segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

‘Bella Ciao’, o hino da liberdade e da resistência


Imagem: Partisans em Milão depois da libertação do fascismo.
Fonte: El País

Bella ciao é uma canção popular italiana, provavelmente composta no final do século XIX. Na sua origem, teria sido um canto de trabalho das Mondine, trabalhadoras rurais temporárias, em geral provenientes da Emilia Romagna e do Veneto, que se deslocavam sazonalmente para as plantações de arroz da planície Padana. 

Mais tarde, a mesma melodia foi a base para uma canção de protesto contra a Primeira Guerra Mundial. Finalmente, a mesma melodia foi usada para a canção que se tornou um símbolo da Resistência italiana contra o Fascismo durante a Segunda Guerra Mundial.


A versão partigiana Wikipédia

Una mattina mi sono svegliato,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
Una mattina mi sono svegliato,
e ho trovato l'invasor.

O partigiano, portami via,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
O partigiano, portami via,
ché mi sento di morir.

E se io muoio da partigiano,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
E se io muoio da partigiano,
tu mi devi seppellir.

E seppellire lassù in montagna,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
E seppellire lassù in montagna,
sotto l'ombra di un bel fior.

Tutte le genti che passeranno,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
Tutte le genti che passeranno,
Mi diranno «Che bel fior!»

«È questo il fiore del partigiano»,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
«È questo il fiore del partigiano, morto per la libertà!»


Tradução Wikipedia

Acordei de manhã
Minha querida, adeus, minha querida, adeus, minha querida, adeus! Adeus! Adeus!
Acordei de manhã
E deparei-me com o invasor

Ó resistente, leva-me embora
Minha querida, adeus, minha querida, adeus, minha querida, adeus! Adeus! Adeus!
Ó resistente, leva-me embora
Porque sinto a morte a chegar.

E se eu morrer como resistente
Minha querida, adeus, minha querida, adeus, minha querida, adeus! Adeus! Adeus!
E se eu morrer como resistente
Tu deves sepultar-me

E sepultar-me na montanha
Minha querida, adeus, minha querida, adeus, minha querida, adeus! Adeus! Adeus!
E sepultar-me na montanha
Sob a sombra de uma linda flor

E as pessoas que passarem
Minha querida, adeus, minha querida, adeus, minha querida, adeus! Adeus! Adeus!
E as pessoas que passarem
Irão dizer-me: «Que flor tão linda!»

É esta a flor do homem da Resistência
Minha querida, adeus, minha querida, adeus, minha querida, adeus! Adeus! Adeus!
É esta a flor do homem da Resistência
Que morreu pela liberdade


domingo, 18 de dezembro de 2022

O Mago da Pitangueira - o que esperar de 2023


2022, como é do conhecimento de todos, está vivo, em fase terminal. Que agonia foi este ano, Teve Copa, sim, teve copa com Argentina levantando a taça, teve eleição, sim, teve eleição, que ainda não acabou para uma parcela autodenominada inconspurcada, que acredita viver, sobreviver e sobrenadar com verve por sobre a choldra.

Ao pé da Pitangueira, dentro desta maré de eventos, trás as probabilidades, profecias e revelações do famoso Mago, para 2023. Foi para isto que subi mais uma vez o Monte da Sabedoria, onde habita o sábio, para buscar suas palavras .

- Diga-me, Mestre, 2023 é o início do fim?

- Vocês sempre no pragmatismo para com o tempo. 

- Como assim, Mestre?

- Em vez de verificar teses antitéticas que possam ascender uma verdade, vocês buscam fatos particulares que venham a refutar a realidade.

- Isto é um sim, Mestre?

- Meu caro rapaz, você há anos vem buscar o futuro, e o que posso afirmar é apenas que o paradigma do tempo de amanhã não é superior ao presente e nem aos tempos anteriores. Apenas atende às necessidades do período histórico ao qual os interessados, os interesses coletivos e o poder estão buscando.

- Mas e as guerras, Mestre?

-Meu filho, não existe mundo sem guerras, luta-se por tudo desde priscas eras. Se motivos faltarem, serão fabricados. O mundo é e sempre foi um eterno insatisfeito, de maneira que nem sildenafila, espalhada aos milhares pelas tropas, será capaz de conter esta pulsão da morte, que por mais paradoxal que seja, favorece a ideia de uma dinâmica psíquica de tipo biológico e inato, que faz do conflito psíquico um conflito de ordem instintiva e insuperável.

- Mestre, e as pragas?

- A vida é mutante em tempo integral, mas nós, estes seres magníficos, inteligentes e iluminados queremos que tudo seja imutável, mesmo quando exploramos os solos cada vez com agentes mais tóxicos e poderosos, poluímos as águas, desaguando nos oceanos overdoses de tânatos. E tem a indústria cosmecêuitca, a indústria alimentícia, a indústria farmacêutica, a indústria da moda, a indústria automobilística, fora as ciências das quais vocês nem conseguem imaginar que existem.

- Mestre, qual a mensagem o senhor pode nos dar como conforto para 2023?

- Assim foi dito e está escrito por Mateus: Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado.

É isto aí!


quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

Estar lá ou não estar (Stefano Re)


Alto lá
Este texto não é meu
Confesso que copiei e colei
Autor: Stefano Re
Fonte: Blog de Stefano Re (esserci-o-non-esserci)
Tradução: Informação Incorrecta (Português Portugal)
Revisão: Ao Pé da Pitangueira (Português Brasil)

Artigo de Stefano Re. 

Uma das correntes de pensamento que prevalece na orgia inconsciente do sentido de culpa que a maioria das sociedades industrializadas têm vindo a perseguir há algumas décadas consiste na demonização do ego. Nesta perspectiva, satisfazer-se torna-se roubar, afirmar as nossas próprias necessidades torna-se prejudicial para a sociedade, amar a si próprio torna-se narcisismo patológico. Em essência, o egoísmo é retratado como o mal absoluto, o egocentrismo como uma doença social generalizada.

Esta deriva atinge as suas extremas manifestações sob a forma de condenação da afirmação dos nossos próprios direitos, que é catalogada como não-conformidade social e criminalizada como “dissidência”. E é assim que a razoável e útil crítica ao excessivo egocentrismo, superficial e filho da moda, torna-se a sacralização do conformismo e o apagamento da identidade.

O normal não existe

Façamos uma premissa lógica: a normalidade nada mais é do que uma linha mediana baseada na percepção do grupo. Por outras palavras: nem sequer é a maioria que realmente define o que é “normal”, mas a mera percepção da maioria. Em suma, se é feito acreditar que todos pensam de uma certa maneira, torna-se normal pensar daquela maneira. 

Esta é uma operação em que os meios de comunicação social se tornaram particularmente hábeis. Foi assim que aconteceu que há cem anos atrás se tornou tão rapidamente “normal” denunciar às SS uma família desesperada escondida num teto falso, e foi assim que aconteceu que há algumas semanas atrás se tornou “normal” poder entrar num ônibus, ou poder trabalhar apenas com um passe cronometrado.

Não pode oferecer o que não tem

O primeiro e fundamental obstáculo desta narrativa social é que, como a lógica mostra, não se pode oferecer algo sem o possuir. Se te ofereço uma casa que pertence a outra pessoa, o meu ato é nulo e chama-se fraude. Como podemos então pretender partilhar, na esfera social, as nossas competências, o nosso valor, a nossa contribuição, sem antes possui-las plenamente? Esta indicação mostra como é importante também do ponto de vista social tomar consciência e assim estabelecer a nossa propriedade individual dos nossos processos, das nossas existências, do nosso valor.

Antes dentro do que fora

Qualquer pessoa que dedique tempo a observar a si próprio, as suas ações, escolhas ou pensamentos, descobrirá inevitavelmente quantas vezes o que criticamos “fora” de nós próprios se relaciona com aspectos não resolvidos e dolorosos “dentro” de nós próprios. Os exemplos são infinitos e é preciso muito pouco para compreender este mecanismo a que a psicologia chama de “projeção”. 

Projetamos nos outros, fora de nós próprios, tudo aquilo que não podemos suportar ou que nos assusta por dentro, aquelas partes de nós próprios que culpamos, rejeitamos e condenamos. Mais ainda, precisamos de desprezar os outros para obscurecer a nossa visão desses aspectos dentro de nós próprios. Nesta óptica, qualquer pessoa num caminho de auto consciencialização entende que cada murro dado a alguém era na realidade um murro dado a ele mesmo.

Amar a si próprio

A reconciliação com aquilo que tentamos não ver e reconhecer dentro de nós próprios é a forma de encontrar o equilíbrio interior, de deixar de olhar para fora de nós próprios para culpar e responsabilizar, de começar a retomar as nossas vidas físicas, mentais e até espirituais. 

Quando reconhece em você mesmo o que odiava nas outras pessoas, quando se reconcilia com isto dentro de você, deixa também de odiar fora de você. Recupera finalmente a posse de si próprio, das suas decisões, do seu valor e, finalmente, é capaz de trazer tudo como contribuição social. Isto é o “como” e o “porquê” a reapropriação da sua existência é a base para a construção de uma vida social adulta e responsável.

O poder está sobre nós próprios

A sociedade em que vivemos imersos leva-nos a julgar sempre e apenas fora de nós próprios: são os outros que provocam, irritam, iniciam, causam, cometem erros. Tudo está lá fora, fora do nosso alcance. Coerentemente, o poder é identificado como a capacidade de impor uma vontade aos outros. 

Definimos como poderosos aqueles que podem impor as suas escolhas e decisões aos outros. A simples realidade é que ninguém pode impor nada a ninguém: só podemos impor algo a nós próprios. Nós estamos sempre livres, mesmo sob a forma mais severa e opressiva de pressão. Podem apontar-lhe uma arma à cabeça, mas ainda cabe a você decidir obedecer ou desobedecer às ordens que recebe. A escolha é sempre sua.

Focalizar este poder, esta força, restabelece o equilíbrio de cada fator e coloca tudo de novo no seu lugar efetivo. Se alguém ameaçar-lhe, essa é uma escolha dele, não sua. Mesmo que ele lhe mate, a escolha continua a ser dele, diz-lhe respeito, não sua. A sua escolha, o seu poder, é decidir o que fazer. E este poder é absoluto: você é o seu próprio Deus.

O bem de ninguém

Especularmente, e exatamente como no caso do poder, as responsabilidades também são percebidas e representadas sempre em relação aos outros. Lá “fora”, novamente: longe do nosso alcance e da nossa decisão. A soma deste processo é a ascensão do conceito de “o bem de todos”, sacralizado ao ponto de desvincular-se do bem individual e até tornar-se perceptualmente o oposto, como se os dois só pudessem estar em competição. 

No entanto, como pode haver um bem “de todos” que prejudica o bem individual? O “bem de todos” é uma linha mediana das necessidades de todos, por definição não existe exceto em teoria, enquanto que o bem do indivíduo é real. Sacrificar o bem individual, que é real, para o bem coletivo, que é teórico, cria o paradoxo absoluto em que, para o “bem de todos”, o mal pode ser imposto a todos. É assim que o “bem de todos” se torna o bem de ninguém ou, mais concretamente, o bem daqueles que decidem para todos os outros.

O poder é responsabilidade

A recuperação da responsabilidade em relação a nós mesmos coincide com a recuperação do poder absoluto sobre nós próprios. Voltando à situação extrema apresentada acima: a responsabilidade da pessoa que aponta a arma à sua cabeça é decidir se deve premir esse gatilho. Poder dele e responsabilidade dele, pelos quais ele deve responder em primeiro lugar a si próprio. A sua responsabilidade, por outro lado, é a de decidir como se comportar. Poder e responsabilidade pelos quais deve responder primeiro a si mesmo.

Isto é exatamente o contrário das nossas experiências de vida, nas quais já não somos capazes de agir: fingimos transferir o poder e a responsabilidade das nossas escolhas, das nossas ações, para fora de nós. Ao fazê-lo, ficamos impotentes e desenvolvemos a necessidade de uma figura parental, um guia, um pai, um especialista: alguém que assuma o poder e a responsabilidade sobre as nossas vidas, em nosso nome.

Somos todos especiais

Mas se estamos tão habituados a renunciar a este poder, como podemos recupera-lo? Todos nós temos noções de pessoas que pensamos serem tão especiais, que frequentemente chamamos como grandes mestres, e todos eles são indivíduos que demonstraram conseguir combinar o seu poder sobre eles próprios com a responsabilidade para com eles próprios, tendo assim um impacto decisivo através do seu mero exemplo na vida dos outros. Pessoas como Gandhi, ou Buda, ou Jesus.

No entanto, o que eles implementaram está ao alcance de cada um de nós. E a forma de lá chegar é simples. Não são precisos cursos ou livros ou iniciações divinas: só é preciso observar-se a si próprio de forma honesta e decisiva. Basta parar, sempre que possível, e perguntar-se: o que estou a fazer neste momento? O que me levou a fazer isto? A qual minha necessidade isto responde?

Esta simples abordagem coloca-nos de novo “em presença”, faz-nos compreender que somos nós que podemos sentar-nos no cockpit das nossas vidas, se assim o desejarmos. E lembra, sempre, que se estamos presentes naquele momento, então todo o resto do tempo não estamos. Todo o resto do tempo obedecemos a regras que não lembramos, perseguimos necessidades que não escolhemos, cedemos a outros o poder e a responsabilidade das nossas existências. Durante o resto do tempo, enquanto as nossas vidas fluem, nós não estamos presentes. Então, quanto das nossas vidas passa sem a nossa presença real?

O formigueiro

Focando quanto acima exposto, é evidente em que direção a sociedade em que nascemos nos está a conduzir de uma forma cada vez mais explícita e forçada. Através da demolição controlada de tradições, religiões, culturas, economias, garantias, direitos e mesmo identidades sexuais, estão a conduzir-nos à perda de toda a autonomia, toda a individualidade, todo o poder e responsabilidade em relação a nós próprios, para uma cessão total da soberania mental, física e existencial em favor de entidades terceiras, abstratas e teóricas. 

É a sociedade do formigueiro, na qual cada indivíduo não tem uma função, mas é uma função. Em que tudo se curva em prol da otimização do sistema, para o incessante progresso coletivo. Nele o ego é o mal absoluto e a sua demolição é o caminho para o “brilhante” futuro decidido pelos poucos escolhidos que lideram o rebanho, a manada, o enxame. E aqui está a multiplicação das figuras parentais: os guias, os peritos, os especialistas que decidem por todos, a quem todos entregam a sua própria existência.

A oferta do formigueiro

O que oferece o formigueiro em troca deste caminho de obediência? Muitas coisas. Oferece segurança, ou pelo menos a percepção de segurança, através de símbolos e narrativas que, por muito irreais que sejam, tranquilizam e anestesiam os sintomas de uma profunda angústia existencial. 

Oferece grande conforto, tecnologias cada vez mais refinadas e agradáveis. Oferece a satisfação não só de necessidades básicas, mas também de entretenimento em todas as suas formas, desde jogos de vídeo a séries de televisão e desporto vivido por procuração através do ecrã. 

Mas acima de tudo, oferece uma libertação cada vez mais total da responsabilidade de decidir qualquer aspecto da própria existência. Paradoxalmente, a maior oferta coincide precisamente com a maior sanção: escolher obedecer significa renunciar a todo o poder, mas também renunciar a toda a responsabilidade.

Estar ou não estar

Eis, então, o valor e a oportunidade única que estes tempos difíceis e dolorosos estão a oferecer. Através de todos estes traumas, estes choques perceptivos, estão a abrir-se para um número cada vez maior de pessoas as oportunidades de recuperar a própria existência, a própria consciência, o próprio poder, 

E, como espécie, quando um número suficiente de pessoas tiver amadurecido esta consciência, abre-se inevitavelmente a era de uma sociedade de adultos, para adultos, individualmente responsáveis e presentes. Uma oportunidade evolutiva, portanto, que é primária e necessariamente individual, e que ninguém pode implementar para ninguém a não ser para si próprio. Recuperar a nossa própria individualidade, singularidade. O nosso próprio poder, a nossa própria responsabilidade. Estar presente.



quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

"Too Young" e sua versão "Em Flor"


Música: Too Young
CompositoresSidney Lippman, Sylvia Dee
Too Young · 195729440852
Too Young
℗ Planet Blue Records USA
Released on: 1995-01-01
Auto-generated by YouTube.

Too Young

They try to tell us we're too young
Too young to really be in love
They say that love's a word
A word we've only heard
But can't begin to know the meaning of

And yet we're not too young to know
This love will last though years may go
And then some day they may recall
We were not too young at all

Tradução Ao pé da Pitangueira:

Eles tentam nos dizer que somos muito jovens
muito jovens para estarmos realmente muito apaixonados
dizem que o amor é apenas uma palavra
uma palavra que apenas ouvimos
mas não podemos entender seu significado

Porém não somos tão jovens para sabermos
que este amor vai durar para sempre
e então um dia eles recordarão 
que não éramos assim tão jovens



Fonte Youtube: Nat King Cole Too Young 


Música: Em Flor (Versão de Too Young)
Music video by Simone performing Em Flor (Too Young) (Áudio Oficial). (C) 1986 Sony Music Entertainment (Brasil)
Compositores: Sidney Lippman, Sylvia Dee
CantoraSimone 
Licenças: SME (em nome de Sony Music Entertainment); Abramus Digital, LatinAutorPerf, Tangible Medium Publishing, Wise Music Group, LatinAutor - PeerMusic, UNIAO BRASILEIRA DE EDITORAS DE MUSICA - UBEM, LatinAutor e 5 associações de direitos musicais

Em Flor (Too Young)

Não são sinceras as razões
De quem insiste em não lembrar
Do sentimento em flor,
O despertar do amor
Não se apaga mais dos corações.

Amor nenhum tem tal poder
De provocar recordações,
Bastou se ver mais uma vez
Para sentir que não passou.


Fonte Youtube: Simone - Em Flor (Too Young) (Áudio Oficial)






sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

Meu nome é saudade de você (Paulinho Moska)


Meu nome é saudade de você  (Paulinho Moska)

Ei, o tempo passa e eu não te vejo
Desde o nosso último encontro
Que só faço me perder
Fui soprando o vento do desejo
E cheguei mesmo a ponto
De tentar te esquecer

Vem me matar
Que meu nome é saudade de você
Vem me amar
Nunca some a vontade de te ver
Tento tanto entender e continuo sem saber

Porque o sol ainda ilumina nossas flores
Com a grama do jardim
Emoldurando o amanhecer
Só que a luz brilhante dessas cores
Sem a chama que há em ti
Pode o amor anoitecer


Música do álbum Beleza e Medo de 2018
Quando completou 25 anos de carreira, Paulinho Moska apresentou seu novo disco - Beleza e Medo.. Há oito anos sem um álbum de inéditas, “Beleza e Medo” foi o primeiro a ser lançado pela gravadora Deck. Com produção de Liminha, o trabalho trouxe 10 faixas de sua autoria, oscilando em letras mais otimistas e outras com temas mais soturnos. Entre elas “Bem na Mira”, “O Jeito e Não Ficar Só” e “Minha Lágrima Salta”, que está na trilha sonora da novela Malhação. Ele contornou com parceiros em algumas composições: Zélia Duncan em “Medo do Medo”, Zeca Baleiro em “Pela Milesima Vez” e Carlos Rennó, na canção-manifesto “Nenhum Direito a Menos”.

Gravadora Deckdisk
Produzido Liminha 
Direção Artística: Moska
Arranjos: Liminha, Moska e músicos participantes
Gravado por Marcelo Saboya no Estúdio Nas Nuvens/RJ (Entre Out/17 e Abril/18)
Mixado por Liminha, Marcelo Saboya e Moska
Masterizado por Carlos Freitas (Classic Master)
Produção Executiva: Vicente Barros

Moska: Voz e violão
Liminha: baixo e violão 12 cordas
Rodrigo Nogueira: guitarra e violão
Rodrigo Tavares: teclado
Adriano Trindade: bateria

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Um canto espiritual Tamil

Fonte Youtube: Umaa Kanna




Sobre Umaa Kanna:

"Poemas espirituais máximos cantados por um adolescente"

O recorde de cantar o número máximo de poemas espirituais foi estabelecido por B. Umaa Nandini (nascido em 9 de janeiro de 2004) de Udumalpet, Tamil Nadu. Ela cantou 6620 'Devarams' (Devaram é um grupo de poemas espirituais cantados pelos três Saiva Samaya Acharyars, a saber, 'Thirugnyanasambanthar', 'Thirunavukkarasar' e 'Sundarar') durante um período de 188 dias a partir de 6 de abril, 2020 a 2020. 10, 2020. As músicas foram gravadas e compartilhadas através dos grupos do WhatsApp e cantadas coletivamente pelo povo, conforme confirmado em 21 de novembro de 2020.



terça-feira, 6 de dezembro de 2022

Como criar uma Fundação: conceito e procedimentos


Alto lá
Este texto não é meu
Confesso que copiei e colei
Imagem: Leonardo Da Vinci - Estudo anatômico de um feto no útero. 
Fonte da imagem: O físico nerd

O Código Civil (Lei nº 10.406/02) dispôs no seu art. 62 que para criar uma fundação o seu instituidor fará, por escritura pública ou testamento, dotação especial de bens livres, especificando o fim a que se destina e declarando, se quiser, a maneira de administrá-la.

Essa legislação que passou a vigorar em 2003, também definiu que novas fundações somente poderiam constituir-se para fins religiosos, morais, culturais ou de assistência. No entanto, tal restrição vigorou até meados de 2015.

Com a alteração do Código Civil proferida pela Lei nº 13.151, a partir de agosto de 2015, ocorreu a ampliação das finalidades previstas para a constituição de novas fundações, englobando:

• Assistência social
• Cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico e artístico
• Educação
• Saúde
• Segurança alimentar e nutricional
• Defesa, preservação e conservação do meio ambiente e promoção do desenvolvimento sustentável
• Pesquisa científica, desenvolvimento de tecnologias alternativas, modernização de sistemas de gestão, produção e divulgação de informações e conhecimentos técnicos e científicos
• Promoção da ética, cidadania, democracia e dos direitos humanos
• Atividades religiosas

Conceito
As fundações constituem-se numa universalidade de bens ou direitos, dotados de personalidade e destinados a uma determinada finalidade social, estabelecida pelo seu instituidor.

São pessoas jurídicas de direito privado, sem fins econômicos ou lucrativos, que se formam a partir da existência de um patrimônio destacado pelo seu instituidor através de escritura pública ou testamento, para servir a um objetivo específico, voltado a causas de interesse público.

As fundações podem ser constituídas por indivíduos, por empresas, ou pelo poder público. Neste último caso, temos as fundações públicas, pertencentes ao primeiro setor. É importante que exista uma declaração de vontade clara do instituidor para a constituição da fundação, especificando os bens destinados a formar seu patrimônio e os seus fins. Esse patrimônio precisa ser suficiente para garantir que a fundação cumpra suas finalidades.

Assim, fundação é a instituição que se forma pela destinação de um patrimônio para servir a certo fim de utilidade pública ou atuar em benefício da sociedade. Caracterizam-se por seus fins de caridade ou beneficentes, pesquisa, educação, saúde, etc., (seus objetivos principais), e pelo fato de ocorrer, com a sua instituição, uma personalidade patrimonial. Isso quer dizer que, diferente das associações, onde o foco é o indivíduo, nas fundações o núcleo central é o patrimônio.

Em geral, as fundações são administradas por um Conselho de Administração, Deliberativo ou Curador (que decide em linhas gerais quanto à forma de atuação da entidade), uma Diretoria Executiva ou Superintendência (órgão executor) e umConselho Fiscal (que realiza o acompanhamento das contas e atividades).

Procedimentos para constituir uma fundação
Assim como as associações, as fundações são regidas por estatutos, que se elaboram segundo as regras legais. O registro da fundação depende de autorização do Ministério Público Estadual para escritura definitiva em Tabelionato de Notas e posterior registro no Cartório de Títulos e Documentos de Pessoas Jurídicas. Esta avaliação prévia pelo Ministério Público só é dispensada nos casos em que a fundação foi instituída por testamento.

Desta forma, para que a fundação adquira existência formal é necessário o registro de seu Estatuto Social, e da ata da reunião de constituição realizada pelo Conselho de Administração, com a eleição da primeira diretoria, no Cartório de Títulos e Documentos de Pessoas Jurídicas.

A partir do registro, a entidade passa a ter plena capacidade legal, e, portanto, a condição para contratar, empregar, firmar parcerias, etc., passando a contrair direitos e obrigações.

Durante toda a sua existência, que em regra é por tempo indeterminado, as atividades da fundação, que devem ser minuciosamente descritas no estatuto, estarão sujeitas ao controle do Ministério Público do Estado onde estiver sediada.

Estes são apenas os primeiros passos para a criação e existência legal da fundação. Em seguida, deve ela obter também o CNPJ, o registro municipal e outros registros específicos de acordo com sua área de atuação. Posteriormente, a fundação pode, e deve, buscar imunidade tributária, isenções, qualificações, títulos, certificados e parcerias com entidades privadas e públicas, com o objetivo de captar recursos para manutenção de suas atividades.

Como destacamos no artigo sobre constituição de associações, após a constituição da fundação é necessário manter a contabilidade atualizada, apresentando periodicamente as declarações obrigatórias aos órgãos de controle e fiscalização.

domingo, 27 de novembro de 2022

O Covid - 2ª temporada Novembro/22

 

Em Janeiro/22 recebi a terceira dose da vacina e achava que tudo corria bem. Em abril/22 fiz aqui o passo a passo da manifestação do Covid na minha vida. Segundo os médicos, a ciência e a minha experiência farmacêutica, meu quadro foi atenuado pelas vacinas, porém, mesmo assim foi uma experiência muito muitíssimo desagradável. Supostamente, pelos sintomas, fui vitimado pela variante Alfa.

Agora, novamente com um quadro clínico que levou ao exame, o teste positivou. Os sintomas sugerem a manifestação da variante Beta. Tenho febre, muita tosse, dor de garganta, falta de ar, enjoo, dor no corpo, cansaço, sudorese, fadiga e muita sonolência. 

Vai passar, mas enquanto não passa, é tenso.

É isto aí!

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

Três atos dissimulados


Três atos dissimulados
passeiam no parque
feito uma família

e à mesma hora,
no mesmo espaço
ao mesmo tempo 

o primeiro, contido,
magoado, chora,
com dores à revelia.

o segundo emudece,
olhar no horizonte
triste, atordoado.

o terceiro, invisível,
esconde-se na alma
em fuga impossível

É isto aí!


quarta-feira, 23 de novembro de 2022

O Analista da Pitangueira e o Livro Aberto

 


- Bom dia, entre.

- Estou bem aqui.

- Estou vendo, mas estará melhor ao entrar

- O que há de tão importante que me faça sentir melhor aí dentro?

- Nada é mais importante aqui do que falarmos das suas emoções.

- Então o objetivo é só este??

- Não, claro que não. Um dos maiores objetivos é criar um vínculo entre terapeuta e paciente, a fim de compreender os processos reprimidos pelo seu subconsciente, que geram sintomas como a angústia ou a ansiedade entre tantas outras emoções. 

- Criar um vínculo? Processos reprimidos? Angústia? Não estou entendendo nada.

- Não se preocupe com isto. Todo esse acompanhamento é realizado por meio da interpretação das suas ações e seus pensamentos, e - maktub - a boca fala do que está cheio o coração. 

- Estou confusa...

- Também auxiliarei você a descobrir-se e tornar-se quem você é.

- Você está conjecturando que esta que eu sou não sou eu mesma?

- Venha, entre. Aqui fora estarão ouvindo nossas conversas.

- Não ligo para o que outros pensam, falam e veem em mim. Minha vida é um livro aberto.

- Mas é um livro pronto e acabado?

- Sim, claro, em edição de luxo.

- Feito um caixão?

- Como assim? Minha vida é ...

- Sim, sua vida é ...

- Estou morta? Por isto sou um livro editado, pronto e acabado?

- Quer continuar o velório aqui ou descobrir páginas em branco a serem escritas, no divã?

- Melhor entrar. Mas não me conte o final.

É isto aí!




quinta-feira, 17 de novembro de 2022

A inquietude do desejo


Fonte da imagem: uludagsozlukgaleri


- Peça o que quiser.

- Sério?

- Eu sou mulher de brincar com este nível de coisa?

- Não que eu saiba.

- Então ... peça o que quiser.

- Posso mesmo?

- Mas que mer... quer dizer, sim, pode.

- Qualquer coisa mesmo?

- Qualquer coisa.

- Está bem, vamos lá...

- Vai demorar muito?

- Não, é que você me pegou de surpresa.

- Mas deve ter algo que você deseja, então já sabe o que quer.

- Sim, de certa forma sim, mas é uma coisa tão íntima e pessoal.

- Íntima e pessoal? Pode explicar melhor?

- Hummmm, melhor que não.

- Espera aí, você tem segredos para comigo?

- Não, quer dizer, sim, não sei, acho que não ou talvez, ou sim, estou confuso.

- Canalha, cafajeste. Você é deste tipo de pessoa a quem não se empresta importância.

- Vai continuar o rol de ofensas ou já esgotou a cota de hoje?

- Nem comecei. Meu desejo é destruí-lo com palavras que sejam pedras na sua alma.

- Então siga em frente.

- Seu pulha. Você é um homem caviloso, ardiloso, matreiro, enganador, 

- Acabou?

- Cretino, insidioso, capcioso, fraudulento, manhoso, retrincado e sofístico.

- Pronto? Acabou o estoque de pedras ferinas?

- Sim, por enquanto acabei, mas você não vale nada. Agora diga a merda do que você quer.

- Não digo. Quer saber? Você não tem como dar o que eu quero.

- Ah, não, amor! Fala, vai. Dá uma chancezinha para seu amorzinho. Peça qualquer coisa.

- Sério?

- Eu sou mulher de brincar com este nível de coisa?

- Não que eu saiba.

- Então ... peça o que quiser ...

É isto aí!






quarta-feira, 9 de novembro de 2022

Gal Costa, eu amo você


Gal, 

Quero que este momento perenize tanto quanto a sua voz na minha memória. Triste Bahia! ó quão dessemelhante, eternizou o imortal e insepulto Gregório de Matos.

Vapor Barato, ícone da contracultura encantada pela Gal me permite trazer à luz o bahiano Gregório de Matos com sua vertente satírica da poesia e multiplico a Bahia de todos nós e de todos os santos:  Triste Brasil! ó quão dessemelhante.

Já falei que amo você, amo sua voz, seu jeito, suas qualidades para nos ensinar que é preciso estar atento e forte, sermos guerreiros, argonautas, doces bárbaros. Vou pedir licença para ficar triste, e para agradecer por ter doado sua arte para nós..

Tudo valeu a pena, assistir seus shows, escutar seus discos e saber que você estava ali, ao alcance do meu amor.

Vapor Barato é o hino da contracultura traduzida por você para a minha geração:

Vapor Barato (Compositores: Jards Macalé / Waly Salomão) 1971

Youtube: Vapor Barato (Gal Costa)

Oh, sim, eu estou tão cansado
Mas não pra dizer
Que eu não acredito mais em você
Com minhas calças vermelhas
Meu casaco de general
Cheio de anéis
Vou descendo por todas as ruas
E vou tomar aquele velho navio

Eu não preciso de muito dinheiro
Graças a Deus
E não me importa, honey

Oh, minha honey baby
Baby, honey baby
Oh, minha honey baby
Oh, minha honey baby
Honey baby

Oh, sim, eu estou tão cansado
Mas não pra dizer
Que eu 'to indo embora
Talvez eu volte
Um dia eu volto (quem sabe)
Mas eu preciso esquece-la (eu preciso)
Ah, minha grande
Ah, minha pequena
Ah, minha grande obsessão

Oh, minha honey baby
Baby, honey baby
Oh, minha honey baby
Baby, honey baby

Oh, sim, eu estou tão cansado
Mas não pra dizer
Que eu não acredito mais em você
Com minhas calças vermelhas
Meu casaco de general
Cheio de anéis
Vou descendo por todas as ruas
E vou tomar aquele velho navio

Eu não preciso de muito dinheiro
Graças a Deus
E não me importa, honey
Oh, minha honey baby
Baby, honey baby

Oh, minha honey baby
Oh, minha honey baby
Honey baby

Oh, sim, eu estou tão cansado
Mas não pra dizer
Que eu 'to indo embora

Talvez eu volte
Um dia eu volto
Mas eu preciso esquece-la (eu preciso)
Ah, minha grande
Ah, minha pequena
Ah, minha grande obsessão

Oh, minha honey baby
Baby, honey baby
Oh, minha honey baby
Baby, honey baby

Fonte da imagem: Gal Costa, LP Gal Costa (Capa Foto) - LP Vinil 

É isto aí!


terça-feira, 8 de novembro de 2022

Sobre sonhos, Juiz de Fora e Pasárgada

Dia destes acordei de um sonho às 4H30min da madrugada. Num instante tomava vinho tinto seco numa galeria e no outro já caminhava numa neblina estranha, por onde andava assustado e a passos rápidos por uma calçada larga, entre pessoas que não veem por onde andam. Pelos deuses jupiterianos da Domus Italica , estava em Juiz de Fora. uma pacata e serena vila do interior da Zona da Mata.

Atravessei a estreita rua e no meio dela, ao olhar para a direita, vejo-me, encliticamente, numa avenida enorme e cosmopolita, porém o frio, a chuva fina e o vento confirmavam que aquilo ainda era Juiz de Fora. Encolhi os ombros, deixei o tempo se embrenhar nos segundos do dia e cheguei à casa que aparentemente era conhecida. Ao abrir a porta, pessoas corriam de um canto para o outro no interior do imóvel. Preparavam um evento destes psicocibernéticos revolucionários da mente e do espírito. 

A psicocibernética, como sabem, é a mãe da Inteligência Emocional e avó do Coaching moderninho, nascida nos anos de 1950 nos Estados Unidos pelas mãos do médico Maxwell Maltz, e Juiz de Fora, cidade com o maior número de psicólogos per capita do mundo. deve muito da proliferação psi a esta teoria maxwelliana.

Bem, preciso voltar ao sonho. A casa é um velho sobrado dos épicos tempos áureos da Manchester mineira. Subo a escada em caracol que abre-se para um mezanino confortável. Ao fundo havia uma moça, destas de lindeza linda, sentada numa confortável cadeira abdutora que potencializava a mobilidade dos seus belíssimos membros inferiores, além de ajudar na coordenação motora e fortalecer os músculos do quadril, da coxa e da região lombar. De pé, ao seu lado, um personal trainer. Fiquei meio que com ciúme de vê-la ali com um personal, mas contive a ira.  

Uma senhora, muito educada, tocou levemente no meu ombro enquanto continuava a fitar a moça na cadeira abdutora com uma  incessante e incandescente sedução, apesar da merda do personal tocando seus membros inferiores...

Voltando à senhora elegante e simpática. Sussurrou no meu ouvido que estava atrasado. Disse que o plano original seria entrar com as flores, tomar a casa de beleza floral e a partir dela, conquistar a moça. As flores seriam entregues por amigos e simpatizantes que as trariam em determinada hora, colocariam numa cesta que seria puxada por uma corda para o segundo andar, num quarto oposto à sala onde ela estava com o repugnante personal. 

Reparei que as flores começaram a desaparecer antes do combinado e algumas pessoas ficaram eufóricas com aquilo. Olhei para a esquerda onde haviam duas grandes janelas de vidro e madeira. Estavam abertas. Não era o combinado. Uma pessoa estranha me disse que estavam abertas para facilitar a fuga das pessoas que roubavam as flores.

Não sei se percebi ou foi intuição de que aquilo tudo estava errado e fora de ordem. Uma pessoa  aproximou-se e apresentou-me uma mulher muito simpática e empática. Disse que esta mulher era do serviço de inteligência floral e que tinha uma coisa importante para falar. 

E a mulher simpática e empática olhou no fundo dos meus sonhos e disse uma frase épica de Maxwell Maltz:

"O êxito na vida não significa apenas ser bem sucedido, mas também sobrepor-se aos fracassos."

Foi aí que percebi que aquele personal trainer não era personal merda nenhuma. Pulei a janela, segui na direção da minha sincera e fiel bicicleta Phillips, onde pedalei epicamente até a grande e acolhedora cidade de Ewbank da Câmara, de onde embarquei para Pasárgada no vôo noturno.

É isto aí!


quinta-feira, 27 de outubro de 2022

Somos iguais (Evaldo Gouveia/Jair Amorim)


Acabei de saber
que você riu de mim
e depois perguntou,
se vivi se morri
já que tudo acabou.

Eu sei lá se você, 
quis de fato saber,
pelo sim, pelo não, 
abro o meu coração 
é melhor lhe dizer:

Eu sou o mesmo 
que você deixou,
eu vivo aqui 
onde você viveu.

Existe em mim 
o mesmo amor
aquele amor 
que nunca mais foi meu.

Porque viver 
a me humilhar assim?
Porque matar 
esta ilusão em mim?

Você e eu 
somos iguais,
não mudamos jamais!



Em parceria com o compositor capixaba Jair Amorim (1915 – 1993), a quem foi apresentado em 1958, Evaldo Gouveia construiu obra já eternizada na memória afetiva do povo brasileiro. Também cantor e violonista, Evaldo sobressaiu sobretudo como compositor de canções populares pautadas por romantismo despudorado.

Evaldo Gouveia  nasceu em Orós-CE em 1928 e faleceu em 2020, em Fortaleza, vítima de COVID-19.






quarta-feira, 26 de outubro de 2022

Sempre haverá esperança (Bráulio Bessa)


Alto lá
Este poema não é meu
Confesso que copiei e colei
Fonte: Tudo é poema

Sempre haverá esperança (Bráulio Bessa)

Enquanto o amor pesar
mais que o mal na balança,
enquanto existir pureza
no olhar de uma criança,
enquanto houver um abraço,
há de haver esperança.

Enquanto nosso perdão
for mais forte que a vingança,
enquanto se acreditar
que quem acredita alcança,
enquanto houver ternura,
há de haver esperança.

Enquanto você sorrir
por uma boa lembrança,
enquanto você lutar
com uma força que não cansa,
enquanto você for forte,
há de haver esperança.

Enquanto a canção tocar,
enquanto seu corpo dança,
enquanto nossas ações
forem nossa grande herança,
enquanto houver bondade,
há de haver esperança.

Enquanto se acreditar
numa sonhada mudança…
pelo fim da violência,
pelo fim da insegurança,
enquanto existir a vida,
há de haver esperança.

Esperança no amanhã
e no agora também.
Tenha pressa, é urgente,
não espere por ninguém.
Não adianta esperança
se você não faz o bem.

Transforme sua esperança
em algo que não espera.
É no meio da maldade
que a bondade prospera.
É justo no desespero
que a paz chega e impera.

É quando se está sozinho
que um abraço tem valor.
Repare que é no frio
que a gente busca o calor.
E é justo onde existe ódio
que tem que espalhar amor.

Não adianta assistir,
não adianta observar,
se você não se mexer,
as coisas não vão mudar.
E até a esperança
vai cansar de esperar.

O mundo já lhe esperou
desde a hora de nascer.
Lhe apresentou a vida
e fez você entender
que se o problema é o homem,
o homem vai resolver.

Afinal, a gente nasce
sem trazer nada pra cá,
na hora de ir embora
o mesmo nada vai levar.
O que importa de verdade
é o que a gente vai deixar.

terça-feira, 25 de outubro de 2022

O olhar fatal do adeus

Pensou rapidamente o que dizer e as palavras não saiam. Duas graduações de curso superior, três especializações, sendo a última na Inglaterra, e as palavras não saiam. Na realidade nunca saíram; aquilo chegou no ponto que chegou por muitos motivos, mas o principal era que nunca falava, nem expressava magoa, ódio, rancor, tristeza ou quaisquer outros sentimentos.

Sempre que ela citava a motivação, crenças e valores, passava como um letreiro na sua mente a frase lida muitas vezes no banheiro do bar que frequentava antes da união estável: - Na subida do Everest existem centenas de corpos abandonados. Lembre-se de que cada cadáver ali largado pelos amigos já foi um dia uma pessoa altamente motivada. 

Ela dizia calmamente com a voz rouca e compassada: - Perdeu o emprego de novo? Empreenda, já falei isto tantas vezes para você. Novo letreiro passava na mente - É fácil dizer isto, mas tente explicar para um motoboy que aquilo não é empreendedorismo e ela fala como se o empreender fosse uma fórmula infalível para se encontrar o pote de ouro no fim do arco-íris. 

Apertou as duas mãos, dedos machucando as palmas suadas, olhou nos olhos da moça, respirou fundo, contou até seis, controlou a tensão, relaxou a musculatura do tórax, e sem retirar os olhos dos olhos dela, disse - estou indo embora.

- É? É mesmo? A criança vai voltar para a casa da mamãe?

- Apesar de não ser da sua conta, a resposta é não.

- Como assim "não" (fazendo as aspas com os dedos das mãos)?

- Estou saindo, por favor devolva a chave para a porta e saia da minha frente.

- Só se disser para onde está indo. Não estou pedindo nada demais, só quero saber, vai que esqueceu algo.

- Eu não esqueci nada, já levei tudo que precisava.

- O que? Como? Quando foi isto?

- Hoje de manhã enquanto se arrumava no salão. Agora por favor, coloque a chave de volta ou terei que usar a saída pela área de serviço.

- Quer saber, vai para o inferno, vai para a merda da sua vidinha proletária intelectualizada, mas espera, como vai ficar o aluguel, o condomínio, a luz, o gás, a netflix, a internet, o supermercado, meu salão, a Yoga? Hem? Cadê sua responsabilidade?

- Você exigiu que tudo ficasse no seu nome, lembra? Era para aparecer nos cadastros, nos currículos, fazer média no banco, aparecer para as amigas, etc. Então se vire. Por favor abra a porta e saia da frente.

- Tudo bem, tudo bem, me viro, mas só sairá daqui se falar para onde está indo. Afinal me deve ao menos esta informação. Não sou uma pessoa má que destruiu sua vida.

- Você é uma pessoa má que destruiu a minha vida. Por favor abra a porta e saia da frente.

- Se está com pressa, pule a janela, quer saber, vai embora logo, você me dá nojo. Passa, cachorrinho. Babaca, meninão, idiota, vai embora.

- Já no corredor, como os minutos para a chegada do elevador pareciam uma eternidade, principalmente por que ela continuava ali, com rígida postura e olhar fatal, resolveu fugir da ira descendo pela escada e o homem que até então estava seguro, quando se viu só desabou, pôs-se  a chorar e soluçar como uma criança até chegar na garagem torcendo para não encontrar com alguém, e partiu para a casa da mamãe.

É isto aí!

Fonte da imagem: Lauren Bacall

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Solidão (Fernando Pessoa)


A solidão é a condição inevitável do homem.

Quando estou só reconheço
Se por momentos me esqueço
Que existo entre outros que são
Como eu sós, salvo que estão
Alheados desde o começo.

E se sinto quanto estou
Verdadeiramente só,
Sinto-me livre mas triste.
Vou livre para onde vou,
Mas onde vou nada existe.

Creio contudo que a vida
Devidamente entendida
É toda assim, toda assim.
Por isso passo por mim
Como por coisa esquecida.

9-8-1931
Novas Poesias Inéditas. Fernando Pessoa. (Direcção, recolha e notas de Maria do Rosário Marques Sabino e Adelaide Maria Monteiro Sereno.) Lisboa: Ática, 1973 (4ª ed. 1993).  - 67.
 
Fonte: Multipessoas


Que queres tu de mim (Evaldo Gouveia / Jair Amorin)

 


Que queres tu de mim
Que fazes junto a mim
Se tudo está perdido amor

Que mais me podes dar
Se nada tens a dar
Que a marca de uma nova dor

Loucura reviver
Inútil se querer
O amor que não se tem

Porque voltaste aqui
Se estando junto a ti
Eu sinto que estou sem ninguém

Que pensas tu que eu sou
Se julgas que ainda vou
Pedir que não me deixes mais

Não tenho que pedir
Nem sei o que pedir
Se tudo que desejo é paz

Que culpa tenho eu
Se tudo se perdeu
Se tu quiseste assim

E então que queres tu de mim
Se até o pranto que chorei
Se foi por ti não sei

Fonte: Musixmatch

Compositores: Evaldo Gouveia / Jair Amorin




Fonte Youtube: Simone 

Que Queres Tu De Mim · Simone

Fica Comigo Esta Noite

℗ 2000 Universal Music Ltda

Released on: 2000-01-01

Producer: Max Pierre
Producer: Moogie Canazio
Composer  Lyricist: Evaldo Gouveia
Composer  Lyricist: Jair Amorim

Auto-generated by YouTube.

sábado, 22 de outubro de 2022

A tristeza dói.


Versos são 
o que são
pensou silente
versos são 
o que são
e olhou nulo 
para seu estar triste

já o habitava 
há tantos anos
que fundiram-se 
desde a raiz
da alma nua
até o gérmen 
da tristeza tônica

solidão e solitude
floresciam
aqui e ali
e nos versos
fluíam esmaecidas 
as dores epífitas

fonte imagem: Very sad (Facebook)

É isto aí!