terça-feira, 29 de abril de 2025

O ciclo do amor dorido

o amor 
germinou 
salutar

andou
aqui, ali,
acolá

e acabou 
por falência 
múltipla

morreu
num setembro
chuvoso

sem féretro
nem carpideiras
nem nada.

É isto aí!

sábado, 26 de abril de 2025

Cartas de Amor XCII


Reino da Pitangueira,
Planeta Terra&Lua,
3° do Sistema Solar,
Via Láctea, Zona Sul

Querida, somos argonautas dos nossos quereres,

Calma, meu bem — logo, logo explicarei todas estas viagens desbravadoras e épicas ao interior do seu interior.

Ocorreu um sonho, e lancei-me como um argonauta em busca da conquista do Velocino de Ouro que sabia escondido na sua alma. Sem mapas, movido apenas por uma esperança cega—    quase desespero. Soube, desde o primeiro instante, que você seria minha busca — e nunca meu destino. E, ainda assim, segui navegando pelas turbulentas águas da saudade.

Cada travessia em sua ausência me afastava mais do que alcançam meus olhos cansados. Seu corpo tornou-se uma ilha distante, e eu, perdido nos mares revoltos do meu próprio coração, enfrentei ondas inclementes. E sabendo  que nada disso é possível, continuo a busca determinado a velejar nas intempéries do mar das ilusões, embora tema o silêncio do imenso vazio que haverá ao aportar no deserto da sua existência.

Mas quem sou eu para reclamar dessa busca que me consome? Quem sou eu para duvidar do caminho, quando este é a minha sina e a travessia, em sua imensidão, é a minha vida? O amor que busco, ainda inalcançável, existe como uma chama — não para ser apagada, mas para ser carregada, dia após dia, como a vela que, embora tremule, nunca perde seu lúmen.

A dor que sinto faz parte do vasto ser que sou — sou a busca, o eterno movimento da maré que nunca cessa. E, assim, mesmo sabendo que a conquista nunca haverá de acontecer, parte sua vive em mim em cada instante. 

Querida, enquanto argonauta hoje sou um náufrago a singrar mares de angústia! 

É isto aí!


sexta-feira, 25 de abril de 2025

Carminha e Armandinho - Sinopses II


Quando Armandinho diz:

Minha única maestria incontestável reside no não agir — não como indolência, mas como repouso no Deus de Agostinho, eco daquele "Fizeste-nos para Ti, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em Ti". 

Pois no doce não-fazer transcendental, descubro mais que resistência: um ócio consagrado ao Divino, herdeiro daquele ócio contemplativo que, segundo o Doutor da Graça, precede a verdadeira ação — pois até o Verbo, antes de criar o mundo, repousava no seio do Pai. 

Aqui, na quietude que antecipa o Sétimo Dia eterno, compreendo que o não agir, longe de ser vão, é o gesto primeiro da criatura que, esvaziada de si, torna-se capaz de ser plenificada pela Graça, como a terra inculta que aguarda o cultivo celestial.

Na realidade ele só quer dizer: 

"A única coisa que eu sei fazer bem é não fazer nada."


Quando Carminha diz:

Saiba, querido que às vezes vem à tona do oceano das memórias um episódio que ocorreu quando tinha apenas nove anos e ouvi uma sentença condenatória pela primeira vez. Minha tia ridícula e má puxou-me pelo vestido de festa, um rosa claro que eu amava, e disse cinicamente sorrindo: "Cuidado, princesa, já está ficando ondulado no abdome. Ninguém gosta de boneca com silhueta ondulada". 

Nove Anos, puxa vida, era apenas uma criança feliz com nove anos. Naquele momento aprendi que meu corpo era um problema a ser resolvido. Que ocupar espaço era um pecado. Que eu deveria me encolher para sempre, até caber num mundo sufocante, condenatório e cruel, como uma coisa pequena, disforme e triste.

Sabe o que me assusta? Mesmo depois de tudo, dos livros, das dietas, das lutas pessoais,  ainda tem dias em que olho no espelho e só consigo pensar em qual espaço eu existo. Logo interrompo o pensamento porque, em algum lugar obscuro da minha cabeça, crenças limitantes gritam que não mereço ser amada ou ser feliz. Você me ama?

Na realidade, ela só quer perguntar:

"Amor, estou gorda?"


É isto aí!



sábado, 19 de abril de 2025

Feliz Páscoa (Nevinha Werneck)


Alto lá
Esta prosa não é minha
Confesso que copiei e colei
Autora: Nevinha Werneck

Sobre a autora: Nevinha Werneck é gente e agente das benesses humanas, mineira de Miraí, fotógrafa, poetisa, contista com livros e obras já publicadas, além de participação em eventos culturais da arte da Zona da Mata mineira.


Feliz Páscoa aos que desdobram a subjetividade, rompendo a casca do ego para deixar renascer a mulher ou o homem novo.

Feliz Páscoa aos artífices da paz que, entre conflitos, exalam suavidade, não achibatam com a língua a fama alheia, nem naufragam nas próprias feridas. E aos emotivos que deixam escapar das mãos as rédeas da paciência e nunca abandonam as esporas da ansiedade.

Feliz Páscoa aos que tecem com o olhar o perfil da alma e, no silêncio dos toques, curam a pele de toda aspereza. E aos amantes tragados pelo ritmo incessante de trabalho, carentes de carícias, que postergam para o futuro o presente que nunca se dão e agora se darão ...

Feliz Páscoa aos que ousam ser gentis e doces, sem pudor de abraçar o menino que carregam dentro de si.

Feliz Páscoa a quem abre caminhos com os próprios passos e cultiva em seus jardins a rosa dos ventos. E aos que colhem borboletas ao alvorecer e sabem que a beleza é filha do silêncio.

Feliz Páscoa aos que garimpam utopias nos campos da miséria e trazem seus corações prenhes de indignação, sem jamais olvidar o próximo como seu semelhante.

Feliz Páscoa aos que nunca fecham a janela ao horizonte, regam suas raízes e não temem pisar descalços a terra em que nasceram. E aos que se embriagam de chuvas, ofertam luas à namorada ou namorado e fazem da poesia a sua lógica.

Feliz Páscoa aos colecionadores de araucárias, que enfeitam de sonhos suas florestas e, na primavera, colhem frutos de plenitude. E aos que brincam de amarelinha ao entardecer e desconfiam dos adultos exilados da alegria.

Feliz Páscoa aos que se repartem nas esquinas, distribuem aos passantes moedas de sol e, nada tendo, nada temem.

Feliz Páscoa aos trovadores de esperanças, aos fazendeiros do ar e aos banqueiros da generosidade, que sabem tirar água do próprio poço. E aos que mantêm em cada esquina oficinas de conserto do mundo, mas desconhecem as ferramentas que arrancam as dobradiças do egoísmo.

Feliz Páscoa aos que descobrem Deus escondido numa compota de figos em calda ou no vaga-lume que risca um ponto de luz na noite desestrelada. E aos que aprendem a morrer, todos os dias, para os apegos de desimportância e, livres e leves, alçam vôo rumo ao oceano da transcendência.

domingo, 13 de abril de 2025

Oração do Espírito Santo para rezar todos os dias!

 Oração do Espírito Santo para rezar todos os dias! 🕊️ 

Ó Espírito Santo, amor do Pai e do Filho, inspirai-me sempre: o que devo pensar, o que devo dizer, o que devo calar, o que devo escrever, como devo agir, aquilo que devo fazer para alcançar a Vossa glória, a salvação das almas e minha própria santificação. Amém! 

quinta-feira, 10 de abril de 2025

Oração de Santa Gemma Galgani por uma graça especial

Gema Maria Humberta Pia Galgani, também conhecida como Gemma Galgani ou Gemma de Lucca 1878/1903), foi uma mística e religiosa italiana, venerada como santa na Igreja Católica desde 1940. Ela foi chamada de "filha da Paixão" por causa de sua profunda imitação da Paixão de Cristo.

Oração:

 “Eis-me aos Teus pés santíssimos, ó querido Jesus, para manifestar-te a minha gratidão pelas contínuas graças que me concedeste e ainda desejas conceder-me.

Quantas vezes te invoquei, ó Jesus, e Tu me fizeste contente.

Muitas vezes recorri a Ti e sempre me consolaste.

Como devo me expressar a Ti, querido Jesus?

Obrigado!

Ainda mais uma graça eu desejo de Ti, ó meu Deus, se for do teu agrado (mencione aqui seu pedido).

Se tu não fosses onipotente, eu não faria esse pedido.

Ó Jesus, tem piedade de mim. Que tua santíssima vontade seja feita em todas as coisas.”

quarta-feira, 2 de abril de 2025

Carminha e Armandinho - Sinopses - I


Quando Carminha diz: 

Estou priorizando meu descanso para recarregar as energias e ser mais produtiva quando necessário, porque acredito firmemente que o autocuidado é um direito fundamental de todas as mulheres. Além disto, é essencial que nós, mulheres, reconheçamos a importância de cuidar de nós mesmas enquanto equilibramos nossas múltiplas responsabilidades. Ao fazer isso, não apenas reivindicamos nosso espaço, mas também desafiamos as normas que muitas vezes nos pressionam a colocar as necessidades dos outros à frente das nossas. O autocuidado é uma forma poderosa de empoderamento e resistência!

Ela só quer dizer:  

Eu não sou preguiçosa, só estou em modo econômico de energia.


Quando Armandinho diz: 

Não guardo mágoas. Há fases que enfatizam a minha capacidade humana de transformar desafios em oportunidades e de agir com generosidade. Assim, quando a vida apresenta dificuldades, tenho a habilidade de transformá-las em algo positivo. Essa transformação não é apenas um ato de resiliência, mas também uma manifestação natural do desejo humano de se conectar e se reconhecer no outro. Ao fazer isso, posso surpreender e inspirar aqueles ao meu redor, revelando que, mesmo nas adversidades, a solidariedade e a criatividade humana podem criar um impacto significativo na vida dos outros. Essa perspectiva valoriza a resiliência e a interconexão entre nós, fundamentais no humanismo, e lembra que, na busca por sentido, você será sempre o espelho que reflete minhas lutas e conquistas.

Ele só quer dizer: Se a vida te der limões, faça uma limonada...


É isto aí!

domingo, 30 de março de 2025

Cartas Avulsas XXVII



Reino da Pitangueira,
10 de Março de 2025
129.º dia do ano no calendário gregoriano.
Faltam 235 dias para acabar o ano..
Dia Mundial da Juventude.
Por do Sol às 18h53 min
Lua Crescente Gibosa às 06h55 min
Estação Outono

Cartas de Outono são as mais tristes de escrever, disse uma das muitas vozes que coabitam em minha consciência etérea, equidistante da consciência telúrica que nestas horas desaparece para não se comprometer com minha realidade paralela, escondida em algum dos meus múltiplos universos alternativos.

Cartas de Outono doem feito um infinitivo flexionado no gerúndio.

Cartas de Outono doem e estimulam este substantivo abstrato que só existe na língua portuguesa, denominado Saudade.

Cartas de Outono, nesta existência em estado humano, transcendem o óbvio singular promovendo desde a perda súbita e transitória da consciência secundária à hipoperfusão cerebral difusa.

Cartas de Outono não deveriam existir. Quando assim o fazem, apresentam reclames que abatem os pensamentos com início súbito, curta duração e recuperação lerda.

Cartas de Outono me lembram que adoro o Outono, apesar desta complexidade existencial. Vou parar por aqui... como sabe, cartas de outono doem em mim.

É isto aí!



quinta-feira, 27 de março de 2025

Bilhetes Avulsos III


Li num carro que passou apressadamente por mim: "Vende-se 2018". Fiquei com aquele negócio na mente... refleti com profunda inconsciência, com a cabeça longe, muito antes de 2018 e conclui que jamais venderia um segundo sequer da minha vida, muito menos um ano...

Nisso vi, pensei, acho que ouvi também dentro de mim, que há dias que a gente permite aos seres extra-sensoriais, piramidais, estrambólicos, angelicais e miasmáticos, dentre tantos outros - já que somos muitos que nos habitam - a modelarem mundos paralelos aos que nos pertencem no que se denomina realidade, a fim de amenizar as saudades, ausências, angústias etc., já que não tem como modificá-las.

Vender um ano ... puxa vida ... trem de doido ...

É isto aí!


terça-feira, 25 de março de 2025

Laços de almas gêmeas

Laços de alma
são estas conexões místicas,
emocionais e profundas
entre duas pessoas

Por analogia,
é um emaranhamento quântico
concedendo que duas almas
estejam fortemente ligadas

Mas tão conectadas
que uma não poderia
ser corretamente descrita
sem a sua contra-parte

Mesmo que o destino
possa tê-las separado
por apenas uma vida
ou por bilhões de anos-luz.


É isto aí!


Fonte da imagem: TV Alagoas / Tecmundo

quinta-feira, 13 de março de 2025

A Couraça de São Patrício - Oração de São Patrício contra feitiços e malefícios



Fonte: Aleteia do Brasil, publicado em 16/01/17

A Couraça de São Patrício trata-se de uma poderosa oração de proteção contra inimigos dos mundos físico e espiritual

De acordo com a tradição, São Patrício escreveu esta oração por volta do ano 433 para invocar a proteção divina, depois de converter com êxito, do paganismo ao cristianismo, o rei irlandês e seus súditos.

A Couraça de São Patrício

Levanto-me, neste dia que amanhece,
Por uma grande força, 
Pela invocação da Trindade,
Pela fé na Tríade,
Pela afirmação da unidade
Do Criador da Criação.

Levanto-me neste dia que amanhece,
Pela força do nascimento de Cristo em Seu batismo,
Pela força da crucificação e do sepultamento,
Pela força da ressurreição e ascensão,
Pela força da descida para o Julgamento Final.

Levanto-me, neste dia que amanhece,
Pela força do amor dos Querubins,
Em obediência aos Anjos,
A serviço dos Arcanjos,
Pela esperança da ressurreição e da recompensa,

Pelas orações dos Patriarcas,
Pelas previsões dos Profetas,
Pela pregação dos Apóstolos
Pela fé dos Confessores,
Pela inocência das Virgens santas,
Pelos atos dos Bem-aventurados.

Levanto-me neste dia que amanhece,
Pela força do céu:
Luz do sol,
Clarão da lua,
Esplendor do fogo,
Pressa do relâmpago,
Presteza do vento,
Profundeza dos mares,
Firmeza da terra,
Solidez da rocha.

Levanto-me neste dia que amanhece,
Pela força de Deus a me empurrar,
Pela força de Deus a me amparar,
Pela sabedoria de Deus a me guiar,
Pelo olhar de Deus a vigiar meu caminho,
Pelo ouvido de Deus a me escutar,
Pela palavra de Deus em mim falar,
Pela mão de Deus a me guardar,
Pelo caminho de Deus à minha frente,
Pelo escudo de Deus que me protege,
Pela hóstia de Deus que me salva,
Das armadilhas do demônio,
Das tentações do vício,
De todos que me desejam mal,
Longe e perto de mim,
Agindo só ou em grupo.

Conclamo, hoje, tais forças a me protegerem contra o mal,
Contra qualquer força cruel que ameace meu corpo e minha alma,
Contra a encantação de falsos profetas,
Contra as leis negras do paganismo,
Contra as leis falsas dos hereges,
Contra a arte da idolatria,
Contra feitiços de bruxas e magos,
Contra saberes que corrompem o corpo e a alma.

Cristo guarde-me hoje,
Contra veneno, contra fogo,
Contra afogamento, contra ferimento,
Para que eu possa receber e desfrutar a recompensa.

Cristo comigo, 
Cristo à minha frente, 
Cristo atrás de mim,
Cristo em mim, 
Cristo em baixo de mim, 
Cristo acima de mim,
Cristo à minha direita, 
Cristo à minha esquerda,
Cristo ao me deitar,
Cristo ao me sentar,
Cristo ao me levantar,
Cristo no coração de todos os que pensarem em mim,
Cristo na boca de todos que falarem em mim,
Cristo em todos os olhos que me virem,
Cristo em todos os ouvidos que me ouvirem.

Levanto-me, neste dia que amanhece,
Por uma grande força, 
pela invocação da Trindade,
Pela fé na Tríade,
Pela afirmação da Unidade,
Pelo Criador da Criação.

sexta-feira, 7 de março de 2025

Cartas de Amor XCI



Reino da Pitangueira,
Planeta Terra&Lua,
3° do Sistema Solar,
Via Láctea, Zona Sul

Querida,  somos um complexo farmacológico

Calma meu bem, calma ... isto, muita calma... deu que hoje acordei com este ímpeto farmacêutico e resolvi trazer à tona nossos vínculos quando alinhados com nossas emoções de coexistirmos.

Saiba que você fica linda quando assustada pelas palavras que guardo em sua boca. Inspire, respire, inspire, respire ... assim, bem devagar. Lembra de quando viajamos até o Rio de Janeiro e choveu os três dias? Aquilo foi tramado pela nossa alta expectativa hormonal e tratou-se de uma quebra do dorama psicofarmaceutico que a natureza impôs e não estava de acordo com a nossa conduta potencializada. Na prática, longe de ser um padrão de normalidade, é chamada de inibição por quebra de catecolaminas excitadas.

Quando penso em você e miro nos seus pensamentos mais profundos, tenho medo. Saiba que naquele instante, meu  cérebro libera neurotransmissores, tais como potentes gatilhos químicos da paixão, que acelera o fluxo de informação entre neurônios; e então sou inundado pelo seu cheiro de amor.

Logo a seguir nossos corpos aquecem e produzem em todo nosso ser uma sensação de estar única, energizado e eufórico. Nestes dias presencio a diminuição do apetite e aparece a insônia. Daí, as serotoninas  subjacentes à paixão avassaladora liberam a censura associada a pensamentos obsessivos e ao sonhar acordado com você.

Enquanto singra lépida, graciosa, alegre, feliz e risonha pelos meus  delírios farmacocinéticos e neurofarmacológicos após a ânsia dos primeiros pensamentos, sabendo que aí dentro(do seu coração) moram um pedaço todos os meus quereres, a  oxitocina, um neuropeptídeo produzido no hipotálamo, me faz sentir seu carinho, suas carícias e sua pele conjugando as nossas existências.

Querida, eu não sei não amar você! 
É isto aí!

 





sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

Cartas Avulsas XXVI

 

Reino da Pitangueira,

28 de Fevereiro de 2025
59.º dia do ano no calendário gregoriano.
Faltam 306 dias para acabar o ano.
Nesta data, em 1953 — James Watson e Francis Crick anunciam a amigos que determinaram a estrutura química do DNA
Por do Sol às 18h17 min
Lua Nova às 06h13
Estação Verão

Querida, temos que falar deste amor e rever nossas emoções!

Saiba que a química do amor é um fenômeno genético, neurobiológico, espiritual, adâmico, neandertal, filológico, egoísta e pan-heterodoxo, mais em função do desvio de padrões ou crenças aceitas ou recusadas, onde cada um fica no seu quadrado até que o amor aconteça. Aí, meu bem, haja o que hajar, como imortalizou-se naquela tatuagem sobressaltada de comandos cifrados e enigmáticos de causas e efeitos neurossensoriais.

A química do amor tem poder e valores fulminantes e viciantes. É plural e não permite a frenagem na aceleração dos sentimentos. Quando o amor acontece, a ladeira fica íngreme e tudo que se pode fazer é procurar manter a direção.

Saiba, meu bem, que a química do amor é uma tempestade de substâncias no cérebro. Por exemplo, a feniletilamina, também conhecida no circuito das paixões como o “gatilho químico” do querer e desejar, acelera o fluxo de informação entre neurônios, mas felizmente dura pouco, mas é tão bom que logo vicia, daí esta aflição permanente de querer a pessoa mais e mais.

Enfim, a paixão é um estado de alteração mental e física, capaz de nos embriagar, entorpecer, delirar, amar, sonhar de forma infinita enquanto dure a ação da Adrenalina, da Dopamina, Norepinefrina, Serotonina, Ocitocina, Vasopressina e tantos outros hormônios que fazem nossa vida valer a pena.

Até um dia outra vez!

É isto aí!

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

Bilhetes avulsos II



Era você, sempre fora você nesse pretérito mais que perfeito sem presente nem futuro e eu, aqui por todo tempo, mergulhado no imenso vazio deste hiato.

É isto aí!

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

Bilhetes avulsos


Esta saudade é um dos pilares da tristeza que elucida e descreve o comportamento da minha memória devido à sua ausência em escalas extremamente curtas, perpassando ora onda, ora partícula feito uma mecânica quântica inserida no presente do subjuntivo.

Por causa disto ou não, não sei, sei lá, vai saber, preciso acreditar (sempre) que minha melhor versão está no futuro e que meu melhor roteiro um dia há de ser escrito, já que minha melhor edição ainda será realizada.

Volta, vem viver outra vez ao meu lado ...

Cantor: Hélio Delmiro (RJ)
Youtube: Ed Santana

Quantas noites não durmo
A rolar-me na cama,
A sentir tantas coisas
Que a gente não pode explicar
Quando ama?

O calor das cobertas
Não me aquece direito...
Não há nada no mundo
Que possa afastar
Esse frio do meu peito.

Volta!
Vem viver outra vez ao meu lado!
Não consigo dormir sem teu braço,
Pois meu corpo está acostumado...

(Lupicínio Rodrigues)

 



sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

Vera Cruz do Marmelar

 https://www.youtube.com/shorts/KnncB9wuPR0


Vera Cruz (também conhecida por Vera Cruz de Marmelar) é uma povoação portuguesa sede da Freguesia de Vera Cruz do Município de Portel, freguesia com 44,58 km² de área e 378 habitantes (censo de 2021), tendo, por isso, uma densidade populacional de 8,5 hab./km².

Freguesia histórica, muito antiga, que em 1257, quando D. João Peres de Aboim chegou a estas terras, possivelmente já existia o Mosteiro de Vera Cruz, o monumento mais antigo do município, que deve a sua fama à Relíquia do Santo Lenho, trazida por um cavaleiro depois da Sétima Cruzada.










sábado, 25 de janeiro de 2025

Papo de esquina - Casos de família - Janeiro 2025



01 - Tio Juquinha era um homem silente, discreto e recatado. Casado com Tia Iracema, eram o casal perfeito da família. Um dia Tio Juquinha encontrou com Laurinha no mercado municipal. Laurinha era filha da comadre Fabiana, amiga de infância de Tia Iracema. Conversaram, conversaram, conversaram e Tio Juquinha descobriu que Laurinha estava deprimida, triste e abandonada em dívidas e problemas por causa do marido George, um mané do bairro, envolvido com uma turma de atividades ilícitas.

Deu que George, vulgo Gegê do Celta, sofreu um ferimento de projéteis anônimos e já há cerca de 20 meses, três semanas e 4 dias estaca acamado sem os movimentos das pernas e do braço direito. Tio Juquinha assumiu as despesas de Laurinha e passou a frequentar a casa para dar banho e alimentar Gegê. Daí que Tia Iracema falava que era um homem santo, até que um dia ele foi e nunca mais voltou de Laurinha, que nesta época já iam mais de 180 dias de viuvez.


02 - Tio Horácio era um fanfarrão. Adorava festas, adorava abraçar mulheres, adorava a farra, as bebidas e as pescarias. Um dia saiu para comprar pão e tia Geralda achou que ele estava estranho, mas como era já meio estranho, um pouco de estranheza a mais poderia ser considerado normal. Demorou muito para voltar. Tia Geralda ligou para a polícia, as três irmãs, até para Florisvaldo, uma paixão antiga a qual guardava em suspiros dobrados num total segredo.

Deu que naquele dia Tio Horácio pegou o ônibus e seguiu para Teresina no Piauí, onde estava Maristela, uma morena discreta que conhecera na festa de noivado da sua filha. Maristela vinha a ser a prima do noivo. Foi a primeira vez que ouviu-se falar de Teresina naquela casa e depois disto nunca mais soube-se do Tio Horácio também. - Naqueles tempos Piauí era uma terra distante, muito distante e mais nada. - Daí que Florisvado passou a rodear Tia Geralda, que deu nele de cabo de vassoura com voadoras e tapas uma três vezes, então cansou e enfim permitiu-se adsorver o deleite das águas do curso do desejo.


03 - Vovô Tatá era um sujeito esclarecido, de muita leitura. Tinha assunto para tudo. Um dia seu filho Carlinhos chegou com malas e sacolas, de mudança, com Doralina, a esposa além das duas filhas lindas ainda na infância. Vovó Ditinha bateu de frente, mandou voltarem do lugar de onde vieram. Vovô Tatá defendeu a permanência até que as coisas se arrumassem. Deu que com três dias o filho esticou as pernas no mundo, e desapareceu. 

Foi em segredo para a Europa trabalhar com um amigo íntimo, numa viagem jamais combinada com a esposa. Assim que desembarcou em Paris mandou um whatsapp dizendo - "estou bem, vim para Paris trabalhar, desculpe por tudo. Depois explico" -. Seis meses depois mandou por um intermediário um envelope que continha 250 euros e um bilhete lacônico dizendo adeus e pedindo perdão. Então, numa sequencia de episódios,  Vovó Ditinha adoeceu e perdeu o gosto da vida. Daí Doralina despediu-se das filhas em segredo e também sumiu no mundo. 

É isto aí!

quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

Cartas Avulsas XXV

Reino da Pitangueira,
22 de Janeiro de 2025
22.º dia do ano no calendário gregoriano
Faltam 343 dias para acabar o ano.
Dia da  Chegada ao Brasil, em Salvador BA, da família real portuguesa
Por do Sol às 18h35 min
Lua Minguante às 12h40
Estação Verão

Para ser lida em 22 de Janeiro de 2031

Querida, caso esta carta tenha chegado ao seu destino, quero afirmar que sinto-me feliz por você estar bem.

Há aqui neste presente de tormentas e desesperanças vários sinais de que seriam estes os famosos finais dos tempos e que este mundo seria* (lanço mão do futuro do pretérito, visto que ele não é deste mundo material, já que o que se passa - neste caso - é uma coisa atrelada à manipulação das massas) desconspurcado das carradas de loucuras e devaneios dos agentes de extermínio de todas as células vivas capazes de reprodução in vivo* (resgatando a locução que indica o modus operandi da ação adverbial explícita neste planeta.

Como deve saber, acredito que saberia ou deveria saber, creio eu, que estou a recorrer ao futuro do pretérito neste tempo verbal do modo indicativo, no intuito de fazer referências a algo malignamente malévolo que poderia ter acontecido no seu passado, ou seja neste presente ao qual lê essa missiva. Não sei o destino do bilhões de seres vivos da linhagem adâmica que faleceriam mas - Maktub - sei que ao menos os cobradores de impostos e as prostitutas os precederiam no Reino dos Céus.

Assim sendo, ao correr os olhos neste ecrã perceberá que ouso expressar incertezas, surpresas, indignações derivadas de delírios escalafobéticos de uma turba psicótica sideral promotora de ações sequenciais de caráter antibiótico. Só para registro, apesar de acreditar desnecessário, o antibiótico aqui é de cunho literal - do grego αντί - anti+ βιοτικός - biotikos, "contra um ser vivo".

O fato é que de repente, não mais que de repente, centenas de profetas, videntes, celebridades, subcelebridades, pseudo celebridades, tubers, pitonisas, levianos, gostosinhas, astrólogos e filósofos catalães de Ba car di, dentre tantos, passaram desde 1999 até a presente data a apregoar o fim da existência humana e amedrontar a todas as classes sociais, raciais, solidárias, amigas, inimigas, ricas, pobres, nobres e plebeias, considerando aqui toda a gama das classes e subclasses sociais da A à Z, do porteiro ao magistrado, dos políticos das vilas aos iluminados do senado, dos empresários ricos, pobres, médio e acomodados, dos mestres aos antípodas existencialistas, etc etc etc.

Assim o mal penetrou pelos olhos, ouvidos e gargantas profundas da choldra, da ralé, das arraias-miúdas, dos enxurros, das escoalhas, das escórias, dos escorralhos, das escumalhas, dos frasqueiros, das gentalhas, das gentinhas, das maltas, das merdalhas, dos merdinhas, das patuleias, das plebes, dos populachos, do povaréu, da rabacuada, das rafameias, da raleia, das ralés, das sarandalhas, dos sarandalhos, dos vulgachos, dos vulgos, do zé-povinho e da súcia.

Mas se você está lendo esta carta em 22 de Janeiro de 2031, fico feliz em saber que ou foi adiado ou anulado, ou suspenso o fim do mundo, para ser julgado pela segunda turma do Tribunal de Justiça sine die... sine die ...

É isto aí!

domingo, 12 de janeiro de 2025

Onde nós estamos




Em que altura da vida 
acontece a felicidade?
Em que fase da lua
resplandece a sorte?

Em qual esquina muda
encontro seu sorriso?
Onde não estaremos 
quando nos encontrarmos?

Quando e onde perdemos
nossas versões traduzidas
sem a desfaçatez única?

Anverso às faces ruins,   
É lá, no deserto da sensatez
que a guardo, para sempre.

É isto aí!


segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Cartas Avulsas XXIV



Reino da Pitangueira,
06 de Janeiro de 2025
6.º dia do ano no calendário gregoriano
Faltam 344 dias para acabar o ano.
Dia do Reis Magos e Dia da Gratidão.
Por do Sol às 18h34 min
Lua Quarto Crescente às 20h56
Estação Verão

Cartas à Milena.

As cartas de Franz Kafka para Milena Jesenská são um testemunho profundo de amor, angústia e desejo. Milena, uma escritora e tradutora tcheca, foi, provavelmente, o grande amor da vida de Kafka. Sua relação, em grande parte platônica, aconteceu entre 1920 e 1923, enquanto Kafka lidava com problemas de saúde e dificuldades emocionais.

Conheceram-se em 1920, quando ela começou a traduzir seus textos para o tcheco e trocaram cartas durante alguns anos, com o relacionamento limitado pela distância além de serem casados e infelizes nos seus respectivos matrimônios.

Essas cartas são conhecidas por sua intensidade emocional e pela habilidade de Kafka em expressar sentimentos de maneira profundamente introspectiva e poética. As cartas cessaram em 1923, pouco antes da morte de Kafka, em 1924. Ele estava gravemente doente e a relação, embora profundamente significativa para ambos, nunca foi plenamente concretizada devido às barreiras sociais e emocionais.

São também um testemunho da complexidade e da intensidade do amor. Elas revelam não só o carinho e desejo, mas também suas inseguranças e a luta constante entre o desejo de estar com ela e a impossibilidade de viver esse amor da maneira que ele desejava. A profundidade emocional e a honestidade dessas cartas fazem algumas das mais intensas e admiradas expressões de amor da literatura.


"Querida Milena,

Eu te amo, e o que posso fazer com isso, senão escrever? Eu não tenho palavras para te dizer o quanto te amo, mas estas palavras vêm de um lugar profundo de onde só as palavras podem surgir. Se me faltam gestos, eu tento expressar tudo com o que posso — com as palavras que, talvez, falhem, mas ainda são minha única forma de te alcançar.

Em você vejo algo que não pode ser tocado, algo distante e ao mesmo tempo tão perto. Tento te amar, mas às vezes me sinto como se estivesse amando um reflexo, algo que é ao mesmo tempo real e irreal. A dor de te amar não é só minha, mas também tua, pois sei que nos fazemos mal, de algum modo, pela impossibilidade de um amor pleno.

Não há mais sentido em fugir disso, Milena. Em você encontro o que não encontro em mais ninguém. Mas ao mesmo tempo, minha dor é tão grande quanto meu amor. Não consigo imaginar sem você, mas tenho medo que o nosso amor possa ser algo que nunca se concretiza, mas sempre se estende, indefinidamente.

Com todo o meu amor e desespero, Franz"

É isto aí!