terça-feira, 29 de setembro de 2026

Levigação


— Volta! — gritei à mocinha, no meio de um vendaval de conflitos passionais, suado, ofegante e triste. Sentei-me à mesa rústica, olhando para a mata, as vacas, o córrego serpenteando pelo campo, descendo preguiçoso pela encosta da serra.

Levantei-me e percebi que algo estava errado comigo e com tudo. Faltava Cristal, a fada dos ventos. Vai ser engraçado Cristal ver-se relacionada aos ventos. Acho que estou saindo de dentro de mim. Isto é estranho demais.

De súbito, comecei a subir rumo às estrelas. Vejo meu corpo abandonado, as colinas, a antiga casa de Cristal, a vila, a igrejinha. Vejo tudo, até o que nunca vi. Seres que presumo angelicais aproximam-se e levam-me até a entrada de uma caverna, toda iluminada.

Sinto uma levigação em meu corpo, agora etéreo, como se mãos celestiais lixassem minha superfície corporal, removendo riscos, manchas e cicatrizes, deixando-me com um aspecto brilhoso.

— Zé... Acorda, Zé!

— Cristal? Como você chegou aqui?

— Eu moro aqui. Acorda, levanta, que o trabalho nos espera.


É isto aí!


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