sábado, 19 de setembro de 2026

Cartas avulsas XXXIV- "Não é fácil amar e é impossível desamar."


Cartas Avulsas 34

Litterae solutae XXXIV


34ª Carta Avulsa

Reino da Pitangueira,

19 de setembro de 2026

 262º dia do calendário gregoriano.

Faltam 103 dias ou  2.480 horas para acabar o ano.


Dia Nacional do Teatro e o Dia do Ortopedista no Brasil.

A Igreja Católica comemora o dia de Nossa Senhora da Salete

Pôr do Sol às 17H:45min. 

 É início da Lua em fase crescente

A estação atual é o inverno.


Não é fácil amar e é impossível desamar.
 
Nesta tarde quase noite, com céu nublado, pós tempestade, depois de ventos a cerca de 70 km/h, deixarei esta carta, colocada numa inviolável garrafa PET, seguir por este turbulento canal que continua lavando meus passos de todos os dias, quando saio à sua procura, subindo escadas e descendo ladeiras feito Sísifo, condenado a repetir sua tarefa, mas capaz de assumir sua condição e encontrar nela uma forma de liberdade.

Prefiro pensar que sou um Sísifo feliz, a sair do recanto construindo esperanças e, quando retorno à solidão dos sonhos, você estará sorrindo entre lágrimas, a afagar as feridas doloridas de todos aqueles dias que não são malditos, já que todos, na completude de ser amor, promovem a validação do ser e do estar preenchido pelo tempo sem você.

Relembro a nossa bioquímica do amor, operando um conjunto de reações químicas, físico-químicas e bioquímicas, fluindo em frenesi, numa velocidade inimaginável, liberando neurotransmissores de elevada potência, coordenados pelo cérebro, que geravam a paixão, o afeto e o apego entre nós.

A "Loucura Pet-Náutica", esta embarcação que se torna personagem, levará a carta. Acompanho-a até desaparecer na curva do campo para entrar no riacho da agonia, seguindo até o ribeirão. Por fim, vejo-a, num aceno de adeus, atingir o rio; daí, chegará ao mar e acompanhará as correntes oceânicas no mesmo movimento de Sísifo.

Enquanto isso, no banco da varanda, minha existência fala quase sussurrando que:

“Se se morre de amor! — Não, não se morre,
quando é fascinação que nos surpreende".

Participaram desta carta:

O Mito de Sísifo — Albert Camus
Se se morre de amor — Gonçalves Dias

É isto aí!

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