terça-feira, 28 de setembro de 2021
Amo-te muito (João Chaves)
Poemeto Erótico (Manuel Bandeira)
quinta-feira, 23 de setembro de 2021
Mineirêses
terça-feira, 21 de setembro de 2021
Mulherão (Martha Medeiros)
segunda-feira, 20 de setembro de 2021
Noite cheia de estrelas (Cândido Neves)
domingo, 19 de setembro de 2021
Paulo Freire, o mentor da Educação para a consciência
sábado, 18 de setembro de 2021
A revolta das crases
quarta-feira, 15 de setembro de 2021
A síndrome do bonzinho (Bondadismo)
Enterre o seu futuro do pretérito numa vala comum
Bem que eu queria
Bem que eu gostaria
Bem que eu faria
Bem que eu poderia
segunda-feira, 13 de setembro de 2021
Cinco reversos pela sua boca
sexta-feira, 10 de setembro de 2021
Eu posso ser sincero?
Sim, Maria, muito importante.
Então fala logo, que estou impaciente
Mas eu posso ser sincero?
Ser sincero? Como assim? Você geralmente não é sincero?
Sou, sempre, mas preciso que você não fique nervosa.
Já está me dando nos nervos, fala logo.
Melhor que não, hoje não seria um bom dia.
E tem bom dia para ser sincero, Bernardo?
Não é isto, apenas sei lá, não tem clima.
Você é um idiota, entendeu?
Mas o que é isto, Maria?
Um banana, um tomate de xepa, um chuchu passado.
Você é muito grossa quando quer, hem!?
Grossa? Você está me chamando de gorda? É isto?
Gorda? Como assim? Nunca comentei sobre isto.
Então é verdade. Nem desmente. Babaca. Adeus
Espera, Maria!! Espera!! Puxa vida, eu ia dizer que amo ...
É isto aí!
A maçã do amor
Lembrou do dia que deu a ela uma maçã grande, saborosa e vermelha. Ela olhou para a maçã com os olhos de Eva e mordeu os lábios. Sem saber o que falar diante de uma situação inesperada onde a outra parte fez o que desejava, mas não acreditava que fosse possível, olhou-a no fundo os olhos e lascou a pergunta mais idiota que poderia sair de uma mente débil:
- Você sabia que a maçã é um pseudofruto e por isto seu desenvolvimento dá-se num tecido vegetal adjacente à flor que sustenta o fruto, de forma que este se assemelhe em cor e consistência a um fruto verdadeiro que, por definição, é proveniente do desenvolvimento do ovário?
A moça, tomada pela fúria da sororidade ovariana, em completa desolação, fulminou-o com os olhos envenenados pela maçã, deu meia volta e a levou. Nunca soube se ela ao menos dera uma mordida. E ele ficou lá, como um descendente adâmico, a culpá-la por tudo que se deu depois que sumiu no caminho inseguro do destino.
Checou no relógio da torre da igreja e viu que o tempo transgredira a lei da obviedade. Passaram trinta anos e ainda aguardava a volta da moça com a maçã na mão. Colocou as mãos no bolso da blusa, encolheu os ombros e partiu na esperança de encontrar outro amanhã.
É isto aí!
Não tenho tempo
quinta-feira, 9 de setembro de 2021
Relacionamentos abusivos contra as mulheres
Este texto não é meu
Confesso que copiei e colei
Fonte: Matheus Adler - Jornal Estado de Minas
O coração risonho (Charles Bukowski)
Sua vida é sua vida
Não deixe que ela seja esmagada na fria submissão.
Esteja atento.
Existem outros caminhos.
E em algum lugar, ainda existe luz.
Pode não ser muita luz, mas
ela vence a escuridão
Esteja atento.
Os deuses vão lhe oferecer oportunidades.
Reconheça-as.
Agarre-as.
Você não pode vencer a morte,
mas você pode vencer a morte durante a vida, às vezes.
E quanto mais você aprender a fazer isso,
mais luz vai existir.
Sua vida é sua vida.
Conheça-a enquanto ela ainda é sua.
Você é maravilhoso.
Os deuses esperam para se deliciar
em você.
Fonte do Poema: Cultura Genial
Tradução e análise do poema: Carolina Marcello
Em vez dessa aceitação passiva da vida, lembra que existe a possibilidade de seguir "outros caminhos" e repete sobre a necessidade de estar "atento" e não alienado ou desligado de tudo.
Apesar das dificuldades do mundo real, o sujeito acredita que existe ainda uma réstia de luz, um raio de esperança que "vence a escuridão".
Vai mais longe, afirmando que "os deuses" vão ajudar, criando as oportunidades, e que cabe a cada um reconhecê-las e aproveitá-las. Mesmo sabendo que o fim é inevitável, sublinha que é necessário assumirmos as rédeas do nosso destino enquanto temos tempo, "vencer a morte durante a vida".
Demonstra ainda que o esforço para ter uma visão positiva da realidade pode ajudar a melhorá-la e que quanto mais tentarmos, "mais luz vai existir". Os dois versos finais, contudo, relembram a urgência desse processo. A vida está passando e os mesmos deuses que nos amparam agora, vão nos devorar no final, como Cronos, deus do tempo na mitologia grega, que comia seus filhos.
Mormaço de primavera (Thiago de Mello)
Entre chuva e chuva, o mormaço.
A luz que nos entrega o dia
não dá ainda para distinguir
o sujo do encardido,
o fugaz, do provisório.
A própria luz é molhada.
De tão baça, não me deixa
sequer enxergar o fundo
dos olhos claros da mulher amada.
Mas é com esta luz mesmo,
difusa e dolorida,
que é preciso encontrar as cores certas
para poder trabalhar a Primavera.
"Mormaço de Primavera"- poema de Thiago de Mello- (in "Poesia Comprometida com A Minha & a Tua Vida"-1975)- musica de Daniel Taubkin - gravado no Estudio Som da Gente (B), em dois canais analogicos, em janeiro de 1982
voz & violão: Daniel Taubkin
photo video & upload: Daniel Taubkin & Xandugo
"O poeta amazonense Amadeu Thiago de Mello, no poema "Mormaço de Primavera", chama atenção para os valores simples da natureza humana, principalmente, a esperança, porque, apesar dos pesares, devemos sempre continuar, mesmo que ainda seja difícil distinguir "o sujo do encardido,/ o fugaz, do provisório", temos que avançar, temos que lutar, tendo em vista "que é preciso encontrar as cores certas/ para poder trabalhar a primavera".
Fonte do poema: notaterapia
Sobre o poeta: Thiago de Mello:
Escritor e tradutor amazonense, com obras traduzidas para mais de trinta idiomas, Thiago de Mello, é conhecido também como o poeta da floresta. Sua escrita é comprometida com as causas sociais e ambientais, especialmente, a conservação da Amazônia.
Perseguido durante o regime militar no Brasil, exilou-se no Chile por dez anos, porém não abandonou a escrita. Dentre suas obras mais conhecidas estão: Faz escuro mas eu canto (1965), A canção do amor armado (1966), Poesia comprometida com a minha e a tua vida (1975), Os estatutos do homem (1977) e Mormaço da floresta (1984). Em 1975, o livro Poesia comprometida com a minha e a tua vida foi premiado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte. Essa premiação possibilitou que o escritor fosse reconhecido internacionalmente como um intelectual engajado na luta pelos direitos humanos.



















