quarta-feira, 19 de julho de 2023
O Rato roeu a roupa do raio que o parta
segunda-feira, 17 de julho de 2023
Dona Rosinha
Vestiu a roupa que estava na cadeira, passou a mão na barba, percebeu que dava para mais um dia, escovou rapidamente os dentes e desceu para a copa, onde beliscou um pedaço de pão e saiu rápido em direção à garagem. Entrou no carro e ao tentar ligar, percebeu que estava sem as chaves, todas, inclusive as do escritório. Voltou pela porta dos fundos, procurou na copa, na cozinha, na sala, e só então lembrou que estava na estante da sala, onde sempre fica.
Refez o trajeto, sentou no carro, deu a partida, deu uma conferida no painel, que achou embaçado. Levou a mão aos olhos e percebeu que estava sem os óculos. Respirou fundo, pediu calma ao seu eu interior e buscou mentalmente onde estavam os óculos.
Riu do fato de lembrar outra vez da Dona Rosinha, professora do ensino fundamental, cujo corpo deliciava seus pensamentos pecaminosos da pré-adolescência, perdoados várias vezes nas confissões. Recordou dela quando falava, com uma boca deliciosamente articulada, sobre o pluralia tantum para explicar a pluralidade dos óculos. Suspirou mais uma vez pelas pernas e pela boca da professora.
Enquanto fazia seu ato de contrição, lembrou que os óculos estavam no banheiro do corredor, onde sempre deixava previamente obras clássicas da literatura universal, muito em função da influência da Dona Rosinha. Voltou à casa, pegou os óculos e retornou, agora oficialmente atrasado, para trabalhar. Sentou, verificou se não estava esquecendo mais nada, quando deu por falta da carteira. Bateu a mão em todos os bolsos, olhou no porta-luvas, no porta-trecos.
Começou a rir. Lembrou mais uma vez de Dona Rosinha, a professora mais linda do mundo, escrevendo no quadro sobre “flexão de número”, e explicando com aquela voz sedosa que em substantivos compostos, vão para o plural, apenas as palavras que forem substantivo ou adjetivo. Despertou do transe e mergulhou na lembrança do corpo da Dona Rosinha, que desde aquela aula passou a referi-lo como o modelo clássico dos substantivos compostos e só então lembrou que a carteira estava na primeira gaveta da cômoda da sala.
Desta vez voltou sorrindo, acalmou e suspirou em gratidão à Dona Rosinha, a melhor e mais linda professora do mundo ...
Fonte da Imagem: Pinterest
É isto aí!
Ilusão do fim da história (David Robson, BBC)
David Robson
Role,BBC Future
15 julho 2023
* David Robson é escritor de ciências e autor do livro O efeito da expectativa: como o seu pensamento pode transformar sua vida (em tradução livre do inglês), publicado no Reino Unido pela editora Canongate e, nos EUA, pela Henry Holt. Sua conta no Twitter é @d_a_robson.
Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Future.
- extrovertidos, entusiasmados
- críticos, briguentos
- confiáveis, autodisciplinados
- ansiosos, facilmente perturbados
- abertos para novas experiências, complexos
domingo, 16 de julho de 2023
Uma Oração (Jorge Luís Borges)
Alto lá
Esta crônica não é minha
Confesso que copiei e colei
Título: Uma Oração
Autor: Jorge Luís Borges
Fonte: Marcia P Fleger
sábado, 15 de julho de 2023
As colisões inelásticas
sexta-feira, 14 de julho de 2023
Nunquam
quinta-feira, 13 de julho de 2023
O proeiro dos jeribás
Estava apressado, açodado pela saudade. A tardinha ia lenta, modificando o aspecto imponente do dia, desalinhando as obrigações não cumpridas, as promessas quebradas, desfeitas; a angústia a avolumar-se em remorsos perenes e desonestos, Seguia a passos lépidos, numa agilidade suficiente para manter-se em equilíbrio.
Andava pela estreita calçada que da apertada ruazinha que dava na Praça da Matriz, que tem outro nome homenageando um destes famosos anônimos que pela vaidade o dinheiro mantém nas placas. Aquilo não importava, pois agora e desde sempre era a Praça da Matriz e pronto.
A Matriz era um símbolo de cidadania aos direitos dos amores correspondidos e eternizados. Foi neste ambiente idílico que seus avós maternos e paternos foram apresentados, cresceram e casaram-se, bem como seus pais, e no fundo da alma sabia que sua cara-metade também cederia aos seus sinceros desejos.
Todos os casais de enamorados, obrigatoriamente, davam voltas longas pelos seus belos jardins e sentavam nos bancos ao longo das passarelas, flertando com a natureza do amor. Ali havia solidez e perpetuidade da vida, pensava enquanto desviava de meninos gritando e correndo, idosos lentos e ciclistas mentecaptos.
O frontispício da matriz, construída num elevado de cerca de seis metros acima do nível da praça, volta-se aos doze Jeribás, de cerca de 20 metros de altura, imponentes palmeiras nativas, carregadas de frutos, plantadas pelo seu bisavô materno. Neste instante para diante da visão majestosa do sol esmaecido, olha para o relógio da Matriz e escuta o primeiro toque do carrilhão a avisar que chegou o momento místico e passional das dezoito horas.
Coração acelera, suor desce pela face e em pé, trêmulo, parado e tenso, exatamente no mesmo lugar de sempre, ao lado da carrocinha de pipoca, tal qual um proeiro, que é aquele marinheiro que vigia e manobra na proa das embarcações; vigia a aproximação do ônibus que vinha do distrito para o centro trazendo as professoras e servidoras da escola municipal. Correu os olhos por todo o interior do coletivo e não a viu. Era a segunda vez que aquilo ocorria na semana.
Embalou pela descida íngreme da Rua dos Macacos, nome popular da rua fulano de tal, a tempo de vê-la nos braços de um fidalgo qualquer, sem estirpe, sem linhagem familiar histórica; sem origem local, sem linha de ascendência com certo grau positivo de excelência e sobretudo sem categoria e qualidade para tocar aquela pele de seda.
Partiu dali arrasado e no dia seguinte, quem sabe a sorte lhe sorri, aguardava às dezoito horas ao lado da carrocinha de pipoca tal qual um proeiro.
É isto aí!
quarta-feira, 12 de julho de 2023
Afinal, Carl Gustav Jung, o que querem as mulheres?
Afinal, Simone de Beauvoir, o que querem as mulheres?
Afinal, Félix Guattari, o que querem as mulheres?
terça-feira, 4 de julho de 2023
Carminha e Armandinho - o dom do emaranhamento quântico
- Ahn, hummm, o que?
- Fala baixo. Tem alguém dentro de casa.
- Tem nada, vai dormir.
- Armandinho, pelamordejesuscristinho, levanta e vai ver.
- Carminha, que chatice. Vou acender a luz e verificar.
- Não!! Não acenda a luz.
- Tudo bem, vou sair no escuro ...
Ao abrir a porta Armandinho viu-se envolvido por uma luz meio amarela, meio branca, achou que o prédio estava em chamas, levou a mão para reabri-la e não mais a encontrou. Voltou os olhos para o sentido de fuga rumo à cozinha e seguiu intuitivamente uma estranha trilha tênue de luz azul no chão. Do outro lado do ambiente deparou com um imenso portal de bronze, tendo ao terço médio superior uma assustadora aldrava.
Com certo esforço, bateu com a pesada argola de metal sobre o bronze, com o intuito de chamar a atenção de quem estava do lado de dentro. Lentamente a porta abriu e deparou com um anjo, da altura dela ou talvez um pouco mais alto, a fitá-lo com ares interrogativos.
- Você é um anjo? - perguntou.
- Sim, sou um anjo.
- Mas você não tem asas, nem rosto redondo, nem ares pueris.
- Vai querer saber se tenho sexo também?
- Não, melhor que não. Estou perdido. Você pode em ajudar?
- Entre e aguarde na fila dos Resultados Finais, se tiver sido aprovado, entre na fila das colações.
- Fila dos Resultados Finais?
- Isto, entre e siga a linha amarela até a última fila da direita.
- Não vou, mas não vou mesmo. Olha o tamanho daquela fila.
- Então fique bem, adeus e fechou a porta.
Ao bater a porta, todo o ambiente voltou ao padrão original. Refez-se do susto, correu até o quarto chamando pela esposa - Carminha, Carminha ... até e dar conta que não sabia quem era Carminha. Por algum efeito físico fora arremessado para outro mundo. Havia uma mulher deitada, belíssima, desconhecida, de olhos abertos e amendoados, voltados para ele.
- Finalmente você outra vez, afirmou a mulher, tranquilamente.
- Como assim outra vez? respondeu em pânico.
- Não lembra, não é? Vou explicar. Você tem o dom do emaranhamento quântico ...
- Dom? Eu? Como assim?
- Caramba, sempre as mesmas expressões. Vamos lá. Este emaranhamento nada mais é que um fenômeno da mecânica quântica que permite que dois ou mais objetos/pessoas/seres. estejam de alguma forma tão ligados que um objeto/pessoa não possa ser corretamente descrito sem que a sua contraparte seja mencionada e acionada- mesmo que os objetos/pessoas estejam espacialmente separados por milhões de anos-luz.
- Isso quer dizer???
- Quer dizer que isso leva a correlações muito fortes entre as propriedades físicas observáveis das diversas partículas subatômicas desde mesmo ser/objeto. Você tem esta capacidade de estar em bi locação quântica. Por mistérios universais , cada vez que você atinge um estágio secreto no seu sono, que não deveria existir, a dimensão onde se encontra seu outro ser transcodifica você de volta para seu ninho de amor original, que sou euzinha.
- Uau. E consigo atender sua expectativas?
- Demorou ...
- Acorda, Armandinho, acorda.
- Carminha????
- Quem você queria?
- Então retornei.
- Retornou? Ficou aí gemendo a noite toda e de manhã ficou com aqueles ares de vencedor de maratona, com um sorriso de glória e de deboche. Agora terá que em contar, senão apanha - qual era a vadia do seu sonho? Por que com esta cara é de quem teve sonho com bandida.
É isto aí.
Fonte da imagem: Aldrava no Palazzo Pandolfini, em Florença - Itália
segunda-feira, 3 de julho de 2023
Medicina (Olavo Bilac)
Alto lá
Este poema não é meu
Edição: 1ª edição digital / São Paulo / 2012
Editora: Editora Global
Rita Rosa, camponesa,
Tendo no dedo um tumor,
Foi consultar, com tristeza,
Padre Jacinto Prior.
O Padre, com a gravidade
De um verdadeiro doutor,
Diz: “A sua enfermidade
Tem um remédio: o calor...
Traga o dedo sempre quente...
Sempre com muito calor...
E há de ver que, finalmente,
Rebentará o tumor!”
Passa um dia. Volta a Rita,
Bela e cheia de rubor...
E, na alegria que a agita,
Cai aos pés do confessor:
“Meu padre! estou tão contente...
Que grande coisa, o calor!
Pus o dedo em lugar quente
E rebentou o tumor!”
E o padre: “É feliz, menina!
Eu também tenho um tumor...
Tão grande que me alucina...
Que me alucina de dor... ”
“Ó padre! mostre o seu dedo,
(Diz a Rita), por favor!
Mostre! porque há de ter medo
De lhe aplicar o calor?
Deixe ver! eu sou tão quente!
Que dedo grande! que horror!
Ai... padre... vá... lentamente...
Vá... gozando... do calor...
Parabéns... padre Jacinto!
Eu... logo... vi... que o calor...
Parabéns, padre... Já sinto
Que... rebentou o tumor... ”
Hábitos que promovem o sucesso
sábado, 1 de julho de 2023
Sorria, você só está um pouco triste.
Everybody Loves Somebody Sometime (Richard Kraemer)
Coisas para se fazer enquanto está vivo
Dê luz à existência,
conceba, procrie,
reproduza, forme,
constitua, gere.
produza, forneça,
Brote e germine,
quinta-feira, 29 de junho de 2023
O Analista da Pitangueira e o cliente estranho
Vamos entrar, senhor Arlindo. Há mais conforto e privacidade lá dentro do que aqui fora.
Antes de prosear com o senhor, tenho uma pergunta - o senhor é médico?
Não. Sou Analista Comportamental, graduado pela Universidade do Reino da Pitangueira, bem como feito tanto o Lato Senso como o Stricto Senso de forma completa, com direito a louvor das bancas, na mesma instituição.
O senhor é professor ou doutor?
Sou professor da área Comportamental bem como doutor na área de atuação, pelo Stricto Senso.
Hum, entendo. O senhor dá aquelas receitinhas mágicas?
Não. Claro que não. Isto é função médica.
Então o senhor confirma que não é médico?
Sim, claro.
Sim? Claro? Confirma ou não a formação médica?
Eu não sou médico, senhor.
Entendi. É um médico meia-boca, então.
Percebo que o senhor tem obsessão pelo ato médico.
Que isto, doutor, está me estranhando? Tenho nada disto não.
Quer falar sobre isto?
Sobre?
Achar que estou estranhando o senhor. Quem mais o estranha?
Minha mãe me acha estranho, meu pai às vezes e até eu me percebo estranho de vez em quando, sabe? Mas, espera, o senhor está me consultando? Já está me analisando? O senhor é médico?.
Sim, já o estou analisando. E não, não sou médico.
Sabe, entendi. O senhor fica aí só anotando umas coisinhas, escutando os assuntos dos outros e no fim fala para voltar na próxima semana.
É esta a percepção que o senhor tem de mim?
Sim e não, na realidade eu achava que o senhor é médico. O senhor é médico?
Volte semana que vem, senhor Arlindo, no mesmo horário.
Mas, doutor, meu caso é grave?
Bem, precisamos montar aos poucos o quebra cabeça dos seus conflitos, afinal hoje foi apenas um primeiro encontro, mas surgiu o ser estranho, e este é um caminho que poderá levar a algumas possibilidades.
Algumas possibilidades? Tenho cura, doutor? O senhor sabe se terei alta? Vou poder fazer coisas estranhas sem os outros perceberem que sou estranho?
Senhor Arlindo, calma. Não há aqui nenhuma condição de chegarmos a um termo comum para seu sofrimento, mas saiba que para Freud, o pai da psicanálise, o estranho nada mais é o que, por ter sido rejeitado pelo eu, retorna para causar espanto e horror. E justamente por isto, tem que ser, mais uma vez, negado sob a forma de denegação.
Seu, seu .. seu monstro insensível. Vou voltar para os remedinhos azuis, vermelhos e amarelos. Detesto comprimidinhos brancos, sabe? São viciantes e inibidores do apetite sexual. Adeus, doutor, mas, aqui,. o senhor é médico?
Senhor Arlindo, aguardarei o senhor para daqui a sete dias, no mesmo horário.
Posso trazer minha mãe?
É isto aí!
quarta-feira, 28 de junho de 2023
O poder do babydoll
terça-feira, 27 de junho de 2023
Lawrence - Don't Lose Sight (Acoustic)
quarta-feira, 21 de junho de 2023
Homeostase Emocional (Emanuel Aragão)
Oi.
Eu sou o Emanuel Aragão.
Filósofo e dramaturgo de formação.
Escritor.
Psicoterapeuta de orientação psicanalítica.
E criador da autoescrita.
Aqui está também o conteúdo que eu fiz no flor e manu, sem a flor.
A gente usa esse espaço pra pensar em psicanálise, psicologia, saúde mental, neurociência afetiva, filosofia.
E, é claro, em autoescrita.
Fica à vontade pra me mandar um e-mail se tiver alguma questão.
Um abraço,
Emanuel
Fonte Youtube: Homeostase Emocional
















