sábado, 5 de janeiro de 2013

2013 - Um Ano Perigoso



Antes de ler, saiba que este texto não é meu - copiei e colei:

Autor - Mauro Santayana
Local - Jornal do Brasil


É bom não esperar muito dos próximos doze meses. Os dissídios internacionais tendem a crescer e, se não houver o milagre do bom senso, podem conduzir a novos conflitos armados regionais, com o perigo de que se ampliem. Os chineses, que têm particular visão de mundo, podem dissimular sua alma coletiva, mas no interior de seu excepcional crescimento econômico e tecnológico, militam sentimentos de orgulhosa desforra. Nenhum povo, ao que registra a História, foi tão espezinhado pelos invasores armados quanto o chinês.

Durante milênios, senhores dentro de suas fronteiras, sentiam-se os donos do mundo que conheciam, mesmo que vivessem em guerras internas e se defendessem de vizinhos hostis.

O enriquecimento dos chineses e sua crescente presença internacional são fatos novos, que podem ser o fator mais importante da História neste século, que já entrou em sua segunda década. Eles estão se apropriando, com perseverança e obstinação, das riquezas naturais do mundo, do petróleo às terras raras (de que são grandes possuidores em seu próprio subsolo). Ao mesmo tempo, desenvolvem tecnologia militar própria e fortalecem seus exércitos.

É difícil pensar que, dispondo de tal poder econômico e militar, os chineses não o utilizem na defesa de sua cultura e de seus interesses. E também para cobrar o que lhes fizeram os colonizadores europeus durante o século 18 – e os japoneses, no século 20, na Manchúria. Como eles se lembram bem, contingentes do Exército Japonês, em fúria animal, mataram, entre dezembro de 1937 a fevereiro de 1938, mais de 200 mil militares e civis na cidade de Nanquim, estupraram as mulheres e meninas, antes de matá-las, e dilaceraram os corpos dos meninos, entre eles os de recém-nascidos.

O general Chiang-kai-Chek, que se tornaria anticomunista em seguida, não ficou bem no episódio. Com a desculpa de que deveria preservar a elite de seu exército, abandonou a cidade, entregando-a a recrutas mal treinados e a voluntários civis, além da população, inocente e desarmada. Foi essa gente, sem treinamento e debilitada, que os japoneses venceram e trucidaram. Os chineses não esqueceram os mortos de Nanquim, e os japoneses se esforçam em fazer de conta que não foi bem assim.

Há mesmo quem veja, na decisão japonesa de enviar navios de guerra ao diminuto arquipélago, uma jogada do Pentágono.

O dissídio, aparentemente menor, entre Beijing e Tóquio, a propósito das ilhas Senkaku (em japonês) ou Diaoyu (em chinês) pode ser o pretexto para o acerto de contas de 1937. Nos últimos dias do ano, o Japão decidiu enviar uma força naval para a defesa das ilhas, cuja soberania diz manter – o que os chineses contestam. Os chineses advertiram que vão contrapor-se à iniciativa bélica japonesa. As ilhas, sem importância econômica, e desabitadas, eram milenarmente chinesas, e foram incorporadas pelo Japão em 1895, depois da guerra sino-japonesa daquele fim de século. São ilhotas diminutas, a menor com apenas 800 metros quadrados (menor do que um lote urbano no Brasil) e a maior com pouco mais de 4 km2.

Acossados por uma série de vicissitudes, os Estados Unidos começam o ano combalidos pelo confronto político interno, a propósito do Orçamento. Mas não perdem a sua velha arrogância imperial. Há mesmo quem veja, na decisão japonesa de enviar navios de guerra ao diminuto arquipélago, uma jogada do Pentágono, para antecipar, enquanto lhes parece mais conveniente, o confronto com os chineses. Há um tratado de paz dos Estados Unidos com o Japão que prevê a ajuda americana em caso de conflito regional. É uma partida muito arriscada.

O presidente Obama também acaba de sancionar uma lei do Congresso determinando que o governo norte-americano tome medidas para impedir a penetração diplomática do Irã na América Latina, e, no bojo das justificativas, a Tríplice Fronteira é mais uma vez citada, como  área que financia o Hesbolá. Como se  não houvesse, ali e no resto do Brasil, os que financiam o Estado de Israel. Devemos nos precaver.

Infelizmente, no Brasil, há sempre os vassalos de Washington, que estimulam o intervencionismo ianque em nossas relações internacionais (sobretudo com o Irã e a Palestina), entre eles alguns senadores da República, como revelaram os despachos do Embaixador Sobel, divulgados pelo WikiLeaks.

Infelizmente, no Brasil, há sempre os vassalos de Washington, que estimulam o intervencionismo ianque em nossas relações internacionais.

O anunciado conflito armado entre Israel e o Irã é também alimentado pelo ódio da extrema direita judaica contra todos os que criticam Tel Aviv. O Centro Simon Wiesenthal considerou o cartunista brasileiro Carlos Latuff o terceiro maior inimigo de Israel no mundo. Os dois primeiros são o líder espiritual da Irmandade Muçulmana, Mohamed Badie, e Ahmadinejad, o presidente do Irã.

O cineasta Sylvio Tendler, em mensagem de solidariedade a Latuff, lembra que eminentes judeus, entre eles os jornalistas Ury Avnery, Amira Haas e Gideon Levy, são mais críticos da posição de Israel contra os palestinos do que o cartunista brasileiro.

É lamentável que o nome do caçador de nazistas Simon Wiesenthal, que conheci e entrevistei, em Viena, há mais ou menos 40 anos, para este mesmo Jornal do Brasil, seja usado para uma organização fanática e radical, como essa. Wiesenthal, ele mesmo sobrevivente da estupidez nazista, era um obstinado – e legítimo – caçador de criminosos de guerra, que haviam cometido todo o tipo de atrocidades contra seu povo.

O governo direitista de Israel é de outra origem. Não podemos fazer de conta que nada temos contra a ameaça a um cidadão brasileiro, Carlos Latuff, cuja segurança pessoal deve ser, de agora em diante, de responsabilidade do governo. Ou que não nos devamos preocupar com a lei aprovada por Obama. Temos tido bom relacionamento com o governo do Irã, e a política externa brasileira é decisão soberana de nosso povo.

Uma presença militar maior em Foz do Iguaçu e ao longo da fronteira ocidental é necessária, a fim de dissuadir os agentes provocadores. As guerras sempre foram vantajosas para os americanos, desde a invasão do México, em 1846-48. É provável que seus estrategistas estejam retornando à Doutrina Bush da guerra infinita.

Diante desse cenário mundial instável, e na perspectiva de uma campanha sucessória agitada, temos que manter toda serenidade possível. A defesa de posições políticas eventuais não deve comprometer a segurança nem a soberania do povo brasileiro. A nação deve sobrepor se a todos os interesses, mais legítimos uns e menos legítimos outros, de grupos econômicos e partidários.

Infelizmente, desde Calabar e Silvério dos Reis, não faltam os que desprezam o nosso povo e traem os interesses da Pátria.  

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Pin ups 2013

Feliz 2013 e que Pin ups aflorem e abundem neste planeta azul!



Fonte da imagem: Wikipédia
Origem da imagem: Fotografias de pin-ups na revista norte-americana Yank, the Army Weekly.







A outra tese do Mensalão




FONTE - http://www.revistaprincipios.com.br


Em ‘A Outra Tese do Mensalão’, de autoria de Antônio Carlos Queiroz, Lia Imanishi Rodrigues e Raimundo Rodrigues Pereira, apresenta aos leitores uma revisão do chamado escândalo do mensalão. Ao longo de suas 159 páginas, divididas em quatro artigos, os autores apontam, com fortes depoimentos, como o chamado mensalão foi construído pela mídia e está sendo sacramentado no Supremo Tribunal Federal (STF), no que é chamado de julgamento de exceção.

Com entrevistas realizadas com os principais personagens do caso, o livro esmiúça os pormenores da Ação Penal 470 e demonstra com o então presidente do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Roberto Jefferson – criador da marca mensalão – articulou suas duas espetaculares entrevistas, em 2005, denotaram todo o esquema. O livro também mostra como, inicialmente, Jefferson tentou incriminar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas subitamente muda de ideia e transfere toda a sua fúria para José Dirceu.

Em um dos artigos publicados na obra também observamos como o contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos (Carlinhos Cachoeira) – preso, no início deste ano, durante a Operação Monte Carlo da Polícia Federal – está ligado ao escândalo seja pela gravação dos vídeos que deram origem às investigações, seja pelo envolvimento do contraventor no esquema de publicações que mantinha com o editor da sucursal da revista “Veja” em Brasília.

O ponto-chave do livro é mostrar como a grande mídia conservadora se impõe no debate e pressiona o Supremo Tribunal Federal a deixar de lado o que consta nos autos e ir além dos delitos cometidos. Como os autores bem colocam, “procura-se impor a tese de que foi a compra de votos o que ocorreu e não o delito de caixa dois, mais do que comprovado e confessado pelos réus”. Ao longo do texto, fica claro que os personagens que compõe esse enredo esquecem que “a verdade mora num poço e não é fácil de achá-la”, e neste caso as verdades são construídas a partir de uma corrente única, com partido, ideologia e projeto de nação.

Até a última página do livro, os autores expressam que o sentido do espetáculo, que custou a publicização de 53 sessões do julgamento da Ação Penal 470, é claramente político. Nesse sentido, mais do que nunca é preciso garantir os princípios do Estado Democrático de Direito, e fazer valer um julgamento justo baseado em provas, e não um julgamento de exceção. Por fim, em tempos de discussão pela reforma política e por transparência, nunca foi tão atual pensar e lutar por financiamento público de campanha.

*Joanne Mota é jornalista e pós-graduanda em Globalização e Cultura pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fesp-SP).

Saindo da Matrix - Stonehenge



As informações contidas nesta postagem foram retiradas do blog http://marecinza.blogspot.com.br

Stonehenge chama atenção por suas pedras azuis em disposição circular. Geólogos afirmam que as pedras têm origens distintas e distantes do cenário atual. Seriam necessários navios de porte moderno, além de meios de transporte capazes de suportar dezenas de toneladas. Será que tudo é uma farsa?

Segundos documentos liberados recentemente na rede mundial de internet, Stonehenge seria uma fraude deliberada, fabricada intencionalmente, no século XX. A razão dessa fraude é (tal qual os blocos atuais) é discutível, abrindo margem para diversas suposições loucas. Há quem veja nela uma obra dos esotéricos, há quem veja nela uma piada britânica de alguém muito rico e poderoso. Há quem veja nela um cuidados plano orquestrado por governos para manipular a opinião das pessoas…


É difícil dar ouvidos a estas suposições estranhas quando todos os descolados nos dizem que as pedras são de eras pertencentes à antiguidade… Mas como dizem nesses fóruns underground: Você pode garantir? Você estava lá quando fizeram?

Bem eu não estava e realmente, pensando por este lado, será que devemos ser céticos com relação a construção da estrutura megalítica? Recentemente, propositadamente postadas num site russo, fotos sugerem a construção de Stonehenge em um período entre 1954 e 1958.

Esse material supostamente teria vazado por parentes de uma testemunha, que sabia de toda a verdade. Segundo o autor diz, a área foi cercada, e estabeleceu-se um perímetro de contenção de vários quilômetros  para que as pessoas não vissem a montagem da estrutura. Ele diz que embora todo mundo tenha a impressão de que as pedras sempre estiveram lá, elas foram cuidadosamente montadas, usando guindastes e equipamentos modernos, marcações precisas e até tratamento do solo. 

A cada nova etapa, estranhas celebrações e rituais foram levadas a cabo no lugar (inclusive algumas delas podem ser vistas nas fotos) Parece loucura, mas veja essas fotos postadas no You Tube, logo abaixo, que foram condensadas num vídeo, para abreviar o post.

Mas antes de ver as fotos e tirar suas conclusões, leia o que o autor que as postou, deixou para refletirmos:

O autor oferece, com as fotos, alguns fatos pouco conhecidos:

I Pela primeira vez, realizou-se naquela área exercícios militares.

II Desde 1898 até o período da Segunda Guerra Mundial o Ministério da Defesa gradualmente comprou grandes extensões de terra na área

III O Ministério da Defesa tem 390 quilômetros quadrados (!) Nos arredores do Stonehenge, alguns dos quais estão permanentemente fechados e para outros o acesso é muito limitado.

IV No passado, nos arredores de Stonehenge foram realizadas obras para um ramal ferroviário e de um aeroporto, ambos foram depois removidos (há outras fontes que sugerem que o aeroporto militar é muito mais próximo, a uma distância de um quilômetro de Stonehenge)

V Em 1943, a aldeia de Imber (15 quilômetros de Stonehenge) e a aldeia Hinton Par foram despejados. Até hoje a aldeia Imber está sob o controle dos militares

VI 2 km ao norte de Stonehenge está localizada a escola da Artilharia Real, que executa operações de tiro 340 dias do ano

VII 9 km ao sul-leste, está o aeródromo militar. Nele fica situado o laboratório de Defesa da Ciência e Tecnologia, cujo trabalho é secreto.

VIII 17 quilômetros a oeste de Stonehenge fica uma base militar de combate aéreo de onde decolam helicópteros “Apache”

IX Na área de Stonehenge não é permitida a atividade agrícola por causa do perigo de fracasso. Ninguém plantava lá por séculos, já que estranhamente o terreno era muito infértil. Devido a isso, os prados verdes ao redor de Stonehenge adquiriram valor científico, porque eles representam o último grama natural de terra pura na Inglaterra, e possivelmente – na Europa.

X A área ao redor de Stonehenge está há mais de 100 anos – fechada. O território é protegido pelos militares, aviões tripulados e helicópteros bélicos, com disparos diários de artilharia - Os moradores foram expulsos durante a Segunda Guerra Mundial, sob o pretexto dos exercícios; as vilas estão sob o controle dos militares, e a situação persiste até hoje. - atividades agrícolas sobre uma área de planície ampla, onde o Stonehenge está são proibidas, existiam no território uma infra-estrutura que permitia a construção em grande escala (incluindo os aeroportos ramal ferroviário), que já foram demolidos como a justificativa de que são “desnecessários”

XI Talvez um outro local mais adequado para a construção de Stonehenge seria difícil de encontrar …





Ainda sobre a Passeata de 1968

Não poderia deixar de citar Ruth Escobar, que na foto postada anteriormente ficou à margem, como poderão verificar, neste ângulo. Abaixo vemos as atrizes Tônia Carreiro, Eva Vilma, Odete Lara, Norma Bengell e Ruth Escobar em passeata contra a censura (atrás de Ruth, o crítico de arte Mário Pedrosa):


Eva Vilma falou no Programa VideoShow de 05/março/2018 ( Fonte: bemparaná):

No "Vídeo Show" desta segunda-feira, a atriz relembrou um momento que viveu ao lado de Tônia e que foi imortalizado em uma foto: um protesto contra a censura durante a ditadura militar. 

Nós tivemos uma experiência muito interessante que às vezes o público desconhece. É uma foto famosa, emblemática, de um momento difícil para a cultura no país. Era uma mobilização contra a censura e pela cultura. Os teatros todos de São Paulo pararam, uma greve. A mobilização foi combinada de ser feita nos teatros municipais do Rio de Janeiro e de São Paulo. Três dias e três noites ininterruptos. A gente se revezava, declarou ela. 

Ela também falou sobre a dedicação que ela e seus colegas tiveram durante o protesto. E o encerramento desses três dias e três noites comandados por pessoas tão brilhantes como Dias Gomes como Flávio Rangel...Eles combinaram que nós atrizes iríamos puxando todo mundo de mãos dadas na frente. E lá fomos nós, uma fila muito bonita de atrizes de mãos dadas. O depoimento de Eva Vilma emocionou os apresentadores Sophia Abrahão e Otaviano Costa, que chegaram a chorar no ar.


Fontes onde você poderá ver esta foto, se ela não estiver mais aqui:
3 - Pinterest 


Leila Diniz sabia das coisas.


Na foto acima, passeata contra a censura, no Rio de Janeiro, em 1968, tendo a frente: Eva Todor, Tônia Carrero, Eva Wilma, Leila Diniz, Odete Lara, Norma Bengell e Mário Pedrosa.

No foto abaixo, por outro ângulo, vemos Ruth Escobar unida ao grupo:

Os lacerdinhas infestaram a Pitangueira neste primeiro de janeiro, superando em muito, pelo dobro, o números de leitores contumazes. Impressiona e muito o interesse destes cavalheiros pela velhinha do sobrado azul, afinal seus segredos de alcova são temidos em territórios tupys, guaranys, apaches e sioux.

Também neste primeiro de janeiro, ao insistir na tese do "Nióbio é Nosso", perdi temporariamente o acesso a uma famosa rede social ligada a interesses outros, onde o "Nióbio é Nosso" tem outro idioma. É claro que para que isto ocorresse alguém teve que fazer uma reclamação, mas a quem interessa denunciar a pátria tupynambá? Deve ser coisa de Calabar.

Falando em Calabar, sempre lembro da minha musa eterna, Leila Diniz, uma das mulheres mais doidas, gostosas e sensuais que passaram por este plano. Sua passagem para o alto não poderia ser em melhor estilo, apesar da dor da perda, mas não tinha outra forma de arrancá-la do nosso solo gentil, a não ser pela força de um avião em conflito com a gravidade.

São dela estes cândidos versos, que dedico ao Calabar de plantão da rede social. E neste momento, este Reino volta a receber informes de que algo está errado, pedem desculpas, e colocam uma senha para que eu verifique onde está o Wally. O problema é que sei onde ele está, mas toda vez que conto, o Reino da Pitangueira penetra no Vale das Sombras, como das duas outras vezes, onde todas as coisas foram coisadas de uma forma defenestrante (apesar de que, a princípio, não existe uma defenestração de fora para dentro, se é que você me entende).


Brigam Espanha e Holanda
Pelos direitos do mar
O mar é das gaivotas
Que nele sabem voar
O mar é das gaivotas
E de quem sabe navegar.

Brigam Espanha e Holanda
Pelos direitos do mar
Brigam Espanha e Holanda
Porque não sabem que o mar
É de quem o sabe amar.

É isto aí!

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

A velhinha do sobrado azul


Reside na Pitangueira, no Centro Histórico, num velho e bem conservado sobrado azul, que outrora fora centro de épicas manifestações líricas, etílicas e oníricas uma das maiores personalidades do reino. Dizem, em sussurros, que nem o rei comete a grave ofensa de recusar um convite desta emérita senhora, para participar dos seus eventos, uns tão fechados, mas tão fechados, que se dão no porão da residência.

Nascida na Pitangueira, na mesma casa onde ainda reside, comenta-se nas altas rodas que de certa feita, em passagem pelo Nordeste, promoveu e participou do celebrado encontro entre Lampião e Padre Cícero, em 1926. Naquela ocasião, aproveitou a passagem da Coluna Prestes e chegou à Bolívia em 1927.

Na Bolívia, esteve com Antenor Patiño, que encantou-se com a moça, levando-a para Paris, porém a abandonou em plena Montmartre, em função de um amor a primeira vista que teve ao encontrarem com María Cristina de Borbón y Bosch-Labrus, Duquesa de Dürcal.

Sozinha e desconsolada, ao perambular pelas vias parisienses, encontrou-se com Gabrielle, que a plebe conheceu como Coco Chanel, que a hospedou com imensa alegria. Haviam sido amigas quando a velhinha cantava em cafés parisienses nos anos de 1907/1908. Faziam duetos, apesar de Coco ter naquela época um péssimo francês, em função da sua origem luxemburguesa.

Ainda em 27, foram ao banquete em homenagem a Charles Lindberg, pela travessia do Atlântico. Deu por falta de Santos Dumont, amigo com o qual conquistou o Mont Blanc, a mais alta montanha dos Alpes.

Foi encontrá-lo no sanatório Valmont-sur-Territet, na Suíça, e convenceu-o a retornar ao Brasil. Juntos, embarcaram no navio Capitão Arcona, em 1928. A cidade do Rio de Janeiro recebê-los-ia festivamente. Mas o hidroavião que faria a recepção, da empresa Condor Syndikat, que fora batizado com seu nome, sofreu um acidente, sem sobreviventes ao sobrevoar o navio onde estavam.

O avião levava pessoas de projeção e grandes nomes da engenharia. Abatidos, eles suspenderam as festividades; Santos Dumont retornou imediatamente a Paris e a velhinha ficou no Rio, em efervescente clima de pré-revolução.

Entre 28 e 30 ficou dividida entre a Pitangueira e o Rio de Janeiro, mas isto cabe em outra história.

É isto aí!

sábado, 29 de dezembro de 2012

A Anônima Triste



Este blogueiro recebeu esta carta-mensagem de uma moça que se auto-intitula "Anônima Triste". Pensei no que fazer, por que não teria como responder a um emitente anônimo. Aí entendi que ela gostaria de ver publicada a sua dor.

Bem, Anônima Triste, a mensagem está aí, na íntegra:

Em primeiro lugar Olá e obrigado antecipadamente por me ler e me guiar ... Adoro ler seu blog. Minha história não é fácil e eu sei que há piores... mas eu estou triste e preciso aliviar-me com as pessoas que eu não conheço e às vezes pode ser um conselho muito melhor do que o de alguns amigos ... 

Fiquei cerca de um ano com um homem, que chamarei de "ABC" . Nós não caímos no amor imediatamente, e decorreram meses até que nossa atração mútua produzisse seu efeito mágico. Então começamos a nossa história, um caso de amor ardente, com muita presença dele em minha vida. Pela primeira vez me fiz mulher. 

Ele trabalha no Rio de Janeiro. A cada quinze dias deixava sua cidade para o fim de semana com seus pais, vizinhos do nosso apartamento. Eu sempre saia nos finais de semanas, mas um dia resolvi ficar o sábado e o domingo quieta em casa. Meus pais sempre vão para o sítio na sexta e voltam pela segunda de manhã. Foi aí então que nos encontramos e nos apresentamos, numa paixão à primeira vista. 

Um dia, visitando a sua mãe, depois que ele havia partido, não sei por que fiz isto, fui até o seu quarto, e aí descobri uma camisola e peças íntimas femininas atrás de sua cama. É claro que eu entendi que havia uma coisa errada. Liguei para ele, e disse que estava envergonhado, e falou que tinha um relacionamento superficial com outra garota, e que a mãe dele sabia e além disto afirmou que eu levava as coisas muito na mão, tipo, achava que nosso caso era sério. Tivemos uma discussão claro, eu disse a ele que não queria esse tipo de relacionamento, e que não faria parte de um jogo de sedução. 

Ele então teve que ir para o estrangeiro para três meses de serviço, então eu disse que iríamos usar este tempo para cortar os laços. O problema é que desde quando chegou lá, mandava mensagens lindas, fotos dele sozinho falando que eu estava ali no seu pensamento, etc. Retornou com muitos presentes para mim e um para minha mãe. 

Não entendi minha reação se era raiva ou amor, mas era incapaz de andar para a frente. A atração estava lá, forte, muito forte para mim, demos um simples tempo, sem frescura, mas com esta investida que eu não compreendi, ainda mais com a discussão não terminada sobre a camisola do outro relacionamento. 

Ganhei  cartão de inocência 100%, dizendo que ele tinha vindo por mim, que este caminho era o que ele tinha feito, foi a sua escolha, e que não foi pela outra, talvez, afinal eu era a garota que ele amava mais do que tudo... E então as últimas semanas, quando eu pelo menos esperava, ele me ligou durante o longo fim de semana dizendo que sentia muito, mas estava naquele dia casando com a moça da camisola.

Perguntei-lhe porquê e ele me disse que sempre teve este outro relacionamento, e lá no fundo ele pensou que eu sabia! Sei que muito do meu sofrimento é devido apenas a minha estupidez de não ter perguntado antes, mas eu estava tão confiante, comportamento tipo vida parafuso. A alquimia estava lá, eu sei, mas talvez não posso contra o amor dela ... Obrigado por ler meu desabafo, se tem uma palavra para me dar, promova então um sorriso nas profundezas do fundo da minha tristeza ...


Prezada Anônima Triste:

Sou apenas um blogueiro, que pouco pode ajudá-la, mas se psicanalista fosse recorreria ao questionamento do Mestre Freud: Afinal - o que querem as mulheres?

E tentaria responder, se autoridade tivesse para isto, pelo Mestre Lacan - Querem ser amadas!

É possível, dentro do real, que exista por sua parte, uma esperança (e isso é uma ilusão) de que o amor venha lhe dar a sustentação para o seu ser, de que você consiga de alguma maneira resolver a questão da não consistência que lhe é peculiar e com a qual deve se confrontar. 

O amor e a existência estão intimamente ligados. Quando você sofreu esta desilusão amorosa, o seu ser oscilou, ou seja, vacilou. O amor a identifica como mulher triste, daí a angústia de perda do amor. Creio que você está fazendo o seu ser depender quase exclusivamente deste amor.

Bem, se isto não resolver, um Rivotril com Fluoxetina devidamente receitados por um psiquiatra sempre cai bem!

É isto aí!

O que não queremos saber da África.


África do Sul e o silêncio do mundo!

Com cerca de pouco mais de um bilhão de pessoas , representando cerca de um sétimo da população do mundo, e 54 países independentes, o Continente Africano apresenta grande diversidade étnica, cultural, social e política. Dos trinta países mais pobres do mundo (com mais problemas de subnutrição, analfabetismo, baixa expectativa de vida), pelo menos 21 são africanos.

Infelizmente quando olhamos no mapa, achamos que tudo é uma coisa só, lotado de pretinhos no seu interior. Culpa dos mandatários, que exigem que quanto menos saibamos, mais exploram suas riquezas.

Hoje a aula será sobre a África do Sul, rica em diamantes, ouro, platina e outros minerais de alto valor, além de estar em local geográfico estratégico do planeta.

Há um caos social grave, generalizado, que atinge todas as classes sociais, numa suposta forma de manter o povo com sentimento de inferioridade.

Ela foi classificada pela ONU em segundo lugar em assassinatos e em primeiro para assaltos e estupros per capita.  As estatísticas oficiais mostram que 52 pessoas são assassinadas todos os dias na África do Sul.  O número relatado de estupros por ano é de 55.000 e estima-se que 500 mil estupros são cometidos anualmente no país. O total de crimes per capita é o 10º entre os 60 países no conjunto de dados.

O estupro é um problema tão comum na África do Sul, que em uma pesquisa de 2009 um em cada quatro homens sul-africanos admitiram ter estuprado alguém.  Um em cada três das 4.000 mulheres inquiridas pela Comunidade da Informação, Capacitação e Transparência disse que tinha sido violada.  

A África do Sul tem uma das maiores incidências de estupros de crianças e bebês no mundo. Em um levantamento realizado entre 1.500 crianças escolares no township de Soweto, um quarto de todos os meninos entrevistados disseram que "jackrolling", um termo para estupro em grupo, era algo divertido.

Isto significa que está sendo sedimentado o terror nas crianças. A quem interessa isto?

É isto aí!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

A mulher barbada e o lúpulo maconhado



Estava no Largo da Pitangueira, em momento de contemplativa degustação de puro líquido límpido e amarelo, servido preferencialmente gelado em torrentes tropicais. Minha formação de boticário permite-me levigar, por entre brumas, o lúpulo, a levedura e a cevada ali presentes.

Lembro do professor, em priscas eras, falando em tom baixo, quase sussurrando, que o lúpulo é uma planta da mesma família da maconha. Nossa, aquilo era o máximo, e com o detalhe de que a fabricação da cerveja exige que se utilize desta prima-irmã da erva maldita apenas a flor feminina, que é a única que cede uma resina dourada, aromática, de delicioso amargor. Impossível negar os devaneios da informação afrodisíaca, no auge da juventude.

Pensava sobre isto, sobre a Larissa Riquelme, uma índia tupy-guarany poranga (lindíssima na língua nativa), enfim, pensava sobre coisas triviais, sentado na calçada da fama.

Nisto passa Fulano, em andar apressado e descompassado. Chamo pelo nome - Fulano ... e ele automática e bruscamente senta com a precisão suíça. E vai logo dizendo.

- Sabia que eu me separei?

- O que? Não diga! Pareciam feitos um para o outro (penso - ele como domador de feras e ela como a mulher barbada do circo).

- Pois é, depois de vinte anos...mas você não ficou sabendo?

- Eu? Não, não ouvi nada a respeito. (penso - Que cara de sorte, conseguiu separar de uma mulher chata demais da conta).

- É, já fazem bem uns dez meses...

- Que isto, vocês vão voltar, vai lá conversa com ela (penso - se fizer isto é um idiota).

- Não tem jeito, impossível, tentei, mas ela não aceitou a reconciliação.

- Mas e os filhos?

- Estão meio divididos, uns querem vê-la morta e os outros querem que fuja para a Síria...

- Rapaz, então a coisa é séria. Ela sempre foi beata de uma seita ultra-rigorosa, só andava de saias longas e camisas de manga comprida. Eu lembro disto.(penso - e não o respeitava nada, nem com os amigos, só ele não via.)

- Séria e ponderada. Era tão séria que sexo para ela era uma coisa gravíssima a qual requeria certos cuidados. Mas imagine você que cheguei de viajem e ao entrar no quarto deparei com minha amada  fazendo sexo com um boneco inflável.

- Bom, veja por outro lado - pelo menos não tem o risco de doença, e tecnicamente não é uma traição.

- É, refleti sobre isto, mas não foi tudo, descobri que fazia programas virtuais na internet.

- Rapaz, pense na virtuosidade disto, ela poderia estar compensando a sua ausência de uma maneira asséptica.

- É, mas não foi tudo, descobri que arranjou um amante de 78 anos.

- Fulano, isto talvez pode ser só uma compensação de uma relação mal resolvida com o pai, sem o ato carnal.

- É, mas no acúmulo das coisas bizarras percebi que não aguentava mais aquela situação, e saí de casa, e agora, sozinho, achei minha alma gêmea.

- Mas como se deu isto? Saiu assim e achou? Pensou na possibilidade de ser outro problema semelhante?

- Não sei... sabe, aconteceu muito depressa, nem sei explicar isto.

Chega à mesa um monumento do sexo feminino, uma deusa morena tipo top das estrelas, ele levanta, se abraçam, se beijam, ela pede desculpas pela demora e saem pela via natural dos pedestres.

Quando estava uns cinco metros adiante, abraçado àquela criatura lindíssima, chamei - Fulano...eu queria te dizer que também já estou com raiva danada daquela mulher...

Maldito lúpulo maconhado que faz a gente falar umas bobagens deste tamanho!

É isto aí!










Larissa Riquelme e nada mais


Fonte da imagem: Blog do Chico Maia



2012 não pode terminar sem minha musa única ao pé da Pitangueira! Índia Tupy-Guarany Sangue Bom!


quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

A Loira da Pitangueira


    

Dia destes, em delirante festival de fetiches e ondas de calor na orla marítima da Pitangueira, apareceu do nada uma deusa loira ou loura, que segundo a língua pátria tupynambá, são a mesma coisa ou cousa (cousa está politicamente e ortograficamente correta, mas não pertence à choldra).

Antes de prosseguir, poder-se-ia afirmar então que fulana está cousada, por exemplo, tendo ali o mesmo objetivo da coisa em si, se é que me entende, e por favor, não vá ler co-usada, pois é uma sílaba só - "cou". E quanto à choldra, substantivo feminino, veja só você, é comum aos dois gêneros. Portanto, o Velhaco e a Gorda da Pitangueira, são da mesma choldra, e por aí vai.

Bem, em continuando o fato, apareceu em desfile ambulante, deslumbrantemente na praia, ar blasé (lassitude élégant et naturel) uma mulher como nunca se viu por ali.

Caetano, garotão de meia-idade e surfista amador de areia, logo encantou-se com o conjunto da obra - que deve ter sido feita sob encomenda divina, em motim celestial, por que a danada tinha lá também seu encanto devasso (charme d'une insouciance déréglée) .

Sentou-se ao lado. Ele não sabia nem o que falar - veio à mente Parole, Parole, com Dalida&Delon - Caramels, bonbons et chocolats, Si tu n'existais pas déjà je t'inventerais.

Sim, por que se aquela escultura não existisse, mandava inventar. Mas tudo tem um princípio, meio e fim. Olhou-a, cruzaram olhares e entre-lábios gracejaram um murmúrio intimo e pessoal. Passaram vários filmes em sua mente, mas nenhum deles com aquela beleza quase celestial e resplandescente. O que dizer? Pela sua vasta experiência, o corpo era o livro da vida da moça, aberto na página onde se lia em letras garrafais - loirinha, burrinha e do Caetano.  

Lembrou de novo da galega francesa, que além de ensiná-lo Parole-Parole, aprendeu algumas palavras de alto prestígio na roda de amigos e no ouvido das amantes - ditas em um insofismável tom rural francês - Moulin Rougevingt-deux; quarante-sais; e a frase que nunca entendeu, mas que estremecia as mocinhas do subúrbio - homme cul ne sert qu'à payer les factures.

Enfim, Caetano era praticamente um sedutor semi poliglota, da choldra para a beira da praia. Mas vendo o monumento que via, criou coragem!

- Olá!

- Olá!! Disse a deusa, quase uma voz pecaminosa, sedosa e sedutora.

- Você vem sempre aqui?

- Não, nunca vim. Bonito aqui.

- É...muito bonito...muito bonito...

- ....... silêncio...

- Você é Tupynambá ou você é da Pitangueira?

- Sou nascida na Pitangueira, mas sai para estudar e agora estou voltando.

- Ah, sei, saiu para estudar (deve ter estudado métodos para ser gostosa e sedutora, não é possível outra coisa)

- ........silêncio....

- Você estudou o que???

- Você quer mesmo saber? Posso saber o motivo da pergunta?

- Não, nada de especial, é que sei lá, é que, hummm, veja só...

- Você acha que tenho jeito de quem estudou o que?

- (Como ser gostosa) É, você deve ter estudado...hummm...vejamos...(já empolgadíssimo)...fala, vai...

- Pois é, é uma história longa, mas você quer mesmo saber? estou achando engraçada a sua pergunta.

- Não, pode falar, eu por exemplo fiz concurso disputadíssimo, formei na Escola Técnica, fui soldador, fiz uns cursinhos aí no Senai, faço uns bico de Solda, sabe como? E olha, é disputadíssimo mesmo. Tem neguinho e branquinho aí que estão lá até hoje. Comigo não, sou estudado mesmo. E você? Fez Senac? 

- Pois é, não fiz Senac. É no Brasil esta Universidade ou no exterior?

- Que isto menina, está me azarando - Senac é aquele negócio onde as meninas aprendem aqueles troços de fazer negócio, entendeu não?

-Humm, deve ser bom, mas não fiz Senac. É que graças ao meu GPA, que como você sabe, é o Grade Point Average  e meus above-average grades, pude fazer o SAT, fazendo 900 pontos em 900 possíveis. Fui convidada para Harvard, onde tive que fazer o MCAT (Medical College Admission Test), obtendo T em todas as provas e chegando as 45 pontos totais. Cursei Ciências Médicas, e sabe, adorei Boston. Aí parti para a Neurociências, onde fiz especialização e doutorado investigando se o sistema de opióide e a via do óxido nítrico ficam de fato envolvidos na antinocicepção periférica induzida por um agonista do receptor de canabinóide anandamida. Depois do doutorado...

- Ihh! Olha lá moça, vai chover....desculpe, mas tenho que ir, tchau....

Caetano até hoje tenta entender o que aconteceu naquele dia. Nunca mais a viu. Um amigo deu para ele um trecho de um poema de um tal de Poe, onde fez pequenas modificações, para quem sabe, conseguisse explicar a Caetano o inexplicável:

Muito eu admirei esta loura infausta 
por proferir um discurso tão atenta, 
apesar de sua resposta de pouco sentido, 
que pouca relevância sustenta. 
Pois não podemos deixar de concordar, 
que ser humano algum vivente, 
fora alguma vez abençoado 
com a vista de uma loura desta 
sobre a areia da sua praia; 
loura ou deusa com um busto esculpido, 
sobre a areia do sua praia, 
tendo um nome como "Nunca mais." nunca mais...nunca mais... 

É isto aí!


sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Convênio Interestadual de 1946


Estados nordestinos defenderam plantio de cânhamo para fins medicinais

Aconteceu em 1946, quando integrantes dos governos de Pernambuco, Bahia, Alagoas e Sergipe se reuniram em Salvador para discutir o tráfico e uso da maconha e elaborar um plano conjunto de ações de combate à droga. O Encontro, que foi realizado entre os dias 16 e 18 de dezembro daquele ano, no salão de conferências da Secretaria de Educação e Saúde da Bahia, contou também com a presença de vários representantes do Governo Federal. Ao final, foi publicado um documento denominado Convênio Interestadual da Maconha. O documento é de tom essencialmente repressivo, mas em dois itens de suas recomendações finais defende, textualmente, o plantio da maconha para experiências científicas e industriais.

No item 2 das sugestões aprovadas, o documento diz, por exemplo, que os governos devem promover a "Destruição das plantações de maconha, limitada a sua produção para fins médicos ou industriais". Já no item 19, o documento recomenda o "Plantio pequeno, sob inspiração e fiscalização das CEFE (Comissões Estaduais de Fiscalização de Entorpecentes), para fins de estudo da maconha, dos pontos de vista farmacológico, clínico, psicológico e sociológico". A redação das proposições ficou a cargo de Eleyson Cardoso (representante do governo de Pernambuco e membro da Comissão Federal de Fiscalização de Entorpecentes), Wolmar Carneiro da Cunha, Secretário de Segurança da Bahia, e Álvaro da França Rocha, presidente da CEFE baiana.


De acordo com as atas do simpósio, nenhuma das autoridades presentes fez qualquer restrição aos itens 2 e 19 do Convênio. Pelo contrário, o conjunto das proposições foi considerado brilhante e o documento passou a orientar a atuação dos governos "para que sejam encontradas soluções mais objetivas do problema da maconha e do maconhismo, de existência incontestável no Nordeste brasileiro"

Entre as medidas constantes no Convênio Interestadual da Maconha, a mais óbvia recomendava aos governos que destruíssem os plantios da droga existentes nos Estados. Outras três estavam relacionadas aos jovens - faixa etária onde se concentrava o maior número de consumidores. Havia, também, a proposta de criação de comissariados específicos para reprimir o tráfico de maconha e uma recomendação, no mínimo curiosa, para que os governos adotassem a prática de "matricular os cultos afro-brasileiros" que funcionavam em seus territórios. Sobre esta última medida, os autores do documento explicaram que não tinha qualquer relação com preconceito racial, era mais "uma questão de sentido social", visto que a maioria dos viciados era composta de negros e mulatos.

Durante os debates para elaboração do Convênio, as autoridades concordaram num ponto: que, naquele momento, o Nordeste já era um dos maiores centros produtores de maconha do Brasil e que era preciso uma atuação conjunta para destruir os plantios. Mas, quem apresentou o maior volume de dados sobre o tráfico da droga na região foi o delegado de Pernambuco. Eleyson Cardoso exibiu relatórios e foi taxativo na sua exposição: "A zona do baixo São Francisco, de um lado Sergipe e de outro Alagoas, é um dos maiores centros de produção da maconha do país". Afirmou que, conforme dados da Comissão Nacional, o maior produtor de maconha do Nordeste era Alagoas. Sobre Pernambuco, apresentou um diagnóstico de consumo, elaborado a partir das fichas de 46 viciados e traficantes.

Além da existência de plantios às margens do São Francisco, os delegados dos quatro Estados alertaram sobre o crescente comércio da maconha na região, praticado até mesmo por arroba. "Em lugares de Sergipe e Alagoas, vendem a planta, preparada para ser fumada, sob a denominação de pelotas, à razão de $ 3,00 o quilo e $ 30,00 e $ 40,0 uma arroba", diz um trecho do documento. Também foram feitas referências à entrada de maconha em presídios e os municípios mais citados como produtores da droga foram Aquidaban e Propriá, em Sergipe, e Colégio, Penedo e Igreja Nova, em Alagoas. Sobre a faixa etária dos consumidores da droga, os autores do Convênio concluíram que a maior percentagem era de adolescentes, "nos quais é grande o ângulo de aventuras".

O representante de Alagoas, Garcia Moreno, acrescentou que a predominância de adolescentes entre os viciados (fato considerado o mais chocante) também estava ligada "ao grande número de menores abandonados, chamados de maloqueiros ou capitães de areia". Já o secretário do Encontro, o baiano Chrysippo de Aguiar, opinou que o combate à droga deveria ser sistemático porque o consumo, até então restrito às populações mais pobres, tenderia a mudar de classe social:

"O problema da maconha, tal como está situado, pode parecer um assunto de somenos importância fora dos meios médicos e policiais especializados. É que o uso deste entorpecente ainda se conserva restrito às baixas camadas sociais e dentro destas, especialmente aos ladrões especializados em arrombamento, capitães de areia, marítimos e meretrizes deste mesmo ambiente. Não será erro imperdoável esperar que se difunda com intensidade, de modo a tornar-se objeto de preocupação pública, através de debates na imprensa leiga, tal como parece esboçar-se já o problema nos Estados Unidos", afirmou na saudação final aos congressistas.

As autoridades que subscreveram o documento definiram, ainda, que todas as operações de destruição de plantios de maconha desenvolvidas pelos governos dos quatro Estados a partir daquela data deveriam ser comunicadas à Comissão Federal de Fiscalização de Entorpecentes. Essas operações ficariam a cargo das autoridades policiais, mas nunca poderiam ocorrer "sem a direção técnica de representantes do Ministério da Agricultura", porque esta era uma determinação do decreto-lei federal 891, de 25 de novembro de 1938. Na época em que o Convênio Interestadual da Maconha foi acatado como peça básica de orientação ao combate à droga, o governo de Pernambuco era comandado por um interventor, o general Demerval Peixoto, comandante militar na região.

A cópia do Convênio Interestadual da Maconha localizada, no Recife, pelo PERNAMBUCO DE A-Z é uma brochura de 20 páginas, publicada pela Imprensa Oficial de Pernambuco, contendo o relatório do representante pernambucano ao governo do Estado, transcrição das atas do encontro e suas resoluções finais. Faz parte do acervo de livros raros da Biblioteca Pública do Estado.

Veja a seguir, na íntegra, as medidas de repressão ao cultivo e comércio de maconha sugeridas aos governos dos Estados de Pernambuco, Bahia, Alagoas e Sergipe pelo Convênio Interestadual da Maconha foram as seguintes:

1 - Planejamento das medidas, com especial atenção inicial nos Estados de Alagoas, Sergipe, Pernambuco e Bahia, e posterior nos outros estados;

2 - Destruição das plantações de maconha, limitada a sua produção para fins médicos ou industriais;

3 - Medidas jurídicas de revisão, ou interpretação, destinadas a consolidar e atualizar legalmente todos os meios de repressão e profilaxia do maconhismo;

4 - Inclusão nos Congressos, Semanas ou Reuniões sobre Psiquiatria, Higiene e Correlatos, do tema "Repressão e profilaxia das toxicomanias", especialmente a produzida pela maconha (sic);

5 - Estudo e vigilância especial nos delinqüentes contra propriedade, de marítimos, prostitutas e presidiários;

6 - Especialíssimo trato e amparo para com os adolescentes;

7 - Ordem do dia para as questões da infância e maternidade, menores abandonados ou desajustados;

8 - Criação, na Delegacia de Jogos e Costumes ou congêneres, de um comissariado para repressão das toxicomanias;

9 - Instrução e educação do pessoal indicado para o tratamento com esses problemas;

10 - Intercâmbio obrigatório entre as CEFE (atas, trabalhos, fichas de viciados ou de pesquisas);

11 - Extensão, a todos os Estados, da gratificação aos membros da CEFE;

12 - Padronização dos estudos;

13 - Multiplicação dos dispensários de higiene mental e das medidas para descobrir os psicopatas, prevenindo, assim, as toxicomanias;

14 - Divulgação educativa e selecionada dos perigos das toxicomanias (adolescência, por exemplo);

15 - Internamento e tratamento, pena ou medida de segurança, colônias agrícolas para os viciados e traficantes, conforme os casos;

16 - Biblioteca especializada;

17 - Fiscalização hábil, serena e metódica, do exercício profissional da medicina e correlatas profissões;

18 - Matrícula dos cultos afro-brasileiros e intercâmbio policial-médico de ordem educativa-higiênica;

19 - Plantio pequeno, sob inspiração e fiscalização das CEFE, para fins de estudo da maconha, dos pontos de vista farmacológico, clínico, psicológico e sociológico.


Aprovado em 18 de dezembro de 1946

Eleyson Cardoso
Wolmar Carneiro da Cunha
Álvaro da França Rocha


Durante o Encontro de Salvador, o presidente da Comissão Estadual de Fiscalização de Entorpecentes, Eleyson Cardoso, também apresentou um perfil do usuário pernambucano de maconha na década de 1940, elaborado com base em 46 fichas de pessoas cadastradas no Departamento de Saúde Pública do Estado:

IDADE:
10 a 19 = 09
20 a 29 = 28
30 a 39 = 08
40 a 49 = 01
50 acima = 00

ESTADO CIVIL:
Solteiros = 42
Casados = 04

SEXO:
Masc. = 45
Femin. = 01

INSTRUÇAO:
Alfabetizados = 10
Semi-analfab. = 04
Analfabetos = 32

OCUPAÇÕES:
Gazeteiros = 14
Carregadores = 09
Gráfico = 01
Estivadores = 01
Aux. comércio = 03
Pedreiros = 02
Barraqueiro = 01
Carpinteiro = 01
Ambulante = 01
Garçom = 01
Sem profissão = 08
Trabalhadores (sic) = 01
Operário = 01
Marinheiros = 2 

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

L'État c'est moi, chérie!



Mais uma vez o diretor geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) disse nesta segunda-feira que um raio pode ter sido a origem do incidente na hidrelétrica e na subestação de Itumbiara, no interior de Goiás, na divisa com Minas Gerais, que deixou consumidores de 12 Estados sem energia no sábado (15). "Eles (os técnicos) estão investigando, mas pode ter sido", afirmou, depois de informar que há registros de "descargas atmosféricas" naquele dia em diversas regiões do País, inclusive em Itumbiara.

Veja só você que coisa estranha e fabulosa - se existe raio, só pode ser raio. E pronto, e o consumidor que vá à merda e que os aumentos abusivos sejam sempre bem -vindos e que os idiotas de sempre votem sempre nos mesmos de sempre.

Enquanto isto, livre de raios e trovões, o número de divórcios no país cresceu 50% em um ano. Esta é a prova cabal de que quanto menos Estado nas vidas pessoais, maiores são as possibilidades das pessoas tomarem decisões que as façam felizes, ou pelo menos se sintam assim, uma vez que com a alteração da lei, os prazos prévios para requerimento de divórcios foram suprimidos o que possibilitou, sem maiores requisitos burocráticos, a dissolução das uniões formais. 

E falando em estado mínimo, segundo informações que os maldosos fazem circular na rede, o Ser Supremo Sideral alterou a constituição em seu artigo primeiro.Na sua famosa Carta Política de 1988, a carta cidadã, o povo estabeleceu em seu Art. 1º, Parágrafo Único."Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta constituição". Logo, infere-se que todo poder emanado do elemento povo deveria ser constituído do indivíduo, do simples alguém, da pessoa, do ser humano, do sujeito de direitos, do cidadão.

Pois é deveria inferir, mas, porém, todavia, contudo, alto lá ignóbil ser tupynambá - há ali uma conjunção alternativa - OU - que pode ter leituras diversas em momentos diversos por arbitragens e arbitrariedades diversas, sendo hora exclusão, hora oposição e hora dúvida. Segundo a Corte da Pitangueira, reunida às pressas para a leitura das ações da vizinha Corte Tupynambá, Vossas Excelências excluem os eleitos, se opõem aos eleitos ou apostam em duvidas dos eleitos, dentro do seu poder direto e de direito regiamente constituido. Daí mandar prender, cassar, tirar, arremessar é apenas um ato formal de percepção da língua pátria, pedindo vênia ao famoso dicionário local.

É isto aí!













domingo, 16 de dezembro de 2012

O Avatar do Lula




No final do ano de 2011, vagando pela rua, encontrei com simpática senhora, pela qual tenho apreço e admiração. No alto de seus 80 e tantos anos, lúcida, despachada e resolvida, e em seus quase cento e cinquenta centímetros de altura, deu um abraço confortável.

Pegou-me pelo braço e sussurrou - pelo amor de Deus, você não está como Lula não, não é? Você tem que ouvir as coisas que a televisão fala dele. Aquele homem é terrível... e por ai desfiou seu rosário, sempre vinculando as suas afirmações ao que ouviu no Jornal Irracional e na Rádio Maracutaia...

Naquele dia tive a certeza de que a mídia bandida estava colocando a esquerda nas cordas do ringue e batendo sem parar. No rosto, no pescoço, no abdômen, na região genital, de novo no abdômen, e toma pancada, e toma pernada, e toma tapa, e soco e cuspe e bate e soca e bate...

O que a mídia de merda finge que não sabia era que batia em um avatar. Lula continua de pé, andando na rua, abraçando as pessoas, viajando pelo mundo. Uai, mas aquele que estão desfigurando? Cá entre nós, quantas vezes você já viu um covarde bater em alguém? A mídia perdida inventou uma imagem para simular uma luta que não existe - o povo contra Lula.

Aquela senhora, a quem tanto admiro bem como toda a sua família, passou a odiar uma caricatura, e não nutre nenhum ódio pelo governo federal que aí está, usufruindo inclusive dos seus serviços, com elogios.

Enquanto continuarem batendo em fantasmas, continuarão vivendo fora da realidade brasileira. Engraçado isto, porque sempre achei que fossem mais inteligentes. Ficam agora fantasiando fazendas, aviões, e o tanto de coisas que gostariam que fosse verdade no mundo real, uma vez que em seu planeta isto já existe.

Desta forma irão perder sempre, a não ser que apresentem um programa de governo que vem com o Lula dentro.

É isto aí!