no, de ella, de una mujer así, JAMAS se regresa.

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Elogio do Beijo (Rita Grego)

Alto lá
Este poema não é meu
Confesso que copiei e colei
Autora : Rita Grego

O beijo - Rodin*


Elogio do Beijo

Primeiro : desajeitado, breve e nervoso.

Lábios  tensos, fechados.

É beijo revelação!

 
Apaixonado: começa antes mesmo dos lábios se encontrarem.

Olhar, cheiro, presença.

Com intimidade... 

a língua explora, sem pressa, cada pedaço do outro

para além da boca.

Quando  lábios apaixonados se encontram 

é sempre réveillon.

É beijo de corpo inteiro!
 

Despudorado : sôfrego, intenso, agoniado.

Escorre desejo.

Os lábios são tomados com volúpia e ardor.

Dedos cravados na nuca sob o cabelo.

Corpo grudado.

É beijo de fim do mundo!
 

Tópicos : alegre, leve, carinhoso.

São sempre muitos!

Selinhos estalados e espalhados pelo corpo.

Testa. Queixo. Pescoço. Peito. Mamilo.

Coxas. Meio das coxas. Virilha...

Provoca e aquece.

É beijo borboleta!

Sedutor: erótico, enigmático, insinuante.

Inicia-se por leve roçar de bocas, narizes, respirações.

Os lábios estão se conhecendo... buscando o encaixe!

 Repletos de segundas intenções!

É beijo mistério!


Pele: Inexplicável e raro.

Os olhares se cruzam e automaticamente  se quer beijar.

Sem palavras. Sem delongas. Sem protocolos

Não há escapatória! Em casos assim, deve –se beijar.

Efêmero e perecível.

É beijo vento!


Tesão: sedento, faminto, primitivo.

Os lábios, em êxtase , engolem o outro. Literalmente.

 Mastigam – se  com a língua.

Carne. Suor. Unhas. Pulsão. Gana.

O coração batendo em bacanal.

É beijo antropofágico!
 

Pandêmico: virtual, apartado, adiado.

Bits. Bytes. Algoritmos. Telas.

Imaginação. Sensação. Idealização.

Tempo sem precisão.

É beijo esperança!



segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Feliz Ano Novo


Queria escrever 
um poema curto
sem medo

cem medos
me assombram
assustam

é tarde
sei, é tarde 
urde e arde

sua face
nosso futuro
na saudade
de você

cem medos
nos trazem
cem sentidos 
covardes

sem alarde
é tarde sei
tarde demais
para esquecer

muito tarde
para dizer
que saímos
eu e você

da história 
não validada
pela ruptura
do amanhã

nenhuma palavra
chula cabe
nenhuma palavra 
vil justifica

nenhuma palavra
nada nua
sensual pura
noutra palavra

estamos sós
com medo.
e não é mais
feliz ano novo

é tempo de 
não lamentar e
despertar a
consciência

e apontar o dedo
para a ferida
dor colapsada
dos erros. 

É isto aí!
 



domingo, 2 de agosto de 2020

Dias piores virão


Eu pensei em falar sobre COVID, mas prefiro que você saiba por pessoas que não falam bobagens nem fazem uso de processos outros que não a ética. 

Silvio Fernandes da Silva, médico, doutor em saúde pública (FSP/USP) e ex-presidente do Conasems publicou o artigo “Evolução da pandemia COVID-19: análise de evidências e projeção de cenários“.Leia aqui

Também pensei em falar de notícias e pessoas, mas resolvi comentar sobre o adeus de duas grandes páginas na Internet, de uma brasilidade que não se vê por aí:

O Site Conversa Afiada, criado pelo Paulo Henrique Amorim, que era minha leitura obrigatória diária, que encerrou suas atividades ontem. Confesso que fiquei triste tanto quanto o caso do descaso do COVID. Leia aqui 

Tem ainda o site NOCAUTE, de leitura imperdível, do escritor Fernando Morais, escritor com grande sentimento do mundo. Nocaute tinha uma elevada percepção do país como uma pátria próspera, um Brasil para os Brasileiros e não uma américa só para os americanos. Perdemos um grande aliado. 

E finalmente, neste Julho 2020 que encerrou na sexta-feira, perdi duas pessoas queridas na luta contra o COVID, enfim há muito mais de dor do que de cloroquina no ar deste hemisfério.

Senhoras e Senhores, preparem-se pois no que depender das Escrituras, o pior ainda está por vir



É isto aí!



sexta-feira, 31 de julho de 2020

Diário de Bordo Pitangueira Venture I


Data estelar  302418.79509461636

Diário de Bordo
Pitangueira Venture I
A primeira nave de sonhos reais a ser lançada do Reino da Pitangueira

Nossa jornada começa na Base de lançamentos da Pitangueira rumo ao sistema solar de Debelle PA 56. 

Finalmente após quatro semanas de intensas emoções variando das lágrimas à tristeza, verifiquei os sistemas da nave na Doca Espacial e consegui sentar em minha poltrona de capitão, olhar firmemente a tela principal e pensar como será esta aventura; o que nos espera? 

Toda minha vida me preparei para este momento, e só agora sinto-me preparado para tomar o rumo da exploração espacial num novo céu. O espírito da curiosidade humana me impulsiona a ir aonde ninguém jamais esteve, mas tenho consciência que pode ser um caminho sem volta.  Por isso necessito que seja uma ação audaciosa e vibrante para o sucesso do empreendimento, em função disto sou capaz de poder confiar meus sonhos dando minha vida a bordo desta nave.

Partirei da Doca Estelar para a Estação PEUS-A 60 com intuito de embarcar a tripulação que importa e rumar para as fronteiras do Quadrante Alfa 20-21, juntos passaremos ainda por algumas bases estelares para serviço de rotina, mas a partir da Estação dos Anéis de Saturno estaremos sozinhos e rumando para o desconhecido.

Registre-se que a partir deste instante a Pitangueira Venture inicia sua missão ímpar e emocionante.

Ao dar a voz de comando, o Navegador deverá marcar curso para Estação Ville DE 56, dobrar fator X e acionar as turbinas. Daí para frente nada mais será como antes, pois tudo o que importa está no meu sonho.

É isto aí!


quarta-feira, 29 de julho de 2020

Sinhá Guabinha e a natureza do amor


Nada dói mais que amor sem eira, refletiu no alpendre do sobrado, de frente para a praça da Matriz. Eira é um espaço plano com um chão duro, onde os cereais eram malhados e peneirados, depois de colhidos, com vista a separar a palha e outros detritos dos grãos de cereais. Amor sem eira seria aquele amor onde não se tem onde trata-lo, aquele amor solto, sem ter como cuidar da sua intimidade. 

Desceu do sobrado, saiu na rua do Carvalho, passou pela ladeira das Lavadeiras, atravessou a Ponte das Velhas, do outro lado, numa trilha descalça e lamacenta, seguiu pisando as botas pelas beiradas até chegar na casa de Sinhá Guabinha, uma senhora de forças celestiais na Terra. Dizia-se que era um anjo revestido de gente. De idade não sabida, tão velha quanto o povoado, o recebeu com olhar terno e sorriso largo, abrindo os braços para um abraço. Era assim que recebia a todos.

- Sinhá Guabinha, vim aqui curar mal de amor.

- Se acomode, moço, que a tarde é lenta, os pensamentos é que tratam de ficar voando.

- Puxou o banco, enfiou as pernas e acomodou-se à mesa tosca onde tinha um bule de cafe  e biscoitos de nata.

- Eu sei o que o moço veio procurar, já sabia que vinha, disse a Sinhá.

- Então, Sinhá, o que eu faço?

- Meu filho, quando você a quis, ela não te quis, quando ela te quis, você a desprezou e agora um quer o outro, mas a vida andou, as coisas se moveram, as estações do ano fizeram suas partes, e as suas vidas fugiram do destino traçado.

- Verdade, Sinhá, mas eu a amo muito.

- Moço.ela também o ama muito.

- Então, Sinhá?

- Guardem este amor para si. Deixem a natureza cuidar de tudo, não peçam as interferências do céu, pois foram vocês que criaram esta situação.

- Então não tem nada para fazer?

- Moço, você a ama, ela o ama, então respeitem este amor e o entreguem ao Criador, e só ele saberá o que fazer.

- Mas Sinhá, e o tempo?

- Olha, moço, diferente de um rio que corre, o tempo não se comporta da forma como o percebemos. Passado, presente e futuro existem simultaneamente, mas em dimensões diferentes.

- Ou seja?

- Ou seja, vocês estão juntos para sempre em dimensões superiores. Tenha paciência, moço, tenha paciência.

- Gratidão, Sinhá!!!

- Vai com Deus, meu filho!

É isto aí!

"Carta ao Povo de Deus" (Carta dos 152 Bispos da CNBB)



Como não ficarmos indignados diante do uso do nome de Deus e de sua Santa Palavra, misturados a falas e posturas preconceituosas, que incitam ao ódio, ao invés de pregar o amor, para legitimar práticas que não condizem com o Reino de Deus e sua justiça?

"Somos bispos da Igreja Católica, de várias regiões do Brasil, em profunda comunhão com o Papa Francisco e seu magistério e em comunhão plena com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que no exercício de sua missão evangelizadora, sempre se coloca na defesa dos pequeninos, da justiça e da paz. Escrevemos esta Carta ao Povo de Deus, interpelados pela gravidade do momento em que vivemos, sensíveis ao Evangelho e à Doutrina Social da Igreja, como um serviço a todos os que desejam ver superada esta fase de tantas incertezas e tanto sofrimento do povo.

Evangelizar é a missão própria da Igreja, herdada de Jesus. Ela tem consciência de que “evangelizar é tornar o Reino de Deus presente no mundo” (Alegria do Evangelho, 176). Temos clareza de que “a proposta do Evangelho não consiste só numa relação pessoal com Deus. A nossa reposta de amor não deveria ser entendida como uma mera soma de pequenos gestos pessoais a favor de alguns indivíduos necessitados [...], uma série de ações destinadas apenas a tranquilizar a própria consciência. A proposta é o Reino de Deus [...] (Lc 4,43 e Mt 6,33)” (Alegria do Evangelho, 180). Nasce daí a compreensão de que o Reino de Deus é dom, compromisso e meta.

É neste horizonte que nos posicionamos frente à realidade atual do Brasil. Não temos interesses político-partidários, econômicos, ideológicos ou de qualquer outra natureza. Nosso único interesse é o Reino de Deus, presente em nossa história, na medida em que avançamos na construção de uma sociedade estruturalmente justa, fraterna e solidária, como uma civilização do amor.

O Brasil atravessa um dos períodos mais difíceis de sua história, comparado a uma “tempestade perfeita” que, dolorosamente, precisa ser atravessada. A causa dessa tempestade é a combinação de uma crise de saúde sem precedentes, com um avassalador colapso da economia e com a tensão que se abate sobre os fundamentos da República, provocada em grande medida pelo Presidente da República e outros setores da sociedade, resultando numa profunda crise política e de governança.

Este cenário de perigosos impasses, que colocam nosso país à prova, exige de suas instituições, líderes e organizações civis muito mais diálogo do que discursos ideológicos fechados. Somos convocados a apresentar propostas e pactos objetivos, com vistas à superação dos grandes desafios, em favor da vida, principalmente dos segmentos mais vulneráveis e excluídos, nesta sociedade estruturalmente desigual, injusta e violenta. Essa realidade não comporta indiferença.

É dever de quem se coloca na defesa da vida posicionar-se, claramente, em relação a esse cenário. As escolhas políticas que nos trouxeram até aqui e a narrativa que propõe a complacência frente aos desmandos do Governo Federal, não justificam a inércia e a omissão no combate às mazelas que se abateram sobre o povo brasileiro.

Mazelas que se abatem também sobre a Casa Comum, ameaçada constantemente pela ação inescrupulosa de madeireiros, garimpeiros, mineradores, latifundiários e outros defensores de um desenvolvimento que despreza os direitos humanos e os da mãe terra. “Não podemos pretender ser saudáveis num mundo que está doente. As feridas causadas à nossa mãe terra sangram também a nós” (Papa Francisco, Carta ao Presidente da Colômbia por ocasião do Dia Mundial do Meio Ambiente, 05/06/2020).

Todos, pessoas e instituições, seremos julgados pelas ações ou omissões neste momento tão grave e desafiador. Assistimos, sistematicamente, a discursos anticientíficos, que tentam naturalizar ou normalizar o flagelo dos milhares de mortes pela covid-19, tratando-o como fruto do acaso ou do castigo divino, o caos socioeconômico que se avizinha, com o desemprego e a carestia que são projetados para os próximos meses, e os conchavos políticos que visam à manutenção do poder a qualquer preço.

Esse discurso não se baseia nos princípios éticos e morais, tampouco suporta ser confrontado com a Tradição e a Doutrina Social da Igreja, no seguimento Àquele que veio “para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10).

Analisando o cenário político, sem paixões, percebemos claramente a incapacidade e inabilidade do Governo Federal em enfrentar essas crises. As reformas trabalhista e previdenciária, tidas como para melhorarem a vida dos mais pobres, mostraram-se como armadilhas que precarizaram ainda mais a vida do povo.

É verdade que o Brasil necessita de medidas e reformas sérias, mas não como as que foram feitas, cujos resultados pioraram a vida dos pobres, desprotegeram vulneráveis, liberaram o uso de agrotóxicos antes proibidos, afrouxaram o controle de desmatamentos e, por isso, não favoreceram o bem comum e a paz social. É insustentável uma economia que insiste no neoliberalismo, que privilegia o monopólio de pequenos grupos poderosos em detrimento da grande maioria da população.

O sistema do atual governo não coloca no centro a pessoa humana e o bem de todos, mas a defesa intransigente dos interesses de uma “economia que mata” (Alegria do Evangelho, 53), centrada no mercado e no lucro a qualquer preço.

Convivemos, assim, com a incapacidade e a incompetência do Governo Federal, para coordenar suas ações, agravadas pelo fato de ele se colocar contra a ciência, contra estados e municípios, contra poderes da República; por se aproximar do totalitarismo e utilizar de expedientes condenáveis, como o apoio e o estímulo a atos contra a democracia, a flexibilização das leis de trânsito e do uso de armas de fogo pela população, e das leis do trânsito e o recurso à prática de suspeitas ações de comunicação, como as notícias falsas, que mobilizam uma massa de seguidores radicais.

O desprezo pela educação, cultura, saúde e pela diplomacia também nos estarrece. Esse desprezo é visível nas demonstrações de raiva pela educação pública; no apelo a ideias obscurantistas; na escolha da educação como inimiga; nos sucessivos e grosseiros erros na escolha dos ministros da educação e do meio ambiente e do secretário da cultura; no desconhecimento e depreciação de processos pedagógicos e de importantes pensadores do Brasil; na repugnância pela consciência crítica e pela liberdade de pensamento e de imprensa; na desqualificação das relações diplomáticas com vários países; na indiferença pelo fato de o Brasil ocupar um dos primeiros lugares em número de infectados e mortos pela pandemia sem, sequer, ter um ministro titular no Ministério da Saúde; na desnecessária tensão com os outros entes da República na coordenação do enfrentamento da pandemia; na falta de sensibilidade para com os familiares dos mortos pelo novo coronavírus e pelos profissionais da saúde, que estão adoecendo nos esforços para salvar vidas.

No plano econômico, o ministro da economia desdenha dos pequenos empresários, responsáveis pela maioria dos empregos no país, privilegiando apenas grandes grupos econômicos, concentradores de renda e os grupos financeiros que nada produzem. A recessão que nos assombra pode fazer o número de desempregados ultrapassar 20 milhões de brasileiros. Há uma brutal descontinuidade da destinação de recursos para as políticas públicas no campo da alimentação, educação, moradia e geração de renda.

Fechando os olhos aos apelos de entidades nacionais e internacionais, o Governo Federal demonstra omissão, apatia e rechaço pelos mais pobres e vulneráveis da sociedade, quais sejam: as comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas, as populações das periferias urbanas, dos cortiços e o povo que vive nas ruas, aos milhares, em todo o Brasil.

Estes são os mais atingidos pela pandemia do novo coronavírus e, lamentavelmente, não vislumbram medida efetiva que os levem a ter esperança de superar as crises sanitária e econômica que lhes são impostas de forma cruel.

O Presidente da República, há poucos dias, no Plano Emergencial para Enfrentamento à covid-19, aprovado no legislativo federal, sob o argumento de não haver previsão orçamentária, dentre outros pontos, vetou o acesso a água potável, material de higiene, oferta de leitos hospitalares e de terapia intensiva, ventiladores e máquinas de oxigenação sanguínea, nos territórios indígenas, quilombolas e de comunidades tradicionais (Cf. Presidência da CNBB, Carta Aberta ao Congresso Nacional, 13/07/2020).

Até a religião é utilizada para manipular sentimentos e crenças, provocar divisões, difundir o ódio, criar tensões entre igrejas e seus líderes. Ressalte-se o quanto é perniciosa toda associação entre religião e poder no Estado laico, especialmente a associação entre grupos religiosos fundamentalistas e a manutenção do poder autoritário.

Como não ficarmos indignados diante do uso do nome de Deus e de sua Santa Palavra, misturados a falas e posturas preconceituosas, que incitam ao ódio, ao invés de pregar o amor, para legitimar práticas que não condizem com o Reino de Deus e sua justiça?

O momento é de unidade no respeito à pluralidade! Por isso, propomos um amplo diálogo nacional que envolva humanistas, os comprometidos com a democracia, movimentos sociais, homens e mulheres de boa vontade, para que seja restabelecido o respeito à Constituição Federal e ao Estado Democrático de Direito, com ética na política, com transparência das informações e dos gastos públicos, com uma economia que vise ao bem comum, com justiça socioambiental, com “terra, teto e trabalho”, com alegria e proteção da família, com educação e saúde integrais e de qualidade para todos.

Estamos comprometidos com o recente “Pacto pela vida e pelo Brasil”, da CNBB e entidades da sociedade civil brasileira, e em sintonia com o Papa Francisco, que convoca a humanidade para pensar um novo “Pacto Educativo Global” e a nova “Economia de Francisco e Clara”, bem como, unimo-nos aos movimentos eclesiais e populares que buscam novas e urgentes alternativas para o Brasil.

Neste tempo da pandemia que nos obriga ao distanciamento social e nos ensina um “novo normal”, estamos redescobrindo nossas casas e famílias como nossa Igreja doméstica, um espaço do encontro com Deus e com os irmãos e irmãs.

É sobretudo nesse ambiente que deve brilhar a luz do Evangelho que nos faz compreender que este tempo não é para a indiferença, para egoísmos, para divisões nem para o esquecimento (cf. Papa Francisco, Mensagem Urbi et Orbi, 12/4/20).

Despertemo-nos, portanto, do sono que nos imobiliza e nos faz meros espectadores da realidade de milhares de mortes e da violência que nos assolam. Com o apóstolo São Paulo, alertamos que “a noite vai avançada e o dia se aproxima; rejeitemos as obras das trevas e vistamos a armadura da luz” (Rm 13,12).

O Senhor vos abençoe e vos guarde. Ele vos mostre a sua face e se compadeça de vós.
O Senhor volte para vós o seu olhar e vos dê a sua paz! (Nm 6,24-26).

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Traços rápidos de tristeza (Paulo Abreu)


É verdade que amo você!
tendo lógica ou não
dentro das memórias
ninguém percebe as
sementes da solidão

E sempre haverá
o porém perpétuo
o dolo purgatório
pelos séculos dos séculos
a crucificar a razão

Termos de conduta
acordos espúrios
carmas protelatórios
não cabem mais 
entre minhas emoções

É isto aí



quinta-feira, 23 de julho de 2020

Luiz



Quando nasci já havia um par de irmãos em casa e depois de mim veio mais um par. Fiquei ali, no meio, ora na turma mais velha, ora na turma mais nova. Infância em casa com quintal era uma disneylandia com muito mais fantasias. Cada um tinha sua árvore, cada um seu canto e seus sonhos.

Neste momento que escrevo me despeço do meu irmão primogênito, e cá para nós, toda morte é prematura, todo mundo morre antes do tempo e todo mundo vai embora qualquer dia destes. É a inevitabilidade única da vida, passar pela morte para atingir o céu. Eu creio nisto. 

Então esta postagem é para o Luiz, que viveu intensamente, de uma forma reta, a vida. Combateu o bom combate e agora o tempo nesta dimensão terminou aos poucos, devagar, numa enfermidade estranha, como são estranhas todas as formas de adoecer.

Não vou estender, não vou procurar palavras que toquem a alma das pessoas, nada isto agora vai locupletar o vazio que sua vida entre nós deixa. Tudo valeu apena, agora é com a Eternidade, a vida semeada aqui deverá ter frutos já a aguarda-lo nesta noite.

Como este blog vai além da minha existência, tem como interesse ser um legado de parte da minha história, registro aqui estas palavras. Um abraço, adeus e até breve, meu irmão!

É isto aí 

Espera, espera: Abaixo mesmo texto revisado em 24/janeiro/2026, sem a pressão emocional:

Quando nasci, já havia um par de irmãos em casa, e depois de mim veio mais um par. Fiquei ali, no meio, ora na turma mais velha, ora na turma mais nova. Infância em casa com quintal era uma disneylândia com muito mais fantasias. Cada um tinha sua árvore, cada um seu canto e seus sonhos.

Neste momento em que escrevo, me despeço do meu irmão primogênito, e cá para nós: toda morte é prematura, todo mundo morre antes do tempo, e todo mundo vai embora qualquer dia destes. É a inevitabilidade única da vida — passar pela morte para atingir o céu. Eu creio nisto.

Então, esta postagem é para o Luiz, que viveu intensamente, de uma forma reta, a vida. Combateu o bom combate e, agora, o tempo nesta dimensão terminou, aos poucos, devagar, em uma enfermidade estranha, como são estranhas todas as formas de adoecer.

Não vou me estender, não vou procurar palavras que toquem a alma das pessoas; nada disso agora vai locupletar o vazio que sua vida entre nós deixa. Tudo valeu a pena; agora é com a Eternidade — a vida semeada aqui deverá ter frutos que já a aguardam nesta noite.

Como este blog vai além da minha existência e tem como interesse ser um legado de parte da minha história, registro aqui estas palavras. Um abraço, adeus e até breve, meu irmão!

É isto aí.

terça-feira, 21 de julho de 2020

Amavisse (Hilda Hilst)


Como se te perdesse, assim te quero.
Como se não te visse (favas douradas
Sob um amarelo) assim te apreendo brusco
Inamovível, e te respiro inteiro

Um arco-íris de ar em águas profundas.

Como se tudo o mais me permitisses,
A mim me fotografo nuns portões de ferro
Ocres, altos, e eu mesma diluída e mínima
No dissoluto de toda despedida.

Como se te perdesse nos trens, nas estações
Ou contornando um círculo de águas
Removente ave, assim te somo a mim:
De redes e de anseios inundada.


Um pouco sobre a grandiosa Hilda Hilst:

Uma das maiores escritoras da literatura brasileira, aos poucos Hilda Hilst (1930-2004) vem sendo descoberta recentemente pelos leitores do seu país. Provocadora, polêmica, questionadora, autora de prosa e poesia, a escritora ficou especialmente conhecida pelos seus versos apaixonados.

Os versos acima compõem a parte II de uma série de vinte poemas publicados em 1989 sob o título Amavisse. A lírica amorosa de Hilda Hilst, até então pouco conhecida pelo grande público, foi lançada pelo selo Massao Ohno. Mais tarde, em 2001, Amavisse foi reunido com outros trabalhos e acabou por ser publicado numa antologia chamada Do desejo.

O título do poema acima já chama a atenção do leitor, Amavisse é uma palavra latina que, se traduzida, quer dizer "ter amado". De fato, os versos retratam uma paixão profunda, com uma entrega sem fim por parte do eu-lírico.

A composição de Hilda Hilst é altamente erótica, basta reparar nas expressões sensuais utilizadas como "assim te apreendo brusco", "te respiro inteiro". Há um excesso, uma violência, um desejo de posse, de trazer o outro para capturá-lo.

É interessante observar que o poema carrega os três elementos essenciais: fogo, ar e água. O fogo pode ser lido no verso "favas douradas sob um sol amarelo”; o ar e a água são encontrados no trecho “um arco-íris de ar em águas profundas”.

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Cruzando a linha amarela


Jurou nunca mais ultrapassar a linha amarela do bom senso e das palavras, sobretudo, mas aquilo era um destes  juramentos mais sofridos que alguém faz a outrem que ama. A moça impôs que a partir de então deveriam conversar como membros da realeza britânica, com muita pompa e palavras polidas. Como em pleno século XXI uma pessoa pede uma coisa destas? - pensava em tempo integral.

Teve que se reinventar, falar de coisas da natureza, do universo e das lembranças que os uniam. Aquilo deveria ser um abatimento para galgar pontos no céu, só podia ser isto, refletia sempre nas suas orações - olha aqui Jesus, ajuda aí, fala com ela que ser polido em tempo integral, não falar palavras que referem à intimidade do casal, nem palavras de duplo sentido, está difícil,  muito difícil.

Imaginou-se num ambiente de serviço público qualquer, retido por uma faixa amarela no chão, com uma placa em letras imensas - não ultrapasse a faixa amarela para a sua segurança. Inibido e para não provocar constrangimento, não ultrapassava mas também não falava tudo que queria. Daí a ideia de fazer um código secreto, mas faltou avisar, foi quando ela achou aquilo tudo muito estranho, e a ideia naufragou na origem.

Então refletiu bastante e procurou utilizar de ferramentas simples, nada de códigos secretos. Intuiu que o melhor era pensar em outra coisa, num código Morse, talvez. 
Assim ao dizer "Você é uma delícia", bateria sobre a mesa:

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ou então a descrição preferida dele para enaltecer aquele corpo maravilhoso:: 

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Viu que não dava certo, esquecia algumas letras e ela achava que estava com TOC. Desistiu do código, mas as palavras ficaram. Assim fez um pequeno dicionário picante para passar por debaixo da faixa amarela.

Quando a chamava de Canela, estava na realidade querendo dizer que além de ser deliciosa e ardente, ela também acelerava seu metabolismo. 

Ao compara-la ao Cardamono, significava que ela era a promotora do seu equilíbrio vital.

Pimenta Chili, hummmm, estava dizendo que conforme ela aumentava sua energia, ela o fazia ir mais devagar, inspirando-o a repetir pelo menos três vezes, de uma forma mais saudável.

Se a chamasse de Pimentinha Preta, uau, queria dizer ela promovia nele uma complexa trama metabólica capaz de ajudar a reduzir o tamanho da cintura, a gordura corporal e otimizar os níveis de colesterol. 

Quando se referia a ela como Pimenta Caiena, era pela sua capacidade termogênica, ou seja, sabia como fazer tudo na temperatura certa, e tem lá o refino da sua ardência, mas também promove a queima de gordura em até 16%.. Não tem nada igual.

E ao chamá-la de minha Malaguetinha, levava em consideração os poderes cardiovasculares elevados da danada. Com o tempo, aquilo não deu muito certo, pois, apesar do gosto e do sabor que permitia degustar, virou rotina, e eu já não conseguia refinar meu glossário elucidativo.

No fim das contas, nada daquela fantasia de códigos e metáforas surtiu o efeito desejado. As palavras picantes e saborosas que inventei para driblar a faixa amarela mais confundiam do que clareavam. Fiquei com a lição de que não há atalho para a linguagem do afeto: é preciso coragem para dizer o que se sente, e tempo para aprender a dizê-lo com gentileza e verdade. Assim, sigo aprimorando meu vocabulário — e minha ousadia

É isto aí!

domingo, 19 de julho de 2020

Ah! Moça! (Paulo Abreu)


Tem o destino certo 
que se trata daquele 
que estava escrito 
e tem o destino errado, 
que simplesmente se trata
daquele que a gente escreve 
e insiste permanecer nele.

Ah! Moça!
eu sou o sujeito oculto
do coração constrito
num tempo colapsado
pelo que a vida retrata
àquele que se atreve
a abrir mão da liberdade.

Ah! Moça!
experiências não contam
aventuras se perderam
sorrisos se foram
e ficou a dor do rito
de todo dia saber que
o destino certo era a felicidade.

É isto aí!


sexta-feira, 17 de julho de 2020

Eu te amo (Chico Buarque/Tom Jobim)



Eu te amo
(Tom Jobim & Chico Buarque)

Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir

Se, ao te conhecer, dei pra sonhar fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir

Se nós, nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir

Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu

Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu

Como, se nos amamos feitos dois pagãos
Teus seios inda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair

Não acho que estás só fazendo de conta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Me conta agora como hei de partir 


Fonte Youtube: Eu Te Amo 
Cantora: Maria Beraldo (é cantora, compositora e clarinetista brasileira)
Autores: Chico Buarque e Tom Jobim - foram parceiros de algumas canções inesquecíveis. Uma das principais é “Eu Te Amo”. Lançada em 1980, esta música romântica expunha os dramas de um amante desesperado na hora do término da relação. Como seguir em frente após uma tórrida paixão? 
Fonte da Imagem: Alto Astral 




quarta-feira, 15 de julho de 2020

Capela da Paz Perpétua de Adoração do Santíssimo Sacramento em Niepokalanów - Polônia

12 estrelas na coroa de Maria Rainha da Paz

O trabalho de criação da Capela da Paz Perpétua de Adoração do Santíssimo Sacramento em Niepokalanów foi iniciado em 2017. A criação da Capela foi durante muitos anos o desejo do mosteiro e da comunidade paroquial, bem como dos peregrinos que visitavam este lugar especial. Inicialmente, esperava-se que fosse uma capela que servisse às comunidades e peregrinos locais. Começou o trabalho de design, encomendando o altar ao estúdio Drapikowski de Gdańsk. 

O conceito do altar surgiu em 1934, através de uma visão do Padre Kolbe, em missão no Japão..

No entanto, a providência de Deus tinha outros planos. Em 2017, a carta de Padre Kolbe, hoje santificado como São Maximiliano e descreveu no contexto da carta, o desenho do altar resultante. Já em 1934 era um homem santo. O padre Kolbe escreveu do Japão para a Polônia: "Imagino a bela figura da Virgem Imaculada em um grande altar, e contra ela um Ostensório na exposição aberta do Santíssimo Sacramento".

Essa era a forma do desenho conceitual do altar. Este evento extraordinário foi o motivo direto pelo qual a Associação Communita Regina della Pace propôs em novembro de 2017 que a oitava estrela encontrasse seu lugar em Niepokalanów. O padre provincial Wiesław Pyzio concordou com isso. O projeto foi iniciado, o que exigiu uma série de obras e emprego de muitos empreiteiros, e a capela teve que ser organizada do zero, porque a sacristia já havia estado nesta sala antes. Os trabalhos eram complicados e difíceis, porque não podiam perturbar as missas e os serviços realizados na basílica.

No entanto, nenhum trabalho material era a essência da empresa. Seu principal objetivo, realizado com total determinação, era construir uma capela espiritual no coração das pessoas. Desde o início, a base do empreendimento era a oração, a oração altruísta oferecida pelo coração. Especialmente os paroquianos da Ordem Imaculada, mas também o apoio de pessoas de todo o país e até do mundo. O objetivo comum de buscar a paz no coração das pessoas uniu todos.

Paralelamente, foram coletadas intenções de todos os doadores, que foram cuidadosamente coletados, acondicionados em cassete de aço e colocados nos degraus do altar de adoração. Essas intenções, orações e ações de graças permanecerão aqui para sempre, como um sinal de fé das pessoas envolvidas neste empreendimento. É também o maior presente para as gerações que farão seus pedidos nesta capela. 

Por fim, a intenção foi orar por aqueles que orariam na capela. Como escreveu Padre Kolbe: "quem olha para a igreja, cai de joelhos, adora, olha para o rosto da Virgem Imaculada, vai embora e lida com o Senhor Jesus".

A essência da oração pela paz é a sua continuidade no mundo, independentemente do fuso horário, local e circunstâncias. A oração é fluir constantemente e mudar o coração das pessoas, para que elas sejam cheias de paz. O Senhor diz: Eu darei a você um novo coração e um novo espírito, darei a você um coração de pedra e darei a você um coração de carne. Ezek 36.26.

Mais informações em: kaplica.niepokalanow.pl
Facebook: www.facebook.com/kaniepokalanow

Se a imagem da Adoração ao Santíssimo Sacramento desaparecer, entre em contato conosco por e-mail:
redakcja@ewtn.pl
ou pelo telefone +48 575 935 777

#Perpetualadoration #Adoração #SaintMaximilian

domingo, 12 de julho de 2020

Eu amo você! (Paulo Abreu)


Dentro da flor
estames e carpelos
fazem a vida protegida
por sépalas e pétalas

Assim como  você
tem consigo a lida
de zelar e transformar
a vida em coisas belas

Eu amo você
sua presença singular
sua magia benfazeja
 sua rara candura

Deleito em abraçar
seu corpo, sua alma
seu coração cálido
e degustar sua doçura

Você é uma delícia
uma obra de arte
graciosa na moldura 
do nosso amor.

(Paulo Abreu)

É isto aí!