terça-feira, 2 de junho de 2026

A moça no supermercado


Vi uma moça andando e divagando num supermercado, concomitante à minha presença. Não gosto de olhar mais de três vezes nestes casos, pois aí já passa para reprovação de comportamento. Veja só, um idoso olhando com olhos de catarata para a juventude, desta forma. Deve ser destes tarados embutidos em roupa de tergal. 

A mulher era nova, tinha algo de 23 anos, talvez menos um pouco. As mulheres nesta faixa etária estão no ápice da beleza juvenil, migrando para a fase adulta. E é melhor tirar a mira fixa do corpo destas beldades, a não ser que saiba trabalhar com cálculo integral, e, quer seja definida ou indefinida, não alimente muita esperança de chegar a algum resultado, já que calcular áreas sob curvas, volumes de sólidos e acumulações de taxas não é para amadores. 

Foi viajando nestes conceitos matemáticos que passaram por minha vida acadêmica e nunca, e quando digo nunca, quero dizer nunca, me foram úteis enquanto ferramental de avaliação de área, porém, apesar de ser um completo desconhecedor das profundezas matemáticas, sou do tipo que nunca desiste.

Depois de alguns segundos de reflexão científica mal resolvida desde priscas eras, cheguei ao mesmo resultado de sempre.

 Conclusão: Nada. Não concluo nada, apenas vi uma moça e achei bonita, foi só isto.

É isto aí!

4 comentários:

  1. Há textos que começam falando de uma pessoa e terminam falando de outra. Esta crônica começa com uma moça no supermercado e termina revelando um cronista tentando resolver, por métodos matemáticos rigorosamente inadequados, um dos problemas mais antigos da humanidade: o que fazer quando a beleza simplesmente passa diante dos nossos olhos. A resposta, felizmente, continua sendo nenhuma.

    E talvez seja justamente por isso que a crônica funciona tão bem.

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    1. Grato pelo comentário. Enriquece e muito a crônica.

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  2. Aliás, há certa ironia poética nisso tudo. A crônica fala de um observador anônimo olhando discretamente uma moça no supermercado. E agora o comentário será feito por um leitor anônimo observando discretamente o cronista. A estrutura se fecha como um pequeno círculo literário.

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    1. Muito interessante sua percepção. Estou muito feliz com seu comentário. Volte mais vezes.

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Gratidão!