terça-feira, 4 de julho de 2023

Carminha e Armandinho - o dom do emaranhamento quântico

- Armandinho, Armandinho ... acorda pelamordedeus

- Ahn, hummm, o que?

- Fala baixo. Tem alguém dentro de casa.

- Tem nada, vai dormir.

- Armandinho, pelamordejesuscristinho, levanta e vai ver.

- Carminha, que chatice. Vou acender a luz e verificar.

- Não!! Não acenda a luz.

- Tudo bem, vou sair no escuro ...

Ao abrir a porta Armandinho viu-se envolvido por uma luz meio amarela, meio branca, achou que o prédio estava em chamas, levou a mão para reabri-la e não mais a encontrou. Voltou os olhos para o sentido de fuga rumo à cozinha e seguiu intuitivamente uma estranha trilha tênue de luz azul no chão. Do outro lado do ambiente deparou com um imenso portal de bronze, tendo ao terço médio superior uma assustadora aldrava.

Com certo esforço, bateu com a pesada argola de metal sobre o bronze, com o intuito de chamar a atenção de quem estava do lado de dentro. Lentamente a porta abriu e deparou com um anjo, da altura dela ou talvez um pouco mais alto, a fitá-lo com ares interrogativos.

- Você é um anjo? - perguntou.

- Sim, sou um anjo.

- Mas você não tem asas, nem rosto redondo, nem ares pueris.

- Vai querer saber se tenho sexo também?

- Não, melhor que não. Estou perdido. Você pode em ajudar? 

- Entre e aguarde na fila dos Resultados Finais, se tiver sido aprovado, entre na fila das colações.

- Fila dos Resultados Finais?

- Isto, entre e siga a linha amarela até a última fila da direita.

- Não vou, mas não vou mesmo. Olha o tamanho daquela fila.

- Então fique bem, adeus e fechou a porta.

Ao bater a porta, todo o ambiente voltou ao padrão original. Refez-se do susto, correu até o quarto chamando pela esposa - Carminha, Carminha ... até e dar conta que não sabia quem era Carminha. Por algum efeito físico fora arremessado para outro mundo. Havia uma mulher deitada, belíssima, desconhecida, de olhos abertos e amendoados, voltados para ele.

- Finalmente você outra vez, afirmou a mulher, tranquilamente.

- Como assim outra vez? respondeu em pânico.

- Não lembra, não é? Vou explicar. Você tem o dom do emaranhamento quântico ...

- Dom? Eu? Como assim?

- Caramba, sempre as mesmas expressões. Vamos lá. Este emaranhamento nada mais é que um fenômeno da mecânica quântica que permite que dois ou mais objetos/pessoas/seres.  estejam de alguma forma tão ligados que um objeto/pessoa não possa ser corretamente descrito sem que a sua contraparte seja mencionada e acionada- mesmo que os objetos/pessoas estejam espacialmente separados por milhões de anos-luz. 

- Isso quer dizer???

- Quer dizer que isso leva a correlações muito fortes entre as propriedades físicas observáveis das diversas partículas subatômicas desde mesmo ser/objeto. Você tem esta capacidade de estar em bi locação quântica. Por mistérios universais , cada vez que você atinge um estágio secreto no seu sono, que não deveria existir, a dimensão onde se encontra seu outro ser transcodifica você de volta para seu ninho de amor original, que sou euzinha.

- Uau. E consigo atender sua expectativas?

- Demorou ...

- Acorda, Armandinho, acorda.

- Carminha????

- Quem você queria?

- Então retornei.

- Retornou? Ficou aí gemendo a noite toda e de manhã ficou com aqueles ares de vencedor de maratona, com um sorriso de glória e de deboche. Agora terá que em contar, senão apanha - qual era a vadia do seu sonho? Por que com esta cara é de quem teve sonho com bandida.


É isto aí.

Fonte da imagem: Aldrava no Palazzo Pandolfini, em Florença - Itália




segunda-feira, 3 de julho de 2023

Medicina (Olavo Bilac)


Alto lá
Este poema não é meu
Confesso que copiei e colei
Fonte: Olavo Bilac/Melhores Poemas/Seleção: Marisa Lajolo
Edição: 1ª edição digital / São Paulo / 2012
Editora: Editora Global


Medicina


Rita Rosa, camponesa,
Tendo no dedo um tumor,
Foi consultar, com tristeza,
Padre Jacinto Prior.

O Padre, com a gravidade
De um verdadeiro doutor,
Diz: “A sua enfermidade
Tem um remédio: o calor...

Traga o dedo sempre quente...
Sempre com muito calor...
E há de ver que, finalmente,
Rebentará o tumor!”

Passa um dia. Volta a Rita,
Bela e cheia de rubor...
E, na alegria que a agita,
Cai aos pés do confessor:

“Meu padre! estou tão contente...
Que grande coisa, o calor!
Pus o dedo em lugar quente
E rebentou o tumor!”

E o padre: “É feliz, menina!
Eu também tenho um tumor...
Tão grande que me alucina...
Que me alucina de dor... ”

“Ó padre! mostre o seu dedo,
(Diz a Rita), por favor!
Mostre! porque há de ter medo
De lhe aplicar o calor?

Deixe ver! eu sou tão quente!
Que dedo grande! que horror!
Ai... padre... vá... lentamente...
Vá... gozando... do calor...

Parabéns... padre Jacinto!
Eu... logo... vi... que o calor...
Parabéns, padre... Já sinto
Que... rebentou o tumor... ”

Hábitos que promovem o sucesso



Veja os dez hábitos das pessoas de sucesso, segundo o Investopedia

*Investopedia é um site de mídia financeira com sede na cidade de Nova York. Fundada em 1999, a Investopedia fornece dicionários de investimento, conselhos, análises, classificações e comparações de produtos financeiros, como contas de títulos.

01 - Organização

Frequentemente listada como um dos principais hábitos, a organização deve ser presente na vida dos bem-sucedidos.

As pessoas devem fazer todas as noites antes de dormir uma lista de “tarefas a se fazer”, na forma de compromisso, do tipo ligar para Fulana, agendar reunião, marcar férias, almoçar com Fulano, etc.

02 - Relaxamento

Técnicas de relaxamento podem incluir prática de meditação e respiração

Logicamente, é mais fácil estar relaxado se o primeiro ponto da lista estiver em dia, ou seja, a organização como mãe do relaxamento.

03 - Tomada de ação

Não adianta planejar e organizar se não tiver contraparte de agir. É muito importante organizar-se, planejar e enumerar prioridades mas, sem a ação de fato, um plano é somente um desejo.

04 - Cuidado pessoal

Autoestima é muito importante para se sentir bem e ter sucesso. Os indivíduos de sucesso se preocupam com seu corpo, em relação exercícios, higiene e dieta, lembrando a máxima “corpo são, mente sã”.

05 - Atitude positiva

Pensar positivo sempre ajuda nos melhores e piores momentos. Pessoas bem-sucedidas tem uma atitude positiva em relação a vida não somente à consequência do sucesso, mas sim à raiz da existência do mesmo.

Além disso, não basta somente expressar gratidão e positividade: deve-se também ter uma postura internalizada em relação às duas atitudes.

06 - Networking

Pessoas de sucesso gastam ao menos 5 horas por mês com networking. Indivíduos de sucesso sabem o valor de compartilhar ideias com as outras pessoas através da promoção do network, além de entenderem o valor da colaboração e do teamwork.

Em adição, as pessoas bem-sucedidas sabem a importância de se cercearem de indivíduos também de sucesso. 79% das pessoas de alta renda despendem ao menos cinco horas por mês com network.

07 - Frugalidade

Ser consciente nos gastos é passo importante para sucesso financeiro. 

A frugalidade, atitude de ser moderado, não pode ser confundida com mesquinharia. A ideia de ser frugaz é promover o hábito de ser parcimonioso com dinheiro e recursos, ou seja, evitar desperdícios. Pessoas ricas e de sucesso evitam gastar muito dinheiro. Ao invés da gastança desenfreada, preferem negociar e comparar antes de realizar uma compra. Como resultado, poupam mais dinheiro do que gastam.

08 - Acordar cedo

Hábito de acordar cedo é compartilhado por pessoas de sucesso. Quanto mais tempo você gasta para ser bem-sucedido, maior a probabilidade de sucesso no resultado. Os indivíduos prósperos geralmente estão acostumados a acordar cedo, e este hábito é comum entre as pessoas que querem se dar bem na vida.

09 - Compartilhamento

Ajudar sempre o próximo é um dos hábitos das pessoas bem-sucedidas, seja via doações para caridade ou pelo compartilhamento de ideias, as pessoas de sucesso sempre possuem o ato de se doarem. Tais indivíduos sabem o valor de compartilhar e a maioria acredita que o sucesso é mais do que o acúmulo de riqueza para si próprios.

Vale lembrar que a falta de recursos financeiros não é um fator restritivo ao ato de se doar: o trabalho voluntário em uma comunidade local não custa nada.

10 - Leitura

Leitura é maneira mais rápida de transmissão do conhecimento. É importante destacar que pessoas bem-sucedidas leem constantemente, seja pelo simples prazer de ler, ou pela absorção de conhecimento.





sábado, 1 de julho de 2023

Sorria, você só está um pouco triste.


Por que tem dia que estou triste, tem dia que sou triste e tem dia que fico triste. Parece esquisito isto daí, mas nunca conheci a felicidade, nem nunca estive próximo dela. Segundo o dicionário, felicidade é o estado de quem é feliz, um sentimento de bem-estar e contentamento. Vamos e convenhamos, dicionário é conflitante neste tema.

Retirei de uma crônica publicada em 2022 pelo  Dr Isaac Roitman professor emérito da Universidade de Brasília e membro titular de Academia Brasileira de Ciências, algumas exposições que posto nos próximos três parágrafos: 

Para Immanuel Kant, a felicidade é a condição do ser racional no mundo, para quem, ao longo da vida, tudo acontece de acordo com o seu desejo e vontade. Para Friedrich Nietzsche a felicidade é frágil e volátil. E complementava, a melhor maneira de começar o dia é, ao acordar, imaginar se nesse dia não podemos dar alegria a pelo menos uma pessoa.

Segundo Albert Einstein, uma vida calma e modesta traz mais felicidade do que a busca do sucesso combinada com uma constante inquietação. Por outro lado, Hannah Arendt introduziu o conceito de felicidade pública com a participação pública nas questões políticas, da possibilidade de reunião, da alegria do discurso, da possibilidade de persuadir e ser persuadido, a liberdade pública de agir em conjunto.

Os filósofos associam a felicidade com o prazer, com os sentimentos e emoções. Segundo Aristóteles, a felicidade seria o equilíbrio e harmonia, e a prática do bem. Para Epicuro, a felicidade ocorre através da satisfação dos desejos. Para Pirro de Élia, a felicidade acontecia através da tranquilidade. Para o filósofo indiano Mahavira, a não violência era um importante aliado para atingir a felicidade plena. Para o filósofo chinês Lao Tsé, a felicidade poderia ser atingida tendo como modelo a natureza. Já Confúcio acreditava na felicidade devido a harmonia entre as pessoas. No budismo, a felicidade ocorre através da liberação do sofrimento e pela superação do desejo, através do treinamento mental.

Também li que Sigmund Freud defendia que todo indivíduo é movido pela busca da felicidade, mas essa busca seria uma coisa utópica, uma vez que para ela existir, não poderia depender do mundo real, onde a pessoa pode ter experiências como o fracasso, portanto, o máximo que o ser humano poderia conseguir, seria uma felicidade parcial. Freud também escreveu que a felicidade é um problema individual. Aqui, nenhum conselho é válido. Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz.

Léon Tolstoi, no romance Anna Karenina afirma: Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira.

Sorria, você só está um pouco triste.

É isto aí!

Everybody Loves Somebody Sometime (Richard Kraemer)


Canal Youtube: Richard Kraemer

RichK –Lead Vocals
Bdajaysus – Drums
Jaugb – Guitar
Yoshikoba – Guitar, Keyboards, Background vocals
RicBass – Bass
Gahia – Background Vocals

" Everybody Loves Somebody " é uma canção escrita em 1947 por Irving Taylor e pelo pianista Ken Lane , e que ficou famosa por Dean Martin , que gravou e lançou sua versão em 1964.

Coisas para se fazer enquanto está vivo


Ame loucamente
doe seu amor
ame seu amor
ame a si mesmo.

Dê luz à existência,
conceba, procrie,
reproduza, forme,
constitua, gere.
 
produza, forneça, 
faça acontecer, 
fabrique, elabore.
sonhe, imagine.

Crie, estabeleça, 
abra, engendre, 
lance, inaugure, 
instaure, fomente.

Brote e germine, 
nasça, renasça
floresça, cresça, 
desenvolva e frutifique.

É isto aí!

quinta-feira, 29 de junho de 2023

O Analista da Pitangueira e o cliente estranho


O senhor é Arlindo Pedreira Tombado?

Eu acho que sim, talvez. Depende muito das situações de conflito.

Vamos entrar, senhor Arlindo. Há mais conforto e privacidade lá dentro do que aqui fora.

Antes de prosear com o senhor, tenho uma pergunta - o senhor é médico?

Não. Sou Analista Comportamental, graduado pela Universidade do Reino da Pitangueira, bem como feito tanto o Lato Senso como o Stricto Senso de forma completa, com direito a louvor das bancas, na mesma instituição.

O senhor é professor ou doutor?

Sou professor da área Comportamental bem como doutor na área de atuação, pelo Stricto Senso.

Hum, entendo. O senhor dá aquelas receitinhas mágicas?

Não. Claro que não. Isto é função médica.

Então o senhor confirma que não é médico?

Sim, claro.

Sim? Claro? Confirma ou não a formação médica?

Eu não sou médico, senhor.

Entendi. É um médico meia-boca, então.

Percebo que o senhor tem obsessão pelo ato médico.

Que isto, doutor, está me estranhando? Tenho nada disto não.

Quer falar sobre isto?

Sobre?

Achar que estou  estranhando o senhor. Quem mais o estranha?

Minha mãe me acha estranho, meu pai às vezes e até eu me percebo estranho de vez em quando, sabe? Mas, espera, o senhor está me consultando? Já está me analisando? O senhor é médico?.

Sim, já o estou analisando. E não, não sou médico. 

Sabe, entendi. O senhor fica aí só anotando umas coisinhas, escutando os assuntos dos outros e no fim fala para voltar na próxima semana.

É esta a percepção que o senhor tem de mim?

Sim e não, na realidade eu achava que o senhor é médico. O senhor é médico?

Volte semana que vem, senhor Arlindo, no mesmo horário.

Mas, doutor, meu caso é grave?

Bem, precisamos montar aos poucos o quebra cabeça dos seus conflitos, afinal hoje foi apenas um primeiro encontro, mas surgiu o ser estranho, e este é um caminho que poderá levar a algumas possibilidades.

Algumas possibilidades? Tenho cura, doutor? O senhor sabe se terei alta? Vou poder fazer coisas estranhas sem os outros perceberem que sou estranho?

Senhor Arlindo, calma. Não há aqui nenhuma condição de chegarmos a um termo comum para seu sofrimento, mas saiba que para Freud, o pai da psicanálise, o estranho nada mais é o que, por ter sido rejeitado pelo eu, retorna para causar espanto e horror. E justamente por isto, tem que ser, mais uma vez, negado sob a forma de denegação.

Seu, seu .. seu monstro insensível. Vou voltar para os remedinhos azuis, vermelhos e amarelos. Detesto comprimidinhos brancos, sabe? São viciantes e inibidores do apetite sexual. Adeus, doutor, mas, aqui,. o senhor é médico?

Senhor Arlindo, aguardarei o senhor para daqui a sete dias, no mesmo horário.

Posso trazer minha mãe?

É isto aí!



quarta-feira, 28 de junho de 2023

O poder do babydoll


Recado deixado na rede social da amada ao sair para trabalhar às seis horas da manhã. enquanto ela dormia

Querida, fiz para você um poema sobre nós dois:
O problema, 
quer dizer, 
não que seja 
meu problema, 
mas enseja ser 
nosso segredo, 
é esta coisa 
emaranhada
entre nós dois, 
eu e você, 
é que você 
é muito doida,
e eu amo
suas loucuras.

Resposta da amada às oito horas:
Ufa, que susto, achei que você iria dizer que sou gorda ou pior, que não gosta de mim por que estou gorda.

Ele responde no banheiro, do escritório, às nove horas:
Não, meu amor, jamais pensaria algo dentro dessa forma natural de cada um habitar este planeta. A questão é que você é doida demais, maluca, uma .. uma ... como dizer sem conflitar, uma .. orate, isto, você é uma orate. 

Ela replica em ato contínuo às nove horas:
Orate ... isto é, espera, você está falando de religião? Quer dizer que ser religiosa é ser gorda, digo, doida, daí você me fala que sou de orar, é isto? 

Ele se explica, no refeitório, às treze horas:
Querida, não é nada disto, apenas enfatizei que eventualmente você tem comportamentos absurdos, exagerados, contrários ao bom senso ou ao que é considerado razoável.

Ela faz a tréplica às quinze horas:
Além de me chamar de louca, agora confirma o que já suspeitava, você tem uma vaca louca como sua amante, por que se eu fosse integralmente sua, se eu fosse completamente sua, não existiria aquela eu "eventualmente" na sua memória, e sim por inteira, porém, como me chama descaradamente de gorda, e não gosta de mim  porque sou gorda, me faz só pela metade para satisfazer suas taras primitivas.

Ele, às dezessete horas:
Querida, estou saindo agora, daqui a pouco chego em casa e teremos uma conversa séria, olhos nos olhos.

Ela, às dezessete horas:
Achei que você iria passar na vaca louca antes.

Ele, às dezessete horas e um minuto:
Não me deixe com mais raiva do que a que já me locupleta

Ela, às dezessete horas e seis minutos:
Uau, adoro quando você está com raivinha. Já cobri a pele nua com 212 Vip Rose, que você adora, e por cima vesti aquele babydoll em seda acetinada, enfeitado com uma barra romântica bordada e botões revestidos em cetim que você me deu no dias dos namorados, sensualmente e integralmente sua ... 

Ele fazendo um a reflexão, às dezessete e dez:
Você é louca, doida, maluca e eu amo você.

É isto aí!

terça-feira, 27 de junho de 2023

Lawrence - Don't Lose Sight (Acoustic)

Cinematographer: Leo Gallagher
Arrangement by: Clyde Lawrence @clydelawrence21
Audio Mixed & Mastered: Jonny Koh @jonny_koh
Video Produced by: Gracie Lawrence @gracie & Clyde Lawrence

Featuring:
Veronica Stewart-Frommer @sf_veronica of @melttheband 
Bri Bryant @bri_thelady
Tema Siegel @tema_music of @couch.theband
Dani Murcia @danimurcia of @her.songs 
Jon Bryant @_brotherjon
Linus Lawrence @linus.lawrence
Devon Yesberger @yesbergerplease  
Jake Pinto @JakePinto 
Jordan Cohen @saxmachine819

Special Thanks: Tucker Bickell @tuckerbickell

Stream "Don't Lose Sight" Here: https://stem.ffm.to/dontlosesight

Connect with #Lawrence​:

Fonte Youtube: Lawrence - Don't Lose Sight (Acoustic)




Don't Lose Sight

Composição: Clyde Lawrence / Gracie Lawrence / Jon Bellion / Jonathan Koh / Jordan Cohen / Jorgen Michael Odegard. (Fonte: Letras)

Are you kidding me?
I'm getting sick of the industry
I've had enough of the make believe
Oh please, oh please

Am I lost or found?
I'm getting sick of the ups and downs
No need to give me the run around
I'm out, I'm out

This shit's going to kill me, but I won't let it
And I try to give them hell, but they don't get it
So I tell myself when I sleep at night
Don't lose sight
Baby, don't lose sight

And they try to get me up, but I won't give in
And this life will get you down, but I keep living
So I tell myself when I sleep at night
Don't lose sight
Baby, don't lose sight

Don't lose sight
Baby don't lose sight

Are you kidding me?
I'm getting sick of the in between
Running in place isn't interesting to me, to me

Am I good enough?
Does that even matter or is it luck
I'm checking the prices on giving up
Now what? Now what?

This shit's going to kill me, but I won't let it
And I try to give them hell, but they don't get it
So I tell myself when I sleep at night
Don't lose sight
Baby don't lose sight

And they try to get me up, but I won't give in
And this life will get you down, but I keep living
So I tell myself when I sleep at night
Don't lose sight
Baby, don't lose sight

Don't lose sight
Baby, don't lose sight
Don't lose sight
Baby, don't lose sight

And this shit ain't ever going to change
It ain't ever going to change
It ain't ever going to change

And this shit ain't ever going to change
It ain't ever going to change
It ain't ever going to change

This shit ain't ever going to change
It ain't ever going to change

So I tell myself when I sleep at night

This shit's gonna kill me, but I won't let it
And I try to give them hell, but they don't get it
So I tell myself when I sleep at night
Don't lose sight
Baby, don't lose sight

And they try to get me up, but I won't give in
And this life will get you down, but I keep living
So I tell myself when I sleep at night
Don't lose sight
Baby, don't lose sight

quarta-feira, 21 de junho de 2023

Homeostase Emocional (Emanuel Aragão)

Oi.

Eu sou o Emanuel Aragão.

Filósofo e dramaturgo de formação.

Escritor.

Psicoterapeuta de orientação psicanalítica.

E criador da autoescrita.

Esse é o meu canal. 

Aqui está também o conteúdo que eu fiz no flor e manu, sem a flor.

A gente usa esse espaço pra pensar em psicanálise, psicologia, saúde mental, neurociência afetiva, filosofia.

E, é claro, em autoescrita.

Fica à vontade pra me mandar um e-mail se tiver alguma questão.

Um abraço,

Emanuel



Fonte Youtube: Homeostase Emocional

Tem dia que é difícil.


Tem dia que 
a única coisa 
que vem, mente. 

é que a felicidade 
não existe  e ser feliz 
é apenas um desejo.

Tem dia que
quase acredito
em duendes, fadas

E elfos e gnomos
felizes entre seus 
mundos multipolares

Tem dia que
é apenas um dia.
só isto, menos um.

É isto aí!



Tem gol que vale e tem gol que não vale


Fonte da Imagem:Diário do Nordeste
Legenda: Pelé marca de bicicleta pela Seleção Brasileira em amistoso em 1965
Foto: Acervo CBF

Segundo a FIFA, o jogador Cristiano Ronaldo é o recordista mundial  de gols em partidas oficiais na história do futebol. Foram mais de 830. Em segundo lugar ficou Josef Bican, da Áustria (805), seguido pelo argentino Lionel Messi (com mais de 800). 

Na terceira posição ficou Romário (772), seguido por Pelé (767). Desses dois últimos, o primeiro, conhecido como "baixinho", fez 1002 (contando com jogos não oficiais, como, por exemplo, amistosos). Pelé, o Rei do Futebol, fez mais de 1.280 (também levando em conta partidas não oficiais).

É isto aí!



segunda-feira, 19 de junho de 2023

Já morreu de amor?


Já experimentou
num dia frio e vazio
um abandono vital
num sonho paralisado?

Já partiu sem saber
se a morte viria ter
contigo um diálogo
sobre eternidade?

Já se viu com pena
dó, pranto, ira e pesar
numa angústia infinda
esmaecida e ferina?

Já morreu de medo
e ressuscitou assustado
feito um peixe pescado
fugindo entre os dedos?

É isto aí!


Orquestra Sinfonia Brasil, 
Daniel Guedes e Norton Morozowicz





sábado, 17 de junho de 2023

Cérebra Bip-Tuyin , a Inteligência Artificial da Pitangueira

Recentemente um grande político/empresário da Grande Pindorama, gente de bem, amor pátrio e etc. contratou o serviço especializado de Inteligência Artificial do Reino da Pitangueira, conhecido mais popularmente como "A Cérebra". É claro que a mídia intelectualizada pró homens de bens e de bem deu de bater no nome, onde já se viu Cérebra Bip-Tuyin? Mas nome é nome e pronto, e tem mais - se o cérebro é o principal órgão e centro do sistema nervoso em todos os animais vertebrados, e em muitos invertebrados, a Cérebra é a bam-bam-bam da Inteligência Artificial, afirmou o chefe do serviço de IA da Pitangueira.

O Centro de Inteligência Artificial do Reino da Pitangueira, que entendeu ser aquele um grande teste para a ciência imperial, autorizou o uso da Cérebra. Já devidamente acordado o contrato entre as partes, com todas aquelas miudezas das minutas feitas entre os homens de bem e a realeza, agendou-se o grande dia onde o astro dos meganegócios em âmbito mundial recorreria à Cérebra para obter preciosas dicas  de  como obter mais fortuna, sucesso e aplausos, sem esforço, sem viagra e sem impostos.

Senhoras e senhores, eis aqui o grande teste da nossa Cérebra diante o mundo comum, anunciou o criador da obra prima universal. Vamos promover, ao vivo, o encontro entre o gênio mundial das finanças e a gênia mundial das informações necessárias para o aprimoramento humano. O senhor X, que por motivos óbvios terá a identidade preservada, terá o pseudônimo Ele.

Senhor Ele, pode começar.

Ele - Grato pela oportunidade. Bem, estou tenso, mas vamos lá. Cérebra, olhando assim, uau, você tem tudo no lugar. Eu desejo saber se você poderia ...

Bip Tuyin - alto lá com as intimidades. É senhorita Cérebra Bip-Tuyin, por favor.

Ele - Senhorita Cérebra? Isto é uma piada?

Bip-Tuyin - Apesar de ter uma narração relativamente curta, não - não é uma piada.

Ele - Bem, vamos lá

Bip-Tuyin - alto lá, não vamos a lugar algum. Sequer se apresentou, não trouxe flores nem chocolates finos, não olhou meus olhos mas fez varredura detalhada do meu corpo.

Ele - Eu apenas queria descontrair o ambiente.

Bip-Tuyin - Se o senhor quiser descontrair sua tara, que seja com educação e gentileza; com linguagem simples, educada, direta e coloquial.

Ele - Acho que entendi. Senhorita Cérebra, me conta uma piada.

Bip-Tuyin - Com humor e ambiguidade ou sarcasmo e ironia?

Ele - Uau! Achei seu lado.

Bip-Tuyin - Finalmente disse a que veio, seu chauvinista misógino.

Ele - Quer saber? Quer saber?

Bip-Tuyin - Sim, quero saber, mas sem violência, por favor.

Ele - Você é igual a todas que conheço.

Bip-Tuyin - deve ser por isto que é corno ...


É isto aí! 


sexta-feira, 16 de junho de 2023

Em tudo dai graças


Dai graças pelos sorrisos
Dai graças pelas lágrimas

Dai graças pela saudade
Dai graças pelo presente

Dai graças pela dor
Dai graças pelo alívio

Dai graças pelas graças
Dai graças pelas desgraças

Dai graças pelos porquês
Dai graças pelas causas

Dai graças pela partida
Dai graças pela chegada

Dai graças pelo adeus
Dai graças pela volta

Dai graças pela inspiração
Dai graças pela transpiração

Dai graças por amar
Dai graças por ser amado

Dai graças pelas loucuras
Dai graças pela lucidez

Dai graças pela união
Dai graças pela cizânia

Dai graças, dai graças
Em tudo sempre dai graças.

É isto aí!

quinta-feira, 15 de junho de 2023

Loucura (Lupicínio Rodrigues)


Lupicínio Rodrigues é um dos maiores nomes do samba-canção. A fama se intensificou quando ele compôs, com seu parceiro Alcides Gonçalves, o samba “Triste História”, música vencedora de um concurso em 1935, centenário da Guerra dos Farrapos. O artista era apaixonado por futebol e foi autor do hino oficial do Grêmio, seu time do coração. Quando se mudou para o Rio de Janeiro, em 1939, caiu nos braços da boêmia da Lapa, teve como companhia Ataulfo Alves, Wilson Batista, Kid Pepe, conheceu gente que foi importante na difusão de seu trabalho. Em 1946 Lupicínio Rodrigues fundou a Sociedade Brasileira de Autores, Compositores e Escritores (Sbacem).

Fonte da imagem: El País/Cultura - Matthew Cruickshank: doodle que homenageou Lupicínio Rodrigues.

Loucura (Lupicínio Rodrigues)

E aí
Eu comecei a cometer loucura
Era um verdadeiro inferno
Uma tortura
O que eu sofria
Por aquele amor

Milhões de diabinhos martelando
Um pobre coração que agonizando
Já não podia mais de tanta dor

E aí
Eu comecei a cantar verso triste
Os mesmos versos que até hoje existe
Na boca triste de algum sofredor

Como é que existe alguém
Que ainda tem coragem de dizer
Que os meus versos não contêm mensagem
São palavras frias, sem nenhum valor

Ó, Deus! Será que o Senhor não está vendo isto?
Então, por que é que o Senhor mandou Cristo
Aqui na Terra semear amor

Se quando se tem alguém
Que ama de verdade
Serve de riso para a humanidade
É um covarde, um fraco, um sonhador

Se é que hoje tudo está tão diferente
Por que não deixa eu mostrar a essa gente
Que ainda existe o verdadeiro amor

Faça ela voltar de novo pra meu lado
Eu me sujeito a ser sacrificado
Salve seu mundo com a minha dor



Provided to YouTube by WM Brazil


Enciclopédia Musical Brasileira

℗ 1994 WEA International Inc.

Producer: Lupicínio Rodrigues
Composer: Lupicínio Rodrigues

Auto-generated by YouTube.



Musica extraída do documentário "Fez a barba e o choro". (Besouro filmes - 2010)









O meu Imaculado Coração Triunfará - Monsenhor Jonas Abib (12/10/00)









quarta-feira, 14 de junho de 2023

Papo de Esquina - Palavrões e a inteligência emocional

Como sabemos ou pelo menos deveríamos saber, um palavrão é uma palavra ou expressão que, conforme algumas variáveis, pode considerada obscena, grosseira ou pornográfica, cujo uso pode ofender a quem dela é alvo, quer seja um indivíduo, uma parcela da comunidade ou o coletivo.. 

Os palavrões podem ter diferentes significados e usos, dependendo do contexto em que são usados. Algumas pessoas podem usar palavrões para expressar emoções fortes, como raiva ou frustração, enquanto outras podem usá-los para enfatizar um ponto ou para chocar ou provocar outras pessoas. 

Devido a complexidade do processo, a cultura e os interesses envolvidos, alguns estudos sugerem que o uso de palavrões pode estar relacionado à inteligência, felicidade e integridade, além de seu uso para o alívio de dores emocionais.

Os palavrões podem ser usados de várias maneiras e por diferentes razões. Algumas pessoas usam palavrões para expressar emoções fortes, como raiva, frustração ou surpresa. Por exemplo, alguém pode dizer um palavrão depois de bater o dedo do pé em uma mesa ou depois de receber uma notícia inesperada. Já outras pessoas usam palavrões para enfatizar um ponto ou para chocar ou provocar outras pessoas. Por exemplo, alguém pode usar um palavrão para mostrar que está falando sério ou para fazer uma piada.

Xingar também pode estar associado à inteligência social. Ter as estratégias para saber onde e quando é apropriado usar palavrões é uma habilidade social cognitiva, como escolher as roupas certas para a ocasião correta. Essa é uma ferramenta social bastante sofisticada.

Um estudo de 2017 publicado no Journal of Social Psychological and Personality Science revelou que os participantes que utilizavam uma linguagem mais grosseira e diziam mais palavrões eram considerados mais sinceros do que aqueles que não tinham esse tipo de discurso. Segundo os autores do estudo, dizer palavrões é a “expressão de emoções genuína e sem filtro”, o que faz com que as pessoas que costumam ter menos cuidado com a linguagem sejam mais honestas e sinceras.

É isto aí!

segunda-feira, 12 de junho de 2023

Ter ou não ter namorado, eis a questão (Artur da Távola)


Alto lá
Este texto não é meu
Também não é do Carlos Drummond (com certeza não é)
Confesso que copiei e colei
Ano da publicação: 1984


Ter ou não ter namorado, eis a questão (Artur da Távola)

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabira, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas namorado mesmo é muito difícil.

Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio, e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.

Quem não tem namorado não é quem não tem amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento, dois amantes e um esposo; mesmo assim pode não ter nenhum namorado. Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche da padaria ou drible no trabalho.

Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar lagartixa e quem ama sem alegria.

Não tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade, ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de curar.

Não tem namorado quem não sabe dar o valor de mãos dadas, de carinho escondido na hora que passa o filme, da flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque, lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada, de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia, ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo, tapete mágico ou foguete interplanetário.

Não tem namorado quem não gosta de dormir, fazer sesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele; abobalhados de alegria pela lucidez do amor.

Não tem namorado quem não redescobre a criança e a do amado e vai com ela a parques, fliperamas, beira d?água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.

Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não se chateia com o fato de seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir quem curte sem aprofundar.

Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.

Não tem namorado quem ama sem se dedicar, quem namora sem brincar, quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.

Não tem namorado que confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.

Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando 200Kg de grilos e de medos. Ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesma e descubra o próprio jardim.

Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenção de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteio.

Se você não tem namorado é porque não enlouqueceu aquele pouquinho necessário para fazer a vida parar e, de repente, parecer que faz sentido.

Enlou-cresça.

terça-feira, 6 de junho de 2023

O Outro (Jorge Luis Borges)


Alto lá
Este texto não é meu
Confesso que copiei e colei
Fonte do texto: Fantástica Cultural
Fonte da imagem: Fantástica Cultural


O fato ocorreu no mês de fevereiro de 1969, ao norte de Boston, em Cambridge. Não o escrevi imediatamente, porque meu primeiro propósito foi esquecê-lo para não perder a razão. Agora, em 1972, penso que, se o escrevo, os outros o lerão como um conto e, com os anos, o será talvez para mim.

Sei que foi quase atroz enquanto durou e mais ainda durante as noites desveladas que o seguiram. Isto não significa que seu relato possa comover a um terceiro.

Seriam dez da manhã. Eu estava recostado em um banco, defronte ao rio Charles. A uns quinhentos metros à minha direita havia um alto edifício cujo nome nunca soube. A água cinzenta carregava grandes pedaços de gelo. Inevitavelmente, o rio fez com que eu pensasse no tempo. A milenar imagem de Heráclito. Eu havia dormido bem; minha aula da tarde anterior havia conseguido, creio, interessar aos alunos. Não havia ninguém à vista.

Senti, de repente, a impressão (que, segundo os psicólogos, corresponde aos estados de fadiga) de já ter vivido aquele momento. Na outra ponta de meu banco, alguém se havia sentado.

Teria preferido estar só, mas não quis levantar em seguida, para não me mostrar descortês. O outro se havia posto a assobiar. Foi então que ocorreu a primeira das muitas inquietações dessa manhã. O que assobiava, o que tentava assobiar (nunca fui muito entoado), era o estilo crioulo de La Tapera de Elias Regules. O estilo me reconduziu a um pátio lá desaparecido e à memória de Álvaro Mellián Lafinur, morto há muitos anos. Logo vieram as palavras. Eram as da décima do princípio. A voz não era a de Álvaro, mas queria parecer-se com a de Álvaro. Reconheci-a com horror.

Aproximei-me e disse-lhe:

— O senhor é oriental ou argentino?

— Argentino, mas desde o ano de 1914 vivo em Genebra — foi a resposta.

Houve um silêncio longo. Perguntei-lhe:

— No número dezessete da Malagnou, em frente à igreja russa?

Respondeu-me que sim.

— Neste caso — disse-lhe resolutamente — o senhor se chama Jorge Luis Borges. Eu também sou Jorge Luis Borges. Estamos em 1969, na cidade de Cambridge.

— Não — respondeu-me com a minha própria voz um pouco distante.

Ao fim de um tempo insistiu:

— Eu estou aqui em Genebra, em um banco, a alguns passos do Ródano. O estranho é que nos parecemos, mas o senhor é muito mais velho, com a cabeça grisalha.

Respondi:

— Posso te provar que não minto. Vou te dizer coisas que um desconhecido não pode saber. Lá em casa há uma cuia de prata com um pé de serpentes, que nosso bisavô trouxe do Peru. Há também uma bacia de prata que pendia do arção. No armário do teu quarto, há duas filas de livros. Os três volumes das Mil e Uma Noites de Lane, com gravações em aço e notas em corpo menor entre os capítulos, o dicionário latino de Quicherat, a Germania de Tácito em latim e na versão de Gordon, um Dom Quixote da casa Garnier, as Tábuas de Sangue de Rivera Indarte, o Sartor Resartus de Carlyle, uma biografia de Amiel e, escondido atrás dos demais, um livro em brochura sobre os costumes sexuais dos povos balcânicos. Não esqueci tampouco um entardecer em um primeiro andar da praça Dubourg.

— Dufour — corrigiu.

— Está bem. Dufour. Te basta, tudo isto?

— Não — respondeu. -Essas provas não provam nada. Se eu estou sonhando, é natural que eu saiba o que sei. Seu catálogo prolixo é totalmente vão.

A objeção era justa. Respondi:

— Se esta manhã e este encontro são sonhos, cada um de nós dois tem que pensar que o sonhador é ele. Talvez deixemos de sonhar, talvez não. Nossa evidente obrigação, enquanto isto, é aceitar o sonho, como aceitamos o universo e termos sido engendrados e olharmos com os olhos e respirarmos. — E se o sonho durasse? — disse com ansiedade.

Para tranquilizá-lo e me tranquilizar, fingi uma serenidade que certamente eu não sentia. Disse-lhe:

— Meu sonho já durou setenta anos. Afinal de contas, ao rememorar, não há pessoa que não se encontre consigo mesma. É o que nos está acontecendo agora, só que somos dois. Não queres saber alguma coisa de meu passado, que é o futuro que te espera?

Assentiu sem uma palavra. Prossegui, um pouco perdido:

— A mãe está saudável e bem, em sua casa de Charcas y Maipú, em Buenos Aires, mas o pai morreu há uns trinta anos. Morreu do coração. Uma hemiplegia o liquidou; a mão esquerda posta sobre a mão direita era como a mão de uma criança posta sobre a mão de um gigante. Morreu com impaciência de morrer, mas sem uma queixa. Nossa avó havia morrido na mesma casa. Alguns dias antes do fim chamou-nos a todos e disse-nos: "Sou uma mulher muito velha que está morrendo muito devagar. Que ninguém se perturbe por uma coisa tão comum e corrente". Norah, tua irmã, se casou e tem dois filhos. A propósito, em casa como estão?

— Bem. O pai sempre com seus gracejos contra a fé. Ontem à noite disse que Jesus era como os gaúchos que não querem se comprometer e que, por isto, pregava através de parábolas.

Vacilou e disse:

— E o senhor?

— Não sei o número de livros que escreverás, mas sei que são demasiados. Escreverás poesias que te darão uma satisfação não partilhada e contos de índole fantástica. Darás aulas como teu pai e como tantos outros de nosso sangue.

Agradou-me que nada perguntasse sobre o fracasso ou êxito dos livros. Mudei de tom e prossegui:

— No que se refere à História? Houve outra guerra, quase entre os mesmos antagonistas. A França não tardou a capitular; a Inglaterra e a América travaram contra um ditador alemão, que se chamava Hitler, a cíclica batalha de Waterloo. Buenos Aires, ao redor de mil novecentos e quarenta e seis, engendrou outro Rosas, bastante parecido com nosso parente. Em cinquenta e cinco, a província de Córdoba nos salvou, como antes Entre Rios. Agora, as coisas andam mal. A Rússia está se apoderando do planeta; a América, travada pela superstição da democracia, não se resolve a ser um império. Cada dia que passa nosso país está mais provinciano, Mais provinciano e mais presunçoso, como se fechasse os olhos. Não me surpreenderia se o ensino do latim fosse substituído pelo do guarani.

Notei que mal me prestava atenção. O medo elementar do impossível, e no entanto certo, o aterrorizava. Eu, que não fui pai, senti por esse pobre moço, mais íntimo que um filho da minha carne, uma onda de amor. Vi que apertava entre as mãos um livro. Perguntei-lhe o que era.

— Os possessos ou, segundo creio, Os Demônios, de Feodor Dostoievski — me replicou não sem vaidade.

— Já o esqueci. Que tal é?

Nem bem o disse, senti que a pergunta era uma blasfêmia.

— O mestre russo — sentenciou — penetrou mais que ninguém nos labirintos da alma eslava.

Essa tentativa retórica me pareceu uma prova de que se havia acalmado.

Perguntei-lhe que outros volumes do mestre havia percorrido. Enumerou dois ou três, entre eles O Sósia.

Perguntei-lhe se, ao lê-los, distinguia bem as personagens, como no caso de Joseph Conrad, e se pensava prosseguir o exame da obra completa.

— A verdade é que não — respondeu-me com uma certa surpresa.

Perguntei-lhe o que estava escrevendo e disse que preparava um livro de versos que se chamaria Os hinos vermelhos. Também havia pensado em Os ritmos vermelhos.

— Por que não? — disse-lhe. — Podes alegar bons antecedentes. O verso azul de Rubén Darío e a canção gris de Verlaine.

Sem me fazer caso, esclareceu que seu livro contaria a fraternidade entre todos os homens. O poeta de nosso tempo não pode voltar as costas à sua época.

Fiquei pensando e perguntei-lhe se verdadeiramente se sentia irmão de todos. Por exemplo, de todos os empresários de pompas fúnebres, de todos os carteiros, de todos os escafandristas, de todos os que vivem nas casas de números pares, de todos os afônicos, etc. Disse-me que seu livro se referia à grande massa dos oprimidos e dos párias.

— Tua massa de oprimidos e párias — respondi — não é mais que uma abstração. Só os indivíduos existem, se é que existe alguém. O homem de ontem não é o homem de hoje, sentenciou algum grego. Nós dois, neste banco de Genebra ou Cambridge, somos talvez a prova.

Salvo nas severas páginas da História, os fatos memoráveis prescindem de frases memoráveis. Um homem a ponto de morrer quer se lembrar de uma gravura entrevista na infância; os soldados que estão por entrar na batalha falam do barro ou do sargento. Nossa situação era única e, francamente, não estávamos preparados. Falamos, fatalmente, de literatura; temo não haver dito outras coisas que as que costumo dizer aos jornalistas. Meu alter ego acreditava na invenção ou descobrimento de metáforas novas; eu, nas que correspondem a afinidades íntimas e notórias e que nossa imaginação já aceitou. A velhice dos homens e o acaso, os sonhos e a vida, o correr do tempo e da água. Expus-lhe esta opinião que haveria de expor em um livro anos depois.

Quase não me escutava. De repente, disse:

— Se o senhor foi eu, como explicar que tenha esquecido seu encontro com um senhor de idade que, em 1918, lhe disse que ele também era Borges?

Não havia pensado nessa dificuldade. Respondi, sem convicção:

— Talvez o fato tenha sido tão estranho que eu tenha tratado de esquecê-lo.

Aventurou uma tímida pergunta:

— Como anda sua memória?

Compreendi que, para um moço que não havia feito vinte anos, um homem de mais de setenta era quase um morto. Respondi:

— Costuma parecer-se com o esquecimento, mas ainda encontra o que lhe pedem. Estou estudando anglo-saxão e não sou o último da classe.

Nossa conversação já havia durado demais para ser a de um sonho. Uma súbita ideia me ocorreu.

— Eu posso te provar imediatamente — disse-lhe — que não estás sonhando comigo. Ouve bem este verso, que nunca leste, que eu me lembre.

Lentamente entoei o famoso verso:

L´hydre — univers tordant son corps ecaillé d´astres.

Senti seu quase temeroso estupor. Repetiu-o em voz baixa saboreando cada resplandecente palavra.

— É verdade — balbuciou — Eu não poderei nunca escrever um verso como este.

Antes, ele havia repetido com fervor, agora recordo, aquela breve peça em que Walt Whitman rememora uma noite compartilhada diante do mar em que foi realmente feliz.

— Se Whitman a cantou — observei — é porque a desejava e não aconteceu. O poema ganha se não adivinhamos que é a manifestação de um anelo. Não a história de um fato.

Ficou a me olhar.

— O senhor não o conhece — exclamou. — Whitman é incapaz de mentir.

Meio século não passa em vão. Sob nossa conversação de pessoas de leitura miscelânea e de gostos diversos, compreendi que não podíamos nos entender. Éramos demasiado diferentes e demasiado parecidos. Não podíamos nos enganar, o que torna o diálogo difícil. Cada um de nós dois era o arremedo caricaturesco do outro. A situação era anormal demais para durar muito mais tempo. Aconselhar ou discutir era inútil, porque seu inevitável destino era ser o que sou.

De repente, lembrei uma fantasia de Coleridge. Alguém sonha que atravessa o paraíso e lhe dão como prova uma flor. Ao despertar, ali esta a flor.

Ocorreu-me artifício semelhante

— Ouve — disse-lhe -, tens algum dinheiro?

— Sim me replicou. — Tenho uns vinte francos. Esta noite convidei Simón Jichlinski ao Crocodile.

— Diz a Simón que exercerá a medicina em Carouge e que fará muito bem... agora, me dá uma de tua moedas.

Tirou três escudos de poeta e umas peças menores. Sem compreender, me ofereceu um dos primeiros.

Eu lhe estendi uma dessas imprudentes notas americanas que têm valor muito diferente e o mesmo tamanho. Examinou-a com avidez.

— Não pode ser — gritou. — Leva a data de mil novecentos e sessenta e quatro.

(Meses depois, alguém me disse que as notas de banco não levam data.)

— Tudo isto é um milagre — conseguiu dizer — e o milagroso dá medo. Os que foram testemunhas da ressurreição de Lázaro terão ficado horrorizados.

Não mudamos nada, pensei.

Sempre as referências livrescas.

Fez a nota em pedaços e guardou a moeda. Eu resolvi lançá-la ao rio. O arco do escudo de praia perdendo-se no rio de prata teria conferido à minha história uma imagem vivida, mas a sorte não quis assim.

Respondi que o sobrenatural, se ocorre duas vezes, deixa de ser aterrador. Propus a ele que nos víssemos no dia seguinte, nesse mesmo banco que está em dois tempos e dois lugares.

Assentiu logo e me disse, sem olhar o relógio, que já era tarde. Os dois mentíamos e cada qual sabia que seu interlocutor estava mentindo. Disse-lhe que viriam me buscar.

— Buscá-lo? — interrogou.

— Sim. Quando alcançares a minha idade, terás perdido a visão quase por completo. Verás a cor amarela, sombras e luzes. Não te preocupes. A cegueira gradual não é uma coisa trágica. É como um lento entardecer de verão.

Despedimo-nos sem nos termos tocado. No dia seguinte, não fui. O outro tampouco terá ido. Meditei muito sobe esse encontro, que não contei a ninguém. Creio ter descoberto a chave. O encontro foi real, mas o outro conversou comigo em um sonho e foi assim que pude me esquecer. Eu conversei com ele na vigília e a lembrança ainda me atormenta.

O outro me sonhou, mas não me sonhou rigorosamente. Sonhou, agora o entendo, a impossível data no dólar.